PROFESSORES PARANÁ Menos bala. Mais giz

Menos bala mais giz

Para quem apanhou da PM, cicatriz está aberta

por Vítor Ogawa
Entre os servidores do Hospital Universitário (HU) que estiveram no histórico protesto realizado na última quarta-feira no Centro Cívico de Curitiba, as cicatrizes da violenta ação repressora da Polícia Militar continuam abertas. A psicóloga Carla Maria Pagnossim esteve lá e relatou sua experiência. “Nós estávamos lutando pela tentativa de fazer o Governo Estadual recuar dessa decisão absurda de mexer no fundo (previdenciário), que já é deficitário porque os governantes nunca depositaram as partes que lhe cabiam. Em três ou cinco anos nós não teremos mais fundo”, afirmou. “Eu não acreditei no que fizeram com a gente. Eram mais de 3 mil homens contra 400 pessoas. Os policiais fortemente armados com espingardas, cassetetes, bombas de gás lacrimogênio e spray de pimenta. A nossa arma era um apito verde”, descreveu Carla, visivelmente emocionada. Ela prosseguiu: “Nós ouvíamos os cachorros latirem atrás, e enquanto nos afastávamos, os policiais avançavam sobre a gente. O objetivo deles não era afastar a gente da Assembleia Legislativa, mas nos expulsar da praça Nossa Senhora de Salete, que é enorme. Nada justifica eles lançarem bombas por mais de duas horas sobre a gente. Eles deveriam ter avisado os pais das crianças do Centro de Educação Infantil que ficava ao lado a não levarem elas para a escola”, criticou.

Ouro Verde
Em frente ao Teatro ouro Verde (centro), outros manifestantes protestaram ontem pela manhã contra a repressão feita na Praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico. Felipe Godeny, técnico de suporte de uma empresa privada, organizou a manifestação para mostrar que existem eleitores que não aceitam as atitudes tomadas pelo governador Beto Richa (PSDB) após a reeleição. “Eu acho lamentável. Ele poderia ter tomado uma atitude para evitar tudo isso, já que era previsto que tudo isso poderia acontecer, porque é comum algum manifestante querer derrubar grade e querer entrar lá dentro (da Assembleia Legislativa). A polícia deveria se comunicar com os manifestantes e evitar esse tipo de violência”, apontou. Os manifestantes colaram cartazes nos tapumes da obra parada do teatro. “Escolhemos o Ouro Verde para protestar porque ele é símbolo da ineficiência do Estado.” Folha de Londrina

Câmara revoga título de cidadão de Londrina de Beto Richa

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por Carlos Oliveira

Os vereadores questionaram durante a sessão, o merecimento do Título de Cidadão Honorário de Londrina concedido ao Governador Beto Richa.

Na avaliação de alguns vereadores, Richa não seria mais merecedor da honraria depois de ter permitido a violenta ação da PM contra os professores no último dia 29 de abril.

O título foi aprovado em janeiro de 2007, e o autor da proposta foi o então vereador Marcos de Freitas. A entrega da honraria aconteceu no dia 4 de abril do mesmo ano.

Por se tratar de projeto ligado a honraria, a tramitação da matéria é secreta, porém, recebi a informação de que o projeto revogando o título de cidadão honorário de Londrina do governador Beto Richa será apresentado.

polícia terrorismo professor richa

Soldado de Richa toma banho de “sangue”, para simular confronto com os professores

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AMIGOS DO BETO.“Cenas que ninguém mostra. Estas imagens revelam os bastidores do confronto entre sindicalistas da APP Sindicato, CUT, MST e black blocs com os policiais. Os grevistas tentaram furar o bloqueio policial derrubando as grades da ALEP. Quando a polícia tentou impedir, objetos e bombas voaram em direção ao pelotão. A inconsequência destes ativistas profissionais feriu muitas pessoas. Triste!”, escreveram, na legenda da foto, os amigos de Beto Richa.

