Infanticídio. O pai médico, a madrasta enfermeira, com a cumplicidade de uma assistente social, aplicaram a injeção letal em Bernardo, 11 anos, e ocultaram o cadáver

 

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As mais de 2 mil páginas do inquérito policial da morte de Bernardo Uglione Boldrini, entregues na tarde desta terça-feira no Foro de Três Passos, sustentam que o pai, o médico Leandro Boldrini, foi o mentor do assassinato junto com a madrasta Graciele Ugulini. Segundo a polícia, eles queriam matar o garoto há algum tempo e contaram com a ajuda da assistente social Edelvania Wirganovicz, que indicou para a polícia o local onde o garoto foi enterrado.

A madrasta, conforme o delegado Marion Volino, aparentou desde o começo estar feliz com o sumiço de Bernardo:

— Era visível a tranquilidade e até uma certa felicidade, em tese, pelo desaparecimento.

— Graciele iniciou um contato com Edelvania em fevereiro. Alguns dias antes, ela havia ido à cidade de Redentora e conversado com uma amiga, e lá colocou que Leandro queria matar Bernardo e que ela também queria — frisou Volino.

As duas teriam passado, então, a organizar a logística do assassinato, planejando o que deveriam ter em mãos, como abrir a cova e de que forma induziriam o garoto à morte. A tática utilizada foi a saída de casa para a suposta compra de um aquário, um forte desejo de Bernardo. Um quarto suspeito, Evandro Wirganovicz — irmão de Edelvania —, ainda é investigado e segue preso temporariamente. O Ministério Público deu parecer favorável ao pedido de prisão preventiva para a madrasta, o pai e a assistente social.

A inclusão de Boldrini no crime

Para relacionar Leandro Boldrini à arquitetura do homicídio, a polícia explicou que Edelvania comprou o sedativo Midazolam com receita fornecida pelo médico. A assinatura, porém, depende de conclusão pericial. Além disso, gravações telefônicas — que ainda são mantidas em sigilo — indicaram que teria ocorrido um acerto entre os advogados dos suspeitos, após as prisões deles, para que Leandro fosse livrado da culpa.

As contradições no comportamento do cirurgião, que nunca se importou com o filho e demonstrou preocupação anormal nos dias anteriores à morte, conforme depoimentos, convenceram a polícia de que o casal havia armado um plano para apresentar à sociedade e às autoridades.

— O medicamento (Midazolam) saiu da sala de endoscopia onde ele trabalhava. Naquele dia 4 de abril, eles bajularam o Bernardo. Aquele clima de tranquilidade era anormal. Familiares comentam nas ligações que o mentor foi Leandro. Ele sabia, como apuramos em telefonemas, que o guri não veio sentado no banco de trás do carro na tarde da morte — explicou a delegada Caroline Bamberg Machado, que conduziu as investigações. Fonte: Reportagem de Mauricio Tonetto, de Três Passos

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A maldrasta
A maldrasta

Antes da injeção letal, madrasta tentou matar criança por asfixia. A via-crucis de Bernardo Boldrini que a justiça negou ajuda

por Maurício Tonetto/ Zero Hora

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Com medo de represálias do casal Leandro Boldrini, 38 anos, e Graciele Ugulini, 32 anos, a diarista Elaine Raber, 47 anos, disse à Polícia Civil na última terça-feira, em depoimento, que o menino Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, morto no dia 4 de abril, não tinha sofrido tentativa de assassinato na casa deles. Porém, ela confirmou a Zero Hora na noite desta quinta-feira que o garoto relatou a ela que a madrasta tentou asfixiá-lo em 2012, e bateu nele com uma vassoura.

O advogado Marlon Balbon Taborda, que representa a avó materna do menino Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, morto no dia 4 de abril, alertou ao Conselho Tutelar de Santa Maria, no dia 22 de novembro de 2013, e ao Ministério Público de Três Passos, em 6 de dezembro do mesmo ano, sobre o risco de vida que corria o menino.

Em troca de e-mails obtida por Zero Hora, Taborda informa, baseado em denúncia feita por Elaine, que também era babá de Bernardo e tinha uma relação íntima com o garoto, que ele “estava andando pela rua, abandonado, que foi tentado ser asfixiado em uma noite quando estava em casa, fato confirmado pelo menino”. Conforme o Ministério Público, a denúncia é de 2012.

Elaine está disposta a conversar novamente com a polícia e a dar detalhes da suposta tentativa de assassinato cometida pela madrasta. Ela trabalhou como babá na casa de Bernardo entre 2007 e 2009, quando Odilaine Uglione, mãe dele, ainda era viva. Elaine disse que Leandro Boldrini era um pai presente e que a chegada da madrasta na vida do casal alterou tudo. Confira trechos da entrevista concedida a Zero Hora:

Zero Hora – Como era a vida de Bernardo antes da chegada da madrasta?
Elaine Raber – A mãe dele nunca o maltratou. Às vezes o repreendia, mas cuidava dele, participava da sua vida, ia nas reuniões da escola, levava o menino para os lugares, comprava roupas. Era muito presente. O doutor (Leandro) era bem presente, brincava, dava atenção a ele. Nesse sentido eu não posso mentir.

