A EXECUÇÃO DO BAILARINO DOUGLAS RAFAEL DA SILVA PEREIRA, POR UMA POLÍCIA DESPREPARADA, “COM LICENÇA PARA MATAR”

por George Sanguinetti

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Acostumada com a farsa, a primeira versão da Polícia Civil foi “que a vítima, segundo boletim médico feito no local, indica que os ferimentos de Douglas são compatíveis com morte ocasionada por queda”.

Desconheço boletim médico elaborado na ocasião em que corpos são encontrados. Creio que é uma criação da Polícia, para ocultar a violência cotidiana.

Não existe boletim médico de local. Só com o corpo no IML, se esclarece a causa da morte.

Quando no IML, foi encontrado ferimento por arma de fogo, na região lombar, cujo projétil, transfixou, saindo pelo ombro, após produzir laceração no pulmão e hemorragia interna.

Fica claro que o tiro foi deflagrado, com a vítima de costas, desarmada, sem condição de oferecer qualquer resistência ou perigo aos policiais.

O tiro, disparado pelas costas, fez com que o projétil tivesse um trajeto (percurso no interior do corpo) de traz para a frente, de baixo para cima, assim foi feita a bárbara execução, sem nenhuma possibilidade de defesa. Jamais resultou de troca de tiros entre policiais e traficantes. E o PAF, ou seja, a perfuração por arma de fogo, é compatível com disparo de pistola ponto 40. Quando este dado técnico foi divulgado, o esforçado pacificador Dr. Beltrame, Secretário de Defesa Social, apressou-se em desmentir o comunicado oficial, inicial da Polícia Civil, que a morte resultou de queda.

Segundo depoimento de amigo, teria sido confundido com traficante e espancado até a morte, por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora. A mãe, senhora Maria de Fátima da Silva, observou no corpo do filho, marcas de chutes, sinais de espancamento e que estava em posição de defesa. Se, presente o descrito, mais selvagem a execução, pois precedida de tortura e depois executada com tiro pelas costas.

Em protesto, na noite de terça-feira, dia do sepultamento de Douglas, foi assassinado com tiro no rosto, seu amigo Edilson da Silva Santos. Por que a Polícia para conter o protesto não utilizou bala de borracha, gás, etc? Por que munição letal?

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DG enterro

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A Polícia age com a população como nos filmes de James Bond, “agentes com licença para matar”.

Isto foi ensinado durante a formação do policial? Ou é autorização dos superiores, para pacificar regiões mais pobres da cidade?

As Polícias têm que ser policiadas. Quantas e quantas vítimas “dos que tem licença para matar”!

Eis um trabalho para as Forças Singulares: Comandar, como já ocorreu, as Polícias, fazendo-as retornar aos limites da lei. Não há pena de morte no Brasil. E os sacrificados, geralmente são inocentes.

 

 

 

O enterro de um torturador abandonado pelos comparsas de 21 anos de ditadura e mais um risível laudo policial

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Tudo que o coronel Paulo Malhães fez em vida terminou acontecendo na hora da morte.  Faleceu sozinho, depois de duas ou oito horas de tortura, e enterrado sem os velhos amigos dos porões do golpe de 64. Apenas 51 pessoas acompanharam o cadáver. A única diferença que o corpo foi entregue aos familiares para o sepultamento. Que o Brasil continua com milhares de desaparecidos ocultados em valas comuns nos cemitérios oficiais e clandestinos. Ou os corpos jogados no alto mar. Ou cremados em fornos de fábricas de empresários que financiaram o CCC – Comando de Caça aos Comunistas.

A imprensa publica hoje o press release da polícia: O coronel reformado do Exército morreu de “causas naturais, vítima de edema pulmonar, isquemia de miocárdio e miocardiopatia hipertrófica”, conforme a Guia de Sepultamento do militar entregue, ontem, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, onde foi sepultado. Isso apenas contasta o óbvio:  o ancião, quem tem mais de 70 anos, não suportou a tortura.

O documento, que é necessário para que o enterro seja realizado, contraria algumas linhas de investigação da polícia, que apura se houve violência na morte do militar, e avaliação da Comissão da Verdade do Rio, que classificou o óbito como “queima de arquivo”.

Coronel foi enterrado na tarde deste sábado
Coronel foi enterrado na tarde deste sábado

 

O coronel confessor ter participado de assassinatos, torturas e desaparecimentos durante a ditadura. Em depoimento à Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense, a mulher dele, Cristina Batista Malhães, e o caseiro deles, Rogério, que não teve divulgado seu sobrenome, afirmaram que chegaram ao sítio em Nova Iguaçu às 14h de quinta-feira e encontraram três homens na casa. Um estava encapuzado – mascarado porque conhecido – e rendeu Cristina, outro imobilizou o caseiro e o terceiro levou Malhães para um quarto. A polícia calcula que Malhães morreu por volta das 16h — duas horas depois da rendição. Considero um escárnio quando a polícia “calcula”.

Segundo os depoimentos, os homens que ficaram com Rogério e Cristina mandavam que eles mantivessem a cabeça abaixada. Foram roubados do sítio um computador, uma impressora e pelo menos três armas antigas — uma de cano longo e duas de cano curto. Na primeira versão da morte, para fortalecer a tese de latrocínio, foi dito que Malhães era um “colecionador de armas”.

Parece piada: O delegado Fábio Salvadoretti disparou que na região há quadrilhas de traficantes que poderiam ter interesse nas armas. Os assassinos buscavam o computador e documentos.