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PM do sangue falso: o “mártir” dos tucanos em Curitiba

por Ivan Longo

A foto do PM pintado com tinta rosa para simular sangue foi usada pela página “Amigos do Beto Richa” como exemplo de policiais feridos por conta dos “ataques” dos manifestantes; o próprio agente já retirou a foto de seu perfil depois de ser ridicularizado nas redes sociais

Repercutiu muito nesta quinta-feira (30), nas redes sociais, a foto do policial militar paranaense Umberto Scandelari em que ele aparece pintado com tinta rosa para simular sangue e sugerir que foi atacado por manifestantes. Foi uma tentativa falha de justificar a truculência da polícia militar no dia anterior, que atacou sem pudores milhares de manifestantes que protestavam em frente a Assembleia Legislativa do estado e que deixou centenas de feridos.

A imagem do PM – por tentar simular o que não aconteceu – foi tão ridicularizada nas redes sociais que ele mesmo apagou a foto de seu perfil. Só esqueceram de avisar a página “Amigos do Beto Richa” para fazer o mesmo.

Fanpage seguida por tucanos e apoiadores do governador que comandou a desastrosa operação policial, ela postou naquele dia e mantém, até agora, a imagem do PM pintado de tinta como forma de ilustrar os “ataques” sofridos pelos policiais.

A postagem, no entanto, também já está sendo ridicularizada por internautas. Alguns mais indignados postaram fotos de professores feridos para mostrar o que é sangue de verdade.

 

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Hospitais improvisados, choro e desespero no Paraná

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PM usa bomba e bala de borracha contra professores

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O Centro Cívico se transformou ontem em uma praça de guerra. Segundo informações da Prefeitura de Curitiba, mais de 200 pessoas ficaram feridas durante o conflito entre tropas da Polícia Militar e professores e servidores estaduais que se manifestavam em frente à Assembleia Legislativa contra a aprovação do projeto de lei que altera a Paranaprevidência, proposto pelo governo Beto Richa (PSDB). Cerca de 150 feridos foram atendidos em 12 ambulâncias. Outros 63 feridos foram encaminhados para Unidades de Pronto Atendimento. O Hospital Cajuru recebeu 36 pacientes, e o Hospital do Trabalhador, outros sete feridos. Segundo o governo do

Estado, 40 manifestantes ficaram feridos e outros 20 policiais. Um cinegrafista da TV Bandeirantes foi mordido por um pitbull da Tropa de Choque.

Por volta das 15 horas, os manifestantes tentaram transpor a primeira barreira de policiais que impedia a entrada na Assembleia Legislativa e houve confronto. A partir deste momento, foram disparadas bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha contra os manifestantes. O disparo de bombas durou uma hora e meia e só se encerrou por volta das 16h30, quando os professores recuaram um pouco do cordão de isolamento e se concentraram mais na área da Prefeitura de Curitiba. A cada passo que os manifestantes davam para tentar avançar novamente em direção à Assembleia Legislativa, mais bombas eram lançadas. Os policiais também usaram jatos de água.

Antes do início do conflito, os manifestantes gritavam palavras de ordem como “retira ou rejeita” o projeto que alteraria as regras da Paranaprevidência. O volume de bombas atirado contra os manifestantes foi muito grande, mas a Polícia Militar não soube informar o número exato. A confusão era tão grande que nem ambulâncias conseguiam passar para atender os feridos. Depois de cerca de 15 minutos de bombardeio, os dirigentes sindicais que estavam no carro de som gritavam “Chega governador! Não estamos armados.” A todo momento os manifestantes xingavam o governador de covarde. No início da noite, os manifestantes deixaram o Centro Cívico. A APP Sindicato, que representa os profissionais da rede estadual de ensino, informou que faria uma reunião ontem à noite para definir os rumos da paralisação que iniciou na última segunda-feira.

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CHORO E DESESPERO

O subsolo da Prefeitura virou um verdadeiro hospital de guerra. O primeiro atendimento aos feridos aconteceu no prédio da Prefeitura. O cenário era de muita gente chorando, desesperada e com medo. A estudante de Direito Isabel Cortes foi atingida por estilhaços de bomba e estava com a perna sangrando. Ela foi atendida na Prefeitura. Os feridos também foram atendidos em um centro médico improvisado no Tribunal de Justiça. Era possível ver pessoas desacordadas e sangrando. Um centro de educação infantil da prefeitura que atende 150 crianças de três meses a cinco anos no Centro Cívico chamou os pais para buscarem os filhos quando as bombas começaram a ser disparadas.

