O PEZÃO DA CALAMIDADE PÚBLICA DO RIO E OS QUADRILHEIROS DO GOLPE

Informa a agência BBC: Na reta final para a Olimpíada, o Rio de Janeiro decretou estado de calamidade pública, chamando a atenção para a gravidade da crise que atinge as finanças do Estado menos de 50 dias antes de sediar para o maior evento esportivo mundial.

Diversos veículos de imprensa publicaram que, com o decreto, o governo federal irá viabilizar de forma mais rápida um socorro federal de R$ 2,9 bilhões ao Estado do Rio.

Os recursos seriam usados para finalizar a ligação Ipanema-Barra da linha 4 do metrô, pagar horas extras de policiais e garantir salários de servidores ao menos até os Jogos.

Na visão dos especialistas, é impossível entender o cenário que levou o Estado do RJ a decretar estado de calamidade pública sem levar em conta falhas de gestão.

“O Rio de Janeiro quebrou por excesso de gastos obrigatórios, aumento de gastos com pessoal acima do permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, e não por endividamento. O governo fluminense também contou com receitas temporárias, como os royalties do petróleo, para expandir gastos permanentes, inchando a máquina”, explica Jucá Maciel, especialista em finanças públicas.

O professor da FGV-Rio Michael Mohallem diz que a medida do governo do RJ é um “atestado de má gestão” e “passa uma imagem terrível para o mundo” às vésperas da Olimpíada.

Diante do não pagamento de salários de servidores e parcelamento de benefícios nos últimos meses, além da crise na saúde pública e na educação, o uso de verbas federais para quitar obras olímpicas pode causar desgaste ao governo estadual.

“(O decreto) tem o objetivo de obter mais recursos e direcioná-los para obras que não são prioritárias para a cidade. Enquanto isso, centenas de milhares de pessoas estão passando por necessidades básicas, tanto servidores e terceirizados que não recebem seus salários como a população em geral que sofre com a precarização dos serviços públicos”, diz Renato Cosentino, pesquisador do IPPUR/UFRJ e membro do Comitê Popular de Copa e Olimpíadas.

Outro ponto para entender o decreto é a possibilidade de execução de medidas excepcionais sem autorização do Legislativo, como realocação de verbas e cortes de serviços para priorização de outras áreas. Melhor explicado: obras e serviços sem licitação. Por preços olímpicos.

O Rio vem sendo governado por corruptos. O atual golpe é uma conspiração de políticos que comandam o Estado: governadores Sérgio Cabral Filho, Luiz Fernando Pezão, Francisco Dornelles, Moreira Franco, senadores Marcelo Crivella, Romário, deputados federais Jair Bolsonaro, com quase meio milhão de votos, Eduardo Cunha, prefeitos Cesar Maia, Eduardo Paes.

Que esperar dessa gentalha?

 

A crise no Rio, os porcalhões responsáveis e os guardanapos

Jornal do Brasil – Os responsáveis pela crise no Rio de Janeiro, que fez com que o governador em exercício decretasse estado de calamidade pública — o que já repercute na imprensa internacional –, são aqueles porcalhões que se sujaram dos pés à cabeça em uma festa milhardária no exterior, e tiveram que lavar a cabeça com guardanapo, enquanto riam e gargalhavam do sofrimento do povo fluminense. Em entrevista, o governador destacou que se o Estado do Rio de Janeiro fosse uma empresa, iria ser fechada. Mas, e o povo, como fica com isso?

O jornal inglês The Guardian deu destaque na noite desta sexta-feira (17) ao decreto de calamidade pública, destacando que a medida ajuda a engrossar a lista de outros problemas que o país já precisava enfrentar, como impeachment da presidente Dilma, Zika, investigações sobre corrupção e dificuldades econômicas.

“A maior preocupação para os 500 mil visitantes esperados para os Jogos é o corte no orçamento da segurança pública, o que contribui para os problemas enfrentados pela ‘pacificação’ de favelas e para um ressurgimento de crimes violentos. Isto em meio a advertências de que terroristas teriam o evento como alvo”, diz o jornal inglês.

> ‘The Guardian’: Calamidade pública no Rio é embaraço para anfitrião da Olimpíada

Entre os personagens daquela festa milhardária estava o antigo secretário da Fazenda do Estado, que foi ministro da Fazenda no governo Dilma e hoje engana o mundo ao dirigir organismo internacional na área financeira. Outros que estavam ali enganam empresários, se empregando em suas empresas, talvez para fazer lobby de cobrança. E outro, da área de saúde, deve estar enganando ou tentando também com lobby para receber o que, quando secretário, ficou devendo a essas empresas.

