PORTUGAL. “A austeridade é um roubo”

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“A austeridade é um roubo” serve de mote para as iniciativas agendadas pelo Bloco de Esquerda para o próximo sábado, dia 21 de fevereiro, no distrito do Porto.

Pelas 15h, os bloquistas promovem uma marcha anti austeridade, que terá início no Largo Sandeman, na Ribeira de Gaia.

Já pelas 16h, a porta voz do Bloco, Catarina Martins, e Yiannis Bournous, membro e dirigente do Syrisa e do Partido da Esquerda Europeia, participam num comício no Mercado Ferreira Borges, no Porto. A iniciativa contará ainda com música, retratos e depoimentos de resistência.

No sábado, Yiannis Bournous participará ainda, em Lisboa, no primeiro painel do Fórum Dívida e Direitos Humanos, organizado pelo IAC – Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida, que é subordinado ao tema “Dívida e direitos humanos, uma causa sem fronteiras”.

 

Syriza nunca ratificará acordo de comércio UE-EUA. “E esse será um presente não apenas para o povo grego, mas para todos os europeus”

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Em declarações ao EurActiv Greece, Katrougkalos destacou a sua preocupação face à criação de um mecanismo de resolução de litígios entre os investidores e o Estado, que torna irrelevantes as leis nacionais, subjugando-as aos interesses dos investidores privados.

A “prática antidemocrática” que prevaleceu desde o início das negociações foi alvo da crítica do vice-ministro da Reforma Administrativa, que garantiu que “um Parlamento no qual o Syriza tem a maioria nunca ratificará” o acordo de comércio UE-EUA.

“E esse será um presente não apenas para o povo grego, mas para todos os europeus”, avançou.

Numa entrevista publicada em dezembro de 2014, o atual ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, deixou claro que “o problema com o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP) é que não se trata de livre comércio mas sim da entrega excessiva de direitos de propriedade sobre normas ambientais e propriedade intelectual às empresas multinacionais”, o mesmo se passando “no que toca à segurança”.

Os Gregos Independentes também já tinham assinalado, num comunicado datado do início de novembro de 2014, a sua oposição ao TTIP, mencionando que, ainda que o acordo visasse alegadamente impulsionar a economia real, na verdade, os seus principais impulsionadores são “banqueiros e lobbies internacionais”.

“Simplificando, o capital especulativo terá ainda mais liberdade para se movimentar […] num único mercado enorme, com oitocentos milhões de pessoas”, adiantou a porta-voz do partido Marina Chrysoveloni.

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Protesto reuniu 40 eurodeputados diante da sala fechada. Foto do GUE:NGL
Protesto reuniu 40 eurodeputados diante da sala fechada. Foto do GUE:NGL

Alemanha não tem qualquer base para rejeitar proposta do Syriza sobre a dívida, afirma Krugman

Na sua coluna do The New York Times, o economista Paul Krugman defende que as propostas do Syriza são perfeitamente razoáveis e que se a posição alemã é que a dívida grega deve ser sempre paga na totalidade, “então essa posição é basicamente louca, e todas as afirmações de que a Alemanha entende a realidade são desmentidas”.

Paul Krugman: “Se a troika tivesse sido verdadeiramente realista, teria reconhecido que estava a exigir o impossível”. Foto de Lou Gold
Paul Krugman: “Se a troika tivesse sido verdadeiramente realista, teria reconhecido que estava a exigir o impossível”. Foto de Lou Gold

Segundo refere o economista Prémio Nobel de 2008, o que o Syriza pretende “é o alívio substancial, mas não escandaloso, do fardo dos excedentes primários (ou seja, os excedentes referentes ao pagamento dos juros), reduzindo as transferências para os credores de 4,5% para 1-1,5% do PIB. Pretendem, igualmente, flexibilidade para alcançar esses mesmos excedentes, através de uma fórmula que inclua mais receita e menos cortes na despesa”.

“Todos sabem que a dívida grega não pode ser paga a totalidade”, frisa o economista.