Zero Hora – Por que, então, ele se tornou frio?
Elaine Raber – Essa pergunta eu também me faço. Eu não consigo entender como o doutor se transformou nesse monstro, deve ser influência dessa mulher que está com ele. O doutor mudou radicalmente, no tempo que eu trabalhava lá, ele cuidava do Bernardo. Foi essa mulher entrar na vida dele, que ele se transformou nesse homem. Eu não consigo acreditar nisso.

O pai
O pai

Zero Hora – A madrasta maltratava o Bernardo?
Elaine Raber – Ele disse que era maltratado por ela, que não gostava dela, que era muito ruim para ele. Nos primeiros tempos, ela até o agradou. Saía com ele, carregava para cima e para baixo, mas acho que era para pegar confiança do guri. Depois, começou a maltratá-lo. Eu fiquei um tempo afastada deles, mas voltei a me relacionar novamente com o Bernardo. Nesse período, quando eu ia trabalhar e ele ia para o colégio, nos encontrávamos na rua. Ele estava triste, abatido. Eu adoro esse menino, o tenho como filho. Ele se queixou que ela deixava ele para fora de casa, só podia entrar quando o pai chegava, encontrava ele mal vestido indo para a aula de manhã.

Zero Hora – Ele disse que ela tentou matá-lo asfixiado?
Elaine Raber – Sim.

Zero Hora – Por que a senhora negou isso à polícia?
Elaine Raber – Eu não sei, tinha um medo, não sabia que o Bernardo estava morto. Eles são poderosos na cidade, a gente fica com um pé atrás. Hoje eu sei que o Bernardo está morto, que não vai mais vir. Hoje, se a polícia chamar, eu falo. Ele falou uma vez que ela bateu nele de vassoura. A gente é pobre, quando vai lidar com pessoas assim, é complicado.

 

OS PASSOS DO MENINO EM BUSCA DE AJUDA

por Adriana Irion

Bernardo relatou "indiferença e desamo" do pai ao Ministério Público
Bernardo relatou “indiferença e desamo” do pai ao Ministério Público

A busca de Bernardo Uglione Boldrini por ajuda, uma angústia que fez o menino de 11 anos procurar o Fórum de Três Passos para reclamar de insultos recebidos da madrasta e da falta de interesse do pai, é um caso atípico no dia a dia da área de proteção à infância e à juventude, segundo o Ministério Público. Primeiro, por ser incomum uma criança ir sozinha até as autoridades e, segundo, por não haver relato de violência física.

— Nosso dia a dia é violência, abuso sexual, drogadição. Não é comum a queixa de desamor e desatenção. É um caso que está na linha do excepcional, que ninguém poderia supor que acabaria em morte. Avaliamos que todas as decisões da promotora (Dinamárcia de Oliveira) e do juiz (Fernando Vieira dos Santos) foram adequadas às informações conhecidas — defende o subprocurador-geral para Assuntos Institucionais, Marcelo Dornelles.

A primeira notícia sobre o abandono afetivo do qual Bernardo seria vítima chegou à Promotoria da Infância e da Juventude em novembro, quando foi aberto expediente para apurar a situação familiar. O menino era alvo de comentários na cidade.

– A assistente social perguntou se iríamos agir sendo um menino de classe alta. Se iríamos entrar na vida íntima da família. Eu disse que, se havia notícia de que a criança precisava de ajuda, iríamos entrar, sim – conta a promotora Dinamárcia de Oliveira.

Bernardo esteve no Fórum em 24 de janeiro, quando a promotora já estava prestes a concluir a apuração. Ela aguardava apenas o depoimento da avó materna, que havia sido dado em Santa Maria. O pai e a madrasta seriam os últimos a serem ouvidos.

– Não podia chamá-los antes. Se notifico a família, o pai pode pressionar o filho – diz Dinamárcia.

Conforme a promotora, apesar de não haver indícios de que o menino sofresse violência física, o caso teve prioridade. Em janeiro, Dinamárcia estava responsável por três comarcas:

– Eu tinha 50 expedientes, de 14 Conselhos Tutelares, envolvendo crianças, mas nunca tinha acontecido de uma criança procurar ajuda sozinha.

