ALOYSIO DEFENDE CUNHA E DIZ QUE TEMER PEDIU AJUDA AOS EUA

PRETENSIOSO DESEJO DE ACABAR COM O BRICS E MERCOSUL

 

Entrevista do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) à BBC é uma das mais vergonhosas manifestações políticas da história do Brasil; nela, ele garantiu que Eduardo Cunha, o campeão das propinas, será presidente da Câmara até o fim do seu mandato; disse ainda que o vice-presidente Michel Temer reforçou o pedido aos EUA para que o golpe brasileiro não seja chamado de golpe; parlamentar tucano também desqualificou a Organização dos Estados Americanos (OEA), cujo secretário-geral Luis Almagro denunciou o golpe, e disse que o Brasil tem que se afastar dos vizinhos sul-americanos; golpe brasileiro já se transformou em mico internacional e Aloysio passou vexame nos Estados Unidos.

Temer mandou o Cabo Anselmo Aloysio Nunes beijar os pés dos piratas do império. Isso é coisa de traidor. Traidor do Governo do Brasil, sim. Traidor da Pátria Amada, sim. Fica explicado porque nas marchas golpistas pediram a intervenção de exército estrangeiro. Porque Moro autorizou o FBI atuar na Lava Jato.

 

O GOLPE DO BRASIL, HONDURAS E PARAGUAI PARA O EQUADOR, BOLÍVIA E VENEZUELA

247 – O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) diz que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) lhe telefonou na véspera da viagem para os Estados Unidos preocupado com a difusão do discurso de que “há um golpe em curso no país” e pedindo ajuda para desmontar a tese.

Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Aloysio afirma em entrevista à BBC Brasil que defenderá a legitimidade do impeachment em suas reuniões com as autoridades norte-americanas.

“Conversei pouco antes de vir com Temer, quando ele manifestou preocupação com esse tipo de orquestração promovida pelo governo brasileiro, que é profundamente lesiva aos interesses permanentes do país. Uma das coisas que nos distinguem de muitos desses Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e outros que concorrem conosco por investimentos internacionais é ser um país onde as instituições democráticas funcionam normalmente, os direitos são respeitados, a imprensa é livre, há segurança jurídica”, disse o tucano.

Na entrevista, o senador critica o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro. “Creio que o diálogo com esse senhor não resultará luz nenhuma. Ele se transformou num propagandista desta tese que o PT vem sustentando, de que há em curso um golpe no Brasil”, afirma.

O tucano diz não ver problemas que o impeachment na Câmara tenha sido conduzido por Eduardo Cunha. “Ele tem essa função. É o presidente da Câmara e será presidente da Câmara até fim do ano. O que está sendo julgado no impeachment não é o presidente da Câmara, é a presidente Dilma Rousseff. Ela cometeu delitos que são próprios da Presidência da República”, ressaltou.

Ele ainda defende que o Brasil mude suas relações com outros países da América do Sul. “O PT, durante muito tempo, fez política externa baseado numa convicção de que os EUA eram uma potência decadente, um país imperialista, e era preciso então que o Brasil se alinhasse a um novo bloco. Isso levou a um desvirtuamento do Mercosul, que de bloco econômico visando a facilitar trocas comerciais e investimentos se transformou em plataforma política. E levou a um alinhamento com países como Venezuela, Equador, Bolívia, com prejuízos de interesses brasileiros. Nós queremos mudar isso. Os EUA têm de ser um grande parceiro nosso”, afirmou.

O eleitor pode confiar em deputados traidores, mentirosos, hipócritas e ladrões?

O Brasil está virando o país dos infiéis, dos delatores, dos traidores, dos farsantes, dos dissimulados, dos dedos duros, das pessoas sem palavra, sem caráter.

Silvério dos Reis, depois de trair Tiradentes, teve que se esconder no Maranhão onde morreu. Calabar foi enforcado pelos pernambucanos. Cabo Anselmo anda por aí, depois de fazer plástica, com identidade falsa oferecida pela polícia de São Paulo, que teve Michel Temer como secretário da Seguranca. Da primeira vez, ele sucedeu Miguel Reale Júnior, autor do pedido de impeachment. O Reale pai escreveu o ato constitucional n.1 da ditadura militar de 64. Acrescente que Temer exerceu o cargo por três vezes. Da última vez, no corrupto governo Fleury.

Ao protocolar na Câmara dos Deputados o pedido de impeachment, Reale garantiu: “Como lutamos contra a ditadura dos fuzis, lutamos agora contra a ditadura da propina”.

