A queda do rublo foi jogada de Putin

Gatis Sluka
Gatis Sluka

 

A imprensa ocidental festejou a queda do rublo. Os economistas da direita dos jornalões de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília profetizaram um ano de recessão para o Brasil por ser um dos cinco países que formam o BRICS, e continuar no Mercosul, irmanado com a Argentina, Uruguai, Venezuela, Equador, Bolívia.

A queda do rublo foi uma jogada de mestre de Putin. Todo (o) mundo caiu.

Gatis Sluka
Gatis Sluka

 

Escreveu Diogo Bercito: POR QUE A QUEDA DO RUBLO PREOCUPA?

Segurem na mão do Mundialíssimo blog, porque a moeda russa vem logo atrás deslizando ladeira abaixo. Como relata uma reportagem do “New York Times” nesta terça-feira, casas de câmbio piscam ininterruptamente as novas cotações do rublo, enquanto russos correm a lojas para comprar máquinas de lavar e televisões. A moeda havia aberto em 64 rublos o dólar. Enquanto eu escrevia este texto, já estava abaixo de 80 –não tomem o número como referência, porque já terá mudado quando vocês lerem.

A Rússia, informa o NYT, é vítima de sanções ocidentais e do baixo preço do petróleo e deve entrar em recessão no ano que vem. O governo não tem reservas o suficiente para reverter o caos econômico, e mercados globais se dão conta de que a crise pode contaminar o sistema em breve.

O “Boston Herald” afirma em um texto que a queda –descrita por Timothy Ash como “a desvalorização de moeda mais incrível que vi em 17 anos no mercado”– ocorreu mesmo após o governo aumentar a taxa básica de juros na véspera (de 10,5% a 17%), como medida emergencial. A administração russa pedia à população que não entrasse em pânico, mas a sugestão talvez fosse difícil de seguir.

A editoria de “Mercado” da Folha está acompanhando o assunto. Por exemplo, clique aqui para tirar as suas dúvidas sobre um rublo despencante. A movimentação do mercado financeiro é comentada ao vivo também. Há, por fim, uma reportagem relacionando a crise à cotação do dólar em reais.

O que você tem a ver com isso? Como de costume, de bastantes maneiras. O “Washington Post” reuniu uma lista de cinco delas. Compilei as três principais abaixo, mas recomendo a leitura do texto original, para além dos outros links citados durante este post.

AMEAÇA À ECONOMIA MUNDIAL

O problema é, por ora, interno. Mas uma quebra em 1998, que disparou uma crise financeira em mercados emergentes, serve de aviso: em uma economia globalizada, o que está dentro pode vazar. Com um rublo fraco, por exemplo, empresário russos podem ter dificuldades para pagar empréstimos tomados em dólar ou euro, como afirma o “Washington Post”.

MURRO EM PUTIN DE FACA

Vladimir Putin, o presidente russo, não deve ser defenestrado devido a essa crise –a população ainda se lembra dos dias derradeiros de União Soviética, quando as dificuldades eram mais agudas. Mas tampouco a queda do rublo vai lhe fazer carinho. “Ele pode ter de retrair suas ambições na Ucrânia“, escreve Michael Birnbaum, “e tem menos dinheiro vindo do petróleo”.

SECA NA RENDA DO PETRÓLEO

Como escreve o “Washington Post”, dinheiro economizado em petróleo é grana que não vai ao bolso russo. O que é bastante grave, se nos lembrarmos que o preço do petróleo caiu em quase metade no segundo semestre deste ano, e os países envolvidos –como a Arábia Saudita– não parecem interessados em diminuir a produção. Com o petróleo, cai o rublo, o Orçamento e a margem de manobra de Putin.

A INESPERADA JOGADA DA RÚSSIA COM SEUS ATIVOS DE PETRÓLEOS SURPREENDE O MUNDO

 

Gianfranco Uber
Gianfranco Uber

Este artigo de Diogo Bercito retrata bem a jogada de Putin que ganhou a primeira grande batalha da Terceira Guerra Mundial que, sem explodir nenhuma bomba nuclear, decidirá quantas moedas, sem lastro, vão imperar no mundo que hoje tem apenas o dólar.

En solo unos pocos días, Rusia recuperó el 30% de sus activos de petróleo y gas, que estaban en manos de financieros occidentales, y ello gracias al hecho de que el rublo se depreció. Un medio calificó esta jugada como “la operación más increíble que se ha visto desde la aparición del mercado de valores”.

