Horacio Cartes ingressou no futebol como um negócio

por Iuri Müller

O jornalista César Ávalos acompanha a trajetória do empresário – e agora presidente – Horacio Cartes desde 1985. Em 2013, pouco antes das eleições, lançou o livro “La otra cara de HC”
O jornalista César Ávalos acompanha a trajetória do empresário – e agora presidente – Horacio Cartes desde 1985. Em 2013, pouco antes das eleições, lançou o livro “La otra cara de HC”

O novo presidente do Paraguai, Horacio Cartes, alcançou mais de um milhão de votos nas eleições de 21 de abril , cerca de 46% do total. Com ele, retorna ao poder o velho Partido Colorado, sigla que passou sessenta anos consecutivos na presidência – até o dia em que Fernando Lugo rompeu com o domínio que certa vez pareceu eterno. Mas Lugo não pôde terminar o seu mandato: foi destituído, e um dos entusiastas do impeachment de 2012 foi justamente Horacio Cartes. A eleição do novo mandatário se conecta com outros capítulos políticos da história recente do país, e contra Cartes não faltam acusações e denúncias.

O jornalista paraguaio César “Chiqui” Ávalos organizou parte delas no livro “La otra cara de Horacio Cartes”, lançado em Assunção antes do processo eleitoral e hoje um sucesso de vendas. Em entrevista para o Sul21, Ávalos buscou esmiuçar a atuação do novo presidente em diferentes lados. O jornalista responde sobre os supostos privilégios que o presidente obteve durante a ditadura militar, o papel como dirigente de futebol no Club Libertad, as negociações como empresário do tabaco e da bebida e os processos judiciais que Cartes responde na América Latina.

Sul21 – Ávalos, antes das eleições surgiram diversas acusações contra Horacio Cartes, muitas delas inclusive foram denúncias detalhadas. E, assim mesmo, Cartes foi eleito presidente do Paraguai com uma grande votação. A que se deve o prestígio de Horacio Cartes no país?

Ávalos – O fato de que a votação tenha se definido a favor de Cartes não se deve a seu prestígio, por sinal bastante questionado, mas pela estrutura do Partido Colorado, o maior do país, e que regressa para a presidência em que esteve por sessenta anos. De maneira que a tarefa de reconstrução do partido, apontada pelo dinheiro de Cartes, tem a ver com este resultado.

Sul21 – Cartes é acusado de receber milhares de hectares de terra destinados à reforma agrária nos anos oitenta. Há informações sobre isso no livro “La otra cara de Horacio Cartes”?

Ávalos – Na verdade, houve uma decisão mediante a qual foram repassados a Cartes 4.000 hectares. É uma irregularidade, pois a reforma agrária é apenas para os cidadãos que vivem da produção da terra. O livro conta que já naquela época (eram os anos 80) Cartes fora privilegiado, ou seja, Cartes foi privilegiado desde a época Alfredo Stroessner.

Sul21 – Sobre o mesmo tema, e já que o Paraguai é um país com enormes conflitos no campo, como o novo presidente deve manejar o diálogo com os campesinos?

Ávalos – O problema com os campesinos exigirá alguma vez uma definição política, e não econômica, considerando as irregularidades cometidas durante sessenta anos na concessão das terras. Em vinte anos, não se pôde fazer uma avaliação dos cadastros porque não convém a ninguém perder os privilégios já concedidos.

Sul21 – As últimas eleições ocorreram no momento em que o país ainda se recuperava do golpe de Estado que resultou na queda de Fernando Lugo. Como foi possível garantir eleições limpas no Paraguai?

Ávalos – A destituição de Lugo, mais além da sua legitimidade (que creio correta de acordo com a Constituição), se deveu à falta de manejo de Lugo para governar e a uma corrupção sem limites nas concessões do Estado, que possivelmente ele até desconhecia, dada a sua ausência no poder. Por isso, a esquerda que sustentava o luguismo não chegou a 13% dos votos nas últimas eleições.

Sul21 – Quais são os negócios que Horacio Cartes mantém fora da América Latina? Como ele negocia tabaco e bebida para o exterior?

Ávalos – A explicação é complexa e para entender é preciso ler o livro, mas as negociações estão relacionadas com liberações de todo tipo e flexibilidade na aplicação das medidas de controle. E, sobretudo, a uma estrutura criada para facilitar o desenvolvimento dos seus negócios, ilícitos principalmente nos países limítrofes, como Brasil e Argentina.

Sul21 – O novo presidente paraguaio também gerou notícias pela sua atuação frente ao Club Libertad, que em uma década se tornou uma força do futebol de Assunção. Como dirigente de futebol, que artifícios se utilizou Horacio Cartes?

Ávalos – Cartes ingressou no futebol como um negócio, gerenciando um clube tradicional, o que permitiu vantagens na transferência de jogadores que não estavam permitidas normalmente. Ele incrementou o orçamento, criou um sistema de promoção de jogadores, trazendo de clubes menores, do interior, e transferindo a preços multiplicados para a Europa, com grandes benefícios.

