Tráfico de órgãos, morte encomendada e bala perdida

‪A Polícia Militar tem mania de matar menor sadio. Dá pra desconfiar. Será encomenda dos traficantes de órgãos? Ou um sádico prazer?

COMPLEXO DO ALEMÃO: MORADORES ACUSAM A POLÍCIA PELO ASSASSINATO DO MENINO EDUARDO

menor

 

O menino Eduardo Jesus Ferreira, de 10 anos, foi baleado e morto com um tiro de fuzil na porta de casa, na favela da Grota, Complexo do Alemão.

Estudante do CIEP, Franscisco Mignone estava sentado na escada que dá acesso à sua casa, quando foi atingido por um tiro de fuzil no rosto.

 

 

 

Fontes de AND que têm acesso a policiais da UPP do Complexo do Alemão confirmaram que o autor do disparo foi um policial militar. Além de todos os PMs da Unidades terem ciência da informação, a família de Eduardo também acusa a polícia. Um vídeo divulgado pela página “Alemão Morro” mostra os minutos após a morte do menino.

Os policiais aparecem nas imagens desnorteados, sem reação, fugindo dos berros de desespero e repúdio da população.

Segundo informações do Coletivo Papo Reto, depois que foi feita a perícia no local do crime pela polícia civil, o corpo de Eduardo foi levado do Complexo em um carro da polícia com bombeiros debruçados sobre ele, ao invés de ser transportado em uma ambulância, com um mínimo de dignidade e como manda a lei. Mas o que é a lei, senão um pedaço de papel elaborado pelas classes dominantes para incriminar e matar os pobres?

Os costumeiros assassinatos de crianças por policiais ou balas perdidas não têm muita explicação.

As execuções de jovens podem ser mortes encomendadas pelos traficantes de órgãos, neste Brasil que rico não entra em fila de transplantes.

O V Simpósio Internacional para o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, marcado para os dias 16 e 17 de abril, em Fortaleza/CE, vai discutir o combate a quadrilhas que exploram 2,4 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). No Brasil, a atuação desses grupos criminosos levou a Polícia Federal a abrir, de janeiro de 2010 a março deste ano, 374 inquéritos para investigar o tráfico doméstico e internacional de pessoas para fins de exploração sexual, sendo que 35 deles foram instaurados neste ano.

tráfico congresso

Polícia mata o mais perigoso bandido do Rio de Janeiro

 

A polícia social do Rio de Janeiro divulga: “Em legítima defesa,  a patrulha que vigiava a fronteira da favela em guerra, foi forçada a  atirar, até que quatro tiros acertassem o corpo do perigoso bandido, traficante, e serial killer Patrick Ferreira de Queiroz. Era matar ou morrer”.

Patrick Ferreira de Queiroz, criança de 11 anos, considerado perigoso bandido, que sempre andava armado
Patrick Ferreira de Queiroz, criança de 11 anos, considerado perigoso bandido, que sempre andava armado

Um, dois, três, quatro tiros em uma criança de onze anos. É muita covardia e crueldade 

 

Hoje o jornal “O Dia” desmente a polícia. Escreve Helio Almeida: O ajudante de caminhão Daniel Pinheiro de Queiroz, de 48 anos, negou nesta sexta-feira que seu filho, Patrick Ferreira de Queiroz, de 11 anos, estava armado quando foi morto por PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Camarista Méier, na quinta-feira. No Instituto Médico Legal (IML) para a liberação do corpo, ele defendeu o menor e disse o filho não estava envolvido com o tráfico de drogas.

“Escutei os tiros e dez minutos depois um menino disse que o Patrick tinha sido baleado. Vi o corpo do Patrick com a mochila e radinho. O PM me mostrou a arma dizendo que era do Patrick, só que mais tarde me mostrou outra arma”, disse Daniel, pai de mais seis filhos.

