Preconceito, racismo, homofobia, abusos morais e violência sexual na Faculdade de Medicina da USP

universidade USP

Sou Fernanda Luccas, doutoranda em Ciência Ambiental na USP e diretora da APG USP Capital.

A Associação de Pós-Graduandos Helenira ‘Preta’ Rezende, que representa os pós-graduandos do campus capital da USP, lançou no último dia 18/11, terça-feira, durante a 962a sessão do Conselho Universitário da USP, carta denúncia sobre os casos de estupro e discriminações de gênero, sexualidade, etnia e assédio moral, tanto na Faculdade de Medicina como em toda a universidade. Na visão da entidade, a instituição tem sido negligente e lenta em dar respostas à comunidade.

Venho aqui portanto, para pedir a divulgação desta carta e também, caso seja interessante, oportunamente gostaríamos de pedir um espaço para falarmos de nosso programa, pois entendemos que a pós graduação no Brasil tem muito a contribuir com a politização sobre diversos assuntos em pauta no Brasil. Muito Obrigada!

CARTA DENÚNCIA

Um jornal que defende a política de Alckmin na USP
Um jornal que defende a política de Alckmin na USP

 

Exmo Srs. Membros do Conselho Universitário (CO) da Universidade de São Paulo.

É com imensa preocupação que observamos nos últimos dias o nome de nossa universidade estampado nos jornais de maiores alcances regional e nacional de nosso país.

As notícias não são boas, associam o nome da Faculdade de Medicina da USP ao descaso e à completa falta de apoio frente a denúncias de preconceito, racismo, homofobia, abusos morais e violência sexual, resultando muitas vezes na perseguição das vítimas.

Isto ocorre frente à lentidão e ausência de posicionamento institucional no trato dos casos denunciados nas instâncias internas da faculdade, culminando no afastamento do Prof. Dr. Paulo Saldiva da Universidade de São Paulo, obrigando portanto, as vítimas a buscarem justiça em instâncias externas à Universidade.

Há aproximadamente dois meses o Ministério Público Estadual (MPE) solicitou à Faculdade de Medicina da USP informações sobre casos de trotes violentos e violação de direitos humanos em festas.

Somente sob os holofotes e atenção da grande mídia, o diretor da FMUSP se pronunciou, afirmando que até a próxima semana seriam tomadas todas medidas necessárias para evitar a repetição de tais violações, bem como, enviados os documentos que relatam os incidentes questionados pelo MPE.

Se não fosse o suficiente, no dia 14/11/14 (sexta feira) foi publicado pela Rede Brasil Atual a denúncia de que o mesmo diretor da FMUSP, pressionou os Deputados da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo para não realizarem a audiência pública das denúncias de abusos, tentando exaustivamente por telefone, realizar uma manobra para inviabilizá­-la por falta de quórum.

A Universidade de São Paulo têm colecionado e protagonizado, ao longo de pelo menos os últimos 5 anos, denúncias de múltiplas formas de violência e desrespeito, afetando especialmente as categorias menos prestigiadas da universidade, como alunos de graduação, pós graduação e funcionários.

Denúncias relatando violência moral, como por exemplo, o constante e velado assédio moral por parte de professores aos seus alunos graduandos e pós graduandos, sobretudo ao gênero feminino e à comunidade LGBT, como também a violência sexual, moral e de cunho preconceituoso, praticada entre alunos em festas e trotes universitários, têm sido parte da rotina desta universidade.

Aqui colocamos uma reflexão: se os próprios diretores, professores, alunos e sociedade civil concordam que qualquer tipo de violência não pode ser naturalizada e deve ser punida, então essa rotina de violência mais velada ou mais extrema, porém causadora de danos humanos profundos, deveria ser investigada, punida e prevenida.

Contudo, o discurso por parte dos gestores da USP observado na mídia está diametralmente distante da prática que encontramos em nosso cotidiano, como demonstrou a recente tentativa de esvaziamento da audiência da ALESP.

Este fato configura uma absoluta negligência de quem deveria, por obrigação, dar o melhor exemplo, seja investigando e punindo com o rigor da lei os responsáveis pelos abusos, seja pela criação de instrumentos, orgãos e políticas educacionais que evitem a ocorrência de novos casos.

