Tayná, 7 anos, assassinada por bala perdida em Pernambuco. Tiago, 10 anos, executado pela polícia do Rio de Janeiro. Dois tiros certeiros na cabeça. Dá pra desconfiar. Não existe transplante de cérebro

Existe o comércio de órgãos, sim. Como atuam os traficantes no Brasil?

 

BRA^PE_JDC Bala Perdida

BRA_ZH Morte do menino Eduardo, 10 anos

Menina brincava no meio da rua quando levou um tiro

Uma criança de 7 anos morreu após ser atingida por uma bala perdida no início da noite desta sexta-feira (3), em Maranguape II, Paulista, Região Metropolitana do Recife.

Tayná Vitória Silva Santos brincava na rua com o irmão, uma tia e um primo, quando um tiroteio começou. A menina levou um tiro na cabeça.

“Tudo aconteceu muito rápido. Não foi sequer possível identificar quantas pessoas estavam envolvidas no tiroteio. Só percebemos alguns homens que passaram atirando em cima de motos em alta velocidade. Quando percebemos Tayná já estava toda ensanguentada”, disse Petrúcia Nilza dos Santos, avó da menina, que ainda não sabia que a neta havia morrido quando conversou com a reportagem do JC.

A menina chegou a ser socorrida e encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Jardim Paulista, de onde foi transferida para o Hospital da Restauração (HR), na área central do Recife, mas não resistiu à gravidade do ferimento e faleceu por volta das 19h30, pouco depois de dar entrada na unidade de saúde.

Por conta do feriado, no momento em que o tiroteio ocorreu, afirmaram testemunhas, a rua estava bastante movimentada, repleta de crianças. Os moradores dizem ainda que, no passado, a localidade costumava ser bastante violenta, mas que ultimamente estava bem tranquila, com casos raros de roubos e assassinatos.

“Antigamente em quase todos os finais de semana alguém era morto por aqui, só que nos últimos tempos isso não acontecia mais. Estamos muito surpresos com essa violência”, comentou Lourival Antunes, avô de Tainá. O caso foi registrado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que ficará responsável pelas investigações. Jornal do Commércio

Mãe de menino de 10 anos morto no Alemão diz que vai deixar o Rio

‘Eu vou sair daqui’, afirma mãe, que pretende enterrar o filho no Piauí.
Pai diz que ato foi ‘covardia’ e que PMs atiraram a distância de 10 metros.

 

“Eu quero tirar o meu filho daqui, quero enterrar no Piauí. Vou levar o corpo do meu filho para o Piauí. Vou voltar [ao Rio] porque eu quero justiça e depois eu vou embora para lá. Não quero ficar nesse lugar maldito, eu vou sair daqui”, afirmou a doméstica Terezinha Maria de Jesus, de 40 anos.

O garoto foi baleado na porta de casa e morreu na hora no fim da tarde desta quinta-feira (2), no Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio. Terezinha diz que um policial fez o disparo. A Divisão de Homicídios da Polícia Civil investiga o caso.

De acordo com ela, voltar para casa é muito difícil porque tudo faz lembrar o menino Eduardo. “Eu passei a madrugada na casa da minha vizinha. Só passei em casa para pegar o documento dele para ir no IML. Eu não quero mais voltar pra aquela casa, tudo me lembra ele. É muito difícil”, disse Terezinha, muito emocionada.
Pai diz que ato foi ‘covardia’
O pai do menino afirmou, na manhã desta sexta, em entrevista à GloboNews, que os policiais atiraram a uma distância de cerca de 10 metros do menino.

“Meu filho não merecia ser morto da maneira que ele morreu. Um inocente que tinha 10 anos de idade, era estudioso, todo dia estava no colégio dele e tinha muitos sonhos. Era uma criança muito bacana, para mim era tudo na minha vida. A polícia entra sem saber trabalhar. Como ele falou que era filho de bandido, atirou no meu filho na maior covardia. Atirou na cara do meu filho a uma distância de 10 metros, no máximo, por trás das costas do meu filho ainda”, afirmou o pai.

Eduardo de Jesus Ferreira iria começar um curso na Tijuca, Zona Norte do Rio, segundo informações da mãe da criança. “Ele estudava o dia inteiro, ele ia fazer um curso do Sebrae na Tijuca. Eu matriculei e ele ia começar na quarta-feira (8), e eles tiraram o sonho do meu filho”, afirmou.

Na quinta, Terezinha, que tem outros quatro filhos, repetia que Eduardo queria ser bombeiro. “Tiraram o sonho do meu filho. Tiraram todas as chances dele. Eu fazia de tudo para ele ter um futuro bom. Aí vem a polícia e acaba com tudo”, lamentou. “Ele sempre falava que queria ser bombeiro. Ele estudava o dia inteiro, participava de projeto na escola, só tirava notas boas. Por que fizeram isso com meu filho?”, questionava sem parar.

 

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Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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