O cheiro do povo na rua enraivece os cães farejadores

polícia repressão4

 

Para desvirtuar os protestos de rua do povo indignado são realizadas várias ações para criar um clima de medo e de desmoralização: os atos de terrorismo dos soldados estaduais que jogam bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, que atiram com balas de borracha e que, no corpo a corpo com manifestantes, usam cacetes, splay de pimenta,  punhos de aço, além de cães que mordem e o tropel da cavalaria. Existem os canhões sônicos e d’água, as prisões e sequestros com mais tortura.

Para transformar uma passeata pacífica em uma praça de guerra, os costumeiros quebra-quebra dos infiltrados da própria polícia, para justificar os atos de violência; as provocações dos serviços de espionagem de países imperialistas ou partidos oposicionistas, que pretendem desestabilizar o governo federal; os desocupados que vandalizam os equipamentos urbanos todos os dias santos e profanos (os pichadores de prédios, depredadores de orelhões, bancos de praças, escolas etc), os inocentes úteis tipo movimento Black Bloc ; e os capangas de empresários e banqueiros. Veja que toda passeata termina com vidros partidos de bancos, que o seguro paga; e um velho ônibus, estrategicamente estacionado, que o seguro paga.

E para pedir que ordem e a segurança pública sejam estabelecidam – como se não mais existissem as explosões de caixas eletrônicos, as chacinas, o PCC – a orquestração da imprensa que transformam os protestos sociais em um Apocalipse final, o fim da Tradição, da Família e da Propriedade.

balas borracha polícia repressão

Sem querer, Black Bloc ajuda direita antidemocrática

 

por Marcio Saraiva

Existe algo que foge ao nosso controle. A ciência política chama de consequências não-intencionais de uma ação racional. Em outras palavras, a ação é racionalmente correta, lógica, tem um sentido A, mas sem desejar, acaba alcançando um objetivo não desejado que é Y.

Com isso, quero falar dos Black Bloc e sua atuação no interior dos movimentos sociais e grevistas. Eu não tenho dúvidas que a intenção dos jovens militantes dos Black Bloc é positiva, do ponto de vista da esquerda socialista.

Afinal, eles se inspiram em fontes anarquistas, são contra a opressão estatal e seu braço repressivo, procuram “abrir caminhos” quando os aparelhos repressivos impedem a passagem dos protestos e passeatas, além disso, tem uma ação “protetora” diante doa ativistas, especialmente aqueles e aquelas que são atingidos pela repressão policial. Tudo isso é belo.

Os Black Bloc realizam uma catarse coletiva ao destruir agências bancárias (símbolos da ganância do capital financeiro) e prédios públicos do poder (afinal, os “políticos” são mal vistos mesmo).

Com tudo isso, há um clima simpático a essa jovem organização dentro dos movimentos sociais.

“VINGANÇA SOCIAL”

Não foram poucos os professores que aplaudiram a ação dos Black Bloc. Eles realizavam uma “vingança social” diante da derrota dos profissionais da educação na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, hegemonizada pela base governista do prefeito Eduardo Paes que aprovou uma reforma educacional privatista que fere a autonomia pedagógica dos trabalhadores da área.

O prédio da Câmara se tornou símbolo da antipatia popular, pois antes já havia abortado uma CPI dos Ônibus (agora sob hegemonia governista e paralisada pela Justiça) e jamais deu as assinaturas necessárias para a CPI do Fundeb (que apuraria desvio de recursos para outras áreas que não a educação municipal).

Agora, prepara-se para analisar o projeto de 30 horas semanais para os assistentes sociais. É possível que novas derrotas para as classes trabalhadoras ainda sejam aprovadas pela base aliada do prefeito Paes, liderada pelo vereador Guaraná (PMDB) e tendo como chefe o presidente Jorge Felippe (PMDB).

“QUEBRAR TUDO”

Diante desse quadro, é compreensível que a violência dos Black Bloc gozem de relativa simpatia entre os movimentos sociais, até mesmo em alguns setores da população. Ouço vozes nas ruas que clamam: “Tem mais é que quebrar tudo mesmo, políticos e banqueiros são todos safados e ladrões”.