Cristina e Rogério disseram que não ouviram gritos de tortura vindos do quarto, e que foram libertados, gentilmente, pelos próprios invasores quando eles deixavam a casa, depois de oito ou nove horas. O coronel foi amordaçado.

Um mês antes de morrer, Malhães falou sobre o desaparecimento dos restos mortais do deputado federal Rubens Paiva, em depoimento à Comissão Nacional da Verdade no dia 25 de março. Também informou que agentes do Centro de Informação do Exército (CIE) mutilavam corpos de vítimas da repressão na Casa da Morte (Petrópolis) arrancando arcadas dentárias e pontas dos dedos para impedir identificação.

Ontem, o administrador Joaquim Sarmento Souza, 25, afilhado do coronel, relatou uma conversa que teve com a viúva do militar, logo após o crime, na qual ela afirmou que os criminosos citaram ter ordens para “matar ele”. “A mulher dele (Cristina) contou que os bandidos se falavam o tempo todo por rádio. E recebiam ordens: ‘Ainda não matou ele? Tá demorando muito. A ordem é matar ele’. Perguntavam se o meu padrinho não lembrava da família que ele matou em (Duque de) Caxias e ele respondia que não”, disse Souza. Fica a pergunta: por que demoraram nove horas?

O rapaz diz crer que o crime foi motivado por vingança, de uma das vítimas torturadas no passado ou de algum ex-empregado de Malhães, já que o oficial se desentendia com frequência com eles. “Ele sempre teve muito problema com funcionário, desde o cara que cuidava dos animais ao que capinava o mato no entorno da casa”, lembrou. Um empregado de salário mínimo com equipamento moderno de comunicação e, pelos menos, dois veículos.

Mais velha dos cinco filhos do coronel, Karla Malhães, afirmou que o pai tinha alguns problemas de saúde e inclusive era hipertenso “o que é normal para a idade”, destacou. Na última quinta-feira (24) quando foi encontrado no sítio em que morava com a mulher Cristina Batista Malhães, o corpo de Malhães estava de bruços, com o rosto contra o travesseiro e apresentava sinais de cianose, característicos de sufocamento.

Carla Malhães afirmou que o depoimento do pai, confessando ter participado de crimes durante a ditadura, acabou “expondo ele mesmo e toda a família. “O depoimento dele foi muito contundente. Nós mesmos nos surpreendemos”.

Karla acrescentou que a família não tem acompanhado o andamento das investigações. “Não pensamos em nada disso (investigação). Isso é com a polícia. Estamos nos despedindo de nosso pai”. Ela disse que os filhos não sabiam do papel exercido pelo pai durante a ditadura. “Para nós ele era apenas pai. E um bom pai. Para vocês, era um coronel da ditadura. É tudo muito doloroso”, acrescentou a filha.

Irmão mais novo de Karla, Paulo Malhães Junior afirmou que o pai nunca falou sobre possíveis ameaças. “(Ele) não chegou a comentar nada. Não sabemos de nada. Estamos tão perdidos quanto vocês (sobre as motivações do assassinato)”.

"Nós acabamos de enterrar nosso pai, o marido da Cristina. O coronel, o tirano, fica para vocês", disse Karla Malhães, uma das filhas do coronel
“Nós acabamos de enterrar nosso pai, o marido da Cristina. O coronel, o tirano, fica para vocês”, disse Karla Malhães, uma das filhas do coronel

Escreveu Vania Cunha: “Um homem controverso

Aos 77 anos, completados há uma semana, Paulo Malhães vivia recluso em seu sítio em Nova Iguaçu há quase três décadas. Recebia poucas visitas e morava apenas com a mulher. O homem que chocou o Brasil ao dizer que matou ‘tantas pessoas quanto foram necessárias’ durante a ditadura agora passava os dias cuidando dos cachorros e cultivando uma coleção de orquídeas.

Nos últimos 30 anos, o militar vivia recluso no sítio de Marapicu. Ultimamente, tinha poucos contatos com os filhos e morava só com a mulher. Foto:  Juliana Dal Piva
Nos últimos 30 anos, o militar vivia recluso no sítio de Marapicu. Ultimamente, tinha poucos contatos com os filhos e morava só com a mulher. Foto: Juliana Dal Piva

Nos últimos dois anos, estava com os movimentos limitados devido a uma queda durante uma reforma da casa. Passava os dias sentado nas cadeiras da varanda . A relação com a família era distante. Ele tinha cinco filhos e estava no sexto casamento. Colocado na reserva em 1985, logo após o fim da ditadura, Malhães guardava uma imensa mágoa do Exército, por quem dizia ter sido abandonado. Um dos maiores orgulhos do coronel Malhães era o que dizia ser a sua especialidade: formar infiltrados. ‘Eu adorava meu trabalho’, costumava dizer.

Ex-chefe do DOI-Codi assassinado em 2012

O coronel reformado Paulo Malhães não é o primeiro militar ligado ao desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva a ser assassinado. Em 1º novembro de 2012, o coronel da reserva Júlio Miguel Molina Dias, de 78 anos, ex-chefe do Departamento de Operações de Informação do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) no Rio, foi morto com seis tiros quando chegava de carro a sua casa em Porto Alegre.

Peritos encontraram num arquivo pessoal de Molina documentos comprovando que, levado por uma equipe do Centro de Inteligência da Aeronáutica em 20 de janeiro de 1971, Paiva desapareceu numa estabelecimento do Exército.

