Japão. 200 mil escravas sexuais para o “conforto” dos soldados

Papa Francisco consola ex-escravas sexuais da II Guerra Mundial

 

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Num momento comovente, no início da Missa pela Paz e a Reconciliação, nesta segunda-feira, 18, o Papa Francisco ajoelhou-se e cumprimentou sete mulheres que foram forçadas à escravidão sexual pelos militares japoneses durante a Segunda Guerra Mundial.

O Papa passou vários minutos segurando a mão de Kim Bok-dong, de 89 anos, que foi à missa em cadeira de rodas, e era uma das sete “escravas sexuais” que participaram da cerimónia. Kim, conhecida ativista pelos direitos deste grupo, entregou um ‘pin’ com uma borboleta a Francisco, que o colocou na sua lapela.

A borboleta é o símbolo das meninas e adolescentes que o Império Japonês recrutou nos países colonizados na Ásia como escravas sexuais para os seus soldados durante a Segunda Guerra Mundial, conhecidas eufemisticamente como “mulheres de conforto”.

Estima-se que até 200 mil mulheres, na sua maioria coreanas, foram vítimas da escravidão sexual do Japão, embora pouco mais de meia centena delas permaneçam vivas e todas têm mais de 80 anos. Estas, juntamente com outros seguidores da causa, se manifestam todas as quartas-feiras há 24 anos para exigir de Tóquio desculpas “sinceras”.

O Japão dominou a península coreana desde 1910 até 1945, quando perdeu a Segunda Guerra Mundial.

Estupro coletivo de meninas

Em 1992, o historiador Yoshiaki Yoshimi publicou matéria baseada em pesquisa nos arquivos do Instituto Nacional para Estudos de Defesa japonês, afirmando que havia um vínculo direto entre instituições imperiais como o Kôa-in e os “postos de conforto”. Quando foi publicada na imprensa japonesa em 12 de janeiro de 1993, causou sensação e forçou o governo a reconhecer alguns dos fatos no mesmo dia.

A controvérsia reacendeu em 1º de março de 2007, quando o primeiro ministro Shinzo Abe mencionou sugestões da Câmara dos Representantes do Estados Unidos no sentido de que o governo japonês “se desculpasse e reconhecesse” o papel dos militares do Japão Imperial na escravidão sexual durante a guerra. Abe negou que isso se aplicasse aos postos de conforto. Porém, um editorial do jornal The New York Times de 6 de março, dizia:

Não se tratava de bordéis comerciais. A força, explícita e implícita, era usada no recrutamento destas mulheres. O que acontecia lá dentro era estupro em série, não prostituição. O envolvimento do Exército Japonês está documentado nos próprios arquivos governamentais do Ministério da Defesa.

Foto para fins de propaganda registrada por Kumazaki Tamaki, correspondente do Asahi Shimbum em 10 de novembro de 1937, era publicada com a seguinte legenda: “Os japoneses arrebanhavam milhares de mulheres. A maioria delas era estuprada em massa ou forçada a entrar para a prostituição militar.”

No mesmo dia, o veterano de guerra Yasuji Kaneko admitiu ao The Washington Post que as mulheres “gritavam, mas não nos importava se elas viviam ou morriam. Éramos os soldados do imperador. Fosse nos bordéis militares ou nas aldeias, nós estuprávamos sem hesitação.”

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Vítimas da violência sexual sistemática, as "mulheres de conforto" eram obrigadas a manter cerca de 50 relações sexuais todos os dias
Vítimas da violência sexual sistemática, as “mulheres de conforto” eram obrigadas a manter cerca de 50 relações sexuais todos os dias

Quero que me ajude a aliviar a dor

Uma destas vítimas é Lee Yong-soo, uma fiel católica que recorda com dor os momentos sofridos nas mãos dos soldados japoneses quando tinha 15 anos. “Se tivermos a oportunidade de falar com ele, quero me aproximar chorando e pedir que nos ajude a aliviar a nossa dor”, disse em uma entrevista telefônica difundida pela agência AP. “Quero lhe pedir que nos ajude a colocar fim a este problema de maneira pacífica”, expressou.