Compreender não significa apoiar. Quando analisamos mais detidamente o fenômeno Black Bloc, na versão tupiniquim, percebemos algumas características preocupantes:

1. Até agora não apresentaram nenhum projeto de poder popular.

2. As imagens de destruição, lixos queimados e rostos escondidos que os Black Bloc apresentam mais assustam a população em geral do que ganham a adesão das massas.

3. Os Black Bloc não somente atuam na defesa dos movimentos sociais – o que é positivo – mas acabam provocando os policiais, criando o clima propício para a ação repressiva.

4. A visão antipolítica dos Black Bloc pode favorecer um clima fascista que generaliza todos os políticos eleitos e todos os partidos políticos como “instrumentos do capital”. .

5. Incentivar ações contra a polícia e focar nisso é não perceber que os aparatos repressivos são do Estado.

6. Sem um projeto ético-político objetivo que dê um sentido mais amplo para suas ações, os Black Bloc acabam se resumindo em movimento jovem de indignação, revolta e ódio, sem nenhum processamento político possível.]

Com essa generalização simplista, cria-se um clima favorável para ideias do tipo “fim do Congresso Nacional” e regimes de força, bem ao contrário do anarquismo clássico que prega uma ideologia de fim do Estado e autogoverno popular

‘VANDALISMO”

É nesse ponto que as ações violentas dos Black Bloc, mesmo sem o desejarem, acabam ajudando o governo Cabral e Eduardo Paes a se colocarem como os “arautos da ordem” e defensores do povo contra o “vandalismo dos mascarados”.

Não somente isso. A tática – sem estratégia – dos Black Bloc fornecem as imagens e os argumentos que as forças mais reacionárias da direita precisam para legitimar a repressão estúpida e brutal contra os movimentos de greve e protestos dos estudantes e das classes trabalhadoras.

A grande mídia burguesa valoriza as imagens de quebra-quebra, espalha o medo entre os cariocas e apelam, como na época da ditadura militar (1964-1985), para a “necessária ação contra o vandalismo” e o “terrorismo”.

A mídia não discute os erros do prefeito Eduardo Paes, mas jogam luzes no “vandalismo”, escondendo da população as reais matrizes da atual crise.

Por isso mesmo, a despeito das boas intenções dos jovens militantes do Black Bloc, eles ajudam a mídia burguesa e os aparatos repressivos a se legitimarem na opinião pública, dão fôlego para Cabral e Eduardo Paes, alimentam o medo no senso comum e desmobilizam diversos profissionais da educação que temem participar das próximas passeatas.

São essas as consequências não-intencionais da ação racional que a Ciência Política nos esclarece tão bem e que os Black Bloc precisam aprender, se é que desejam se tornar uma braço político eficaz do anarquismo e contribuir para o avanço das lutas populares e sindicais.

 (Transcrito da Tribuna da Imprensa)
indignados repressão

Os cachorros doidos do governador Agnelo Queiroz

Os espanhóis, denunciou Las Casas, alimentavam os cachorros com carne humana
Os espanhóis, denunciou Bartolomé de Las Casas, alimentavam os cachorros com carne humana

panamacanal

A polícia cria uma clima de medo. Ueslei Marcelino, antes de ser perseguido pela cachorrada, registrou o espanto e o terror de dois estudantes
A polícia cria uma clima de medo. Ueslei Marcelino, antes de ser perseguido pela cachorrada, registrou o espanto e o terror de dois estudantes

Como faziam os espanhóis e portugueses nos séculos XVI e XVII, nas batalhas de conquista das nações indígenas, as policiais estaduais usam os cachorros e as bestas contra o povo. É um confronto perverso. Medieval e grotesco, para criar uma legenda de medo.

Publica o G1: O fotógrafo Ueslei Marcelino, da Reuters, publicou em sua conta no Instagram que a Polícia Militar do Distrito Federal usou cães “para atacar a imprensa” durante protestos deste sábado (7) na capital federal.

Marcelino registrava a manifestação no entorno do Estádio Nacional de Brasília, antes do amistoso da seleção brasileira contra a Austrália. Ele e o fotógrafo Fábio Braga, da Folha de S.Paulo, acompanhavam confronto entre manifestantes e a Polícia Militar.

