Papa Francisco: “Hoje é dia de lágrimas” pelos imigrantes que morreram em Lampedusa

Bergoglio está de visita a Assis. “A vítimas da cultura do desperdício são precisamente as pessoas mais frágeis “, tinha escrito numa intervenção que deixou de lado, para improvisar.

“Hoje é um dia de lágrimas”, disse. Francisco – que na quinta-feira se referiu ao ocorrido como uma “vergonha” – denunciou a “indiferença para com os que fogem da escravatura, da fome, para encontrar a liberdade e encontram a morte como ontem [quinta-feira] em Lampedusa”.

Governo italiano tenta levar União Europeia a discutir política de imigração. Mergulhadores disseram ter visto dezenas de cadáveres. Muitos terão sido levados por correntes marinhas.

Reacende-se o debate em Itália sobre as leis de imigração, sobretudo as que tornam crime o apoio no mar a embarcações com imigrantes ilegais – o motivo que terá impedido o socorro ao navio que naufragou já perto da ilha de Lampedusa, na quinta-feira. O número oficial de mortos mantinha-se, nesta sexta-feira de manhã, em mais de 130, mas o elevado número de desaparecidos faz temer que tenham morrido pelo menos 300 pessoas, entre as quais crianças.

“Já não temos esperança de encontrar sobreviventes”, disse à AFP um elemento das forças policiais envolvidas nas operações de resgate de um desastre que relança o debate sobre a política europeia de imigração. A Itália está esta sexta-feira a viver um dia de “luto nacional”.

Até à manhã desta sexta-feira só foram salvas 155 pessoas das 450 a 500 que o navio transportaria, o que pode fazer do desastre a maior tragédia da imigração, nos últimos anos. Mergulhadores que exploraram a zona próxima do navio afundado disseram ter visto dezenas de cadáveres. Muitos outros terão sido levados da zona pelas correntes marinhas.

A última grande tragédia com imigrantes ocorreu em Junho de 2011, quando 200 a 270, oriundos da África subsariana e fugidos da Líbia em guerra, se afogaram ao tentarem chegar a Lampedusa. Segundo a organização não-governamental Migreurop, com sede em Paris, nos últimos 20 anos, 17 mil imigrantes morreram ao tentar chegar à Europa.

“Já não temos espaço, nem para os vivos nem para os mortos”, disse ainda na quinta-feira, poucas horas depois do naufrágio, a presidente da câmara de Lampedusa, Giusi Nicolini.

O vice-primeiro-ministro italiano, Angelino Alfano, confirmou à AFP a detenção do capitão do navio, que partiu do porto líbio de Misrata, lotado de imigrantes, maioritariamente somalis e eritreus. Já esta sexta-feira, na Câmara dos Deputados, Alfano defendeu a necessidade de “actuar, na Europa e em África”.

Na Europa, o vice-primeiro-ministro considera necessário mudar as regras “que fazem pesar demasiado a imigração clandestina sobre os países de entrada”. Na quinta-feira reivindicou a possibilidade de a Itália alargar o patrulhamento “para além das suas águas territoriais”.

Agir na UE
Alfano disse ter conversado ao telefone com o presidente da Comissão, Durão Barroso, e que este lhe deu “abertura” para reabrir o dossier da entrada de imigrantes ilegais na Europa. “Prometeu-me que virá connosco a Lampedusa para lhe mostramos o que se passa nesta parte da Europa”, disse Alfano, citado pelo jornal La Repubblica. “Faremos ouvir alto a nossa voz na Europa para alterar os tratado de Dublin, o acordo internacional que atribui muito, muito, muito peso da imigração aos países de primeiro ingresso.”

A ministra da Integração italiana, Cécile Kyenge, primeira negra num governo italiano, reclamou a criação de “corredores humanitários para tornar mais segura a travessia daqueles que são vítimas de organizações criminosas”.

A comissária europeia dos Assuntos Internos, Cecilia Malmström, afirmou no Twitter a sua convicção de que é preciso mudar a situação: “Os meus pensamentos estão com as vítimas e com as suas famílias. Devemos redobrar os esforços para lutar contra os traficantes de pessoas que exploram o desespero.”

