Papa Francisco: Tráfico humano é delito contra a humanidade

tráfico humano

Um delito contra a humanidade. Esta foi a definição usada pelo Papa Francisco.

Nesta quinta-feira, 10, para falar do tráfico humano, foi até a sede da Pontifícia Academia das Ciências para um encontro com os participantes da conferência internacional dedicada à problemática do tráfico de pessoas.

Francisco enfatizou que esse tipo de comércio é uma chaga no corpo da humanidade contemporânea, uma chaga na carne de Cristo, um delito contra a humanidade. Ele falou do tráfico de homens, mulheres e crianças como se as feridas na “carne de Cristo” estivessem na sua própria carne.

Para o Papa, este é um triste fenômeno, um campo de luta. Estando, hoje, face a face com os participantes de uma conferência sobre esse crime, ele teve a oportunidade de expressar a sua indignação, sobretudo a urgência da solidariedade, inspirada na fé, com as vítimas desse crime.

“É um encontro importante, mas é também um gesto da Igreja e das pessoas de boa vontade que querem gritar ‘basta!’ (…) O fato de nos encontrarmos, aqui, para unir os nossos esforços significa que queremos que as estratégias e as competências sejam acompanhadas e reforçadas pela compaixão evangélica, pela proximidade aos homens e mulheres que são vítimas desse crime”.

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“Não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria!”

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Recorde a mensagem que o Papa Francisco enviou para os brasileiros por ocasião da Campanha da Fraternidade este ano, que aborda o tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e o lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).

Na mensagem, Francisco afirma que não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria. “Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz etc. Isso é tráfico humano!”

O Papa ainda chamou à atenção para tantos dramas que acontecem em nível familiar e explicou que é necessário que todos façam um exame de consciência. “Pais que escravizam os filhos, filhos que escravizam os pais; esposos que, esquecidos de seu chamado para o dom, se exploram como se fossem um produto descartável, que se usa e se joga fora; idosos sem lugar, crianças e adolescentes sem voz. Quantos ataques aos valores basilares do tecido familiar e da própria convivência social!”. Leia íntegra da mensagem

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DENÚNCIA. Desembargador protege traficante de órgãos. O silêncio amigo de Aécio

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Carta aberta de um pai que teve o filho de dez anos assassinado pelos traficantes de órgãos em Minas Gerais

Bom dia caro Senador Aécio Neves,

Meu nome é Paulo Pavesi, e tenho certeza que já deve ter ouvido falar. Temos um amigo em comum, Carlos Mosconi.

Atualmente eu estou asilado na Europa, após sofrer diversas ameaças por parte do poder político de Minas Gerais. A Itália me concedeu asilo por unanimidade após analisar a documentação que apresentei.

O crime que eu cometi? Denunciei um grupo de traficantes de órgãos, da qual meu filho com apenas 10 anos de idade foi vítima.

Fiquei emocionado ao ver a sua preocupação com os presos políticos na Venezuela, que hoje vive um momento de ditadura.

Por isto estou escrevendo este e-mail. Gostaria de convidá-lo para me visitar aqui em Londres, onde moro atualmente, e saber um pouco da minha história. Afinal, em pleno século 21, mais especificamente em 2008, eu precisei deixar o país – BRASIL – por denunciar um grupo de bandidos marginais assassinos, comandados por Carlos Mosconi, seu ex-assessor especial no governo de Minas Gerais. Na época foi instalada uma CPI e Mosconi não permitiu ser ouvido. O senhor o nomeou superintendente da FHEMIG e a primeira medida foi abraçar toda a rede de transplantes de Minas Gerais (com a sua ajuda é claro) e logo em seguida um escândalo estourou por causa de fraudes na fila de espera (que também não deu em nada).

Tenho vários fatos para narrar sobre a pressão que fizeram contra mim e contra a minha família, e ainda hoje fazem. Ahhh… O processo do meu filho já dura 15 anos, e com frequência o julgamento é adiado a pedido de Mosconi.