Por sua parte, Kang Il-chul, de 87 anos, recordou que “os coreanos, homens e mulheres, foram arrebatados pelos militares japoneses”.

Nesse sentido, durante a entrevista difundida antes da Missa, disse que “embora esteja no meu leito de morte, estarei feliz sabendo que me encontrarei com este grande homem”.

Durante anos as autoridades japonesas negaram estes abusos, até que devido à contundência das provas teve que reconhecê-losm e desculpar-se em 1993. Entretanto, para Seul estas desculpas não foram sinceras e reclama indenizações para as vítimas. Atualmente há 54 mulheres sobreviventes maiores de 80 anos.

Toru Hashimoto, presidente da Câmara da cidade japonesa de Osaka, disse hoje que a prostituição forçada de milhares de mulheres asiáticas durante a II Guerra Mundial foi necessária para manter a disciplina no exército japonês. Para o autarca, o tempo passado com estas mulheres eram uma oportunidade de descanso para os soldados.

“Para soldados que arriscaram a vida quando as balas caíam como chuva, de modo a terem algum descanso era necessário arranjar uma ‘mulher de conforto’. Isto está claro para todo mundo”, defende Hashimoto, citado pelo “The Independent”.

O jovem autarca, que também é um dos líderes do conservador e emergente Partido Nacionalista da Restauração, disse ainda não haver evidências de que estas mulheres, eufemisticamente chamadas de ‘mulheres de conforto’, tenham sido forçadas a prostituírem-se. Afirmação que também já tinha sido feita na semana passada pelo primeiro-ministro Yoshei Kono.

Faltou essa alma sebosa considerar que a bomba de Hiroxima também foi necessária.

“Muitas meninas cometiam suicídio”, relata ex-escrava sexual na 2ª Guerra
Lee Ok-Seon passou três anos em um bordel militar japonês na China durante a 2ª Guerra Mundial, onde foi forçada à prostituição. Quase 70 anos após a rendição japonesa, ela visitou a Alemanha para divulgar seu segredo.

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Ela fala com coragem sobre o dia em que foi capturada nas ruas da cidade de Busan, no sudeste da Coreia do Sul, por um grupo de homens. Lee Ok-Seon, então com 14 anos de idade, foi jogada dentro de um carro e acabou indo parar em um bordel para militares japoneses na China, chamado de “posto de consolo”. Ali, sofreu estupros diários até o fim da guerra.
Lee Ok-Seon não tinha ideia de que jamais veria sua família novamente ou que sequer iria pisar em seu próprio país nos 60 anos seguintes. Ela também ignorava as torturas que teria de aguentar.
A senhora de 86 anos não fornece detalhes específicos de suas experiências. Apenas resume tudo em poucas palavras: “Não era um lugar para seres humanos; era um matadouro”. Sua voz fica mais exaltada quando diz a frase. Aqueles três anos a marcaram pelo resto de sua vida. “Quando a guerra acabou, outros foram libertados, mas eu não.”

Um outro nome para escravas sexuais

O caso de Lee Ok-Seon não é isolado, porém não se sabe exatamente quantas outras mulheres tiveram o mesmo destino. “De acordo com estimativas, devem ter sido em torno de 200 mil mulheres, mas esse total nunca foi confirmado”, explica Bernd Stöver, um historiador da Universidade de Potsdam, na Alemanha. Elas eram chamadas de “mulheres de alívio” ou de “conforto”, o que o pesquisador considera “um absurdo”. Trata-se de um eufemismo para o que elas realmente eram: escravas sexuais, diz Stöver.

