DECAPITADO. A morte selvagem do jornalista Evany Jany José Metzker

A vida de Evany José Metzker, torturado e decapitado enquanto investigava traficantes e pedófilos na região mais pobre de Minas Gerais

CENA DO CRIME A carteira de identidade do  jornalista Evany José Metzker. Ela foi lançada numa área rural do município de Padre Paraíso, onde seu corpo foi achado (Foto: Leo Drumond/Nitro/Época)
CENA DO CRIME
A carteira de identidade do jornalista Evany José Metzker. Ela foi lançada numa área rural do município de Padre Paraíso, onde seu corpo foi achado (Foto: Leo Drumond/Nitro/Época)

por FLÁVIA TAVARES| DE PADRE PARAÍSO, MINAS GERAIS
Revista Época

Na manhã do dia 13 de junho último, uma quarta-feira, o jornalista Evany José Metzker, também conhecido como Coruja, levantou-se, tomou café com um pedaço de bolo, que não dispensava, e avisou Cristiane, a filha da dona da pousada Elis, que precisava ir a uma cidade próxima. Metzker havia se comprometido a dar uma palestra naquela tarde no colégio da garota. Prometeu dar notícias se não conseguisse voltar a tempo. A viagem de Padre Paraíso a Teófilo Otoni, a 100 quilômetros dali, tomou-lhe quase o dia todo. A palestra que ele daria, sobre exploração do trabalho infantil, ficaria para a próxima semana. Metzker retornou à pousada, se desculpou com a pupila, saiu para jantar com o amigo Valseque e, no fim do Jornal Nacional, voltou ao hotelzinho de beira de estrada. Pediu que sua conta de três meses fosse encerrada. Disse que iria a Brasília no dia seguinte e, na volta, pagaria os R$ 2.700 que devia. Saiu novamente, deixando o ventilador e a luz do quarto ligados. “Eu vou ali e volto”, avisou. Metzker não voltou.

Na segunda-feira passada, dia 18, a Polícia Militar de Padre Paraíso, no Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais, recebeu um telefonema. Moradores da roça haviam visto o que parecia ser um corpo na margem de uma estrada de chão batido, a 20 quilômetros do centro. Uma viatura foi ao local. Dois policiais encontraram um corpo sem a cabeça, que fora decepada já quase na altura dos ombros. As mãos da vítima estavam amarradas sobre a barriga, numa corda alaranjada – a direita sobre a esquerda. O homem estava seminu. Vestia apenas jaqueta, camiseta e meias pretas. Mais adiante, avistavam-se um pé do sapato social e uma calça preta. A armação dos óculos e uma lente estavam em outro ponto. O cadáver se decompunha rapidamente. Estava muito inchado – sobretudo os testículos. O perito apontou, mais tarde, que havia indícios de sangramento anal e hematomas na genitália. O crânio foi encontrado a 100 metros do corpo. Possivelmente fora arrastado por cachorros, que devoraram a pele e os olhos do homem. O maxilar estava quebrado, descolado da cabeça. A cena de horror não continha uma gota de sangue. O corpo fora arrastado até ali e o rastro ainda estava lá. O autor da monstruosidade não se preocupou em ocultar o crime ou a identidade de sua vítima. Deixou o cadáver na lateral da pista, a poucos metros de um barranco profundo. A seu redor, os documentos espalhados: um título de eleitor, um RG, um CPF, três folhas de cheque, dois cartões da Caixa Econômica e uma carteira funcional do jornal Atuação. Todos em nome de Evany José Metzker, de 67 anos. A camiseta preta ainda trazia do lado direito do peito uma coruja amarela, marca do blog de Metzker, Coruja do Vale. Nas costas, em letras maiúsculas, estava escrito: IMPRENSA.