Segundo Braga, os fotógrafos faziam fotos de policiais jogando spray no rosto de jornalistas, mas a polícia tentava impedi-los e pedia para se afastarem. Os policiais, então, ameaçaram soltar os cachorros.

splay e cachorro

 Ueslei Marcelino, fotógrafo da Reuters
Ueslei Marcelino, fotógrafo da Reuters

jornalista ajuda

Após o incidente, houve confusão entre repórteres e policiais. Marcelino foi levado em uma viatura do choque para o hospital. Privilégio de quem trabalha para a mídia internacional
Após o incidente, houve confusão entre repórteres e policiais. Marcelino foi levado em uma viatura do choque para o hospital. Privilégio de quem trabalha para a mídia internacional
Depois de afastar os manifestantes próximo ao Estádio Nacional de Brasilia, policiais com cães agrediram dois fotógrafos: O da Folha, Fábio Braga (foto), e o fotógrafo Ueslei Marcelino (Foto André Coelho: Agência O Globo)
Depois de afastar os manifestantes próximo ao Estádio Nacional de Brasilia, policiais com cães agrediram dois fotógrafos: O da Folha, Fábio Braga (foto), e o fotógrafo Ueslei Marcelino (Foto André Coelho: Agência O Globo)

Fábio Braga atacado

Vídeo sobre remoções da Copa é exibido na ONU: 250 MIL DESPEJADOS

Governadores e prefeitos e a justiça tratam o povo como se fosse lixo. E sempre usam a polícia militar, que aparece com seus cachorros e bestas, bichos usados como armas. Uma polícia que usa, criminosamente, nos despejos: gás lacrimogêneo, splay de pimenta, balas de borracha e cacetes e cacetes e cacetes. É muita crueldade.

In Pública: O vídeo “Who wins this match?” (Quem ganha esse jogo?), disponibilizado aqui traz os números e os depoimentos dos moradores removidos ou em risco de remoção – cerca de 250 mil.

“Para chegar a esses números somamos famílias que foram atingidas por obras – que em algum momento foram vinculadas à Copa e às Olimpíadas – (algumas obras foram retiradas da Matriz de Responsabilidade da Copa e assumidas por governos estaduais e/ou prefeituras), com famílias que em algum momento foram ameaçadas de remoção”, explica Francisco de Felippo, também da Ancop, sobre os cálculos, contestados pelo poder público. “Em Natal, por exemplo, o prefeito assinou um documento se comprometendo a não remover ninguém. Mas isso veio depois de muita luta das comunidades. Se a gente colocasse que as remoções em Natal foram zero, dá a impressão de que não teve problema lá. Mas teve e a gente, junto com as comunidades, reverteu”, exemplifica.

Além dos números, saltam aos olhos o desespero, a indignação e o desalento dos moradores diante dos métodos e da falta de diálogo do poder público transmitidos pelos depoimentos dos atingidos, agora ouvidos na ONU.

copa cruel povo lixo lixo humano

===

Comento: Este vídeo será proibido de ser exibido, pelos tribunais eleitorais, nas campanhas para governador em 2014, e prefeito em 2016.  Um filme visto pela ONU e exibido em diversos países, vai ser censurado no Brasil.

Jornalistas são agredidos com gás de pimenta quando flagram policiais desnudando uma mulher que se encontra desaparecida

Durante a cobertura dos protestos “Fora Cabral” e contra a “Farsa Eleitoral”, que aconteceu nessa segunda-feira, 19, no Rio de Janeiro, um grupo de jornalistas foi atingido por spray de pimenta. Em vídeo gravado pelo Coletivo Mariachi e divulgado no Youtube, é possível ver o momento em que um dos policiais joga o líquido no rosto e nos equipamentos dos profissionais.

O caso aconteceu quando o grupo de repórteres e fotógrafos tentava registrar a atuação dos policiais que cercavam uma mulher, identificada como moradora de rua. Três PMs foram flagrados deitando a moça no chão. A filmagem é interrompida e, logo em seguida, o vídeo volta e mostra a mulher nua.

Segundo a Folha, no momento, pelo menos 12 policiais estavam participando da ação. Eles criaram um cordão de isolamento, a fim de impedir que a imprensa e outras pessoas gravassem. Nenhum desses PMs tinha nome ou qualquer outro tipo de identificação visível.