Na opinião de Krugman, a Alemanha não tem qualquer base para rejeitar esta proposta.

“Se a posição alemã é que a dívida deve ser sempre paga na totalidade, sem qualquer alívio substancial, mesmo conseguindo evitar as amortizações da dívida em papel, então essa posição é basicamente louca, e todas as afirmações de que a Alemanha entende a realidade são desmentidas”, defende o Prémio Nobel de 2008.

“A questão neste momento é que o Syriza está a fazer sentido. O próximo passo é com os credores”, remata Paul Krugman.

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Grécia tem que deixar de ser “a chaga” da zona euro

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Numa entrevista concedida ao Channel 4 esta segunda-feira, o ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, destacou que o Syriza tem “a determinação de acabar com o alegado ciclo em que a Grécia foi transformada na chaga da zona euro”.

Varoukakis adiantou ainda que acredita que a Grécia chegará a um acordo com os seus congéneres europeus sobre a dívida do país “nas próximas horas ou dias”.

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Leia:
Plano económico do Syriza é mais realista que o da troika, diz Krugman

 

 

 

 

Por que a impresa brasileira faz oposição ao governo grego?

A imprensa brasileira é de uma valentia arretada. Sempre está contra todos os governos que Tio Sam detesta.

Taí uma medida que conseguiu a harmonia entre os quatro poderes do Brasil (imprensa, judiciário, legislativo e executivo):

 

Poupanças do Syriza começam nos carros de luxo do Governo

 
O governo grego continua a marcar a diferença em relação aos anteriores: para além das viagens aéreas em classe económica, os ministros vão continuar a deslocar-se em transportes públicos ou nos seus próprios veículos.

Este BMW topo de gama blindado e com todos os extras é um dos carros que o Governo grego quer vender.
Este BMW topo de gama blindado e com todos os extras é um dos carros que o Governo grego quer vender.

 

O combate à despesa pública começa no Governo – terá sido a ordem dada por Alexis Tsipras mal tomou posse, referindo-se às viaturas de luxo que herdou do anterior executivo da Nova Democracia e Pasok. Segundo confirmou uma fonte do governo grego ao jornal alemão Spiegel, entre os veículos oficiais dos ministros está um BMW topo de gama com comunicação por satélite e todos os extras incluídos, cujo preço comercial ascende a 750 mil euros. O automóvel foi adquirido pelo executivo de Papandreou e continuou ao serviço de outro líder do PASOK, o ex-vice primeiro ministro Evangelos Venizelos.

Apesar de não resolver o problema financeiro, esta medida simbólica tem bastante impacto na Grécia, onde a classe política é associada à corrupção e ao nepotismo. Outra decisão do novo governo de Atenas foi a de viajar em classe turística nas deslocações aéreas, poupando mais dinheiro aos cofres públicos. Alexis Tsipras e os restantes membros do executivo grego optam por usar os automóveis particulares para as deslocações oficiais.

“Os ministros não precisam de veículos oficiais de Estado”, afirmou o vice-ministro da Reforma Administrativa Georgios Katrougalos, que é o responsável pela venda do parque automóvel do Governo. Ele próprio passará a usar o seu automóvel particular para as deslocações oficiais, disse ao jornal grego “To Vima”. À pergunta sobre a sua segurança pessoal, responde: “Para que é que eu preciso de proteção policial? Quando me apercebo que alguém me quer atirar um iogurte, afasto-me imediatamente”. Por outro lado, segundo Katrougalos, isso seria um sinal de que as pessoas já não o pretendiam como ministro, o que faria abandonar o cargo.

 

 

Nova Grécia de Tsipras provoca onda anti-austeridade na Irlanda

Arcadio Esquivel
Arcadio Esquivel

 

Na Irlanda existe a possibilidade dos partidos historicamente dominantes, Fine Gael e Fianna Fail, ficarem fora do poder pela primeira vez desde a fundação do Estado em 1922. A vitória do Syriza na Grécia deu um impulso extra aos partidos da oposição, principalmente ao Sinn Féin, que há meses acumula novos apoiantes.

