A fala emocionante de Marilena Chauí em ato na USP (com vídeo)

Tropas da PM hoje (15 de junho de 2012) contra a greve estudantil que dura 81 dias. A polícia de Ackmin prende estudantes na USP e Unifesf. Tudo continua como dantes no quartel de Abrantes
Tropas da PM hoje (15 de junho de 2012) contra a greve estudantil que dura 81 dias. A polícia de Ackmin prende estudantes na USP e Unifesp. Tudo continua como dantes no quartel de Abrantes

 

Eu me lembro que em 1975 a Unicamp fez um congresso internacional de historiadores, e convidou Hobsbawn, Thompson, enfim, a esquerda internacional. Houve as exposições dos brasileiros e os estrangeiros disseram: Nós não estamos conseguindo entender nada do que vocês dizem, não entendemos as exposições e sobretudo não estamos entendendo os debates entre vocês.

Então, nos demos conta que falávamos em uma língua cifrada para não sermos presos. A esquerda acadêmica criou um dialeto, uma linguagem própria na qual dizia tudo que queria dizer e não dizia nada que fosse compreensível fora do seu próprio circulo.

Foi uma forma de auto defesa e uma forma de continuar produzindo, pensando e discutindo. Ao mesmo tempo, essa forma nos fechou num circulo no qual só nós nos identificávamos com nós mesmos. Isso é uma coisa importante, que a Comissão da Verdade traga o fato de você criar um dialeto, criar um conjunto de normas, de regras, de comportamento em relação aos outros, tendo em vista não ser preso, torturado e morto, durante anos a fio.

Costumo dizer aos mais novos que eles não avaliam o que é o medo, pânico. Sair e não saber se volta, sair e não saber se vai encontrar seus filhos em casa, sair e não saber se vai encontrar seu companheiro, ir para a escola e não saber se encontrará seus alunos e colegas. Você não sabe nada. Paira sobre você uma ameaça assustadora, de que tem o controle da sua vida e da sua morte. Isso foi a USP durante quase dez anos, todos os dias. Além das pessoas que iam desaparecendo, desaparecendo…  Ao lado das cassações. Leia mais

Polícia de Alckmin arrebenta e prende estudantes em Garulhos

Estudantes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), presos durante um protesto no campus de Guarulhos, foram soltos na noite desta sexta-feira. Protesto pela melhoria do ensino e contra a criminalização do movimento estudantil e militarização da universidade. A manifestação faz parte de uma greve que dura 81 dias.

O Brasil não vive mais os tempos da ditadura militar. Estamos em plena democracia. Uma democracia que a polícia de Dilma Rousseff recebe os estudantes presos pela polícia de Geraldo Alckmin.

A estudante do 4º ano do curso de Letras Laisy Natali Cruxen, de 24 anos, disse que todo o tumulto teve início após ela ter sido agarrada por trás, com uma “gravata”, golpe que imobiliza a pessoa, e arrastada até um carro por um policial militar. “Era um protesto pacífico. Não sei por que ele me agarrou. Foi de surpresa. Depois disso, o pessoal tentou interferir e começou toda a confusão. Começaram a soltar bombas, vi gente ensanguentada”, contou.

A estudante disse ao G1 que ela foi agredida depois de já ter sido imobilizada. “Quando está atrás no carro, levei tapa na cara de um policial e estou com um hematoma nas costas”, afirmou.

Laisy Cruxen disse que levou tapa na cara de um PM (Foto: Marcelo Mora/G1)Laisy Cruxen disse que levou tapa na cara de um PM 

Ela disse que reconheceria o PM que a teria agredido com tapas no rosto. Laisy disse que deverá conversar com o advogado Pedro Iokoi e com a família para decidir se entrarão com uma ação de indenização por danos morais contra o governo do estado por ter sido agredida.

Vinte e cinco manifestantes foram levados para a sede da PF após serem presos pela Polícia Militar durante uma manifestação na tarde de quinta-feira.

Trinta estudantes da Unifesp realizam vigília cívica em frente à sede da Superintendência da PF
Trinta estudantes da Unifesp realizam vigília cívica em frente à sede da Superintendência da PF

 

Segundo a Polícia Federal, 22 estudantes foram autuados em flagrante pelos crimes de dano ao patrimônio público, constrangimento ilegal e formação de quadrilha.

Outros três estudantes que já tinham sido liberados contaram ao deixar a PF que o grupo ficou a noite sem dormir em um auditório do prédio da sede da corporação.