Mas outros recordaram em Itália que a própria legislação italiana está na origem de problemas, não só a lei Bossi-Fini, como, mais recentemente, uma alteração que transforma em crime de favorecimento da clandestinidade prestar ajuda em alto mar a embarcações de imigrantes ilegais que estejam em perigo. Por isso, diz a presidente da câmara de Lampedusa, Giusi Nicolini, os pescadores se mantêm afastados destes navios. Três barcos de pescadores afastaram-se da embarcação que transportava estes imigrantes, que se incendiou e acabou por naufragar, dado o pânico das pessoas a bordo.

As autoridades italianas informaram que cerca de 25 mil imigrantes entraram este ano em Itália, três vezes mais do que em 2012. Segundo as Nações Unidas, no ano passado, quase 500 pessoas morreram ou foram dadas como desaparecidas no mar, quando tentavam chegar à Europa.

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O suicídio da enfermeira e os corruptos vivos

Jacintha Saldanha
Jacintha Saldanha

Não foi o trote que matou a enfermeira indiana. E sim a gozação dos radialistas. “Pensávamos que eles desligariam assim que ouvissem nossos sotaques terríveis”, afirmaram os jornalistas em nota.

Do outro lado da linha estava uma emigrante, marginalizada. Uma retirante humilhada, cujo cadáver retornou ao seu país.

corpo

Escreve João José Forni: “Em Londres, na terça-feira 4 a princesa Kate Middleton, mulher do príncipe William, foi internada no Hospital Rei Eduardo VII, com náuseas, decorrentes da gravidez. Dois radialistas australianos – Mel Greig e Michael Shristian – ligaram para o hospital e fingiram, imitando sotaque britânico, ser a rainha Elizabeth e o príncipe Charles, pedindo notícias de Kate. A ligação foi atendida pela enfermeira Jacintha Saldanha, às 5.30h, porque não havia telefonistas no horário. A seguir, passou a ligação para uma colega que deu as informações.

Qual não foi a surpresa dos radialistas, quando o trote deu certo, e a enfermeira passou a dar notícias de Kate como se fosse para os membros da família real. ‘Pensávamos que eles desligariam assim que ouvissem nossos sotaques terríveis’, afirmaram os jornalistas em nota. A enfermeira informante caiu no trote e forneceu detalhes sobre o estado de saúde da princesa, como se fosse para a família, que acabaram divulgados pela rádio e tiveram repercussão internacional.

‘Este é um caso trágico que não poderia ter sido previsto e nós estamos profundamente entristecidos. Eu acho que trotes telefônicos são uma ferramenta utilizada por rádios há muitas décadas, ao redor do mundo, e ninguém poderia ter previsto o que aconteceu’, disse Rhys Holleran, diretor da rádio”.

Esta foi a primeira vez que um trote terminou em suicídio. Além da vassalagem da imprensa internacional de publicar tolices e mais tolices da casa real, da ética dos trotes, o importante  que se destaque: se fosse uma inglesa o alvo do trote, certamente desfrutaria a suspeita notoriedade. Mas a vítima foi uma indiana. Ressalta-se que não foi ela quem deu as informações. Por que só o nome da Jacintha apareceu? Ela apenas passou o telefone.

“O que levou uma enfermeira experiente, mãe de família, ao suicídio?  Essa é uma pergunta que muitas pessoas devem está procurando a resposta. Todos que já ouviram falar sobre o caso de Jacintha Saldanha, 46 anos, sabem que ela não cometeu nenhum erro que justificasse um fim tão triste.

Lúcia Guimarães entrevistou um especialista que falou sobre o caso. O filósofo Kwame Anthony Appiah disse que  a vergonha e orgulho são emoções centrais da honra. ‘Se podemos, de fato, partir de um reconhecimento de que a enfermeira se suicidou porque sentiu vergonha, é preciso levar em conta o seguinte: o objetivo desses trotes de rádios é desonrar pessoas com sua exposição ao ridículo. Muita gente tem prazer em assistir aos outros perdendo a dignidade, esse é também o motor da reality TV. E isso mostra que carecemos de sensibilidade sobre a importância de respeitar a honra e a dignidade alheia. A enorme relutância em regular o comportamento da mídia é um sinal disso. Eu não defendo, de forma alguma, criminalizar o comportamento dos radialistas. Mas é preciso que haja uma conversa pública sobre o assunto. Se lutamos pela liberdade de expressão, devemos também lutar pela responsabilidade da mídia, que tem enorme poder, para exercer essa liberdade. Afinal, que chance tinha a enfermeira, diante dos poderes que enfrentou?”  argumentou o professor.
 