Daniel Pinheiro de Queiroz, de 48 anos, negou nesta sexta-feira que seu filho, Patrick Ferreira de Queiroz, de 11 anos, estava armado quando foi executados por PMs assassinos
Daniel Pinheiro de Queiroz, de 48 anos, negou nesta sexta-feira que seu filho, Patrick Ferreira de Queiroz, de 11 anos, estava armado quando foi executados por PMs assassinos

Segundo o pai da criança, Patrick estava brincando, soltando pipa, quando foi baleado. Daniel Pinheiro disse ainda não acreditar na morte da criança. “Quando lembro do meu filho, acho que nada disso aconteceu”.

A prima de Patrick, que não quis se identificar, afirmou que ele foi executado. “Deram um tiro e ele caiu sentado. Quando chegaram perto, eles deram mais três tiros. Meu primo disse que tava com sede e o policial pegou água e jogou na cara dele”, afirmou.

As armas utilizadas pelos policiais militares foram apreendidas e foi aberto um inquérito para apurar a morte do garoto. O inquérito decidirá que os militares devem ser condecorados como heróis. Pela  coragem de enfrentar o perigoso menino de 11 anos. Que bem merecia a pena de morte decidida pela Polícia Militar de Pezão. De acordo com a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), o policiamento está reforçado na Camarista Méier e o clima na comunidade é de tranquilidade nesta manhã.

Como acontecia na ditadura militar, para evitar qualquer manifestação, ainda não se sabe o local, dia e hora do sepultamento de Patrick, cujo corpo não foi ainda liberado.

Será enterrado em uma cova rasa, como indigente.

 

 

A detenção do coronel Alexandre Fontenelle confirma que as máfias continuam agindo nas fileiras da polícia carioca

A maldição policial que domina o Rio
Prisão do coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Alexandre Fontenelle, nesta semana: PABLO JACOB
Prisão do coronel da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Alexandre Fontenelle, nesta semana: PABLO JACOB

 

 

por Francho Barón/ El País/ Espanha

 

Enquanto o Governo do Rio de Janeiro luta com todas as forças para recuperar a confiança da sociedade em sua Polícia Militar e investe enormes somas de dinheiro em Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), com a finalidade de conquistar os moradores das favelas, o câncer da corrupção parece manter-se vivo no cerne da instituição. A detenção esta semana do coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira, número três na pirâmide hierárquica da Polícia Militar e principal responsável pelo Comando de Operações Especiais (COE), que aglutina o Batalhão de Operações Especiais (BOPE), o Grupo Aeromarítimo (GAM) e o Batalhão de Choque, três das corporações de elite mais firmes e respeitadas do Rio, confirma que as máfias continuam agindo nas fileiras da polícia carioca e que o problema está longe de ser resolvido.

Fontenelle e outros 24 policiais, entre os quais cinco oficiais, foram capturados durante a operação Amigos S.A., sob a acusação de formar um grupo criminoso que cobrava grandes quantias de dinheiro de comerciantes, mototaxistas, transportadores e motoristas de vans ilegais de passageiros em troca de fazer vista grossa e permitir que continuassem operando irregularmente. A operação representa um novo golpe na credibilidade da polícia do Rio.

O fato é que Fontenelle se uniu há seis anos ao grupo de 24 policiais que tentou proibir judicialmente a exibição do premiado filme Tropa de Elite, no qual as torpezas da Polícia Militar carioca são apresentadas cruamente. O já ex-comandante do COE argumentou que o longa metragem ofendia a honra e a dignidade da instituição. A denúncia foi rejeitada por uma juíza, que a considerou improcedente.