Não eram apenas as mulheres da península coreana – sob domínio colonial japonês entre 1910 e 1945 – que eram forçadas a se prostituir. Elas também vinham, entre outras regiões, da China, Malásia e das Filipinas.
Os bordéis, que se espalhavam por toda a área de ocupação japonesa, tinham como objetivo manter elevado o ânimo dos soldados e de evitar que as mulheres locais fossem estupradas.

Muitas das escravas sexuais, em sua maioria menores de idade, não sobreviveram aos tormentos. Estima-se que dois terços dessas mulheres morreram antes do fim da guerra.

Vergonha avassaladora

“Nós éramos frequentemente agredidas, ameaçadas e atacadas com facas”, relembra Lee Ok-Seon. “Tínhamos 11, 12, 13 ou 14 anos de idade e não acreditávamos que ninguém nos salvaria daquele inferno.” Ela explica que estava completamente isolada do mundo exterior e que não confiava em ninguém. Era um constante estado de desespero.

“Muitas meninas se suicidavam. Elas se afogavam ou se enforcavam”, conta. Lee afirma que também chegou a pensar que essa seria sua única saída. Mas não teve coragem. “É fácil dizer ‘eu preferia estar morta’. Mas é muito difícil fazê-lo”, explicou.

Lee Ok-Seon optou pela vida e acabou sobrevivendo à guerra. Após a capitulação japonesa em 1945, o dono do bordel desapareceu. As mulheres, de repente, estavam livres, porém confusas e desorientadas. “Não sabia para onde ir. Não tinha dinheiro. Estava sem casa, tive que dormir nas ruas.”

Ela sequer sabia como voltar para a Coreia, também não tinha certeza se de fato queria. O sentimento de vergonha era grande demais. “Decidi que preferia passar o resto dos meus dias na China. Como podia ir para casa? Estava escrito no meu rosto que eu era uma mulher de alívio. Jamais poderia olhar minha mãe nos olhos novamente.”

Vida nova na China

Lee Ok-Seon acabou conhecendo um homem de descendência coreana, com quem se casou e passou a cuidar de suas crianças. “Senti que era meu dever tomar conta daquelas crianças, cuja mãe tinha morrido. Eu não podia ter meus próprios filhos.”
Enquanto estava no bordel, ela quase morreu em decorrência de doenças sexualmente transmissíveis como a sífilis. Para aumentar suas chances de sobrevivência, os médicos retiraram seu útero.

Na China, ela viveu na cidade de Yanji. Manteve seu passado em segredo e tentou se recuperar, sempre por conta própria. Ela permaneceu assim durante décadas. Seu marido a tratava bem. “Se não, não teria ficado tanto tempo com ele”, comenta Lee, bem-humorada.

Muitas “mulheres de alívio” tiveram vida semelhantes às do cativeiro após o tempo em que viveram nos bordéis, sempre mantendo o silêncio sobre os horrores que tiveram que passar – na maioria dos casos, por medo de sofrer recriminações.
Segundo o historiador Stöver, o tema da prostituição forçada é um tabu absoluto. “Não havia apoio algum na sociedade a essas mulheres”, explica. Apenas décadas após o fim da guerra, começaram a surgir as histórias sobre as “mulheres de conforto” na Ásia.

O historiador Stöver conta que apenas em 1991 a primeira “mulher de alívio” divulgou sua história. Ela acabou por encorajar 250 outras mulheres, que finalmente falaram sobre suas experiências como escravas sexuais dos soldados japoneses, e exigiram o reconhecimento e as desculpas do governo do Japão.
Desde então, as mulheres e seus apoiadores se reúnem todas as quartas-feiras em frente à embaixada japonesa em Seul. Elas levam cartazes e gritam slogans, mas ainda não tiveram suas exigências atendidas.

De volta para casa, mas solitária

Lee Ok-Seon vive hoje na Coreia do Sul. Em 2000, após a morte de seu marido, ela sentiu que tinha que voltar para o seu país de origem e tornar pública a sua história. Ela mora próximo a Seul, nas chamadas “casas compartilhadas”, que dão assistência a ex-escravas sexuais. Foi lá que recebeu pela primeira vez cuidados psicológicos, e finalmente, um novo passaporte.

