Um Negócio Só é Bom Quando Satisfaz as Duas Partes

Todo santo dia, nos quatro cantos do vasto mundo, são presos e condenados traficantes. E apreendidas toneladas de drogas. Mas nunca aparece o dinheiro. Riqueza bem escondida. Onde?

Denuncia o Correio Braziliense:
É uma indústria que fatura por ano R$ 1,4 bilhão no Brasil e US$ 320 bilhões no mundo.

No mercado interno, a venda de cocaína, maconha, crack, ecstasy e heroína movimenta o suficiente para comprar 13 bancos Mercantil do Brasil, 19 fábricas de brinquedo Tectoy ou 13 refinarias de petróleo Manguinhos, tomando como referência o valor de mercado dessas empresas no fim do ano passado. Já a movimentação financeira do tráfico no mundo equivale a três vezes o faturamento de 2009 da Petrobras e bate a soma das receitas brutas da estatal do petróleo, do Itaú, do Banco do Brasil, do Bradesco e da Vale no mesmo período.

Rio de Janeiro: campanha marcada pelo amargo sabor da mistura de violência e denúncias de corrupção

Político que paga pedágio entrega ouro para os bandidos. Outros são candidatos dos traficantes e das milícias. Político que combate o crime se aparecer nos currais eleitorais cercados por muros ou protegidos por barricadas: morre.

A justiça decidiu esta semana retirar a propaganda ilegal de uma dezena das 1.100 favelas da Cidade Maravilhosa. Toneladas de lixo eleitoral. Mas esqueceu de divulgar os nomes dos vereadores que fazem dobradinha com algum candidato a prefeito.

Publica o jornal Extra sobre a campanha nos municípios do Estado do Rio de Janeiro: Dentre os episódios de violência, o mais grave foi a revelação de que uma morte em Japeri pode ter tido motivação política. Em Nova Iguaçu, houve o ataque de traficantes à comitiva de Nelson Bornier, que também registrou, há duas semanas, uma ameaça. O peemedebista creditou tudo ao crescimento da violência por lá:

— Vai melhorar quando recebermos nosso batalhão, prometido pelo governador.

Já sua adversária, a prefeita Sheila Gama (PDT), afirmou que a cidade tem histórico violento na política.

— Já mataram políticos aqui. Isso é sabido.

Em relação à corrupção, nenhum município da região viu algo semelhante a Guapimirim. Mas Caxias também teve seus problemas.

Na última terça-feira, o Tribunal de Contas do Estado multou Zito (PSDB), atual prefeito, e Washington Reis (PMDB), ex-prefeito. Zito pode ter que pagar R$ 29 milhões por erros como o pagamento a mais de R$ 25 milhões num contrato de limpeza. Já Washington Reis (PMDB) pode ter que pagar R$ 18 milhões por despesas não comprovadas. Os dois negaram responsabilidade.

— Infelizmente, o povo não está atento a denúncias de corrupção. Está despoliti$— disse Zito.

— A população quer o dinheiro bem aplicado. O eleitor confia em mim, na minha carreira — afirmou Reis.

— Não pode, na segunda cidade mais rica do estado, faltar água e saúde — provocou o candidato Alexandre Cardoso (PSB).

Guapimirim: prefeito preso no meio da campanha

Desde que a Polícia Civil prendeu, no começo de setembro, o prefeito de Guapimirim, Renato Costa Mello Júnior, o Júnior do Posto, e sua candidata à prefeitura, Ismeralda Garcia da Costa, a cidade mergulhou num confuso processo eleitoral que promete não se resolver hoje. Até agora, a situação do candidato da coligação a que Ismeralda pertencia — Guapimirim Unindo Forças — ainda não está definida.

Formalizada após o TRE concluir os preparativos das urnas eletrônicas, a renúncia de Ismeralda não evitou que seu nome e sua foto apareçam hoje nas urnas, quando os eleitores digitarem o número 15, do PMDB, partido do qual foi expulsa.

Na sexta-feira, o Ministério Público eleitoral pediu a impugnação da candidatura escolhida pela coligação de Ismeralda para substituí-la. Hoje prefeito da cidade, Marcos Aurélio Dias (PSDC) pode não ter sua candidatura deferida pelo juiz eleitoral da 149ª Zona Eleitoral, Rubens Sá Viana Júnior. Ainda assim, cabem recursos no Tribunal Regional Eleitoral e no Tribunal Superior Eleitoral.