O mesmo policial que outrora alardeou de forma persistente a decência e a ética profissional de sua corporação saiu na segunda-feira passada pela porta de sua residência no rico bairro carioca do Leme escoltado por vários agentes e em meio a uma nuvem de fotógrafos que não perdiam detalhes de sua cara inexpressiva. A operação Amigos S.A. foi o ponto culminante de meses de investigações e escutas telefônicas que levaram à detenção de Fontenelle e 24 comparsas. No momento da captura, o oficial se encontrava em seu apartamento acompanhado da mãe e irmã. Segundo fontes policiais, no interior do imóvel havia objetos ostensivos. Fontenelle, com camiseta esportiva, tinha em sua carteira um papel simplório com rabiscos do que claramente era a contabilidade e a partilha de uma propina. “Eu 10.000”, dizia uma linha do documento. A polícia também apreendeu uma escritura de um imóvel na turística e glamorosa cidade costeira de Búzios, em seu nome.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Rio, os 25 acusados criavam obstáculos ao trabalho da polícia no bairro periférico de Bangu, “deixando de servir à população”. A promotoria garante que o 14º Batalhão da Polícia Militar, que opera em Bangu, se transformou em uma “vitrine de negócios” ou numa “verdadeira sociedade anônima na qual os lucros provinham da arrecadação de subornos por parte de diversas equipes de policiais responsáveis por patrulhar a área”. Grande parte dos lucros era destinada ao que a promotoria denomina “a Administração”, que em português claro seria a cúpula policial encarregada de comandar a tropa, dar exemplo e manter a paz e a ordem nesse bairro pobre. Comerciantes, transportadores, mototaxistas e vans piratas pagavam semanal ou mensalmente quantidades de dinheiro que oscilavam entre 50 reais e 10.000 reais em troca de obter uma licença oficiosa para continuar com as atividades ilegais.

Da Operação Amigos S.A. se extraem três conclusões imediatas: primeiro, que a cruzada contra a corrupção policial lançada há anos pelo secretário de Segurança Pública do Estado do Rio, José Mariano Beltrame, continua em vigor. Com suas luzes e sombras, a gestão de Beltrame à frente das polícias do Rio não dá margem a dúvidas sobre sua determinação de limpar uma imagem historicamente manchada por inumeráveis episódios de corrupção. Em segundo lugar, a detenção de Fontenelle e seus comparsas deixa um sabor amargo, pois confirma fielmente que nem o mais alto escalão policial está livre de suspeita. Ainda assim, Beltrame declarou que não fará mudanças no comando da Polícia Militar, pelo menos de momento. Por último, o golpe da máfia policial de Bangu ocorre a pouco menos de três semanas das eleições presidenciais e para governador, algo que poderia interpretar-se como um sinal do atual governador, Luiz Fernando Pezão, para o eleitorado carioca, cansado dos frequentes casos de corrupção e amedrontado pela insegurança.

Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio, quase todos os indicadores de criminalidade pioraram no Estado durante os primeiros oito meses do ano, comparados com o mesmo período de 2013. Os aumentos mais significativos ocorreram nos seguintes indicadores: homicídios dolosos (11,4%), tentativas de homicídio (31%), roubos a comerciantes (23,5%), roubos de transeuntes (40,3%) e furtos de veículos (31%).

Nem os padres escapam

O crime no Rio de Janeiro não distingue classes, raças nem crenças. Isso ficou evidente na noite da segunda-feira passada, quando o carro oficial do arcebispo da cidade, o cardeal Orani João Tempesta, foi interceptado no bairro de Santa Teresa por três homens armados. No interior do veículo estavam o máximo representante do Vaticano no Rio, um seminarista, o fotógrafo da Arquidiocese e o motorista. Segundo o cardeal, um dos assaltantes o reconheceu imediatamente e pediu desculpas pelo roubo, mas isso não serviu para que a quadrilha reconsiderasse sua ação. Com as armas apontadas para os religiosos, os delinquentes levaram o anel, o colar, o crucifixo, a caneta e o telefone celular do arcebispo. Levaram também todo o material de trabalho do fotógrafo.