Ao pesquisar seu passado, ela soube que seus pais haviam morrido, mas que seu irmão mais novo ainda vivia. Ele inicialmente a ajudou, mas com o tempo o relacionamento se deteriorou. Foi exatamente o que ela temia: ele tinha vergonha de ser irmão de uma “mulher de alívio”, e não queria ter nenhuma ligação com ela.

Mulheres levadas na carroceria de um caminhão para um bordel oficial
Mulheres levadas na carroceria de um caminhão para um bordel oficial

POLÍCIA MILITAR. O treinamento da morte

 Menekse Cam
Menekse Cam

Preparam os soldados estaduais para uma guerra interna contra o povo. Que a polícia dos governadores não prende os ladrões da equipe e amigos dos seus comandantes.

A polícia dos governadores Tião Viana (Acre),  Jaques Wagner (Bahia), Agnelo Queiroz (Distrito Federal) e Tarso Genro  (Rio Grande do Sul) não prende petistas.

A polícia de Teotônio  Vilela Filho (Alagoas), Marconi Perillo (Goiás),  Antônio Anastasia (Minas Gerais), Simão Jateme (Pará), Beto Richa (Paraná), José de Anchieta Júnior (Roraima), Siqueira Campos (Tocantis) e Geraldo Alckmin (São Paulo) não prende tucanos.

A mesma política de proteção para os aliados e partidários do governador, comandante em chefe da Polícia Militar, vale para os outros Estados. Por exemplo, a polícia não é doida, para prender um líder do PSB em Pernambuco de Eduardo Campos.

A polícia vem sendo adestrada para executar despejos (deslocamentos involuntários), reprimir greves, movimentos estudantis, protestos sociais (como acontece em qualquer ditadura) e prender os condenados da justiça PPV.

Chacina de Pinheiro, São Paulo
Chacina de Pinheiro, São Paulo

balas de borracho protesto

Mortes e chicotadas na polícia

A morte de um recruta no Rio de Janeiro chama a atenção para o treinamento abusivo no país

ALGOZ O capitão Leonardo Hirakawa. Ele humilhou um subordinado e foi preso
ALGOZ
O capitão Leonardo Hirakawa. Ele humilhou um subordinado e foi preso

por Raphael Gomide/ Revista Época

A sensação térmica em 12 de novembro era de 48 graus célsius na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde recrutas da Polícia Militar iniciavam treinamento no dia mais quente do ano. Submetidos à rigorosa sessão de exercícios de ordem-unida, sem água, os alunos do Curso de Formação de Soldados desfaleciam. Logo nos primeiros dias, numa das punições sem sentido, apelidadas de sugas, os instrutores determinaram que os pelotões se sentassem no chão quente do pátio, sobre as mãos. Um urinou sangue. Outro vomitou sangue. Foi aí que o re­cém-in­corporado Paulo Aparecido, de 27 anos, não resistiu e desmaiou. Foi atendido por paramédicos e, como não acordasse, foi levado a um pronto-socorro, com mais 18 alunos – quatro deles com queimaduras nas nádegas. Sem responder aos estímulos, recebeu massagem cardíaca, e seu coração voltou a bater. Pela gravidade do caso, ele foi transferido para o Hospital Central da PM – e, dez dias depois, sofreu morte cerebral.