Em agosto de 2010, Sérgio Cabral já dizia: “Ganhamos as Olimpíadas, que parecia um sonho impossível. Estamos mudando o Rio”. Ele tinha razão, ele já sabia que o Rio ia quebrar, mas na mão de outros. Mais tarde, em novembro do mesmo ano, Cabral declarou: “Ganhamos as Olimpíadas de 2016 não foi para termos 21 dias de alta cobertura de segurança dos convidados. Ganhamos para dar à população do Rio.”

E o povo, como fica?

É obrigado a assistir a tudo isso calado.

O próprio decreto fala em necessidade de atender às áreas de segurança, saúde e educação, basicamente.

Na segurança pública, o cidadão é assaltado e morto.

Na saúde, o enfermo tem como expectativa a morte. O acidentado no trânsito e o pobre doente em casa, se necessitarem do Samu, vão morrer, na ausência de ambulâncias, médicos e remédios.

Na educação, o aluno do colégio público, como não pode estudar, corre o risco da delinquência ou da sobrevivência sofrida.

Os servidores não recebem seus salários.

E La Nave Va…

E a Justiça não dará a esses senhores nem uma ‘tornozeleirinha’. Eles, os responsáveis por questões desde a queda de helicópteros com crianças mortas até o superfaturamento de empresas terceirizadas de todas as áreas, que não recebem do governo estadual mas também não reclamam, o que indica que os contratos firmados devem ter sido bem vantajosos para os envolvidos.

E o povo, como fica?

Depois que eles financiaram a Olimpíada, o povo se limita a trafegar por vias engarrafas, correndo o risco de perderem o emprego, os que ainda têm um, por não conseguirem chegar aos locais de trabalho na hora certa.

E o povo, como fica?

Os cientistas políticos e os sociólogos fazem suas previsões sobre o que pode vir a acontecer com esse povo. Eles concluem, por exemplo, que os policiais que vão para as ruas para tentar defender o estado e as famílias saem de casa conscientes de que suas próprias famílias podem perder o provedor. Os criminosos estão mais armados. Já a família precisaria esperar dois ou seis meses para receber os proventos do policial que morreu.

E o povo, como fica?

Enquanto o Brasil sofre, eles já providenciaram suas passagens e passaportes para viverem nas residências que devem ter no exterior.

>> Secretários de Paes e Cabral viajaram com empresário

>> MP irá investigar Sérgio Cabral por “voo da alegria”

Alckmin e Pezão, os votos do Sul Maravilha

A extrema-direita e a direita, as elites e os golpistas de sempre costumam dizer que o nordestino não sabe votar. E defendem eles os votos que consideram sábios e inteligentes e cultos do carioca e do paulistano. Que reelegeram Alckmin e Sérgio Cabral Filho que escolheu o vice Pezão como sucessor.

O eleitor do Rio de Janeiro
O eleitor do Rio de Janeiro

Pesado Pezão, por que escondes os bandidos assassinos de Cláudia?

Continuam soltos os covardes milicianos da Polícia Militar do Rio de Janeiro que assassinaram a doméstica Cláudia Silva Ferreira, favela, negra, casada, mãe de quatro filhos, sendo dois adotivos. Depois os torpes bandidos arrastaram o corpo de Cláudia pelas ruas da ex-Cidade Maravilhosa, capital do decadente rock, e destruída pelos governadores Sérgio Cabral e Pezão.

A polícia até agora não investigou ninguém, nem a justiça tarda e falha, que passa a ser cúmplice.

Mas o povo não esquece Cláudia. Dirá não nas urnas aos governadores Cabral e Pezão e à bancadas da bala.

HARETE
HARETE

 

ESTHER MARIA PASSOS
ESTHER MARIA PASSOS

E eu que nem sei o que é ser Claudia Silva… E nem sei o que dizer…
Mas uma reverência tem de ser feita. Um não tem que ser dito. E a memória, cravada.

Claudia Silva Ferreira. Um dia ela volta com a força de um milhão.

claudia 68) CARLOTAS

 JÚLIA LIMA
JÚLIA LIMA
 JORDANA MIRANDA
JORDANA MIRANDA

 

luda_para_claudia 64) JORDANA MIRANDA

A gente se indigna com isso tudo porque realmente deseja o bem.
Na verdade o que ‘deveria ser’ vai além disso, pois não deveria existir nem tiroteios.
Mas enfim, para a questão, fico sonhando em como os policiais deveriam ser, realmente, humanos.