“Rusia ha hecho un movimiento de ajedrez inesperado”, escribe InSerbia. Según la publicación, debido a la caída del rublo, Moscú fue capaz de recuperar la mayor parte de sus activos, que estaban en manos de propietarios extranjeros, y además logró recibir ganancias por valor de 20.000 millones de dólares en tan sólo unos días.

El pasado mes de diciembre el rublo ruso comenzó a caer precipitadamente, y surgieron rumores de que Rusia simplemente no tenía los fondos suficientes para ello. Los precios de las acciones de las compañías energéticas rusas cayeron seriamente, y los inversores comenzaron a venderlos antes de que se depreciaran aún más.

Según explica el portal serbio, que compara al mandatario ruso con un “gran maestro” de ajedrez, “Putin esperó una semana y se limitó a sonreír en las conferencias de prensa, y cuando el precio de las acciones cayó drásticamente, ordenó inmediatamente comprar los activos que estaban en manos de estadounidenses y europeos”.

Y ahora todos los ingresos del petróleo y el gas permanecerán en Rusia y el rublo crecerá por sí mismo, sin tener que gastar las reservas de divisas y oro, agrega el portal. “Los tiburones financieros europeos quedaron como tontos: En un par de minutos Rusia compró a bajo precio activos de petróleo y gas por valor de miles de millones. Una operación tan increíble no se había visto desde la aparición del mercado de valores”, escribe InSerbia.

O poder global sai do ocidente, para os países BRICS

Futura Nova Ordem Mundial? Não. Ela já está aqui

 

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por Bryan MacDonald, Russia Today
Time for a “new world order?” No, it’s already here
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

 

Putin falou da necessidade de uma “nova ordem mundial”, com o objetivo de estabilizar o planeta. Para ele, os EUA já abusaram demais, no papel de líder global. O que pouco se noticia, contudo, é que os pilares que sustentavam aquela velha ordem vêm ruindo há anos.

Antes, era tudo tão simples! O mundo estava dividido em dois campos: o ocidente e o resto. E o Oeste, o ocidente, era de fato o melhor. Há 20 anos, seis das maiores economias do planeta estavam integradas ao mundo pró-Washington.

O líder, os próprios EUA, estavam tão à frente, que o PIB, ali, era mais de quatro vezes maior que o da China e nove vezes maior que o da Rússia.

O país mais populoso do mundo, a Índia, tinha quase a mesma renda bruta que os comparativamente minúsculos Itália e Reino Unido. Qualquer noção de que a ordem mundial mudaria tão dramaticamente em apenas duas décadas soava como piada.

A percepção ocidental era que China e Índia eram atrasadas e se passaria um século antes que se tornassem concorrentes. A Rússia era vista como uma espécie de lata de lixo, de cócoras e governada pelo caos. Nos anos 1990s, boa parte disso tudo, sim, fazia algum sentido.

Aqui, um resumo da economia mundial, nos anos 1990s e hoje:

Maiores Economias, pelo PIB, ajustado por paridade do poder de compra (PPC) Fonte: Banco Mundial

 

1995 (PIB em bilhões de USD) 

EUA 7,664
Japão 2,880
China 1,838
Alemanha 1,804
França 1,236
Itália 1,178
Reino Unido 1,161
Indonésia 2,744
Brasil 1,031
Rússia 955

2015 (PIB estimado pelo FMI)

China 19,230
EUA 18,287
Índia 7,883
Japão 4,917
Alemanha 3,742
Rússia 3,643
Brasil 3,173
Indonésia 2,744
França 2,659
Reino Unidos 2,547

 

Crepúsculo dos EUA

Hoje, a piada é o ocidente. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que, em 2015, quatro das principais economias do mundo estarão incluídas no grupo hoje conhecido como BRIC: Brasil, Rússia, Índia e China. A China substituirá os EUA como lobo guia da matilha. Pode até já ter acontecido: os números da economia sempre aparecem depois dos fatos da economia.

A Itália, a doente da Europa, já saiu dos “10 mais”; e o Reino Unido mal se mantém pendurado, por mais que Londres continue a ser promovida como poderoso centro financeiro. Só criancinhas, na Inglaterra, ainda creem nisso. O Reino Unido está convertido numa Julie Andrews da geopolítica – estrela que se vai apagando, depois de ter luzido com tanto brilho. A França é impotente, saltando de crise em crise, sempre com novas trapalhadas, até voltar a mergulhar em nova crise.

Ainda é cedo para descartar completamente os EUA. O império não se acabará assim, do dia para a noite, mas o sol já está bem baixo no horizonte. É menos culpa dos EUA e, mais, resultado da perda de importância relativa de seus tradicionais aliados.

