Polícia do Rio forja cena de crime para esconder assassinato de jovem

Moradores filmam pms alterando cena de crime após morte de jovem de 17 anos
 Eduardo Felipe Santos Victor, 17 anos. Foto Facebook
Eduardo Felipe Santos Victor, 17 anos. Foto Facebook
Gravação é novo golpe na imagem das UPP’s. Flagrante provoca protestos contra a PM

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Imagem mostra PMs mexendo na cena do crime na Providência
Imagem mostra PMs mexendo na cena do crime na Providência

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eduardo felipe dos santos alx_jovem-morto-pm-rio

Até junho deste ano, a polícia matou em média quase duas pessoas por dia

por María Martín/ El País/ Espanha

A morte de Eduardo Felipe Santos Victor, de 17 anos, no morro da Providência, no centro do Rio, noticiada como a de um narcotraficante que entrou em confronto com os policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), poderia ter sido mais uma em um Estado onde, até junho deste ano, a polícia matou em média quase duas pessoas por dia. Mas dois vídeos gravados por moradores, onde ficaram registrados todos os passos dos agentes ao adulterar a cena do crime, põe em dúvida a versão policial, que afirmou que houve troca de tiros e que encontrou com o adolescente um radiotransmissor, munições e uma pistola.

Nas imagens, gravadas na manhã desta terça, o jovem com a camisa banhada em sangue morre no chão rodeado de três policiais com colete antibalas e fuzis. Aparece na cena um quarto agente que entrega a arma que é deixada junto ao corpo e depois atira para o ar. Outro policial pega uma arma, depois de limpá-la, e a coloca entre os dedos inertes do jovem. Atira. Duas vezes. Levanta e fica, junto aos outros, contemplando o cadáver. Percebe que tem a mão suja de sangue e limpa-se na parede. Corta-se a imagem.

Após a morte do adolescente, o segundo na comunidade em uma semana, o clima ficou tenso. Indignados, moradores protagonizaram vários protestos durante todo o dia nas imediações da favela, na zona portuária do Rio, e atiraram pedras contra os policiais. À noite, segundo relatou o jornal O Globo, um grupo de 50 moradores protestou na frente da delegacia onde os cinco agentes envolvidos foram ouvidos. Houve gritos de “polícia assassina” e tumulto e os policiais lançaram bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes.

Mais um golpe para as UPPs

Dois policiais foram presos em flagrante por fraude processual e três estão detidos administrativamente. O secretário de Estado de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, determinou “rigor nas investigações com punição exemplar dos responsáveis”, mas as gravações são mais um golpe na agonizante imagem das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) no Rio.

O programa de polícia comunitária acumula escândalos de letalidade policial. O último foi na semana passada, quando Herinaldo Vinicius da Santana, de 11 anos, morreu com um tiro na cabeça em um suposto confronto entre agentes da UPP e traficantes da favela do Caju. A lista é longa, mas o pontencial de sucesso da missão das UPP’s nas comunidades começou a se frustrar de vez com a morte de Amarildo Dias de Souza, o pedreiro da Rocinha cujo corpo ainda não foi encontrado e que foi torturado até a morte na sede da UPP da comunidade em 2013.

O porta-voz das UPPs do Rio de Janeiro, major Ivan Blaz, reconheceu que “o vídeo mostra uma manipulação flagrante que atinge duramente a confiabilidade estabelecido ao implantação da UPP Providência” mas afirmou que “os ganhos estabelecidos pelas UPPs não podem ser perdidas por casos lamentáveis como esse”.

Luiz Eduardo Soares, antropólogo e subsecretario de Segurança Pública no Rio, entre 1999 e 2000, disse em entrevista ao EL PAÍS que a crise nas UPP’s é imensa. “Porque foi feita de forma precipitada, sem a formação policial que teria sido imprescindível. Eu sempre disse que não seria sustentável um programa desse tipo com as nossas polícias. Elas precisam ser profundamente reformadas para ter alguma afinidade com os princípios que nortearam a criação do programa, como ser uma policia de proximidade e garantir direitos”, afirma Soares.

O número de pessoas mortas em supostos confrontos com a polícia aumentou no primeiro semestre do ano no Rio. A quantidade de mortes provocadas por agentes de segurança – policiais militares e civis – foi a maior registrada em um semestre desde a primeira metade de 2011, tanto na capital quanto no Estado, segundo dados do Instituto de Segurança Pública divulgados no UOL. No total, foram 349 casos, um aumento de 21,6% em comparação ao primeiro semestre de 2014.

Encurtemos as distâncias entre o salário mínimo e o salário dos desembargadores, dos coronéis da PM, dos senadores, entre um favelado e um banqueiro, entre os palácios e favelas

justiça social Amorim

Essa distância o papa Francisco vem mostrando nos sermões.