A fumaça do gás lacrimogênio atingiu o local e algumas crianças começaram a passar mal.

Em nota, o governo do Paraná disse lamentar “os atos de confronto, agressão e vandalismo” e que as reiteradas tentativas dos manifestantes de invadir a Assembleia Legislativa culminaram com a ação de defesa das forças policiais. Ainda de acordo com o governo, 13 pessoas foram detidas por envolvimento direto no ataque aos policiais. Essas pessoas seriam ligadas ao movimento black-bloc e está em curso uma investigação sobre a atuação delas durante a manifestação. Segundo o comandante geral da PM, coronel César Kogut, a ação de ontem contou com 1.600 policiais. Ele disse ainda que não houve falha da polícia. “A agressão partiu dos manifestantes que iriam romper a barreira. A nossa missão era cumprir a ordem judicial de não invadir a Assembleia”, afirmou.

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Vice de Aécio apresenta versão de “confronto” para defender a polícia de Beto Richa

Não teve confronto. Nem batalha campal. Veja abaixo a manchete mentirosa de um jornal vendido, governista e inimigo do povo.

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Não foi um dia de guerra. Foi um dia de massacre. Um dia com a cara nazista do governador Beto Richa.

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Aloysio Nunes defende governador do PR 

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Thiago Lucas
Thiago Lucas

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), que disputou a vice-presidência na chapa de Aécio Neves, saiu em defesa nesta quinta-feira (30), do governador do Paraná e também tucano, Beto Richa, após o massacra dos policiais militares que deixou mais de 200 pessoas feridas em Curitiba.

Em resposta a senadores petistas que se revezaram na tribuna para criticar Richa e cobrar um posicionamento do PSDB, Aloysio acusou os professores de entrar em “confronto” com os policiais, e afirmou que não há “inocentes neste caso”.

“Não há inocentes neste caso, como o senhor quer apresentar as pessoas que confrontaram a polícia militar como sendo vítimas”, disse Aloysio em resposta ao líder do PT no Senado, Humberto Costa.

Segundo o senador tucano, a Polícia Militar do Paraná teve de reagir à tentativa dos manifestantes de invadir a Assembleia Legislativa. Ele afirmou, no entanto, que Richa vai apurar se houve excesso por parte da PM e, caso isso fique comprovado, punir os responsáveis.

“Confio na ponderação, no espírito democrático, do governador Beto Richa para que ele mande proceder as apurações, com rigor, para que, se houve indícios de excessos que possam ser atribuídos a membros das forças de segurança, eles sejam punidos”, disse. Mais de 200 pessoas feridas, oito em estado grave, os tucanos acham pouco.

Enquanto ocupou a tribuna, o líder do PT culpou o governador do Paraná pela chacina, e cobrou do presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), uma posição sobre o assunto. “Onde está o senador Aécio Neves? Onde está o democrata, o defensor da boa gestão? Onde está o PSDB para aqui defender o indefensável, defender uma gestão temerária e, acima de tudo, a violência cometida contra os trabalhadores?”, disse.

Antes dele, a petista Gleisi Hoffmann, que é do Paraná, lamentou o episódio e disse que o Estado estava “de luto” pelo que aconteceu. Ela afirmou que nunca, em sua vida, havia visto tamanha truculência e observou: “Não podemos deixar que o governador não responda por essa barbaridade que foi feita”.

— O estado do Paraná está de luto pela forma como foram tratados os professores, os trabalhadores da educação que faziam ontem um manifesto na Assembleia Legislativa. Eu estive ontem com o senador Roberto Requião na Assembleia Legislativa do Paraná e também participei, junto aos professores, da manifestação que faziam, aliás estive junto aos professores quando foram atingidos por bombas de gás lacrimogênio, por cassetetes da polícia e por uma truculência incomparável — disse a senadora.

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Richa não tem mais condições de governar, afirma Requião

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confronto entre o peito e a bala

“Foi um massacre”, assim definiu o senador Roberto Requião (PMDB-PR), em entrevista ao Brasil 247, descrevendo a repressão da Polícia Militar do governador Beto Richa (PSDB), contra os professores estaduais. Requião acompanhou os fatos de dentro da Assembleia Legislativa do Paraná, em Curitiba.