Metzker tinha profundo orgulho de ostentar o título de repórter. Dizia para o colega Valseque Bomfim, também blogueiro de Padre Paraíso: “Nós somos jornalistas. Investigativos. Temos de investigar”. Valseque resistia em firmar com Metzker uma parceria entre os blogs, como propunha o forasteiro com insistência. Metzker chegara à cidade havia pouco tempo. Valseque passou, então, a frequentar o quarto dele na pousada. “O Metzker não me contava sobre as apurações que estava fazendo. Só falava que queria ajuda, que queria trabalhar junto”, conta Valseque. Metzker havia montado uma pequena redação em seu quarto. Pediu a Elizete, dona do hotel, um roteador exclusivo, para ter acesso estável à internet. Dispôs três mesas no pequeno cômodo, onde instalou uma impressora, seu notebook e por onde espalhava muitos papéis. Fumava incessantemente seus Hiltons e Hollywoods. O cheiro de tabaco impregnou paredes, colchão e travesseiro, talvez de forma irreversível. Elizete teme nunca mais conseguir alugar o quarto. “Eu chamava ele de Paulo Coelho”, diz Elizete. “Ele tinha cavanhaque, era caladão. Só escrevia, trabalhava e fumava. Nunca chegava depois das 10 da noite e jamais trouxe mulher para cá.” Nos poucos momentos em que se descontraía, Metzker dava conselhos às filhas de Elizete. Inclusive a Cristiane, que queria ser jornalista e para quem ele fez uma carteirinha de repórter aprendiz. Repetia que elas precisavam estudar e levar uma vida regrada, como a dele. Metzker não falava muito do passado, nem com a própria mulher, Ilma. Mas contou às meninas que fora desenhista da polícia. Fazia retratos falados. De fato, desenhava muito bem. Também dizia que fora militar, sem entrar em detalhes. Só vestia roupas sociais e gostava de tingir o cavanhaque, que alternava com um espesso bigode.

Metzker iniciou a carreira de repórter em 2004 e tinha orgulho de se apresentar como jornalista

A profissão de jornalista foi construída a partir de 2004. No ano anterior, Metzker conhecera Ilma. Ele era de Belo Horizonte, mas trabalhava em Montes Claros, dando suporte de informática em um hospital. Ilma estava ali acompanhando o primeiro marido, que tinha câncer. Meses depois da morte do marido, Ilma retomou contato com Metzker. Numa tarde de dezembro de 2003, Metzker foi visitá-la em Medina, uma cidade pequena e charmosa do interior de Minas. Ficou. Lá, montou o jornal Atuação, que imprimia numa gráfica de Montes Claros. Fazia denúncias sobre a administração da cidade, sobre ruas esburacadas e sobre a falta de atendimento nos postos de saúde. Queria mais. Dez anos depois de dar início a sua carreira de repórter, sentia que não era reconhecido por seu trabalho. Em 2014, então, passou a viajar pela região, buscando notícias mais quentes. Mantinha bom relacionamento com policiais, militares e civis, de todas as cidades por onde passava. Seu blog, que lhe rendeu o apelido de Coruja, noticiava muitas ocorrências policiais. Percorreu quase todo o nordeste de Minas, passando por Almenara, Divisa Alegre, Itinga, Araçuaí, Itaobim… Hospedava-se em uma dessas cidadezinhas e, nos finais de semana, voltava a Medina, para ficar com Ilma e com os três filhos dela, que criou como seus. Quando os pequenos anúncios no blog escasseavam, fazia bico bolando logotipos para empresinhas das cidades. Vivia com pouco. Queria construir uma reputação, ser referência. “Aos poucos, as pessoas começaram a procurar ele para contar o descaso das autoridades”, diz Ilma, que nunca viu um diploma de jornalista do companheiro. Metzker lhe garantia que havia estudado. “Ele era muito responsável, só publicava se tivesse certeza, documento.”

Seguindo sua turnê investigativa, no dia 13 de fevereiro deste ano Metzker encontrou morada em Padre Paraíso. Na entrada da cidade, um letreiro enuncia que este é o “Portal do Vale do Jequitinhonha”. É a chegada à região com os piores índices de desenvolvimento de Minas Gerais – a área representa menos de 2% do PIB do Estado. Não há político em campanha que não prometa uma salvação para o infame “vale da miséria”. Padre Paraíso se espalha por dois morros, rasgada ao meio pela BR-116, a estrada que liga o Ceará ao Rio Grande do Sul. São quase 5.000 quilômetros, trafegados pesadamente por caminhões. Padre Paraíso, com seus pouco menos de 20 mil habitantes, é aquele tipo de cidade que nasceu em torno de um posto de gasolina. Casebres ladeados de borracharias e botecos margeiam a estrada. Há um pequeno centro comercial, movimentado e bem popular. A tradicional igreja na pracinha está oprimida pelas dezenas de templos evangélicos que a cercam. A casa mais bonita da cidade é a da prefeita Dulcineia Duarte, do PT. Cabeleireira, ela assumiu a candidatura do marido, Saulo Pinto, impugnada pela Justiça Eleitoral.

