Jornalismo, profissão de risco no Brasil. “Se a gente não mostra esse tipo de impunidade, de injustiça que é cometida pelos policiais, eles não vão parar de agredir as pessoas”

Manifestação 7 de Setembro. Polícia do governador Geraldo Alckmin ataca por terra e ar. Foto de Jardiel Carvalho
Manifestação 7 de Setembro. Polícia do governador Geraldo Alckmin ataca por terra e ar. Foto de Jardiel Carvalho

por Igor dos Santos
Portal Imprensa

Os fotojornalistas Jardiel Carvalho, da Frame Photo; Ernane Rocha Lobo, da Futura Press; e Tércio Teixeira, da agência Folha Press, relataram à IMPRENSA as agressões que sofreram e a truculência da polícia durante as manifestações em São Paulo no último sábado (7/9), feriado da Independência. Repórteres e fotógrafos chegaram a ser agredidos e viram PMs dispararem contra eles com armas letais.

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Oficial covarde e fujão, atirando com balas de chumbo. Fotos de Jardiel Carvalho
Oficial covarde e fujão, atirando com balas de chumbo. Fotos de Jardiel Carvalho

Após um carro atropelar alguns manifestantes, outros membros do protesto correram atrás do veículo e os fotógrafos acompanharam a movimentação. No entanto, encontraram dois oficiais da Rocam (Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas). Um deles abandonou a moto e saiu correndo, mas o outro policial puxou a arma e efetuou disparos contra o grupo.

Dois tiros feitos com a arma letal foram na direção dos profissionais de imprensa e os outros foram em direção ao chão. Teixeira foi atingido pelos estilhaços de uma das balas no queixo e na perna. “Eu avisei para ele [policial que fez os disparos] que havia me atingido, que eu havia sido baleado. Anteriormente, ele já tinha deixado a arma cair no chão, mas quando viu o sangue escorrendo do meu queixo saiu correndo”, afirma o fotógrafo da Folha Press.

Após sofrer a agressão, Teixeira começou a perder muito sangue. Pensando em ajudar o colega, Lobo correu até um grupo de policiais “com as mãos levantadas para cima” pedindo a ajuda dos oficiais para que chamassem algum médico para atender o colega. No entanto, o fotógrafo acabou levando um jato de spray de pimenta no rosto. “Eu já havia sofrido agressões quando cobri manifestações anteriores, mas nunca nada tão grave”, diz.

Carvalho conseguiu registrar o momento do disparo. Ele disse que não conseguiu pensar muito no momento, mas que se sentiu “protegido pela câmera”. “É muito perigoso. Eu não recomendo a nenhum colega que passe pelo que a gente sofreu ali. Na hora eu me senti protegido pela câmera, só queria fazer o meu trabalho, mas o tiro podia ser para mim”, diz.

Sobre a atitude do policial, Carvalho afirma que o oficial “não pensou no que ele fez. Ele não estava acuado, não tinha nenhum grupo de manifestantes em cima dele. As outras revistas não procuraram saber, não procuraram falar com os envolvidos”, conta o repórter fotográfico da Frame Photo.

Os três fotógrafos apontaram a falta de preparo da polícia como o grande motivo para que eles tenham sofrido tantas agressões. No entanto, eles afirmam que isso não vai afastá-los do trabalho e que vão continuar exercendo a profissão e informando as pessoas.

“Se nós da imprensa não cumprirmos o papel que temos, as coisas só vão piorar. Se a gente não mostra esse tipo de impunidade, de injustiça que é cometida pelos policiais, eles não vão parar de agredir as pessoas”, afirma Carvalho.

Teixeira revela que, apesar do medo, não vai parar de trabalhar e exercer a profissão. “Vou continuar com amor ao fotojornalismo. Espero que o governo tome uma atitude e prepare melhor os policiais para que isso não aconteça novamente”.

Para Lobo, a agressão policial incentiva ainda mais o trabalho jornalístico nos protestos em todo o país. “Mais do que nunca pretendo continuar reportando, registrando o que está acontecendo nas ruas. As reportagens que eu estou vendo na mídia não estão sendo claras sobre o que está acontecendo. Sou apaixonado pelo meu trabalho e acredito que eu estou realizando uma missão aqui”, conclui Lobo.

 

Acrescentei fotos e legendas (T.A.)

 

 

O pau cantou no Sete de Setembro

As manifestações convocadas por supostos apartidários e antipartidários, pela extrema esquerda e estrema direita (viúvas da ditadura militar), registraram mais polícia do que povo nas ruas de Sete de Setembro.