De fato, os únicos aliados dos EUA que ainda se seguram são Alemanha e Japão – nenhum dos quais é ator militar importante. Grã-Bretanha e França foram, por muito tempo, fornecedoras da carga pesada para aventuras marciais. Verdade é que a Alemanha não é parceira lá muito entusiasmada, porque grande parte da classe política em Berlim tem sérias dúvidas quanto ao poderio dos EUA. Muitos, na intelligentsia alemã, sentem que seu aliado natural é Moscou, não Washington.

O crescimento na importância dos BRICs e de outros países emergentes têm implicações imensas sobre o consumo, os negócios e os investimentos globais. Em 2020, pelas estimativas do FMI, a economia russa já terá ultrapassado a alemã, e a Índia terá deslocado, do quadro, o Japão. O mesmo FMI também prevê redução na fatia global dos EUA, de 23,7% em 2000, para 16% em 2020. Em 1960, os EUA representavam 38,7% da economia mundial. A China, por sua vez, mal chegava a 1,6%; no final dessa década, a China já terá chegado a 20%. O mundo não conhece mudança tão forte, em prazo tão relativamente curto.

 

A importância da estabilidade

O discurso de Putin no Valdai Club [em ing., no blog do Saker; (NTs)] não foi estocada no escuro. Vê-se ali compreensão nuançada sobre onde está o equilíbrio global hoje e em que direção andará nos próximos anos. A hegemonia dos EUA sempre se baseou no fato de que, com os seus aliados, os EUA controlavam o cerne do comércio global, além de sempre empunharem um gordo porrete militar. Isso, hoje, é história.

Mas a imprensa-empresa ocidental, em vez de aprofundar a discussão proposta por Putin, pôs-se a chutar as canelas do artista, em vez de chutar a bola. Muitas colunas apresentaram o discurso como “diatribe” e assumiram que Putin só teria focado a política exterior dos EUA, que, na opinião dele, seria anti-Rússia [1]. Nada mais longe do que realmente importa.

A preocupação de Putin é reencontrar e manter a estabilidade e a previsibilidade, exatamente a antítese do neoliberalismo ocidental moderno. Na verdade, a posição de Putin aproxima-se mais de outras visões para promover a ordem mundial, que brotaram da União Democrática Cristã [al. CDU] de Konrad Adenauer na Alemanha e dos Tories britânicos de Harold Macmillan – do conservadorismo europeu clássico.

Putin é quase sempre mal compreendido no ocidente. Suas declarações públicas, orientadas sempre mais para a audiência doméstica que para a grande vitrine internacional, não raro soam agressivas, quase chauvinistas. Mas os observadores bem fariam se não esquecessem que Putin é grande-mestre de judô, cujos movimentos são calculados para confundir e desequilibrar o adversário. Se se leem as entrelinhas, o presidente russo está interessado em engajamento, não em isolamento.

O presidente da Rússia vê seu país como parte de uma nova alternativa internacional, unido a outros países BRICs, para conter, onde seja possível, a agressão pelos EUA. Para Putin, conter a agressão norte-americana é necessário, para chegarmos à estabilidade mundial. Adenauer e MacMillan teriam compreendido exatamente isso, imediatamente. Mas líderes europeus e norte-americanos contemporâneos já não entendem nada. Embriagados pela dominação que exerceram durante os últimos 20 anos, ainda não lhes caiu a ficha, de que a ordem global já está em mudança e mudando rapidamente.

O modo como os EUA reajam à nova realidade é elemento vital do processo. Em dinâmica própria das histórias em quadrinho, o discurso de Washington só sabe focar a Agência de Segurança Nacional, correria de espiões para lá e para cá, governos “sombra”, um patético, desentendido 4º estado, aquela gigantesca força militar jamais usada produtivamente para nada e ninguém, e um crescente, aterrorizante nacionalismo.

Tanta imbecilidade juvenil-adolescente não vive sem um bandidão para chamar de seu. Em dez anos, o bandidão oficial dos EUA já passou de Bin Laden para Saddam; das batatas fritas na cafeteria do Congresso, para a russofobia. Se a elite norte-americana mantiver esse mesmo comportamento, a transição para um mundo multipolar pode não ser pacífica. Isso, sim, se deve temer, medo real.

 

Nota dos tradutores

[1] No Brasil, a imprensa-empresa apagou do universo essa fala de Putin. Foi como se não tivesse acontecido. O jornal o Estado de S.Paulo, que muito provavelmente é o PIOR jornal do mundo, publicou, sobre esse discurso, o que se pode ler (mas não vale a pena) em “Putin culpa ocidente por crise na Ucrânia e nega formação de império pela Rússia”, o que seria cômico, não fosse tão ridículo.