Esta negligência demonstra também, os valores ultrapassados, machistas, sexistas, despotistas e antidemocráticos praticados e afirmados nesta instituição e portanto, torna seus gestores co­responsáveis e co­autores de todos os casos e práticas violentas em vigor na universidade.

O mais grave e mais estarrecedor é que, em sendo a USP uma universidade pública, sustentada pelos impostos de toda a população paulista, dos mais pobres aos mais ricos, ela têm por obrigação moral servir à sociedade e estar sempre na posição vanguarda em tudo, não apenas em sua produção acadêmica ou nos títulos de seus professores que embelezam as paredes da instituição.

Essa rotina violenta quase enraizada, institucionalizada pela negligência de seus gestores, se tornou uma importante força motriz do declínio da qualidade do ensino e de formação humanística oferecida ao corpo discente como também, do conhecimento que ultrapassa os muros da instituição e chega para a sociedade.

A negligência e porque não, a negação de todas as formas de violência moral e sexual existentes na USP é outrossim, uma faceta pouco palatável à opinião pública, de um projeto violento e segregador que vem sendo construído pelos gestores e governo do estado de São Paulo, que a cada dia torna a universidade menos pública.

Isto ocorre na medida em que se dificulta o acesso do público em geral aos acervos nas bibliotecas e de todos os espaços que poderiam ser utilizadas coletivamente, mas não o são em função das catracas, câmeras de vigilância e PM dentro de campus ­ que supostamente protegeriam o patrimônio estrutural e a integridade física das pessoas que utilizam tais espaços, o que também não procede, considerando os dados divulgados na mídia, que mostram o crescente aumento de roubos e outras formas de violência desde a instauração da PM dentro do campus.

Muitas das vezes em que vítimas denunciam os erros ocorridos no interior desta instituição, imediatamente são colocadas na posição de agentes que visam depreciar a imagem da universidade, têm suas denúncias dissolvidas sob a alegação de exagero ou pouco discernimento político, passando portanto por um processo de silenciamento e responsabilização por todos os malfeitos.

Desta forma, aqueles que violentam ou permitem a violência na instituição, sentem­-se protegidos e tudo continua como sempre, em prol de uma moral e um nome a ser zelado diante da opinião pública.

Portanto, os diretores, a reitoria, o governo do estado de São Paulo e todos os que têm vetado as investigações é que são o cerne da violência observada nesta universidade e isto precisa ser revisto, investigado, modificado e retirado.

Que se retire o cerne do mal pela raiz.

Neste contexto, viemos por meio desta carta, a denunciar a violência e negligência alertando que todas estas situações são de integral responsabilidade da instituição e que, se queremos zelar pelo nome, pela qualidade e pela credibilidade dela, investigar e punir com rigor e transparência, doa a quem doer, sendo exemplo no combate e prevenção do racismo, sexismo, machismo e homofobia é a atitude que se espera dos gestores daquela que foi por muito tempo, uma das mais importantes, conceituadas e arrojadas universidades do país.

Respeitosamente, Associação dos Pós Graduandos Helenira “Preta” Rezende (APG USP Capital)

 

estupro belgica

Presídio do Maranhão. Dos mortos degolados aos estupros de mulheres de presos

rebelião

Depois da visita, na última sexta-feira (20/12), do juiz auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Douglas Martins, mais um preso foi assassinado no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, e os assassinatos sobem para 59 só este ano. E vai morrer mais gente este ano.

pedrinhas

Informa Manuel Carlos Montenegro: Douglas Martins cobrou providências do governo maranhense para acabar com a violência cometida a familiares de presos durante as visitas íntimas realizadas nos presídios do complexo. Esposas e irmãs de presos [estão] sendo obrigadas a ter relações sexuais com líderes das facções criminosas, que ameaçam de morte os presos que se recusam a permitir o estupro das mulheres.