No Brasil as desigualdades são cruéis. Pastores, com seus palacetes e aviões de luxo, pregam o fanatismo religioso. É difícil neste mundo cruel ser cristão, pregar o amor, que apenas existem – ensinou Jesus – dois mandamentos que é um só: amar a Deus e amar o próximo.

Não existe justiça social nos despejos judiciários. Não existe amor em uma sociedade que convive com o trabalho escravo, o tráfico de pessoas e 500 mil prostitutas infantis.

Os governantes apenas trabalham pelos empresários financiadores de campanhas eleitorais. Nada se faz que preste para o povo. O Rio de Janeiro possui 1 mil e 100 favelas. São Paulo, 2 mil 627 favelas.

Jesus-prega-ao-povo

Aproximar-se das pessoas marginalizadas, encurtar as distâncias até chegar a tocá-las sem ter medo de se sujar: eis a «proximidade cristã» que nos mostrou concretamente Jesus libertando o leproso da impureza da doença e também da exclusão social. A cada cristão, à Igreja inteira, o Papa pediu que tenha uma atitude de «proximidade»; fê-lo durante a missa na manhã de sexta-feira, 26 de Junho, na capela da Casa de Santa Marta. A próxima celebração está prevista para terça-feira 1 de Setembro.

«Quando Jesus desceu do monte, grandes multidões o seguiam»: Francisco iniciou a homilia repetindo precisamente as primeiras palavras do Evangelho de Mateus (8, 1-4) proposto pela liturgia. E toda aquela multidão, explicou, «tinha ouvido as suas catequeses: ficaram maravilhados porque falava “com autoridade”, não como os doutores da lei» que eles estavam habituados a ouvir. «Ficaram maravilhados», especifica o Evangelho.

Portanto, precisamente «estas pessoas» começaram a seguir Jesus sem se cansar de o ouvir. A ponto que, recordou o Papa, elas «permaneceram o dia inteiro e, por fim, os apóstolos» deram-se conta de que tinham certamente fome. Mas « para eles ouvir Jesus era motivo de alegria». E assim «quando Jesus terminou de falar, desceu do monte e as pessoas seguiam-no» reunindo-se «em volta dele». Aquela gente, recordou, «ia pelas estradas, pelos caminhos, com Jesus».

Contudo, «havia também outras pessoas que não o seguiam: observavam-no de longe, com curiosidade», perguntando-se: «Mas quem é ele?». Aliás, explicou Francisco, «não tinham ouvido as catequeses que tanto surpreendiam». E assim havia «pessoas que olhavam da calçada» e «outras que não podiam aproximar-se: era-lhes proibido pela lei, porque eram «impuros». Precisamente entre elas estava o leproso do qual fala Mateus no Evangelho.

«Este leproso – realçou o Papa – sentia no coração o desejo de se aproximar de Jesus: tomou coragem e aproximou-se». Mas «era um marginalizado», e portanto «não podia fazê-lo». Porém, «tinha fé naquele homem, tomou coragem e aproximou-se», dirigindo-lhe «simplesmente o seu pedido: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me”». Disse assim «porque era “impuro”». Com efeito, «a lepra era uma condenação definitiva». E «curar um leproso era tão difícil quanto ressuscitar um morto: por esta razão eram marginalizados, estavam todos ali, não podiam misturar-se com as pessoas».

Porém havia, prosseguiu Francisco, «também os automarginalizados, os doutores da lei que olhavam sempre com aquele desejo de pôr Jesus à prova para o fazer cair e depois condenar». Ao contrário, o leproso sabia que era «impuro, doente, e aproximou-se». E «o que fez Jesus?», questionou-se o Papa. Não ficou parado, sem o tocar, mas aproximou-se ainda mais e estendeu-lhe a mão curando-o.

«Proximidade», explicou o Pontífice, é uma «palavra tão importante: não se pode construir comunidades a sem proximidade; não se pode fazer a paz sem a proximidade; não se pode fazer o bem sem se aproximar». Na realidade, Jesus poderia ter-lhe dito: «Que tu sejas curado!». Ao contrário, aproximou-se dele e tocou-o. «Mais ainda: no momento em que Jesus tocou o impuro, tornou-se impuro». E «este é o mistério de Jesus: assumir as nossas sujidades, as nossas impuridades».

É uma realidade, prosseguiu o Papa, que são Paulo explica bem quando escreve: «Sendo igual a Deus, não considerou esta divindade um bem irrenunciável; aniquilou-se a si mesmo». E, em seguida, Paulo vai além afirmando que «se fez pecado»: Jesus tornou-se ele mesmo pecado, Jesus excluiu-se, assumiu a impureza para se aproximar do homem. Por conseguinte, «não considerou um bem irrenunciável ser igual a Deus», mas «aniquilou-se, aproximou-se, fez-se pecado e impuro».

«Muitas vezes penso – confidenciou Francisco – que é, não quero dizer impossível, mas muito difícil fazer o bem sem sujar as mãos». E «Jesus sujou-se» com a sua «proximidade». Mas depois, narra Mateus, foi inclusive além, dizendo ao homem libertado da doença: «Vai ter com os sacerdotes e faz aquilo que se deve fazer quando um leproso é curado».