O militar gaúcho havia sido chefe do DOI-Codi carioca até início dos anos de 1980. As anotações estavam em uma folha de ofício já amarelada pelo tempo e havia sido retirada do arquivo que as Forças Armadas negam existir.

No ano passado, a Justiça gaúcha condenou dois policiais da Brigada Militar pelo crime. Eles teriam matado Molina para roubar 20 armas que o militar guardava em casa”.

Para mídia europeia, morte de coronel Malhães é queima de arquivo

A morte de Malhães tem repercussão na mídia internacional. O jornal espanhol El Pais afirma que “as feridas da ditadura militar brasileira seguem abertas e ainda há muitas coisas para saber sobre esse período, trinta anos após a redemocratização do país”. O jornal comenta que “as pessoas que mataram Malhães podem ter pretendido mandar um recado a todos os convocados a testemunhar na Comissão da Verdade”. El Pais evoca a frieza com que Malhães relatou à CNV as mutilações que executava nos presos políticos para evitar sua indentificação.

O jornal O Público, de Portugal, diz que “a morte de Paulo Malhães trouxe a lembrança do caso de Júlio Molinas Dias, outro ex-coronel que foi morto em novembro de 2012 na porta de casa”. O diário português reproduz comentários de membros da CNV que atribuem a morte de Malhães a uma queima de arquivo.

Queima de arquivo

Segundo Pedro Dallari, no longo depoimento que o coronel concedeu à CNV no dia 25 de março, “ficou evidente que ele dispunha de mais informações”. Na opinião de Dallari, “o assassinato de Malhães deve ter sido praticado com a finalidade que ele não voltasse a depor e e também para inibir o depoimento de outras testemunhas que poderiam colaborar ou que ainda podem colaborar com os trabalhos da Comissão da Verdade”. Uma clássica queima de arquivo.

 

Foto prova que DG foi executado pela polícia do Rio de Janeiro

Laudo mentiroso da Polícia Civil informou que as lesões no corpo do dançarino eram ‘compatíveis com a queda de um muro’

Antes da execução, um policial berrou: “Quem? O DG do Esquenta? Eu sei em que esquenta ele trabalha. Ele também é bandido”

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Uma foto divulgada pelo jornal Extra nesta sexta-feira (25) confronta a versão dada pela polícia de que não era possível saber que o dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, do programa Esquenta, havia sido baleado.

Na imagem, é possível identificar a perfuração da bala que entrou pelas costas e saiu pelo braço direito do dançarino. DG morreu depois de ter o pulmão perfurado pela bala. Laudo da Polícia Civil informou que as lesões no corpo do dançarino eram ‘compatíveis com a queda de um muro’.

 

A visívil e incofundível marca de bala
A visível e inconfundível marca de bala

Até quando a polícia vai continuar com suas versões furadas e com os laudos risíveis para esconder assassinos?

Esses procedimentos criminosos devia ser punidos pela justiça sempre tarda e falha.

Publica o Correio da Bahia: Em entrevista divulgada pelo Jornal Nacional, o delegado Gilberto Ribeiro, da 13ª DP (Ipanema), explicou que o perito disse que não havia perfuração no corpo do dançarino.

“Foi um comentário que o perito fez no local para os nosso policiais, que não teria encontrado. Mas quando a pessoa está machucada e existem crostas de sangue, é difícil para um perito que não vai lavar o corpo identificar um orifício de entrada ou de saída. Isso não necessariamente é uma falha da perícia, é uma contingência da situação”, disse o delegado.

Segundo a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), os policiais não sabiam que o rapaz havia sido morto e só descobriram o corpo depois, junto com peritos da Polícia Civil. Um procedimento apuratório foi aberto pela CPP. [Ninguém acredita em “procedimento apuratório” da polícia]

 

Enterro de dançarino termina em protesto contra polícia

 

Revolta do povo no enterro
Revolta do povo no enterro

A mãe do dançarino, Maria de Fátima da Silva, afirmou, ontem, que seu filho “ia virar outro Amarildo” se os moradores não tivessem interferido na hora em que PMs estavam na creche em que o corpo foi encontrado.

Durante o velório, a mãe do dançarino afirmou que vai recorrer à ONG Anistia Internacional para “levantar a bandeira dos direitos humanos no Brasil e pedir justiça por meu filho”. Ainda no velório, o bombeiro civil e funkeiro Paulo Henrique dos Santos afirmou que estava com o dançarino em uma festa na comunidade na noite do último sábado quando, por volta das 4h, uma guarnição da PM lotada na UPP local fez ameaças a ele e ao dançarino.

“Eles chegaram e nos chamaram de bandidos, afirmando que a gente só vivia no meio de bandidos. Acontece que, por sermos famosos, as pessoas da comunidade se aproximam sempre que estamos aqui”, disse Santos, aumentando a crença de um crime premeditado.

No entanto, o delegado Gilberto Ribeiro, responsável pelas investigações sobre a morte de DG, disse, ontem, que nas análises da perícia feitas até o momento não há indícios de espancamento, e que o rapaz pode ter sofrido escoriações durante queda de uma laje.

 

Mãe de dançarino do ‘Esquenta’ afirma que moradora viu morte de filho

A mãe do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, de 26 anos, Maria de Fátima da Silva, de 56, afirmou que uma moradora do morro assistiu o momento da morte de DG.

