Ditadura militar no Egito: mais de 800 mortos

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O novo homem forte do Egipto, o general Abdel Fattah al-Sissi, garantiu que o seu país “não se vergará diante da violência dos islamistas”, num discurso perante chefes militares e da polícia, no dia em que a Irmandade Muçulmana cancelou duas das manifestações previstas para este domingo, “por motivos de segurança”.

Houve manifestações no Cairo, mas mais pequenas e longe do centro, ocupado pelos blindados do exército. A televisão estatal e a imprensa pró-governamental alinham com a mensagem do governo interino, tutelado pelos militares, dando por vencida a Irmandade Muçulmana e a sua “conspiração terrorista”. Uns e outros acusam também os jornalistas estrangeiros de olharem apenas para os manifestantes mortos e ignorarem os ataques atribuídos aos apoiantes da Irmandade.

E com mais de mil islamistas detidos só nos últimos dias, é mais fácil encontrar nas ruas quem esteja disposto a sair em defesa do Exército, do que a afirmar-se como apoiante de Mohamed Morsi, o Presidente deposto a 3 de Julho. “Temos o apoio do povo”, dizia à Reuters um oficial das forças de segurança que não quis ser identificado, assegurando que “todos os egípcios vêem a Irmandade como uma organização sem futuro como força política”. Uma confiança que explica a indiferença dos militares aos apelos à contenção.

Ao fim da tarde surgiram notícias de que 38 membros da Irmandade Muçulmana teriam morrido num motim numa prisão. A notícia não foi confirmada, e circula uma versão alternativa desta história: estes mortos teriam sufocado num carro prisional sobrelotado, devido ao uso de gás lacrimogénio, disse à Reuters uma fonte ligada aos serviços de segurança. Mais tarde ainda, uma nova versão, esta da agência estatal Mena: que os detidos teriam tentado evadir-se durante a sua transferência de uma prisão do Cairo para uma prisão nos subúrbios, e que a carrinha teria sido atacada por homens armados.

O general Abdel-Fattah al-Sissi tornou claro que os episódios de violência não o farão recuar. “Quem quer que imagine que a violência vai fazer ajoelhar o Estado e os egípcios terá de rever a sua posição. Jamais ficaremos silenciosos perante a destruição do país”, garantiu.

Ontem, assegurou que “há espaço para todos no Egipto” e convidou os “apoiantes do antigo regime” a participarem na prometida “reconstrução da via democrática”. Mas deixou de fora o movimento islamista, cuja ilegalização está a ser ponderada pelo governo interino, e acrescentou: “Não ficaremos impávidos perante os que destroem e incendeiam o país, aterrorizam as pessoas e dão à imprensa ocidental a imagem errada de que há combates nas ruas”.

O chefe das Forças Armadas e ministro da Defesa nada mais disse sobre o repúdio que vinha de todos os lados do Ocidente perante os mais de 600 mortos da violência de quarta-feira – balanço que os novos confrontos na sexta-feira e sábado elevaram para mais de 800.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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