Tenho certeza que o sr. como defensor dos direitos humanos vai criar uma comitiva para me visitar não é mesmo?

Nós temos pão de queijo aqui esperando por vocês.

Ah… não poderia esquecer de lhe fazer uma pergunta. Eu estou sendo processado por um desembargador (amigo seu e de Mosconi), só porque ele está tentando afastar o juiz que condenou os sócios de Mosconi à prisão. Como eu tenho visto que o sr. e Mosconi parecem ser blindados, gostaria de saber qual o advogado que vocês contratam. Estou precisando de um. Sabe como é né? Se não for muito caro, quem sabe? A esperança é a última que morre.

Paulo Pavesi

Assassinado pela máfia de tráfico de órgãos de Poços de Caldas. Hoje estaria com 25 anos.
Assassinado pela máfia de tráfico de órgãos de Poços de Caldas. Hoje estaria com 25 anos.

Transcrevi trechos da carta publicada no blogue Tráfico de Órgãos no Brasil. Leia mais. Conheça as autoridades corruptas, os traficantes, as vítimas. Para entender o exílio de um pai, a mordaça da imprensa mineira, a grana que corre nos hospitais, na justiça, na política, não esqueça os nobres nomes dos que têm a coragem de enfrentar uma máfia assassina

blogCensura

Tayná, 7 anos, assassinada por bala perdida em Pernambuco. Tiago, 10 anos, executado pela polícia do Rio de Janeiro. Dois tiros certeiros na cabeça. Dá pra desconfiar. Não existe transplante de cérebro

Existe o comércio de órgãos, sim. Como atuam os traficantes no Brasil?

 

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BRA_ZH Morte do menino Eduardo, 10 anos

Menina brincava no meio da rua quando levou um tiro

Uma criança de 7 anos morreu após ser atingida por uma bala perdida no início da noite desta sexta-feira (3), em Maranguape II, Paulista, Região Metropolitana do Recife.

Tayná Vitória Silva Santos brincava na rua com o irmão, uma tia e um primo, quando um tiroteio começou. A menina levou um tiro na cabeça.

“Tudo aconteceu muito rápido. Não foi sequer possível identificar quantas pessoas estavam envolvidas no tiroteio. Só percebemos alguns homens que passaram atirando em cima de motos em alta velocidade. Quando percebemos Tayná já estava toda ensanguentada”, disse Petrúcia Nilza dos Santos, avó da menina, que ainda não sabia que a neta havia morrido quando conversou com a reportagem do JC.

A menina chegou a ser socorrida e encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Jardim Paulista, de onde foi transferida para o Hospital da Restauração (HR), na área central do Recife, mas não resistiu à gravidade do ferimento e faleceu por volta das 19h30, pouco depois de dar entrada na unidade de saúde.

Por conta do feriado, no momento em que o tiroteio ocorreu, afirmaram testemunhas, a rua estava bastante movimentada, repleta de crianças. Os moradores dizem ainda que, no passado, a localidade costumava ser bastante violenta, mas que ultimamente estava bem tranquila, com casos raros de roubos e assassinatos.

“Antigamente em quase todos os finais de semana alguém era morto por aqui, só que nos últimos tempos isso não acontecia mais. Estamos muito surpresos com essa violência”, comentou Lourival Antunes, avô de Tainá. O caso foi registrado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que ficará responsável pelas investigações. Jornal do Commércio

Mãe de menino de 10 anos morto no Alemão diz que vai deixar o Rio

‘Eu vou sair daqui’, afirma mãe, que pretende enterrar o filho no Piauí.
Pai diz que ato foi ‘covardia’ e que PMs atiraram a distância de 10 metros.

 

“Eu quero tirar o meu filho daqui, quero enterrar no Piauí. Vou levar o corpo do meu filho para o Piauí. Vou voltar [ao Rio] porque eu quero justiça e depois eu vou embora para lá. Não quero ficar nesse lugar maldito, eu vou sair daqui”, afirmou a doméstica Terezinha Maria de Jesus, de 40 anos.