>> Crise de confiança na polícia do Rio de Janeiro

As longas horas de exercícios ao sol são padrão na semana de adaptação, a primeira dos sete meses do curso do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap). Faltas são punidas com flexão de braços ou perda do final de semana livre. Esse tratamento não é exclusividade da PM fluminense. Em todo o país, denúncias de abusos são corriqueiras nos adestramentos das forças policiais. Algumas levam a casos fatais. A morte de Paulo Aparecido chama a atenção para as consequências funestas dos excessos e equívocos. Os cursos do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio de Janeiro – como foi retratado no filme Tropa de elite – já registraram duas mortes. Morreram também um agente da Polícia Rodoviá­ria Federal, afogado por instrutores, no ano passado, e um soldado e três cadetes em Mato Grosso, em dois episódios distintos, em 2010 e 1998. Os cursos de formação das polícias do Paraná, Mato Grosso, Rio Grande do Norte e Ceará já foram investigados por abusos.

Em maio, o capitão Leonardo Hirakawa, então comandante do Corpo de Alunos do 3o Ano da Academia D. João VI, que forma oficiais em três anos, protagonizou um episódio que parece saído de um livro sobre a Idade Média. No deslocamento da tropa no Dia da Cavalaria, Hirakawa irritou-se e deu forte chicotada no cadete Fabio Costa. Humilhado, o futuro oficial venceu o medo de retaliação e queixou-se à administração. Responsável por 164 alunos, Hirakawa foi preso por dez dias e transferido para o Regimento de Cavalaria. A PM afirmou a ÉPOCA que “o oficial usou um rebenque e atingiu de leve um aluno. Segundo o capitão, não houve intenção”. De acordo com a corporação, “assim que tomou conhecimento do fato, o comando da Academia decidiu afastá-lo preventivamente, mesmo não havendo intenção de ferir”. O inquérito administrativo foi concluído – a PM não informou o resultado – e entregue à Justiça Militar.

>> Caso Pinheirinho: Corregedoria indicia 14 policiais por tortura e abuso

VÍTIMA O recruta Aparecido. Ele passou mal no treinamento e morreu no hospital
VÍTIMA
O recruta Aparecido. Ele passou mal no treinamento e morreu no hospital

Hirakawa foi o 119º colocado entre 127 aspirantes em sua turma. Fez curso de Policiamento Montado em 2008 na Academia Barro Branco, da PM de São Paulo. É um amante da montaria. Há, em seu perfil no Facebook, fotos a cavalo, fardado ou adestrando potros – numa, ele se diverte de pé sobre os animais, qual um artista de circo. Na equitação, o chicote é instrumento de alerta e comando – como a batuta de um maestro. Deve ser usado com critério pelo cavaleiro. Não é símbolo de ameaça, tortura ou castigo. Um mês antes da chicotada no cadete, Hirakawa retornara de um curso de técnica de ensino na PM paulista. Depois de publicar foto do brevê dourado que passou a usar no uniforme, um amigo escreveu: “Sucesso na aplicação dos novos conhecimentos”.

Tido como um liberal, o coronel Íbis Pereira, o comandante que afastou Hirakawa, proibiu trotes – como forçar novatos a se deitar no pátio para secá-lo com a farda ou a rolar no campo à noite, junto a formigas. Nos anos 1980, alunos dormiam dentro de armários, com a roupa encharcada. Íbis também vetou canções de rivalidade entre turmas – embora persistissem, a sua revelia. Em agosto, foi substituído por um oficial mais tradicional, Cristiano Gaspar, para quem “cadete tem de sofrer por três anos” e “chegar formado ao batalhão, com cara de assustado”. Cristiano impôs regras mais rígidas e aumentou a carga horária do curso. Agora, ele começa às 5h30 e, incluindo palestras, pode chegar até as 21 horas. Na gestão de Cristiano, canções e trotes estão de volta. Uma semana depois da troca de comando, dois alunos foram presos por atacar sexualmente uma recruta, no vizinho Cfap – onde morreu Paulo Aparecido.