Depois de conversar com Bernardo e confirmar as queixas sobre o pai e a implicância da madrasta, a promotora preparou a ação judicial pedindo que a guarda do menino fosse dada para a avó materna. O juiz Fernando Vieira dos Santos entendeu por tentar uma conciliação entre o pai, o médico Leandro Boldrini, e o menino. Em uma audiência em 11 de fevereiro, Boldrini pediu uma chance para melhorar a relação com o filho. Em 13 de maio, pai e filho seriam novamente ouvidos.

– O tempo de apuração foi até mais ágil do que o normal. O natural e o previsto em lei é tentar a reconstrução do laço com a família – diz o subprocurador-geral Dornelles.

Novembro de 2013
PREOCUPAÇÃO COM O ‘FILHO DO MÉDICO”

Em meados de novembro, em uma reunião de órgãos da rede de proteção à infância, uma assistente social do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) verbalizou à promotora Dinamárcia de Oliveira preocupação com a situação de Bernardo e questionou se MP iria agir, se entraria na vida íntima da família, de classe alta. A assistente social soube do suposto abandono afetivo de Bernardo por meio de comentários na comunidade. As pessoas diziam que o “filho do médico” estava com problemas. A promotora pediu a formalização do caso.

INJEÇÃO LETAL

A Polícia Civil investiga a informação de que teria sido aplicada em Bernardo Uglione Boldrini uma dose excessiva de analgésico usado para endoscopia.

A confirmação sobre o que matou Bernardo ainda depende de exames periciais, mas investigadores de Três de Passos apuram o uso deste analgésico a partir de informações de uma testemunha.

Um dos desafios é verificar onde a substância foi adquirida. A madrasta de Bernardo, Graciele Ugolini, que estudou enfermagem, é sócia do pai do menino, o médico cirurgião Leandro Boldrini, na Clínica Cirúrgica Boldrini. A amiga de madrasta, Edelvania Wirganovicz, também presa por suspeita de participação no crime, revelou à polícia que o menino foi dopado com barbitúricos antes de receber a injeção com a substância que causou sua morte, no dia 4, mesmo dia em que desapareceu da cidade.

PROVAS PARA REABRI INQUÉRITO SOBRE A MORTE DA MÃE DE BERNARDO

por Samuel Vettori/Rádio Guaíba

 

O advogado da avó do menino Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, tenta reunir indícios que motivem a polícia a reabrir o inquérito sobre a morte da mãe do garoto, em 2010. “Sempre houve esse interesse e a gente está buscando indícios de prova (de que não ela não cometeu suicídio)”, salientou. Questionado se há elementos para motivar a reabertura da investigação, ele garantiu existirem: “Basta as pessoas falarem (às autoridades) o que me falaram”, comentou.

Na época, a investigação concluiu que Odelaine Uglione cometeu suicídio. Havendo indicações de que a morte foi provocada, a polícia pode reiniciar a investigação. “É preciso um fato novo”, explicou o titular da Departamento de Polícia do Interior, delegado Valter Wagner. A mãe dela, Jussara Uglione, comentou ter dúvidas sobre a filha tirar a própria vida. “É questão de ser de novo examinada (a morte) para ver se (não foi provocada) por essa bandida que matou meu neto.”

 

ASSISTENTE SOCIAL CONFIRMA MEDICAÇÃO

por Adriana Irion

 

Ao confessar o assassinato de Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, a assistente social Edelvânia Wirganovicz apontou para a Polícia Civil uma das substâncias que a madrasta do menino, Graciele Ugulini, teria dado ao menino no dia do crime.

Conforme o depoimento, um dos remédios seria o Midazolan, um sedativo e indutor anestésico muito usado em pequenos procedimentos, como endoscopias.

Consultada por Zero Hora, a médica clínica geral Lisangela Preissler explica que se usado em doses excessivas o Midazolan pode levar à insuficiência respiratória. A necropsia feita em Frederico Westphalen foi “inconclusiva” para a causa da morte. A polícia aguarda novos exames periciais.

Edelvânia disse à polícia “lembrar do Midazolan, o qual Kelly (como Graciele é conhecida entre amigos) disse que ia deixar ele meio desmaiado e outro que era mais forte, que injetado em seguida do Midazolan seria fatal.”

Ainda conforme o depoimento, Kelly teria dado um primeiro comprimido a Bernardo antes de sair de Três Passos, a fim de que ele já dormisse na viagem. Mas não teria feito efeito e já em Frederico Westphalen ele teria tomado outra dose. Edelvânia confirmou aos policiais que Bernardo recebeu uma injeção no braço esquerdo. O Midazolan também existe na apresentação injetável.

Segundo a médica Lisangela, a apresentação oral da substância, conhecida pelo nome comercial de Dormonid, só pode ser comprada em farmácias mediante receituário azul, já que é de uso controlado. Já a apresentação injetável estaria disponível apenas em hospitais e clínicas para a realização de procedimentos como a endoscopia.