Em síntese, «aquele que estava excluído da vida social, Jesus inclui-o: inclui-o na Igreja, inclui-o na sociedade». Recomenda-lhe: «Vai para que todas as coisas sejam como devem ser». Portanto, «Jesus nunca marginaliza, nunca!». Aliás, Jesus «marginalizou-se a si mesmo para incluir os marginalizados, para nos incluir a nós, pecadores, marginalizados, na sua vida». E «isto é bom», comentou o Pontífice.

Quantas pessoas seguiram Jesus naquele momento e seguem Jesus na história porque ficaram maravilhadas com o seu modo de falar», realçou Francisco. E «quantas pessoas observam de longe e não compreendem, não estão interessadas; quantas pessoas observam de longe mas com um coração maldoso, a fim de pôr Jesus à prova, para o criticar e condenar». E, ainda, «quantas pessoas observam de longe porque não têm a coragem que teve» aquele leproso, «mas desejariam muito aproximar-se». E «naquele caso Jesus estendeu a mão primeiro; não como neste caso, mas no seu ser estendeu-nos a mão a todos, tornando-se um de nós, como nós: pecador como nós mas sem pecado; mas pecador, sujo com os nossos pecados». E «esta é a proximidade cristã».

«Palavra bonita, a da proximidade, para cada um de nós», prosseguiu o Papa. Sugerindo que nos questionemos: «Mas sei aproximar-me? Eu tenho a força, a coragem de tocar os marginalizados?». E «também para a Igreja, as paróquias, as comunidades, os consagrados, os bispos, os sacerdotes, todos», é bom responder a esta pergunta: «Tenho a coragem de me aproximar ou me distancio sempre? Tenho a coragem de encurtar as distâncias, como fez Jesus?».

E «agora no altar», sublinhou Francisco, Jesus «aproximar-se-á de nós: encurtará as distâncias». Portanto, «peçamos-lhe esta graça: Senhor, que eu não tenha medo de me aproximar dos necessitados, dos que se vêem ou daqueles que têm as chagas escondidas». Esta, concluiu, é «a graça de me aproximar».

Saad Murtadha
Saad Murtadha

Miles de personas salieron por las calles en Estado Unidos para protestar contra la discriminación racial

Miles de personas protestaron en diferentes ciudades contra la discriminación racial y exigieron justicia para todos por igual, luego de que dos policías quedaran recientemente absueltos de cargos por la muerte de dos personas de color.

 

 

N.Y.1

From today's march in NYC against racist police terror
From today’s march in NYC against racist police terror

La marcha, convocada a metros del Capitolio bajo el lema “Justicia para todos”, reunió a miles de manifestantes que llegaron desde diferentes puntos del país con el objetivo de impedir que vuelvan a ocurrir nuevos casos como el de Eric Garner, que murió en julio, luego de que un policía lo asfixiara al ejecutarle una llave de estrangulamiento, o el de Michael Brown, que murió bajo el arma de un policía que le disparó al joven indefenso.

Los policías involucrados en los hechos resultaron libres de cargos por parte de la Justicia de Long Island y de Ferguson, Missouri, respectivamente, lo que generó una tensión y protestas que se mantienen y crecen desde hace más de tres semanas, cuando un jurado absolvió al agente que mató a Brown, Darren Wilson.

“Estamos muriendo, las familias están rompiéndose por la muerte de sus seres queridos asesinados ilegalmente”, dijo a Télam Hanan Hamilton, mientras sentada en un banco y bajo un gran abrigo que la protegía del frio, escuchaba las palabras de los familiares de personas de color fallecidas por incidentes con la policía, que participaron del evento organizado hoy por la Red de Acción Nacional.

La mujer, de 55 años, viajó desde Nueva York para estar hoy en la capital americana con el fin de ayudar a generar “impacto” y frenar de una vez los casos de discriminación racial que están ocurriendo en el país “desproporcionadamente con los estadounidenses negros, y con hombres estadounidenses negros especialmente”.

Para Hamilton, lo sucedido en los casos de Eric Garner o de Michael Brown, es resultado de que se está “en el siglo XXI y la fuerza policial está funcionando aún bajo los mecanismos del siglo XVIII. Eso tiene que terminar”, afirmó la oriunda de Harlem, Nueva York.

Hasta la gran Avenida Pensilvania que hoy estaba cortada al tránsito y colmada por manifestantes con cientos de carteles con la leyenda “Black Lives Matter” (las vidas de los negros importan), llegó también James “Cool Breeze” Gray, en uno de los tantos ómnibus que salieron desde distintas ciudades.

James Gray decidió emprender el viaje para formar parte del cambio, pero además para compartir su historia, en la que no sólo logró salvar su vida, sino que obtuvo algo que hoy todos reclamaban: Justicia e igualdad.