Deputado cearense Adail Carneiro está virando piada nacional por fazer uma das mais apaixonadas declarações de amor à luta em defesa de Dilma e de Lula, para acabar votando contra no processo de impeachment na sessão plenária da Câmara dos Deputados.

Adail é um milionário que fez fortuna, inclusive com contratos públicos, está em seu primeiro mandato como Deputado Federal e tem como base eleitoral a região do Vale do Jaguaribe no interior do Ceará.

Mudar de lado tem se tornado uma das suas especialidades, tendo em vista que em menos de dois anos já mudou do PDT para o PHS e agora recentemente para o PP. Três partidos em dois anos.

Nas últimas semanas Adail participou das manifestações em Fortaleza em defesa da luta do PT. Entregou carta de apoio à presidenta Dilma, bateu foto bem coladinho na Presidenta no Palácio e até colou adesivo “não vai ter golpe” no peito para abraçar Lula. Mas na hora da verdade fez exatamente o contrário votando com traição.

Ser do contra e ter opiniões diferentes faz parte do jogo democrático. Agora, mudar de lado e adotar um voto de traição em relação a tudo que ele vinha defendendo até sábado, é uma atitude que os eleitores normalmente não costumam perdoar.

 

Temer faz ‘ensaio presidencial’ e ganha críticas até da oposição

  • Dilma: “Caiu a máscara de conspirador”

  • Wagner: “Temer rasgou a fantasia”

 

 

Por Afonso Benites/ El País/ Espanha

Depois da carta vazada, o áudio vazado. Com a divulgação “por acidente” de um áudio em que fala praticamente como presidente, Michel Temer (PMDB) implodiu nesta segunda-feira qualquer possibilidade de relacionamento com a presidenta Dilma Rousseff (PT) e angariou críticas até da oposição que trabalha pela queda da petista. O vice-presidente voltou a protagonizar momentos que talvez nem os melhores roteiristas fossem capazes de elaborar e instalou mais uma vez a dúvida sobre acidentes e intencionalidades estratégicas em seus gestos públicos.

O primeiro capítulo desta novela ocorreu em dezembro passado, com uma carta enviada à mandatária dizendo que ele se sentia um “vice decorativo”. Naquela época, o PMDB ainda estava no Governo e o processo de impeachment tinha começado a tramitar na Câmara dos Deputados havia apenas cinco dias. Nesta segunda-feira, a quatro dias do início da votação da destituição da presidenta, com parte dos peemedebistas agindo na bancada oposicionista e o placar do impeachment ainda indefinido, veio a nova entrega. Desta vez foi uma gravação que circulou entre um grupo de WhatsApp de deputados do PMDB em que Temer falava de seus planos e desafios futuros como possível líder da nação. No áudio de 14 minutos, tornado público pelo jornal Valor Econômico, o vice está no futuro: Rousseff já perdera a batalha do impeachment na Câmara dos Deputados e o caso está agora nas mãos do Senado Federal, que é quem julga de fato a mandatária. O detalhe é que a votação no plenário da Câmara está prevista para ocorrer apenas no próximo fim de semana.

 

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Em Brasília, alguns consideravam o episódio um deslize calculado de Temer para passar tranquilidade aos mercados e a outros setores de que planeja uma transição suave, com “sacrifícios” para sair da crise, mas sem imolar os programas sociais. Outros afirmaram que o envio da mensagem era claramente um erro do grupo do peemedebista. O ensaio presidencial de Temer fez até a empresa de consultoria de política Eurasia Group emitir um comunicado extra em que analisa qual o impacto da gravação. A empresa diz que o vazamento foi “claramente negativo” ao vice e seu entorno, mas não deve impactar de maneira importante o jogo do impeachment.

“Agora, quando a Câmara dos Deputados decide por uma votação significativa declarar a autorização para a instauração de processo de impedimento contra a senhora presidente, muitos me procuraram para que eu desse pelo menos uma palavra preliminar à nação brasileira, o que eu faço com muita modéstia, com muita cautela, com muita moderação, mas também em face da minha condição de vice-presidente e naturalmente de substituto constitucional da senhora presidente da República”, diz Temer em um trecho da gravação.

O vice se dirige “ao povo brasileiro”, diz que se recolheu para não aparentar que estava se precipitando na ânsia de ocupar o lugar de Rousseff e afirma que o país precisa de um “Governo de salvação nacional”. A reação foi imediata, e diante da repercussão no meio político, o vice-presidente convocou os jornalistas para um um pronunciamento de três minutos no meio da tarde. Repetiu a versão de seus assessores: sua intenção era mandar o áudio para um amigo, não para um grupo com dezenas de participantes e que queria se antecipar caso fosse instado a comentar o resultado positivo do impeachment na Câmara.