 

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O Brasil ganha com a guerra de Obama e Europa contra Putin

A Rússia libera uma exportação recorde de carne brasileira

Após o veto de Putin a alimentos dos EUA e da Europa, 89 estabelecimentos do Brasil foram liberados para a venda de carnes, aves e laticínios

Criação de gado em São Félix do Xingu, no Pará. FERNANDO BIZERRA JR. (EFE)
Criação de gado em São Félix do Xingu, no Pará. FERNANDO BIZERRA JR. (EFE)

por Marina Rossi
El País, Espanha

O serviço sanitário russo autorizou nesta quinta-feira a liberação recorde de 89 estabelecimentos brasileiros para a exportação de carnes e laticínios à Rússia. A habilitação desses estabelecimentos se dá a toque de caixa no mesmo dia em que o presidente Vladimir Putin anunciou o veto à importação de alimentos dos Estados Unidos e de alguns países da Europa. O veto é uma resposta às sanções desses países à Rússia, em função da crise ucraniana. A interrupção das relações comerciais com os antigos parceiros tem validade de um ano, podendo ser revista antes desse prazo.

A notícia animou o mercado exportador brasileiro. “Isso é surpreendente, nunca se chegou a tanto”, diz José Augusto Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil. “A Rússia sempre foi reticente ao país, erguendo barreiras fitossanitárias”, explica. Castro prevê que o Brasil pode faturar 500 milhões de dólares com as exportações ao mercado russo. “O mais importante para os exportadores brasileiros agora é ganhar o mercado e mantê-lo depois desse um ano de sanção”, diz.

O vice-presidente de aves da Associação Brasileira de Proteína Animal, Ricardo Santin, acredita que o episódio está mostrando que o Brasil é um porto seguro. “Temos condições de fornecer carne para a Rússia pelo período que eles precisarem, seja de um ano ou mais”, diz Santin. Apenas com a venda de carne suína e de frango os produtores devem garantir uma receita de 200 a 300 milhões de dólares.

A carne de frango é a que tem as melhores condições de ganhar mercado na Rússia. “Enquanto um suíno leva de oito a dez meses para ficar pronto para o abate, o frango precisa de cerca de 45 dias”, explica. Hoje, 36% da carne de porco brasileira que é exportada vai para a Rússia, enquanto o frango representa entre 4% e 5%. “Por isso há mais espaço para o crescimento”, diz.

A boa notícia para o comércio exterior, porém, pode afetar o mercado interno brasileiro, já que, se a demanda aumentar, o preço da carne no Brasil também deve subir. “Se tivermos um comprador retirando uma quantidade grande e inesperada de carne, haverá um reflexo [no mercado interno]”, avalia. “Mas a cadeia tem um estoque. Não vai faltar comida para o brasileiro, mas haverá sim uma readequação dos preços”.

Rússia já é o principal destino das exportações brasileiras de carnes suína e bovina. Apenas de carne bovina in natura, foram 303.000 toneladas em 2013, gerando 1,2 bilhão de dólares em receitas. De carne suína, foram exportados 134.000 toneladas, com receita na ordem de 412 milhões de dólares. Ao todo, a venda de itens agropecuários para o mercado russo – que inclui café, açúcar, soja, entre outros -, garantiu o ingresso de 2,72 bilhões de dólares.

 

MANCHETES DE JORNAIS HOJE

RANÇA
RANÇA
BÉLGICA
BÉLGICA
ESPANHA
ESPANHA
REINO UNIDO
REINO UNIDO

O reino ideal do pastor Feliciano: Cadeia para os heréticos da Santa Inquisição

As Nadezhda Tolokonnikova goes on hunger strike, questions are being asked about the brutal conditions that she is having to endure

Nadezhda Tolokonnikova
Nadezhda Tolokonnikova

The Pussy Riot trial was seen by many as part of a Kremlin crackdown on dissent that has since continued with the conviction of the opposition leader, Alexei Navalny, in a politicised trial in July, and the ongoing prosecution of people present at a Bolotnaya Square protest against Vladimir Putin’s re-election in May 2012. Laws have been passed labelling non-governmental organisations that receive money from abroad as “foreign agents” and banning “homosexual propaganda” – a vague term for behaviour that is deemed to promote homosexuality.

The Russian Orthodox Church has served as a linchpin of this trend. On the same day that the State Duma passed the controversial “gay propaganda” law in June, it also approved a blasphemy law outlawing public actions that offend the “religious feelings of believers”. Orthodox activists have beaten gay-rights activists at rallies and attempted to disrupt art exhibitions and performances, including a show by Pussy Riot supporters at a Moscow theatre in August 2012.