Sul21 – O livro “La otra cara de Horacio Cartes” foi feito a partir de uma longa pesquisa. Cartes, como empresário, já despertava a desconfiança da imprensa paraguaia?

Ávalos – O trabalho no livro começou em 1985, quando se produziu o primeiro delito de Cartes, o da evasão de divisas, operação mediante a qual se simulava a importação de produtos agrícolas subsidiados por um preço do dólar menor que o oficial. O dinheiro chegava sem que se houvesse feito as importações, e se vendia na rua com os benefícios lógicos. A partir daí, esteve envolvido em outras operações, especialmente com o Brasil, há denúncias até de contrabando de diamantes, etc.

Sul21 – Com Cartes, o Partido Colorado irá retornar à presidência do país que governou por sessenta anos, cerca de trinta deles com Stroessner. Quais as heranças da ditadura que ainda são visíveis na estrutura do partido?

Ávalos – O governo de Stroessner fundou uma dinastia em que as pessoas próximas enriqueceram mediante privilégios como a concessão das terras, o contrabando, a corrupção, as prebendas públicas (só tinham direito aos cargos do Estado os colorados, e para ser professor ou membro das Forças Armadas, por exemplo, era preciso ter um papel de filiação). Esse costume se estendeu até agora, e ainda existem vestígios dessas práticas, que curiosamente foram repetidas por gente de outros partidos no poder (como com Lugo e o Partido Liberal).

Sul21 – Quais os processos mais importantes pelos quais Cartes ainda responde na Justiça do Paraguai? No Brasil, também há um processo registrado contra ele – a empresa Souza Cruz entrou na Justiça do Rio de Janeiro contra a Tabacalera del Este, de propriedade de Cartes. De que maneira essa empresa atua no mercado brasileiro?

Ávalos – Por agora, Cartes não tem juízos pendentes com a Justiça dentro do Paraguai, ainda que seja possível que sim no Brasil. Sua organização foi demandada centenas de vezes como proprietária do Banco Amambay, e das quatro causas que teve na justiça ordinária (evasão, homicídio doloso), houve extinção da causa.

Sul21 – Como o público recebeu o livro “La otra cara de Horacio Cartes” em Assunção? E fora do país, houve interesse e curiosidade pelos negócios de Horacio Cartes?

Ávalos – É um orgulho para mim que o livro tenha batido todos os recordes de venda conhecidos até agora no país, o que demonstra a sua seriedade e confiabilidade. Recebi ameaças e, é claro, questionamentos pessoais, mas nenhum relacionado com a veracidade dos documentos apresentados na obra. No exterior, os colegas me brindaram uma ampla cobertura em todo o mundo, e houve notas em jornais como The New York Times, The Guardian, Clarín e Página 12. Creio que é o suficiente para explicar a repercussão.

Reflexiones morales en torno a la muerte de Lino Oviedo

por Celso Velasquez

 

El juicio y la memoria colectiva son un derecho y una obligación.

 

Hay una diferencia enorme entre “alegrarse” por la muerte de alguien, que es lo que gua’u nos tildan los golpistas moralistas, de que gua’ú nosotros “los zurdos”, somos ndaje rencorosos.

 Señores, hay una diferencia enorme entre la inmoralidad y el hecho de ser conscientes y con todo el derecho y obligación de establecer una sentencia social: EL QUE MURIÓ ERA UN MAL SER HUMANO.

 La sociedad, como víctima, está en todo su derecho de juzgar a los criminales de la Dictadura Estronista Colorada. El juicio y la memoria colectiva son un DERECHO Y UNA OBLIGACIÓN.

  fue una persona que causó sufrimientos de diverso tipo a miles de paraguayos, de manera directa o indirecta,  por lo que ser conscientes de eso para nada es ”inmoral”;  tiene lógica desde el punto de vista de la continuidad histórica y de la memoria colectiva.

 Muy distinto es estar  “felices” por la muerte de alguien que estar aliviados. Los que sufrieron tormentos por culpa de este tipo de personas, quienes, en primera instancia son los sectores más oprimidos, y en última instancia somos todos, tenemos derecho de sentirnos aliviados.

 Por ejemplo, los indígenas Pái Tavytera, o los que hayan sobrevivido, en 1986 a LA INVASIÓN de Lino Oviedo al mando de tropas de Caballería con el objetivo de deforestar en Amambay, al enterarse, están en su derecho de sentirse aliviados, y no por ello están incurriendo en ningún acto condenable desde una moral que la mayoría de las veces es falsa.

 Sobre todo, que Lino Oviedo, en plena “democracia” hasta antes del día de morir seguía contando con el poder político y económico para ocasionar aún más barbarie y mal de lo ya actuado, es también otra consideración a la hora de reforzar nuestra explicación del alivio que trae la muerte de una persona dañina para la sociedad.

 Por supuesto que todos y todas tenemos el derecho y la obligación de exigir que cada uno de los torturadores y  jerarcas del Estronismo, responsables de tanto sufrimiento,  cumplan ante la ley por los crímenes imprescriptibles cometidos.