O garoto foi baleado na porta de casa e morreu na hora no fim da tarde desta quinta-feira (2), no Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio. Terezinha diz que um policial fez o disparo. A Divisão de Homicídios da Polícia Civil investiga o caso.

De acordo com ela, voltar para casa é muito difícil porque tudo faz lembrar o menino Eduardo. “Eu passei a madrugada na casa da minha vizinha. Só passei em casa para pegar o documento dele para ir no IML. Eu não quero mais voltar pra aquela casa, tudo me lembra ele. É muito difícil”, disse Terezinha, muito emocionada.
Pai diz que ato foi ‘covardia’
O pai do menino afirmou, na manhã desta sexta, em entrevista à GloboNews, que os policiais atiraram a uma distância de cerca de 10 metros do menino.

“Meu filho não merecia ser morto da maneira que ele morreu. Um inocente que tinha 10 anos de idade, era estudioso, todo dia estava no colégio dele e tinha muitos sonhos. Era uma criança muito bacana, para mim era tudo na minha vida. A polícia entra sem saber trabalhar. Como ele falou que era filho de bandido, atirou no meu filho na maior covardia. Atirou na cara do meu filho a uma distância de 10 metros, no máximo, por trás das costas do meu filho ainda”, afirmou o pai.

Eduardo de Jesus Ferreira iria começar um curso na Tijuca, Zona Norte do Rio, segundo informações da mãe da criança. “Ele estudava o dia inteiro, ele ia fazer um curso do Sebrae na Tijuca. Eu matriculei e ele ia começar na quarta-feira (8), e eles tiraram o sonho do meu filho”, afirmou.

Na quinta, Terezinha, que tem outros quatro filhos, repetia que Eduardo queria ser bombeiro. “Tiraram o sonho do meu filho. Tiraram todas as chances dele. Eu fazia de tudo para ele ter um futuro bom. Aí vem a polícia e acaba com tudo”, lamentou. “Ele sempre falava que queria ser bombeiro. Ele estudava o dia inteiro, participava de projeto na escola, só tirava notas boas. Por que fizeram isso com meu filho?”, questionava sem parar.

 

Bala perdida acerta menino de 9 anos no Rio. As máfias dos transplantes estão de vigília

Minutos antes de ser baleado
Minutos antes de ser baleado

O menino Asafe Willian Costa, de 9 anos, foi atingido por uma bala perdida na cabeça dentro do Sesi de Honório Gurgel, na Zona Norte do Rio, onde passava o domingo com sua família. Por volta das 15h, ele saiu da piscina — onde estavam sua mãe e uma de suas irmãs — para beber água na área do playground quando foi atingido no olho esquerdo por uma bala.

Toda notícia de bala perdida sempre tem a mesma explicação: O local fica na proximidade dos complexos do Chapadão e da Pedreira, principais redutos de duas facções do tráfico.

Bala perdida é um misterioso fenômeno carioca. Inclusive pela preferência por crianças.

Acontece que basta uma facção do tráfico de órgãos. Para um tiro certeiro no olho.

Bala perdida acerta menino no olho. Parece coisa de atirador da polícia que mira a cabeça de jornalistas nas passeatas de protesto

 

Por Júlia Amin No Extra

 


Segundo Diná Costa, mãe de Asafe, após ser baleado, ele não recebeu atendimento dentro do Sesi.
— Primeiramente achávamos que ele havia escorregado e batido a cabeça. Não havia nem ambulância no local. Tivemos que levar ele de carro até o hospital — afirmou.
mãe

Ele foi internado no Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha, também na Zona Norte, com a bala alojada no olho esquerdo. Após uma cirurgia para limpeza da área, foi transferido para o Hospital estadual Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. No momento, Asafe está sedado no Centro de Terapia Intensiva. Segundo nota do hospital, o estado de saúde do garoto é grave.