“As parentes de presos sem poder dentro da prisão estão pagando esse preço para que eles não sejam assassinados. É uma grave violação de direitos humanos”, afirmou o juiz, que é coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (DMF) do CNJ. Ele vai incluir a informação no relatório sobre a situação de Pedrinhas que vai entregar ao presidente do CNJ, ministro Joaquim Barbosa esta semana. A visita ocorreu após a morte de um detento quinta-feira (19/12). Seria o 58º preso morto este ano no Complexo de Pedrinhas, segundo a imprensa maranhense.

A violência sexual seria facilitada pela falta de espaço adequado para as visitas íntimas, que acontecem em meio aos pavilhões, uma vez que as grades das celas foram depredadas. A lei determina que haja espaço adequado para esse tipo de visita. Sem espaços separados, as galerias abrigam cerca de 250 a 300 detentos que passam dia e noite juntos, o que estimularia brigas e uma rotina de agressões e mortes, segundo o juiz-auxiliar da presidência do CNJ.

“Por exigência dos líderes de facção, a direção da casa autorizou que as visitas íntimas acontecessem no meio das celas. Sou totalmente contrário à prática e pedi providências ao secretário da Justiça e da Administração Penitenciária (Sebastião Uchôa), que prometeu acabar com a prática em Pedrinhas”, disse Douglas Martins.

Rotina – Desde 2011, quando houve o Mutirão Carcerário do CNJ no Maranhão, o Conselho recomenda ao Poder Executivo maranhense a construção de unidades prisionais, especialmente no interior, para acabar com a superlotação do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, o único do estado. Em outubro, após uma rebelião matar 9 detentos em Pedrinhas, o CNJ voltou ao estado para reiterar a necessidade de mudanças urgentes no sistema prisional local. Na ocasião, a governadora Roseana Sarney prometeu construir 11 unidades prisionais, das quais 10 no interior.

A situação, no entanto, segue precária. Segundo o magistrado do CNJ, foi possível visitar todas as unidades do complexo, mas não entrar em todas as áreas dos presídios por falta de segurança. “Como as celas não ficam fechadas, os agentes de segurança recomendaram não entrar porque os líderes das facções não teriam permitido e o acesso às dependências seria muito arriscado”, disse. A governadora do estado, Roseana Sarney, prometeu prestar informações sobre a crise no sistema prisional até terça-feira (24/12) ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

(Agência CNJ de Notícias)

O pra lá de complexo de Pedrinhas é conhecido internacional pelas rebeliões com cabeças degoladas. 

 

 

O que tem de escondido na entrevista do secretário de Segurança do governador Eduardo Campos?

polícia estudante passeata greve

Para a catarse da classe média, a transformação do secretário Damásio em bode expiatório, pela reveladora e sincera (sem cera) entrevista que concedeu.

O escândalo não está na confissão, mas nos atos e omissões. Nos crimes praticados, e impunes. Nas palavras que escancaram atrocidades contra o povo, que continuarão a ser cometidas pelo terrorismo policial.

Nenhuma fala sobre a repressão policial contra os Amarildos favelados; os meninos Marcelos Pesseghini, que de assassinado passou a ser serial killer; nem sobre o jovem Douglas Rodrigues, aquele que perguntou para um soldado: – Por que o senhor atirou em mim?

Damásio foi nomeado secretário por Eduardo Campos, e deixou o cargo porque quis, e saiu elogiado pelo governador.

A opinião constitui uma ação passiva, e ninguém, necessariamente deve ser punido por revelar seus pensamentos ou expressar suas opiniões, que são ações passivas; e sim quando as palavras se transformam em atitudes e comportamentos, que são ações ativas.

O que fez Damásio, para incomodar tanto? Mostrou que a polícia de Eduardo Campos não difere das polícias comandadas pelos governadores Alckmin, Sérgio Cabral e outros.

Nesta segunda-feira, a partir das 19h, nos escombros de casas demolidas para construção do Ramal da Copa, nas proximidades do Terminal Integrado da cidade da Região Metropolitana do Recife, removidos pelas obras da Copa do Mundo que receberam ou não suas indenizações prometem se reunir para um Natal diferente.

A visita ao Jesus despejado, que nasceu em uma manjedoura, reunirá famílias que moravam no Loteamento São Francisco (Camaragibe) e em outras comunidades atingidas pela Arena Pernambuco e por obras de mobilidade que estão sendo construídas para o Mundial de 2014 em Pernambuco.