Tempesta, que é próximo ao Papa Francisco, conhecido pelo seu trabalho pastoral permanente e muito próximo aos estratos sociais mais humildes, não interrompeu sua agenda após o incidente. No entanto, os ladrões sim alteraram seus planos. Os pertences do religioso foram abandonados em plena rua, em um ato que pode ser interpretado como um posterior arrependimento. O cardeal recuperou tudo. Seu fotógrafo, porém, não teve a mesma sorte.

 

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Silêncio cúmplice. Que pessoal da polícia militar tem as chaves dos cemitérios clandestinos do Rio de Janeiro?

Quais candidatos a governador, senador, deputado federal e deputado estadual vão lembrar os trucidamentos da Polícia Militar do Rio de Janeiro. São milhares de desaparecidos.

Onde estão os assassinos de Márcia? Onde enterraram Amarildo?

 

Amarildo um ano

DIDi HELENE
DIDi HELENE
ESTEVÃO RIBEIRO
ESTEVÃO RIBEIRO
MARA OLIVEIRA
MARA OLIVEIRA
 HARETE
HARETE

Pesado Pezão, por que escondes os bandidos assassinos de Cláudia?

Continuam soltos os covardes milicianos da Polícia Militar do Rio de Janeiro que assassinaram a doméstica Cláudia Silva Ferreira, favela, negra, casada, mãe de quatro filhos, sendo dois adotivos. Depois os torpes bandidos arrastaram o corpo de Cláudia pelas ruas da ex-Cidade Maravilhosa, capital do decadente rock, e destruída pelos governadores Sérgio Cabral e Pezão.

A polícia até agora não investigou ninguém, nem a justiça tarda e falha, que passa a ser cúmplice.

Mas o povo não esquece Cláudia. Dirá não nas urnas aos governadores Cabral e Pezão e à bancadas da bala.

HARETE
HARETE

 

ESTHER MARIA PASSOS
ESTHER MARIA PASSOS

E eu que nem sei o que é ser Claudia Silva… E nem sei o que dizer…
Mas uma reverência tem de ser feita. Um não tem que ser dito. E a memória, cravada.

Claudia Silva Ferreira. Um dia ela volta com a força de um milhão.

claudia 68) CARLOTAS

 JÚLIA LIMA
JÚLIA LIMA
 JORDANA MIRANDA
JORDANA MIRANDA

 

luda_para_claudia 64) JORDANA MIRANDA

A gente se indigna com isso tudo porque realmente deseja o bem.
Na verdade o que ‘deveria ser’ vai além disso, pois não deveria existir nem tiroteios.
Mas enfim, para a questão, fico sonhando em como os policiais deveriam ser, realmente, humanos.

Vamos lá, silêncio quebrado e marcha para dias melhores!

claudia- TAYS VILLACA 69

 ALEXANDRE REIS
ALEXANDRE REIS

A frágil ‘pax’ carioca. A PM é tristemente conhecida pela sua violência e corrupção. Os moradores das favelas, que antes tinham medo dos traficantes, agora temem a polícia

por Olmo Calvo/ El País/ Espanha

 

1 pax

 

A favela se manifesta com timidez. Apenas cerca de 40 pessoas participaram de um protesto contra o despejo de alguns moradores. Por medo, talvez. Estamos na favela original, a primeira de todas: há pessoas vivendo no Morro da Providência desde 1897, muito antes do que em vários bairros do Rio de Janeiro. Os primeiros moradores, veteranos de guerra, se instalaram aqui para trabalhar no porto próximo, agora praticamente abandonado. E justamente para “regenerar” a zona portuária, a Prefeitura decidiu instalar um teleférico que conecta a base da comunidade com o seu ponto mais alto, a mais de 80 metros de altura: uma obra de 16 cabines, três estações e 90 milhões de reais. E o mais importante: cerca de 670 famílias que serão despejadas para dar lugar à infraestrutura. Nenhuma delas foi consultada; espera-se que todas recebam uma moradia, em teoria equivalente.