Vamos lá, silêncio quebrado e marcha para dias melhores!

claudia- TAYS VILLACA 69

 ALEXANDRE REIS
ALEXANDRE REIS

Jornalistas ameaçados pela polícia de Sérgio Cabral e Pezão

povo massa passeata greve indignados Pesão

Esperando por novos Santiagos

por Carlos Tautz

 

Diante da sucessão de violências cometidas por agentes do Estado contra jornalistas, de descabida decisão irrecorrível do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), de desenvolvimentos das ameaças à presidenta do sindicato da categoria, de prisão ilegal de fotógrafo no exercício da profissão e de intimidações a repórteres, não é exagero dizer: a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa, pilares da democracia, estão sob ataque no Rio de Janeiro.

Tudo isso após já terem ocorridos em 2013 mais de 110 agressões a jornalistas no Brasil – em 70% dos casos, por policiais militares e 40% deles na cidade do Rio, além do assassinato do cinegrafista Santiago Andrade em fevereiro. A cronologia prova a violência.

Em 17 de março, o subtenente Joaquim Carlos Ferreira dos Santos, então lotado na Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar, pediu ao sindicato dos jornalistas registro de fotógrafo profissional para se infiltrar melhor em manifestações (segundo o próprio, ele já atua dessa forma). Diante da negativa, ameaçou a presidenta, Paula Máiran, e uma funcionária da entidade.

Na terça (8), às 23:30, o fotógrafo Daniel Cruz foi ameaçado por telefone. “Depois de muito alô, surge uma voz que me fala que seu eu continuar indo para as ruas gravando os atos vou ficar a sete palmos do chão”, escreveu no Facebook.

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Na quarta (9), denunciei aqui no Noblat a ameaça ao sindicato. Na sexta (11), após ter reproduzido meu artigo em seu site, o repórter Fábio Lau publicou nota da PM informando que “comandante-geral da PM, coronel José Luis Castro Menezes, decidiu descredenciar o subtenente, e movimentá-lo para outra unidade da corporação. Além disto, abriu um novo procedimento disciplinar contra o subtenente”. Embora anteriormente tivesse negado, o Comando da PM sabia da ação de Santos e até já o havia punido.

Naquele dia 11, outros ataques a jornalistas. Lau publicara que o STJ absolvera definitivamente o governo do Rio pela tortura de policiais contra equipe do jornal carioca O Dia em 2008. Na manhã daquela sexta, cobrindo operação policial, o fotógrafo d´O Globo, Bruno Amorim, foi agredido e teve seu celular destruído por PMs. Foi liberado na 25ª Delegacia. Um helicóptero da PM jogou bombas de gás lacrimogêneo sobre repórteres.

No Méier (zona norte), retornando da mesma cobertura, o jornalista Francisco Chaves, de 65 anos, foi ameaçado de morte por miliciano de nome desconhecido, mas anotou a placa do Siena verde escuro que ele ocupava: LNP 4605. Na 26ª Delegacia, recomendaram-lhe, em caso de nova ameaça, que corresse ou sumisse de vez.

Por que o governador Pezão não detém a violência da PM? Ele não a controla? Ou espera por novos Santiagos?

 

Carlos Tautz, jornalista e coordenador do Instituto Mais democracia – Transparência e controle cidadão de governos e empresas.

Transcrito do Blog do Noblat 

Com a dupla Debi e Lóide no governo, o Rio de Janeiro vive uma fase deprimente

por Carlos Newton / Tribuna da Imprensa

Debi e loide

O povo teve muita esperança nos dois. Quando Sergio Cabral Filho surgiu na política, na aba do pai, que era vereador, e do sogro, Gastão Neves, diretor da Paranapanema e sobrinho de Tancredo Neves, parecia que se tratava de um jovem ético e idealista.

O pai, que sempre se declarou comunista e até hoje frequenta a roda dos velhos camaradas, descaminhou e deu um jeito de ser nomeado para o Tribunal de Contas do Município. O filho, na primeira oportunidade que teve, candidatou-se a prefeito pelo PSDB, mesmo sem chances, e começou a fazer fortuna com as famosas “sobras de campanha”. Depois, eleito presidente da Assembléia, aliou-se ao deputado Jorge Picciani e tornou um dos maiores corruptos da política brasileira.

Seu padrinho no PSDB era o ex-governador Marcello Alencar, que chegou a denunciar o enriquecimento ilícito do afilhado, mas não pode ir em frente, porque Cabralzinho ameaçou com um dossiê sobre Marco Aurelio Alencar, filho de Marcello, que então recolheu os flaps, como se diz na linguagem aeronáutica.

