ORTOTANÁSIA

por Talis Andrade

 

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Dopado de analgésicos

e calmantes

preserva-se o corpo

na mais profunda letargia

 

A vida vegetativa prolonga-se

até que se fixe

ao pé do leito

liberado para um novo hóspede

o código fatal

NTBR

 

Não reanimar

a sentença final

impassivelmente imposta

pelo Senhor da Morte

imponentemente vestido

de branco

In livro A Partilha do Corpo, p. 227, ed. Livro Rápido, 2008

Médica Chefe Da UTI Do Hospital Evangélico De Curitiba É Presa

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A médica Virgínia Helena Soares de Souza, chefe da UTI do Hospital Evangélico de Curitiba, foi presa pela polícia cível e indiciada sob suspeita de homicídio qualificado.

Segundo a polícia, existem indícios de que tenham sido mortos pacientes do SUS (Serviço Único de Saúde). A polícia suspeita que as medicações dos pacientes tenham sido suspensas e os aparelhos desligados como uma forma de “liberar” as vagas na UTI para outros pacientes que pagariam pelo serviço.

A médica e a bata que nunca devia ter usado
A médica e a bata que nunca devia ter usado

Funcionários do Hospital afirmaram que Virgínia mandava no local, que cuidava de cerca de 14 leitos da UTI, eram como uma espécie de reino para a médica.

Virgínia era conhecida como uma pessoa “difícil”, que costumava gritar e acertar “tamancadas” em quem a desagradava ou cometia erros, além disso, ela também fumava na sua sala em frente a UTI e nos próprios leitos, o que levou a Vigilância Sanitária a autuar o hospital em 2010.

No ano seguinte, por ter discutido com uma colega, Virgínia foi afastada por um mês.

As investigações deram início há um ano, e foram gravadas conversas da médica no hospital, uma fala como “Quero desentulhar a UTI, que está me dando coceira”, foi dita por Virgínia, segundo áudio divulgado pelo “Jornal Nacional”.

O próprio marido da médica, que também trabalhou no Hospital, morreu num dos leitos.

Ela nega qualquer crime. (Com informações folha.uol.com.br)

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Paciente pediu ajuda para sair da UTI – Em enttrevista à RPCTV, uma paciente (cujo nome não foi revelado) que ficou internada na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Evangélico, em dezembro passado, contou que quase foi morta na UTI. Ela contou em bilhete endereçada à filha na ocasião que tentaram desligar seus aparelhos no hospital. “Eu preciso sair daqui pois tentaram hoje me matar desligando os aparelho toda a noite para isso que tenho que …(sic)”, escreveu (foto). O relato da paciente junta-se às outras denúncias contra a médica Virgínia Soares de Souza (Gazeta do Povo)

Prender os ladrões e não desativar um hospital de câncer que atende pacientes pobres em Mogi das Cruzes nos cemitérios

saúde sus hospital medicina

O Ministério da Saúde desabilitou o Hospital do Câncer Doutor Flávio Isaías Rodrigues, em Mogi das Cruzes, na região Metropolitana de São Paulo. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União no dia 30 de novembro. Com a decisão, a unidade ficou impedida de atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O estabelecimento funcionava como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), com serviço de radioterapia.

O pedido para desabilitação foi feito pela Secretaria Estadual da Saúde, que comunicou à União a possível existência de fraudes nos processos que podem chegar a R$ 20 milhões. O processo começou em 2011, quando uma auditoria da secretaria apontou várias irregularidades, entre elas o desvio de verba do SUS. De acordo com o governo do Estado, o hospital estaria realizando cobranças duplas (do governo do Estado e dos planos de saúde privados dos pacientes), além de cobranças por procedimentos não realizados.

Cobranças duplas – um roubo constatado.

O Estado de São Paulo, com a cumplicidade da União, parece defender os planos de saúde privados. E a privatização da Saúde.

A Polícia Federal precisa fazer já uma Operação Bata Branca.

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Greve dos médicos em Santa Catarina

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Greve dos médicos no Brasil devia ter o apoio da população. Idem greve dos professores. Todas as campanhas eleitorais são realizadas com promessas de mais educação, mais saúde. Greve é cobrança.

