Papa Francisco: Os pecados dos meios de comunicação

Nas ruas do Brasil
Nas ruas do Brasil

 

L’Osservatore Romano – Desinformação, calúnia e difamação são os pecados dos meios de comunicação, disse Francisco na manhã de 22 de Março, no discurso improvisado aos membros da associação «Corallo», na qual estão reunidas as emissoras de rádio e televisão católicas italianas, recebidos na sala Clementina.

Para o primeiro pecado, em particular, o Pontífice chamou a atenção porque – explicou – «a desinformação equivale a dizer metade das coisas, aquilo que para mim é mais conveniente, sem dizer a outra metade. E assim, quem vê a televisão ou ouve a rádio não pode manifestar um juízo perfeito, porque não dispõe de elementos». No final, o discurso preparado para essa ocasião foi entregue ao presidente da associação.

 

Telenovela 1 – Samba 0

por HUGO DANIEL SOUSA

 

É sexta-feira. No Tempero da Praça, um botequim na zona Norte do Rio de Janeiro, é noite de samba, bossa nova e música popular brasileira. É hora de animação. Rui de Carvalho e o grupo “eu canto samba” fazem aquecimento. Está quase na hora de começar o espectáculo. Só faltam o vocalista principal do grupo e os espectadores. Mas cadê o público? As mesas e cadeiras estão vazias. “Isto costuma estar cheio. É um dia atípico”, diz o empregado, sem encontrar explicação para o que se passa. Ainda sem o grupo completo, Alceu Pery ensaia o S”, uma criação de Marcos Valle cantada por muitas figuras da música brasileira, de Tom Jobim a Caetano Veloso. E segue, a pedido, para A Garota de Ipanema, a “segunda música mais conhecida do mundo, só perdendo para os Beatles”. A noite está quente, a música convida. Mas o que está a afastar o público? Alceu explica: hoje é o dia do último episódio da telenovela Amor à Vida, que também passa em Portugal, na SIC. “O Brasil inteiro vai parar”, diz o vocalista, que horas depois continuava a cantar para uma sala semi-vazia. Desta vez o samba perdeu para a telenovela. Mas não perguntem como foi o final da novela. Só podemos dizer que até deu capa de jornal. Veja vídeo de NELSON GARRIDO/ Jornal Público/ Portugal

Garota de Ipanema, a segunda música mais tocada no mundo, e no Brasil brega, raramente.

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
A caminho do mar

Moça do corpo dourado
Do sol de lpanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar

Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha

Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo

Por causa do amor

Tom Jobim e Vinicius de Moraes

 DA BESTIFICAÇÃO

por Talis Andrade    
 
            A ditadura da informação
            impõe o pensamento único
            do Grande Irmão
 
            Didi e Faustão
            ensinam moral e cívica
            às crianças do Brasil
            Esperança
 
            O jornalismo sanduíche
            engradado entre novelas
            de violência e sexo
            anestesia o povo bobo
            cativo da Globo

televisão indignados

Quadro político é lamentável, e o povo nada faz para mudar isso, permanecendo alienado pelas novelas e pelo Big Bosta Brasil

Nélio Jacob

Infelizmente, não há esperança a curto e médio prazo para os sérios problemas brasileiros. O que podemos esperar dos políticos que ai estão? Dilma, Lula, Aécio Neves, Eduardo Campos, Serra ou Alckmin? A ditadura acabou com as grandes lideranças nacionalistas e ainda evitou que surgissem outras. Estamos à mercê desses políticos, sem ideologia, sem coerência, sem espírito patriótico e nacionalista.

Lula não será candidato a presidente, nem a governador de São Paulo. Não se pode negar a esperteza do Lula, ele sabe que em qualquer disputa eleitoral sofrerá um desgaste muito grande, elementos não faltam: o caso Rose, o mensalão, o enriquecimento dele e do filho, as cartas assinadas por ele a 10 milhões de aposentados de outubro a dezembro de 2004, beneficiando o BMG, que foi um dos bancos que financiou o mensalão, tudo isso seria um prato feito para oposição.

Não competindo, Lula não se expõe. Trabalhando para reeleger a Presidente Dilma e o governador de São Paulo, ganhando os dois, sua popularidade e seu poder de comando aumentariam.

SEM OPOSIÇÃO

A oposição é fraca, o PSDB, o maior partido de oposição não tem moral, nem elementos para fazer oposição, pelo fato do PT, por caminhos diferentes, ser a continuação do governo FHC.

A maioria do povo brasileiro, é alienado e desinteressado, só vão votar porque são obrigados. É necessário entender que o povo foi levado a esse estado de letargia. Desde 1964 existe um processo para tornar o povo alienado, que continuou nos governos civis, com a ajuda da mídia.