Russia

Não sou contra as ONGs. E, sim, contra os serviços de espionagem disfarçados em ONGs. Idem ONGs e fundações e entidades beneficentes que visam passar notas frias, e que são não governamentais apenas no nome.

the_independent.

O Papa Francisco declarou que a Igreja Católica se tornou “obcecada” com os temas do aborto, do casamento homossexual e da contracepção.

“Não podemos concentrar-nos só nestes temas. Não tenho falado muito sobre estes temas e por vezes isso tem-me sido apontado. Mas quando se fala destes assuntos, deve ser no devido contexto. Sabemos qual é a opinião da Igreja e eu sou um filho da Igreja, mas não é preciso continuarmos a falar disto assim.”

Jesus jamais tocou no assuntos homossexualidade. Jamais. No Novo Testamento existe apenas uma referência de São Paulo contra o homossexualismo masculino. E contra o sexo anal. Nada que se possa garantir que foi uma referência ao amor lésbico.

Considero a preocupação do pastor Feliciano doentia e radical. É o mesmo discurso raivoso de Bolsonaro.

A prisioneira de Putin e da igreja cristã da Rússia

Na Rússia, parece que o pastor Marcos Feliciano é o chefe da Igreja Ortodoxa. E a polícia de Putin – ele foi da KGB – continua a mesma dos tempos da União Soviética. Isto é, a polícia e a justiça. Assim fica explicada a greve de fome de Nadezhda Tolokonnikova (foto).

Nadezhda Tolokonnikova

Pussy Riot em greve de fome: “As prisioneiras da colónia nº 14 têm medo das próprias sombras”

por Ana Dias Cordeiro

Nadezhda Tolokonnikova, uma das duas Pussy Riot ainda presas, entrou em greve de fome. “É um método extremo” mas “a única forma de sair da situação em que me encontro”, escreve numa carta aberta em que detalhadamente denuncia as condições desumanas da colónia prisional da Mordóvia, para onde foi transferida no Outono passado. Uma situação também ela extrema, diz, perante a violência infligida a si e às outras prisioneiras, ainda mais indefesas por não serem, como ela, um foco da atenção do público.

Em Agosto de 2012, as três Pussy Riot foram consideradas culpadas da acusação de hooliganismo e incitamento ao ódio religioso, por terem cantado, uma “oração punk” na Catedral do Cristo Salvador, em Moscovo, na qual criticavam a Igreja Ortodoxa russa e Vladimir Putin. Nadezhda Tolokonnikova foi então condenada a dois anos de prisão, juntamente com Maria Aliokhina e Iekaterina Samutsevich, entretanto libertada.

Cristo Salvador

Dentro da colónia penal nº 14, “o silêncio é imposto” pelo terror, diz nesta carta aberta publicada no jornal britânico The Guardian. As prisioneiras “têm medo das próprias sombras, vivem aterrorizadas”. Não se ouvem queixas. Ou pelo menos, as queixas não atravessam os muros da prisão. Entrar em greve de fome era “a única forma” de se fazer ouvir.

“A administração da colónia prisional recusa ouvir-me”, expõe. “E eu recuso baixar os braços. Não ficarei em silêncio, resignada a ver colegas da prisão a desfalecer sob a pressão de condições de escravatura. Exijo que sejamos tratadas como seres humanos.”

Nadezhda Tolokonnikova lembra que chegou aqui há um ano, vinda do centro de detenção de Moscovo, onde a colónia prisional nº14 já era tristemente célebre por dela se dizer: “Quem nunca cumpriu pena no campo da Mordóvia, simplesmente não cumpriu pena.”

Putin nos tempos da KGB
Putin nos tempos da KGB

Violações flagrantes

Nada parecia, pois, comparar-se a este lugar, onde “os níveis de segurança [prisional] são os mais altos, os dias de trabalho mais longos e as violações de direitos humanos mais flagrantes.” Na colónia penal nº14, “ninguém ousa desobedecer”, onde o trabalho forçado ocupa dois terços das horas do dia, se dorme quatro horas e se tem uma folga a cada mês e meio. Aqui onde as mulheres podem ser espancadas por tudo e por nada – quando, por exemplo, não conseguem cumprir o nível irrealista de produção diária exigido na fábrica de uniformes da polícia onde Nadezhda Tolokonnikova trabalha. O corpo desfalece perante a brutalidade e, quando os sinais de doença surgem, as súplicas são atendidas sim, mas com humilhação e insultos.