A VIÚVA Ilma Chaves Silva Borges,  mulher de Metzker. Os dois se conheceram num hospital de Montes Claros, onde ele trabalhara na área de suporte de informática (Foto: Leo Drumond/Nitro/Época)
A VIÚVA
Ilma Chaves Silva Borges, mulher de Metzker. Os dois se conheceram num hospital de Montes Claros, onde ele trabalhara na área de suporte de informática (Foto: Leo Drumond/Nitro/Época)

É uma cidade de passagem. Caminhoneiros estacionam nos postos para descansar, beber, farrear. Numa rua paralela à rodovia, um pequeno bar de madeira abriga as negociações entre os motoristas e os aliciadores de menores para prostituição. “Este é um dos problemas mais graves que temos aqui”, diz o tenente Sandro da Costa, da Polícia Militar. “Já flagramos uma criança de 10 anos fazendo sexo oral em um mendigo por R$ 5.” Não há descrição mais bem acabada da miséria. “Muitos pais vendem os filhos para a prostituição, é a fonte de renda da família”, completa o tenente. À noite, algumas garotas se exibem na margem da BR-116, e, numa nova modalidade de crime, quando o caminhoneiro desce para negociar o programa, garotos o abordam, assaltam e agridem. Metzker se interessava pelo assunto. Começou a investigar a rede de prostituição infantil nas cidades da região. Seria o tema de sua palestra na escola da aprendiz de repórter. Não se sabe quanto ele avançou na apuração.

Padre Paraíso tem um pequeno destacamento da Polícia Militar, com 13 homens e duas viaturas. Uma está com os pneus carecas; a outra, sem freio. A caminhonete, que alcançava as áreas rurais mais longínquas, ficou destruída num acidente em 2013. Não foi reposta. A propósito, o acidente aconteceu porque o soldado que a dirigia adormeceu. Como a delegacia de Padre Paraíso fecha às 18 horas e nos finais de semana, qualquer ocorrência nos intervalos tem de ser registrada em Pedra Azul, a mais de 150 quilômetros dali. Os PMs levam o criminoso na viatura, frequentemente sentado ao lado da vítima, que vai depor. Dirigem por horas, prestam esclarecimentos e voltam sonolentos pela BR. É em Pedra Azul também que a delegada de Padre Paraíso, Fabrícia Nunes Noronha, dá seus plantões semanais – ela manteve a rotina mesmo depois de o corpo de Metzker ter sido encontrado. Padre Paraíso não tem comarca, juiz. A lei está longe.

Com tão pouca vigilância, o crime prospera. Em 2014, foram seis vítimas de assassinato. Neste ano, já foram cinco. Dois dos crimes mais recentes são bárbaros, como o que matou Metzker. Um deles foi uma chacina, que vitimou três idosos e uma criança de 7 anos. No outro, um casal de caseiros foi morto a marteladas. “O ranço de violência da cidade vem dos tempos dos garimpos”, diz o tenente Costa. “A cultura é de resolver tudo na bala, na morte.” O tráfico de drogas foi substituindo, aos poucos, o lucro com as pedras águas-marinhas que rendiam fortunas. O crack se espalhou. Metzker tentava mapear as estradas vicinais, de terra, que serviam de rota de fuga de traficantes – e seu corpo foi encontrado justamente numa delas. Ele passou a se interessar também por outros dois esquemas criminosos na área: a compra e venda de motos roubadas, que são depois usadas como mototáxi, e o aterro de terrenos protegidos pelas leis ambientais. Se já estão livres das investigações policiais, os bandidos certamente não querem um jornalista fuçando em seus negócios. Fazer jornalismo em regiões como o Vale do Jequitinhonha é mais do que profissão, do que um diploma que autorize alguém. É um ato de coragem, de enfrentamento da falta de estrutura mínima de segurança, da miséria humana explorada por criminosos.

Não está claro se Metzker estava no faro de algo certeiro. Em seu blog, ele publicou apenas histórias menos ameaçadoras, como a do uso de carros públicos para fins particulares ou a de um garoto que tinha sérios problemas bucais e estava sem atendimento. Elizete, a dona da pousada, provocava Metzker: “Tô achando o senhor muito fraquinho. Essas historinhas aí não estão com nada”. O jornalista replicava, pacientemente. “Calma, menina. Muita coisa ainda vai mudar nesta cidade.” A polícia recolheu o notebook e as anotações de Metzker para tentar identificar alguma pista. A delegada Fabrícia, primeira a comandar a investigação, insiste que há a possibilidade de um crime passional. Ilma, a mulher de Metzker, nega com firmeza. “Ele me dava notícia de cada passo que dava. A gente trocava recado sem parar. Ele nunca tinha ido a Brasília antes, a história não fecha.” Na noite em que desapareceu, Metzker enviou a última mensagem pelo WhatsApp para a mulher, dizendo que ia jantar e que eles se falariam mais tarde. “Nunca vou esquecer o que aparece no celular: ‘Metzker, visto pela última vez às 19h03’”, Ilma chora.