De frente para o espelho

A presidenta não fez manifestação pública, mas falou a assessores que “caiu a máscara de conspirador” de seu vice, uma mensagem que governistas repetem à exaustão desde o desembarque do PMDB do Governo. O ministro-chefe do Gabinete Pessoal, Jaques Wagner, foi mais duro. Afirmou que Temer “rasgou uma fantasia” e defendeu a renúncia do vice, caso o impeachment caia, levando a um ponto de não retorno o rompimento com o peemedebista. “Imagino que ele possa ter feito esta declaração vestindo a faixa presidencial em frente ao espelho”, disse. Questionado se o relacionamento entre Dilma e Temer seria apenas o de pessoas educadas, ele refutou: “Não há educação para conspiradores. Os conspiradores não têm código de ética”.

No Congresso, a divulgação do áudio causou espanto em governistas e oposicionistas. Entre os aliados de Dilma o discurso era de que Temer tenta interferir na votação do impeachment e mostra que ele está articulando para derrubar a presidenta. “A fala é quase um ato falho. A pessoa sonha dia e noite em ser presidente da República, só esqueceu que ele deve lançar um programa, disputar uma eleição e se tiver votos, um dia ser presidente da República, não através de um golpe”, ponderou o deputado Henrique Fontana (PT-RS).

“A divulgação foi um desastre, muito infantil”, disse o opositor Júlio Delgado (PSB-MG). Para ele, um grupo de indecisos poderia ser influenciado pelas palavras do vice-presidente e se decidir por não apoiar o impeachment. Leia mais 

 

“Moro está atingindo a própria privacidade e proteção do Estado brasileiro. O comportamento dele está a exigir sua prisão imediata. É preciso que poderes da República defendam o país. Imagine que esse grampo poderia ter divulgado assuntos da soberania nacional”

Ou divulgou os segredos do Brasil. Depende de quem realizou o grampo. Seja uma empresa estrangeira ou algum serviço de espionagem de outro país. Tal incerteza precisa ser esclarecida pelas autoridades competentes. Não podemos esquecer que o juiz Sergio Fernando Moro chamou o FBI para investigar na Lava Jato.

 

Num país civilizado, Moro estaria preso por lesa-pátria, diz Lavenère

 

Ex-presidente da OAB e autor do pedido de impeachment do ex-presidente Fernando Collor, o advogado Marcello Lavenère criticou, nesta quarta (16), o juiz Sérgio Moro. “Num país civilizado, ele estaria preso por lesa-pátria”, disse, motivado pela divulgação de grampos de conversas privadas da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“A arrogância e a ousadia desse juiz ultrapassa o limite da racionalidade. A presidente da República, por questão de Estado, há de estar protegida nas suas comunicações. Ela trata de assuntos da soberania e essa privacidade é para proteger os maiores interesses do Estado. Ela não pode estar sujeita à atitude irracional desse juiz de primeira instância”, afirmou, em conversa com o Vermelho.

Alarmado, o advogado reiterou que as interceptações telefônicas poderiam ter captado assuntos internos do Estado, que não devem estar sujeitos a monitoramento de outras pessoas. “Ele está atingindo a própria privacidade e proteção do Estado brasileiro. O comportamento dele está a exigir sua prisão imediata. É preciso que poderes da República defendam o país. Imagine que esse grampo poderia ter divulgado assuntos da soberania nacional”, declarou.

Para Lavenère, Moro já demonstrou sua “parcialidade” e agora extrapola os limites da “racionalidade”. De acordo com ele, as instituições têm que agir respeitando a Constituição. “Não se pode estar fora da lei, cometendo transgressões”, avaliou.

O advogado comparou o desrespeito ao Estado Democrático de Direito que se verifica atualmente à época em que o país era comandado pelos militares. ”É um absurdo, nem no tempo da ditadura militar se cometeu tamanho abuso. Naquela época, eles rasgaram a Constituição. Moto também rasga a Constituição, sem fazer isso abertamente, o que é mais insidioso”, condenou.

De acordo com Lavenère, Moro subverte a ordem democrática e leva o país à convulsão social. “Se espera que poderes da república ajam para conter esses abusos”, defendeu, afirmado que gravar telefonemas da presidente já seria uma “irresponsabilidade, algo ilegal”, divulgar tais conversas, então, nem se fala.

Em evento em defesa da democracia, realizado na noite desta quarta, no teatro Tuca, em São Paulo, o advogado anunciou que irá liderar uma representação judicial contra Moro.