Maria de Fátima tenta convencer a mulher a prestar depoimento na 13ª Delegacia de Polícia (Ipanema). “Ela assistiu a toda a tortura, me falou como foi (a morte). Ele levou o tiro e terminou de ser morto na creche. Meu filho foi assassinado com requintes de crueldade”, disse.

Moradores contaram que o dançarino, que não mora no morro, decidiu ir embora de uma festa após ouvir tiros. A favela estava sem luz. Amigos teriam pedido que Douglas seguisse um caminho alternativo e ele teria respondido que seguiria pela via principal porque “era um trabalhador e tinha o direito de ir e vir”. No caminho, Douglas foi atingido por uma bala nas costas que atravessou o pulmão e saiu pelo ombro direito.

De acordo com relatos de moradores para Maria de Fátima, policiais civis e militares foram até a creche na manhã de terça porque “pretendiam sumir com o corpo do meu filho”. Os moradores desconfiaram da movimentação na creche durante o feriado prolongado e foram ao local.

Ao perceberem que o corpo era de Douglas, começaram a protestar para que ele não fosse retirado do local. “Se passaram muitas horas desde que ele morreu. O local foi mexido. O corpo do meu filho estava molhado e não tinha chovido naquele dia. Eu não sou leiga.”

Maria de Fátima afirmou que haverá duas manifestações pacíficas contra a morte de Douglas: uma de mulheres vestidas de branco e outra de mototaxistas que trabalharam com DG no Pavão-Pavãozinho e no morro Dona Marta.

 

Amigo de dançarino morto no Rio diz que eles sofreram ameaças de PMs

O artista e bombeiro civil Paulo Henrique dos Santos, de 37 anos, amigo de Douglas, foi nesta quinta-feira (24) à delegacia para denunciar que os dois sofreram ameaças de policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Pavão-Pavãozinho, na zona sul da capital fluminense, no sábado de madrugada (19).

A informação sobre a ida à delegacia é do advogado da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Rodrigo Mondego, que acompanha o caso. Santos informou mais cedo que foi abordado por policiais que o chamaram de bandido.

“Uma guarnição da UPP Pavão-Pavãozinho composta de nove militares chegou para mim e ficou falando que eu era bandido, que eu era vagabundo, que vivia no meio de um monte de marginal”, relatou o artista, que disse morar na comunidade há 37 anos.

O bombeiro civil contou que, no momento da ameaça, eles estavam acompanhados por integrantes do Bonde da Madrugada, grupo em que DG dançava. “Eu falei pra ele [policial]: ‘Ali na frente onde eu estava, onde o senhor está falando que tem um monte de bandidos, de traficante, tem pessoas do bem, inclusive pessoas do Bonde da Madrugada, da [apresentadora] Regina Casé, do [programa da TV Globo] Esquenta’.”

Santos relatou que disse ao policial que ele e DG gravariam um clipe. “Ele falou: ‘Quem? O DG do Esquenta? Eu sei em que esquenta ele trabalha. Ele também é bandido’.”

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Enterro com passeata e muita repressão
A comoção provocada pelo enterro do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, deu lugar à revolta provocada por testemunhos que indicam que o dançarino foi assassinado por policiais.

Um grupo de pessoas que participaram da cerimônia realizaram, na tarde de ontem, uma passeata fechando ruas na região de Copacabana. Houve um princípio de tumulto por volta das 16h30, quando policiais militares do Batalhão de Choque usaram bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral contra os manifestantes.

 

Policiais chamaram DG de bandido na frente de músicos e bailarinos
Policiais chamaram DG de bandido na frente de músicos e bailarinos

Romântica e amorosa prisão, na Bahia, do porteiro que acendeu a bomba que matou o cinegrafista Santiago. Teve beijinhos e abraços da namorada que viajou no mesmo avião com a polícia, advogado e TV Globo

Versão da Revista Veja: [O porteiro] Caio Silva de Souza, o suspeito de acender e disparar o rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade, da Rede Bandeirantes, durante protesto no Rio de Janeiro, foi preso em Feira de Santana, na Bahia.

Caio Silva de Souza foi localizado em uma pousada perto da rodoviária da cidade, que fica a 116 quilômetros da capital Salvador.

A prisão foi feita por volta das 3 horas (2 horas na Bahia) pelo delegado Maurício Luciano, responsável pelo caso. Ele estava acompanhado pelo advogado Jonas Tadeu Nunes. Em entrevista à GloboNews, o delegado afirmou que o suspeito estava sozinho no quarto da pousada no momento da prisão, assustado e nervoso. “Com ajuda do advogado (Jonas Tadeu), ele se entregou. Não houve resistência”.

Além do delegado, a operação para prender o rapaz teve a participação de outros quatro policiais civis do Rio. A namorada dele também estava presente. Confira 

A Globo filmou a prisão e escondeu a namorada do porteiro
A Globo filmou a prisão e escondeu a namorada do porteiro

Versão do JC Net: O recepcionista da pousada Hergleidson de Jesus Moreira disse que Souza se hospedou por volta das 16h de terça-feira (11) com o nome de Vinícius Marcos de Castro. Ele não soube informar se o suspeito apresentou algum documento porque não estava trabalhando no momento do check-in.

Por volta das 22h, o recepcionista conta que um homem ligou para a pousada dizendo ser irmão de Souza. Ele disse para o recepcionista que chegaria mais tarde para se hospedar e pediu para falar com o suspeito.