Uma prisioneira de 50 anos, que sofria de tensão alta e se sentia mal, pediu um dia para terminar o turno mais cedo e dormir uma noite completa de oito horas, conta Tolokonnikova. Em vez disso, foi insultada e acusada de ser “parasita”. Noutro caso, uma mulher cigana foi espancada até à morte, há um ano. “A administração encobriu a morte [declarada na unidade médica da prisão]: a causa oficial foi uma trombose.”

 

Forçar à submissão
Algumas prisioneiras são instrumentalizadas pelos responsáveis. A mando destes ou com o seu consentimento, são elas que agridem as colegas que ficam abaixo das quotas exigidas num dia de trabalho de 16 ou 17 horas.

Os maus tratos são “um método conveniente” para a administração “forçar as prisioneiras à submissão total perante os sistemáticos abusos de direitos humanos”, continua a activista, antes de descrever a “atmosfera ameaçadora, de ansiedade que invade a [sua] área de trabalho”. E os casos de mulheres que, derrotadas pela falta de sono, “pela interminável luta de cumprir quotas de trabalho desumanas”, ficam à beira do esgotamento e se agridem mutuamente, pelas mais pequenas coisas do dia-a-dia ou, fora de controlo, se autoflagelam.

Nadezhda Tolokonnikova lembra-se de ter sido acolhida pelo chefe-adjunto da colónia, tenente-coronel Kupriyanov, que é na realidade, quem administra a prisão: “Devia saber que, no que diz respeito à política, sou um estalinista”, disse-lhe já depois de pressionada a “confessar a culpa”. E quando ela respondeu que apenas trabalharia o previsto no código laboral, oito horas por dia, o outro responsável da administração, coronel Kulagin, prontificou-se a esclarecer que na colónia, a regra era outra. “A nossa força de vontade é maior do que a tua.”

 

Violações “intermináveis”
O desrespeito pelos direitos e necessidades básicas – como o repouso, a alimentação ou a higiene – são “intermináveis”, escreve Tolokonnikova. “As condições de vida e de higiene do campo são calculadas para as prisioneiras se sentirem como um animal imundo e sem direitos”, denuncia ao mesmo tempo que relata momentos em que a sua unidade perdeu o direito a um banho durante duas ou três semanas.

“A administração força as pessoas ao silêncio”, diz Tolokonnikova. “Todos os outros problemas derivam deste. A administração sente-se intocável.” A activista diz que não compreendia por que toda a gente ficava em silêncio. Até ao dia em que ela própria se deparou “com uma avalancha de obstáculos que se abate sobre quem decide falar”. E continua: “As queixas simplesmente não saem da prisão”, diz sem especificar como conseguiu publicar esta carta.

Uma revolta é, porém, impensável. “Ninguém ousa desobedecer.” A uma exposição, pedido ou queixa por escrito, como fez Tolokonnikova, através do seu advogado, a solicitar o respeito dos direitos humanos das prisioneiras, a administração prisional sobe o nível de ameaça e opressão. Em resposta pela acção individual da activista, aplica o castigo colectivo que inibe, paralisa.

 

O efeito do castigo colectivo
“É possível tolerar qualquer coisa desde que nos afecte a nós apenas. Mas o método do castigo colectivo é maior do que isso. Significa que toda a unidade ou mesmo toda a colónia é submetida ao mesmo castigo. Isto inclui, pessoas a quem entretanto nos ligamos”, escreve, dando exemplos de amigas que sofreram represálias pelas queixas expressas pela activista. Uma viu recusada a passagem a liberdade condicional por que tinha lutado durante sete anos. Outra foi “atirada” para a unidade de espancamentos diários. O tenente-coronel Kupriyanov teve o cuidado de dizer a Tolokonnikova que tudo isto acontecia por causa dela. Nesse momento, ela decidiu parar: “Pus fim ao processo de interpor queixas.”

Agora, lembra que depois de uma dessas queixas, a vida na “unidade e brigada de trabalho” se tornou “impossível”. Desde então, “a pressão não tem parado de aumentar”. “Por isso”, conclui, “a partir do dia 23 de Setembro, inicio esta greve de fome e recuso participar no trabalho escravo na colónia. E assim me manterei até ao dia em que a administração decida cumprir a lei e pare de tratar as prisioneiras como gado”. Até “sermos tratadas como seres humanos”.