“Uma violência absurda contra idosos, mulheres, jovens… Aqui, em Curitiba, o sentimento é de indignação, perplexidade e revolta”, completou o senador.

Requião foi à Assembleia, acompanhado da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Ambos tentaram convencer os parlamentares a não votar o pacote fiscal de Richa, que confisca R$ 2 bilhões da previdência dos servidores para tapar rombos no orçamento.

“Esse parlamento envergonhou o Paraná. Todos se venderam ao Beto. Votaram em troca de emendas e de pequenas benesses em suas localidades”, declarou Requião.

Segundo o senador, embora Richa tenha conseguido aprovar o pacote, ele perdeu as condições morais de permanecer no cargo. “Não tem a menor condição de governar. Antes desse massacre, a rejeição dele já era de 80%. Agora, vai bater no teto”, salientou.

Requião disse Richa só se mantém no cargo graças ao apoio quase absoluto da imprensa paranaense, que se replica também em veículos nacionais. “Como é que chamam de confronto um massacre que deixa 200 feridos? Era um elefante contra uma formiga”, pontua o parlamentar.

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Confisco de R$ 2 bilhões dos fundos dos servidores

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Como é característico de Requião, não poupou críticas ao governador e disse que o Paraná foi tomado por uma “quadrilha”.

“Beto elevou a distribuição de dividendos das estatais, como Copel e Sanepar, para os sócios privados e esmagou os professores. O que fazer diante desse quadro?”, indagou.

Segundo ele, agora os parlamentares pedirão um posicionamento do Ministério da Previdência sobre o confisco de R$ 2 bilhões dos fundos dos servidores. Requião avalia que, depois do massacre deste 29 de abril, os professores dificilmente retomarão as aulas no Paraná.

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Não acabou/ tem de acabar/ eu quero o fim/ da Polícia Militar

por Alexandra Lucas Coelho/ Jornal Público/ Portugal

1. Quando fui dormir contavam-se mais de cem feridos. Esta manhã passavam de duzentos, em maioria professores no activo, mas também reformados, crianças, gente em cadeira de rodas, jornalistas que cobriam o acontecimento: uns atingidos por balas de borracha, outros por bastões, pontapés, bombas de gás lacrimogéneo, spray de pimenta, jactos de água ou pitbulls. Aconteceu quarta-feira, no centro de Curitiba, por ordem do governador do Paraná, e foi uma das mais violentas cargas da Polícia Militar contra manifestantes desarmados de que haverá registo na democracia brasileira.

2. “Praça de guerra”, resumiu o prefeito da cidade, enquanto o edifício da prefeitura era transformado em refúgio e enfermaria de emergência. Desde sábado que a praça frente à Assembleia Legislativa do Paraná estava cercada pela Polícia Militar, obedecendo às ordens do governador Beto Richa (PSDB). Uns bons passos à esquerda, o prefeito Gustavo Fruet (PDT) denunciara o cerco como “um abuso” mas o contingente militar só se reforçou no dia da manifestação, com atiradores no cimo de prédios e helicópteros. A insatisfação dos professores vinha de trás, passara por uma greve entre Fevereiro e Março, e nessa quarta-feira os deputados do Paraná iam votar um projecto que cobriria buracos nas contas governamentais à custa de mexidas na reforma dos funcionários públicos. Os professores eram um dos grupos atingidos pela alteração. O protesto juntou milhares, 20 mil segundo a organização, em frente à Assembleia, cujo acesso estava bloqueado pela polícia. Segundo vários relatos na imprensa, quando os primeiros manifestantes tentaram furar o cerco para entrar na sessão, derrubando grades, a polícia respondeu com tiros de borracha, jactos de água e bombas de gás lançadas de helicópteros. Há fotografias de manifestantes com buracos de balas de borracha na cabeça e no tronco. Testemunhas contam que professores foram chutados e espancados quando já estavam no chão, feridos. Um jornalista foi levado em estado grave para o hospital depois de ser atacado por um pitbull da Polícia Militar. Os gases alcançaram uma creche vizinha, que convocou os pais de urgência a retirarem os filhos.