Segundo Moreira, por volta das 3h (horário de Brasília) chegaram na pousada policiais civis, acompanhados do advogado e da namorada do suspeito. Após a mulher e o advogado conversarem com o manifestante, ele deixou o quarto acompanhado por dois policiais civis.

O REENCONTRO DOS NAMORADOS

[O advogado] Jonas Tadeu disse: “Ele não foi preso, eu entrei no quarto com a namorada dele, conversamos e ele se apresentou à autoridade”. É importante salientar que Caio Silva de Souza não conhecia o advogado. Quem entrou primeiro no quarto: o advogado ou a namorada? Um idílico e saudoso e desesperado encontro que a imprensa censurou.

O monopólio da Globo (televisões, rádios e jornais impressos e online) esconde a namorada de Caio. Informa o G1: A prisão foi efetuada pelo delegado que investiga o caso, Maurício Luciano de Almeida e Silva. Ele estava acompanhado do advogado de Caio, Jonas Tadeu, que também defende outro rapaz envolvido no caso, Fábio Raposo, que está preso no Rio. Leia  

O advogado Jonas Tadeu defender os dois presos é uma situação bastante esquisita. Que um incrimina o outro. O Jonas é mais um advogado do diabo, para um dos presos. Presos que não conhecia. O que é mais estranho ainda (vale o trocadilho).

Esta exclusividade da Globo gerou uma briga com a Band, a mesma exclusividade que a Globo tinha garantida com as denúncias do “jornalista” e bicheiro Carlinhos Cachoeira. Uma briga que deixa no ar a pergunta: que avião foi usado na viagem para prender Caio na Bahia? O da Globo? O da polícia? Ou um avião de carreira? Melhor perguntado: a polícia deu carona aos jornalistas, ou a Globo patrocinou a viagem da polícia, mais advogado e namorada do preso?

BRIGA DE COMADRES

Escreve Daniel Castro/ Net:

A exclusividade da Globo no registro da prisão de Caio Silva de Souza, 25, suspeito de ter atirado o artefato explosivo que causou a morte do cinegrafista Santiago Andrade, na quinta-feira passada no Rio de Janeiro, gerou revolta nos bastidores da Band.

Os jornalistas da emissora não se conformam o fato de a Globo ter tido acesso com exclusividade a uma operação policial que prendeu um dos envolvidos na morte de um profissional da própria Band.

Protegidos pelo anonimato, eles acusam o Polícia Civil do Rio de Janeiro de privilegiar a Globo, como já ocorreu anteriormente em operações da Polícia Federal, como a que prendeu, em setembro de 2005, o ex-prefeito Paulo Maluf e seu filho, Flavio Maluf. Na época, o repórter Cesar Tralli se fantasiou de agente policial.

A Globo nega ter sido favorecida pela polícia. Em nota, diz que sua “equipe seguiu os investigadores, a partir de informações apuradas pela reportagem, profissionalmente”. A Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro não comentou até a conclusão deste texto.

A prisão de Souza foi acompanhada pela repórter Bette Lucchese, um cinegrafista e um técnico. Eles seguiram os policiais desde o Rio de Janeiro. Viajaram no mesmo avião que os policiais até Salvador e acompanharam os agentes de carro até Feira de Santana. Retornaram no mesmo avião e registraram toda a ação.

A versão da Globo de que seus jornalistas seguiram os investigadores não convence os profissionais da Band. “Se os jornalistas da Globo foram juntos com a polícia é porque foram convidados ou autorizados”, diz, revoltado, um repórter.

Quem conhece os bastidores das operações policiais sabe que repórteres não seguem investigadores. É a polícia que avisa quando realiza uma prisão ou operação especial. Do contrário, a polícia poderia impedir os jornalistas de segui-los, e até prendê-los, sob a acusação de tentativa de obstrução da Justiça.

A polícia também poderia impedir os repórteres sob o argumento de risco à vida.

A Globo enviou a seguinte nota:

“A equipe da TV Globo viajou em avião de carreira, pagando suas despesas, como é norma da emissora. Em terra, chegou até Feira de Santana, em táxi pago pela equipe. Não é verdade que a equipe foi convidada pela Secretaria de Seguranca. A equipe seguiu os investigadores, a partir de informações apuradas pela reportagem, profissionalmente. O jornalismo da Globo não obteve qualquer favorecimento. Desde o início da cobertura, a TV Globo vem dando informações em primeira mão sobre o caso, adotando os princípios de trabalhar com isenção, precisão e agilidade, observados pelo jornalismo da emissora.”

 “HÁ QUALQUER COISA NO AR, ALÉM DOS AVIÕES DE CARREIRA”

A frase é do Barão de Itararé. Esta exclusividade da TV Globo visa divulgar uma única versão do caso do assassinato do jornalista Santiago Dantas. A versão da Globo é a versão da polícia, e vice-versa.

Agora a história do avião não foi bem contada. E todo mundo sabe das ligações da Globo com o governador Sérgio Cabral.

A peça mais importante para prender Caio foi a namorada, que também não conhecia o advogado Jonas Tadeu.

Sei que rolou beijos e abraços no reencontro dos dois namorados. Nada mais natural.

A Globo das novelas picantes, do primeiro beijo gay, do primeiro beijo lésbico, das cenas de sexo no BBBrasil e novelas, esconde a presença da namorada de Caio.

Veja a entrevista. A jornalista Beth Lucchesi, da Globo, diz que estava no mesmo avião com a polícia e Caio. Clique aqui

Beth não cita a namorada. Como foi a viagem de volta dos namorados?

