Encontro do Papa Francisco com Raúl Castro

O Papa Francisco recebeu pela primeira vez, no Vaticano, o presidente da República de Cuba, Raúl Castro, que lhe agradeceu pelo papel desempenhado na aproximação aos EUA.

Segundo a sala de imprensa da Santa Sé, o encontro “estritamente privado” durou cerca de 55 minutos e acontece cerca de quatro meses antes da visita do Papa argentino a território cubano.

“Agradeci ao Santo Padre pela contribuição na aproximação entre Cuba e os EUA”, disse Castro aos jornalistas, no final da audiência.

O presidente cubano ofereceu a Francisco um quadro de grandes dimensões do artista cubano Alexis Leyva Machado, Kcho, que representa uma grande cruz feita com destroços de vários barcos e uma criança que reza diante dela, inspirado na viagem do Papa a Lampedusa, em 2013.

O artista, presente no ato após a reunião privada, quis aludir à tragédia que atinge milhares de pessoas que atravessam o Mediterrâneo para tentar chegar à Europa.

Castro também ofereceu ao Papa uma medalha que comemora o 200.º aniversário da Catedral de Havana.

Francisco, por sua vez ofereceu um cópia da sua exortação apostólica ‘Evangelii Gaudium’ e um medalhão com a tradicional representação de São Martinho, cortando a sua capa para a dividir com um pobre.

“O Papa observou explicitamente que este é um dom que faz de muito boa vontade, porque recorda não só o compromisso para ajudar e proteger os pobres mas também para promover ativamente a sua dignidade”, refere a nota de imprensa da Santa Sé.

O encontro começou com um longo aperto de mãos e Castro falou ao Papa da expectativa do povo cubano em relação à sua visita à ilha.

A delegação cubana incluía o vice-presidente do Conselho de Ministros, o ministro dos Negócios Estrangeiros e o embaixador do país junto da Santa Sé.

Esta foi a primeira visita de Raúl Castro ao Vaticano, 19 anos depois do encontro entre Fidel Castro e João Paulo II, antes da viagem do santo polaco a Cuba.

Francisco vai visitar Cuba em setembro, antes de seguir para os EUA onde, entre 22 e 27 do referido mês, participará em Filadélfia no 7.º Encontro Mundial das Famílias.

A estadia do Papa em território norte-americano incluirá um encontro com o presidente Barack Obama e visitas ao Congresso dos EUA e à sede da Organização das Nações Unidas em Nova Iorque. In Agência Ecclesia

O apoio dos bispos cubanos

«Uma honra. A visita mais importante de toda a minha vida», assim o presidente da República de Cuba, Raúl Modesto Castro Ruz, definiu o encontro com Francisco realizado na manhã de domingo, 10 de Maio no Estúdio da Sala Paulo VI: a audiência, muito cordial, prolongou-se por cerca de uma hora.

O chefe do Estado de Cuba  foi recebido pelo prefeito da Casa Pontifícia, arcebispo Gänswein, e saudado pelos arcebispos Angelo Becciu, substituto da Secretaria de Estado, e Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados.

Logo a seguir teve lugar o encontro pessoal com o Papa, no Estúdio, onde Francisco o recebeu com um «bienvenido!». O presidente – como declarou aos jornalistas antes de deixar o Vaticano – agradeceu a Francisco o papel ativo a favor do melhoramento das relações entre Cuba e os Estados Unidos da América; e apresentou-lhe os sentimentos do povo cubano na expectativa da sua visita à ilha programada para setembro.

Em seguida, o Papa e Castro deslocaram-se para o estúdio, onde teve lugar a apresentação da delegação cubana, composta por uma dezena de personalidades, entre as quais o vice-presidente do Conselho dos ministros, Ricardo Cabrisas Ruiz, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodríguez, o embaixador junto da Santa Sé, Rodney López, e familiares do presidente.

Pouco depois das 10h30 o presidente Castro e a delegação deixaram o Vaticano e dirigiram-se para o Palácio Chigi para se encontrar com o presidente do Conselho dos ministros italiano, Matteo Renzi. No final os dois concederam uma conferência de imprensa, durante a qual o presidente cubano, falando do encontro com Francisco, explicou que ficou muito impressionado «com a sua sabedoria e modéstia e com todas as suas virtudes. Leio todos os discursos do Papa – acrescentou – e se continua a falar assim, mais cedo ou mais tarde recomeçarei a rezar e voltarei à Igreja católica. Não brinco». Renzi falou sobre as relações entre Cuba e os Estados Unidos da América, constatando que «muito está a mudar».

Também monsenhor Becciu quis comentar a audiência. Núncio apostólico de 2009 a 2011 na ilha caribenha, o prelado numa entrevista ao «Corriere della Sera» de segunda-feira 11, falou do trabalho diplomático realizado pela Santa Sé a favor da aproximação entre Cuba e os Estados Unidos. «A Secretaria de Estado, antes de tudo o cardeal Parolin, deu também a sua contribuição ao seu interpretar do melhor modo possível as indicações do Papa. Depois, se se quiser afirmar que determinados resultados não se obtêm de hoje para amanhã, então concordo em reconhecer que a diplomacia vaticana durante os decénios desempenhou o seu papel tenaz e paciente. Agora a viragem também graças ao cardeal Ortega e aos bispos cubanos». In L’Osservatore Romano

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Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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