Appiah disse ainda que: ‘a enfermeira foi envergonhada pelo trote. Ela não fez nada moralmente errado porque estava convencida de que era a rainha do outro lado da linha, e sua obrigação era passar a chamada. Então, sua vergonha teve origem no engano. Ser enganado não é uma ofensa moral. Honra e vergonha são mecanismos usados para reforçar normas sociais. Há duas conexões importantes entre honra e moralidade. Primeiro, desonrar pessoas causa prejuízo moral; e quando a honra corre paralela à moralidade, as pessoas tendem a agir pelo bem comum.”
Concordo que “a vergonha e o orgulho são emoções centrais da honra”.
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Sofrem os emigrantes, os novos escravos do Século XXI, tantas humilhações – stalking, assédio moral, assédio sexual – que a verberação do trote na Índia matou Jacintha Saldanha.
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Minha estranheza é que qualquer acontecimento trágico, lamentável, termina em apelo por mais censura. Aconteceu no Brasil com a nudez de Carolina Dieckmann.
Certas operações da PF causaram a Lei das Algemas, a blindagem das bancas de advogados de porta de palácio.
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Nenhum sem-vergonha vai se suicidar por ter sido preso, algemado, enquanto espera um habeas corpus.
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Os corruptos são vaidosos de suas riquezas.

ignorada por Calderón: Caravana de Madres Centroamericanas de Migrantes Desaparecidos Liberando la Esperanza

En un comunicado, la caravana también llamó el 7 de noviembre a los gobiernos de México y de los países de Centroamérica a desarrollar campañas masivas de información acerca de los riesgos de la migración irregular y los derechos de las personas migrantes.

Agregó que para consolidar esta política deben cumplir con algunas medidas, entre las que destaca la creación de mecanismos nacionales y regionales para la búsqueda inmediata de todas las personas desaparecidas, así como la conformación de un banco de datos forenses nacionales y regionales de restos sin identificar.

De igual modo, la octava caravana, en la que participaron 38 madres y familiares de migrantes desaparecidos de Guatemala, El Salvador, Honduras y Nicaragua, demandó la implementación de un programa gubernamental federal y regional de atención integral a las familias de personas migrantes desaparecidas.

 

La caravana, que este año recorrió 14 estados y realizó 23 paradas en localidades aledañas a la ruta migratoria durante 19 días, permitió el reencuentro de cinco madres con sus hijos desaparecidos y la obtención de pistas para la posible localización de migrantes.

Además de los reencuentros y pesquisas halladas, la caravana avanzó en uno de sus objetivos: la sensibilización de la sociedad mexicana “para la causa migrante”.

En el camino, las madres y familiares encontraron que la delincuencia en complicidad con autoridades mexicanas a nivel municipal, estatal y federal, cometen crímenes contra migrantes como secuestros, extorsiones, asesinatos, trata de personas, así como la violación de mujeres y hombres.

En este año, observaron un incremento en el número de migrantes que les solicitaron apoyo para regresar a su país de origen como resultado de la violencia que enfrentan en su camino hacia el norte, ya que temen entregarse al Instituto Nacional de Migración por miedo a ser víctimas de delitos que las autoridades no esclarecen.

Del mismo modo, denunciaron que la información que han entregado a las autoridades para que encuentren a sus hijas e hijos desaparecidos ha sido ignorada, por lo que anunciaron que continuarán recorriendo el país hasta obtener respuestas sobre el paradero de las y los migrantes.

Jornada Internacional contra a Escravidão

por Sergio Ferrari

 

Todos os anos, o dia 23 de agosto, a ONU comemora a jornada internacional de recordação da trata de escravos e sua abolição.


Jovem africano do Senegal. Foto Sergio Ferrari

“Rendendo homenagem às mulheres e homens que combateram esse sistema de opressão, a Unesco deseja estimular a reflexão sobre essa tragédia que imprimiu sua marca no mundo atual”. Esse é o conteúdo principal da mensagem de Irina Bokova, diretora geral da Unesco.

A trata de escravos vigente entre os séculos VI e XX arrancou milhões de africanos de suas terras de origem, para deportá-los a outras regiões do mundo. A América foi profundamente marcada por esse fenômeno, que esteve presente em uma boa parte de sua geografia desde o Norte até o Sul, passado pela América Central e pelo Caribe.


Ilha de Goree, no Senegal, principal centro de deportação de escravos na Colônia.
Foto: Sergio Ferrari

E foi em dito continente que, no dia 23 de agosto de 1791, na ilha de Santo Domingo (hoje Haiti e República Dominicana), a insurreição que teria um impacto decisivo para contrapor e acabar com a escravidão.