No Estado, mais de 2.000 famílias foram ou serão removidas por obras do Mundial de 2014. Além dos removidos em Camaragibe, onde 129 residências estão sendo demolidas para as obras do Terminal Integrado da cidade e do Ramal da Copa, devem participar também representantes de outras comunidades como Cosme e Damião, São Lourenço da Mata e do Coque.

No Brasil, entre 170 mil e 250 mil pessoas estão sendo obrigadas a sair de suas casas para dar espaço a obras realizadas para o Mundial de 2014, segundo estudo da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa. Leia mais e veja galeria de fotos.

Que significa “mobilidade”, quando não se faz nada que preste para o povo?

Disse o Papa Francisco em sua mensagem natalina: “Há tantas famílias sem casa, seja porque nunca tiveram ou porque perderam por tantas razões diferentes. Famílias e casas andam de mãos dadas. É muito difícil de conduzir uma família para a frente sem ter uma casa”.

 

APAGÃO VERBAL, MENTAL E MORAL

polícia funk

por Dorrit Harazim, O Globo

A entrevista durou cerca de uma hora e meia e foi concedida na manhã da sexta-feira 22 de novembro.

Além de Wilson Damázio, secretário de Defesa Social de Pernambuco, estavam presentes na sala o corregedor adjunto Paulo Fernando Barbosa, o ouvidor Thomas Edison Xavier Leite de Oliveira e a gerente do Centro Integrado de Comunicação, Ana Paula Alvares Cysneiros.

O tema investigado pela repórter Fabiana Moraes, do “Jornal do Commercio”, eram as abordagens sexuais de policiais militares contra mulheres jovens, pobres e negras de Recife.

Mais especificamente, as denúncias de práticas abusivas por integrantes do Grupo de Ações Táticas Itinerantes (Gati), das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) e da Patrulha do Bairro, uma das principais vitrines da gestão do governador Eduardo Campos, provável candidato à Presidência em 2014.

A entrevista com Damázio encerrava a robusta série de artigos da repórter sobre o tema e foi publicada na edição desta quinta-feira. Vale repetir aqui, na íntegra, os trechos que desembocaram na demissão do secretário.

Não por representarem a parte dominante da entrevista. Em duração, são parte desprezível (pouco mais de um minuto, do total de 57 minutos de gravação). Em conteúdo, porém, ofuscam todo o resto e por isso mesmo merecem exposição nacional — até para não serem varridos para baixo da árvore de Natal.

Indagado sobre a ausência de registros de denúncias de policiais que pedem para ver os seios de meninas ao fazer uma abordagem ou praticam outros abusos, o secretário conjecturou:

“Desvio de conduta a gente tem em todo lugar. Tem na casa da gente, tem um irmão que é homossexual, tem outro que é ladrão, entendeu? Lógico que a homossexualidade não quer dizer bandidagem, mas foge ao padrão de comportamento da família brasileira tradicional. Então, em todo lugar tem alguma coisa errada, e a polícia… né? A linha em que a polícia anda, ela é muito tênue, não é?”

De acordo com números do Centro de Vulnerabilidade Social LGBT, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, o levantamento parcial para o ano de 2013 lista 22 casos de homossexuais assassinados em Pernambuco.

Em 2012 os homicídios de gays computados pela entidade foram 35, embora o secretário Damázio contestasse o número afirmando que metade desses crimes possa ter tido motivação passional, interesse financeiro, drogas, bebida ou similares.

Entidades atuantes como o Grupo Gay da Bahia, contudo, há anos listam Pernambuco no topo dos estados brasileiros em número de crimes de homofobia proporcionais à população.

No início deste mês de dezembro o governo de Eduardo Campos tomou a alvissareira medida de transformar em crime casos de violência e discriminações contra a comunidade LGBT.

Voltando à entrevista. Já quase no final, a repórter mencionou um escândalo ocorrido em Fortaleza três anos atrás quando câmeras instaladas em carros de polícia filmaram agentes fazendo sexo oral em mulheres no interior dos próprios veículos.