A apuração dos votos também promete ser quente em Japeri, diante da situação do atual prefeito e candidato à reeleição Ivaldo dos Santos, o Timor (PSD). A polícia afirma que ele é suspeito de envolvimento na morte do adversário André da Silva Conceição, o Andrezinho. Três ex-secretários municipais, um motorista da prefeitura e um traficante estão presos por participação no crime. O prefeito garante inocência.

Promotor eleitoral em Paracambi, Bruno Gangone afirmou que até a cidade vizinha sofreu influência da situação em Japeri, devido à aliança de políticos no município com Timor. Publicado em Extra. Mais sujeira aqui 

Natal, “uma cidade da putaria” e das máfias do frio

Natal é uma capital litorânea com potencial turístico superlativo e imagem consolidada junto a vários mercados internacionais, notadamente europeus. Ao despontar como um dos principais pólos turísticos internacionais no Brasil, Natal também passou a fazer parte da rota mundial do sexo-turismo, inserindo-se na emergência do chamado “turismo sexual” entre as capitais do Nordeste do Brasil, cuja quantidade exata é difícil contabilizar em função da expansão incessante e em larga escala. A capital potiguar está em 11a posição no ranking dos destinos brasileiros mais procurados pelos estrangeiros e a segunda do Nordeste (superada apenas por Fortaleza), conforme os dados do Estudo da Demanda Turística Internacional no período 2004-2008, formulado por um órgão público federal, a Secretaria Nacional de Políticas de Turismo.

O estudo traz alguns detalhes que ajudam a traçar o perfil do visitante, em mais de 70% dos casos do sexo masculino. A faixa etária predominante é extensa, variando de 25 aos 50 anos, e a renda média mensal individual não é desprezível, especialmente para os padrões da cidade: US$ 3,7 mil. a afluência é maciçamente de europeus, tendo italianos e portugueses à frente, em 68% dos casos vêm exclusivamente em viagem de lazer, mais de 96% declaram intenção de voltar e 62% já têm o hábito de visitar a cidade regularmente.

No portal oficial de turismo da cidade, é possível identificar o locus físico preferencial:

[…] Os visitantes estrangeiros já fizeram de Ponta Negra seu território em Natal. Os turistas nacionais também a elegeram. E os natalenses observam a cena, orgulhosos. Ponta Negra não pára de ganhar novas opções de gastronomia e vida noturna. O aumento da demanda acabou favorecendo o surgimento de mais um pólo no bairro. Fica na rua Manuel de Araújo [amplamente conhecida, na cidade e por seus visitantes estrangeiros e nacionais, como rua do Salsa] e abrange algumas vias adjacentes, em área próxima das ladeiras que dão acesso à praia”. Estudo de Maria Stella Galvão Santos. Confira

Temos uma sociedade que vive o sonho do capitalismo, que além do consumismo alia-se a idéia de viver pelo Carpem Diem, aproveite o dia, tudo é possível neste mundo do materialismo histórico superficial, ao qual, nos é vendido à idéia de que a ascensão social, o prazer e o dinheiro são os objetivos maiores da vida do ser humano, fazendo com que inúmeras vidas girem em torno deste fato, o da superficialidade. Este último citado, superficialidade, se mescla ao fator de que turistas oriundos de outros países são tidos pelas mulheres locais, algumas, como uma forma rápida para esta ascensão social e material. O Euro e o Dólar são mais valorizados que o Real e a oportunidade de alavancar-se socialmente faz com que algumas mulheres procurem por turistas especificamente estrangeiros. Mas é aí que reside o perigo, no momento em que alguns deles decidem vir não por causa das nossas belas praias, e sim, visando à oportunidade de praticar o turismo sexual com crianças e adolescentes, crimes previstos em lei como o Estatuto da Criança e do Adolescente, Artigos 240 e 241, estipula pena e reclusão para quem for pego praticando atos de pedofilia, seja cidadão nacional e estrangeiro.

Para termos uma forma efetiva de combate a exploração sexual é necessária que haja uma ação por parte das autoridades competentes de divulgação de Natal no mundo valorizando as paisagens naturais e culturais, acrescentando-se a imagens que remetam a idéia de família, ao invés de mulheres seminuas. Escreve Claudio Taveira.

Uma verdadeira cadeia de agentes aliciadores se ramificou pela cidade, indo desde o agente de viagens que oferece meninas, passando pelo taxista que indica lugares onde conseguir sexo fácil com crianças e adolescentes, chegando até os donos de hotel que ignoram a prática e aceitam a presença de turistas acompanhados de menores de idade em seu estabelecimento. Ao contrário do que pensamos, não são apenas europeu idosos que alimentam esta cadeia criminosa. A reportagem traça um perfil do turista sexual e chega a uma conclusão alarmante: mo maior problema são os turistas que chegam sem esta intenção mas, devido a oferta, acabam explorando sexualmente crianças e adolescentes.