A riqueza e a pobreza no Brasil podem ser notadas claramente em uma cidade como o Rio de Janeiro. À beira-mar, os bairros de classe média e alta; sobre as montanhas de granito que emolduram a baía de Guanabara, as favelas. Os turistas que molham os pés nas praias de Copacabana, Ipanema ou Leblon só precisam levantar os olhos para ver a pobreza que está a pouca distância e o Cristo Redentor, que parece olhar em volta, incrédulo. Nesta cidade, a segunda maior do Brasil, cerca de 1,7 milhão de pessoas vive na favela: quase 15% da população. Rocinha, Dona Marta, Complexo do Alemão, centenas de manchas escuras no mapa com várias ruas sem nome. E é nesta cidade que vai acontecer a final da Copa do Mundo, em julho, e os Jogos Olímpicos, em 2016.

Durante décadas, os morros foram territórios sem lei nas mãos de grupos mafiosos e, depois, do narcotráfico. Mas o aumento da violência e a necessidade de arrumar a cidade para os turistas estrangeiros levaram o Governo do Rio a criar as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), um setor da polícia dedicado exclusivamente a intervir nas áreas mais perigosas. Após grandes operações, em grande parte orquestrada para a imprensa, as UPPs conseguiram pacificar 28 favelas. Em muitas delas, os traficantes de drogas não ofereceram resistência alguma. Alertados com antecedência sobre a intervenção da polícia, eles simplesmente fugiram para outros bairros mais distantes do centro.

Mas, apesar das belas palavras e intenções, o medo continua. A Polícia Militar do Rio de Janeiro, que controla as UPPs, é tristemente conhecida pela sua corrupção e violência, especialmente contra os pobres. As favelas pacificadas vivem em um permanente estado de exceção, com policiais fortemente armados vigiando cada esquina. E, como as ONGs denunciam constantemente, muitos moradores que antes tinham medo dos traficantes, agora temem a polícia.

 

Uma rua comercial na Rocinha 2

Ambos os lados fazem o que podem para aterrorizar os manifestantes no morro da Providência. Em frente às escadas que levam ao topo, guardas armados com fuzis formam um cordão de isolamento. “Se você quiser subir, suba, mas lá em cima as balas não são de borracha”, adverte um policial. A poucos metros de distância, narcotraficantes mostram a sua rejeição à manifestação. “Não é bom para o negócio”, dizem. O negócio, claro, é o tráfico de drogas, que ainda está ativo, apesar – ou com a conivência – da polícia O protesto acaba se dissolvendo.

Esta é a pax carioca: uma trégua tensa, um jogo de cartas marcadas sob o interesse de uns e de outros. Uma paz que, espera o Governo, dure pelo menos até os Jogos Olímpicos de 2016. Mas o status quo está sendo desafiado onde menos se espera: uma população cansada de sofrer sob a tirania conjunta de policiais e narcotraficantes e que, lentamente, mas de forma decisiva, está recuperando a sua voz. E quer ser ouvida.

O silêncio começou a ser quebrado quando em 16 de julho Amarildo de Souza Lima, de 43 anos, um pescador e peão de obra e o que fosse necessário para sustentar a sua mulher e os seus seis filhos, foi levado para o posto da UPP na favela da Rocinha, a maior do Rio de Janeiro, para “questionamentos”. Ele nunca mais foi visto desde então. A Rocinha está a menos de 10 minutos de carro do bairro do Leblon, onde o metro quadrado residencial é o mais caro da América Latina. Aqui, milhares de barracos de tijolos estão grudados parede com parede na encosta. É preciso a ajuda de um parente ou vizinho para andar pelo labirinto de vielas e escadas. Antes, também, é necessária a permissão do narcotráfico.