A polícia investiga se a medicação foi retirada da Clínica Cirúrgica Boldrini, de propriedade do pai de Bernardo, Leandro Boldrini, em Três Passos. Edelvânia, no entanto, falou aos policiais que Kelly pegaria o remédio no hospital de Três Passos, “eis que disse que tinha acesso à medicação.”

 

COMO ACONTECEU O ASSASSINATO

O relato que a assistente social Edelvânia Wirganovicz deu à Polícia Civil ao confessar participação na morte de Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, mostra um roteiro de frieza e premeditação, no qual Edelvânia justifica o fato de ter aceitado participar do crime de forma singela:

— Era muito dinheiro e não teria sangue nem faca, era só abrir um buraco e ajudar a colocar dentro o menino.

 A assistente social assassina Edelvânia Wirganovicz
A assistente social assassina Edelvânia Wirganovicz

Zero Hora teve acesso ao depoimento dado em 14 de abril que deu à polícia o embasamento para prender Edelvânia, a madrasta do menino, Graciele Ugulini, e o pai de Bernardo, o médico cirugião Leandro Boldrini. Pelo relato de Edelvânia, Graciele (conhecida como Kelly entre as amigas) planejava há muito tempo a morte do enteado, considerado um “incômodo” na vida do casal.

Quanto à suposta participação de Boldrini, no entanto, Edelvânia repetiu aos policiais o que teria ouvido da amiga: que ele “não sabia, mas, futuramente, ele ia dar graças de se livrar do incômodo, porque Bernardo era muito agitado”. A polícia suspeita de que o médico tenha ajudado a encobrir o crime depois de supostamente ficar sabendo do que havia acontecido.

Bernardo rumou para a morte depois de sair da escola em 4 de abril acreditando que ganharia um aparelho de televisão e que faria uma consulta com uma “benzedeira”, segundo contou Edelvânia. Conforme o depoimento, ainda em Três Passos, Graciele teria dado um remédio ao menino para que dormisse _ teria dito a ele que o comprimido era para evitar que vomitasse na viagem. Mas o remédio não fez efeito e ele chegou em Frederico Westphalen acordado. Desceu do carro da madrasta e entrou no Siena de Edelvânia. No veículo, Graciele deu mais um comprimido ao menino, que tomou com a água que ela tinha levado.

No trajeto em direção ao local onde seria enterrado, Bernardo teria ouvido da madrasta mais uma vez a explicação de que estava indo a uma consulta com uma benzedeira e que precisava, para isso, levar um “piquezinho na veia”. Edelvânia disse à polícia que “mandaram ele deitar sobre uma toalha de banho cor azul. Que Kelly aplicou na veia do braço esquerdo com uma seringa e ele foi apagando.”

Depois de tirar a roupa _ que seria o uniforme da escola _ e os tênis, enterraram o menino, sem conferir se ainda estava vivo: “Que a depoente e Kelly colocaram o menino no buraco sendo que Kelly jogou a soda sobre o corpo e a depoente colocou pedras. Que a depoente acha que ele já estava morto. Que a depoente não viu se Kelly olhou se o menino tinha pulsação.”

Segundo relato, por volta das 16h de 4 de abril, o crime estava consumado, o corpo de Bernardo, enterrado, e as duas amigas retornaram para a cidade. Depois de lavar-se na casa de Edelvânia, Kelly foi até uma loja e comprou a televisão prometida a Bernardo. Edelvânia levou uma sobrinha para tomar picolé e, após, foi para casa dormir.

A relação de amizade de Graciele e Edelvânia seria do passado, elas teriam morado juntas por dois anos antes de Graciele se mudar para Três Passos. O contato entre as duas depois da mudança teria sido apenas por meio do Facebook e algumas ligações telefônicas.

Edelvânia contou que o contato foi retomado há cerca de dois meses. Que Graciele teria ido a seu trabalho e depois as duas foram para o apartamento da assistente social. Graciele teria levado presentes como “cremes e enfeitezinhos” para o imóvel. Enquanto tomavam chimarrão, Kelly teria convidado Edelvânia para ser madrinha de sua filha e teria desabafado sobre a relação com Bernardo.

Teria dito que o menino era “ruim”, que era difícil de lidar e que brigava até com o pai.

“Que após essa conversa Kelly perguntou o que achava, sendo que ela tinha bastante dinheiro e que se a depoente a ajudasse a dar um sumiço no guri ela lhe daria dinheiro e ajudaria a pagar o apartamento” _ diz trecho do depoimento.

Assistente social quase revelou plano de morte à mulher de um delegado

A resposta não foi dada naquele dia. Segundo Edelvânia, Kelly “deu um tempo” e elas teriam se falado algumas vezes por telefone. Kelly teria voltado à cidade em 2 de abril, dois dias antes do crime. Edelvânia disse que, na ocasião, se assustou com a presença da amiga Kelly, uma vez que estava recebendo em casa outra conhecida, a mulher de um delegado.