“Cool Breeze”, como pidió que se lo nombrara, sobrevivió a una golpiza que la policía de Nueva York le propició en 2012, tras pararlo en la calle y acusarlo de beber cerveza en la vía pública.

“Yo no estaba bebiendo cerveza. No estaba bebiendo nada”, relató a Télam el abogado afro americano, recordando que luego de un breve intercambio de palabras con los agentes, tres de ellos comenzaron a pegarle.

Gray demandó a sus atacantes y tras un año y medio de litigio, la justicia le dio la razón e hizo responsable a la Policía de Nueva York por el daño.

Su caso, confiesa con pesar el joven de 34 años, sabe que es uno entre pocos, porque él no tiene antecedentes penales. Por eso, ahora divide su tiempo entre la compañía de medios que preside y su firme activismo por educar a otros jóvenes sobre medidas de prevención para evitar incidentes con la policía.

Mientras en la capital estadounidense la gente resistió por más de cinco horas las bajas temperaturas, repitiendo una y otra vez el grito de “no hay justicia, no hay paz”, en Nueva York otras miles de personas hicieron lo mismo en el Washington Square Park, cantando “queremos justicia para todos” y con la consigna compartida de marchar por “todas aquellas personas de color inocentes, muertas por el abuso de la fuerza policial”.

Polícia “pacificadora” do Rio mata mais um. Nem é preciso informar que é favelado e negro

POLICIAIS DA UPP ATIRAM PARA MATAR

NA FAVELA DE MANGUINHOS (RJ)

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Nossa equipe de reportagem acaba de voltar da favela de Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro, onde o jovem Jonathan de Oliveira Lima, de 19 anos, foi assassinado por PMs da UPP com um tiro nas costas. Fomos à casa de Jonathan, onde conversamos com a mãe do rapaz, a pedagoga Ana Paula Gomes de Oliveira, 36. Muito abatida, ela perguntava se seu filho voltaria para casa, ainda não entendendo o motivo do assassinato do jovem estudante.

Logo que chegou ao local, nossa equipe foi atacada a tiros de munição letal e bombas de gás lacrimogêneo por policiais do Batalhão de Operações Especiais. Em seguida, os PMs vieram em nossa direção e mandaram desligar as câmeras. Nossa equipe foi ameaçada e os câmeras proibidos de recolocar a máscara de gás. Todo o time de AND acabou asfixiado por conta da fumaça. Em seguida um PM nos disse “Se eu não uso máscara, vocês não vão usar também” e nos obrigaram a deixar a favela. (Jornal A Nova Democracia)

 

 

 

 

Está errado! Níveis de investigação para resolver crimes são baixos

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por Livia Scocuglia

Os níveis de investigação criminal para resolver crimes são baixos. A maior parte dos detentos de São Paulo foi presa em flagrante e não por causa de investigação. A constatação é o resultado da pesquisa divulgada nesta semana, pela Fundação Getulio Vargas. Ao todo, 65,8% dos presos foram detidos no dia em que cometeram o delito.

Quando analisado o crime de roubo, a porcentagem de presos no próprio dia da ocorrência é ainda maior: 78,2%, o que pode indicar baixo nível de investigação criminal no Estado. Para um dos coordenadores do projeto, José de Jesus Filho, da Pastoral Carcerária, esses dados apontam que as pessoas estão sendo presas de forma errada no país. “A investigação no Brasil não acontece. Nós não prendemos o criminoso do colarinho branco, não prendemos o corrupto ou as lideranças do tráfico de drogas”, afirmou Jesus Filho ao jornal O Estado de S. Paulo.

Em relação ao processo, só uma pequena minoria dos entrevistados conseguia entender muito (13,5%) ou mais ou menos (14,7%) do que estava acontecendo nas audiências. A maioria entendia pouco ou nada das audiências e do processo judicial.

Além disso, o estudo mostrou que existem variações significativas na duração dos processos de acordo com o tipo de crime pelo qual foram condenados. Os condenados por homicídio doloso tiveram os processos mais longos (média de 24,9 meses) e aqueles condenados por furto/furto qualificado tiveram os processos mais curtos (média de 8,8 meses).

A pesquisa também levou em conta a corrupção usada para evitar prisões. Entre os entrevistados, 62,6% deles disseram que poderiam ter evitado a prisão se tivessem recursos para corromper a polícia e 31,8% dos entrevistados disseram que a polícia realmente pediu dinheiro ou algum pertence a partir do momento da prisão até a sentença.

No Judiciário, a proporção de presos que relatou algum pedido de dinheiro ou de algum bem por parte de juiz é quase nula (0,3%). Segundo a pesquisa, isso indica uma instituição judicial muito menos inclinada a este tipo de corrupção.