NO PAPEL DE LÓIDE

Como na série de comédias de Hollywood, Cabralzinho é o Debi e seu pupilo Eduardo Paes faz o papel de Lóide, com grande maestria. Criado na Barra da Tijuca, o prefeito não conhece a cidade, especialmente o Centro. Altamente irresponsável e delirante, é capaz de derrubar o mais importante viaduto do Rio, sob o argumento de que enfeia a cidade, e consequentemente criar um dos maiores engarrafamentos do mundo.

Na primeira chuva forte, seus planos foram literalmente por água abaixo, desculpem o inevitável jogo de palavras. E ainda bem que não chegou a concretizar seu outro projeto genial e mirabolante – a transformação da Avenida Rio Branco em rua de pedestres. Se o fizesse, seria caso de internação compulsória no Hospital Pinel.

Agora, a honorabilidade de Eduardo Paes também despencou, com a revelação das contas no Panamá, abertas em nome do pai, da mão e da irmã, no valor total de R$ 20 milhões. Ou seja, além de idiota e debilóide, o rapaz é também corrupto, vejam quanto talento.

E a culpa é nossa, que colocamos essas raposas para tomar conta dos galinheiros. Os dois deveriam estar atrás das grades, juntos com Luiz Fernando Pezão, que contratava as obras com a Delta de Fernando Cavendish, e com Sergio Cortes, o secretário de Saúde, que faz papel de Médico e de Monstro. Além, é claro, do empresário Arthur Cesar, o rei das concorrências fraudadas e grande peça do “esquema”.

Ah, que saudades do meu Rio de Janeiro…

Treino para as olimpíadas
Treino para as olimpíadas
Chuva deixa ruas alagadas no Centro. A Via Binário ficou alagada na altura da Cidade do Samba - Márcia Foletto: Agência O Globo
Chuva deixa ruas alagadas no Centro. A Via Binário ficou alagada na altura da Cidade do Samba – Márcia Foletto: Agência O Globo
Queda de um muro na estação de trens da Piedade, na zona norte do Rio de Janeiro provocou atrasos nesta quarta-feira (11) - Fábio Gonçalves: Agência O Dia
Queda de um muro na estação de trens da Piedade, na zona norte do Rio de Janeiro provocou atrasos nesta quarta-feira (11) – Fábio Gonçalves: Agência O Dia

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AGORA VOCÊ ENTENDE A MANIA DE HELICÓPTERO DE SÉRGIO CABRAL

O ‘pezão’ da ditadura de Sérgio Cabral esmaga o Rio

O 'Pezão' de Sérgio Cabral
O ‘Pezão’ de Sérgio Cabral

ditadura cabral

Para enfrentar as manifestações populares, em curso desde junho, o Estado tem se valido de um arsenal repressivo que não se limita às ações de rua. Nelas, a polícia tem atuado como sempre: prisões arbitrárias de manifestantes e não manifestantes, e violência desmedida. Mas não é só força bruta. A pretexto de combater o “vandalismo” e a “baderna”, tem sido adotadas medidas que incluem edição de leis, interpretação das leis e práticas da polícia judiciária próprias de um cenário de emergência, ou mesmo de uma guerra civil.

No Rio de Janeiro, criou-se, por decreto, a CEIV – Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas, à margem da estrutura administrativa ordinária do estado. E, no dia 9 de setembro, foi aprovada pela Alerj uma lei que impede o uso de máscaras em manifestações.

abuso autoridade prisão polícia

Sob a orientação da direção da Polícia Civil, os detidos são indiciados de acordo com critérios absolutamente arbitrários, de modo a sofrerem penas mais severas e não lhes ser permitido o pagamento de fiança. Aí, vale tudo: desde a acusação de corrupção de menores até de integrarem uma organização criminosa.

Isso, sem falar na condução dos presos para as mais diversas delegacias de polícia, distantes da circunscrição onde ocorreu o fato; nas “oitivas informais” dos detidos, sem a presença de seus advogados etc.

Mas é sobre o crime de integrar uma organização criminosa e sua alegada ocorrência nas manifestações que vou me deter, pela gravidade dessa decisão e as consequências funestas à democracia, caso vingue o entendimento da polícia.

Esse crime foi tipificado pela Lei 12.850/2013. Ela busca punir de forma mais severa os que integram organizações criminosas complexas, para distingui-los do criminoso comum, que se associa a outros para a prática de crimes de média gravidade. Estamos falando de organizações terroristas, milicianas, mafiosas.