 

 

local

De acordo com a Polícia Civil, o caso foi registrado na 31ª DP ( Ricardo de Albuquerque). Os familiares da vítima e os funcionários do clube irão prestar depoimento nos próximos dias. Os agentes também procuram por câmeras de segurança instaladas no local. Segundo a Polícia Militar, não havia operação no momento em que Asafe foi atingido.

O menino foi a segunda vítima de bala perdida no fim de semana. Larissa de Carvalho, de 4 anos, morreu após ser atingida na cabeça por uma bala perdida, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Ela estava na companhia dos pais e passava pela esquina das ruas Boiobi e Rio da Prata, no fim da tarde de sábado, quando foi ferida. A polícia investiga de onde foi feito o disparo.

Os órgãos de Larissa foram doados. Por que o Rio de Janeiro tem chuva de bala perdida? 

O único lugar onde não se pode falar que o Brasil tem tráfico de órgãos é dentro do próprio Brasil. Por que as balas perdidas preferem as crianças?

Bala perdida
Bala perdida

Não tenho certeza, mas tenho muita desconfiança. Um absurdo o Brasil ser o país das mortes por bala perdida, e das mortes sem justa causa.

Eu nunca vi rico em fila de transplante. Creio que deveria ser proibida a doação de órgãos em determinados casos.

O jornal O Globo noticia hoje:

Polícia confirma terceiro caso de bala perdida em dois dias no Rio.

Foi em Bangu que a menina Larissa de Carvalho, de 4 anos de idade, foi atingida por uma bala perdida na cabeça. Ela saía de um restaurante, na madrugada de sábado (17), acompanhada pela mãe e pelo padrasto, quando foi ferida. A menina teve morte cerebral e a família decidiu doar os órgãos.

Asafe, de 9 anos, segue internado em estado grave

No dia seguinte, domingo (18), outra criança foi vítima de bala perdida na cidade. Asafe William Costa de Ibrahim, de 9 anos, foi atingido quando estava com a mãe na área de lazer do Sesi de Honório Gurgel, no Subúrbio [do Rio de Janeiro]. Ele foi levado para o Hospital Estadual Adão Pereira Nunes. Até o fim da tarde desta segunda-feira (19) o estado de saúde dele era considerado grave.

Manchetes costumeiras da imprensa brasileira
Manchetes costumeiras da imprensa brasileira

Família de menina morta no Rio por bala perdida doa os órgãos da criança

Familiares da menina Larissa de Carvalho, de 4 anos, que teve a morte cerebral após ser atingida por uma bala perdida em Bangu, Zona Oeste do Rio, neste sábado (17), decidiram doar os órgãos da criança. A cirurgia para retirada dos rins e das córneas da menina durou 4 horas, como mostrou o Bom Dia Rio.

O programa de transplante não divulgou o nome dos pacientes que vão receber a doação, segundo eles o sigilo é previsto na legislação. Eles disseram também que há uma parceria com o Hospital Pedro II, onde Larissa estava internada e que por isso a equipe do hospital cedeu o anestesista, para o acompanhamento do procedimento. Leia mais

Por que tanto segredo? Toda pessoa salva por um transplante tem a curiosidade de conhecer a história do doador. É uma dívida de gratidão.

Desconfio de tudo que acontece neste Brasil do segredo eterno. Setembro último a Folha de S. Paulo estampou a seguinte manchete:

Para especialista, tráfico de pessoas para obter órgãos é crime protegido

Tráfico de órgãos 8

Existem várias rede internacionais criminosas de tráfico de órgãos. Leia 

O Papa Francisco, recentemente, denunciou esse horrendo crime: crianças chegam ainda vivas nos hospitais, dopadas, vendidas pelos traficantes à medicina de vanguarda.

Em fevereiro último, a revista Exame, reportagem de Fábio Pereira Ribeiro, denuncia: Tráfico de órgão – uma tragédia silenciosa. Segue trechos:

O Tráfico de Órgãos está relacionado como o novo crime internacional do século XXI. O crime atinge praticamente todos os países (…) mas em alguns, em função de “facilidades” políticas e de baixa fiscalização e investigação, acontece com mais relevância.