Cor da pele

A maioria dos policiais militares da capital envolvidos em ocorrências com mortes são brancos (79%), entre 25 e 39 anos (73%) e homens (97%). Já quanto às vítimas, a maioria é de negros (61%), menores de 24 anos (57%) e homens (97%), segundo noticiou a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

Os números foram coletado em pesquisa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) que entre 2009 e 2011 analisou 734 processos com 939 vítimas. A coordenação foi feita pela professora Jacqueline Sinhoretto. Em relação a cor da pele, a população do estado é formada por 30% de afrodescendentes, mas há três vezes mais negros mortos do que brancos. Só 1,6% dos autores foi indiciado. Para 98% deles, as investigações apontaram que não houve crime ou que agiram em legítima defesa.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que vai avaliar os dados do estudo para decidir se eles “podem subsidiar aprimoramentos das políticas públicas de segurança”. Declara também que “os policiais são preparados para lidar com a diversidade racial e que, na PM, cerca de 40% dos homens são afrodescendentes”.

Fonte: Consultor Jurídico
Transcrição: Fenapef

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Cem vezes Cláudia assassinada pela Gestapo racista da polícia do Rio de Janeiro

Para lembrar a impunidade e reverenciar a dona de casa, esposa, mãe de quatros filhos, sendo dois adotivos, e cidadã carioca Cláudia Silva Ferreira, que foi cruel, bárbara, covardemente assassinada pela famigerada Polícia Militar do Rio de Janeiro, no mês terminal do governo Sérgio Cabral, o blogue Olga criou uma página para “alguns artistas gentilmente criaram imagens sensíveis, que se dispõe a resgatar a dignidade roubada por criminosos. Este projeto se chama 100 VEZES CLÁUDIA e é aberto para que qualquer um possa enviar suas homenagens. Ou seja, esperamos publicar aqui novas artes com frequência. Quem sabe não chegamos a 100? Por fim, gostaríamos de imprimir algumas das ilustrações e enviar à família de Cláudia. Quer participar? Escreva para olga@thinkolga.com.”

A campanha conta com mais de cem obras de arte. Vai ser a única, e eterna condenação dos policiais assassinos: o grupo que atirou duas vezes no doce e santo coração de Cláudia, e o grupo que arrastou seu corpo pelas ruas do Rio de Janeiro. É uma polícia que faz a limpeza do sangue impuro, o sangue negro nas favelas, e que viola cadáveres. Tudo indica que o corpo de Cláudia estava sendo levado para algum cemitério clandestino, onde foi enterrado o pedreiro Amarildo. Quando os PMs vão revelar o lugar macabro que enterraram Amarildo? Este cemitério clandestino foi usado pela ditadura militar?

 

Desenho n. 110 - AMANDA SALAMANDA
110) AMANDA SALAMANDA
109) GABRIELA BISCÁRO
109) GABRIELA BISCÁRO
108) FERNANDA GUEDES
108) FERNANDA GUEDES
107) ANA BARCELLOS
107) ANA BARCELLOS

106) VANESSA CARVALHO

105) PROFESSORA CRISTIANE SCHIFELBEIN E ALUNOS Patrícia, Taina, Pamela, Paola e Gabriela
105) PROFESSORA CRISTIANE SCHIFELBEIN E ALUNOS
Patrícia, Tainá, Pamela, Paola e Gabriela
Anderson
Anderson
Edvan, Mateus, Diego e Ana
Edvan, Mateus, Matheus, Diego e Ana
Lethycia
Lethycia
Lindsay. Luiza, André, Everton, Helena e Márcio
Lindsay. Luiza, André, Everton, Helena e
Márcio
Paula
Paula
Kelvin
Kelvin
Marvin
Marvin
Senira
Senira

Minha turma de Composição Visual, composta por alunos dos cursos superiores de Design de Produto, Design de Moda, Design Gráfico e Produção Multimídia da FTEC Faculdades de Caxias do Sul/RS, parou hoje para participar e somar no movimento 100 vezes Claudia que vocês propuseram.
Seguem alguns dos trabalhos dos brasileiros que não querem mais ver e nem viver preconceito de qualquer tipo e se unem para dizer basta!

Somos todos CLAUDIA: Ana Ariel, Anderson, Andre, Diego, Edvan, Everton, Francine, Gabriela, Helena, Jaqueline, Kelvin, Lethycia, Lindsay, Luiza, Luiza Q., Marcio, Marvin, Mateus, Matheus, Pamela, Paola, Patricia, Paula, Senira, Shirley, Tainá, Vanderlei.

104) MIKA TAKAHASHI
104) MIKA TAKAHASHI
103) LUALLA ALVES
103) LUALLA ALVES
102) LAURA ATHAYDE
102) LAURA ATHAYDE
101) ITALO ROCHA
101) ITALO ROCHA

Jovem negro é espancado e morto por populares no Espírito Santo

Por Douglas Belchior

 

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O corpo negro ensanguentado e o olhar assustado que você na foto é do menino Alailton Ferreira, de 17 anos, cercado por um grupo armado com pedras, barras de ferro e pedaços de madeira. Momentos depois, ele seria foi alvo de um espancamento coletivo. Desacordado, foi levado ao hospital, mas não resistiu e morreu na noite de terça-feira (8).