A morte brutal de Metzker não mobilizou as forças policiais do Estado de Minas Gerais imediatamente. Depois que o corpo foi liberado do IML e seguiu para Medina, três investigadores de Padre Paraíso começaram lentamente as diligências. A delegada Fabrícia viajou na noite de terça-feira para seu plantão rotineiro em Pedra Azul. Um dos investigadores avisou logo que só atenderia a reportagem na quarta-feira se fosse até as 16h30, quando ele iria para a faculdade. Apesar da barbárie, o silêncio foi absoluto. O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do PT, não disse palavra sobre o caso. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também não. Nem mesmo o secretário de Direitos Humanos da Presidência da República, Pepe Vargas, pronunciou-se. Todas essas autoridades, mesmo provocadas por ÉPOCA, permaneceram caladas. (Na tarde da sexta-feira, Pepe finalmente falou. Disse que o caso é grave e vai acompanhá-lo.)

Após ÉPOCA noticiar em seu site a falta de empenho nas investigações, o governo de Minas se mexeu. Uma equipe de Belo Horizonte chegou a Pedro Paraíso na noite de quarta-feira: um delegado, quatro investigadores e uma escrivã. Na quinta-feira pela manhã, eles estavam no local onde o corpo foi encontrado. De lá, seguiram para a delegacia, onde pediram o material apurado até ali pelos policiais da cidade. Antes do meio-dia, o acesso ao inquérito já estava bloqueado para os investigadores locais. Não havia nenhuma pista de quem decapitou o jornalista Metzker.

TESTEMUNHA O blogueiro Valseque Bomfim, que publica notícias policiais. Ele ouviu dizer que “pegaram o homem errado” (Foto: Leo Drumond/Nitro/Época)
TESTEMUNHA
O blogueiro Valseque Bomfim, que publica notícias policiais. Ele ouviu dizer que “pegaram o homem errado” (Foto: Leo Drumond/Nitro/Época)

Emerson Morais, o delegado de Belo Horizonte que assumiu o caso, comandou as investigações, em 2013, do assassinato de Rodrigo Neto, jornalista de Ipatinga, no Vale do Aço de Minas. Rodrigo denunciava a atuação de policiais corruptos e homicidas da região. Um mês depois, o fotógrafo Walgney Carvalho também foi morto, depois de ter dito pela cidade que sabia quem havia assassinado Rodrigo. Um policial civil foi condenado pela morte de Rodrigo. Um outro rapaz, conhecido como Pitote, ainda será julgado por envolvimento nos dois crimes. O delegado Morais foi procurado pelo blogueiro Valseque, o amigo de Metzker. Valseque contou que fora ameaçado. Um amigo disse a ele que um homem havia perguntado por Valseque num bar. Quando soube que Valseque estava na cidade, comentou que “pegaram o homem errado”. Seu blog, Lente do Vale, publica o mesmo tipo de matérias que o de Coruja.

Metzker não pôde ser velado – o cheiro do corpo decomposto extravasava mesmo com a urna lacrada. Não houve flores. A filha mais velha, Sara, não teve tempo de chegar de Belo Horizonte para se despedir do pai. À meia-noite de segunda-feira, dez parentes e amigos acompanharam o corpo até o cemitério de Medina. O caixão de Metzker ainda não foi coberto com terra ou cimento. Aguarda a documentação para o sepultamento completo. O caso segue aberto, assim como a sepultura de Metzker.

Policiais assassinaram Rodrigo Neto em Minas Gerais

O caso do jornalista Rodrigo Neto, morto em março do ano passado, vai ganhar novo capítulo. Acusados de executar o profissional e participar do crime, Alessandro Neves Augusto e Lúcio Lírio Leal, respectivamente, irão a júri popular. A decisão é da sentença de pronúncia de sexta-feira, 14, proferida pelo juiz Antônio Augusto Calaes de Oliveira, da 2ª Vara Criminal de Ipatinga.