Por Joana Rozowykwiat, do Portal Vermelho

A Operação Lava Jato beneficia quem? Juiz Moro a serviço da justiça dos Estados Unidos e dos acionistas estrangeiros

Tenho denunciado que o juiz Moro apelou para o FBI espionar no Lava Jato. Considero um ato de traição. Até hoje não se sabe quantas ações da Petrobras estão em poder de estadunidenses.

Quando Fernando Henrique assumiu a presidência da República, a Petrobras tinha 30 por cento de suas ações vendidas.

Fernando Henrique criou a ANP – Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis que entregou ao genro, e vendeu na bolsa de Nova Iorque mais 30 por cento de ações.

Assim, no começo do governo de FHC a maioria das ações da Petrobrás não era mais do governo brasileiro.

Quantas ações mais foram vendidas, seja por Fernando Henrique, Lula e Dilma. Esse entreguismo não interessa a Moro nem aos barões da imprensa. Se Lula e Dilma tivessem vendido, Moro investigaria.

Disse o presidente Evo Morales, da Bolívia, que o Brasil possuía uns 22 por cento das ações.

Além dos bilionários lucros anuais da empresa, esses quase 80 por cento de acionistas desconhecidos, ganham de bônus a sociedade de todo o petróleo e gás que se descobre no Brasil e fora, onde a Petrobras possui concessões de explorações e refinarias.

 

Em nome de uma causa, a Justiça, não se pode vender a Pátria, que está acima da Justiça

Escreve o jornalista André Araújo: A espantosa notícia de que delatores brasileiros da operação Lava Jato vão aos EUA, ajudar a processar a PETROBRAS, com apoio da Justiça brasileira. É impressionante como esse fato não desperta nenhuma indignação na mídia nacional, passa em branco. É a completa perda da noção de PÁTRIA.

A Justiça de um País NÃO PODE ajudar a Justiça de outro País a processar uma empresa do próprio Estado de que faz parte. Nesse momento o Brasil é adversário dos EUA, a relação nesse caso é de litígio entre dois Estados soberanos, não importa as razões do processo, estão em jogo interesses nacionas definidos, os EUA querem extrair da Petrobras e portanto do Brasil o máximo de dinheiro e a Pertrobras e seu acionista controlador, o Estado brasileiro, querem não pagar nada ou pagar o mínimo possivel. Quanto mais forte estiver a acusação pior para o Brasil.

E não venham com essa historia de “acordo de cooperação judiciária”. Acordos desse tipo se destinam a combater o crime organizado, o tráfico de drogas e armas, o terrorismo, NAÕ SE PRESTAM A UM ESTADO PROCESSAR O OUTRO, como um Estado (e a Justiça brasileira faz parte de um Estado) pode ajudar outro Estado a PROCESSA-LO? O Procurador brasileiro quando viaja aos EUA tem sua passagem paga pelo Estado brasileiro, vai lá ajudar a processar o Estado que lhe paga a Passagem? Não faz nenhum sentido. Po incrível que pareça, ninguém na mídia achou isso estranho.

Em nome de uma causa, a Justiça, não se pode vender a Pátria, que está acima da Justiça. A Petrobras é parte do Estado brasileiro, processá-la é processar o Brasil, a conta desses processos vai doer em nossos bolsos e não será pequena.

O Departamento de Justiça pensa em um minimo de US$1,6 bilhão de multa, a SEC em um valor um pouco menor, os acionistas minoritarios, que agora terão a colaboração da ex-gerente da Petrobras Venina Venosa como testemunha

contra a Petrobras, pensam em um mínimo de US$2,5 bilhões para as seis ações coletivas, todas a cargo de advogados abutres especializados e que vão aparelhar suas ações com os processos criminais no Brasil e nos EUA. (Transcrevi trechos)

“O vampiro iria chupar a vida do mandato presidencial”

A CARTA DE TEMER

 

Por Urariano Mota

A carta do vice-presidente Michel Temer à presidenta Dilma Roussef, entre outras coisas dizia:

“(Que)sempre tive ciência da absoluta desconfiança da senhora e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB… (Que) Passei os quatro primeiros anos de governo como vice decorativo. (E) Perdi todo protagonismo político que tivera no passado e que poderia ter sido usado pelo governo… (Que) os acordos assumidos no Parlamento não foram cumpridos. (E) Realizamos mais de 60 reuniões de lideres e bancadas ao longo do tempo solicitando apoio com a nossa credibilidade,,,, (E) Democrata que sou, converso, sim, senhora Presidente, com a oposição”, etc. etc. etc.

