O nariz de palhaço de quem espera justiça no Brasil. Vídeo e fotos de passeata e carreata em Santa Maria

BRA_DSM O nariz de palhaço de quem espera justiça no Brasil

DECISÃO DE SOLTAR PRINCIPAIS RÉUS NO CASO DA BOATE KISS TRANSFORMA DOR EM REVOLTA

Parentes de mortos na tragédia voltam a protestar e se dizem traídos por determinação do Tribunal de Justiça

242 mortos. Duas vítimas permanecem hospitalizadas
242 mortos. Duas vítimas permanecem hospitalizadas

 

por Letícia Duarte
Depois de quatro meses da tragédia de Santa Maria, familiares e amigos das 242 vítimas do incêndio na boate Kiss acreditavam já ter ultrapassado todos os limites da dor. Com auxílio terapêutico, se esforçavam dia a dia para ressignificar a perda. Por orientação da polícia e do Ministério Público, apostavam em manifestações “pacíficas e ordeiras” para converter o luto em causa coletiva.
Diante da decisão judicial de soltar os quatro principais réus, usando como um dos argumentos a ausência de clamor popular, os parentes agora sentem-se traídos. Arrependem-se dos gritos contidos desde aquele 27 de janeiro, que ontem se traduziram em manifesto por justiça. Com a ferida reaberta, descobrem uma nova dimensão da dor, desta vez convertida em revolta.

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NÃO EXISTE MAIS CLAMOR, DIZ TJ
Uma das primeiras reações extremadas foi o tapa desferido por uma mãe no rosto de um dos defensores dos donos da boate, o advogado Jader Marques, na saída do julgamento, na quarta-feira. Apesar de ter prevalecido o entendimento na 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de que a prisão cautelar não seria mais necessária a esta altura do processo, os familiares também se sentiram esbofeteados pela decisão dos desembargadores. Um dos trechos da decisão assinala:
“A verdade é que, passados quatro meses desde o infausto, já não se fazem mais presentes os aspectos da ordem pública ressaltados pelo magistrado no decreto prisional: o clamor público e a necessidade de resguardar-se a credibilidade da Justiça”.

 

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— Nós fizemos o que a polícia, o Ministério Público, o juiz e os defensores públicos nos pediram: “Adherbal, segura a população que nós vamos revelar e dizer coisas que vão afetar e desagradar muita gente”. Nós cumprimos nosso dever de casa, fizemos tudo o que nos pediram e levamos um belo puxão de tapete. No caso da Eliza Samudio (ex-amante do goleiro Bruno), era apenas uma vítima e havia comoção. Os suspeitos foram presos preventivamente porque havia comoção. Então, com 242 vítimas não há comoção? — desabafou o presidente da Associação das Vítimas e Sobreviventes da Tragédia, Adherbal Ferreira.
Revoltados, familiares prometem subir o tom. Durante protesto na Praça Saldanha Marinho, nesta quinta-feira, membros da associação formaram um círculo e mostraram cartazes, pintaram o nariz de vermelho. Expressaram sentimentos com gritos em um megafone.
— A Justiça quer ouvir os gritos? Eles vão ouvir os gritos! — disse a dona de casa Marise Oliveira, 49 anos, que perdeu um filho no incêndio.

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Testemunha do esforço diário dos envolvidos para ressignificar a dor, a psicóloga Melissa Haigert Couto, diretora do departamento de voluntariado da Cruz Vermelha, observa que o processo de elaboração do luto regrediu.
— Eles estão revivendo a morte dos filhos com a mesma dor daquele dia, é como se a vida dos filhos não valesse. E a dor vem aumentada, porque vem junto com a revolta — observou.
Aumenta procura por psicólogos
Questionado sobre a decisão dos desembargadores, o prefeito Cezar Schirmer preferiu não se manifestar. Preocupados com a comoção pública, psicólogos do serviço de Acolhimento 24 horas, ligado à prefeitura, se reuniram na tarde desta quinta-feira para discutir novas estratégias de atendimento à população.
— Sentimos que aumentou a procura por auxílio e estamos em prontidão. Esse fato nos assinala que o trauma está longe do fim — analisou o psicanalista Volnei Dassoler, do comitê gestor.

Colaborou Patricia Silva. Acompanhe a situação dos envolvidos na tragédia. Veja nas tags os nomes dos assassinos que TJ protege. Para botar panos quentes no caso, a Câmara de Vereadores começou uma CPI, que devia ser realizada pela Assembléia Legislativa.