Comentário do então ainda secretário de Defesa Social, na presença do corregedor adjunto, do ouvidor e da gerente de Comunicação:

“Tem muitos problemas com a polícia, mulheres, principalmente… O policial exerce um fascínio no dito sexo frágil… Eu não sei por que é que mulher gosta tanto de farda. Todo policial militar, civil eu não sei, dos mais antigos tem duas famílias, tem uma amante, duas. É um negócio. Eu sou policial federal, feio pra caramba… A gente ia pra Floresta (Sertão), pra esses lugares. Quando a gente chegava lá, colocava aquele colete, as meninas ficavam tudo (sic) saçaricadas e… Às vezes [tinham] namorado, às vezes [eram] mulheres casadas. A moral delas é diferente da gente. Pra elas, é o máximo tá dando pra um policial… Dentro da viatura, então, o fetiche dela vai lá em cima, é coisa de doido”.

A tóxica entrevista disseminou indignação de intensidade black bloc para todos os lados. Às três da tarde da própria quinta-feira, representantes de 26 entidades de direitos civis do estado já decidiam uma primeira tomada de posição.

Nas redes sociais o assunto fervia e a exoneração do secretário antes de o dia acabar não surpreendeu ninguém. Para usar as próprias palavras de Damázio, “em todo lugar tem alguma coisa errada, e a polícia…”

Depois de 30 anos de carreira policial, primeiro como agente da Civil, depois como agente, delegado e superintendente da Federal, além das duas gestões consecutivas na secretaria, Damázio não soube evitar os cacoetes epistolares comuns a demissionários lotados de culpa.

Referiu-se a “declarações a mim atribuídas”, apesar de ele poder ouvir a gravação da própria voz na internet, se desejar. Sustentou que seus pensamentos não constituem seus pensamentos e declinou com estridência o verbo repelir. Também pediu desculpas a quem “porventura” tenha se ofendido com as declarações. Porventura?

“Não pensei duas vezes”, arrostou Eduardo Campos tonitruante ao justificar que aceitara a renúncia para não permitir que o episódio interferisse na sua política pública de segurança.

Tivesse pensado duas vezes talvez lhe ocorresse não lamentar a saída de Wilson Damázio. Nem se referir aos “bons serviços prestados” pelo secretário na nota protocolar de exoneração — há vezes em que mesmo frases obrigatórias soam melhor quando omitidas.

Damázio deveria ter sido demitido não por ter feito declarações que “motivaram críticas e cobranças”. Sequer deveria ter ocupado o cargo por pensar o que diz.

polícia repressão terror estatal estudante

Qual a verdadeira causa do pedido de demissão do secretário de Segurança do governador Eduardo Campos?

A jornalista Fabiana Moraes não foi entrevistar o secretário de Defesa Social do Estado, Wilson Damázio, para pedir a cabeça dele.

Fabiana apresentou uma denúncia, que Wilson Damázio confirmou – por revelar um caso-, e que o governador Eduardo Campos não informou se vai tomar as devidas providências.

Eis a denúncia: ” O abuso sexual de policiais sobre jovens que vinham sendo acompanhadas há semanas [pela jornalista], entre elas, duas menores. (…) e abordagens criminosas de policiais do Grupo de Ações Táticas Itinerantes (Gati), da Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicleta (Rocam) e da Patrulha do Bairro. Foi justamente a menção do mais ‘novo’ projeto de segurança do governo estadual relançado ano passado (a primeira experiência aconteceu nos anos 80, gestão de Roberto Magalhães) que causou assombro desde o início. Faz sentido: a Patrulha do Bairro é a menina-dos-olhos da SDS e, por tabela, do governo Eduardo Campos (…).