Em honra a esse movimento popular, o mundo inteiro recorda esse flagelo social e comemora as rebeliões que aconteceram para aboli-lo.

Escravidão que, tal como denunciam atores sociais do Sul e ONGs do Norte, continua vigente por meio de diferentes formas e maneiras mais sutis, em diversas regiões do mundo. Em particular, através de situações deploráveis de trabalho e vida de muitos camponeses e trabalhadores rurais.

Daí a transcendência do amplo encontro de uma semana, concluído ontem (22 de agosto de 2012), em Brasília, e que reuniu a centenas de representantes de umas quarenta organizações sindicais, não governamentais e movimentos sociais, entre os quais o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Vía Campesina do Brasil.

“Encontro Unitário de Trabalhadores/as e Povos do Campo, das Águas e das Selvas”ratifica sua aposta em uma verdadeira reforma agrária, pela soberania alimentar, pela agroecologia, pela soberania energética, pela educação e pela democratização dos meios de comunicação, entre outras reivindicações. Convocando, também, para uma aliança ampla de todos os setores rurais, indígenas, povos negros etc., para promover essas bandeiras e desafios.

 

 

Crise e prostituição

Um dos pontos efervescentes da boemia de Belo Horizonte, a Praça Raul Soares e seu entorno, com bares, saunas e boates com apelo gay, escondem um submundo em que garotos de programa ainda adolescentes vendem seus corpos a homens mais velhos. Como pagamento, aceitam R$ 50 ou outra quantia em dinheiro, uma roupa de grife ou um celular novo. As abordagens podem ser feitas no carro do cliente, nas casas noturnas ou na praça mesmo. Equipe do Estado de Minas esteve no local por quatro noites e constatou que a prostituição de menores também envolve drogas, álcool e violência.
Um dos pontos efervescentes da boemia de Belo Horizonte, a Praça Raul Soares e seu entorno, com bares, saunas e boates com apelo gay, escondem um submundo em que garotos de programa ainda adolescentes vendem seus corpos a homens mais velhos. Como pagamento, aceitam R$ 50 ou outra quantia em dinheiro, uma roupa de grife ou um celular novo. As abordagens podem ser feitas no carro do cliente, nas casas noturnas ou na praça mesmo. Equipe do Estado de Minas esteve no local por quatro noites e constatou que a prostituição de menores também envolve drogas, álcool e violência.

Acontece nas casas noturnas heterossexuais. Empestadas de garotas e garotos de programas. A pobreza endêmica do Brasil leva nossa juventude para os luxuosos balneários e cassinos dos quatro cantos do mundo. Um tráfico que pode acabar. Que a crise da Europa tem prostituído jovens da Espanha, Portugal, Irlanda e antigos países da Cortina de Ferro.

Para o puritanismo, o espanto e o escândalo  da prostituição da classe média. Nas classes mais pobres sempre existiu o comércio do sexo, e legalizado como uma profissão pelo legislativo, pelo judiciário, pelo executivo. Pela sociedade. As igrejas consideram apenas um pecado.

Antes da Lei Áurea, os jornais publicavam anúncios: “vende-se uma virgem”, “vende-se escravo de boa aparência”. Ainda hoje os/as adolescentes de  boa aparência são favorecidos na busca do primeiro emprego.

Compra o corpo como mercadoria quem tem dinheiro. Quem recusa pagar sempre termina em uma delegacia de polícia. Como aconteceu com o jogador Ronaldo. Trata-se de um crime econômico.

O crime sexual existe na perversão. No stalking, no assédio no trabalho, no feminicídio, no serial killer, no estupro, na pedofilia, na lesbofobia, na homofobia, na misandria, na misoginia etc.

O tráfico de pessoas vende escravos para diferentes serviços. Serviços sujos e pesados.