 

Putin ataca os homossexuais e lésbicas para defender o corrupto Berlusconi. O Papa Francisco, ao contrário, diz que a Igreja não tem nada que INTERFERIR com a vida de homossexuais e lésbicas

por Helio Fernandes

Berlusconi, por Jan-Erik Ander
Berlusconi, por Jan-Erik Ander

Putin tem dito muita idiotice, não se incluam as que diz para se manter no Poder, mas esta, de ontem, mais contraditória do que todas: Textual: “Berlusconi está sendo perseguido, acusado e condenado por ser hetero. Se fosse gay, seria protegido”.

Inacreditável. Berlusconi está sendo acusado por ser o maior corrupto da Itália e do mundo. A palavra apropriada para ele seria l-a-d-r-ã-o.

E até hoje não foi preso, há anos está recorrendo. Não irá para a cadeia, jamais. Será que Putin não entende nem isso?

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PS- Já o Papa Francisco surpreende com a afirmação: “A Igreja tem acabar com a obsessão com certos temas, aborto, gays, contracepção”.

PS2 – E reforçando e demonstrando qual deve ser a posição da Igreja, não deixa dúvida: “A Igreja não pode INTERFERIR na vida dos gays”.

PS3 – O Papa fez questão de deixar as coisas bem esclarecidas, para “homossexuais e lésbicas”.

 

“Um número crescente de nações vem procurando adquirir armas de destruição em massa. É uma questão de lógica: ninguém vai mexer com quem tem a bomba em seu arsenal”

Um apelo vindo da Rússia: o que Putin tem a dizer aos EUA sobre a Síria

 

Kike Estrada
Kike Estrada


 
Por Vladimir V. Putin

Fatos recentes envolvendo a Síria me levam a falar diretamente com o povo dos Estados Unidos e com seus líderes políticos. É importante fazer isso numa época de comunicação insuficiente entre nossas sociedades.

As relações entre nós têm passado por diferentes estágios. Estivemos uns contra os outros durante a guerra fria. Mas já fomos aliados, e juntos vencemos os nazistas. Naquela época foi criada uma organização internacional universal – as Nações Unidas – para impedir que outra devastação como aquela voltasse a ocorrer.

Os fundadores das Nações Unidas entenderam que as decisões concernentes à guerra e à paz devem ser tomadas apenas por consenso, e foi com o consentimento dos Estados Unidos que o veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança foi incluído na Carta das Nações Unidas. A profunda sabedoria dessa decisão deu sustentação à estabilidade das relações internacionais durante décadas.