Com essa mentalidade até na formação de oficiais, é difícil antever o progresso da polícia esperado pela sociedade. Após a morte do recruta Paulo Aparecido, a ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, disse que “um treinamento que produz sofrimento e morte precisa ser revisto”. Há muito mais a rever na formação policial.

abusos

Exemplo dos Estados Unidos para conter o terrorismo policial

No Brasil, a polícia prende e arrebenta, e a justiça não faz nada. Tem até a ilegal resistência seguida de morte. Polícia matou, está bem matado. Bandido bom é bandido morto. Toda vítima da polícia é traficante de carteirinha ou suspeito que reagiu. Bala perdida apenas atinge civis, pacíficos cidadãos, idosos e crianças. Estava no local errado (os velhos, em suas residências; as crianças, nas escolas).

Essa lei das selvas impede distinguir o soldado soldado, verdadeiro e exemplar, do soldado bandido. Um policial morto em serviço ( e não fazendo bico) deveria ser reverenciado como herói, e sua família receber uma rica, milionária compensação, que estamos em um estado de capitalismo selvagem. O que importa é o deus dinheiro. Vale para os civis vítimas das milícias.

La vida de Rohayent Gómez cambió hace dos años, cuando un agente del Departamento de Policía de Los Ángeles (LAPD) le disparó, creyendo, según él, que la pistola de juguete que portaba el adolescente de entonces 13 años era verdadera. Recientemente, un jurado de la Corte Superior de Los Ángeles otorgó una compensación de 24 millones a Gómez, quien está inválido a consecuencia de la bala que le destrozó la espina dorsal.

Esa cifra es la mayor jamás otorgada en un caso de tiroteo policial, pero poca compensación para un chico cuyo máximo deseo en la vida (y uno que quizá nunca se cumpla) es poder caminar.

“El dinero no es nada. Es importante, pero no lo es todo”, expresó el muchacho durante una conferencia de prensa esta semana con su abogado, Arnoldo Casillas.

“[Cuando dieron el veredicto] me sentí igual. Mis estudios, mi cirugías…. No es para disfrutarlo yo, es para cosas que necesito”, añadió el muchacho.

La noche del 16 de diciembre de 2010, Gómez y dos amigos más jugaban a policías y ladrones en la cuadra 3000 al norte de la calle Verdugo, en el área de Glassell Park. Los chicos portaban pistolas de balines y Gómez se escondió detrás de un auto para recargarla. Dichas pistolas tienen una parte pintada de color naranja o rojo que las distingue de las armas verdaderas.

El agente Víctor Abarca del LAPD y su compañero observaron a los jóvenes y, según ellos, pensaron que las pistolas eran reales. Se detuvieron para investigar, y cuando Gómez salió repentinamente detrás del auto donde estaba escondido, Abarca le disparó.

La bala entró por el pecho del chico, le destrozó parte del pulmón izquierdo y la columna vertebral, y lo dejó postrado en una silla de ruedas.

“Yo nunca vi al policía”, dijo Gómez.

“No me dio órdenes ni nada; el otro policía estaba apuntando la pistola a mis amigos”, relató el chico. (Los Ángeles Hoy)

Rohayent Gómez, junto a su abogado, Arnoldo Casillas. | FRANCISCO CASTRO
Rohayent Gómez, junto a su abogado, Arnoldo Casillas. | FRANCISCO CASTRO

MEC divulgou o piso nacional dos professores da rede pública: R$ 1.451 por mês. Compare com um soldado raso

Confederação Nacional de Municípios (CNM) divulgou na noite desta segunda-feira um estudo sobre o impacto do novo piso do magistério anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) hoje, correspondente a R$ 1.451 para uma jornada de 40 horas semanais. O aumento representa um reajuste de 22,22% sobre o valor do ano anterior e o estudo demonstra que o impacto financeiro anual nas finanças dos municípios (incluindo Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e outras capitais), em função da Lei do Piso é de R$ 5,4 bilhões – o que incorpora o pagamento do novo salário para os professores e o cumprimento da nova carga horária.

O que incorpora, isto é, acrescentaram  os salários de médicos, de engenheiros e outros profissionais de nível universitário.