3. Com tudo isto a acontecer lá fora, e sem presença popular na votação, os deputados aprovaram o projecto, que agora segue para confirmação do governador Beto Richa. O nome parece uma caricatura, à altura de bandido-chefe, e ele não desarmou. No auge da pancadaria, apareceu a dizer que os manifestantes eram “black blocs”, justificando assim a truculência policial. Mais tarde declarou que a polícia — armada e equipada com capacetes, coletes e escudos perante manifestantes sem armas e sem protecção — agiu para proteger a própria vida. O sindicato dos professores anunciou que o vai processar. Uma greve geral de professores estava marcada para esta quinta-feira em que escrevo.

4. Estive em Curitiba apenas uma vez, atrás da sombra de Dalton Trevisan, esse enigma vivo da literatura brasileira. Mas, à distância, mantenho contacto regular com um curitibano da gema, por acaso professor (da Universidade do Paraná), Caetano Galindo, tradutor da mais recente edição brasileira de Ulisses, de James Joyce. Onde andaria ele, pensei, ao ver aquela sucessão de professores ensaguentados. Mandei-lhe uma mensagem já de madrugada, perguntando se gostaria de dizer algo sobre o sucedido, e esta manhã ele respondeu: “A incompetência do governo atual [do Paraná], financeira, política, retórica, não deixa de surpreender. A estupidez do comando da situação, além de total falta de respeito, demonstra uma falta de mero bom-senso que chega a espantar. Não me lembro de ter visto alguém tão nitidamente incompetente no cenário político.”

publico parana

5. Caetano não estivera na praça mas o seu irmão, jornalista, sim, caso eu quisesse falar com ele. Escrevi então a Rogério Galindo, que em menos de uma hora respondeu: “Em 15 anos de jornalismo, nunca tinha sentido o gás lacrimogêneo se espalhar à minha volta. O gás arde nos olhos, queima a garganta e o nariz, faz chorar. Mas eu e muitas pessoas que estavam ali chorávamos por outras razões, na verdade: por vermos feridos, por vermos gente sendo carregada, sangrando, por vermos a aflição dos que corriam para escapar às bombas e aos policiais. Chorávamos pelo absurdo que se praticava contra nossa democracia.”

6. Entretanto, alguém recuperava online uma entrevista que Beto Richa dera há tempos à rádio brasileira de notícias, em que se declarava contra a formação superior de polícias, para evitar desobediências. Argumentava ele: “Outra questão é de insubordinação também, uma pessoa com curso superior muitas vezes não aceita cumprir ordens de um oficial ou um superior, uma patente maior.” A partilha desta entrevista coincidiu com a notícia de que 17 polícias se tinham recusado a participar no cerco aos manifestantes e teriam sido detidos por desobediência.

7. Um polícia trabalha para o Estado, como um professor do ensino público trabalha para o Estado. O que aconteceu em Curitiba, assinalaram várias testemunhas, foi o Estado contra o Estado. Mais precisamente: um líder, eleito, lançando pesadamente uma parte do Estado, armada, contra outra parte do Estado, desarmada. Distorção extrema da democracia, ao ponto de começar a repetir-se insistentemente nas redes sociais a palavra “fascismo”.

8. Muitos destes polícias também nasceram negros ou pobres, como os negros ou pobres que mais morrem no Brasil, empurrados para o que sobra, carne para canhão, numa cultura que há séculos favorece obediência, falta de autonomia e repressão, assim perpetuando a violência. Em Agosto de 2013, na sequência das manifestações que tinham sacudido o Brasil em Junho, muitas vezes violentamente reprimidas, entrevistei o coronel Ibis Silva Pereira, que então dirigia o novo programa de formação da Polícia Militar. O coronel Ibis queria acabar com a “lógica do inimigo”, intrínseca à própria noção de Polícia Militar, e para isso, sim, ele defendia o fim da Polícia Militar, ou seja a desmilitarização da polícia. Dias depois dessa entrevista, o coronel Ibis foi deslocado de funções. Vendo a polícia agir agora em Curitiba também pensei nele.