Apesar dos apelos indiretos da presidente Dilma Rousseff e do Conselho Nacional de Justiça.

Disse Dilma, pela televisão: “Há 191 anos o Brasil viveu sua primeira grande mudança política. Deixou de ser uma colônia para se transformar em um país independente. Hoje, nosso Grito do Ipiranga é o grito para acelerar o ciclo de mudanças que, nos últimos anos, tem feito o Brasil avançar. O povo quer, o Brasil pode e o governo está preparado para avançar nesta marcha.

Eu sei tanto quanto vocês que ainda há muito a ser feito. O governo deve ter humildade e autocrítica para admitir que existe um Brasil com problemas urgentes a vencer, e a população tem todo o direito de se indignar com o que existe de errado e cobrar mudanças”.

Se alguém saísse nas ruas, a cara toda pintada conforme modelo do CNJ, a polícia prenderia na hora como mascarado.

mascarado

Escreve Helio Fernandes: “Ninguém sabe o que aconteceu. Ansiosamente esperada, longamente convocada, antecipadamente intimidada, desapareceu e não se configurou nem mesmo como multidão. Eram grupos dispersos antes mesmo de se aglutinarem, facilitaram o trabalho dos encarregados de reprimi-los”.

A polícia saiu dos quartéis para bater no povo. Nos manifestantes. E esqueceu os vândalos e os infiltrados, que são profissionais.

E a imprensa que chamou o povo, como sempre acontece, deu o maior destaque para os baderneiros.

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Mas apareceram alguns cartazes, não destacados pela imprensa, que comprovam que o povo desconfiou dos contraditórios apelos.
Foto de Cinara Medeiros
Foto de Cinara Medeiros

ditadura acabou

Polícia do governador Eduardo Campos sequestra e tortura

Eu sou contra qualquer movimento radical. Inclusive porque jovens, ‘rebeldes sem causa’, são usados como bucha de canhão. Mas o radicalismo da polícia considero terrorismo estatal. Em Pernambuco temos, desde os tempos da ditadura militar, inúmeros casos de ações de sequestro e tortura. Narra o Diario de Pernambuco dois casos recentes:

Dois manifestantes mais radicais envolvidos com os últimos protestos em prol da instalação da CPI do Transporte Público e do passe livre teriam desaparecido, nesta sexta-feira (23), em uma ação truculenta da polícia. A denúncia foi feita pelos Anonymous Recife e negada pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco. [Existem diferentes grupos de Anonymos no Brasil, inclusive da direita nazista, que promete pegar um bigu nas festas comemorativas da Independência. Portanto, neste Sete de Setembro grite nas ruas Independência ou Morte. Ditadura Nunca Mais. Não vejo mais sentido no Movimento Passe Livre. A luta deveria ser por melhores salários para que o trabalhador tenha dinheiro para uma vida de gente. Inclusive para pagar o transporte, para uma moradia digna, uma alimentação sadia etc. Mais ainda: para o lazer. Que tudo no Brasil está sendo privatizado].

Segundo fontes do Diario de Pernambuco ligadas ao Anonymous, Side S How Bob, conhecido no grupo como Rasta, está sumido desde o início da noite desta sexta-feira. Em sua última postagem no Facebook, ele pediu ajuda aos colegas: “polícia ta na minha ksa espalha!” (sic). O post foi publicado por volta das 20h e desde então o rapaz não deu mais notícias. Segundo os informantes, ele participava ativamente das manifestações e, inclusive, já teria sido detido por policiais militares durante o acampamento na Câmara dos Vereadores do Recife.

Na página do Anonymous Recife no Facebook, uma publicação denuncia também o sumiço de um jovem identificado como Alê, membro do grupo e do movimento Resistência Pernambucana. Ele já foi encontrado, mas estava desacordado em uma rodovia da capital com sinais de espancamento.

O jovem teria sido sequestrado em frente a sua residência por policiais que estavam em um carro preto 4×4. De acordo com fontes do Diario, a mãe de Alê testemunhou a ação e ouviu quando os policiais disseram que o jovem era terrorista e seria levado como preso de estado.

Membros do Anonymous, que se comunicam via internet através de um programa chamado Raidcall com funcionamento semelhante ao Skype, informaram que a mãe do rapaz teria percorrido dez delegacias em busca do filho e não conseguiu localizá-lo. Após a procura, a família foi informada de que o rapaz foi encontrado. No post, compartilhado 137 vezes em apenas uma hora, inclusive pelo Anonymous Brasil, há a denúncia de que muitos integrantes da Resistência Pernambucana estão “sendo cassados” pela polícia.