Edelvânia disse à polícia que estava “começando a se abrir com a mulher sobre a proposta de Kelly, que se tivesse contado tudo, ela não deixaria a depoente fazer o que fez”.

Segundo a assistente social, a madrasta planejava o crime há muito tempo, tendo, inclusive, contado que teria tentado matar o menino usando um travesseiro. Bernardo havia contado esse fato a uma ex-babá, que relatou para a avó materna. O caso chegou ao conhecimento do Conselho Tutelar e do Ministério Público, mas nenhuma autoridade procurou a babá para apurar a veracidade.

A madrasta
A madrasta

Naquele dia, Kelly teria revelado todo o plano: dopar o menino e depois aplicar uma injeção letal na veia. Teria pedido um local para “consumir” o corpo. No mesmo dia, as duas teriam ao local, no interior de Frederico Westphalen, e começado a cavar com uma enxada de Edelvânia.

Como havia dificuldade, teria decidido comprar outras ferramentas, além de um produto para “diluir rápido o corpo e que não desse cheiro”. As ferramentas, uma pá e uma cavadeira, foram apreendidas pela polícia na casa da mãe de Edelvânia. No dia 2, tudo ficou guardado na casa de Edelvânia e que Kelly teria dito que voltaria com o menino “na quinta ou sexta-feira e que de segunda-feira não passaria”.

Edelvânia sustentou à polícia que, no dia seguinte, quinta-feira, dia 3, voltou ao local para terminar de cavar a cova. Na sexta-feira, Kelly teria passado uma mensagem informando que estava indo para Frederico e teria usado um “código” combinado por eles para confirmar que Bernardo estava junto. Teria sido por volta do meio-dia de 4 de abril.

“A depoente já estava esperando lá embaixo do prédio onde mora, tendo Kelly estacionado a camioneta do lado do Siena e o menino desceu e entrou no Siena. Que as coisas já estavam no porta-malas, a cavadeira, a pá, a soda e as ‘coisarada’ do kit do remédio que Kelly já tinha deixado com a depoente na quarta-feira e que iria usar para matar o guri.”

Edelvânia contou que “não teve sangue, apenas da picadinha”. As roupas do menino, a seringa e outros materiais foram colocados no lixo. Ela disse que recebeu no dia 2 R$ 6 mil, que usou para pagar uma parcela do apartamento comprado por R$ 96 mil. O acerto total seria de um pagamento de R$ 20 mil, mas, segundo Edelvânia, depois Kelly teria se disposto a pagar o total que faltava para quitar o apartamento.

“Que Kelly lhe ofereceu muito dinheiro e a depoente foi fraca, mas era muito dinheiro e não teria sangue nem faca, era só abrir um buraco e ajudar a colocar dentro o menino (…) Que Kelly tinha lhe prometido no início R$ 20 mil, mas depois lhe disse que daria o apartamento inteiro, pagando R$ 90 mil que faltava para a depoente”, justificou Edelvânia à polícia.

Ao encerrar o depoimento, Edelvânia afirmou que “somente ela e Kelly sabem sobre o fato. Que antes de hoje (dia 14, quando confessou) já teve vontade de contar para outra pessoa o que tinha feito, mas não contou por vergonha de sua mãe e pensou na sua pequena (referindo-se a sua sobrinha).”

 

O menino de 11 anos que procurou a justiça

Bernardo Boldrini, 11 anos, procurou o Ministério Público por conta própria, pedindo para não morar mais com o pai e a madrasta. E indicou duas famílias com as quais gostaria de ficar.

Em janeiro, o menino esteve no MP de Três Passos, no Rio Grande do Sul, e relatou detalhes de sua rotina, marcada pela indiferença e pelo desamor na casa em que vivia. O pai, o médico Leandro Boldrini, 38 anos, a madrasta, a enfermeira Graciele Ugulini, 32, e uma meia-irmã, de um ano — de quem relatou ser proibido de se aproximar.

O juiz da Vara da Infância e da Juventude do Fórum de Três Passos, Fernando Vieira dos Santos, 34 anos, chorou ao lembrar que o caso do menino passou pelas mãos dele no processo movido pelo Ministério Público do município. O garoto pediu ajuda ao Centro de Defesa da Criança e do Adolescente, órgão ligado à prefeitura, e a queixa chegou ao MP, que a transformou em um processo. A ação acabou na mesa de Santos, que intimou as partes. Como não havia registro de violência física, o magistrado optou por tentar preservar os laços familiares, suspendendo o processo por 60 dias para dar chance de uma reaproximação.