A economia irlandesa cresce e o desemprego desce, mas a chegada ao poder de um governo de esquerda radical na Grécia reavivou o debate sobre os sacrifícios provocados pela austeridade e pelos cortes.

A vitória do Syriza na Grécia deu um impulso extra aos partidos da oposição, entre eles o partido de esquerda Sinn Féin, que há meses acumula novos apoiantes.

“Esta carga insustentável de dívida que se impôs ao nosso povo é a principal causa da nossa miséria económica”, disse o líder do Sinn Féin, Gerry Adams, no Parlamento após as transcendentais eleições na Grécia.

“Não é só um problema irlandês”. É um problema europeu. Necessitamos de uma solução europeia”, disse Adams, que defende uma conferência europeia sobre a dívida como sugeriu o novo primeiro-ministro grego Alexis Tsipras. A Irlanda estima que o seu crescimento em 2014 foi de 4,7%, será de 3,9% em 2015, e que o desemprego cairá para os 9,8% este ano.

O país já não está a contrair novos empréstimos junto da UE e do FMI, todavia está envolvido nos reembolsos dos anteriores, e o Sinn Féin quer uma renegociação, em particular, dos 64 mil milhões de euros injetados nos bancos desde 2008.

Governo insiste que não é a Grécia

Apesar de algumas semelhanças, o Governo irlandês insiste que não é a Grécia, e exibe os dados macroeconómicos positivos. “A especulação na comunicação social e a especulação política vão à frente do Governo grego”, disse Simon Harris, secretário de Estado das Finanças.

“Não sabemos exatamente o que é que o Governo grego vai pedir”, disse.

Harris também assinalou que a Irlanda já reestruturou as dívidas do seu resgate em quatro ocasiões para reembolsar antes, cortar nas taxas de juro e estender os prazos de pagamento.

Esta semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) disse que a recuperação da Irlanda vive um “bom começo”, mas são necessários esforços para pôr “a dívida pública num ritmo descendente”.

“As perspetivas a médio prazo da Irlanda são positivas, mas o estancamento da zona euro cria inconvenientes”, disse o FMI na sua última avaliação pós-resgate.

Novas tarifas da água e outros contratempos empurram o voto para a esquerda

A introdução de novas tarifas para a água a partir de 1 de janeiro deste ano, assim como uma série de contratempos políticos em 2014, fizeram com que os apoios dos partidos do Governo caíssem para os níveis mais baixos dos últimos meses.

O imposto da água era a última peça de um pacote de aumento de impostos e cortes na despesa no valor de 30 mil milhões de euros desde 2008 e que afetou todos os cidadãos, num país em que o desemprego atingiu os 15,1% em 2012.

Este mês, no entanto, existiu um corte modesto nos impostos, naquele que foi o primeiro Orçamento de Estado expansionista em sete anos, por seu lado os ministros vendem a ideia de recuperação económica sempre que podem.

Porém, as eleições gregas demonstram que uns resultados considerados impossíveis “há cinco anos são agora uma possibilidade”, realçou Nat O’Connor, da Tasc, uma organização de análise e estudos independente.

“Agora existe a possibilidade de um cataclismo eleitoral similar na Irlanda, mas também em Portugal e em Espanha”, disse.

Na Irlanda existe a possibilidade dos partidos historicamente dominantes, Fine Gael e Fianna Fail, ficarem fora do poder pela primeira vez desde a fundação do Estado em 1922.

Negociações a serem acompanhadas de perto

Com eleições legislativas em 2016, as negociações sobre a reestruturação da dívida grega serão observadas com atenção na Irlanda.

“Se os gregos recebem algum tipo de oferta melhor por terem votado no Governo que votaram, os irlandeses farão o mesmo e dirão que essa é a verdadeira resposta aos nossos problemas”, disse à AFP o comentador político Johnny Fallon.