 Por supuesto que el campesinado y los indígenas, el pueblo tiene el derecho y obligación a exigir que cada una de las 8 MILLONES DE HECTÁREAS  que el coloradismo estronista, a través de  todos y cada uno de los caudillos y jerarcas entre 1954 y 2008 sean puestas al servicio de un modelo económico que genere LA FELICIDAD del país, y no el hambre del 54% de la población.

 Lo mismo se aplica a los miles de millones de dólares acumulados costas del pueblo por los Caballero, , Rodríguez, Riquelme, Oviedo, Wasmosy y tantos otros apellidos, antes, durante y después de 1954-1989.

 Recapitulando, estar aliviados porque al menos una de las malas personas que ocasionó al pueblo paraguayo tanta  violencia y miseria ha muerto, es un amago de una nueva Justicia que necesariamente debe llegar de la mano del derecho y obligación a la memoria colectiva y la movilización popular. No es un acto inmoral. Saber que tenemos que cambiar el modelo que aquellas malas personas representan y por el cual nos matan, tampoco es algo malo. Es sentido común.

 Quédense tranquilos amigos derechistas, golpistas, falsos moralistas: no vamos a publicar una foto de Lino Oviedo muerto, para eso ya están ustedes, que concentran el 90% de las telecomunicaciones del Paraguay.

Paraguay. Un estafador es hoy la voz “empresarial” que dice quien debe gobernar

 

El titular de la Unión Industrial del Paraguay es hoy la voz “empresarial” que nos dice quien debe gobernar, como y con quiénes.  Su pasado de consultorías millonarias en el régimen de Stroessner y de estafa a entidades públicas, sin embargo, lo desautorizan.

Eduardo Felippo, de UIP, una de las principales figuras de la Expo 2012. Foto: El portal de Canindeyu.

“No hay un solo paraguayo trabajador que rechace este nuevo proceso” aseguró Eduardo Felippo, actual titular de la Unión Industrial del Paraguay, durante la conferencia de prensa organizada por periodistas afines, donde los gremios “productivos”, o “fuerzas vivas” según cierta prensa, dieron a conocer su apoyo al  y a la presidencia de Federico Franco, repudiando las críticas internacionales.

Eduardo Felippo, anterior titular de la Federación de la Producción, la Industria y el Comercio (Feprinco), es un de los principales “referentes” de  opinión y soporte utilizado por la prensa y el gobierno actual para legitimar la imposición de Franco.

Felippo, en el pasado se hizo de fortuna gracias a sus millonarias consultorías en las binacionales durante la dictadura. Fue también uno de los que estafaron al Instituto de Previsión Social con los millonarios créditos nunca devueltos durante la era Wasmosy.

Pese a estos antecedentes, hoy es utilizado como referente de opinión, la voz “empresarial” que indica quien debe gobernar, como y con quien.

Dictadura: monopolio de las consultorías en las Binacionales

Eduardo Felippo, bajo la dictadura de Stroessner, integraba el directorio de la firma Trafopar, socia de la consultora ETIC, que monopolizó por muchos años los servicios de consultoría en Yacyterá y tenía como socios a integrantes de Electropar. Los principales directivos de ETIC eran Jorge Prieto Conti, socio de Emprendimientos, de Electropar y de Electromon, además de alto funcionario de la ANDE cuando se firmó el tratado de Itaipú.

Prieto Conti fue uno de los pivotes del gobierno de Wasmosy en los Estados Unidos, donde se desempeñaba como embajador. Otro directivo de ETIC era  Pedro Antonio Cataldo Fernández que a la vez era socio de Emprendimientos y de Electropar. Asimismo, Jorge Pablo Krisch, era socio de Emprendimientos y de Electropar, además de director general paraguayo de Yacyretá por muchos años.

Darío Gutierrez Yegros y Genaro Díaz de Vivar, director de Trafopar también pertenecía a ETIC. Trafopar S.A. estaba presidido por Eduardo Felippo y era integrante del directorio de esta empresa Genaro Díaz de Vivar, directivo de ETIC.

Solo en Itaipú, las empresas consultoras facturaron 1.537 millones de dólares hasta 1991, según los archivos de la Binacional.

Era Wasmosy: los créditos nunca pagados

Felippo fue miembro del directorio de la Cervecería Internacional S.A., aquella aventura empresarial que se gestó bajo el gobierno de Wasmosy. En tal carácter, siendo amigo del presidente de la República, obtuvo un crédito sin condiciones por 15.000.000.000 de guaraníes.

Una vez agotado el dinero de los asegurados, mal invertidos y despilfarrados, la cervecería quebró e IPS recuperó apenas los despojos de una de las tantas estafas contra el Instituto.

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O Paraguai fugidio

Julgado de Nossa Senhora do Desterro do Desemboque
Julgado de Nossa Senhora do Desterro do Desemboque

por Sebastião Nery

 

A 50 quilometros de Sacramento e a 120 quilometros de Uberaba, no Triângulo Mineiro, uma cidade que foi glória e nervo da riqueza de Minas estava se acabando, perdida no tempo e na desesperança.

O Julgado de Nossa Senhora do Desterro do Desemboque, lá por 1800, era o portão dos campos de Goias e entroncamento do comercio do ouro. Restaram apenas duas maravilhosas igrejas barrocas inteiramente abandonadas, uma praça de capim, doze casas e exatamente 36 habitantes.

