São Paulo:Ilustres e Admiráveis Figuras

por Bia Barbosa

 

Apresentados por Roberto Civita, do Grupo Abril, como ilustres e admiráveis figuras, os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, do Brasil, e Alan Garcia, do Peru, participaram nesta segunda (15) de um debate sobre liberdade de expressão na 68ª Assembléia Geral da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa). O foco da discussão, orientado pela direção da entidade, foi seguir a mesma linha dos relatórios da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação, apresentados na véspera: rechaçar iniciativas de regulação dos meios de comunicação de massa que, na avaliação da SIP, cerceam a liberdade de imprensa.

Segundo o tucano, tendências como esta integram ou tem pressionado e constrangido o governo Dilma, “que não está entendendo com clareza o que está acontecendo” nos países vizinhos e dentro do território brasileiro. Ele então, explicou “o que está acontecendo”:

“Este frenesi contra a imprensa é um frenesi contra a liberdade, frenesi de alguns governos que querem ter o monopólio da opinião e o pensamento único, para que não desacreditem seus atos. Infelizmente esta idéia está se contagiando. É lamentável, porque não veem isso como o ponto de vista do adversário, mas do inimigo, que tem que ser cerceado”, disse.

Para Fernando Henrique, governos que obtiveram avanços na promoção do progresso econômico e da inclusão social tem se aproveitado disso para criar democracias autoritárias. “Eles ganham as eleições no voto e governam atacando a oposição e a imprensa, restringindo liberdades e atacando a propriedade privada. É um desvario demagógico populista”, afirmou.

“Estatismo comunicacional”

O parceiro de debate de FHC foi o ex-presidente do Peru, Alan García, adversário histórico de Hugo Chávez, presidente da Venezuela, e que tem em seu currículo projetos de pena de morte para terroristas, rebeldes e estupradores e o assassinato de 100 indígenas pela polícia peruana, durante um protesto em uma rodovia na região de Bagua, em 2009. Os indígenas protestavam contra decretos de García que permitiam multinacionais realizarem atividades de mineração e exploração vegetal em suas reservas.

Questionado sobre o que fazer para combater a tendência de monopólio e concentração da propriedade dos meios de comunicação, característica da região, Alan García foi tachativo:

“Eu não faria nada. Como regular o que se regula por si mesmo? Se um grupo tem boas ideias, que crie um jornal. Se há diários que, por sua capacidade, se tornam hegemônicos, como castigar o êxito? Dizem que há uma acumulação de meios. (…) Mas jamais a imprensa concorda entre si. Nunca vi um assunto que una toda a imprensa. Normalmente um diz A, outro diz B e outro, C. É o mundo da discussão. Então que medo tem vocês do êxito?”, questionou. “Em relação às frequências [de radiodifusão], agora temos a TV digital. O mundo está aberto a todos, o problema é ser inteligente e atrair as pessoas. Antes eram 7 canais, agora são 998. E o Estado não pode negar licenças a ninguém”, afirmou, em referência a um mundo que parece bastante distante da realidade do continente.

Fernando Henrique, no entanto, concordou. “Hoje a imprensa é um procedimento que tem muito mais filtros, não é mais a voz do dono. Tem o repórter, o editor, o revisor. Se mesmo assim alguém não se sentir contemplado, que reaja e escreva pra seção de “carta do leitor“”, sugeriu.

Brasil tem 27 crimes contra jornalistas

por Priscila Fonseca

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) divulgou nessa segunda-feira, 22, em sua reunião de semestral, que no Brasil houve 27 crimes contra jornalistas no decorrer dos últimos seis meses. Agressões, ameaças, vandalismo e até assassinatos estão na lista do País. O documento da entidade foi apresentado no encontro realizado em Cádiz, na Espanha.

 

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Jornalista Paulo Rocaro foi assassinado em 2012.

No Brasil, dos cinco assassinatos de jornalistas ocorridos nos últimos seis meses, três estão relacionados ao exercício da profissão. E de acordo com a SIP, esses dados não batem com a informação divulgada pelo Itamaraty, do qual alega que a maioria dos casos de crimes contra  jornalistas não tem ligação com a atividade. A entidade demonstrou preocupação com a reação do governo contra esse tipo de crime.

O documento da instituição citou diversos crimes conta os veículos de comunicação e profissionais da mídia que ocorreram no País, entre eles as censuras judiciais, que foi divulgada pelo representante do Brasil na SIP, Paulo de Tarso Nogueira, consultor do jornal O Estado de São Paulo. O jornalista ressaltou pontos da justiça do país com relação à impunidade e a censura.

“É crescente a ampliação do poder discricionário dos magistrados, especialmente os de primeiro grau, no julgamento de ações de antecipação de tutela, reparação de dano moral e do exercício do direito de resposta”, disse Nogueira, de acordo com as informações publicadas pela Agência Estado nessa segunda-feira.

A reação do presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivan Sartori, a uma série reportagens sobre os altos salários de magistrado, ocasião em que ameaçou jornalistas, foi mencionada pela entidade internacional. A Sociedade Interamericana também lembrou da declaração do presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região em favor do que é considerado, pela instituição, censura contra a imprensa.

(Fonte: Comunique-se)

 

Nota do editor: É lamentável a reação do governo de Dilma Rousseff. O Itamaraty pó de arroz mente. Fazer diplomacia com cadáveres de jornalistas fica para os regimes ditatoriais. Puro humor negro. Uma maneira de contribuir com a impunidade e incentivar novos atentados à liberdade de expressão. Um jornalista morto comprova o império da censura. E a morte da democracia. O Itamaraty continua o mesmo. O mesmo Itamaraty dos tempos do golpe de 64, quando seus diplomatas atuaram no Cone Sul de Pinochet, Videla e outros tiranos.