Toda eleição o debate dos temas segurança, educação e saúde. As mesmas perguntas para candidatos a presidente, a governador e a prefeito. O mais escolas, mais segurança, mais hospitais. E não se discute as reformas de base

A farsa dos debates diversionistas, teatrais e demagógicos

 

debate liberdade opinião

Por que em todas campanhas os candidatos são enquadrados no enleado de discutir mais escolas, mais soldados e cadeias?

Não se faz escola sem professores. Sem professores com salário digno.

Hitler construiu vários campos de concentração. Stalin transformou presídios em clínicas psiquiátricas. São Paulo tem um efetivo de soldados estaduais maior do que as forças armadas de vários países, e reclama que o governo paralelo divide o mando do Estado com Alckmin. São Paulo possui cem mil soldados, e tem o maior tribunal do mundo, com 360 desembargadores na ativa.

Ninguém discute as riquezas roubadas, as privatizações das empresas estatais, que enriqueceram tubarões, piratas estrangeiros e nativos, nem o salário mínimo do mínimo, os gastos bilionários das campanhas eleitorais, a corrupção no executivo, no legislativo, no judiciário.

Ninguém faz nada que preste para o povo. Escolas sim, padrão Fifa. Mais hospitais sim, padrão Fifa. Polícia sim, mais desmilitarizada. Social. A justiça também social. Reformas já, com plebiscito.

 

indignados debate

O senador José Hermírio de Morais, há meio século, foi candidato à reeleição com o slogan “mais escolas, mais saúde, mais segurança”, e perdeu. Faz tempo que o povo não acredita nessas promessas “me engana que eu gosto”.

Outro slogan batido é “mudar”. Mudar o quê cara pálida? A mudança depende de um plebiscito para acabar com as mamatas das elites, com os feudos na justiça, com os seculares privilégios dos palacianos.

O debate político no Brasil é um simulacro, um fingimento, um circo, um disfarce da democracia montada pela grande mídia, que seleciona as perguntas do povo, para dar seriedade a uma campanha censurada pelos tribunais eleitorais.

No final, ganham os candidatos que investiram mais grana de origem desconhecida e misterioso destino. Candidatos que se elegem com os caixas 1 e 2 recheados de moedas, que os tesoureiros chamam de “sobras da campanha”. É isso aí, apesar dos gastos bilionários, sobra dinheiro…

  Steve Greenberg
Steve Greenberg

Emissora comunitária de Sergipe é invadida e funcionários foram ameaçados com facão

A Rádio Comunitária Juventude FM, de Lagarto (SE), foi invadida na manhã dessa sexta-feira, 13. Repórteres da emissora acompanhavam e fotografavam o trabalho de funcionários da Prefeitura, que cortavam uma árvore na Praça Filomeno Hora, no centro da cidade. O coordenador da atividade, identificado como Arnaldo Vinícius, não gostou de ser observado e entrou na sede do veículo com um facão para ameaçar os profissionais.

Arnaldo Vinícius
Arnaldo Vinícius

De acordo com informações da emissora, o homem encontrou a porta aberta e entrou na rádio empunhando o facão, circulando pelas dependências da rádio. “Se mandar alguém tirar foto outra vez, corto vocês de facão. Olhe aqui”, disse, segundo o diretor do veículo, Aloísio Andrade.

Antes de deixar o local, o homem desceu as escadas e bateu no portão com o facão. O diretor contou que pediu calma, mas o homem estava muito nervoso. Toda a ação do funcionário da prefeitura foi registrada pelas câmeras de segurança. Andrade foi à Delegacia Regional e registrou boletim de ocorrência por tentativa de homicídio.

Vejas as imagens feitas pelo sistema de segurança.

Ameaça desse tipo só pode acontecer em uma cidade entregue às baratas:

 

Pessoas dormem no chão para marcar exames médicos

A equipe de reportagem do Lagarto Como Eu Vejo esteve na Clínica de Saúde da Família localizada na Avenida Contorno, próximo ao Ribeirão por volta das 23h de terça-feira (29), e nesse horário várias pessoas já se encontravam dormindo no chão enroladas em cobertores para amenizar o frio e papelões no chão para amenizar o desconforto do local.

“As pessoas começaram a chegar agora, a partir de 2 horas aqui ta cheio de gente” disse uma mulher que tinha chegado a poucos instantes.