Lei antiterrorismo para legalizar o prende e arrebenta dos soldados dos governadores

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No Brasil que, em cada esquina, se compra livremente rojões, foguetes e morteiros, o governo quer prender por 30 anos quem faz greve, quem participa de protestos nas ruas contra a corrupção.

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A tirania se faz com o povo sem liberdade de expressão, com a prisão dos líderes dos movimentos sociais e das lideranças sindicais e estudantis.

A lei antiterror dá validade às versões rocambolescas da polícia. E oferece todo poder aos tribunais militares de coronéis “togados”. É a volta da ditadura disfarçada em “democracia”.

A lei antiterror não valerá para prender bandidos que a imprensa chama de corruptos: os membros das quadrilhas do juiz Lalau, de Salvatore Cacciola, do juiz Mattos, do banqueiro Daniel Dantas, do bicheiro Carlinhos Cachoeira, do mensalão tucano e outras e outras, que o Brasil continua empestado de ladrões do dinheiro público e piratas estrangeiros.

Escrevem Ayrina Pelegrino e Luka Franca: O enunciado do artigo 2 do PLS 499/13 (Projeto de Lei do Senado), também conhecido como Lei Antiterrorismo, define como terrorismo o ato de “provocar ou infundir terror ou pânico generalizado mediante ofensa ou tentativa de ofensa à vida, à integridade física ou à saúde ou à privação da liberdade da pessoa”. A pena seria de 15 a 30 anos de prisão e, em caso da ação resultar em morte, a punição mínima chegaria a 24 anos.

No sistema penal brasileiro, a legislação mais próxima da Lei Antiterrorismo foi criada ainda durante o regime civil-militar e conseguiu se manter válida durante o processo constituinte de 1988. Trata-se da Lei de Segurança Nacional que, em seu artigo 20, impõe pena de 3 a 10 anos de reclusão, aumentada até o triplo no caso de morte, para quem “devastar, saquear, extorquir, roubar, sequestrar, manter em cárcere privado, incendiar, depredar, provocar explosão, praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas”.

Segundo a advogada e membro do Comitê Popular da Copa de São Paulo, Juliana Brito, o Código Penal já serviria para dar tratamento a possíveis entreveros durante o período de grandes eventos no Brasil. “Poderiam muito bem ser enquadrados como dano ao patrimônio, homicídio, tentativa de homicídio ou sequestro. Há outros crimes previstos na legislação que poderiam dar conta [de penalizar algum entrevero durante grandes eventos]”, afirma.

Brito afirma também que o texto do PL não é explícito, ou seja, não designa exatamente o que seriam ações que possam espalhar o terror ou pânico generalizado. “[O projeto] é muito abstrato. Podemos compreender então que uma matéria distorcendo a realidade pode espalhar o terror ou o pânico, e aí a empresa responsável por essa matéria também seria processada?”, questiona.

O advogado Carlos Márcio Rissi Macedo, sócio do GMPR Advogados (Gonçalves, Macedo, Paiva & Rassi), acredita que é necessário que o Brasil tenha uma legislação que efetivamente criminalize e discipline meios de investigação e cooperação internacional contra o terrorismo. Porém, Macedo também aponta que o texto do PL não deixa explícito o que seria definido realmente como terrorismo. Segundo ele, até as manifestações que vem ocorrendo no Brasil poderiam acabar se enquadrando nesse conceito, o que é perigoso. “Tenho sérias dúvidas do que seria ‘provocar ou infundir terror ou pânico’. Este conceito é altamente abstrato, podendo dar margem a interpretações arbitrárias do texto lei, o que coloca em risco o estado de direito”, afirma.

Aumento da criminalização política

Para Juliana Brito o projeto o fato do projeto ser genérico e poderia enquadrar diversas formas de intervenção política que movimentos sociais adotam. “O interesse [deste projeto] é muito claro. É o de criminalizar os movimentos sociais e recrudescer o estado penal no Brasil, aproveitando para isso um período de Copa do Mundo onde os direitos constitucionais estão em suspenso e aí fica valendo uma lei [ em um momento que] a Copa vai passar, mas a lei vai ficar”. Segundo ela, “no momento em que existe um momento de mobilizações e a reação frente a elas não é de diálogo, mas de enfrentamento policial para impedir as manifestações não dá para dizer que nós temos os direitos constitucionais garantidos” e a Lei Antiterrorismo só viria a reafirmar isso. (Transcrevi trechos).

Navega na internet o seguinte post:

medo

 

