Prova de sobrevivência com uma aposentadoria que mata de fome

Um vexame que vai além da humilhação da aposentadoria mínima e degradante:

O pobre do aposentado pobre (vale para o pensionista), mais morto do que vivo, para receber os trocados do descanso final, precisa provar, duas ou três vezes por ano, na Caixa Econômica, o milagre de que continua vivo.

Certamente os torturadores da previdência não acreditam na magia de se viver com 545 reais por mês. Quando os especiais, os lá de cima, recebem perto de 40 mil ou mais, e querem aumento.

Exige a previdência que o aposentado ou pensionista mude ou confirme a senha, refaça o cadastro, confirme o endereço, isso pessoalmente, duas ou três vezes por ano. Também quando mudam o ministro e o presidente da previdência. O novo mandatário sempre considera que o antigo roubou. E faz esta investigação inócua às custas da contagem física dos velhos, dos idosos, dos anciãos.

Isso é um martírio para quem é doente. Para quem tem o pé na cova. Para quem mora longe.

Tem gente que reside em povoados, sítios. Pior, ainda, nas alturas dos morros ou nas distâncias das periferias.

Para os aposentados e pensionistas especiais nunca pedem nada que não se resolva pelo computador.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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