Ficou comprovado que, segundo o Ministério Público, Neto foi assassinado a mando de policiais, em “ação típica de grupo extermínio”, por causa de seu trabalho na imprensa, que tinha denunciado e cobrado a identificação dos responsáveis por uma série de homicídios na região. Ainda não há data para que a audiência aconteça, mas é certo que os réus ficarão presos até o júri.

O caso
O jornalista Rodrigo Neto, de 38 anos, foi assassinado na noite de quinta-feira, 7 de março, por volta das 23h em Ipatinga (MG). Ele era repórter policial e co-apresentador do programa ‘Plantão Policial’, transmitido de segunda a sábado, das 12h35 às 14h, pela Rádio Vanguarda (1170 AM).

À época, colegas do profissional informaram ao Comunique-se que o crime ocorreu em frente ao bar conhecido como “Churrasquinho do Baiano”. Neto saiu do estabelecimento e estava entrando em seu carro, quando foi abordado por dois homens em uma moto, que começaram a disparar armas de fogo. Um dos tiros atingiu a cabeça do jornalista e outro o peito. Ele não resistiu aos ferimentos e os criminosos fugiram sem ser identificados.

Trinta e sete dias depois da execução de Neto, o repórter fotográfico Walgney Assis Carvalho, de 43 anos, foi assassinado. O crime aconteceu no bairro de São Vicente, em Coronel Fabriciano, na região do Vale do Aço mineiro. Neto e Carvalho trabalharam juntos em um jornal impresso da região e a suspeita é que a mesma arma matou os dois profissionais. O revólver responsável pelo disparo foi apreendido com Alessandro Neves (Transcrito do Comunique-se)

CPJ: “Aumento acentuado da violência letal tornou o Brasil um dos países mais perigosos do mundo para jornalistas”

Daria Castillejos
Daria Castillejos

Escreve Joel Simon, diretor-executivo do Comitê para a Proteção dos Jornalistas – CPJ

“Desde 23 de novembro de 2011, grupos da sociedade civil em todo o mundo se uniram para anualmente exigir justiça para aqueles que foram alvo por exercerem seu direito à liberdade de expressão, incluindo jornalistas, ativistas, artistas e músicos.

O Brasil fez substanciais progressos na luta contra a impunidade. No ano passado, condenações foram obtidas em dois casos. Em agosto, ficamos felizes em saber que o agressor que atirou contra o jornalista de rádio e blogueiro Francisco Gomes Medeiros em 2010 foi sentenciado a 27 anos de prisão. Vários outros suspeitos foram presos e aguardam julgamento. Depois, em outubro, Júnior João Arcanjo Ribeiro foi condenado por ordenar o assassinato, em 2002, de Domingos Sávio Brandão, dono, publisher e colunista de um jornal conhecido por sua cobertura do crime organizado, fazendo com que este caso seja um dos poucos do mundo em que todos os perpetradores, inclusive o mandante, foram levados à justiça.

Estes acontecimentos constituem um progresso significativo para reverter o registro de longa data do Brasil de impunidade em assassinatos de jornalistas – o Brasil ficou em 10º lugar no Indice de Impunidade 2013 do CPJ – e também ocorrem em meio aum aumento acentuado da violência letal que tornou o Brasil um dos países mais perigosos do mundo para jornalistas. Pelo menos quatro jornalistas foram mortos em 2013, três deles em represália direta por seu trabalho jornalístico. As vítimas incluem o apresentador de rádio e repórter de jornal Rodrigo Neto e seu colega, o fotógrafo freelance Walgney Assis Carvalho. Os dois homens cobriam a editoria de crime no sudeste do estado de Minas Gerais. Enquanto isso, nove casos de jornalistas atacados e mortos por seu trabalho na última década ainda precisam ser resolvidos.

O atual ciclo de violência e impudinade somente terminará quando aqueles que usam a violência para silenciar jornalistas forem levados à justiça”.

A CPJ cobra um pronunciamento forte da presidência Dilma Rousseff pelo “fim da impunidade, para afirmar os esforços para controlar a impunidade. Fazendo isso, o Brasil fará uma declaração clara e poderosa contra a corrupção e o crime, os dois temas pelos quais os jornalistas geralmente enfrentam retaliação”.

Após assassinato de jornalistas, policiais são suspeitos de ameaçar testemunhas

Ao menos seis policiais militares estão sendo acusado por suspeita de ameaça a testemunha de um dos 14 casos apurados pelo Departamento de Investigação de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), em Ipatinga, no Vale do Aço. O caso começou após o assassinato dos jornalistas Rodrigo Neto e Walgney Carvalho, no início deste ano.