No entanto, o economista chefe do banco KBC Bank, Austin Hughes, diz que há diferenças entre a Grécia e a Irlanda.

“A lição fundamental é que é necessário ter uma economia que gere pelo menos a promessa de aumento dos rendimentos e do emprego, e a Irlanda está, provavelmente, nessa etapa”, disse.

“O desafio que o Governo enfrenta é encontrar um equilíbrio que faça sentir às pessoas que estão no caminho correto, por que as suas expetativas não estão claras sobre o que a economia pode razoavelmente proporcionar-lhes”, disse Hughes.

Tradução de Fabian Figueiredo para esquerda.net

 

Syriza quedó a dos escaños de la mayoría absoluta que le permite gobernar en soledad

Tsipras dijo que su victoria es también la de todos los pueblos de Europa que “luchan contra la austeridad que destroza nuestro futuro común”

ARGENTINA
ARGENTINA

En Grecia se produjo un cambio histórico. La coalición de izquierda Syriza, liderada por Alexis Tsipras, ganó ayer las elecciones generales con el 36,4 por ciento de los votos, cifra que roza la mayoría absoluta (149 bancas), que le permitirá gobernar solo y poner fin al ajuste impulsado por la Unión Europea y el Fondo Monetario Internacional. Con un 96 por ciento de votos escrutados, Nueva Democracia, la fuerza conservadora del primer ministro saliente, Antonis Samaras, quedó segunda, con un apoyo de un 27,8 por ciento (76 asientos), según datos oficiales. En tercer lugar, en tanto, quedaron los neonazis de Amanecer Dorado, con un 6,3 por ciento de los votos (17 bancas), seguido de cerca por los centristas de To Potami (El Río), con un 6,2 por ciento (17 electos). Estos últimos se mostraron dispuestos en la campaña a formar alianza con Syriza. A continuación les siguieron los comunistas del KKE, con un apoyo del 5,4 por ciento (15 escaños), y el hasta ahora aliado del gobierno conservador, el Pasok socialdemócrata del viceprimer ministro Evángelos Venizelos, con un caudal electoral del 4,71 por ciento (13), idéntico porcentaje que el de los Griegos Independientes, referentes de la derecha nacionalista.

Tras demorar su discurso triunfal a la espera de la confirmación definitiva del número de bancas de que dispondría Syriza (149, a sólo dos de la mayoría absoluta), Tsipras habló ante una impaciente multitud de estudiantes y militantes de izquierda que colmaba la plaza de la estación de subte Panepistimio, frente a la Biblioteca Nacional y la Universidad de Atenas. El líder de la formación ganadora dijo ser consciente de que la victoria no le da un cheque en blanco, “sino un mandato para reorganizar el país”, y anunció su intención de negociar con los acreedores. “El nuevo gobierno estará dispuesto a colaborar y a negociar por primera vez con nuestros socios una solución justa, viable, duradera, que beneficie a todos”, declaró Tsipras ante sus seguidores.

“Grecia avanza con optimismo en una Europa que cambia”, agregó el líder de la izquierda griega. Respecto de las cruciales negociaciones con los prestamistas del país, la Unión Europea y el Fondo Monetario Internacional, el jefe de Syriza mostró la disposición del futuro gobierno griego de llevar a cabo un diálogo sincero y abordar un plan nacional y un plan sobre la deuda. Entre sus principales puntos, el programa económico de Syriza comprende el fin de las medidas de ajuste y la renegociación de la abultada deuda pública del país, que se eleva a un 177 por ciento del Producto Interno Bruto.

“No hay ni vencedores ni vencidos. Nuestra prioridad es hacer frente a las heridas de la crisis, hacer justicia, romper con las oligarquías, el ‘establishment’ y la corrupción”, afirmó. Tsipras declaró que Atenas deja la austeridad tras cinco años de humillación porque el pueblo le ha dado un mandato claro de relegar al pasado a la troika. El país heleno espera el desbloqueo del último tramo de los préstamos acordados antes de fines de febrero, a condición de que se respeten los compromisos adquiridos con los acreedores respecto de la aplicación de las reformas. Desde 2010, los acreedores han acordado unos 240.000 millones de euros en préstamos al país.