9. “A Polícia Militar é mais do que uma herança da ditadura, é a pata da ditadura plantada com suas garras no coração da democracia”, disse numa entrevista o antropólogo Luiz Eduardo Soares, um dos maiores especialistas brasileiros em segurança pública. Luiz Eduardo era um admirador do coronel Ibis, e nesses dias de Agosto de 2013 acreditava que a conjuntura brasileira ia apontar para uma desmilitarização, essencial à democracia: “A cultura militar é muito problemática para a democracia porque ela traz consigo a ideia da guerra e do inimigo. A polícia, por definição, não faz a guerra e não defende a soberania nacional. O novo modelo de polícia tem de defender a cidadania e garantir direitos, impedindo que haja violações às leis. Ao atender à cidadania, a polícia se torna democrática.” Nessa entrevista, Luiz Eduardo dizia que “70% dos soldados, cabos, sargentos e subtenentes querem a desmilitarização e a mudança de modelo”, enquanto a percentagem entre os oficiais desce para 54%. Ainda assim, uma maioria absoluta a favor da desmilitarização. Mas quase dois anos depois das manifestações que tomaram o Brasil — e em que tantas vezes ouvi o lema “Não acabou / tem de acabar / eu quero o fim / da Polícia Militar!” —, Curitiba não aponta nessa direcção.

10. Um pouco mais a sul da capital paranaense, em Pelotas, interior do Rio Grande do Sul, o sempre grande Odyr Berrnardi desenhou dois PM (polícias militares), escudados até aos dentes, um dizendo para o outro, lá no combate de Curitiba: “Minha professora disse que estou irreconhecível nesse uniforme.”

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Centrais sindicais e movimentos populares prometem um 1º de Maio de luta contra a terceirização

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Força Sindical do Partido Solidariedade continua apoiando os interesses dos patrões contra os empregados

Nos estados dos governadores dos partidos que votaram a terceirização, a polícia sempre inimiga do povo

Posicionamento de Dilma

“Terceirização é um fato em que existe uma área cinzenta e que precisa ser regulamentada, mas isso não pode significar perda de direito trabalhista nem pode significar não pagar impostos. Não podemos virar um país em que ninguém paga imposto. O governo tem que achar um equilíbrio, pois é importante ter legislação sobre a terceirização, mas sem eliminar direitos”, declarou Dilma Rousseff, ontem no Paraná.

Convocação para a luta

O 1º de Maio é um dia de luta por ampliação de direitos da classe trabalhadora e de reflexão sobre os direitos conquistados por trabalhador/as de todo o mundo. A história que se tem registro começa em 1886, quando trabalhadores de Chicago (EUA) fizeram uma greve geral para reivindicar redução da jornada de trabalho de até mais de 16 horas diárias para 8 horas. A polícia entrou em confronto. Dezenas de manifestantes foram feridos e alguns mortos. Anos depois, vários países reconheceram a data como feriado, entre eles, o Brasil, a partir de 1925.

Em 2015, neste Dia 1º de Maio, nós trabalhadores/as estamos nas ruas, reivindicando respeito aos direitos duramente conquistados e por sua ampliação.

Em defesa dos direitos, contra o ajuste fiscal: Continuaremos a pressão contra a aprovação do PL 4330, que retira direitos de todos/as os/as trabalhadores/as ao permitir a terceirização sem limites, em todas as funções de qualquer empresa e setor. Também continuaremos mobilizados contra a Medida Provisória (MP) 664, que muda as regras para a concessão do auxílio-doença e pensão por morte, e contra a MP 665, que dificulta o acesso ao seguro-desemprego e ao abono salarial. Somos contra a política de ajuste fiscal que penaliza o/a trabalhador/a, que gera desemprego e recessão. Defendemos a taxação das grandes fortunas, como primeiro passo para uma reforma tributária em nosso País.

Em defesa da democracia, contra a intolerância: Nossa luta também é pela manutenção do estado democrático de direito, contra a onda golpista em curso, que, caso vitoriosa, trará retrocessos para a classe trabalhadora, para a juventude, para as mulheres. Nossa luta é contra o preconceito de gênero, raça e etnia, crença, orientação sexual, ideologia política e outras opressões.

Corrupção se combate com o fim do financiamento empresarial de campanha: Corrupção se resolve com reforma política, com a proibição do financiamento empresarial de campanha e não com golpe de Estado. Enquanto essa forma de financiamento não for proibida, o sistema político brasileiro continuará a seguir os interesses das empresas que financiam as campanhas, e não aos interesses do povo brasileiro.