O ARROJO DO ARROJADO DELATOR DO ROJÃO

por Helio Fernandes

Fábio Raposo
Fábio Raposo
Estranho, ou melhor, estranhíssimo. Ninguém sabia que ele existia, que participara, seu nome então onde descobrir? 24 horas depois aparece na delegacia, se declara testemunha espontânea, começa a falar, Depoimento de quase quatro horas, mais ou menos 40 minutos divulgados e vastamente repetidos pelas televisões.
Vi e ouvi várias vezes. Impassível, sem mudar a fisionomia, o tom de voz rigorosamente igual do princípio até o fim. Pode ser tudo, infiltrado, cúmplice, desempenhando papel importante nessa trama toda. Duas coisas indiscutíveis: mentiroso e bom ator.
Solto na delegacia, preso no dia seguinte
Já veio com o discurso da “delação premiada”, que passou a existir no Brasil, depois de popularizada pelas séries policiais da televisão. Isso não é da alçada do delegado, e sim do ministério público e do juiz. Está na penitenciária, mas as coisas se complicam cada vez mais. Nada surpreendente que apareça morto ou seja solto “por falta de provas”.
Milicianos na jogada
Chegou à delegacia com um advogado dos milicianos presos. E ele mesmo acusadíssimo pelo deputado Marcelo Freixo, do Psol. Não se defendeu, a OAB não se manifestou. Ficou intocado esse advogado militante e meliante. Deixou-o intocado na época, é evidente que não vai incomodá-lo agora.
O jornalista Elio Gaspari, escreveu no Globo e Folha, “o presidente da OAB quer ir para o Supremo, protegido por José Sarney”. Isso em plena revolta da Penitenciária das Pedrinhas e da impunidade de Dona Roseana.
A morte cerebral do cinegrafista, aula na TV de Paulo Niemeyer
Filho
De forma lamentável foi constatada a morte cerebral do cinegrafista da Bandeirantes. É triste a perda dessa vida, mas temos que falar no que ninguém falou até agora: por que o cinegrafista estava sem capacete? Se estivesse com a proteção indispensável, certamente não teria sido atingido mortalmente.
Embora em circunstâncias inteiramente diferentes, o campeoníssimo Schumacher foi salvo, (se é que se pode usar essa palavra 40 dias depois do seu desastre) por que estava com um fortíssimo capacete. Os médicos do Hospital especializado de Grenoble, disseram logo: “Sem capacete não teria nem chegado ao hospital”. Por que o jovem cinegrafista estava totalmente desprotegido?
O grande neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, explicou na televisão, longa e minuciosamente, o que acontece com o crânio quando sofre um choque como esse. Com a proteção não teria ido nem para o hospital. Todos os órgãos patronais do jornalismo, “sentiram o drama do jovem profissional”. Nenhum se lembrou de CONDENAR a FALTA de proteção ao profissional, o DESCUIDO com sua vida.
(Transcrevi trechos)

GRUPO BANDEIRANTES QUER “TIRAR O SEU DA RETA”. MIDIATIVISTAS USAM CAPACETE, COLETE A PROVA DE BALAS E MÁSCARA DE GÁS MILITAR. FÁBRICA DE MENTIRAS. O ESTADO AINDA DEVE MUITAS RESPOSTAS!

por Daniel Mazola/ Tribuna da Imprensa

chacina jornalista
Temos vivenciado momentos que prenunciam uma grande mudança social, o estado brasileiro foi colocado em xeque. Tenho visto atos extremados de muita coragem e covardia, de ambos os lados, mas a truculência é infinitamente superior por parte das forças policiais, não poderia ser diferente. Todos que participam das manifestações sabem dos riscos, principalmente profissionais da imprensa.
Protestos e passeatas sempre começam calmos, mas acabam se tornando batalhas que podem por em risco a vida de qualquer um que seja pego no fogo cruzado. Sejam mulheres, deficientes, crianças ou idosos. Devemos lamentar a morte do profissional Santiago Andrade, e se solidariza com sua família. No entanto, é FATO que essa tragédia foi causada, principalmente, pela indiferença das empresas do monopólio dos meios de comunicação com a segurança de seus funcionários.
Diferente dos trabalhadores dessas riquíssimas empresas, praticamente todos os midiativistas, fotógrafos e cinematógrafos alternativos trabalham equipados com CAPACETE, colete a prova de balas e máscara de gás militar. É a única forma de ter um pouco de segurança nessa “guerra”.
Ontem a noite, o Jornal da Band fez 1 hora de cobertura, com links ao vivo, e a dissecação do caso de seu cinegrafista, mas não citou em nenhum momento sua responsabilidade quanto ao EQUIPAMENTO DE SEGURANÇA que ela deveria oferecer! Sua linha é afirmar que há baderna e descontrole social. Não Band. Não vai TIRAR O SEU DA RETA, você também é culpada!
colete bala jornalista
O Estado ainda deve muitas respostas!
O fato é que o profissional Santiago foi gravemente ferido por uma explosão de um artefato que, “segundo as investigações policiais”, foi detonado por civis que cometeram o crime durante o ato de protesto contra o aumento das passagens. Mas como acreditar nessa “polícia” e nessa “mídia”.
Não descarto que o artefato tenha sido jogado por algum manifestante, mas pela quantidade de vezes que vi a covardia de PMs despreparados para cima dos manifestantes, em diversas manifestações que participei e acompanhei, não acreditarei jamais na versão dessa “polícia”. Sou contra esse modelo de polícia, e favorável a desmilitarização.
Agora, vejamos: o mesmo Estado que com afinco investigou o episodio lamentável ocorrido com o cinegrafista da Bandeirantes, também tem o dever ético e moral de investigar com o mesmo afinco os crimes que outras vitimas de violência policial, sofreram. E foram dezenas ou centenas.
Para essas pessoas (que morreram, perderam a visão e apanharam muito), onde está a tal pericia eficaz, igual a utilizada no caso do cinegrafista? Em que pé anda as investigações desses casos? Porque a “grande” mídia corporativa não noticia esses fatos? São perguntas que continuam sem respostas, e que o Estado deve por obrigação moral e ética, mostrar a mesma força e dedicação na investigação desses crimes que supostamente foram cometidos por policiais militares nas manifestações no Rio de Janeiro e no Brasil.
Espero que a triste notícia da morte do profissional Santiago Andrade, não venha a ser levianamente utilizada, contra a frágil democracia brasileira ou contra diretos constitucionais básicos. Mas parece que já está sendo utilizado, e ao extremo, existe um medo muito grande por parte das elites, é ano reeleitoral e de Copa.
Direito de resposta à Elisa Quadros, a Sininho
Na manhã de segunda-feira, a equipe do jornal A Nova Democracia foi à casa da cineasta e ativista Elisa Quadros, a “Sininho” para lhe dar o direito de resposta pelas acusações publicadas anteontem pelo programa “Fantástico” da Rede Globo. Segundo o programa, a ativista teria dito em uma ligação telefônica que o jovem que lançou o rojão que atingiu o cinegrafista da Band, seria ligado ao gabinete do deputado Marcelo Freixo. Coincidentemente, o advogado Jonas Tadeu que fez a acusação, defendeu os milicianos e ex-parlamentares, Natalino e Jerominho Guimarães durante a CPI da milícias em 2008, Comissão presidida por Freixo.