A negligência afetiva em relação a Bernardo chegou ao conhecimento do MP em meados de novembro. Na ocasião, um expediente foi instaurado para apurar o caso. A promotora da Infância e da Juventude de Três Passos, Dinamárcia Maciel de Oliveira, pediu informações a órgãos da rede de proteção, como o Conselho Tutelar e a escola em que o menino estudava, e fez levantamentos sobre parentes que poderiam assumir a guarda do menino.

No início do ano, Bernardo foi levado ao MP por um agente da rede de proteção. Apesar de ter negado sofrer maus-tratos e violência, disse que o pai era indiferente e que a madrasta implicava com ele. No fim de janeiro, a promotora ingressou com ação na Justiça pedindo que a guarda provisória fosse dada à avó materna, que mora em Santa Maria (RS). Desde então, nenhuma informação sobre problemas na relação familiar chegou ao MP.

Bernardo Uglione Boldrini desapareceu no dia 4 deste mês, quando foi assassinado com uma injeção letal aplicada pela madrasta enfermeira, e o corpo ocultado em uma cova cavada em um matagal próximo ao leito do rio Mico, em Frederico Westphalen.

Foi a denúncia do menino que fez a polícia, desde o início das investigações, a suspeitar que os assassinos eram o pai e a madrasta.

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Noelia Brito: Esse caso é um dos mais absurdos de conivência da justiça com a violência contra as crianças. O casal é de psicopatas sádicos que deveriam ter sido avaliados minuciosamente por profissionais capacitados. Quantos casos de violência doméstica não estarão sendo tratados com desleixo por nossas autoridades nesse exato momento?

Renato Janine Ribeiro: Nesse crime horroroso que terá sido o assassinato do pequeno Bernardo pela madrasta e pelo pai, me choca saber que o garoto, com apenas 11 anos, foi reclamar ao Conselho Tutelar – e não adiantou nada. Isso não o salvou. O juiz agora chora. Mas não seria melhor, nesses casos, proteger o indefeso? Se uma ação tão difícil quanto uma criança procurar o órgão competente – o que exige um nível de formação elevado – não dá certo, o que fazer para evitar novos infanticídios a domicílio?

Prazeres Barros: Fiquei chocada com esse caso. Como pode um PAI tratar o filho com tanto desprezo e indiferença? E a madrasta bandida que no perfil no Facebook ( fui olhar), além de não ter uma foto do garoto, não faz nenhuma referência a ele. É como se não existisse. Todos merecem apodrecer na cadeia, mas o pai é o pior para mim, pois cabia a ele a defesa do filho.

Rosemary Siqueira: OS MAGISTRADOS TAMBÉM TEM SUA CULPA, DEPOIS DA CRIANÇA TER IDO AO FÓRUM FAZER A DENÚNCIA, O JUIZ ACEITA E/OU PROPÕE UM ACORDO DE CONVIVÊNCIA MELHOR ENTRE PAI E FILHO, MAS NÃO ACOMPANHA … É COMO SE DISSESSE: ” PROBLEMA RESOLVIDO”

José Mário: Só pra constar, conselho tutelar hoje é mero aparelhamento dos governos…

Ricardo Antunes: Na dúvida o juiz deveria ter optado pelo que dizia a criança. Foi acreditar no pai e o garoto morreu duas vezes como disse em belo texto o professor Talis Andrade. É a justiça dos poderosos.

Janise Carvalho: Quando pensei que já tinha visto de tudo, o caso Nardoni volta a assombrar nossas noites: Me perguntando quantos Nardoni’s ainda precisamos conhecer

 

Graciele Uglini e Leandro Boldrini
Graciele Uglini e Leandro Boldrini

In Noelia Brito 

Uma injeção letal dos Boldrini. Fim de uma vida de sofrimentos de um menino de 11 anos

bandidos juntos

 

A polícia civil não tem mais nenhuma dúvida do envolvimento do pai, o médico Leandro Boldrini, 39 anos, da madrasta, a enfermeira Graciele Kraus Boldrini, 32 anos, e da amiga do casal, a assistente social Edelvânia Wirganovicz, de 40 anos, na morte e ocultação de cadáver do menino Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, desaparecido desde o dia 4 último.

O corpo da criança foi encontrado anteontem, dia 14 de abril, dentro de um saco, enterrado às margens do Rio Mico, na Localidade de Linha São Francisco, no interior de Frederico Westphalen. Presume-se que o crime teria sido praticado no dia 4 de abril, portanto há 12 dias.

b corpo encontrado

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b corpo levado
MENINO QUEIXAVA-SE DE ABANDONO MATERIAL

Por algumas vezes o menino Bernardo havia reclamado de abandono material. Sem a mãe que morrera em 2010 ele não estaria recebendo atenções do pai, que tinha uma filha de um ano com a madrasta. Estas reclamações teriam, inclusive, chegado ao conhecimento da justiça, só não se sabe se alguma providência foi tomada com relação ao genitor para que o mesmo desse mais atenção ao filho pré-adolescente.