El presidente del Banco Central alemán (Bundesbank), Jens Weidmann, dijo ayer que la economía griega sigue necesitando apoyo externo y recordó al futuro gobierno de Atenas que ese respaldo sólo tiene cabida si se respetan los acuerdos adoptados. “Está claro que Grecia no puede todavía prescindir del apoyo de un programa de ayuda. Y, naturalmente, un programa de ese tipo sólo puede darse cuando se cumplen los acuerdos”, afirmó Weidmann en una entrevista con la primera cadena de la televisión pública alemana ARD, tras conocerse que los sondeos daban la victoria a Syriza.

El presidente del banco central alemán confió en que el nuevo gobierno griego no haga promesas ilusorias que el país no se puede permitir y que continúe con las reformas estructurales que se necesitan sin poner en cuestión lo conseguido hasta el momento. A su juicio, el objetivo es que las finanzas griegas sean sostenibles a largo plazo y mientras ése no sea el caso, una quita de la deuda sólo dará un breve respiro, estimó. Lograr ese objetivo, recalcó, exige reformas tanto en las finanzas públicas griegas como en la economía del país.

Tsipras pareció responderle al funcionario alemán. “Antes de todo, el pueblo debe recobrar su dignidad, el optimismo, la sonrisa, ése es el mensaje primordial”, señaló. Y reiteró así sus declaraciones al momento de emitir su voto: “Es un día para la vuelta de la esperanza, el fin del miedo, la vuelta de la democracia y la dignidad en nuestro país”. Pese a afirmar que en la elección no hubo vencedores ni vencidos, señaló que la Grecia del trabajo, del conocimiento y de la cultura que lucha y tiene esperanza había superado a la de los oligarcas y de los corruptos.

Y afirmó que su victoria es también la de todos los pueblos de Europa que “luchan contra la austeridad que destroza nuestro futuro común”. El nuevo gobierno, aclaró, desmentirá a todos los que ven destrucción. “No habrá desastre ni sumisión. Nuestro objetivo desde el primer día es restablecernos de las consecuencias de la crisis”, dijo. Para ello, adelantó, se “negociará con nuestros socios europeos” un plan de reformas “sin nuevos déficit pero sin un superávit irrealizable”.

Por su parte, Samaras reconoció su derrota pero destacó que “a pesar de la medidas dolorosas que tuvimos”, su partido sólo perdió dos puntos porcentuales con respecto a la elección general anterior, en 2012. Desde esos comicios, el partido que más perdió apoyo fueron los socialdemócratas del Pasok, la fuerza que gobernó el país ininterrumpidamente desde la posguerra hasta el inicio de la crisis económica hace cinco años y que se alió a los conservadores de Samaras en los últimos años para imponer el ajuste impulsado por la UE y el FMI. Evangelos Venizelos, el líder del Pasok, que quedó sexto en los comicios, felicitó a Tsipras por su victoria, pero le advirtió que la actual situación griega necesita de mayorías más amplias. El líder socialdemócrata responsabilizó al ex primer ministro Yorgos Papandreu por la debacle sufrida por la fuerza. Según dijo, el veterano dirigente provocó una escisión por razones personales, al crear su propio partido a pocas semanas de las elecciones anticipadas de ayer.

En tanto, el líder de la fuerza neonazi Amanecer Dorado, Nikos Mijaloliakos, celebró el tercer lugar desde la cárcel, donde la mayoría de la cúpula se encuentra hace más de un año. Pese a las detenciones y a que casi no hicieron campaña, la fuerza no perdió el apoyo de sus simpatizantes. Pero lejos de allí, en los alrededores de la Universidad de Atenas, los seguidores de Syriza no paraban de vibrar.

