Fotógrafos mineiros em mês de azar. Um é preso e outro apanha dos seguranças da filha de Xuxa

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Nota de repúdio 

 

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais repudia veementemente a ação truculenta e injustificada praticada pelo diretor do Departamento de Transporte da Polícia Civil, Architon Zadra, contra o repórter fotográfico do jornal Estado de Minas, João Gustavo Soares de Miranda, no início da noite desta quarta-feira, 7 de agosto.

O jornalista fazia cobertura na Câmara Municipal de Belo Horizonte, quando percebeu uma grande movimentação de viaturas policiais na unidade da Polícia Civil, que fica ao lado do Parlamento Municipal. Dentro do mais legítimo instinto profissional, João Miranda fez uma foto de veículos que serão distribuídos pelo governo estadual a várias unidades da polícia no Estado.

Nesse momento, Architon Zadra atravessou a via que separa seu departamento da Câmara Municipal e disse, aos berros, que o jornalista não podia fazer fotos, que ele estava invadindo área de segurança. Ao mesmo tempo, o policial segurou João Miranda pelo braço e o conduziu para o interior do prédio da PC, onde ficou detido por cerca de 40 minutos sob a vigilância de outro policial.

A ação praticada por Architon Zadra remete aos tempos da ditadura. O Sindicato entende que houve cerceamento do direito ao trabalho e violação dos direitos humanos e exige que os fatos sejam apurados com as devidas consequências e punições cabíveis.

Nota do redator do blogue: O Sindicato tem que denunciar à Justiça o Achiton Zadra e os seguranças da filha de Xuxa. Os jornalistas não podem continuar a viver sob constantes stalking policial e agressões de seguranças de celebridades que se consideram acima da lei. Lugar de brutamontes tem que ser na cadeia.

 

Presença da filha de Xuxa causa tumulto e agressão à imprensa

por Daniel Hott

Gladyston Rodrigues, do jornal O Estado de Minas, foi agredido por dois seguranças depois de tirar fotos de Sasha Meneghel
Gladyston Rodrigues, do jornal O Estado de Minas, foi agredido por dois seguranças depois de tirar fotos de Sasha Meneghel

 

A simples presença de Sasha – filha da apresentadora Xuxa Meneghel – em Belo Horizonte, para disputa de um campeonato de vôlei, nesta quinta-feira, gerou cenas lamentáveis na Arena Vivo, casa do Minas Tênis Clube. Profissionais da imprensa que estiveram no local para cobrir a Copa MTC, torneio infantil de vôlei, foram ameaçados e até agredidos por seguranças particulares da garota [sargento bombeiro reformado Ricardo Rocha de Souza e Magno Jesus da Silva Chaves]

As equipes de O TEMPO e do jornal “Estado de Minas” foram impedidas de trabalhar por seguranças particulares da garota, que estavam com a delegação do Flamengo. Os profissionais estiveram no local para cobrir o evento.

Atleta de vôlei do Flamengo-RJ, Sasha tem 15 anos e participa do torneio, realizado nas dependências do clube mineiro. A competição começou nesta quinta-feira e vai até o próximo domingo.

A equipe de O TEMPO recebeu diversas ameaças verbais e físicas. O fotógrafo Gladyston Rodrigues, do “Estado de Minas”, foi agredido dentro das dependências do Minas por seguranças particulares do Flamengo e teve sua câmera jogada no chão.

Uma assessora de imprensa do clube carioca chegou para tentar contornar a situação, que somente foi piorada. “Isso pode ser resolvido de uma forma tranquila ou não tranquila. Vocês decidem”, afirmou a jornalista. [Esta delicadeza de jornalista deveria ter o nome revelado. Que a Comissão de Ética do Sindicato investigue o caso]

Brutalidade. Agressão e afastamento do trabalho

por Clarissa Damas e Daniel Silveira

Depois de ser agredido por dois homens que faziam a segurança de Sasha (…), o repórter fotográfico do jornal Estado de Minas, Gladyston Rodrigues, terá que ficar 10 dias afastado do trabalho. Em função das lesões sofridas, e que podem ter resultado em fratura na coluna, Gladyston precisará ficar de repouso. “Fiquei no Instituto Médico Legal até 1h desta sexta-feira, fazendo exame de corpo de delito. O médico pediu que eu fizesse uma ressonância magnética”, contou o fotógrafo, que iria realizar o exame ontem.

 

Sindicato informou que vai tomar as providências cabíveis para que os envolvidos sejam punidos

por Juliana Baeta

Após o triste episódio ocorrido no Minas Tênis Clube (…) o Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, divulgou uma nota de repúdio sobre o caso e pede justiça sobre o caso.

Confira, na íntegra:

“O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais repudia com veemência a agressão injustificada e violenta sofrida pelo repórter fotográfico do jornal Estado de Minas, Gladyston Rodrigues, na tarde de quinta-feira, 15 de agosto.