No caso brasileiro, parece que o olhar fechado das autoridades gera uma letargia no desenvolvimento de investigações. Segundo a OMS, de todos os transplantes realizados no mundo, 5% estão relacionados diretamente com o tráfico de órgãos.

O tema ainda parece um grande mistério, tanto para autoridades, como também para a mídia internacional. Como a busca do “Santo Graal”, o mundo parece não saber o que acontece. Mas pelos diversos relatórios internacionais de organismos que investigam o crime, como da própria Interpol, a estrutura por trás do tráfico de órgãos é extremamente inteligente e organizado, como uma verdadeira máfia envolta em sigilo, e com “peixes” muito grandes da política, da medicina e de outros grupos criminosos.

Engraçado que em uma pesquisa simples no site da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República do Brasil, o tema “tráfico de órgãos” não aparece em nenhum tópico e pesquisa. Por quê? Mesmo considerando que apareça o tema “tráfico de pessoas”, é de se imaginar que o mesmo tráfico possa alimentar o tráfico de órgãos.

E para piorar o problema, muitas autoridades, inclusive políticos, tratam o tema como uma grande “lenda urbana”, mas a Secretaria Nacional de Justiça, publicou em 2013 um documento referente ao tráfico de seres humanos (Cartilha Tráfico de Pessoas), e no documento consta efetivamente os problemas de tráfico de órgãos e seus impactos no Brasil e no mundo.

O Blog EXAME Brasil no Mundo conversou com o brasileiro, residente em Londres, Paulo Pavesi que sofre na “pele” a tragédia do crime de tráfico de órgãos. Seu filho, Paulo Veronesi Pavesi, o Paulinho, na época com 10 anos, sofreu um acidente no playground do prédio que morava. Depois de diversos exames, foi constatado morte encefálica, e a família resolveu doar os órgãos. Mas o Paulo Pavesi desconfiou da conta hospitalar e dos procedimentos realizados, e a partir daí começou, com faro investigativo, uma das maiores batalhas de sua vida. O caso de Paulo Pavesi e de seu filho Paulinho, é mais um entre muitos da tragédia silenciosa que acontece diariamente no mundo e no Brasil. Os médicos envolvidos no caso de Paulinho estão presos. Os mesmos foram condenados pela justiça, mas absolvidos pelo Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais, onde o caso ficou conhecido como o caso de “Poços de Caldas”.

Paulo Pavesi escreveu o livro “Tráfico de Órgãos no Brasil – O que a máfia não quer que você saiba”, e também mantém o blog “Tráfico de Órgãos no Brasil” http://ppavesi.blogspot.com.br para contar a história de Paulinho, e de todas as tragédias silenciosas que acontecem sobre o tema, diferente do que as autoridades acham. Na verdade é uma tragédia urbana, e não uma lenda urbana.

O tráfico internacional de órgãos é uma realidade mais do que presente no Brasil. Por que o Brasil pouco fala sobre isso?

Paulo Pavesi: A imprensa é pressionada a não divulgar casos como o do meu filho, com o argumento de que pode atrapalhar a doação de órgãos. No entanto, as pessoas que pressionam a imprensa hoje, são justamente as que estão envolvidas com o comércio ilegal de órgãos há décadas, e nunca são investigadas.

Esta pressão foi confirmada durante a CPI do tráfico de órgãos em 2004, por delegados de policia federal. Órgãos estão sendo removidos de pacientes em coma, para servir à hospitais públicos. Existe todo um processo que estou detalhando no meu segundo livro.

Brasil no Mundo: Você é uma vítima direta do tráfico internacional de órgãos. Seu filho Paulinho, foi vítima desta atrocidade. Conte-nos um pouco de sua história.