Mortes de Carvalho (esq.) e Neto aconteceram este ano
Mortes de Carvalho (esq.) e Neto aconteceram este ano

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Investigação aponta que mesmo homem matou repórter e fotógrafo no interior de Minas

Policial é preso suspeito de envolvimento em assassinato de jornalista

De acordo com o portal O Tempo, os PM’s ainda estão sendo acusado de coagir repórteres que estavam cobrindo o assunto durante audiência de instrução na ação contra o cabo Victor Andrade. O PM foi preso em abril acusado pela morte de Cleidson Mendes do Nascimento, 26, conhecido como Cabeça, em 2011.

Os militares investigados são testemunhas de defesa do cabo Victor. O Tempo informa que a investigação sobre as ameaças estão sendo realizadas pela 12ª Região da PM – responsável por Ipatinga – a pedido do Ministério Público de Minas. “Depois da morte do Cleidson, emagreci muito e mudei a cor do cabelo. Passaram de carro em frente à minha casa e disseram que eu mudei de cara, mas não de endereço”, contou a testemunha, que já teria deixado a cidade de Ipatinga.

Os casos
O jornalista Rodrigo Neto, de 38 anos, foi assassinado na noite de quinta-feira, 7 de março, por volta das 23h em Ipatinga (MG). Ele era repórter policial e co-apresentador do programa ‘Plantão Policial’, transmitido de segunda a sábado, das 12h35 às 14h, pela Rádio Vanguarda (1170 AM). Ele também escrevia para o jornal local ‘Vale do Aço’. Na época, colegas do profissional informaram ao Comunique-se que o crime ocorreu em frente ao bar conhecido como “Churrasquinho do Baiano”. Neto saiu do estabelecimento e estava entrando em seu carro, quando foi abordado por dois homens em uma moto, que começaram a disparar armas de fogo. Um dos tiros atingiu a cabeça do jornalista e outro, o peito. O radialista foi levado com vida para o Hospital Municipal de Ipatinga, porém não resistiu aos ferimentos.

Trinta e sete dias depois da execução do jornalista policial Rodrigo Neto, o repórter fotográfico Walgney Assis Carvalho, de 43 anos, foi assassinado. O crime aconteceu na noite de domingo, 14 de abril, por volta das 22h30, no bairro de São Vicente, em Coronel Fabriciano, na região do Vale do Aço mineiro. Neto e Carvalho trabalharam juntos em um jornal impresso da região. O profissional estava em um pesque-pague quando um homem em uma moto se aproximou, pelos fundos do estabelecimento, e disparou contra Carvalho. Um tiro atingiu a cabeça e outro, a axila. Ele morreu na hora, sem chance de ser socorrido. Freelancer do jornal local Vale do Aço, Carvalho também fazia trabalhos fotográficos para a perícia da Polícia Civil da região. Ele fez reportagens em parceria com Rodrigo Neto, jornalista policial assassinado no dia 8 de março, que além do impresso, atuava na Rádio Vanguarda (1170 AM), como co-apresentador do programa ‘Plantão Policial’. In Comunique-se.

La SIP condena asesinato de periodista y lesiones a otro en Brasil

Cláudio Moleiro de Souza
Cláudio Moleiro de Souza

Miami (18 de octubre de 2013).- La Sociedad Interamericana de Prensa (SIP) condenó el asesinato en Brasil de Cláudio Moleiro de Souza, director de Rádio Meridional, en un atentado en el que también resultó herido el locutor de la emisora, Alberto Dutra Duran.

El ataque ocurrió el 12 de octubre en la ciudad de Jarú, estado de Rondonia, al norte Brasil, cuando un desconocido armado ingresó en la radio y disparó contra los periodistas. Se desconoce el móvil de la agresión.

El presidente de la Comisión de Libertad de Prensa e Información de la SIP, Claudio Paolillo, expresó su solidaridad con colegas y familiares de los profesionales y urgió a las autoridades “a investigar de manera expedita para conocer si el atentado está vinculado al trabajo informativo”.

La SIP inició hoy en Denver, Colorado, las actividades de su 69ª Asamblea General que se extenderá hasta el 22 de octubre con el propósito de repasar el estado de la libertad de prensa en las Américas. Durante la reunión “estaremos abordando el tema del incremento de los asesinatos y de la violencia contra los periodistas en nuestra región”, dijo Paolillo, director del semanario uruguayo Búsqueda.