 

passeata e carreata

Clima tenso antecede a CPI da Kiss em Santa Maria

 

por Carlos Wagner

 

 

O clima que antecede a sessão da CPI da Kiss, prevista para começar às 9h na Câmara de Vereadores de Santa Maria, está tenso.Cerca de 20 minutos antes do início, a avó de uma vítima do incêndio da boate Kiss Nubia Leite Kaarsten e uma funcionária do Legislativo se desentenderam e chegaram a trocar tapas e empurrões.

 

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— Ninguém, mas niguém mesmo tem o direito de fazer o que ela fez com nossa dor — disse Núbia, avó de Kellen, uma das 242 pessoas que morreu na boate.

Elas foram contidas pelas pessoas que estão no local. A sessão de hoje, que deve ouvir o ex-secretário de Mobilidade Urbana de Santa Maria, Sergio Medeiros, e três fiscais do município será marcada por um protesto de familiares das vítimas da Kiss. Todos estão revoltados com a soltura dos quatro réus que estavam presos

 

Galeria de fotos

Justiça mole do Rio Grande do Sul e justiça dura de Pernambuco

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Lá no Rio Grande do Sul tiveram prisão temporária de cinco dias os donos da câmara de gás que já asfixiou 235 pessoas.

Na noite de ontem, a Polícia Civil pediu a prorrogação da prisão temporária dos proprietários da Boate Kiss e dos dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira. Desde segunda, o vocalista da banda Marcelo de Jesus dos Santos, e o produtor Luciano Augusto Bonilha Leão, assim como um dos proprietários da boate, Mauro Hoffmann, o Maurinho, estão detidos em caráter temporário na Penitenciária Estadual de Santa Maria, no distrito de Santo Antão. O outro proprietário. Elissandro Spohr, o Kiko, está internado em um hospital em Cruz Alta, sob custódia da polícia. Jornal A Rasão rs

Em Pernambuco, Ricardo Antunes por cobrar uma dívida de Antônio Lavareda (a polícia diz que foi extorsão, por tentar vender uma notícia por um milhão de dólares) está preso inafiançável e incomunicável como criminoso de alta periculosidade, perigoso para ordem pública e, que é pior, como jornalista inimigo, desde o dia 5 de outubro último.

Informa Luiz Roese: Em despacho assinado nesta quinta-feira, 31 de janeiro, o juiz Afif Jorge Simões Neto negou o pedido de revogação da prisão temporária do empresário Elissandro Callegaro Spohr, o Kiko, um dos sócios da Boate Kiss, local da tragédia que vitimou 235 pessoas na madrugada do último domingo, em Santa Maria.

Apesar de estar com a prisão temporária decretada, Kiko ainda não foi preso, pois está internado em um hospital de Cruz Alta. O pedido de revogação foi feito pelo advogado dele, Jader Marques.

No final da decisão, assinada durante o plantão do Judiciário, o magistrado escreve: “não vislumbro motivos para revogação da prisão temporária decretada pelo digno colega Régis Adil Bertolini.”

Briga pela presidência do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul

 

A maior punição que pode sofrer um desembargador, um ministro de tribunal, é a aposentadoria antecipada. Isso para o trabalhador de empresa privada representa um prêmio. Daí a luta por uma aposentadoria antes da velhice, que começa aos 60 anos.

Aos 65 anos, idoso. Aos 70 começa a ancianidade.

A perda da presidência de um tribunal deve ser um inferno no Judiciário do Rio Grande do Sul. O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a posse de todos os desembargadores eleitos para os cargos de direção da corte gaúcha.

A suspensão, em caráter liminar, vigora até o julgamento do mérito da reclamação apresentada pelo desembargador Arno Werlang. Com a decisão, os atuais dirigentes permanecerão nos cargos até a decisão final do STF.

O presidente da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), Giovani Dresch, divulgou nota nesta quinta-feira para manifestar “profunda apreensão com a decisão liminar do Supremo Tribunal Federal que suspendeu a posse dos desembargadores eleitos para a direção do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul”. A Ajuris entende que as eleições do TJ gaúcho têm ocorrido em respeito ao desejo democrático de seus integrantes. Impor ao Judiciário a ocupação dos cargos de direção pelo critério da antiguidade “contraria os avanços democráticos constantes da Constituição”, diz o texto.

Quem degrada o judiciário. Manchetes dos jornais de hoje revelam

O presidente do Superior Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Cezar Peluso, não revelou nomes.

Mas o discurso está correto: Quem degrada o judiciário leva à barbárie.

Publico  capas de jornais de hoje. Neste blogue – se minha intenção fosse promover uma seleta de provas – existem manchetes muito mais comprometedoras.

Quem degrada o judiciário? Creio que qualquer cidadão brasileiro sabe a resposta.