As acusações colocam em perigo a vida da cineasta Sininho, principalmente após a constatação da morte de Santiago Andrade. Ela contou à reportagem de AND como a onda de desinformação promovida pela Rede Globo começou, após sua chegada à 17ª DP na tarde de domingo. Veja a entrevista de 12 minutos na integra: http://www.youtube.com/watch?v=VO5-s7Fzmlo

 

Marcelo Freixo segundo Luiz Eduardo Soares
“Enquanto a história vira pelo avesso, O Globo comete um verdadeiro crime contra o jornalismo, procurando macular um dos homens públicos mais dignos e honrados de nosso país: Marcelo Freixo. Acusa-o, na capa, por interposta pessoa, e encerra o parágrafo com a indefectível sentença: “O deputado nega.” Isso não ocorreu por acaso: O Globo sabe perfeitamente que com a derrota dos grupos nas ruas e seu isolamento, com a desmoralização da linguagem da violência, o maior inimigo das iniquidades e da brutalidade estatal é a política, o espaço participativo em que as ruas e as instituições dialogam. Quem, no Rio, quiçá no Brasil, melhor do que Marcelo Freixo, hoje, representa essa via?”. Escreveu o antropólogo e escritor, Luiz Eduardo Soares.
A mesma Globo que veiculou matéria absurda contra Marcelo Freixo, uma das raras lideranças políticas respeitadas do país, sem uma apuração decente, sem fonte confiável, sem provas, em seu editorial de segunda-feira falou 6 vezes em “Jornalismo Profissional”, “que é essencial buscar sempre a isenção e a correção para informar o cidadão”, falou “que informa cidadão de maneira ampla e plural”, fala que “vai estar lá – sem tomar posição a favor de lado nenhum” e ainda tem gente que acredita! É um desserviço completo a democracia e uma afronta a nossa inteligência. Uma das maiores violências ao povo brasileiro é um monopólio de mídia que distorce, mente e fabrica informações conforme os seus interesses!

A tarifa não baixou, e assim milhares voltaram às ruas

 

Milhares de manifestantes foram às ruas do Rio de Janeiro nessa segunda-feira em protesto contra o aumento da tarifa dos transportes. Porém antes do 4º  Ato de 2014, membros da imprensa corporativa e alternativa se reuniram, na Candelária e por um minuto colocaram seus equipamentos de trabalho no chão. O protesto foi, em homenagem ao cinegrafista Santiago Andrade da Rede Bandeirantes, é contra a violência aos profissionais de imprensa.

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Na Central do Brasil, muitas revistas aconteceram na concentração, a polícia dominou o perímetro e realizou uma espécie de cerco em torno dos manifestantes. Um homem carregava um cartaz lembrando a morte do vendedor ambulante, Tasnan Accioly, atropelado na última manifestação (06/02) ao fugir das bombas lançadas pela Polícia Militar. A mídia corporativa, ignorou a lamentável e fatídica ocorrência.
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As 18h45, tensão entre manifestantes e um repórter da Rede Globo. Um grupo tentou expulsar o jornalista do Ato, mas cerca de 30 policiais fizeram a proteção com um cerco. As 19h32, “OLHA EU AQUI DE NOVO”, era o que se mais cantava. A escadaria da Alerj foi novamente palco das manifestações! Policiais militares também estavam no local. Após ocuparem a frente da Assembleia Legislativa, manifestantes decidiram caminhar rumo a FETRANSPOR.

Em frente a sede da Federação, encenaram uma performance com a queima de uma catraca. Por fim o Ato chegou a Cinelândia, e foi realizada outra homenagem, um minuto de silêncio, na escadaria do Palácio Pedro Ernesto, ao cinegrafista e ao ambulante que morreram em consequência do último Ato contra o aumento das passagens, realizado no dia 06/02.

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Às 20h40 o Choque se aproximou de um grupo de manifestantes e solicitou que um deles removesse a máscara. O manifestante se recusou e foi detido, sem apresentar qualquer resistência. A viatura saiu se recusando a informar para qual DP o rapaz seria encaminhado. Depois outra detenção sem justificativa: um midiativista foi levado por portar uma máscara de proteção contra gás.

Mesmo com a evidente campanha de criminalização do movimento e da luta social, hoje, na média, no geral, os dois Atos, que saíram da Cinelândia e da Central do Brasil, foram marcados pelo caráter pacífico, mas sempre aparecem policiais que gostam de estragar ou tumultuar. Seria incompetência, ou ordens de superiores? O Estado ainda nos deve muito, inclusive resposta!

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