Sim, a oferta. Depois de tantos anos de sexo-turismo, tornou-se normal entre crianças e adolescentes carentes adquirir status social se prostituindo. Durval Muniz de Albuquerque Lopes, doutor em História pela Universidade de Campinas (Unicamp) e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), foi ouvido pela reportagem e concluiu: “A identidade do adolescente no seu grupo social é dada pela marca que ele consome. Se ele não consome, é excluído. Para ter acesso, ele se submete à exploração sexual. Estou falando de outro nível de consumo, não de alimentos.” Em outras palavras: o buraco é bem mais embaixo, pois já chegamos ao nível em que os explorados fazem questão de ser explorados. (Patrício Jr). Leia mais 

A  existência  do  turismo  sexual  se  justifica  a  partir  de  inúmeros  problemas  sociais,  que principalmente  no  nordeste,  têm  feito  com  que  o  dinheiro  estrangeiro  viole  os  princípios éticos  e  humanos.  Com  isso,  os  estabelecimentos  turísticos,  o  histórico  de  pobreza  do nordeste, o modo de vida, a entrada de estrangeiros e seu dinheiro têm sido fatores de repulsa e que denigre a  imagem do Brasil. Isto nos  faz  refletir de que modo a divulgação  realizada pela Embratur, há anos reflete até hoje na população. Mas a exploração de menores feita por estrangeiros, muitas vezes permitida pelos próprios brasileiros, não pode ser responsabilidade de apenas um órgão, instituição ou a falta destes, já que o problema abrange também questões culturais,  onde  estão  inseridos  os  turistas  estrangeiros  que  encontram  oferta  de  sexo  em grande quantidade, como  também os  trabalhadores desta “indústria” que adquirem cada vez mais lucros, junto às mulheres que se permitem ser exploradas e as crianças que acabam no mercado do sexo como vítimas da família e muito mais da facilidade de obtenção de dinheiro que conseguem com a venda de seus corpos. Por Nayara Teodoro Ferrigatto

A foto abaixo foi tirada por mim mesmo. Mostra um gringo no aeroporto Augusto Severo vendo uma pornografiazinha despreocupado. Nada contra a pornografia na internet, afinal essa é uma das funções desta rede mundial. O que incomoda na imagem é o fato de o visitante estar em pose tão relaxada, mostrando segurança de quem está fazendo a coisa certa e no lugar adequado. Algo como “estou em Natal, então viva a putaria!” Bem que o slogan turístico de Natal poderia ser algo como “Estrangeiro, te esperamos de pernas abertas.”

A imagem foi registrada por este blogueiro. Considero um símbolo da situação turística de Natal. Uma cidade de putaria.

Vamos tentar abordar esse assunto sem hipocrisia, tá bom? Nem vou me referir a ele como um problema, mas sim como algo que acontece por essas bandas bem debaixo dos nossos narizes. Muita gente tenta negar a situação ainda mais depois dos mais recentes acontecimentos lá pelas bandas de Ponta Negra: a inauguração de um verdadeiro aquário da libidinagem travestido de bar e o fato de terem encontrado mais resíduos de esperma de gringos em nosso litoral do que coliformes fecais na última análise.

Bem, o turismo sexual existe e fica cada vez mais difícil de coibir. Virou indústria, atração turística e comenta-se que na Europa já conhecem o Morro do Careca ou as Dunas de Genipabu como atrativos localizados nos arredores dos motéis da cidade. Nossa frágil sociedade não resistiu a um punhado de Euros despejados para comprar apartamentos, terrenos, restaurantes, hotéis e o que restava de nossa dignidade. Abriram as pernas e fecharam os olhos, inclusive literalmente em muitos casos. Italianos e espanhóis comandam a pouca-vergonha, a safadeza. Até aí, nada contra. Mas sacanagem mesmo foi não ter convidado a gente pra festa!

É claro que outros aspectos me incomodam, como por exemplo, alguns desses senhores terem sérios distúrbios a ponto de preferirem meninas de 13 anos a mulheres adultas. Mas o problema é maior e bem mais sério do que se pensa. Não adianta só combater com rigor esses pedófilos do além-mar, mas é preciso distribuir renda para, a longo prazo, essas garotas não precisem recorrer a tais expedientes para ganhar a vida. Por Carlos Fialho. Leia a proposta dele. Acrescento na lista de donos da noite: noruegueses e tanzanenses.