As pessoas chegam por volta das 22h (ou até mesmo antes) de terça-feira para pegar uma ficha que só é entregue na manhã seguinte, na manhã de quarta-feira “É muito perigoso sair de casa de madrugada, mas não tem outro jeito”, contou Salete, que precisava marcar um exame.

“Isso é de certa forma um tipo de humilhação, os órgãos públicos deveriam fazer algo pra mudar isso” disse um cidadão Lagartense.

Essa e a situação que a população Lagartense precisa enfrentar para poder marcar exames, enfrentar frio chuva, arriscar  a vida para poder ter melhor saúde, chega a ser hilário isso.

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Lagarto está no noticiário pela decisão do atacante Diego Costa, nascido no município sergipano, que decidiu recusar a Seleção Brasileira para defender a Espanha no futebol. A prefeita Lia Fraga disse que 90% da população de cerca de 100 mil habitantes está do lado do conterrâneo, que atua no Atlético de Madrid.

 

 

O povo doente e a saúde dos bolsos de prefeitos, secretários, mercadores de planos e outros comerciantes da morte

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Dengue: falta de moradia digna para os pobres e de saneamento. E muito dinheiro desviado da saúde pública

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Privatizaram a saúde e o Brasil nem percebeu

Passeata em Madri contra a privatização da saúde e de apoio à greve dos médicos. Manifestação impossível de acontecer no Brasil.
Passeata em Madri contra a privatização da saúde e de apoio à greve dos médicos. Manifestação impossível de acontecer no Brasil.

Por Paulo Kliass

No início do ano, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) acabou por decidir pela interdição de 225 planos de saúde operados por 28 empresas atuantes no setor. Esse tipo de medida não é uma grande novidade. Antes disso, em outubro passado, esse órgão regulador do sistema havia proibido 301 planos de venderem seus produtos. E ainda em julho de 2012, a lista de proibição contemplava 268 planos. Ainda que tais fatos possam passar a idéia de que o Estado está agindo e fiscalizando, a pergunta que deve ser feita vai em sentido oposto. Como é possível que uma área tão sensível, como a saúde, chegue a tal extremo de descontrole e regulamentação?

Outra decisão que causou grande impacto foi a operação de venda da empresa líder de saúde privada, a Amil. Em novembro de 2011, o Estado brasileiro autorizou que ela fosse comprada por uma das maiores operadoras globais, a norte-americana United Health, pelo valor de R$ 10 bilhões. Além das dificuldades envolvendo a internacionalização do setor, a decisão gerou muita polêmica por afrontar o impedimento legal de que hospitais (também incluídos no pacote) sejam propriedade de grupos estrangeiros.

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Serviço público: interesse social ou lógica privada?
A contabilidade fria do modelo capitalista busca a realização do lucro por meio da dinâmica de elevação de receitas e redução das despesas. Essa abordagem favorece o atendimento dos interesses dos proprietários e acionistas da empresa, mas quase nunca satisfaz as necessidades de áreas socialmente sensíveis. Essa é a principal razão, inclusive, que levou boa parte dos países do mundo capitalista à opção por delegar ao Estado a prestação de tais serviços. Ou então, pela constituição de modelos que contam com subsídios públicos destinados a instituições privadas, mas que demonstram efetiva competência e qualidade naquilo que oferecem à sociedade.

No nosso caso, o risco do processo que atravessamos é o de ficarmos com o pior dos mundos. As áreas de excelência do setor público estão, aos poucos, sendo sucateadas e perdendo competência e qualidade. As áreas de expansão do setor privado encontram um potencial de crescimento com baixa capacidade de regulação e fiscalização do Estado. A mercantilização tende a provocar uma segmentação baseada no nível de rendimento dos usuários dos sistemas, com a complementação de recursos públicos sem a correspondente qualidade na prestação dos serviços “públicos” oferecidos. A relação mercantil pressupõe um contrato. E o contrato estabelece a restrição do uso ao pagamento prévio.

Os recursos orçamentários deixam de ser utilizados para reforçar e reconstruir um sistema público à altura das necessidades de nossa população. Na verdade, são drenados para apropriação privada em um sistema onde a lógica predominante é a da remuneração do capital.