Em defesa da Petrobras e do pré-sal, patrimônios do povo: A Petrobras é do povo brasileiro e não dos patrões! Os ataques à empresa por parte do empresariado e seus representantes, contam com o apoio da grande imprensa e tem o objetivo de enfraquecer esse patrimônio brasileiro para que possam privatizá-lo e, assim, os recursos do Pré-Sal, que deveriam ser destinados à saúde e educação, iriam para a iniciativa privada, aumentando ainda mais os lucros dos patrões.

Direito não se reduz, se amplia!
Por reforma agrária, urbana, tributária e política

Entidades que assinam

Centro de Estudos da Mídia Alternativa “Barão de Itararé”
CMP – Central dos Movimentos Populares
CONAM – Confederação Nacional de Associações de Moradores
CONEN – Coordenação Nacional de Entidades Negras
Consulta Popular
CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
CUT – Central Única dos Trabalhadores
FDE – Fora do Eixo/Mídia Ninja
FETRAF – Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar
FLM – Frente de Luta por Moradia
FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
Intersindical CCP
Juventude Revolução
Levante Popular da Juventude
MAB – Movimento dos Atingidos Por Barragens
MMM – Marcha Mundial das Mulheres
MPA – Movimento Pequenos Agricultores
MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra
MTST –Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
Plataforma Operaria Camponesa da Energia
Plebiscito Constituinte
UBES – União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
UBM – União Brasileira de Mulheres
UNE – União Nacional Dos Estudantes
UNEGRO – União de Negros pela Igualdade
UNMP – União Nacional por Moradia Popular

Polícia contra o povo

Em Brasília, no dia 16 último, a polícia do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) rolou o pau nos trabalhadores.

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Inimigos do povo. Golpistas apóiam a terceirização

Sindicatos realizaram nesta quarta-feira, 15 de abril, protestos em pelo menos 21 estados e no DF contra o projeto de lei que regulamenta a terceirização no Brasil, aprovado na Câmara no dia 8 deste mês.

 Saad Murtadha
Saad Murtadha

Durante a tarde e início da noite, houve manifestações em São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Sergipe, Bahia e no Distrito Federal. Em alguns desses estados ocorreram atos tanto à tarde quanto pela manhã.

Os protestos, que integram o Dia Nacional de Paralisação contra o Projeto de Lei (PL) 4.330/2004, ocorreram ainda em Alagoas, Amapá, Goiás, Piauí, Paraíba, Paraná, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pará, Acre, Maranhão, Rondônia, Ceará, informou Agencia Brasil.

As manifestações foram organizadas por sindicatos filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outras centrais sindicais. Houve paralisações no transporte público em pelos menos cinco capitais, segundo a CUT: Florianópolis, Porto Alegre, Salvador, Recife e Brasília.

Policiais militares e manifestantes entraram em confronto em Vitória (ES).

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Durante o tumulto, a PM utilizou bombas de efeito moral para tentar dispersar os participantes do protesto. A assessoria da Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social informou que o direito à manifestação está sendo respeitado, mas o uso da força policial foi necessário para cumprir uma decisão judicial de 14 de abril com determinação para que não houvesse fechamento de vias de acesso à capital.

O prende e arrebenta da polícia militar comandada pelo governador em Brasília 

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Em Brasília, o ato acabou tomando proporções violentas, com direito a disparos de spray de pimenta contra os sindicalistas concentrados em frente ao Congresso Nacional.
Os manifestantes afirmam que se essa proposta for aprovada, uma série de direitos trabalhistas serão perdidos, uma vez que a lei acabará com os limites da terceirização no mercado de trabalho brasileiro, aumentando o número de prestadores de serviço sem vínculos empregatícios. Agência Sputinik

A polícia militar, comandada pelos governadores estaduais, é a mesma corporação dos tempos da ditadura. Inimiga do povo. Tanto que na ordem unida do dia 12 de abril, promovida pelas lideranças dos partidos da direita – PSDB, DEM e PMDB – , os manifestantes pediam a intervenção militar para derrubar Dilma, e apelavam para a justiça da nova república do Galeão do Paraná

Manifestação golpista de 12 de abril de 2015
Manifestação golpista de 12 de abril de 2015

Todos os partidos golpistas da direita votaram pela terceirização, o emprego indireto e precário.

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