Os médicos da Espanha estão em greve.

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Foto Samuel Sanchez
Foto Samuel Sanchez

Até na doença existem os brasileiros especiais

O Brasil é dividido em dois: 99,9 % pobres e 0,1% ricos. Estes são os especiais.

Pros especiais, serviços especiais do judiciário, do executivo e do legislativo. Isso na felicidade (desde quando se nasce) e na doença. Que da morte ninguém escapa.

Ser um doente especial é outra coisa. Quem é rico pode pegar um avião. Um tratamento lá fora fica até mais fácil quando se tem dinheiro em paraíso fiscal.

No Brasil, um doente especial tem medicina de vanguarda em hospitais luxuosos. E todos esses hospitais dependem de planos de saúde super especiais, pagos pelo judiciário, pelo legislativo, pelo executivo. Isto é, dependem do dinheiro público. Dos impostos diretos e indiretos do povo que sofre na fila do SUS. Pior ainda, que pena dentro dos hospitais. Inclusive nos hospitais cinco estrelas, que eles possuem dependências diferenciadas, apartamentos vips e a geral, uma porrada de camas juntas – uma suruba de corpos doentes, inclusive agonizantes. É o horror, o inferno!

Esta primeira página vale para qualquer cidade brasileira. E pode ser publicada hoje, amanhã, por todos os jornais. Temos duas saúdes. Tem cidade que nenhuma.

Todos os palacianos recebem tratamento especial. Os do judiciário, do legislativo e do executivo são prontamente atendidos. Um doente que depende do SUS, na maioria das vezes, morre sem socorro médico.

O paciente pode esperar meses por uma consulta que vai demorar de cinco a dez minutos com o médico. Neste curto tempo, que sabe o médico do doente? Nada de nada. Ele pede vários exames. Que serão realizados em locais diferentes. Exames que nem sempre são realizados. O sujeito morre antes.

Transcrevo da Tribuna da Imprensa:

Médica que fez desabafo na internet explica como é o tratamento de câncer no SUS

Por sugestão do comentarista Carlo Germani, estamos publicando a entrevista da médica Liziane Anzanello, oncologista de Blumenau, Santa Catarina, postada no blog do nosso colega gaúcho Polibio Braga.

A médica publicou no Facebbok uma mensagem criticando duramente o ex-presidente Lula e o descaso do governo em relação ao SUS.

– A propósito da decisão de Lula não procurar o SUS, a senhora postou irada análise sobre o caso no seu Facebook. O que foi que houve?
– Como escrevi: por que não nos exasperarmos por nem todos terem os mesmos direitos? O protesto é em relação à incoerência de Lula, que considerou o SUS um programa de saúde pública de excelência, sabendo que isto não era verdade, porque ele não fez nada para melhorar este serviço.

– A senhora atende pelo SUS?
– Sim, atendo aqui em Blumenau. Mas meus pacientes pelo SUS esperam 180 dias para a decisão sobre um tratamento e mais 60 dias para começar a radioterapia. Pacientes do SUS morrem aqui, sem conseguir começar o tratamento.

– O Lula diz que os médicos ganham muito bem e poderiam atuar melhor.
– Sabe quanto ganha um médico oncologista por uma consulta? R$ 6,70. Se tratar um mês inteiro o paciente, recebe R$ 10,00. Toda a hotelaria de um hospital custa R$ 5,40 para o SUS, incluídos refeições, cama, banho e roupa lavada.

– É bem diferente do tratamento dado ao Lula.
– Sim, porque ele fez exames no sábado e na segunda começou o tratamento, até com direito a bomba de infusão em casa. É um privilégio para quem tem muito dinheiro.

– Sua mensagem rola para valer na Internet.
– Não é nada pessoal. Não tenho partido, mas faço política no sentido aristotélico. O Lula boicotou o quanto pôde a PEC 29, que prevê mais recursos para o SUS.

– O que a senhora espera?
– A Dilma falou na TV nesta terça-feira à noite. Ela foi realista e reconheceu que a saúde pública vai mal. Espero que ela mexa nisso.