En el caso de Brasil, otros dos periodistas han sido asesinados desde marzo por aparentes causas relacionadas al periodismo: Walgney Assis Carvalho (14 de abril) y Rodrigo Neto (8 de marzo). Según organismos que vigilan la libertad de prensa en el país, en este período se registraron 70 casos de agresiones contra comunicadores.

[De junho a outubro, 98 jornalistas foram agredidos nas coberturas de protestos de rua]

OS ATAQUES CONTRA JORNALISTAS EM AUMENTO

Repórteres sem Fronteiras condena o assassinato do diretor da Rádio MeridionalCláudio Moleiro deSouza, em Jaru (Rondônia), a 12 de outubro de 2013. Um de seus colegas, o radialista Alberto Dutra Duran, saiu ferido do atentado.

“Repórteres sem Fronteiras exorta as autoridades a que esclareçam o mais depressa possível as circunstâncias em torno deste crime. A hipótese de roubo já foi descartada pela polícia, que adiantou que o diretor da rádio foi vítima de um atentado. Posto que a motivação ainda é uma incógnita, pedimos que se equacione uma possível relação com as atividades de jornalista no decorrer da investigação”, declarou a organização.

Os dois jornalistas se aperceberam da entrada de um homem armado nas instalações da rádio e se esconderam no estúdio de gravação. Pensando que o agressor tinha ido embora, decidiram sair para pedir ajuda. Foi então que o assassino disparou, atingindo mortalmente Cláudio Moleiro de Souza no pescoço. Seu colega, ferido num braço, não se encontra em perigo de vida. O diretor da Rádio Meridionalé o sexto jornalisto morto no Brasil desde o início do ano. [Com certeza, veja link jornalistas assassinador, são mais de seis]

A degradação das condições de segurança dos jornalistas brasileiros tem vindo se agravando desde janeiro de 2013, como demonstram a multiplicação dos assassinatos e o aumento dos abusos policiais em manifestações. A 15 de outubro de 2013, o fotojornalista Pablo Jacob, do diário O Globo, e o fotógrafo freelancer Alexandro Auler foram agredidos pela polícia enquanto cobriam uma manifestação no Rio de Janeiro. De acordo com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), pelo menos 98 jornalistas foram agredidos, detidos ou ameaçados desde o início dos movimentos de protesto no passado mês de junho.

[A Polícia Civil de Rondônia informou, neste domingo (13), que o pistoleiro chegou na noite do sábado em uma motocicleta à sede da emissora, e as duas vítimas, ao notarem sua presença, se esconderam dentro de um dos estúdios de gravação.

Quando ambos pensaram que o homem tinha deixado o local, o pistoleiro saiu da cozinha na qual estava escondido e disparou, acertando o pescoço do diretor e um braço do locutor]

Quem mandou o araque Pitote e o policial Lúcio Lírio Leal assassinar os jornalistas Rodrigo Neto e Walgney Carvalho

A Polícia Civil indiciou 16 pessoas por envolvimento em crimes que ocorreram entre 2007 e 2013, em Ipatinga e cidades do Vale do Aço, Minas Gerais. Seis são policiais civis, e três policiais militares.

Entre os presos, o araque Alessandro Neves Augusto, o Pitote, e o policial civil Lúcio Lírio Leal, assassinos dos jornalistas Rodrigo Neto e  Walgney de Assis Carvalho.

Pitote e Lúcio
Pitote e Lúcio
Pitote
Pitote

lúcio

Lúcio Lírio Leal

Os dois pistoleiros foram presos em junho, pelo período de 30 dias. A prisão temporária foi prorrogada em julho por mais 30 dias. Atualmente, Pitote está detido na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana. O investigador Lúcio Leal segue preso na Casa de Custódia do Policial Civil, na região Leste de Belo Horizonte.

Pitote e Lúcio são os responsáveis pela execução do jornalista Rodrigo Neto, em 8 de março de 2013, na porta de um bar, em Ipatinga, no Vale do Aço. Pinote também matou o fotógrafo Walgney Carvalho, em 14 de abril, em um pesque-paque, em Coronel Fabriciano, na mesma região.

A polícia não informou o motivo do atentado contra Rodrigo Neto.  Já Carvalho, de acordo com as investigações, foi morto por queima de arquivo, que o fotógrafo teria comentado que sabia quem havia matado o colega. (Jornal O Tempo)

FALTAM OS MANDANTES
Quando a polícia abusa do segredo de justiça sinal de que tem gente importante envolvida. Falta saber a motivação do assassinato de Rodrigo Neto. O nome ou nomes dos mandantes.