Às 23h, o grupo atualizou a informação dando detalhes do sumiço de Alê. De acordo com a última postagem, Alê foi encontrado vivo, mas aterrorizado. A polícia teria ido até a casa do rapaz em um carro grande, preto, sem placas, acompanhado por uma viatura. No depoimento, eles informam que, ao chegar em casa, Alê teria sido derrubado por três homens que estavam no carro preto. Ele foi algemado, tentou se levantar, mas foi golpeado na cabeça e jogado dentro do carro preto. Os homens teriam colocado um capuz em sua cabeça e o levaram para um lugar desconhecido onde o rapaz teria levado muitos choques e pancadas. “Uma verdadeira sessão de tortura para extrair informações, com perguntas se ele era o líder do anonymous ou do black bloc”, detalha a postagem.

Após ter sido encontrado, o rapaz foi encaminhado para uma Unidade de Pronto Atendimento não informada. Ainda no post, o movimento informa “eles não podem fazer o que querem. Governador, nova ditadura? Não esquecemos, não iremos perdoar”.

Polícia
Questionado sobre a denúncia pela equipe de reportagem do Diario de Pernambuco, o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Wilson Damázio, informou que não tem conhecimento deste tipo de conduta por parte dos policiais. O gestor disse ainda que o inquérito que investiga ações de vândalos durante as manifestações corre conforme os preceitos da lei e as diligências continuam. “Não há nada oficial sobre isso. Nenhuma informação sobre tortura contra integrantes de movimento por parte de policiais, tampouco sobre sequestros. Qualquer fato desta natureza deve ser formalizado em denúncia para a Corregedoria da SDS”, ressaltou.

Nota do redator do blogue: Com essa notícia do DP, o secretário Wilson Damázio tomou conhecimento dos sequestros. Se não sabia, agora sabe. Sequestro é crime hediondo. Tortura também. Toda sessão de tortura pode terminar em morte. Uma morte de filme de terror.  É assim que desaparecem os Amarildos. Foi assim que morreu “Soledad no Recife”, obra prima de Urariano Mota.
capa_soledad

Corrupção. Brasil no nível mais baixo

Para acabar com a corrupção é preciso acabar com o foro especial, criado por Fernando Henrique, no último mês do seu oitavo ano terminal de governo.

O foro especial consolidou o poder supremo de uma justiça absolutista, secreta, que não prende nenhum ladrão de colarinho (de) branco. Um foro que favorece os bandidos especiais no executivo, no legislativo e no judiciário.

O combate `a corrupção começa na Justiça Justiça.

Manifestações populares no Sete de Setembro demonstraram contrariedade com a impunidade no país

Caxias do Sul/Pioneiro – Veio de um político gaúcho a frase mais expressiva dos protestos que competiram com as celebrações de Sete de Setembro pelo país. Em ato no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil em Porto Alegre, ontem à tarde, o senador Pedro Simon (PMDB) sugeriu que a sociedade não espere grandes mudanças da classe política, do Executivo ou do Judiciário e se mobilize para acabar com a corrupção e a impunidade.

– O Brasil nunca foi modelo de seriedade na administração pública, mas nunca chegou tão baixo – afirmou o peemedebista em relação à ética e à moral, ao que foi bastante aplaudido.

No ato, que contou ainda com a participação da senadora Ana Amélia Lemos (PP) e representantes de 40 entidades, também foi anunciada a criação do site http://www.agorachega.org.br, onde um cadastro permitirá às pessoas enviarem e-mails aos parlamentares defendendo, no mínimo, dois projetos: o que transforma corrupção em crime hediondo e o fim do voto secreto no Congresso.

Também na capital gaúcha, houve uma caminhada ao término do desfile de Sete de Setembro. Mobilizados pelas redes sociais da internet, centenas de manifestantes se concentraram em frente ao Monumento Açorianos e seguiram em caminhada até o Brique da Redenção, onde chegaram logo após o meio-dia. No início, eram cerca de 300 pessoas.

– Você aí parado também é explorado – gritavam os manifestantes no percurso até o Parque Farroupilha.

O chamado deu resultado: na chegada, eram cerca de mil manifestantes. Um princípio de tumulto foi registrado por alguns minutos quando

a Brigada Militar e a Polícia do Exército tentaram impedir

a passagem da marcha pela avenida porque nem todas as autoridades tinham deixado a pista ainda. Mas a confusão foi controlada e ninguém ficou ferido.

Entre as manifestações organizadas pela internet nas cidades e capitais do país, a maior foi em Brasília.