Aos gritos de “mata logo” e de vários xingamentos, o espancamento aconteceu às margens da BR 101, na tarde do último domingo (6), no bairro de Vista da Serra II, cidade de Serra, há cerca de 30km da capital Vitória, no Espírito Santo. Só depois de duas horas de muita violência, a Polícia Militar chegou ao local, colocou o jovem na viatura e o levou até a Unidade de Pronto Atendimento. “Os policiais militares descreveram no boletim de ocorrência que foi necessário utilizar spray de pimenta para conter os populares” disse o delegado-chefe do DPJ, Ludogério Ralff. Leia mais 

 

Dois grupos de PMs atuaram no assassinato de Cláudia: um que atirou e outro que carregou o cadáver

O trio que assassinou Cláudia Silva Ferreira, no Morro da Congonha, no Rio de Janeiro, jamais foi preso.

Apenas o trio que carregava o cadáver, possivelmente, como aconteceu com Amarildo, para um cemitério clandestino, teve uma prisão relâmpago, para enganar os bestas. Aconteceu de serem filmados.

O trio assassino e o trio violador de cadáver são partes de uma mesma quadrilha de soldados bandidos. Dois, comprovadamente, seriais quillers.

OS ASSASSINOS

Relata testemunha: “Os policiais dobraram a esquina e deram de frente com Cláudia (ela tinha saído de casa para comprar leite e pão). Um deles apontou a arma (um fuzil) e atirou umas seis vezes”. Falta investigar, conforme foi noticiado, se apenas três PMs participaram da execução.

OS COVEIROS  

Relata testemunha: “O corpo da Cláudia ficou abandonado na rua por mais de meia hora (um tiro penetrou o coração). Os policiais voltaram na maior calma”.

Assim o cadáver foi colocado em uma viatura policial. Afirmam os policiais coveiros que iam levar o cadáver para um hospital. O lugar menos provável para fazer desaparecer um defunto, quando apenas existiam dois destinos possíveis: o necrotério, para a autopsia, ou um cemitério clandestino, que o Rio de Janeiro é a capital dos desaparecidos. Tornou-se uma ação costumeira a velha expressão popular: negro não morre, desaparece.

brutaalidade AA

 

por Advogados Ativistas

████████████████ O Ministério Público Militar acatou o pedido de liberdade dos três PMs envolvidos na morte de Cláudia Silva Ferreira. De acordo com várias testemunhas, dentre elas alguns familiares, Cláudia foi executada sem qualquer motivo aparente e existe o vídeo chocante dela sendo arrastada pelas ruas do Rio. Mesmo assim o promotor do caso afirmou que não há elementos para mantê-los presos.

Não é novidade para ninguém que a polícia brasileira executa os cidadãos e camufla o fato sob autos de resistência. Um ponto importante que justifica esta ação é exatamente o “resgate” dos feridos, que na maioria das vezes já chegam mortos aos hospitais. Em São Paulo, após a proibição de o resgate ser feito por PMs, o número de mortos em confrontos caiu 35% de 2012 para 2013. Esta medida talvez tenha inibido a chacina escancarada que é promovida, porém, está longe de ser a solução.

Mesmo com tais fatos sendo públicos e notórios, o Ministério Público acha que não há elementos para manter os acusados presos. Voltando um pouco no tempo, mais precisamente em setembro de 2013, neste mesmo Rio de Janeiro, diversos manifestantes foram presos e encaminhados a Bangu, permanecendo por diversos dias presos. Como justificar esta seletividade?

Em um caso bastante parecido, assaltantes arrastaram e mataram o garoto João Hélio, de 06 anos, e a comoção foi enorme, a pauta novamente era o endurecimento de penas, redução da maioridade penal. A diferença para o caso da Claudia é que os autores eram pobres e negros, além da vítima ser uma criança filha de pessoas da classe média. Não que a histeria resolva a questão, mas o silêncio atual é bastante sintomático.

Países com melhor saúde democrática que a nossa estão menos suscetíveis ao bom humor de governantes e opinião pública. A lei anda em linha reta, os cães ladram, mas a caravana não para. Demos aqui alguns exemplos da falta de critério que acomete nossos órgãos e representantes públicos. A ação estatal de brutalização e restrição de direitos vai ser para sempre uma regra enquanto a seletividade continuar imperando.

Cláudia e as duas juízas

Depois de preso a um poste por uma trava de bicicleta, cortaram a orelha do menino do Rio

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Um grupo de jovens das classes média e alta espancou, tirou a roupa e amarrou um jovem negro pelo pescoço num poste no Rio de Janeiro.

O garoto de 15 anos, depois de preso por uma trava de bicicleta, foi covarde e brutal e desumanamente torturado. Sofreu diversos cortes pelo corpo, e teve a orelha cortada. Ele foi acusado (sem provas) de praticar roubos na região.