Paulo Pavesi: É muito difícil para mim, como pai, resumir estes 13 anos. Até mesmo para escrever o livro foi difícil, pois tive que cortar muitas coisas. Tudo o que apurei é importante. Mas o que posso dizer é que esbarrei em uma máfia que jamais imaginei existir. Não conheço nada tão sofisticado como o funcionamento desta organização. Tudo funciona perfeitamente como um relógio. Há muito dinheiro envolvido.

Brasil no Mundo: De tempos em tempos vemos notícias sobre o tráfico de órgãos no Brasil. Na sua visão, por quê a mídia não noticia de forma mais contundente?

Paulo Pavesi: Quando é trafico internacional, como o caso de Pernambuco, a imprensa fala amplamente. O que a imprensa não fala é sobre o que esta acontecendo dentro do Brasil.

Para você ter uma idéia de como eles estão infiltrados e estabelecidos, a justiça brasileira tem um programa chamado “doar é legal”. Você entra em qualquer site da justiça, de qualquer Estado, e vai encontrar um link para se tornar um doador de órgãos, emitindo um certificado imediatamente. Nestes sites, a justiça explica que o tráfico de órgãos não existe, e que tudo não passa de lenda urbana.

Quando eu ainda morava em São Paulo, as viaturas da polícia militar possuíam um adesivo no vidro traseiro dizendo “doe órgãos”. Em redes sociais, você pode informar ao mundo todo que você é doador de órgãos. As universidades estão recebendo com freqüência, médicos renomados que fazem palestras visando plantar a semente da doação nos jovens. Quando alguém se diz contrário é agressivamente repreendido, chamado de egoísta e ridicularizado. A doação deixou de ser uma ação de bondade, e está se tornando uma obrigação. A mídia tem colaborado muito para isso. O outro lado da história – a verdade sobre os transplantes – está sendo censurada.

Brasil no Mundo: Como está sendo a sua luta contra o tráfico internacional de órgãos?

Paulo Pavesi: Trata-se de uma batalha impossível. Você avança um passo e eles te empurram outros três para trás. A luta não se limita a combater e denunciar os médicos envolvidos. Você precisa combater diversas frentes, como por exemplo o Ministério Público. Durante a CPI ficou evidente que TODOS os casos levados ao Ministério Público, e analisados pela comissão, foram arquivados sem nenhuma investigação ou informação aos denunciados. Casos e mais casos comprovados de tráfico de órgãos, simplesmente, são ignorados inexplicavelmente. A máfia foi descoberta na década de 1980 em Taubaté, onde vários doadores tiveram os órgãos retirados quando ainda estavam vivos. O processo de homicídio dos médicos de Taubaté levou 23 anos para ser julgado, e quase foi arquivado antes disso. Em 2011, estes médicos foram condenados a 17 anos de prisão, saíram pela porta da frente do fórum, continuam trabalhando normalmente e foram inocentados pelo conselho regional de medicina. Estão aguardando o julgamento em segunda instância há três anos, e não há prazo para serem julgados. Os médicos envolvidos no caso de Poços de Caldas, já foram condenados duas vezes por tráfico de órgãos, e da mesma forma foram absolvidos pelo conselho regional de medicina. Em ambos os casos, é possível identificar um mesmo núcleo que funciona em São Paulo. Não por coincidência, nos últimos anos duas auditorias do TCU (Tribunal de Contas da União) comprovaram que a fila de espera em São Paulo é sujeita a fraudes. Outro fator que chama a atenção, é que mesmo condenados, os médicos passam a ser protegidos por diversos setores da sociedade, e ignoram as sentenças judiciais, alegando inocência. No caso do meu filho, os médicos insistem em dizer que tudo é uma grande mentira, apesar das inúmeras provas existentes.

Brasil no Mundo: Quais os últimos resultados em relação ao caso do seu filho?