Robar

por Manuel Martínez Llaneza
El DRAE define ‘robar’ en sus dos primeras acepciones como “Quitar o tomar para sí con violencia o con fuerza lo ajeno” y “Tomar para sí lo ajeno, o hurtar de cualquier modo que sea”. Para entender lo que significa el ‘para sí’, concepto esencial común a ambas, pondremos algunos ejemplos:

  • ROBAR es, por parte de un capitalista, apropiarse del producto del trabajo ajeno pagándolo miserablemente.
  • ROBAR es, por parte de un concejal de Urbanismo, recalificar terrenos o autorizar su uso en beneficio suyo y de su banda.
  • ROBAR es, por parte de una consejera de Educación, dejar en la calle a cientos de profesores para subsidiar a los colegios de su secta.
  • ROBAR es, por parte del gobierno, privar del mínimo sustento a los ciudadanos para dárselo a los bancos
  • ROBAR es, para un banquero, colocar preferentes a personas que le pedían abrir un depósito.
     (Transcrevi de Rebelión)

Brasil. Se calcula que, cada año, al menos 100.000 jóvenes terminan siendo vícitmas de redes de tráfico de personas

por Eric Nepomuceno

Brasil y su exportación de ilusiones

El sueño de ser jugador de fútbol o modelo que alcance rápidamente el rango de top model son algunas de las excusas para fortalecer el tráfico de personas, que no hace otra cosa que crecer. La consecuencia es que cada año aumenta el número de casos investigados por la Policía Federal brasileña. Hay los que resultan en prostitución, venta de órganos, adopción ilegal de bebés, trabajo esclavo y algo más.

Acorde con las investigaciones, los destinos más comunes son los países de Medio Oriente y de Europa. Curiosamente, mientras aumenta el número de europeos, principalmente portugueses y españoles con formación calificada, que buscan trabajo en Brasil, crece el número de denuncias que la Policía Federal brasileña recibe sobre tráfico ilegal de personas al exterior. Italia, Suiza, España y Portugal son los principales destinos primarios (porque de esos países suelen ir a otros) de la inmigración ilusoria de miles de brasileños. Aunque no existan datos oficiales, las autoridades calculan que cada año al menos cien mil brasileños, jóvenes en su mayoría, se dejan engañar de alguna manera y terminan siendo víctimas de bien organizados bandos de traficantes de personas.

El número de adolescentes seducidos por promesas de trabajo –tanto en el fútbol como en la carrera de modelos de publicidad– y que embarcan en sueños falsos aumenta cada año. Los registros indican que de los cerca de 30 mil casos de 2003 se llegó a más del triple en 2012.

Las investigaciones de la Policía Federal brasileña indican que los primeros en ser engañados son los padres de los jóvenes que embarcan para aventuras que, en la mayoría de los casos, terminan muy mal.

Niñas que soñaban en transformarse de la noche a la mañana en Giselle Bündchen despiertan transformadas en prostitutas en Málaga; muchachos que querían ser el nuevo Messi se dan cuenta de que se transformaron en siervos sexuales en algún rincón perdido del mundo árabe y jóvenes que soñaban con ser algo se transforman en víctimas del subempleo en varias partes del mundo.

Se calcula que en América latina unas 800 mil personas viven en situación de esclavitud o de trabajo en situaciones degradantes. Ese es el cálculo del departamento de la ONU que trata del trabajo esclavo y de las víctimas de las promesas falsas de los traficantes de gente. En Brasil, ese número es considerado absolutamente inferior a la realidad. Solamente en 2011, los consulados recibieron pedidos de ayuda de poco más de 20 mil brasileños y se conocen historias de muchos más que logran volver al país por propia cuenta, sin recurrir a las autoridades.

Hay agentes para exportar lo que sea, de aspirantes a modelo a jóvenes promesas del fútbol, de niñas que sueñan con ser bailarinas y se transforman en prostitutas a médicos que se transforman en contrabandistas de órganos humanos. La gran mayoría de los casos converge hacia un mismo punto: la explotación sexual.

Y así, cada año Brasil se transforma, a medida que crecen sus exportaciones positivas, en un gran exportador negativo de sueños y carne humana. Las historias se repiten y el escenario puede ser Barcelona, Lisboa, Teherán, Nueva Delhi o Roma. Es lo que indican las investigaciones que cubren más de dos años de trabajo de la Policía Federal brasileña.

Fueron identificadas al menos cincuenta agencias especializadas en buscar trabajo en el exterior para jóvenes brasileños. Anuncian desde plazas de camareros hasta domadores de caballo, de danzarinas a cuidadoras de niños y ancianos, de candidatas a modelo a músicos. Primera conclusión de ese trabajo de la policía: Brasil, mientras exporta bienes tangibles, exporta víctimas de ilusiones. Peligrosas ilusiones.

 (Transcrevi trechos)
Ilustração: L´orange qui pleure. A laranja que chora. De Ibis Soares Brandão