O caso foi relatado pela coordenadora do Projeto Uerê, Yvonne Bezerra. Após ter encontrado o menor, ela ligou para os bombeiros que o soltaram.  Alvo de críticas, Yvonne, que trabalha com a causa dos direitos humanos desde a década de 80, declarou: “Eu não quero saber se ele é bandidinho ou bandidão, você não pode amarrar uma pessoa no meio da rua. Aquela área do Flamengo teve um aumento muito grande de violência e roubos recentemente. Como as coisas não melhoram, um bando de garotões se juntam e começam a fazer justiça pelas próprias mãos. Sei que tem muita marginalidade e a polícia é ineficaz, mas você não pode juntar um grupo e começar a executar pessoas”.

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‘Eu, não, meu senhor’

Menino preso a poste no Rio descende de homens livres, mas a chibata continua lá: dentro da alma

por José de Souza Martin

Era de noite. Foi no Flamengo. Trinta marmanjos chegaram em 15 motos. Os quatro adolescentes caminhavam para Copacabana, “para tomar um banho de mar”. “Era (um) fortão e tinha um magrinho. O magrinho já chegou jogando a moto em cima. Vou matar! Vou matar os quatro!” A moto e a enturmação fizeram o magrinho ficar fortão e valente. O magrinho foi acusando: “Bando de ladrão, fica roubando bicicleta dos outros”. Três dos garotos conseguiram fugir. O menino de 15 anos, não. Nenhum deles estava de bicicleta.

Desde quando seus antepassados foram trazidos da África, empilhados em navios negreiros, para serem vendidos no Valongo depois de estirados na praia para destravar o corpo, o menino negro sabe quem manda e quem obedece. O tronco e a chibata no lombo de seus antepassados surraram também sua memória e lhe ensinaram as lições que sobrevivem 125 anos depois da liberdade sem conteúdo da Lei Áurea. A lei que libertou os brancos do fardo da escravidão antieconômica. Mais de um século depois, o menino ainda sabe como é que se fala até mesmo com moleque que herdou os mimos da casa-grande: “Eu não, meu senhor, todo mundo aqui é trabalhador”, defendeu-se.

Esse menino descende de homens livres há mais de um século. Mas a chibata ficou lá dentro da alma, ferindo, dobrando, humilhando, criando desconfiança, ensinando artimanhas de quilombo para sobreviver. Esse “meu senhor” diz tudo, fala alto, grita na consciência dos que a tem. Esse “meu senhor” desdiz a liberdade, desmente a Lei Áurea, nos leva de volta aos tempos da senzala, do tronco e do pelourinho. Esse “meu senhor” expressa uma liberdade não emancipadora, que não integrou o negro senão nas funções subalternas de uma escravidão dissimulada, mas não na ressocialização para a liberdade e para a cidadania. Quem acusa o menino não sabe que a sociedade não pode colher o fruto que não semeou.

No dia 13 de maio de 1888 não libertamos ninguém. Continuamos todos escravos da escravidão que não acaba, da moral retorcida que nos legou, da consciência cindida que nos faz crer que somos uma coisa sendo outra. No mundo novo da liberdade abstrata de um contrato fictício não podemos nos encontrar porque não encontramos o outro, não podemos ser livres porque não nos libertamos no outro, não podemos ter direitos de que os outros carecem.

O menino levou uma surra de capacetes. “Bateu, bateu”, disse ele a uma repórter. Desmaiou. Foi ferido a faca na orelha. Com uma trava de bicicleta, foi amarrado pelo pescoço num poste. Coisa de gente muito valente, coisa de macho: 30 homens contra um menino franzino. E na Câmara dos Deputados houve quem se orgulhasse disso. Confessou um deputado mais inclinado ao justiçamento do que à Justiça: “Praticou um ato corajoso quem deu uma surra nesse vagabundo, porque os moradores estão cansados de serem roubados e assaltados por essa gentalha”. Isto é, gentinha, populacho, ralé. O mesmo tratamento que tinha vigência antes da lei do 13 de Maio, quando o escravo era considerado coisa, semovente, mercadoria, um ser abaixo da condição humana. Mero animal de trabalho, com a diferença de que das azêmolas diferia porque falava, gemia, chorava, sabia.

A Lei Áurea trouxe implícita a igualdade jurídica do negro liberto, coisa que não ficou muito clara na Constituição de 1891, que condicionou a cidadania ao ter propriedade e ao ser alfabetizado, não ser mendigo, não ser mulher, não ser praça de pré. A igualdade do 13 de Maio era, portanto, uma igualdade relativa. Porém, quem não é igual não pode ser livre. O deputado que agora, no próprio Parlamento, se congratula com os agressores do menino negro, revoga a Lei Áurea, restaura a inferioridade social do cativo e dos filhos e herdeiros do cativeiro. Traz de volta o feitor.