Altar mor da Igreja Nossa Senhora do Desterro -Desemboque (foto Virgínia Dolabela)
Altar mor da Igreja Nossa Senhora do Desterro -Desemboque (foto Virgínia Dolabela)

Quem redescobriu o Desemboque foi o romancista Mário Palmério e o jornalista Mauro Santayana, que lá foram e tão fascinados ficaram que pensaram comprar a cidade para recuperar igrejas, praça, casas e o tempo.

Lá lhes contaram uma história fantástica. Os 36 habitantes ali viviam segregados, plantando suas frutas e legumes e comendo o que brotava do chão. Uma manhã, alguém perguntou ao vizinho que dia era. Não sabia. Foram de casa em casa, ninguém sabia. As folhinhas estavam amarelecidas e já não diziam nem os dias, nem os meses, nem os anos. O jeito foi mandar um portador a cavalo até Sacramento para buscar o dia.

O dia veio. Fugidio, mas veio.

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PARAGUAI

Mario Palmerio, o romancista telúrico dos clássicos “Vila dos Confins”, “Chapadão do Bugre” e outros, foi um homem múltiplo e um amigo único. Formado em filosofia pela USP (Universidade de São Paulo) e em medicina pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), ensinou matemática, fundou as faculdades de Odontologia, Medicina, Direito e Engenharia e a Universidade de Uberaba, foi deputado federal (PTB) de Minas de 1950 a 1962, entrou para a Academia Brasileira de Letras, aprendeu sozinho a tocar piano, morou anos em um barco no rio Amazonas e foi embaixador do Brasil no Paraguai, de 1962 a 1964.

Lá, criou o “Colégio Experimental”, concluiu a “, compôs garanias que se tornaram patrimônios nacionais : “Saudade” (vídeo, até hoje uma das musicas mais tocadas e cantadas no Paraguai), “Non Digas No”, “Assuncion”. E deixou historias maravilhosas.

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STROESSNER

De noite, tocou o telefone na embaixada do Brasil em Assunção:

– Dom Mário, estava precisando falar com o senhor.

– Pois não, presidente Stroessner.

– Pode passar aqui pela manhã? Às cinco.

– Da manhã?

– Sim. Chego ao Palácio às cinco.De manhã é melhor para conversar.

– Presidente, em nome da amizade do Brasil com o Paraguai essa conversa não podia ser às 11?

Foi às onze.

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SAPEÑA PASTOR

Mário Palmério fez da Embaixada do Brasil em Assunção um abrigo de políticos e intelectuais da oposição.

Uma tarde chega o então ministro do Exterior, Sapeña Pastor:

– Senhor embaixador dom Palmério, nosso país deseja e precisa manter as melhores relações possíveis com o Brasil. Mas o senhor tem aqui na embaixada, asilados, mais de 40 inimigos do regime, e isso está causando os maiores problemas para o governo. O senhor não podia tomar uma providência para ajudar meu ministério e nosso governo?

– Pois não, Sr. Ministro, já estou tomando.

– Qual, senhor embaixador?

– Vamos lá em cima, no segundo andar, para o senhor ver a beleza de apartamento que estou preparando para asilados de luxo.

– Mas esta é uma brincadeira de mau gosto, senhor embaixador.

– Não é, não, senhor Ministro. O general Stroessner, seu presidente, em outros tempos já foi hospede aqui da embaixada do Brasil. O senhor, em qualquer eventualidade, também pode contar conosco.

Sapeña Pastor saiu e nunca mais tocou no assunto.

O Paraguai, com o pífio golpe parlamentar que derrubou o presidente Lugo, mostrou que continua asilado em um tempo cada vez mais fugidio.

Julgado de Nossa Senhora do Desterro do Desemboque, foto de Virginia Abdalla
Julgado de Nossa Senhora do Desterro do Desemboque, foto de Virginia Abdalla

Ditador Paraguay amenaza a Brasil y Argentina con cortarle la electridad

En medio del aislamiento y la condena regional que vive Paraguay tras el derrocamiento del presidente constitucional, Fernando Lugo, su exvicepresidente y titular del nuevo régimen, Federico , amenazó ayer veladamente a la  y el  con un corte del suministro de la energía producida por las centrales hidroeléctricas de Yacyretá e Itaipú, emprendimientos que Paraguay comparte con uno y otro país.

En la jornada, mientras la OEA consideraba la crisis en el país, se confirmaba que la cumbre de la Unión de Naciones Sudamericanas (Unasur) a celebrarse hoy en Lima, Perú, se trasladó al viernes a Mendoza, donde simultáneamente se encontrarán los presidentes del Mercosur.

Tras nombrar a su ministro de Hacienda, Manuel Ferreira, un abanderado del neoliberalismo, Federico Franco dijo a un grupo de periodistas extranjeros que “si Dios y la Virgen me lo permiten, y con ayuda de ustedes, los medios de comunicación internacionales”, entregará el gobierno en agosto de 2013 “y espero que con un país en mejores condiciones”.