DELEGADA ENCARREGADA DO CASO QUASE CAI EM LÁGRIMAS DURANTE A ENTREVISTA

Em entrevista coletiva concedida na manhã de hoje, as delegadas Caroline Bamberg Machado, Cristiane de Moura e Silva informaram que o caso foi elucidado com um trabalho intenso e cooperativo entre equipes da Polícia Civil de Santa Rosa, Santo Ângelo e do Departamento da Criança e do Adolescente (Deca).

Emocionada, contendo as lágrimas, a delegada chegou a revelar que teve uma guerra com o seu emocional, quando ficou frente a frente com os acusados, pela frieza que os mesmos demonstraram. A muito custo a delegada Caroline que chefia as investigações conseguiu manter a racionalidade, não escondendo que por pouco não perdeu o controle diante de um fato tão revoltante como este.

INJEÇÃO LETAL TERIA SIDO A FORMA DE HOMICÍDIO PRATICADO PELOS CRIMINOSOS

A madrasta Graciele Boldrini teria aplicado uma injeção letal no menino, com o auxílio da amiga Edelvânia Wirganovicz, e após teriam colocado o corpo da vítima em um saco e enterrado no buraco onde foi encontrado. A partícipe Edelvânia, depois de negar algumas vezes, concordou em colaborar com a investigação e deu detalhes do crime. Falta ainda se determinar o grau de participação de cada um no cometimento do crime, principalmente do pai do menino, mas o fato de o mesmo ter acompanhado a madrasta na viagem é fator decisivo para determinar seu envolvimento.

PROVAS ROBUSTAS QUE INCRIMINAM O CASAL E A COMPARSA

Durante a investigação a polícia foi colhendo provas que a cada momento confirmavam a participação dos acusados no episódio. Contradições em depoimentos como a negativa de terem saído de Três Passos que foi contradita com uma multa que a madrasta tomou por excesso de velocidade no município de Tenente Portela quando o agente autuador asseverou que o menino se encontrava junto no veículo, e outras contradições foram avolumando a desconfiança que culminou com a confissão da coparticipe Edelvânia que após relutar decidiu contar a verdade, dando detalhes que levaram ao local exato onde o corpo havia sido ocultado.

PRISÃO TEMPORÁRIA

Os três envolvidos estão presos temporariamente, por 30(trinta) dias por se tratar de crime hediondo, mas os locais para onde eles foram levados não foram revelados, devido à comoção da comunidade que poderia atentar contra a vida dos mesmos.
De acordo com a delegada chefe das investigações, os dois principais acusados a madrasta e o pai do menino não foram ouvidos formalmente, até mesmo porque a argumentação dos mesmos era algo que chegava a revoltar.

REVOLTADA A POPULAÇÃO QUERIA QUEIMAR A CASA DOS ACUSADOS NA NOITE DE SEGUNDA-FEIRA

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Ontem à noite após a cidade tomar conhecimento da prisão e das fortes evidências da participação dos familiares na morte do menino, uma multidão se dirigiu até a residência do casal onde queriam por fogo na casa. Foi necessária a intervenção das polícias civil e militar para evitar a destruição da casa. Com habilidade e paciência, a delegada Caroline pediu aos populares que preservassem a casa, porque dentro dela estão várias respostas para muitas questões que poderão ser decisivas para que os criminosos possam ser responsabilizados por esta monstruosidade.

Em Três Passos, desde o desaparecimento do menino, que os moradores iniciaram uma emocionante campanha de busca.

Passeata dos coleguinhas de escola
Passeata dos coleguinhas de escola

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A FRIEZA DA MADASTRA

Na sua página no Facebook, a madastra com o nome Graciele Leandro Boldrini não apresenta nenhuma foto de Bernardo, e sim dezenas dela, do marido e do filho de um ano. Bernardo não faz farte da família.

pai e madrasta no jatinho particular

A assistente social Edelvania Wirganovicz, que participou do assassinato de Bernardo
A assistente social Edelvania Wirganovicz, que participou do assassinato de Bernardo
O pai, Leandro Boldrini, e a madrasta, Graciele Ugoline
O pai, Leandro Boldrini, e a madrasta, Graciele Ugoline

Na campanha de procura, Leandro, por uma emissora de rádio, por quatro vezes não cita o nome do filho. Chama Bernardo de  “esse menino”. Só no final diz que é o pai, respondendo pergunta do locutor. Escute. Observe  que não possui o sentimento de paternidade

 

 

Enterrado pela segunda vez o menino Bernardo Boldrine, assassinado pelo pai médico e a madrasta enfermeira

Após ser homenageado em Três Passos, no Noroeste do Rio Grande do Sul, município onde morava, e em Santa Maria, na Região Central do estado, cidade da família materna, o corpo do menino Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, foi sepultado na manhã desta quarta-feira (16). O enterro ocorreu por volta das 10h30 no Cemitério Municipal de Santa Maria, no mesmo jazigo da mãe, Odelaine, que teria cometido suicídio em fevereiro de 2010, aos 30 anos.