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Unaí, o feijão assassino

por Gilvander Luís Moreira

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Uma Tese de Doutorado, de 2007, em Psicologia Social, pela UNB, da Dra. Magali Costa Guimarães, sob o título “Só se eu arranjasse uma coluna de ferro pra aguentar mais…”, sobre o custo humano – o que acontece com os trabalhadores rurais – na colheita do feijão no município de Unaí, afirma:

Também se ouviu, por parte dos trabalhadores, muitos comentários e queixas sobre o uso de produtos químicos na planta (denominados por eles como ‘veneno’), alguns relatam que o cheiro faz com que tenham dores de cabeça e mal-estar. Outros se queixam, pois acham que, muitas vezes, os produtores não esperam o prazo correto – período de carência – para colher (segundo alguns, de três dias), daí acabam passando mal na hora de processar o arranquio do feijão. O ‘veneno’ aparece, inclusive, como resposta do trabalhador à pergunta: “o que em seu trabalho não te faz sentir bem?” É o ‘veneno’, junto com outras características das condições de trabalho, da atividade e da organização, gerador de mal-estar no trabalho. Mas, mais do que mal-estar, os problemas de saúde e adoecimentos ligados ao uso indevido ou à exposição a agrotóxicos já foram identificados em diferentes estudos científicos que revelam ser uma ocorrência bastante comum no setor agrícola. Os estudos citados mostram que este uso e/ou exposição tem sido responsável por doenças respiratórias, no sistema reprodutivo – infertilidade, abortos, dentre outras – e diferentes formas de manifestação de câncer.”

Enquanto reina a injustiça, a impunidade, o município de Unaí se transformou em campeão na produção de feijão, no uso de agrotóxico e no número de pessoas com câncer. Relatório do deputado Padre João (PT) demonstra que o número de pessoas com câncer, em Unaí, é cinco vezes maior do que a média mundial. A cada ano, 1260 pessoas contraem câncer na cidade. Aliás, um hospital do câncer já está sendo construído na cidade, pois ficará menos oneroso do que levar toda semana vários ônibus lotados de pessoas para se tratarem de câncer no estado de São Paulo.

As águas e a alimentação estão contaminadas pelo uso indiscriminado de agrotóxico. A fama que espalhou pela região é que o feijão de Unaí está envenenado, pois do plantio até a colheita aplicam até 15 vezes fungicida, inseticida e herbicida, muitos desses venenos já são proibidos na Europa e EUA. Confiram o Filme-documentário “O veneno está na mesa”, de Sílvio Tendler.

A impunidade alimenta também o agravamento do trabalho escravo no país. No final de setembro de 2010, uma Operação coordenada pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais (SRTE/MG) libertou 131 pessoas escravizadas em lavouras de feijão na Fazenda São Miguel e na Fazenda Gado Bravo, localizadas respectivamente em Unaí (MG) e Buriti (MG). Nenhum dos libertados tinha a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) assinada. A jornada da capina e colheita do feijão começava as 4h30’ e se estendia até às 14h30’, sem que fosse respeitado o intervalo para repouso e alimentação.

Segundo depoimentos, a labuta se estendia aos domingos, em descumprimento ao descanso semanal. O pagamento feito pelo “gato”, que subtraía boa parte dos recursos que vinha dos proprietários, era por produção, sem qualquer recibo.Havia um sistema de endividamento dos empregados por meio de uma cantina em que alimentos, produtos de higiene e outros gêneros eram “vendidos” a preços mais altos que os praticados pelo mercado. O transporte de trabalhadores era completamente irregular e o manuseio de agrotóxicos (armazenamento, sinalização e estrutura exigidas), inadequado. A lista suja de trabalho escravo em 2011 se tornou a maior da história: 294 fazendeiros utilizaram-se deste sistema. Em 2011, houve um aumento de 23% nos casos de trabalho escravo no campo, aponta CPT. Foram 3.882 casos identificados, mas regatados somente 2.271 trabalhadores escravizados.

O Deus da vida disse a Caim: “O sangue do teu irmão Abel clama por mim!” (Gênesis 4,10). Deus, fonte da vida, da esperança, da solidariedade e da libertação, caminha com os pobres que se unem e, organizados, marcham lutando por um mundo com justiça. Por isso, agora, Deus, com profunda comoção e indignação, grita ao poder judiciário e aos promotores do agronegócio: “Ouço o sangue de meus filhos, teus irmãos Nelson, João Batista, Erastótenes e Ailton, covardemente assassinados, enquanto honestamente cumpriam a missão deles: combater trabalho escravo.”