Se quejó luego del aislamiento que sufre su régimen y se refirió a las relaciones con la Argentina y Brasil, los dos grandes vecinos y socios en el Mercosur, junto con Uruguay, para “recordarles” a las presidentas Cristina Fernández de Kirchner y Dilma Rousseff que sus países “dependen” de Yacyretá e Itaipú, “cuya energía es imprescindible para Buenos Aires y San Pablo”.

O ditador fantoche dos latifundiários, do banqueiro narcotraficante Horacio Cartes, dos militares de  Stroessner, saudosistass dos regimes nazi-fascistas, escancara a vulnerabilidade enrgética da Argentina e do Brasil, e a necessidade de o Brasil construir já usinas nucleares.

Que Federico fique longe do Mercosul e Unasul deve ser a resposta. É um simplório ditador de m., e todo apoio ao povo hermano, paraguaio. Que isolado fique Federico.

Distribuição das centrais nucleares no mundo (2007)
Distribuição das centrais nucleares no mundo (2007)

Pelo mapa, podemos perceber que podemos medir a riqueza econômica de um continente, de um país, pela energia nuclear.

O Brasil não pode parar no tempo. Nem ficar dependente do Paraguai. O progresso do Brasil depende da energia nuclear sim. O Nordeste, inclusive, conforme demonstrou o engenheiro José Chaves, em discurso na Câmara dos Deputados. Na apresentação do projeto de, no desertificado sertão de Pernambuco, construir um pólo energético. Notadamente de energia solar e eólica.

Golpe na democracia, vitória do “stronismo”

por Daniel Cassol

Assunção, 1º de Maio de 2009. As manifestações do Dia Internacional do Trabalho terminam em frente a uma clínica privada, que abriga desde a madrugada Augusto Montanaro, ministro do Interior e responsável pelas torturas e desaparições durante a ditadura de Alfredo Stroessner, recém chegado de Honduras, onde estava foragido. Há confronto com a tropa de choque da Polícia Nacional. Sobram, para este repórter que fotografava o ato, alguns chutes de um policial, mesmo anunciando aos gritos ser jornalista. Quando a situação se acalma, um dos manifestantes picha um muro da clínica:“sanatório stronista”.

Qualificar uma clínica privada como “stronista” não é apenas um arroubo exagerado de um manifestante, mas um exemplo de como a ditadura de 35 anos deixou mais do que cicatrizes na sociedade paraguaia. O stronismo está vivo e impregnado em instituições como o Poder Judiciário e a Polícia, controladas durante seis décadas pelo Partido Colorado, herdeiro de uma de suas principais tradições: o desprezo pela democracia.

Foi dentro do Partido Colorado que, em 1999, se gestou uma tentativa de golpe de Estado, no episódio que ficou conhecido como Marzo Paraguayo, a crise gerada pelo assassinato do vice-presidente Luis Maria Argañas e pelas evidências de que, por trás de tudo, estava o general Lino Oviedo, que três anos antes havia tentado um golpe pela primeira vez. Libertado da prisão pelo presidente Raúl Cubas Grau, seu afilhado político, Oviedo estaria tramando para chegar à presidência. Os paraguaios foram às ruas para evitar o retorno da ditadura militar. Sete jovens morreram nos protestos, provavelmente alvos de atiradores de elite que se posicionaram em edifícios do centro de Assunção – da mesma forma que aconteceu na noite da última sexta-feira. Cubas acabaria renunciando à presidência. Oviedo, atualmente, é líder do UNACE, partido de direita que ajudou a impulsionar o “juício político” contra Lugo.

Alguns veículos do Paraguai falam em 24 vezes em que os colorados ou outros parlamentares de direita tentaram aprovar o pedido de “juício politico” contra o presidente Lugo. Não sei dizer se foram tantas, mas nos seis meses em que morei em Assunção, em 2009, lembro de duas. Os motivos eram absolutamente prosaicos. Quando surgiu a informação de que Lugo tinha um filho não reconhecido, uma senadora ingressou com um pedido de impeachment no Congresso. Em seguida, a realização de um encontro de jovens ligados a movimentos sociais em um quartel do Exército gerou uma nova tentativa. Era de conhecimento de todos, inclusive da embaixada dos Estados Unidos em Assunção, que desde 2009 se tramava um golpe contra Lugo, como mostram correspondências diplomáticas publicadas pelo Wikileaks.

Na mesma época, o presidente Manuel Zelaya era destituído em Honduras, levando os partidos de esquerda e movimentos paraguaios a protestarem contra a ameaça à democracia no continente. Falava-se na época sobre os riscos de se reproduzir no Paraguai a mesma experiência hondurenha.

É preciso dizer, no entanto, que mesmo reformas simples foram barradas pelo Congresso, hegemonizado pelo Partido Colorado. Acostumada nos privilégios, a elite paraguaia jamais tolerou sequer a mais básica política de cunho social. Atrasada e truculenta, usava o medo do chavismo como justificativa para a histeria – com apoio de um considerável setor da imprensa, liderado pelo reacionário, controverso e mirabolante jornal ABC Color.