 

pax uma rua da Rocinha

A casa de Amarildo é um barraco entre milhares, com piso de concreto e uma porta sempre aberta para a rua. Dentro, Elizabeth Gomes da Silva, a mulher de Amarildo, conversa enquanto seus filhos brincam com o som da televisão ao fundo. “Nós só queremos justiça”, diz. Ela não está sozinha. Alguns vizinhos chegam para ajudá-la a organizar uma manifestação exigindo uma explicação da polícia. Na marcha, que aconteceu em 3 de novembro, dezenas de pessoas percorreram as ruas da Rocinha com um manequim simbolizado o cadáver de Amarildo. Depois, fizeram um enterro simbólico.

Uma investigação interna da Divisão de Homicídios mostrou que os policiais da UPP submeteram Amarildo a choques elétricos. Depois, eles o sufocaram com um saco plástico e mergulharam a sua cabeça em um balde de água. Então, apagaram as luzes do quartel provisório e retiraram o seu corpo. Cerca de 25 policiais foram acusados pelo Ministério Público de tortura e assassinato. A única coisa que falta é saber onde está o corpo.

O destino de Amarildo não é a única razão que revoltou uma grande parte da sociedade civil brasileira. Em julho, milhares de pessoas tomaram as ruas de São Paulo, a maior cidade do país, para protestar contra um reajuste de 20 centavos nas tarifas do transporte público, o que afetaria o orçamento de muitas famílias que vivem com menos de 770 reais por mês.

O protesto, que se espalhou para outras cidades, foi essencialmente pacífico. Houve apenas alguns grupos de manifestantes que entraram em confronto com a polícia, os chamados black blocs, mas receberam toda a atenção da imprensa. Usando esses grupos como uma desculpa, a repressão foi desproporcionalmente violenta, com centenas de detidos, o que fez reacender os protestos que continuam intermitentemente até hoje. “E eles vão continuar crescendo à medida que se aproxima a Copa do Mundo”, disse Paula Daibert, colaboradora do grupo de comunicação coletiva Mídia NINJA.

Como pano de fundo, uma parte substancial da classe média urbana está descontente com algumas autoridades públicas, que afirmaram que os grandes eventos – Copa e Olimpíadas – seriam a oportunidade de resolver os muitos problemas das cidades brasileiras. As promessas não foram cumpridas e, a menos de 100 dias do Mundial, as maiores cidades do país continuam com graves problemas na educação, na saúde e especialmente na infraestrutura. A única coisa que foi feita – e com atraso – são os grandes estádios de futebol que, como se fosse o suficiente, custaram muito mais do que o previsto nos seus já superfaturados orçamentos.

 

pax Complexo do Alemão, um grupo de favelas na zona norte do Rio.

Em 31 de outubro, uma manifestação com o lema O Grito da Liberdade percorreu o centro do Rio. Cerca de 3.000 pessoas marcharam de forma festiva até o bairro financeiro da cidade para exigir a libertação dos detidos nos protestos. Lá, a atmosfera estava carregada de tensão e o silêncio tomou a região. Só era possível ouvir o eco do rufar dos tambores em meio aos grandes edifícios de aço e vidro. Algumas pessoas gritavam o nome dos encarcerados.

O Brasil tem vivido nos últimos 15 anos um crescimento econômico espetacular que já serviu para reduzir as diferenças sociais, como confirmou um relatório da organização não-governamental Oxfam. Mas, em um dos 12 países mais desiguais do mundo, ainda há muito a ser feito. Atrás das grades de um apartamento no Leblon – quase indispensáveis em uma cidade onde os roubos são comuns – as luzes da Rocinha piscam à noite. De repente, várias explosões são ouvidas na favela. Fogos de artifício? Tiros? Não se sabe. Trata-se de mais uma evidência de que a pax carioca é frágil, ou talvez inexistente. O Rio de Janeiro espera atrás das grades que passe um espetáculo que poucas pessoas poderão desfrutar.