Basta combater a corrupção que o dinheiro aparece. O dinheiro depositado nos paraísos fiscais com obras e serviços fantasmas. E os altos salários do prefeito, vereadores e secretários e cargos comissionados, viagens e festanças.

Uma empregada doméstica principiante ganha o mínimo de 610 reais, mais vale transporte e alimentação. Uma diarista, 50 reais em Boa Viagem, Recife.

Um soldado da polícia militar de Brasília: 4.507 reais e 10 centavos.

Vide tabela noutros estados. Isso em novembro último. Vários governadores deram aumento para a polícia antes do carnaval.

Que um professor deve fazer? Deixar a vaidade de lado, e pedir equiparação salarial com o soldo de um soldado. Que um cabo, um sargento, um tenente, um capitão, um major, um tenente-coronel,  um coronel ganha, obviamente, muito mais.

Não estou a alardear que um policial possui um salário justo. Um coronel não recebe nem a metade de um supersalário além do teto constitucional. Isso fica para os marajás. Que são muitos neste Brasil desconforme: de funcionários públicos bilionários.

Operação Pinheirinho. Justica, “estão te transformando em merdas de leis”, clama o juiz Gerivaldo Neiva

O artigo do juiz Gerivaldo Neiva lembra um poema profético.

“Ei, Justiça, cadê você que não responde e aceita impassível tantos absurdos?

Não percebes o que estão fazendo com teu nome santo?

Em teu nome, atiram, ferem, tiram a casa e roubam os sonhos e nada dizes?

Tira esta venda, vai!”

Apesar da lei, do Poder e das sentenças dos juízes, eu creio na Justiça!

Não os perdoem: eles sabem o que fazem!

Ao povo do Pinheirinho!

por Gerivaldo Neiva

Para o governador, a culpa é da Justiça.

Para toda imprensa, a Justiça determinou, mandou, decidiu, despejou…

Para o Juiz que assinou a ordem, cumpriu-se a Lei e basta: Dura lex sede lex!

Para catedráticos cheirando a mofo, o Estado de Direito triunfou!

Para o Coronel que comandou, ordens são ordens!

Para o soldado que marchou sobre os iguais, idem!

Ei, Justiça, cadê você que não responde e aceita impassível tantos absurdos?

Não percebes o que estão fazendo com teu nome santo?

Em teu nome, atiram, ferem, tiram a casa e roubam os sonhos e nada dizes?

Tira esta venda, vai!

Veja o que estão fazendo em teu nome! Revolte-se!

E o pior dos absurdos: estão dizendo teus os atos do Juiz e do Poder que ele representa!

Vais continuar impassível?

E mais absurdos: estão te transformando em merdas de leis.

Acorda, vai!

Chama o povo, chama o Direito das ruas e todos os oprimidos do mundo e brada bem alto:

– Não blasfemem mais com meu nome! Não sou o arbítrio e nem a ganância! Não sou violenta, nem cínica e nem hipócrita! Não sou o poder, nem leis, nem sentenças e nem acórdãos de merda!

Diz mais, vai! Brada mais alto ainda:

– Eu sou o sonho, sou a utopia, sou o justo, sou a força que alimenta a vida, sou pão, sou emprego, sou moradia digna, sou educação de qualidade, sou saúde para todos, sou meio ambiente equilibrado, sou cultura, sou alegria, sou prazer, sou liberdade, sou a esperança de uma sociedade livre, justa e solidária e de uma nação fundada na cidadania e dignidade da pessoa humana.

Diz mais, vai! Conforta-nos:

– Creiam em mim. Um dia ainda estaremos juntos. Deixarei de ser o horizonte inatingível para reinar no meio de vós! Creiam em mim. Apesar da lei, do Poder Judiciário e das sentenças dos juízes, creiam em mim e não perdoem jamais os que matam e roubam os sonhos em meu nome, pois eles sabem o que fazem!

In Ficha Corrida