A pena pela prática do crime de organização criminosa é mais severa: de três a oito anos. Já o crime antes chamado de formação de quadrilha enseja penas de um a três anos.
A tipificação também é distinta. Para caracterizar o crime de organização criminosa, a lei exige requisitos específicos: é necessário que a organização seja estratificada e hierarquizada; que haja divisão de tarefas; e que a organização seja voltada para a prática de crimes graves, aqueles punidos com pena máxima superior a quatro anos (§ 1º, do art. 1º, da Lei 12.850).

Ora, não há como dizer que os manifestantes, ainda que pratiquem atos de depredação, integrem uma organização criminosa desse tipo. O indiciamento pela prática desse crime deveria observar aqueles requisitos, o que é simplesmente não ocorre.

Estaremos diante de um cenário de estado de exceção, onde o ordenamento jurídico da normalidade está se deixando contaminar por medidas excepcionais que se tornarão permanentes? Parece que o diagnóstico do filósofo italiano Giorgio Agamben bem define o nosso momento atual: “A criação voluntária de um estado de emergência permanente (ainda que, eventualmente, não declarado no sentido técnico) tornou-se uma das práticas essenciais dos Estados contemporâneos, inclusive dos chamados democráticos”.

Não vivemos qualquer situação de emergência que justifique um estado de exceção. Está se exercendo tão somente o direitoà liberdade de expressão e manifestação, itens culminantes de uma democracia que se preze. Abusos e ilícitos devem ser punidos nos termos do Código Penal.

Num país ainda marcado pela pobreza e por tantas carências, o diálogo e a tentativa de compreender as razões do outro – manifestantes e cidadãos em geral – são instrumentos mais eficazes do que balas, sprays de pimenta e leis penais.

A Constituição de 88 acaba de completar 25 anos. O melhor modo de comemorar o seu aniversário é cumpri-la.”

Wadih Damous – Presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB.

Comparados ao pós-graduado Sergio Cabral, os candidatos Lindbergh e Garotinho ainda estão no jardim de infância em matéria de corrupção

Carlos Newton

Está eletrizante a disputa da sucessão no Estado do Rio de Janeiro. O governador Sergio Cabral, para defender o candidato peemedebista Luis Fernando Pezão, municiou a revista Época com material contra o petista Lindbergh Faria, denunciando que ele teria recebido propinas quando estava na prefeitura de Nova Iguaçu.

Cabral dança “na boquinha da garrafa”, em Paris

A acusação não representa novidade, pois é motivo de processo no Supremo Tribunal Federal, que Lindberh diz não temer. A grande surpresa nesse caso é ver dois políticos corruptos ao extremo, como o atual governador e seu vice (que poderiam até formar a dupla caipira “Mão Grande e Pezão”, como sugeriu o comentarista Darcy Leite, aqui na Tribuna), denunciando justamente por corrupção um adversário que ainda não foi nem julgado. E mesmo se fosse condenado, Lindbergh ainda precisaria roubar muito – mas muito, mesmo – para se igualar a eles.

Cabral “Mão Grande” é o chefe da quadrilha e Luis Fernando “Pezão” é o subchefe, até as paredes do Palácio Guanabara conhecem essa realidade. Outro grande destaque da gangue é o secretario de Saúde Sergio Cortes, que se tornou milionário de uma hora para outra, comprou uma cobertura triplex na Lagoa Rodrigo de Freitas, com cinco vagas na garage, em dinheiro vivo, não é para qualquer um. E se tornou vizinho de Cabral no luxuoso condomínio Portobello em Mangaratiba.

Cabral, menino de classe média baixa, criado no subúrbio de Cavalcanti, nunca trabalhou na iniciativa privada e ficou rapidamente milionário na política, graças ao envolvimento com empresários e fornecedores do governo, especialmente Fernando Cavendish, da construtora Delta, que durante algum tempo foi seu concunhado, quando Cabral largou a esposa para ficar com Fernanda Kfouri, que morreu no acidente de helicóptero na Bahia e era irmã de Jordana, mulher do empreiteiro.

Quem está gostando dessa briga é o deputado Anthony Garotinho, do PR, que também vai disputar a sucessão de Cabral. Perto da riqueza do atual governador, tanto Lindbergh como Garotinho são apenas aprendizes e estão no jardim de infância. Nenhum dos dois faz demonstrações ostensivas de enriquecimento ilícito. Quanto a Cabral, é um profissional consagrado e tem pós-graduação em corrupção, feita em Paris, é claro, com os colegas da famosa “Turma do Guardanapo”.

PESQUISA GNPP

Em quem você votaria para Governador do Estado do Rio se a eleição fosse hoje?

Garotinho 17,6% / Lindberg 17,4% / Cesar Maia 15,3% / Pezão 11,6% / Sirkis 2,3% / Branco+Nulo 19,7% / Não sabe 16,2%.