O responsável por jogar gás de pimenta na imprensa e nos manifestantes está afastado. A PM informou por meio de nota que a Corregedoria abriu sindicância para apurar os fatos. “As imagens estão sendo analisadas pelo Comando da Corporação e, se ficar comprovada a agressão aos jornalistas, o policial será punido. O policial mostrado no vídeo será submetido a atendimento psicológico e ficará afastado de suas funções operacionais enquanto durar o procedimento”. (Comunique-se)

Comento: o mais grave no vídeo é a tortura física, a violência contra uma mulher, que se encontra desaparecida, depois de sofrer convulsões. Que droga a  polícia deu para a vítima cheirar na marra? Qual o destino dela? Cadê Claudia, Sérgio Cabral, ela acampava na tua rua?
Mais estranho, ainda, é que pretendem investigar a agressão aos jornalistas, por parte de um policial, quando todos estão envolvidos no ataque a uma mulher que desnudam.  Possivelmente para uma curra.

Alemanha critica postura do Reino Unido em detenção de brasileiro

Por que a imprensa brasileira esconde o caso David Miranda? Certamente por não ter destacado a lista de jornalistas brasileiros espancados e presos nos recentes protestos de rua. A polícia do governador Geraldo Alckmin, para um exemplo, acertou, com balas de borracha, o rosto de dois jornalistas. Outros foram bombardeados com gás lacrimogêneo e splay

Giulia
Jornalista Giuliana Vallone
jornalista fotográfico Sérgio Silva
Repórter fotográfico Sérgio Silva

de pimenta. Até agora nenhum policial foi investigado. Fica tudo como dantes nos quartéis de Abrantes. O prende e arrebenta continua liberado nas 27 polícias estaduais.

Edward Snowden, por Payam Boromand
Edward Snowden, por Payam Boromand

“Acho que um cenário como esse que está sendo discutido no Reino Unido é praticamente inconcebível aqui”, afirmou porta-voz da chanceler alemã Angela Merkel

Autoridades alemãs fizeram duras críticas ao governo do Reino Unido nesta quarta-feira pela forma como lidou com o Guardian após o jornal britânico trazer à tona o recente escândalo de espionagem dos EUA.

O jornal O Tempo divulga: “Quero deixar claro: A liberdade de imprensa e a proteção de fontes são um bem precioso para nós”, disse Steffen Seibert, porta-voz da chanceler alemã, Angela Merkel. “Acho que um cenário como esse que está sendo discutido no Reino Unido é praticamente inconcebível aqui”, acrescentou o porta-voz que falou durante coletiva de imprensa.

Os comentários de Seibert se referem à atitude do governo britânico em relação ao Guardian, que foi o primeiro veículo a noticiar sobre o esquema de espionagem dos EUA. Como parte da disputa entre Londres e o jornal, o companheiro de um jornalista do Guardian foi detido no Aeroporto de Heathrow no fim de semana.

“A forma como as autoridades detiveram David Miranda no Aeroporto de Heathrow não é aceitável”, disse Markus Loening, comissário de direitos humanos do governo alemão, em entrevista ao jornal Berliner Zeitung.

Miranda, um brasileiro que vive com o repórter do Guardian Glenn Greenwald no Rio de Janeiro, ficou detido por quase nove horas após chegar ao Reino Unido proveniente de Berlim, segundo Greenwald, que escreveu sobre o incidente em artigo publicado no site do jornal.

A Polícia Metropolitana de Londres confirmou que, logo após as 8h (horário local) da manhã de domingo, um homem de 28 anos foi abordado ao chegar de Berlim e interrogado de acordo com a legislação britânica de combate ao terrorismo, mas ressaltou que o suspeito não foi detido e acabou sendo liberado por volta das 17h do mesmo dia. Advogados contratados pelo Guardian exigem a proteção de dados que estavam em poder de Miranda e foram recolhidos por policiais.

O editor do Guardian, Alan Rusbridger, havia relatado recentemente que foi interpelado por vários oficiais do governo exigindo que seu jornal destrua ou entregue dados relacionados a matérias sobre informações sigilosas vazadas pelo ex-agente da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden, com a ameaça de processar a publicação. Greenwald é um dos repórteres para os quais Snowden vazou documentos secretos da NSA. Fonte: Dow Jones Newswires.

NSA of America, by Miguel Villalba Sánchez (Elchicotriste)
NSA of America, by Miguel Villalba Sánchez (Elchicotriste)