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Nos semblantes dos que acompanhavam o enterro de Bernardo, indignação e incredulidade. “Não tem explicação”, muitos diziam. Uma oração seguida de abraços foi solicitada aos que acompanhavam o enterro. Amigos, professoras e colegas do colégio Ipiranga, de Três Passos, trouxeram faixas e flores para homenagear Bernardo.

Avó de Bernardo no sepultamento do neto. Foto: Deivid Dutra/A Razão
Avó de Bernardo no sepultamento do neto. Foto: Deivid Dutra/A Razão

A avó, Jussara Uglione, pediu que não a deixassem sozinha. Jussara também agradeceu a todos o carinho prestado a ela e a Bernardo. “Isso não pode ficar impune”, reforçou a avó materna. Centenas de pessoas acompanharam o enterro do menino, natural de Santa Maria.

O corpo da criança foi encontrado na segunda-feira (14) enterrado em uma cova feita em um matagal da cidade de Frederico Westphalen, no Norte do Rio Grande do Sul. Segundo o atestado de óbito, a morte ocorreu no dia 4 de abril, de “forma violenta”.

Desde que ficou órfão da mãe, Bernardo morava com o pai, o médico cirurgião Leandro Boldrini, e a madrasta, Graciele Ugolini Boldrini. O casal, que tem uma filha de 1 ano, foi preso preventivamente junto com a amiga Edelvania Wirganovicz, que também teve participação no crime. Os três estão detidos em local não revelado pela polícia, por medida de segurança. Segundo a polícia, a mãe do menino cometeu suicídio com um tiro na cabeça no consultório onde o ex-marido, pai do garoto, trabalhava na época. (Fonte G1)

Zero Hora – A sua filha cometeu suicídio em 2010?
Jussara – Não, não acredito que ela tenha feito isso. Até hoje tenho suspeitas de que ela foi assassinada.

Logo após a morte da única filha, em 2010, a aposentada Jussara Uglione, 73 anos, moradora de Santa Maria, entrou com uma ação na Justiça para ter o direito de visitar o único neto. Segundo ela, o pai do garoto e marido de sua filha, não só negava o contato como a ofendia.

Zero Hora – A senhora tinha contatos com o seu neto frequentemente?
Jussara – Tentei várias vezes me aproximar dele, os meus advogados têm comprovantes de que fui impedida disso desde a morte da minha filha (em 2010).

Jussara e o neto
Jussara e o neto

Fui impedida de vê-lo por 4 anos, me chamavam de velha doente, falavam que eu tinha problemas e que não teria condições de cuidá-lo. Eu tenho uma ótima situação financeira, tenho o nome limpo. Temos 73 anos de firma (revenda de veículos Uglione, em Santa Maria), somos honrados e honestos.

Jussara afirma que enquanto Leandro estava casado com sua filha, ele tinha Graciele Ugulini, 32 anos, como amante. “Tenho certeza que eles estavam juntos antes”, desabafa.

Graciele Ugulini, a madrasta
Graciele Ugulini, a madrasta

Sobre Bernardo, a avó aponta casos de maus-tratos contra o garoto, o que soube pelo próprio neto e por outras pessoas. “Ele não tinha chave de casa e precisava esperar sentado na calçada até que o pai chegasse. Ficava lá, com fome. Isso não se faz”, conta. Jussara relata ainda que Bernardo procurou auxílio jurídico pelo tratamento que recebia em casa. Em informações para a imprensa, a promotora da Infância e Juventude de Três Passos, Dinamárcia Maciel de Oliveira, cuidou do caso de suposta negligência entre novembro de 2013 e janeiro deste ano. (Fonte A Razão)

Relatos de vizinhos e amigos dão conta que Bernardo se dizia carente de atenção. Ele mesmo chegou a procurar a Justiça para relatar o caso. No início do ano, o juiz Fernando Vieira dos Santos, da Vara da Infância e Juventude de Três Passos, autorizou que o garoto continuasse morando com o pai, após o Ministério Público (MP) instaurar uma investigação contra o homem por negligência afetiva e abandono familiar.

 

O pai
O pai

De acordo com o MP, desde novembro do ano passado, o pai de Bernardo era investigado. Entretanto, nunca houve indícios de agressão física. Em janeiro, o menino foi ouvido pelo órgão e chegou a pedir para morar com outra família.
Ainda no início do ano, o médico pediu uma segunda chance, com a promessa de que buscaria reatar os laços familiares com o filho, e assim convenceu a Justiça a autorizar uma nova experiência.

b - envolvidos