 

unidade-de-policia-pacificadora UPP polícia favela

UMA BATALHA NA ZONA NORTE DO RIO. O PRENDE E ARREBENTA DA POLÍCIA VIROU EVENTO
UMA BATALHA NA ZONA NORTE DO RIO. O PRENDE E ARREBENTA DA POLÍCIA VIROU EVENTO

DEL TERROR DEL NARCO AL TERROR POLICIAL – Galeria de fotos

Cem vezes Cláudia assassinada pela Gestapo racista da polícia do Rio de Janeiro

Para lembrar a impunidade e reverenciar a dona de casa, esposa, mãe de quatros filhos, sendo dois adotivos, e cidadã carioca Cláudia Silva Ferreira, que foi cruel, bárbara, covardemente assassinada pela famigerada Polícia Militar do Rio de Janeiro, no mês terminal do governo Sérgio Cabral, o blogue Olga criou uma página para “alguns artistas gentilmente criaram imagens sensíveis, que se dispõe a resgatar a dignidade roubada por criminosos. Este projeto se chama 100 VEZES CLÁUDIA e é aberto para que qualquer um possa enviar suas homenagens. Ou seja, esperamos publicar aqui novas artes com frequência. Quem sabe não chegamos a 100? Por fim, gostaríamos de imprimir algumas das ilustrações e enviar à família de Cláudia. Quer participar? Escreva para olga@thinkolga.com.”

A campanha conta com mais de cem obras de arte. Vai ser a única, e eterna condenação dos policiais assassinos: o grupo que atirou duas vezes no doce e santo coração de Cláudia, e o grupo que arrastou seu corpo pelas ruas do Rio de Janeiro. É uma polícia que faz a limpeza do sangue impuro, o sangue negro nas favelas, e que viola cadáveres. Tudo indica que o corpo de Cláudia estava sendo levado para algum cemitério clandestino, onde foi enterrado o pedreiro Amarildo. Quando os PMs vão revelar o lugar macabro que enterraram Amarildo? Este cemitério clandestino foi usado pela ditadura militar?

 

Desenho n. 110 - AMANDA SALAMANDA
110) AMANDA SALAMANDA
109) GABRIELA BISCÁRO
109) GABRIELA BISCÁRO
108) FERNANDA GUEDES
108) FERNANDA GUEDES
107) ANA BARCELLOS
107) ANA BARCELLOS

106) VANESSA CARVALHO

105) PROFESSORA CRISTIANE SCHIFELBEIN E ALUNOS Patrícia, Taina, Pamela, Paola e Gabriela
105) PROFESSORA CRISTIANE SCHIFELBEIN E ALUNOS
Patrícia, Tainá, Pamela, Paola e Gabriela
Anderson
Anderson
Edvan, Mateus, Diego e Ana
Edvan, Mateus, Matheus, Diego e Ana
Lethycia
Lethycia
Lindsay. Luiza, André, Everton, Helena e Márcio
Lindsay. Luiza, André, Everton, Helena e
Márcio
Paula
Paula
Kelvin
Kelvin
Marvin
Marvin
Senira
Senira

Minha turma de Composição Visual, composta por alunos dos cursos superiores de Design de Produto, Design de Moda, Design Gráfico e Produção Multimídia da FTEC Faculdades de Caxias do Sul/RS, parou hoje para participar e somar no movimento 100 vezes Claudia que vocês propuseram.
Seguem alguns dos trabalhos dos brasileiros que não querem mais ver e nem viver preconceito de qualquer tipo e se unem para dizer basta!

Somos todos CLAUDIA: Ana Ariel, Anderson, Andre, Diego, Edvan, Everton, Francine, Gabriela, Helena, Jaqueline, Kelvin, Lethycia, Lindsay, Luiza, Luiza Q., Marcio, Marvin, Mateus, Matheus, Pamela, Paola, Patricia, Paula, Senira, Shirley, Tainá, Vanderlei.

104) MIKA TAKAHASHI
104) MIKA TAKAHASHI
103) LUALLA ALVES
103) LUALLA ALVES
102) LAURA ATHAYDE
102) LAURA ATHAYDE
101) ITALO ROCHA
101) ITALO ROCHA