Gladyston Rodrigues, acompanhado do repórter Ivan Drumond, foi agredido pelos seguranças da atleta da equipe do Flamengo, Sasha Meneghel Szafir, porque fotografou a equipe que participava de campeonato de vôlei no ginásio do Minas Tênis Clube.

Os seguranças da filha da apresentadora Xuxa Meneguel e do ator Luciano Szafir , sargento bombeiro reformado, Ricardo Rocha de Souza  e Magno Jesus da Silva foram para cima do jornalista ordenando que ele apagasse as fotos. O profissional se recusou. Os seguranças partiram para agressão, tentaram tomar seu equipamento, arrancaram a lente de sua câmera, deram joelhadas, socos e o ameaçaram.

Gladyston ficou ferido, está com suspeita de lesão na coluna, usa uma cinta lombar, ficará afastado do trabalho por dez dias. A ocorrência foi registrada na Polícia Militar que lavrou um Boletim de Ocorrência.

O Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais entende que Gladyston estava exercendo o legítimo direito ao trabalho, que ele não violou nenhuma regra e agiu em conformidade com os preceitos da profissão e do Código de Ética dos Jornalistas.

O Sindicato exige respeito com os profissionais e vai tomar todas as providências cabíveis nesse caso, buscando na Justiça a reparação cível e criminal.”

Na ocasião, o Minas Tênis Clube também emitiu uma nota lamentando ocorrido:

“O Clube considera a imprensa como um grande parceiro, sempre esteve aberto para atender aos veículos de comunicação e lamenta o incidente envolvendo os seguranças particulares da atleta do Flamengo e a imprensa local”.

Informa a TV Alterosa: Xuxa viu agressão

O jornalista Ivan Drummond, do Jornal Estado de Minas, cobria o jogo de vôlei entre Minas x Flamengo quando o companheiro de equipe, o fotógrafo Gladyston Rodrigues foi agredido pelos seguranças da Xuxa. Na ocasião, a apresentadora da TV Globo acompanhava a filha Sasha – que veste a camisa do time carioca – mas estava no banco de reservas.

O repórter do Estado de Minas dá detalhes do que aconteceu. Veja vídeo

Filha de Xuxa virou atração fatal

Virou mania nacional bater em jornalista. A polícia de São Paulo atira balas de borracha, e o alvo é o rosto. Preferencialmente acertar os olhos. É o famoso olho de pirata.

Este blogue tem uma longa lista de jornalistas espancados e ameaçados de morte.

Para os amantes

Para os torcedores de vôlei, recomendo assistir os jogos da filha de Xuxa pela televisão. Conselho aos cinegrafistas que evitem qualquer big close-up. E para os fotógrafos, o devido uso de fotogramas da filmagem. Para ninguém quebrar a espinha ou o pescoço.

Carta a Sasha Meneghel

Sasha virou jogadora de vôlei do Flamengo. Mas não pode ser fotografada. Imagina se na transmissão de um jogo do Barcelona os fotógrafos forem impedidos de fotografar o Neymar?

Sasha virou jogadora de vôlei do Flamengo. Mas não pode ser fotografada. Imagina se, na transmissão de um jogo do Barcelona, os fotógrafos forem impedidos de fotografar o Neymar?

Olá, Sasha,

Queria fazer uma pequena provocação para você.

Não do tipo que você recebeu quando postou tweets com “erros gramaticais”, aos 11 anos de idade. Como se todos os brasileiros fossem letradíssimos, ainda mais nessa idade. Aquele bullying virtual que você sofreu foi um absurdo, principalmente por ser direcionado a uma criança.

Agora minha provocação é dirigida a uma adolescente, a uma pré-adulta. Afinal, você tem 15 anos, pelo que pesquisei agora no Google.

Foi aos 15 anos que comecei a pensar com a minha própria cabeça. Acho que é mais ou menos por essa idade que a maioria das pessoas começa a virar quem elas realmente são. Comecei a refletir sobre a profissão que eu queria seguir pelo resto da vida — o jornalismo –, sobre religião, sobre a família. Foi também quando vivi um pequeno choque pessoal: tive que abandonar a natação por causa de uma tendinite crônica no ombro (eu era atleta do Minas Tênis Clube, um rival do Flamengo, e palco do que vamos relatar abaixo). Também foi o ano que perdi minha avó paterna. E também foi quando perdi minha cachorrinha, e só quem tem um cachorrinho por mais de dez anos sabe como isso é importante a ponto de entrar nessa lista. Foi quando acho que me apaixonei pela primeira vez. Foi quando fiz minha primeira viagem internacional. Foi quando li Carl Sagan e descobri as belezas do ceticismo. E decidi que não queria festa de 15 anos, que sempre achei um porre (ia para as festas dos colegas mais por obrigação do que por vontade, e sempre ia embora logo que o baile acabava). Enfim, foi um ano bem movimentado na minha vida, principalmente do ponto de vista intelectual.

Com você não é diferente. Porque é assim com todas as meninas. Não sei quanto aos meninos, eles costumam ser mais atrasados. Mas as meninas todas passam por uma sacudida nessa idade.