Assim, enquanto a Rocam e o Gati (campeão de registros na Corregedoria) já são velhos conhecidos da SDS quando os tópicos são denúncias e reclamações, a Patrulha até então figurava como estrela brilhante e inquestionável. No entanto, como foi dito no início desta série de reportagens que termina hoje, foram vários os relatos, de diferentes pessoas, de práticas abusivas da Patrulha localizadas na Rua da Mangabeira/Alto José do Pinho (também na Tamarineira). José, o homem que apanhou sete vezes em sua própria rua, sempre chegava perto quando eu ia a mais um dos encontros com Carol, Patrícia e Stephanie. Na última vez que nos falamos (29/11), dois dias depois de ser agredido novamente, ele disse: ‘A raiva tá guardada em mim. Eu não desconto em ninguém. Mas na próxima tapa que esses Robocop me derem, eu dou outra. Eu morro com dignidade e respeito. Vou ficar nesse lixo aí. Mas como indigente não’, falou, apontando para o grande depósito de plástico, comida, móveis quebrados e dejetos diariamente colocados no fim da sua rua. O lixo que rodeia tudo. O lixo do canal, o lixo que Carol joga na rua, o lixo que todo um bairro joga sobre a casa sem banheiro da jovem grávida.

Não relatei a história durante a entrevista realizada no gabinete do secretário, que durou cerca de 1h30 e foi bastante amigável. No entanto, por duas vezes, ele sugeriu que eu poderia estar inventando as denúncias. Segundo Damázio, a veracidade das minhas palavras seria melhor considerada caso eu informasse os locais onde os policiais estavam cometendo os delitos, pois, a partir daí, a SDS poderia abrir um procedimento. Traduzindo: eu deveria informar previamente ao chefe de segurança do governo estadual o cerne da reportagem que seria publicada apenas semanas depois. Educadamente, preferi não dizer nada. Não era o meu papel. Acredito que, desde domingo (15), quando a série começou a ser publicada, o delegado (com mais de 30 anos de carreira e cumprindo seu segundo mandato no governo Eduardo Campos) tenha passado a acreditar na realidade das meninas que circulam pelo Matagal informaram. Pessoalmente, não duvidei em nenhum momento do tipo de coisa que acontecia ali. Seria um interessante caso de criação ficcional coletiva, já que o lamentável comportamento da polícia foi relatado por pessoas das mais variadas idades e trajetórias. A conversa foi gravada em dois arquivos, um de seis minutos, outro de 51. Uma parte importante não foi registrada – o telefone tocou e interrompeu a captação, só retomada 30 minutos depois. Assim, nenhuma palavra dita durante o tempo em que o gravador não funcionou foi escrita aqui. Está publicado apenas aquilo o que se pode provar.”

A primeira pergunta de Fabiana Moraes: “– Estou há cerca de dois meses ouvindo relatos a respeito da questão da exploração sexual, a matéria tem relação com o livro Casa-grande & senzala. Estamos fazendo um paralelo, mostrando que o sofrimento de meninas e mulheres naquele momento não se extinguiu nos dias de hoje. Entre as falas, algumas feitas por menores, há relatos sobre a atuação da Rocam, do Gati, da Patrulha do Bairro. Eles chegam ao local, dizem as entrevistadas, como se fossem fazer uma abordagem, mas, na verdade, os policiais pedem para ver os seios das meninas, há relatos de sexo oral. Falei com a corregedoria para ver se existem registros de casos assim e informaram que não.

A resposta de Damázio: “– Tivemos um caso desses em Barra de Jangada (Jaboatão). Nós prendemos em flagrante um policial (interrompe a fala e dirige-se ao corregedor adjunto, Paulo Fernando). Eles já foram demitidos? Tem que ver lá. Anote aí, por favor, veja se aqueles dois policiais foram demitidos.”

O principal no jornalismo investigativo é a causa, e não os efeitos sempre apresentados pela imprensa como catarse.

As manchetes dos jornais de hoje são meias-verdades:

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O termo desvio de conduta é sempre usado para certos comportamentos de policiais. Quando incluiu o homossexualismo, o secretário Damásio reconheceu que ele existe na polícia, como acontece com qualquer outra profissão.

Disse: “(…) Desvio de conduta a gente tem em todo lugar. Tem na casa da gente, tem um irmão que é homossexual, tem outro que é ladrão, entendeu”. O que deve ter ofendido ao corporativismo militar foi a constatação de uma realidade.

Na sua carta de pedido de demissão, Damásio afirma que a frase não constitui seu pensamento nem sua visão do mundo, razão pela qual “peço desculpas a todos aqueles que porventura tenham se sentido ofendidos”.

