O primeiro dia da Copa em São Paulo

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Pela Copa da África, marcada pela corrupção e ditadura da Fifa, fui contra o evento no Brasil.

Os jornalões brasileiros promoveram a Copa 2014 no Brasil, notadamente as organizações Globo.

Lula disse sim.

Aécio Neves disse sim.

Fernando Henrique disse sim.

Marina Silva disse sim.

Eduardo Campos e mais onze governadores, pelo desejo de construir os estádios, disseram sim.

Depois dos investimentos do governo da União, dos governadores e prefeitos, o movimento não ter Copa perdeu o sentido, desde que era um compromisso assumido pelo Brasil com os países que ora participam do mundial do futebol.

Incentivados pelos chamados movimentos sociais, com todo tipo de infiltrados, grupos decidiram continuar com os protestos de 2013, agora com a participação de partidos políticos que disputam a presidência da República.

Ora, ora, se é para conter protestos, que a polícia aja dentro e fora dos estádios. Mas a polícia apenas bate no povo que não pode comprar ingressos para assistir os jogos. Dentro dos estádios se pode mandar uma autoridade tomar naquele lugar. Que a polícia não bate nas elites. Na rua, qualquer reclamação tem pancadaria.

 

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Registram os advogados ativistas: O primeiro dia iniciou-se em São Paulo com o sítio à cidade, exercido pelas forças de segurança pública.

Segundo atendimento realizados pelo grupo de socorristas, GAPP, durante o dia foram realizados ao menos 37 socorros a manifestantes, decorrentes de diversos tipos de lesões, como ferimentos por estilhaços de bombas, balas de borracha, asfixia por gás lacrimogênio e mecânica decorrentes de esganadura, bem como de reiterados golpes de cacetetes.

Foram realizadas ao menos 47 detenções, sendo que diversas prisões sequer eram informadas aos advogados, ou permitido o acompanhamento visual da atuação policial.

· bloqueio de vias e interdição de ao menos parte do transporte público, com a finalidade de comprometer a mobilidade dos manifestantes e, desta forma, sua tendência de deslocamento em direção ao perímetro de exclusão imposto pela FIFA – organizador da Copa;

· revistas pessoais realizadas por policiais em transeuntes, sem qualquer fundamentação legal;

· policiais trajados com farda sem tarjeta de identificação funcional ou identificação alfanumérica de 10 dígitos, ou ainda de modo a não evidenciar qualquer tipo de identificação;

policiais portando armas de fogo (inclusive de grosso calibre como metralhadoras e escopetas 12mm) durante contenção e operações antidistúrbio;

· civis atingidos por estilhaços de bombas, balas de borracha, golpes de cacetete e socos;

· intimidação e constrangimento ilegal contra manifestantes por meio de gritos e gestos ameaçadores;

· impedimento de atuação dos advogados durante o acompanhamento de revistas pessoais, bem como no registro de material probatório, quando das agressões ou abusos de autoridade;

· impedimento, com violência deliberada, de atuação dos jornalistas no exercício da profissão, tendo sido tomados como alvo por reiteradas vezes pelas forças de segurança;

· impedimento da atuação dos Observadores Legais na coleta de material estatístico e probatório durante a manifestação, por meios ostensivamente impeditivos;

· seguranças do serviço privado do metrô realizando revistas pessoais nos usuários, de modo totalmente ilegal;

· prisões ilegais infundadas, justificadas como sendo para averiguação – instrumento, aliás, inexistente no ordenamento jurídico brasileiro. No ano em que se completa o cinquentenário da ditadura militar no Brasil (1964-1985), é no mínimo irônica a utilização de um expediente tão característico período ditatorial.

· tiros de armamento balístico menos letal e elastômero (bala de borracha), feitos acima da linha da cintura – como indicam os orifícios feitos a bala nos para-brisas de veículos, a cerca de 1,5m do solo.

· veículos atingidos no seu interior por bombas de gás-lacrimogênio.

· policiais militares e supostos policiais civis (não fardados), em duas ocorrências distintas, com agressão e rapto de manifestantes, introduzindo-os a força em veículos descaracterizados, não oficiais. Sem direito de registro do nome do condutor, evadindo-se os veículos para local desconhecido, perante a população que registrava as ocorrências em vídeo e foto, em plena luz do dia.

· depois de registrar cenas de espancamentos perpetrados por policiais militares, um manifestante, por eles perseguido, refugiou-se em residência próxima àquela ocorrência, obtendo guarida dos proprietários da casa. Somente depois de aproximadamente uma hora de refúgio – com a Polícia Militar todo o tempo à frente do imóvel – foi possível a retirada do manifestante perseguido, em segurança, na companhia de representantes dos Advogados Ativistas e Observadores Legais;

· utilização de bombas e armas de fogo em um posto de gasolina;

· utilização de bombas com data de vencimento raspadas;

· acusações de crimes infundadas aos manifestantes, com diversas tentativas de flagrantes forjados;

· agressão deliberada de policiais militares a uma criança de nove anos de idade e seu cão, sem motivação;

· agressão reiterada a equipes de socorristas que insistiam na prestação do socorro às vítimas dos próprios agentes de segurança;

· tentativa, por parte dos policiais militares, de esvaziamento de uma estação do metrô, obrigando os usuários a saírem rapidamente da estação sob tiros e golpes de cacetete. Leia mais. 

 

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Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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