Paulo Pavesi: O processo tem duas vertentes. Na primeira, quatro médicos respondem pelo artigo 121 do código penal, homicídio doloso qualificado por motivo torpe. Este deve ir a júri popular em breve, sem data marcada. Na segunda, três médicos responderam pela retirada ilegal dos órgãos em paciente vivo que resultou em morte (homicídio também), e estão condenados em primeira instância. Como estes mesmos médicos já foram condenados em outro caso, tiveram a prisão decretada e continuam presos até o momento.

Brasil no Mundo: Em um texto seu publicado no seu blog “A verdade. Nada mais que a verdade”, você comenta sobre o modelo nazista. Você acredita que esta filosofia ainda se instala no Brasil?

tráfico órgãos medicina

Paulo Pavesi: Nunca foi tão real. Nos estamos vivendo um círculo vicioso e perigoso na saúde pública. Não temos leitos de UTI suficientes para todos que precisam. Brasileiros estão tendo de recorrer à defensoria publica para conseguir uma vaga. Para que esta vaga apareça, não existe milagre. Alguém precisa desocupar. Com a ordem judicial, sem perceber, a justiça está condenando pacientes em coma à morte. Ao mesmo tempo, existe dezenas de casos que estou acompanhando onde um leito de UTI é negado, a pessoa tem a morte encefálica diagnosticada por não receber o tratamento adequado, e em seguida é levada para a UTI para que os órgãos sejam mantidos para transplantes. Esta matemática é bastante estranha. O mesmo Estado que está dizendo que precisamos salvar vidas doando órgãos, está negligenciando o atendimento de pacientes que poderiam ser salvos, transformando-os em doadores. Uma solução de mau gosto. Em uma única ação eles liberam leitos de UTI e obtêm órgãos para transplantes. Infelizmente, parece que o brasileiro não consegue entender esta situação, e acredita que o que acontece nos hospitais “é assim mesmo”.

Brasil no Mundo: Considerando todo o seu esforço investigativo, como o Brasil é visto no mundo em relação ao tema de tráfico internacional de órgãos?

Paulo Pavesi: O Brasil é citado em várias publicações internacionais como fonte fácil para obtenção de órgãos. Há um hospital em São Paulo, em que você pode encontrar pessoas com problemas renais, e com um certo poder econômico, vindas de países vizinhos como Paraguai, Argentina, Peru e Colômbia, e aguardando um órgão para transplante. O único lugar onde não se pode falar que o Brasil tem tráfico de órgãos é dentro do próprio Brasil. Cito um exemplo muito interessante. Há alguns anos, um filme de ficção chamado “Turistas, Go home!” em que retratava o tráfico de órgãos no Brasil foi amplamente criticado, e quase teve sua exibição suspensa pela Embratur. O Brasil vive de aparências. A realidade é muito diferente.

Brasil no Mundo: Que orientações você daria para as famílias brasileiras?

Paulo Pavesi: Simples. Não doe órgãos. É muito difícil dizer isso, e quero lembrar que eu doei os órgãos espontaneamente, acreditando no sistema. Mas diante do que está acontecendo, não podemos tomar uma decisão séria como esta, sem segurança. Nem mesmo médicos confiam no sistema.

Quando foi implantada a lei de doação presumida, apenas 2% dos médicos brasileiros colocaram a frase “doador de órgãos e tecidos” em seus documentos. Chegamos num ponto em que os conselhos de medicina estão contrariando suas próprias regulamentações para defender condenados por tráfico de órgãos.

O presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), é testemunha de defesa de vários acusados. Aliás, um irmão do principal acusado no caso Paulinho já foi presidente da ABTO. Enquanto o Brasil não enfrentar este problema seriamente, ser doador no Brasil é colocar a vida em risco. Protocolos criados pelo próprio Conselho de Medicina estão sendo ignorados para produzir doadores, com o apoio do próprio conselho.