Lugo não conseguiu criar um imposto sobre a renda pessoal, cuja inexistência perpetua a desigualdade e os privilégios das elites locais. Na questão agrária, qualquer menção à recuperação das chamadas “terras mal havidas”, distribuídas ilegalmente a grandes proprietários durante a ditadura Stroessner, gerava uma nova onda de desestabilização, que tinha nos grandes produtores de soja um dos principais incentivadores.

Los sojeros, entre eles muitos brasileiros, detêm o poder econômico e político no Paraguai.

Dotado de grande poder, este setor, apoiados pelas multinacionais de sementes e defensivos químicos, sempre pressionou, por exemplo, pela flexibilização das leis ambientais e pela liberação de cultivares transgênicos e de agrotóxicos pesados. Sempre teve a Polícia Nacional e o Exército paraguaio sob seu comando. A concentração de terras e a pobreza no campo são grandes fatores de tensão, mas para os grandes produtores era Lugo quem estava incitando os movimentos camponeses.

Estopim para o golpe

Uma tragédia decorrente de uma disputa por terras supostamente mal havidas em Curuguaty, próximo da fronteira com o Brasil, em uma propriedade de Blas Riquelme, ex-presidente do Partido Colorado, foi o estopim para o impeachment de Lugo. Há uma grande suspeita de armação na incitação à violência, que terminou com a morte de 11 camponeses e seis policiais. Não é possível afirmar nada, a não ser que a tensão no campo foi explorada pelos setores que desde o começo do governo Lugo tentaram abreviá-lo. E que da União de Grêmios Produtores (UGP), a confederação dos sindicatos de produtores rurais do Paraguai, partiu a palavra de ordem pelo “juício político”.

O principal articulador da estratégia oposicionista foi Horácio Cartes, líder de um movimento interno do Partido Colorado, pré-candidato às eleições presidenciais no ano que vem e apontado, pelos Estados Unidos, como tendo ligações com o narcotráfico, segundo revelou o Wikileaks.

O impeachment foi aprovado e sacramentado com rapidez impressionante. Da noite para o dia, a elite paraguaia conseguia levar a cabo o que sempre foi uma obsessão. Fica claro, portanto, que o massacre em Curuguaty foi o pretexto que faltava para que a direita paraguaia recuperasse as rédeas da administração pública – na marra, como é de seu costume.

Desconsiderar esse contexto é ignorar a gravidade do que aconteceu no Paraguai.

(Transcrevi trechos) Leia mais

La derecha en Paraguay ya conspiraba contra Lugo en 2009

Wikileaks destapó un cable diplomático de Estados Unidos que revela las maniobras políticas para destituir al mandatario

por Sergio Leon/ El Público/ Espanha

El proceso de destitución de Fernando Lugo en Paraguay duró apenas 48 horas. Un “golpe de Estado exprés”, según denunció el propio mandatario. Bien es cierto que perdió sus apoyos políticos en día y medio. Sin embargo, su derrocamiento se fue gestando durante, por lo menos, tres años.

Un cable diplomático de Estados Unidos, desvelado por Wikileaks el año pasado (pincha aquí para consultarlo), revela las conspiraciones de la derecha paraguaya para iniciar un juicio político contra Lugo: “Persisten los rumores de que el general y líder de la Unión Nacional de Ciudadanos Éticos (UNACE), Lino Oviedo, y el expresidente Nicanor Duarte Frutos están trabajando juntos para destituir a Fernando Lugo mediante un juicio político en el Congreso”, dice el despacho diplomático, con fecha del 28 de marzo de 2009, enviado desde la embajada estadounidense en Asunción al Departamento de Estado, en Washington.

La estrategia de Oviedo y Duarte Frutos consistía, según el cable, en esperar un paso en falso de Lugo. La primera oportunidad llegó con una polémica sobre un subsidio de ocho millones de dólares para el cultivo de sésamo, criticado por los campesinos. En aquella ocasión no consiguieron reunir los apoyos necesarios en el Parlamento. Años después, la matanza producida tras un desalojo de una finca ocupada donde murieron once campesinos y seis policías ha dado las razones que faltaban.

El cable ya apuntaba la llegada de Federico Franco a la Presidencia, por aquel entonces vicepresidente, como parte de la estrategia para echar al exobispo. Conocidas eran las diferencias entre Lugo y Franco, a quien el cable define como un “político liberal de la vieja escuela de gran ego y carácter difícil”. El actual mandatario, al que prácticamente ningún Gobierno latinoamericano ha reconocido, llegó a la vicepresidencia tras un matrimonio de conveniencia entre su formación, el Partido Liberal Radical Auténtico (PLRA), y la coalición Alianza Patriótica para el Cambio con la que Lugo concurrió a las elecciones presidenciales de 2008. Un frágil apoyo que se ha dado la vuelta cuatro años después.

El plan de Oviedo y Duarte Frutos pasaba por utilizar la presidencia de Franco para convocar nuevas elecciones en las que el mejor posicionado entonces para ser el candidato del Partido Colorado sería el general Oviedo ante “el colapso institucional de la formación”. La cosa no quedaría ahí, ya que Duarte Frutos recuperaría su asiento en el Senado tras otra maniobra judicial “para convertirse en el número tres en la línea sucesoria presidencial”, apuntaba el documento diplomático.