Em Natal, a situação chegou ao ponto de alguns comerciantes colocarem avisos em inglês: “Aqui não há turismo sexual”.
À noite, muitos estrangeiros procuram diversão em um centro comercial, cheio de bares. Fica a 500 metros da praia de Ponta Negra, a mais famosa de Natal. Está lotado.
Assim que nosso produtor chega, simulando novamente ser estrangeiro, uma prostituta se aproxima.
O lugar é aberto. Qualquer um entra, sai. Funciona como se fosse uma feira do sexo.
Mais um flagrante. Do lado de fora, bem na saída dos frequentadores, há venda de cocaína. Os traficantes chegam a parar os turistas e oferecem a droga. Veja vídeo
Durante o dia, voltamos ao ponto de encontro das prostitutas. Encontramos uma mulher que se diz funcionária do local. Simulamos interesse em alugar um quiosque. A mulher diz que o dono é o espanhol Salvador Arostegui.

Segundo o Ministério Público Federal, ele é acusado de tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

“Salvador é dono de todo complexo, o Salvador é dono de todo esse quarteirão aqui”, diz uma funcionária sem se identificar.

“Está identificado como um dos estabelecimentos que o senhor Salvador usou para a lavagem de dinheiro”, diz a procuradora da Republica, Clarisier Morais.

Segundo as investigações, o espanhol usou dinheiro do tráfico para comprar R$ 28,5 milhões em imóveis, no Rio Grande do Norte.

Salvador Arostegui chegou a ser preso na Espanha.

O Coletivo Leila Diniz (CLD) vem a público manifestar o seu repúdio à forma criminalizante com a qual a opinião pública vêm tratando as mulheres que exercem o trabalho da prostituição em Ponta Negra. Após reportagem com cunho de denúncia veiculada pelo Fantástico/Rede Globo, jornais locais como Diário de Natal e Tribuna do Norte repercutiram matérias de mesma natureza. No entanto, a abordagem dado, para nós do CLD dá um tratamento tão simplista e estigmatizador a uma questão social tão complexa.
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Nesse sentido, chamamos atenção das autoridades de governo e Justiça para ao fato de que medidas de coerção as mulheres terão baixíssimo grau de resolutividade. Pois antes de tais ações,precisa ser feita uma análise crítica da realidade da vida das mulheres em Natal , e, do nordeste brasileiro, para compreender um contexto social e  histórico  que não se sustenta em análises inacabadas e de senso comum, onde o fato subsiste sem sua própria origem.
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Em 1994, a Casa Renascer era a secretaria executiva de uma Campanha Nacional de Enfrentamento à exploração sexual e o turismo sexual, que já questionava o modelo de desenvolvimento econômico do Nordeste, baseado no turismo, prevendo os impactos negativos que seriam gerados sobre a população feminina a partir da massificação da atividade. Inúmeros documentos comprovam este esforço.
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Desde então, todo o esforço que a gestão pública e a elite governante do estado e da cidade têm feito é uma atuação pulverizada, ocasional, e moralista centrada na repressão às mulheres. O que esses gestores e gestoras esquecem é que esse problema tem a ver com as escolhas por políticas frágeis de enfrentamento à pobreza dos jovens e das mulheres em Natal; com os equívocos dos investimentos nos processos de produção cultural, com o não – investimento para uma educação pública de qualidade; com o abandono da prática de planejamento participativo; com a pouca firmeza da gestão na condução do uso e ocupação do solo.
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Nesse sentido, dizer não à criminalização da prostituição é exigir que políticas de enfretamento à desigualdade de gênero sejam implantadas, com compromisso e seriedade que os problemas relacionados à especificidade das mulheres sejam reconhecidos pela sociedade.

A ascendência de uma elite financeira criminosa

por James Petras

Robert García

As duas faces de um estado policial: Abrigar evasores fiscais, trapaceiros das finanças e lavadores de dinheiro enquanto policia os cidadãos.

“O coração apodrecido das finanças”.
The Economist
“Há um grau de cinismo e cobiça que é realmente bastante chocante”
Lord Turner, Bank of England, Financial Service Authority

Nunca na história dos Estados Unidos testemunhámos crimes cometidos na escala e do âmbito dos dias actuais, tanto pela elite privada como estatal.