Já destaquei o fraseado do ex-secretário em um texto, porque todo título precisa chamar a atenção do leitor, de convidar par a leitura.

Pura coincidência esta manchete publicada no dia da queda de Damásio:

Paraná
Paraná

Homofobia existe, sim, no pastor Marco Feliciano, que pretende se candidatar à presidência da República pelo PSC.

A outra frase polêmica: “Não sei por que mulher gosta tanto de farda”. São vários os fascínios sexuais. Muitos são fugazes.

Vários livros e romances tratam do assunto. Transcrevo de um blog feminino: “O uniforme cria uma fantasia sexual que, mesmo sem saber, agrada o universo feminino naquilo que nem Freud explica.

E vale tudo: bombeiro, policial militar, piloto, oficial da aeronáutica – e até jogador de futebol. Parece que o que as mulheres gostam se esconde atrás de uma roupa alinhada e com muito significado“.

Acho exagero: “O Grupo de Trabalho da Mulher Policial Federal vem publicamente expressar seu repúdio às declarações machistas e homofóbicas do delegado da polícia federal Wilson Damázio.”

A danação é a violência policial contra as mulheres, notadamente estudantes, nos protestos de rua: os espancamentos, as balas de borracha, as bombas de efeito imoral e de gás lacrimogêneo, as prisões por desacato à autoridade e debaixo de vara.

O dia amanheceu com a notícia da prisão de vereadores em Caruaru.  Ao entardecer, o todo poderoso chefe de polícia caia.

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A prisão de dez vereadores aconteceu no curral eleitoral do vice-governador João Soares Lyra Neto, que sucederá Eduardo Campos em março próximo.

Uma ação militar comandada por Damásio.

Qual a opinião do futuro governador? Será que Damásio, certo de que seria demitido em março, preferiu sair antes?

Para a História da Imprensa, fica o registro das prisões de jornalistas pela polícia do governador Eduardo Campos, comandada pelo secretário Wilson Damásio.

Pastor sequestrou menina para praticar aberrações sexuais

A casa do pastor onde a menina vivia prisioneira
A casa do pastor onde a menina vivia prisioneira

Uma menina que, agora, tem 18 anos, foi sequestrada por um líder da igreja Testemunhas de Jeová, e viveu cinco anos em cativeiro. O pastor, além de estuprar, espancar, e marcar sua vítima com uma faca, a obrigava a trabalhar como escrava, e ter relações sexuais com estranhos e animais.

Jorge Antonio Torres, considerado um líder da igreja Testemunhas de Jeová, nas cidades de Tapalqué e Azul, na Argentina, está preso, acusado de crimes hediondos e perversos contra uma adolescente que, desde 2008, viveu um horror, quando foi capturada, estuprada e mantida prisioneira. Era obrigada a fazer sexo com as pessoas ao “acaso” e cães.

Disse a garota: Como seu algoz era o líder da igreja, não sabia como dizer não, sem se sentir culpada. Leia

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Neste domingo o Brasil realizou a Marcha das Vadias

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Que podem a paz e a beleza contra cinco séculos de matança das nações indígenas, e uma racista escravidão que continua?

A violência faz parte de um sistema colonial, que sangra as veias do Brasil.

Quem mata um sem terra, um sem teto, um mendigo morador de rua, estupra uma prostituta infantil, bate na esposa em casa ou mata.

Quando há tortura nos presídios, há stalking policial, há despejo judicial, que a violência nunca é sozinha.

Quem paga salário indigno, realiza assédio sexual e moral no trabalho. Não reconhece a Liberdade do próximo. Não tem nenhum sentimento de Fraternidade ou Solidariedade.