Essa foi uma carta que dizia mais pelo que não explicitamente falava. Por exemplo, na desconfiança alegada, que Dilma teria em relação a ele, em boa interpretação significa apenas uma defesa prévia do autor, que procurava afastar de si a suspeita. Verdadeiro palimpsesto, as palavras no pergaminho que Temer havia raspado antes gritavam: “este governo pode ser meu, mas os motivos virão da sua desconfiança que alegarei. Eu não estou traindo a companheira de governo. Este governo é que não é meu. Vai ser”. Daí que as primeiras perguntas que assaltavam o espírito da gente ficavam sem resposta: Por que só depois de cinco anos Temer reclamava da desconfiança, da desatenção da qual seria vítima? Por que divulgou uma carta, que deveria ser pessoal, em toda mídia, no auge da crise do impeachment? Pelo tom geral, até parecia queixa magoada de amante de telenovela.

O vice-presidente, com o seu ar de nobreza, ou de modo mais preciso, de conde, pois Temer tem o físico ideal para o papel do conde Drácula, poderia ter, talvez lá nas suas fantasias mais íntimas, o sonho romântico de virar vampiro, pensávamos. Quem sabe? Mas a virgem a ser sugada, a digna presidenta Dilma, não possuía bem as características das frágeis jovens pálidas. Então melhor seria dar a ele o sentido de um vampiro mais metafórico, o significado de um ser que sobrevive da essência vital de uma pessoa viva. E no caso de Dilma, pelas andanças do nobre conde Temer em São Paulo, e conversas várias com a oposição, mais empresários, mais Eduardo Cunha, o vampiro iria chupar a vida do mandato presidencial. Mas tudo dentro da maior dignidade das trevas. Sempre discreto e furtivo.

Nessa mais recente quarta-feira, ao fim da reunião com a presidenta Dilma para explicar o inexplicável da carta, o nobre Temer declarou:

“Combinamos, eu e a presidenta, que teremos uma relação pessoal institucional e a mais fértil possível”. Ou seja, segundo ele, não fará declaração pública de apoio ao governo, assim como não vai trabalhar a favor da destituição dela. Como se fosse possível a neutralidade em uma guerra entre as partes interessadas. Mas antes, o nobre Michel Temer havia declarado que a abertura do processo de impeachment contra a presidenta possuía absoluto fundamento jurídico. De que lado oscila a neutralidade?

Esse nível de intriga revelado na carta do vice, do vício que deseja o que não é seu, já foi assunto e trama em tragédias famosas, algumas de Shakespeare. Mas qual? Penso que não poderia ser Macbeth, nem tanto pela ausência das três bruxas, porque no congresso as possuímos em bom número, nem mesmo por falta de uma cruel lady Macbeth, que encorajasse o nobre marido para o crime. Não. Penso que não caberia a tragédia Macbeth pela falta de grandeza do personagem do golpe neutro, que obedece a uma finalidade mais rasteira e mesquinha que os personagens de qualquer tragédia de Shakespeare.

Ou seria melhor, em lugar de uma tragédia, o gênio de Molière na comédia Tartufo? Acho que este é o que melhor se enquadra: Tartufo, o virtuoso hipócrita que desejava tomar a casa que o hospedara. Ou como ele de modo tão brilhante e cínico falou:

“O escândalo do mundo é o que faz a ofensa.
Pecar em silêncio não é pecar totalmente”.

Ou seja, se conspiramos sem alarde, podemos trair à vontade. Então podemos voltar à carta que apenas externava uma mágoa com a presidenta. Para que tanto escândalo, não é, nobre Temer?

 

Golpistas apresentaram programa econômico. Falta a lista de presos políticos que serão torturados e trucidados

estátua da liberdade tortura colonialismo preso

Palavras de um velho jornalista e professor, bacharel em História. Venho repetindo: Não se dispara um golpe sem prisões políticas, exílio, tortura e morte.

Todo golpista possui sua secreta lista de presos.

Os ditadores são crias do ódio e do fanatismo. São paridos na escuridão.

“As manifestações de rua contra a presidenta Dilma demonstraram isso de modo cabal, através de bonecos enforcados, cartazes pedindo violência, palavras de ordem cheias de insultos. Entretanto, por trás dessa passionalidade reacionária, há um plano muito bem pensado, alinhavado de modo absolutamente racional.

Trata-se de, atendendo aos interesses do imperialismo, entregar as riquezas do país e ampliar ao máximo a espoliação dos trabalhadores.

Na última semana, empolgados pela situação difícil que o Brasil vive, economistas tucanos tiveram uma crise de sinceridade e apresentaram o programa econômico do golpe”. Leia mais

O inimigo quinta-coluna, o traidor, por Gianfranco Uber
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aplogogia da traição aos trabalhadores