Um economista de credenciais impecáveis, James Henry, antigo economista chefe na prestigiosa firma de consultoria McKinsey & Company, investigou e documentou evasão fiscal. Ele descobriu que os super-ricos e suas famílias têm até US$32 milhões de milhões (trillion) de activos escondidos em paraísos fiscais offshore, o que representa mais de US$280 mil milhões de receita perdida no imposto sobre o rendimento! Este estudo excluía activos não financeiros tais como imobiliário, metais preciosos, jóias, iates, cavalos de corrida, veículos de luxo e assim por diante. Dos US$32 milhões de milhões de activos escondidos, US$23 milhões de milhões pertencem a super-ricos da América do Norte e da Europa.

Um relatório recente do Comité Especial das Nações Unidas sobre Lavagem de Dinheiro descobriu que bancos dos EUA e da Europa têm lavado mais de US$300 mil milhões por ano, incluindo US$30 mil milhões apenas dos cartéis de droga mexicanos.

Novos relatórios sobre trapaças financeiras de muitos milhares de milhões envolvendo os grandes bancos dos EUA e Europa são publicados a cada semana. Os principais bancos da Inglaterra, incluindo o Barclay’s e um bando de outros, foram identificados como tendo manipulado o LIBOR, ou inter-bank lending rate, durante anos a fim de maximizar lucros. O Bank of New York, JP Morgan, HSBC, Wachovia e Citibank estão entre a multidão de bancos acusados de lavar dinheiro da droga e de outros fundos ilícitos segundo investigações do Comité Bancário do Senado dos EUA. Corporações multinacionais receberam fundos federais de salvamento e isenções fiscais e então, em violação dos acordos publicitados com o governo, relocalizam fábricas e empregos na Ásia e no México.

Grandes casas de investimento, como a Goldman Sachs, enganaram investidores durante anos investindo em acções “lixo” enquanto os correctores puxavam e afundavam ( pumped and dumped ) acções sem valor. Jon Corzine, presidente do MF Global (bem como antigo presidente da Goldman Sachs, antigo senador dos EUA e governador de Nova Jersey) afirmou que “não podia explicar” os US$1,6 mil milhões de perdas de clientes investidores de fundos no colapso de 2011 do MF Global.

Apesar do enorme crescimento do aparelho policial do estado, da proliferação de agências de investigação, das audiências no Congresso e dos mais de 400 mil empregados do Ministério da Segurança Interna (Department of Homeland Security), nem um único banqueiro foi para a cadeia. Nos casos mais chocantes, um banco como o Barclay pagará uma pequena multa por ter facilitado a evasão fiscal e efectuado trapaças especulativas. Ao mesmo tempo, de acordo com o princípio “canalha” [implícito] na trapaça LIBOR, o Director de Operações (Chief Operating Officer, COO) do Barclay’s Bank, Jerry Del Missier, receberá uma indemnização de 13 milhões de dólares pelo seu afastamento.

Em contraste com a complacente aplicação da lei praticada pelo florescente estado policial em relação a trapaças da banca, das corporações e das elites bilionárias, tem-se intensificado a repressão política de cidadãos e imigrantes que não cometeram qualquer crime contra a segurança e ordem pública.

Milhões de imigrantes têm sido agarrados nas suas casas e lugares de trabalho, presos, batidos e deportados. Centenas de bairros hispânicos e afro-americanos têm sido alvo de raids policiais, tiroteios e mortes. Em tais bairros, a polícia local e federal opera com impunidade – como foi ilustrado por vídeos chocantes dos tiros e brutalidade da polícia contra civis desarmados em Anaheim, Califórnia. Muçulmanos, asiáticos do Sul, árabes, iranianos e outros são racialmente perfilados, arbitrariamente presos e processados por participarem em obras de caridade, de fundações humanitárias ou simplesmente por participarem de instituições religiosas. Mais de 40 milhões de americanos empenhados em actividade política legal são actualmente vigiados, espionados e frequentemente molestados.

As duas faces do governo dos EUA:Impunidade e repressão Leia mais

Para prender um menor, traficante de droga, falta justiça ou polícia?

Veja o debate. O bate-boca entre um delegado e uma juíza. Uma vítima deve acionar a justiça ou a polícia? Diz o delegado que ninguém procura um juiz, um promotor…

Prefeitos e vereadores prometem combater a violência. Farsa. Engodo. Praticam estelionato eleitoral, diria o ministro Francisco Fausto, ex-presidente do Superior Tribunal do Trabalho. Um prefeito pode apenas denunciar. Idem o vereador. Como faz a imprensa ou qualquer cidadão. Que o silêncio é cumplicidade.

Fala o delegado (vídeo 1) 

Resposta da juíza (vídeo 2)