Os piratas da telefonia cortam os telefones de hospitais e postos de saúde. Que o povo morra sem socorro médico

Em 2006, o Brasil foi empestado pelo Escândalo dos Sanguessugas, também conhecido como máfia das ambulâncias, que desviava dinheiro público para a compra de ambulâncias. Estavam nessa mutreta os deputados Ronivon Santiago, Nilton Capixaba e Carlos Rodrigues.

Agora temos as ambulâncias paradas. Não saem da garagem.
Tem gasolina? Tem.
Tem motorista? Tem.
Tem equipe médica? Tem.

Mas ninguém pode solicitar essas ambulâncias porque falta telefone. O interessado tem que ir lá nas escondidas garagens e solicitar pessoalmente.

Ou melhor explicado, falta dinheiro para contentar a ganância das multinacionais da telefonia.

Com as privatizações, manter funcionando uma central de telefone sai mais caro que comprar uma frota de ambulâncias, ou contratrar uma equipe de médicos, enfermeiros e motoristas.

Os municípios estão cortando os telefones de hospitais, postos de saúde, escolas e outros serviços essenciais. Foi no que deu a privatização da telefonia.

A onda dos leilões de privatização das empresas de energia escureceu as cidades. A iluminação pública também custa uma nota. Está falindo as prefeituras. As cidades hoje tem poste de iluminação bunda de vagalume. Uma iluminária bem fraquinha. É a escuridão da globalização unilateral. Que transformou o Brasil numa colônia internacional.

Quando um estádio vale duas vezes mais que seis companhias de telefonia

Os apagões dos telefones começaram com as privatizações. Quando os ladrões brasileiros venderam nossa telefonia para os corsários estrangeiros.

É bom recordar essa pirataria, na voz de uma revista deles:

O banqueiro Joseph Safra e seu sócio no mundo dos telefones, a BellSouth, dos Estados Unidos, compraram “a licença para explorar o celular na Grande São Paulo, pagando 2,6 bilhões de reais. Com um ágio estonteante de 341%, o grupo  ganhou a licença para vender o serviço de telefonia móvel em seis Estados do Nordeste – Alagoas, Pernambuco, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte e Paraíba. O consórcio pagou 555 milhões de reais pela concessão, 205 milhões além do que foi oferecido por seu concorrente mais próximo – curiosamente, o grupo do empreiteiro Cecílio e seus sócios suecos. Com o território nordestino anexado na semana passada, o Brasil passa a ser a segunda área mais importante no mapa de celulares da BellSouth, que está em vinte países. `Nossa empresa fez um dos melhores negócios de sua história’, diz Roberto Peón, o mexicano que comanda as operações da BellSouth na América Latina”. As pornografias “estonteante” e “além”, da revista Veja, são para passar a farsa de que o Brasil fez um grande negócio. Mas quem falou a verdade foi o peão Roberto Peón.

Vejam só: 555 milhões pelas companhias de telefonia de seis estados nordestinos.

Quanto vai custar o estádio da Copa do Mundo de Pernambuco?
O do Ceará?
O do Rio Grande do Norte?

Para se ter uma idéia: “O BNDES aprovou financiamento no valor de R$ 396,5 milhões para construção da Arena das Dunas, em Natal (RN), que será uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Os recursos equivalem a 75% do valor total do projeto, de acordo com teto estabelecido pelo programa BNDES ProCopa Arenas, no âmbito do qual a operação foi aprovada“.

Mente o BNDES. O BNDES sempre mente.

“O custo total da Arena das Dunas poderá chegar a

R$ 1.288.400,00! E isso só para o estádio.

Ou melhor explicando: esse é o montante que o Governo do Estado pagará à construtora OAS, a empresa que ganhou (porque foi a única participante) a licitação para construir o estádio. A OAS gastará R$ 400 milhões na construção, dos quais R$ 300 milhões serão financiados pelo BNDES.

Para ressarcir aqueles R$ 400 milhões à OAS, o Governo fará pagamentos mensais durante vinte anos; nos primeiros 11 anos, serão R$ 9 milhões por mês, que serão reduzidos nos anos seguintes, e que somados chegam à soma de mais de R$ 1 bilhão“.

Esta é a parte da OAS. Temos mais empresas comendo, comendo, comendo.