1 – Os mapas da corrupção

 

Cada empresa da grande imprensa ao mais simples blogueiro a posse de um mapa da corrupção. Vou começar a publicá-los.

Esses mapas não são apartidários, e livres de viés ideológicos, mas sou da opinião que toda denúncia deve ser investigada. Mesmo que toda os processos das promotorias públicas, todas as operaçoes da Polícia Federal e todas CPIs das assembléias terminem em pizza, relatórios fajutos ou em habeas corpus. No prende e solta e engavetamentos da justiça, no esquecimento da imprensa e do povo.

Vou iniciar pelo Diário do Comércio. Seus colunistas escrevem:

Olavo de Carvalho:

O Brasil oficial de hoje é, de alto a baixo, criação de um grupo de professores ativistas uspianos, semicultos e presunçosos, que se acreditavam o cume da inteligência humana e o tribunal de última instância para o julgamento de tudo. Num horizonte mental circunscrito pelas ciências sociais com viés entre marxista e positivista, não se ouvia nesse tribunal nem a voz dos clássicos da religião e da espiritualidade, nem a da alma popular brasileira, ali substituída pelo estereótipo rêt-à-porter da militância sindical. Esquece Olavo que a USP hoje continua com o mesmo reitorado dos tempos da ditadura militar, vigiada por policiais do governador Alkimin, e um campus de concentração com espancamentos, desalojamentos, prisões, tortura e cassassões de estudantes. Os professores uspianoa mencionados são bem domésticados.

Paulo Saab:

Nada muda? Só piora? Defendo, há anos, não o incitamento à violência, mas a mobilização popular, à base de vaias públicas, contra os corruptos. Por que podem os maus políticos, governantes desonestos, maus empresários, criminosos, agirem sem punição? Enquanto isso, o noticiário  mostra diariamente brasileiros morrendo ou mofando  em corredores imundos de hospitais onde também campeia a corrupção.
 
E os “manifestantes” que se organizam para protestar, com viés partidário/ideológico, contra moinhos de vento do passado?  Por que não vão às ruas protestar – pacificamente –, contra o estado de calamidade que o conluio de governantes e políticos corruptos com o crime criou na saúde pública, nos transportes e na educação no Brasil?
 
Enquanto a massa não ocupar as ruas e exigir a volta da moralidade pública, nada vai melhorar. Diante da ignorância e da bondade natural da população, os maus ocuparam os espaços  e transformaram a gestão pública num câncer que corroi as entranhas do País. Neste pântano de infrações, de “malfeitos” (quanta ingenuidade…) criminosos se tornaram os financiadores e manipuladores dos detentores de mandatos populares. Na fala de Saab fica explícita a defesa dos golpistas de 64.

Eis o mapa 

Escreveu  a jornalista Hildegard Angel, que não é da redação do Diário do Comercio:

Quando vemos, hoje, crianças brasileiras que somem, se evaporam e jamais são recuperadas, crianças que inspiram folhetins e novelas, como a que esta semana entrou no ar, vendidas num lixão e escravizadas, nós sabemos que elas jamais serão encontradas, pois nunca serão procuradas. Pois o jogo é esse. É esta a nossa tradição. Semente plantada lá atrás, desde 1964 – e ainda há quem queira comemorar a data! A semente da impunidade, do esquecimento, do pouco caso com a vida humana neste país.

E nossos quixotinhos destemidos e desaforados ali diante do prédio do Clube Militar.  “Assassino!”, “assassino!”, “torturador!”, gritava o garotinho louro de cabelos longos anelados e óculos de aro redondo, a quem eu dava uns 16 anos, seguido pela menina de cabelos castanhos e diadema, e mais outra e mais outro, num coro que logo virava um estrondo de vozes, um trovão.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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