Aunque el cable renocía que el plan era “descabellado”, no descartaba nada bajo una premisa más que simple: “En Paraguay no hay nada imposible”. Descabellado o no, lo cierto es que tres años después Lugo ya no es presidente y hay otro miembro del Partido Colorado como principal artícipe de la conspiración a menos de un año de unas presidenciales.

Los campesinos salen a apoyar a Lugo

REPUDIAN EL JUICIO POLITICO EN MARCHA CONTRA EL PRESIDENTE PARAGUAYO

Los obreros rurales y las organizaciones sociales se manifestaron en distintos departamentos de Paraguay y comenzaron a trasladarse a Asunción para concentrarse frente al Parlamento, ante la jornada clave de hoy
Jornal safado e golpista mente. Paraguai retorna aos tempos da ditadura dos militares, dos latifundiários, do apartheid indígena, da escravidão dos camponeses, dos campos de concentração do nazista de Stroessner
Jornal safado e golpista mente. Paraguai retorna aos tempos da ditadura dos militares, dos latifundiários, do apartheid indígena, da escravidão dos camponeses, dos campos de concentração do nazista Stroessner

Pedían justicia y el esclarecimiento de lo sucedido el viernes pasado en el desalojo violento de Curuguaty, cuando la situación dio un giro rotundo y su movilización tuvo otro objetivo: respaldar al gobierno. Los campesinos se manifestaron ayer en distintos departamentos de Paraguay y viajaron a Asunción donde se conocerá hoy la definición del juicio político al presidente Fernando Lugo.

El mismo día en el que el movimiento campesino se manifestó en Curuguaty, departamento de Canindeyú, al nordeste del país, en la frontera con Brasil –donde se produjo el viernes el violento desalojo de un predio de unas dos mil hectáreas, reclamadas como propias por el ex senador colorado Blas Riquelme– la Cámara de Diputados aprobó, con 76 votos a favor, uno en contra y tres ausencias y de forma sorpresiva, un pedido de juicio político para destituir al presidente Fernando Lugo con varios argumentos, uno de ellos el mal desempeño de sus funciones en el episodio que dejó seis policías y once campesinos muertos.

Ante este panorama, los campesinos y organizaciones sociales salieron a manifestarse en los distintos departamentos del país y comenzaron a trasladarse a Asunción, para concentrarse frente al Parlamento y marchar pacíficamente. “El juicio político es una figura constitucional, pero los argumentos no son objetivos y están en la línea del chantaje político”, destacó en diálogo con Página/12 Luis Aguayo, secretario general de la Mesa Coordinadora Nacional de Organizaciones Campesinas (Mcnoc), que insistió en que la crispación política quiere interrumpir el proceso democrático e instalar un gobierno impulsado por la ultraderecha para tener un Estado capitalista y prebendario. “Se está aproximando la fecha electoral (las elecciones presidenciales están marcadas para el 23 de abril de 2013), quieren desgastar al gobierno cerca de las elecciones e ir afianzando el proyecto de recuperación del poder”, profundizó.

En sintonía, el dirigente campesino y líder del Movimiento Patriótico Popular, Belarmino Balbuena, expresó que “es el golpe de un Parlamento contra un poder constituido” y resaltó que los argumentos que los legisladores presentaron no respaldan la decisión. El dirigente planteó el juicio político como un boicot de la ultraderecha. “Hay dos poderes. El Parlamento y el Poder Judicial se unen en este boicot. Significa la entrega del poder a los colorados”, reflejó recordando que lo realizado por la gestión de Lugo difiere a lo hecho previamente en materia de ocupación de tierras y dando cuenta de que la situación mejoró al reducirse ésta y pasar de 1500 tierras ocupadas a 17. “Hay más estabilidad y voluntad del movimiento campesino para respaldar el proceso democrático. No vale la pena un argumento así a esta altura”, aclaró.

Por su parte, el presidente de la Asociación de Agricultores del Alto Paraná (Asagrapa), Tomás Zayas Roa, resaltó que comparte la posición en relación con lo sucedido con varios movimientos y anticipó que prevén adoptar una postura unificada. “En este momento todos estamos en contra del juicio político. Se viene lo peor. Quieren sacar a Lugo aprovechando lo sucedido en Curuguaty”, declaró subrayando que, desde su perspectiva, el Congreso paraguayo no tiene la autoridad moral y política para expulsar a nadie. “En caso de que se concrete la destitución pedimos que se vayan todos y que se convoque a una Constituyente para reordenar el poder jurídico y económico de la Nación. Pedimos la convocatoria a una elección general”, sostuvo.