Sem profissão definida, Pitote era visto circulando com investigadores como se fosse policial civil de Ipatinga e, também, agente penitenciário.

Mais do que comprovado: Pitote faz parte do bando de justiceiros policiais. No momento de sua prisão, no dia 11 de junho, os investigadores encontraram na sua carteira um bilhete contendo o nome, endereço e telefone da adolescente considerada testemunha-chave da investigação da Chacina de Revés do Belém.

Pitote não soube esclarecer que papel era aquele, nem o que fazia com ele em seu poder. No aparelho celular apreendido com o acusado também havia uma ligação feita para a Casa de Custódia da Polícia Civil em Belo Horizonte, local onde estão presos os quatro investigadores indiciados pela morte dos quatro adolescentes do bairro Caravelas.

Em função da ameaça apresentada, a menor e os seus familiares foram incluídos no Programa de Proteção a Testemunhas e retirados de Ipatinga.

A moto CB 300 utilizada no assassinato de Rodrigo Neto foi trocada por outra com um amigo  para praticar a execução de Walgney Carvalho
A moto CB 300 utilizada no assassinato de Rodrigo Neto foi trocada por outra com um amigo
para praticar a execução de Walgney Carvalho
Pitote andava com policiais civis e militares num Fiat Linea “clonado”
Pitote andava com policiais civis e militares num Fiat Linea “clonado”
Jornalista Rodrigo Neto
Jornalista Rodrigo Neto
 Walgney Carvalho de Assis
Fotógrafo Walgney Carvalho de Assis

Brasil terceiro país que mais mata jornalistas

Daria Castillejos
Daria Castillejos

Na presidência do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco, abrirei um portal para a permanente memória dos jornalistas executados no exercício da profissão. E denúncia dos jornalistas espancados, presos, exilados e marcados para morrer. Idem denúncias de stalking, assédio judicial, assédio extrajudicial, assédio moral, assédio sexual.

Incluirei os blogueiros, os radialistas, os cinegrafistas, os estudantes, assessores de imprensa – todos os profissionais de comunicação. Temos que ser solidários no câncer.

A organização Presse Emblème Campagne (PEC) declarou que menos jornalistas foram assassinados no primeiro semestre de 2013 em relação ao mesmo período de 2012, mas muitos foram vítimas de sequestro.
Segundo o G1, informações divulgadas pela ONG apontam que, ao todo, 56 jornalistas perderam a vida desde janeiro em 23 países. No ano passado, 75 profissionais morreram em seis meses. A vítima mais recente foi um jornalista egípcio assassinado durante as manifestações contra o regime recém deposto.
Quanto ao sequestro, prática que se tornou comum no Iraque de 2003 a 2006, a PEC anunciou que ao menos sete jornalistas estrangeiros estão detidos ou desaparecidos atualmente na Síria: Didier François e Edouard Elias (França, desde 6 de junho), Armin Wertz (Alemanha, desde 5 de maio), Domenico Quirico (Itália, desde 9 de abril), James Foley (Estados Unidos, desde 22 de novembro de 2012), Austin Tice (Estados Unidos, desde 13 de agosto 2012) e Bashar Fahmi Al-Kadumi (Palestina, desde 20 de agosto de 2012).Outros jornalistas foram sequestrados recentemente em Honduras e no Iêmen.
De acordo com os dados da ONG, desde o início do ano, o Paquistão é o país mais perigoso, com dez vítimas, à frente da Síria, com oito. A Somália e o Brasil estão em terceiro lugar, com cinco repórteres mortos em cada local. (Fonte Portal da Imprensa)
Pela minha lista, o Brasil ganha para a Somália, com seis assassinatos. A lista de mortos, infelizmente, cresce, com a inclusão de blogueiros. Só em Minas Gerais, foram trucidados dois jornalistas.
SEIS JORNALISTAS MORTOS ESTE ANO
Walgney Carvalho
Rodrigo Neto
Mafaldo Bezerra Góis
Renato Machado
Lucas Fortuna
Gelson Domingos

No Brasil, a lista cresce em ano de eleições. Isso acontece porque as polícias estaduais são coniventes. As mortes de jornalistas sempre têm policiais ou ex-policiais envolvidos.
Presidente do Sinjope lutarei pela federalização das investigações dos crimes contra os jornalistas. Vide vídeo
 Alfredo Martirena
Alfredo Martirena