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México. “La tortura más fuerte ha sido el propio proceso de justicia”

En 2006, 47 mujeres sufrieron violencia y/o tortura sexual a manos de un operativo policial en Atenco ordenado por el recién investido presidente de México, Enrique Peña Nieto

“Los hechos de Atenco dejaron muy clara la firme determinación del gobierno de hacer respetar los derechos de la población de México, que cuando se vieron afectados por intereses particulares tomé la decisión de emplear la fuerza pública para restablecer el orden y la paz”. Quien habla es el entonces gobernador del Estado de México, Enrique Peña Nieto, y recién investido presidente de México por el Partido Revolucionario Institucional (PRI) que gobernó como partido único desde 1929 hasta 1989 todos los Estados y la presidencia hasta el año 2000. Un político cuya victoria ha sido cuestionada por sonoros casos de compra de votos y fraude electoral y que ha basado su campaña electoral en la seguridad pese a que durante su gobierno del Estado de México los homicidios relacionados con la delincuencia organizada aumentó en un 561%, ha adelantado a otros estados más conocidos internacionalmente como el de Chihuahua, donde se encuentra Ciudad Juárez, por los feminicidios -922 en cinco años-, se estima que un tercio de las mujeres casadas sufren violencia de género, casi 5000 denuncias por violación en un año…. Y cuando organizaciones de la sociedad civil le demandaron que pusieran en marcha una campaña de defensa de la mujer, su respuesta fue una rotunda negativa aludiendo que lo que se buscaba era perjudicar su campaña presidencial. Ayer Peña Nieto recogía el testigo de su predecesor, Felipe Calderón, que hizo de la guerra contra el narco su barco de batalla, que costó la vida a 47.500 civilessegún cifras oficiales y hasta de 100.000 según organizaciones de derechos humanos. Ahora, el Príncipe de Asturias ha pedido que favorezca la inversion de las empresas españolas a Peña Nieto, el presidente que atajó las acusaciones de haber ordenado una operación de represión de la población basada en desmovilizar la respuesta ciudadana violando a sus mujeres aludiendo que mentían porque las que sí han sido violadas no lo cuentan porque es una vergüenza.

Italia Méndez: “Después fue enfrentar a la prensa masivamente y que nos dijeran mentirosas, que no había elementos, que no había denuncia, fue como llenarme de rabia; era como el primer día de sacudirme. Yo no sé de dónde saqué fuerzas. Supongo que de las compañeras que no estaban y de la solidaridad de la gente”. (Liliana Zaragoza / Mirada Sostenida)
Italia Méndez: “Después fue enfrentar a la prensa masivamente y que nos dijeran mentirosas, que no había elementos, que no había denuncia, fue como llenarme de rabia; era como el primer día de sacudirme. Yo no sé de dónde saqué fuerzas. Supongo que de las compañeras que no estaban y de la solidaridad de la gente”. (Liliana Zaragoza / Mirada Sostenida)

Seis años han pasado desde que estas mujeres fueron agredidas y torturadas sexualmente pero según Italia Méndez, una de las once mujeres que han interpuesto una denuncia ante la Corte Interamericana de Derechos Humanos (CIDH), “la tortura más fuerte ha sido el propio proceso de justicia”. Y es que en todo este proceso la impunidad ha sido la gran vencedora y ante la perseverancia de estas mujeres por seguir adelante con este proceso “nos hicieron un peritaje en la Procuraduría general de la República (…) y fue realmente espantoso. Fue un espacio de revictimización terrible, dolorosísima. Mientras esto ocurría 50 policías federales estaban recibiendo un taller de derechos humanos en el cubículo junto al que no estában haciendo el dictamen médico.Haciéndome fotografías desnudas las peritas me decían que no había ninguna señal de violencia un año después mientras escuchaba los chistes sexuados que los policías estaban haciendo al lado “, cuenta una de las denunciantes en este documental que fue proyectado por el movimiento #Yosoy132 en los muros de uno de los principales edificios del grupo mediático Televisa que, según información revelada por el periódico británico The Guardian había cobrado dinero a políticos para hacer informaciones favorables de sus candidaturas, entre ellos, Peña Nieto para la presidencial. Este medio había realizado durante las semanas previas a los hechos de Atenco una campaña de desprestigio de la población de Atenco por sus protestas.

Suhelen Cuevas “En varios momentos sí pensé: ‘yo ya me voy a morir pero mínimo haciendo lo que yo quería”. (Liliana Zaragoza / Mirada Sostenida)
Suhelen Cuevas “En varios momentos sí pensé: ‘yo ya me voy a morir pero mínimo haciendo lo que yo quería”. (Liliana Zaragoza / Mirada Sostenida)