Sei muito pouco sobre você. Não costumo ler revistas de “celebridades”, inclusive porque as celebridades que me interessam não costumam entrar nessas revistas. O que sei sobre você cabe em um parágrafo curto: quando sua mãe ficou grávida de você, isso foi anunciado no Domingão do Faustão. Quando você nasceu, o parto foi televisionado pelo Jornal Nacional, o telejornal mais influente do país, numa “reportagem” que durou uns dez minutos — provavelmente o parto mais documentado e exposto da história do Brasil. Quando já conseguia andar, você começou a aparecer de vez em quando nos programas da sua mãe. Todos os seus aniversários foram expostos nas tais revistas e na “mídia especializada”. Tudo isso aconteceu contra a sua vontade, porque crianças não têm discernimento para decidir sobre como expor as próprias vidas — pelo contrário, elas precisam ser protegidas pelos pais e existe um Estatuto da Criança e do Adolescente justamente para garantir isso. Tudo aconteceu, portanto, a sua revelia. Você não pôde nem tinha condições de opinar, porque já estava presa nessa bolha desde antes de nascer.

Passei uns bons anos sem me lembrar da sua existência. Até que, na semana passada, li uma notícia que dizia que você tinha virado jogadora de vôlei do Flamengo e chegou a ser convocada pela seleção carioca da categoria infanto-juvenil. Muito legal que esteja praticando esportes e tenha encontrado um talento próprio, uma luz à parte das pretensões de vida de modelo-apresentadora-e-atriz que parecia ser reservada a você desde sempre. Não fosse por um porém: fiquei sabendo dessa sua nova fase da pior maneira possível: repórteres-fotográficos que cobriam o jogo — como cobrem qualquer jogo — foram ameaçados e, no caso de um deles, agredido por seguranças truculentos (supostamente) do Flamengo, que diziam ter feito isso porque o clube tinha um acordo com você de preservar sua imagem.

Repare bem: não eram paparazzi te perseguindo para falar da sua noitada, mas profissionais cobrindo um jogo de um dos maiores times do Brasil, fotografando não só você, mas toda a equipe. O fotógrafo agredido talvez tenha sofrido uma fratura na coluna— em seu nome, veja bem. Terá que ficar dez dias afastado do trabalho.

Fotográfico do "Estado de Minas" Gladyston Rodrigues sofreu fratura na coluna após agressão cometida em nome da proteção a Sasha. Foto: "O Tempo".

Fotográfico do “Estado de Minas” Gladyston Rodrigues sofreu fratura na coluna após agressão cometida em nome da proteção a Sasha. Foto: “O Tempo”.

Depois do incidente, sua mãe não veio a público lamentar o que houve e garantir que não concorda com essa agressão gratuita. Ela silenciou.

Se a ideia era te proteger de superexposição, falhou imensamente, já que sua foto saiu estampada na primeira página dos jornais do dia seguinte — e associada a uma agressão absurda. O assunto passou a ser comentado nos sites, nas redes sociais, blogs, rádios e todo tipo de mídia — e não era destacando seu desempenho no jogo. Seu brilho pessoal na sua escolha de seguir uma outra carreira foi totalmente ofuscado pela superproteção desnecessária e truculenta — que é totalmente espantosa, levando em conta a superexposição em que você vive desde antes de nascer.

Imagino o quanto deve ter chorado ao ver o papelão que te fizeram passar naquele dia. Como deve ter batido portas e gritado um sonoro “Te odeio!”, como costumam fazer alguns adolescentes em relação a pais opressores. Eu te entendo. Você não é um fantoche, é uma pessoa. E agora está na idade de ser você mesma, como dizia aquele poema do Paulo Leminski que linkei alguns parágrafos acima.

Por isso, Sasha, resolvi te escrever esta carta. É hora de você romper essa bolha. É a idade de se rebelar desse mundinho que te constrange e envergonha, em vez de te incentivar no único momento em que decidiu alçar seu próprio voo-solo. Se você é atleta de um clube como o Flamengo, e quer mesmo seguir nessa vida de atleta (é árdua, viu?), é preciso que saiba que você é a pecinha de um time e que essa engrenagem só funciona porque todos são igualmente importantes em sua função. Vôlei é um esporte de equipe, de coletivo. Você não pode impedir que o jogo seja coberto e transmitido pelas TVs, como sempre foi. Você não pode constranger as colegas de equipe, que nem podem falar a seu respeito, por força de contrato. Você tem que se impor, se quiser ter luz-própria, para garantir o seu sagrado direito de ser como todas as outras do time.

Reaja, menina! E sirva de inspiração a outras crianças e adolescentes que, em vez de receberem o cuidado dos pais “famosos”, se veem presos numa armadilha de constrangimento e de cerceamentos e agressões inadmissíveis, cometidos em seu nome.

De cá, fico na torcida para que sua vida seja muito feliz e você encontre seu próprio lugarzinho no mundo. Que a opção e a liberdade de escolha cheguem algum dia para você, antes tarde do que nunca ;)