Minas Gerais
Minas Gerais

Virgindade no Brasil vale 30 mil dólares. Na Austrália, 780 mil

Tudo no Brasil é vendido a preço de banana. Assim aconteceu com os nossos bancos e empresas e indústrias estatais.

O Brasil está à venda. Como acontece com a Espanha em crise.

Fernando Henrique vendeu para lá de 70 por cento de nossas riquezas. Lula e Dilma, o resto.

Qual é mesmo o preço do nosso nióbio?

Nada no Brasil vale nada.

Uma estudante de 18 anos, para salvar a mãe, 57 anos, vitimada duas vezes por Acidente Vascular Cerebral (AVC), a primeira há quatro anos, a segunda há cerca de 2 meses, decidiu vender a virgindade na desconhecida e pequena Sapeaçu, na Bahia.

O jornalista Victor Uchoa detalha a situação dessa pobre família:
“Numa casa simples de quatro cômodos, as duas se viram com uma pensão de um salário mínimo (310 dólares). No quintal, nada se planta. O espaço é ocupado por 13 galinhas e a coelha Vida”.

O lance maior que Rebeca Bernardo recebeu foi 60 mil reais (30 mil dólares). ‘Talvez por esse valor eu aceite, mas espero ainda uma proposta maior”.

Rebeca Bernardo Ribeiro
Rebeca Bernardo Ribeiro

Outra brasileira, a catarinense Catarina Migliorini, jovem de 20 anos, retirante na Austrália, ficou famosa após leiloar sua virgindade por US$ 780 mil (equivalente a mais de R$ 1,5 milhão).

Catarina Migliorini
Catarina Migliorini

Catarina teve a cobertura da imprensa internacional. Rebeca vem sendo apedrejada pelo povo de sua cidade. “Preciso comprar remédios pra minha mãe e pagar fisioterapia. Ela precisa de muitas sessões. Ninguém pode me julgar. Eu tomei minha decisão sozinha e pronto”, argumenta a meiga jovem.

Neste Brasil de 500 mil prostitutas infantis quem pode atirar a primeira pedra? Principalmente na miserável e desgovernada Sapeaçu.

Relata Victor Uchoa: “Após a divulgação do vídeo, a moça é obrigada a conviver com zombarias como a das moedas voadoras e incontáveis chacotas. ‘Já me ofereceram R$ 1,99. Teve um que escreveu que dava cinco centavos e queria o troco. Não tá vendo essas moedas aí? Pelo menos já tenho 50 centavos”.

O dinheiro do município de Sapeaçu é para pagar o salário do prefeito, do vice e vereadores. É a cidade do nada tem. Falta tudo. Inclusive hospital.

É injustificável a lapidação de Rebeca. Morre a mãe, ela vai ser apenas uma jovem sozinha neste Brasil cruel.

Sessenta mil reais representam quantos anos de salário mínimo?

O governador da Bahia nem aí para o caso. Que retrata uma realidade sombria de um país em crise dos vendedores de órgãos para transplante.

Não se faz nada que preste para o povo. A corrupção e a ganância das elites não permitem. O estado mínimo está todo sucateado. A violência de todos os dias em todas médias e grandes cidades sinaliza um Brasil em guerra. O desespero do povo desempregado, e com fome, e aceitando salário humilhante para trabalhar como escravo sem pano e sem pão. Pau tem demais da polícia violenta. Na escravidão o negro tinha os três pês. Restou apenas um. Reclamou o pau canta.

Rebeca Ribeiro
Rebeca Ribeiro

Fotogaleria de Catarina

As motivações de Rebeca e Catarina são diferentes: “Só quero ajudar minha mãe, que está doente numa cama”, diz Rebeca. Para os falsos puritanos pergunto: Quantas meninas de 18 anos continuam virgens neste Brasil? Que atirador de pedras e moedas, em Sapeaçu, ajuda a mãe de Rebeca?

Ela fez o vídeo do leilão logo depois do segundo AVC da mãe. Foi mais um gesto de desespero.