DIPUTADO GRIEGO DE SYRIZA MANOLIS GLEZOS, HEROE DE LA RESISTENCIA AL NAZISMO: “Aún existen los traidores en nuestro país”

Por Eduardo Febbro

Desde Atenas

“Habría que bajar la bandera de los súbditos e izar la bandera de la independencia y la soberanía nacional”
“Habría que bajar la bandera de los súbditos e izar la bandera de la independencia y la soberanía nacional”

Manolis Glezos no tiene tiempo para escribir sus memorias. Podría llenar varios volúmenes, pero prefiere vivir. Los 94 años que marca el reloj del tiempo no le frenan ni sus ansias, ni su fuerza, ni sus convicciones políticas inalterables desde aquella madrugada de Mayo de 1941 cuando, en plena ocupación nazi de Grecia y con apenas 18 años, subió a la Acrópolis de Atenas, arrió la bandera nazi e izó la griega. Manolis Glezos es un héroe europeo y nacional. Los historiadores ubican su gesto como el primer acto de resistencia contra la ocupación nazi de Europa del Sur. Nada parece detener a este hombre enérgico que atravesó un siglo XX en rebeldía constante y ahora, en este naciente siglo XXI, acaba de ser electo diputado en las filas de la coalición de izquierda radical Syriza. Detenido, liberado, arrestado, condenado, fugado, torturado y siempre libre.

–Tantas y tantas décadas después, ¿qué le produce a usted ver a los neonazis ingresar al Parlamento?

–Es algo triste lo que ocurrió, pero creo que debemos analizar estos eventos y ver por qué ocurrieron. Desde luego que me da tristeza y rabia. A pesar de nuestra gran historia aún existen traidores en nuestro país. Siento pena de ver cómo hay gente que puede llegar a este punto. También siento rabia porque nuestro sistema político le da de comer a estos fenómenos, los fortalece. Durante la ocupación de Grecia por los nazis tuvimos traidores y colaboradores. A muchos de los colaboradores les dijimos: ustedes son griegos, tienen que trabajar para Grecia. Hicimos un trabajo tan fuerte que muchos de ellos pasaron luego a formar parte del Frente de Liberación Nacional. Hay que hacer un trabajo similar con quienes votan por los neonazis. Además, hoy hay que mirar de cerca las consignas y las políticas que promueven estas organizaciones. Dicen que están contra el capital, contra los memorandos de austeridad, dicen que están a favor de la Patria y contra los inmigrantes. Es curioso constatar que durante la Ocupación, una de las primeras organizaciones creadas por griegos traidores y alemanes se llamaba ESPO, Organización Social Nacionalista Patriótica. Pues ESPO defendía los mismos temas que los neonazis de hoy: lo nacional, lo patriótico y el socialismo. Lo mismo que ahora: patriótico contra el memorando, social contra el capital y contra los inmigrantes por la nación. Lo que nos queda entonces por hacer es revelarle al pueblo los planes de esta gente y demostrar que los problemas del pueblo no se pueden resolver con el fascismo. Para mí, no se trata de saber lo que yo siento sino cómo enfrentar ese problema sin sentimentalismo, con lógica. Para Grecia, lo más importante es recuperar su independencia nacional. En este momento nos han llevado casi a ser un protectorado bajo el dominio de Alemania.

–¿Se siente humillado con la actitud despreciativa y rebajante que Alemania tuvo con Grecia durante todo este período de la crisis de la deuda?

–Nosotros combatimos a los alemanes durante la Segunda Guerra Mundial y los seguimos combatiendo ahora, pero de otra manera. Es otro tipo de guerra. Pero hay una cosa que es segura: en aquel entonces no nos ganaron y tampoco nos ganarán ahora. Durante la Segunda Guerra Mundial los vencimos con las armas, hoy los venceremos de otra manera.

(Transcrevi trechos. Leia mais) Clique aqui e entenda o neonazismo por trás da troika.