O Estado brasileiro, de que o deputado é membro e privilegiado beneficiário, é um Estado omisso, descumpridor das próprias leis que inventa e promulga. A delinquência juvenil é fruto dessa omissão e do desamparo que engendra e alimenta. Mas fruto, também, da pseudocidadania dos atiradores de pedra e dos linchadores, dos que reclamam direitos, omitindo-se quanto aos deveres correspondentes. No próprio caso ocorrido no Flamengo, alguns boyzinhos de 14 que foram presos e já estão soltos declararam que patrulham “o Aterro em busca de potenciais autores de delitos”. O caso do menino deixa claro que os “potenciais autores de delitos” têm cor e raça. O vigilantismo reacionário ergue uma muralha de terror para criar um território fechado e excludente, só deles. Uma pátria particular, impatriótica.

O menino foi libertado pelos bombeiros que o socorreram. Tiveram que usar maçarico para cortar o cabo de aço que lhe atava o pescoço ao poste. Foi levado para o hospital. De lá fugiu e foi espontaneamente se apresentar na casa abrigo da prefeitura do Rio. Os agressores louvados pelo deputado não se apresentaram em lugar nenhum. Fugiram. Por aí se vê que ao menos o menino tem recuperação.

Grupos de extermínio e justiceiros: “O que chamam de bandido? O pobre, negro, favelado”

“Há ainda muito apoio a grupos de extermínio e justiceiros”

latuff

 

Pesquisadora da violência urbana desde os anos 1970, a antropóloga Alba Zaluar vê com preocupação a legitimação do comportamento dos jovens justiceiros pelas classes média e alta. Coordenadora do Núcleo de Pesquisa das Violências da Universidade do Estado do Rio (Uerj), ela defende que se ensine às crianças a importância das leis.

Achar normal que se prenda um jovem supostamente infrator num poste diz o que sobre nossa sociedade? É algo que ocorre no Brasil todo. Não é um fenômeno do Rio, da classe média. Tem muito apoio a justiceiro, grupo de extermínio. Veem de forma imediatista e preconceituosa. Bandido bom é bandido morto? O que chamam de bandido? O pobre, negro, favelado.

Por que o brasileiro é tão tolerante com esses abusos? Temos de dar aulas de cidadania e civilidade às crianças, ensinar o que é tolerância, respeito. Tem de ter um professor que mostre como as coisas funcionavam antes da polícia e da democracia. Esse tipo de vingança é interminável. Não tem vida dentro de uma cidade com milhões de pessoas sem que existam leis.

Como responder a quem argumenta que é preciso agir com as próprias mãos porque a polícia e a Justiça são falhas? A justiça pelas próprias mãos é própria de uma sociedade que não funciona como deveria. Não há democracia sem polícia, mas tem de ser uma polícia que esteja agindo corretamente.

QUANDO O CRATO VOLTOU A SER SENZALA
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negro amarrado poste

No dia 06 de fevereiro de 2013, às 15h, na Rua Bárbara de Alencar, centro comercial do Crato, Francisco do Nascimento foi amarrado por dois homens a um poste e assim permaneceu durante duas horas. O motivo: em surto, teria quebrado vidraças de lojas.

Francisco do Nascimento, morador do bairro São Miguel possui histórico de outros atentados, como pôr fogo no carro de um vizinho. Ele também possui diversas entradas no Hospital Psiquiátrico Santa Tereza. Segundo a sobrinha, a família não sabe mais o que fazer com Francisco do Nascimento: no hospital não há vagas e ele se torna cada vez mais violento.

Durante as duas horas em que ficou amarrado, algumas pessoas tentaram libertá-lo, ato que foi violentamente rechaçado pelos homens que o prenderam. No mais, a multidão, estonteada, admirava estupidamente o espetáculo do homem que gritava, rugia e pedia por socorro. Diversas autoridades estiveram no local, a exemplo de soldados do Ronda que não o saltaram alegando que não o homem amarrado não era de sua competência.

Por fim, soldados do Corpo de Bombeiros o desamarraram e encaminharam Francisco ao único hospital psiquiátrico de toda região. Chegando ao Santa Tereza foi admitido e medicado. No dia seguinte, atendido pela psicóloga Leda Mendes Pinheiro, reclamou da forma com que foi tratado e principalmente por nem água ter bebido. Segundo ele, sua intenção era juntar o lixo da rua. Tudo se transformou em caso de polícia quando os lojistas foram hostis e ele reagiu com hostilidade. Ainda segundo a psicóloga ele estava bem, orientado e participando das atividades.

Entretanto, há um outro histórico que pesa sobre Francisco do Nascimento: nasceu negro e pobre. E pior: necessita de acompanhamento psiquiátrico. Dessa forma, por ser negro, pobre e louco, Francisco do Nascimento pôde ser amarrado, exposto a ridicularização pública e violentado em sua dignidade humana , tal qual seus ancestrais.

De minha parte, só não podia acreditar que, após tantos séculos, ainda iria presenciar um negro sendo imolado em praça pública.

Viva o Crato! Viva o Brasil!