 

tráfico de órgãos 3

O mito do Brasil cordial

“Não vou estuprar você porque você não merece”
Jair Bolsonaro


violência psicológica

Acontece muito no trabalho. A danação do assédio moral e do assédio sexual. Idem o assédio extrajudicial com assinatura de um advogado. O assédio judicial. O policial. O stalking da Gestapo dos serviços de proteção ao crédito, que são organizações de espionagem da ditadura econômica. Que quebram os sigilos fiscal e bancário da classe média baixa. Inclusive tem acesso a informações pessoais cadastradas em hospitais, planos de saúde, universidades, agência de empregos etc.

O bullying (o bulismo) vai do ensino do primeiro grau às universidades, com toda sua perversidade como acontece hoje na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), aterrorizada por uma onda de estupros.

Nada mais humilhante e degradante do que sofrer uma prisão arbitrária, uma despejo judicial, do que assinar um atestado de pobreza para ter acesso à justiça gratuita.

O brasileiro não tem privacidade. E o pobre, nenhum direito.

Toda violência psicológica pode causar depressão, suicídio, traumas para toda vida. Mazelas de um país que ainda tem escravidão. Que o povo está submetido a violências físicas. Que persiste a tortura. E cresce a lista de desaparecidos.

 

 

 

Tráfico de órgãos e exploração sexual no México: cerca de 45 mil crianças desaparecidas e menores sequestrados

Pequeno vendedor de chicleetes. No México existem cerca de 45 mil crianças desaparecidas para explotação sexual ou tráfico de órgãos. Foto Cuartoscuro
Pequeno vendedor de chiclete. No México existem cerca de 45 mil crianças desaparecidas para exploração sexual ou tráfico de órgãos. Foto Cuartoscuro

 

 

No México estão desaparecidas 45 mil crianças e há uma lista oficial de 3 mil inquéritos preliminares sobre menores seqüestrados durante o último ano e meio, subtraídos a fim de exploração sexual, venda e tráfico de órgãos.

A denúncia provém do presidente da Fundação Nacional para a Busca de Crianças Sequestradas e Desaparecidas. Bandos criminosos atuam especialmente no Distrito Federal, nos Estados de México, Veracruz, Tijuana, Monterrey, Guadalajara e nas áreas de fronteira do norte e do sul do país.

Menores de todas as idades são seqüestrados por pessoas que trabalham por conta própria, por pequenos bandos que os vendem aos traficantes de órgãos ou para a exploração sexual, e pelo crime organizado que leva as vítimas para fora do país com passaportes e credenciais.

A criminalidade organizada atua através de uma rede que atrai as jovens vítimas, principalmente adolescentes, por meio de redes sociais. Segundo as autoridades de Estados Unidos e França, que monitorizam o fenômeno no México, os órgãos das crianças não são levados para fora do país em congeladores; os pequenos chegam aos EUA ainda vivos e são levados a clínicas e médicos corruptos, que por milhares de dólares os operam e retiram os órgãos.

O perfil dos seqüestros deste fenômeno atroz inclui crianças com idades entre 7 e 10 anos. As crianças até 5 anos de idade geralmente são sequestradas para serem vendidas para casais que não podem ter filhos. Os recém-nascidos são sacrificados nos ritos satânicos. Para enfrentar esses atos criminosos, a Fundação Nacional de Investigação de Crianças Raptadas e Desaparecidas realiza uma campanha gratuita de prevenção do sequestro de crianças nas escolas do Distrito Federal, Estado do México, Veracruz e Puebla, mas está aberta a toda entidade pública ou privada.

O tráfico de crianças e de pessoas é o terceiro negócio mais rentável do mundo, depois de tráfico de armas e drogas, com um mercado de cerca de 32 milhões dólares por ano. Segundo o UNICEF, as meninas e os meninos desaparecidos através do tráfico a cada ano em todo o mundo são um milhão e 200 mil. (AP) (12/8/2014 Agência Fides)

 

Estados Unidos e França realizam uma investigação conjunta de como operam os  bandos criminoso no México. Foto: Cuartoscuro
Estados Unidos e França realizam uma investigação conjunta de como operam os bandos criminoso no México. Foto Cuartoscuro