Ninguém deseja que a ONU tenha o mesmo destino da Liga das Nações, que desmoronou porque lhe faltou poder real. Isso é possível se países influentes, desviando-se das [regras das] Nações Unidas, realizarem ações militares sem autorização do Conselho de Segurança.
O ataque potencial dos Estados Unidos contra a Síria, a despeito da oposição de muitos países e dos maiores líderes políticos e religiosos, incluindo o papa, resultará em mais vítimas inocentes e numa escalada que espalhará potencialmente o conflito muito além das fronteiras da Síria. Um ataque intensificará a violência e desencadeará uma nova onda de terrorismo. Isso pode minar os esforços multilaterais para resolver a questão nuclear iraniana e o conflito israelo-palestino, além de desestabilizar o Oriente Médio e o Norte da África. Pode desequilibrar todo o sistema da lei e da ordem internacional.
A Síria não está testemunhando uma batalha por democracia, mas um conflito armado entre o governo e a oposição dentro de uma nação multirreligiosa. Há poucos campeões da democracia na Síria. Mas há combatentes da Al-Qaeda e extremistas de todas as cores mais do que suficientes lutando contra o governo. O Departamento de Estado dos Estados Unidos designou a Frente Al-Nusra, o Estado Islâmico do Iraque e o Levante, que lutam ao lado da oposição [da Síria], como organizações terroristas. Esse conflito interno, sustentado por armas estrangeiras fornecidas à oposição, é um dos mais sangrentos do mundo.
Os mercenários dos países árabes, as centenas de militantes de países ocidentais e até mesmo da Rússia que lá combatem são objeto de preocupação profunda. Eles não devem retornar a nossos países com a experiência adquirida na Síria? Afinal, depois de lutar na Líbia, os extremistas foram para o Mali. Isso nos ameaça a todos.
Desde o princípio a Rússia tem advogado um diálogo pacífico que permita aos sírios desenvolver um plano de compromisso com seu próprio futuro. Não estamos protegendo o governo sírio, mas o direito internacional. Precisamos utilizar o Conselho de Segurança da ONU e acreditar que a preservação da lei e da ordem no mundo complexo e turbulento de hoje é um dos poucos meios de impedir que as relações internacionais escorreguem para o caos. A lei ainda é a lei, e devemos segui-la, quer gostemos, quer não. De acordo com o direito internacional, a força somente é permitida em caso de defesa própria ou por decisão do Conselho de Segurança. Tudo o mais é inaceitável, segundo a Carta das Nações Unidas, e constitui ato de agressão.
Ninguém duvida de que o gás venenoso foi usado na Síria. Mas existem todas as razões para acreditar que não foram utilizados pelo Exército sírio e sim pelas forças de oposição, para provocar uma intervenção de seus poderosos patrões estrangeiros, que se mantêm ao lado dos fundamentalistas. Relatos de que os militantes preparam outro ataque – dessa vez contra Israel – não podem ser ignorados.
É alarmante que intervenções militares em conflitos internos de países estrangeiros tenham se tornado um lugar-comum nos Estados Unidos. Elas interessam, a longo prazo, aos Estados Unidos? Duvido. Milhões de pessoas no mundo inteiro cada vez mais veem os Estados Unidos não como modelo de democracia, mas como um país que confia apenas na força bruta, pavimentando coalizões sob o slogan “ou vocês estão conosco ou estão contra nós”.
Mas a força tem se provado ineficaz e inútil. O Afeganistão está descarrilhando, e ninguém é capaz de dizer o que acontecerá depois que as forças internacionais se retirarem do país. A Líbia está dividida em tribos e clãs. A guerra civil continua no Iraque, com montes de mortos a cada dia. Nos Estados Unidos, muitos fazem a analogia entre Iraque e Síria, e perguntam por que seu governo quer repetir erros recentes.
Não importa quão dirigidos sejam os ataques ou quão sofisticadas sejam as armas — as baixas de civis são inevitáveis, incluindo idosos e crianças, aos quais os ataques supostamente deveriam proteger.
O mundo reage perguntando: se você não pode contar com o direito internacional, então deve encontrar outros meios de garantir sua segurança. Por isso um número crescente de nações vem procurando adquirir armas de destruição em massa. É uma questão de lógica: ninguém vai mexer com quem tem a bomba em seu arsenal. Somos iludidos com a conversa da necessidade de fortalecer a não proliferação quando, na verdade, a não proliferação vem sendo corroída.
Precisamos parar de usar a linguagem da força e voltar à via dos acordos civilizados, diplomáticos e políticos.
Uma nova oportunidade de evitar a ação surgiu há poucos dias. Os Estados Unidos, a Rússia e todos os membros da comunidade internacional devem aproveitar a boa vontade do governo da Síria de colocar seu arsenal químico sob controle internacional, para subsequente destruição. A julgar pelas declarações do presidente Obama, os Estados Unidos veem essa possibilidade como uma alternativa à ação militar.
Saúdo o interesse do presidente no sentido de dialogar com a Rússia e a Síria. Devemos trabalhar juntos para manter essa esperança acesa, como concordamos na reunião do G8 em Lough Erne, na Irlanda do Norte, em junho, e levar a discussão de volta à mesa de negociações.
Evitar o uso da força contra a Síria vai melhorar a atmosfera para os negócios internacionais e reforçar a confiança mútua. Será nosso sucesso compartilhado e abrirá as portas para a cooperação e outros assuntos decisivos.
Meu trabalho e meu relacionamento pessoal com o presidente Obama são marcados por uma confiança crescente. Analisei atentamente seu pronunciamento à nação na terça-feira. E gostaria de discordar do que ele disse sobre o excepcionalismo dos Estados Unidos, ao declarar que a política do país é “o que torna os EUA diferentes. É o que nos torna excepcionais”. É extremamente perigoso encorajar as pessoas a considerar a si mesmas excepcionais, seja qual for a intenção. Existem países grandes e pequenos, ricos e pobres, com tradições democráticas antigas e aqueles que ainda procuram seu caminho rumo à democracia. Suas políticas também diferem. Somos todos diferentes, mas, quando pedimos as bênçãos de Deus, devemos nos lembrar de que Ele criou a todos nós como iguais. (Tradução sem valor oficial de Baby Siqueira Abrão)

11 de setembro de 2013

 

 Jean-François Rochez
Jean-François Rochez

Nota do redator do blogue: Sou jornalista por vocação e bacharel em História. O que escrevo, sei, não tem nenhum peso. A fala de Putin indica que penso o certo. Essa história de Brasil de tradição pacifista engana os tolos. Precisamos, sim, de energia nuclear. E do conhecimento para desenvolver uma bomba que, conforme previsão do papa João XXIII, é uma arma inútil para a guerra. Mas que protege e espanta qualquer ameaça de invasão. O exemplo da Coréia do Norte é bem recente.  Veja nos links os países que jamais serão invadidos.