Los dirigentes campesinos coincidieron en que, ante el rumbo que tomó la situación, quedó en segundo plano el rechazo y pedido de destitución desde su movimiento del ex fiscal general del Estado Rubén Candia Amarilla, quien después del desalojo violento asumió como ministro del Interior de Paraguay, en reemplazo de Carlos Filizzola, y se convirtió en el cuarto ministro del Interior de la administración de Lugo, iniciada en agosto del 2008. “La coyuntura cambió y lastimosamente se ve afectado el proceso democrático”, argumentó Aguayo, quien también expresó la intención de afianzar una posición conjunta con el resto de las organizaciones sociales. Además, se mostraron preocupados por el cambio en la política agraria que buscaba solucionar el conflicto por la posesión de tierras, que comenzó con las masivas adjudicaciones irregulares durante la dictadura de Alfredo Stroessner (1954-89). “Con esto se quiebra el proyecto de la reforma agraria, el modelo productivo. Condena a nuestro pueblo a la extrema pobreza y al Estado como corrupto”, resumió el dirigente de la Mcnoc.

Tras analizar cómo se dieron los hechos, los referentes no descartaron una vinculación entre lo sucedido el viernes y determinadas facciones políticas. “La derecha tiene varias acciones, una de ellas fue el asesinato de diecisiete compatriotas”, reflejó Aguayo. Mientras que Balbuena señaló que “hay grupos vinculados al latifundio que se preparan para tirar a la policía, hecho que podría justificar un juicio político”.

Informe: Romina Lascano.

Paraguay ¡DICTADURAS NUNCA MÁS! Hay historias que son horribles y otras historias que son peores

Pinochet Banzer Videla Stroessner
Pinochet Banzer Videla Stroessner

¿Por qué es necesario tener memoria de una época que muchos, por suerte sin lograrlo, hacen lo posible por olvidar o por borrarla de nuestra historia?

Los pueblos que olvidan su historia o su pasado, corren el riesgo de volver a cometer los mismos funestos errores. Lo terrible es que esos errores no solamente costaron vidas, sometiendo a increíbles sufrimientos a todo un pueblo. El drama es que nuestra nación lo ha tenido que pagar con algo que es tan perverso como los sufrimientos y las vidas segadas, nuestro pueblo esa etapa oscura de nuestra historia que fue la dictadura, que duró 35 años, lo ha pagado con atraso económico, con hambre, con la pobreza que se ha instaurado en nuestro país y que hasta ahora sufrimos. ¿Por qué hay tanta desigualdad en nuestra sociedad? Esa desigualdad ha sido una de las bases de sustentación de la dictadura. Mantener al pueblo en la pobreza y la ignorancia ha sido una de las condiciones para que la dictadura haya durado tanto.

Pero la dictadura que nos asoló desde 1954 hasta 1989, no fue una casualidad, no se instauró por sí sola, ningún gobierno totalitario puede durar tanto tiempo si no cuenta con “colaboradores” o, mejor dicho cómplices.

El propio dictador describía esa complicidad con soberbia, diciendo que el régimen se asentaba sobre tres pilares: el ejército, un partido político y el estado. Y en él se centralizaba todo el poder: era comandante en jefe del ejército; era presidente ho- norario del partido político y era el jefe del gobierno. Se convirtió en lo que llamaban “nuestro único líder”. Pero no hay dictadores que reinen solitariamente. La colaboración era imprescindible para el dictador, y la encontró, abundantemente, en el partido político que lo apoyaba y se beneficiaba del mismo.

Hay veces en que la sociedad parece sufrir de amnesia. Nadie quiere recordar esos tiempos de dolor y vergüenza. Nadie quiere aparecer como cómplice. Y, como consecuencia, se trata de borrar todo, olvidar, hasta las víctimas de las torturas a veces prefieren olvidar ese momento terrible en sus vidas, y eso es comprensible, nadie quiere revivir los sufrimientos. Pero no se trata de eso, se trata de recordar, de tener memoria, por un lado para juzgar a los culpables de las atrocidades cometidas y, por otro lado, al tener memoria, ayudaremos a evitar que nos ocurra de nuevo.

Es natural que al terminar una era de horror y persecuciones, los pueblos quieran olvidar, como ocurrió con el nazismo. Pero los pueblos aprenden tanto de sus miserias y horrores como de sus momentos de gloria y grandeza. Además, la verdad puede ser borrada, pero sólo por un tiempo, las historias oficiales pueden eludir mencionar cierta época, como ocurre ahora, pero permanece muy dentro del pueblo y tarde o temprano surgirá con fuerza y eso hará tomar conciencia que por más esfuerzos que se hagan, nadie puede borrar su pasado. Siempre surgirá con fuerza y cuanto más pronto tengamos MEMORIA, así con mayúscula, más pronto nos reencontraremos con nuestro pasado, y esa será la mejor garantía para que en nuestro futuro no co- metamos el mismo aciago error.

Dejemos pues que la Memoria se haga presente y que tengamos una sociedad que aprendiendo de su pasado tenga la firmeza de defenderse de las acechanzas de nuevos y aún más peligrosos tiranuelos en potencia que siguen acechando, ahora ya disfrazados de demócratas convencidos. Los “colaboracionistas” de antes siguen teniendo añoranzas de ese pasado en el que como dice la estúpida propaganda que alguna vez se propagó: “Antes éramos felices y no lo sabíamos”.

No tengamos miedo a la memoria