São as novelas e o Big Bosta Brasil que degeneram principalmente os jovens. O que se pode aproveitar deste programas? Só assim, em meio a essa alienação, os políticos corruptos continuam se elegendo.

(Transcrito da Tribuna da Imprensa)

 

2. Negro de alma branca. O racismo da Globo

Pintar um artista branco para encenar um negro faz parte da história das novelas brasileiras.

Que papéis eram reservados para os atores negros nas novelas globais?

Quem é este negro, um dos principais atores da história do nosso cinema, teatro e tv?
Quem é este negro, um dos principais atores da história do nosso cinema, teatro e tv?

Historia a Wikipedia:

A Cabana do Pai Tomás é uma telenovela brasileira produzida pela Rede Globo e exibida entre 7 de julho de 1969 e 1 de março de 1970 às 19 horas. Escrita por Hedy Maia, baseada no romance Uncle Tom’s Cabin, de Harriet Beecher Stowe, e dirigida por Régis Cardoso. Teve 205 capítulos. Foi produzida em preto e branco.

Plínio Marcos, em sua coluna no jornal Última Hora, liderou uma campanha de repúdio a escolha do ator branco para interpretar um negro. A opinião geral na classe artística era que Milton Gonçalves deveria fazer o papel.

Assim, a televisão brasileira usava de uma prática iniciada no cinema norte-americano, chamada de “blackface”, onde atores brancos eram pintados de preto, encarnando assim uma visão destorcida de que atores negros não estavam à altura de representar, bem como para não chocar a sociedade marcadamente racista e segregacionista. O “blackface” todo o tempo reporta ao espectador que aquele negro na verdade esconde um branco.

Além da trama de A cabana do pai Tomás, a novela tinha partes tiradas de …E o vento levou, de Margaret Mitchell, com o personagem Dimitrius correspondendo a Rhett Buttler.

O ator branco pintado de negro é Sérgio Cardoso.

Escreve Paulo Senna:
A trama abordava a luta política, social e econômica entre escravos e latifundiários do sul dos Estados Unidos, à época da Guerra da Secessão, tomando por base a vida do velho escravo Pai Tomás (Sérgio Cardoso) e de sua mulher, Cloé (Ruth de Souza). Ele era um escravo negro de bom coração, que
passava de mão em mão, enfrentando senhores de engenho cada vez mais cruéis.

É bom lembra que Sérgio Cardoso (na foto como Pai Tomás ao lado da atriz Ruth de Souza) foi contratado pela Globo para viver o papel, mas contra a vontade de Glória Magadan, a supervisora de novelas da emissora na época. Ele teve que pintar o corpo, usar peruca e rolhas no nariz. Afinal, era um trabalho de composição, e ninguém melhor do que ele para fazê-lo. Apesar de que tinhamos e temos ótimos atores negros que poderiam ter interpretado o velho Pai Tomás

Um Ator Branco a Interpretar um Negro

 POR 

O protagonista da novela era o velho negro Tomás. A emissora, em um momento de preconceito racial que marcaria a nossa televisão, entregou o papel a um ator branco. Sérgio Cardoso, para interpretar o negro Tomás, tinha que pintar o corpo com uma tinta negra, usar peruca e rolhas no nariz. O ator Milton Gonçalves teria sido preterido ao papel, por exigência de uma subsidiária norte-americana da agência publicitária Colgate-Palmolive, patrocinadora das telenovelas à época.

Na classe artística, houve muitos movimentos de protesto contra a escolha de um branco para o papel de um negro. Incomodado, Sérgio Cardoso, conhecido por sua famosa falta de habilidade com as palavras, tentaria justificar-se em uma desastrosa declaração, que o faria ser visto como racista: “Tenho vários amigos de cor que são como meus irmãos; tenho afilhados pretinhos que amo como se fossem meus filhos.”

Sérgio Cardoso vivia três papéis nesta novela, além do negro Tomás, era Dimitrus, um galã a Clark Gable, e o presidente Lincoln. Dos galãs da época, Sérgio Cardoso era o único que arriscava fazer personagens deformados, para ele pintar o corpo de negro, era mais uma caracterização de uma personagem, não enxergando no fato uma discriminação racial da televisão. A novela resultou em um grande fracasso.

(Transcrevi trechos) Vale a leitura. Jeocaz escreve o perfil de Sérgio Cardoso, um verdadeiro ator. “No dia 18 de agosto de 1972 o Brasil parou, emocionado com a morte súbita do ator Sérgio Cardoso. O país perdia um dos maiores atores do teatro e da televisão do século XX”

Próximo desta série: Blackface. E ainda as diferenças entre negro e preto. Aguarde