O papel da imprensa na crise do sistema policial

por Carlos Castilho

 Bernard Bouton
Bernard Bouton

É um tema complexo e espinhoso, mas não podemos continuar adiando a busca de respostas para a perturbadora pergunta: é esta a polícia que queremos e precisamos? A julgar pelos resultados de recentes pesquisas de opinião, a resposta é não, mas a busca de soluções é bem mais complicada do que a simples expressão de uma percepção imediata.

As autoridades policiais estão preocupadas demais em evitar o colapso do sistema de segurança e cada vez mais fechadas num corporativismo alimentado pela inglória batalha quotidiana contra o aumento da criminalidade. Já os governos só sabem fazer promessas triunfalistas e oferecer desculpas esfarrapadas. Os poderes Judiciário e Legislativo lavam as mãos e deixam que a bomba estoure noutro lugar.

Não é preciso ser especialista em segurança pública para perceber que há muita coisa errada nas corporações e que não se trata apenas de desvios individuais de conduta, mas de problemas estruturais, sendo o maior de todos o fato de que as polícias colocaram os interesses e preocupações corporativas acima de suas responsabilidades sociais.

A expressão “desacato da autoridade” virou uma espécie de bordão para anular qualquer tentativa de argumentar com um policial. O cidadão acaba sendo colocado numa situação de impotência absoluta, sem possibilidade de recorrer à razão ou à lógica para defender o seu ponto de vista, quando ele diverge de uma decisão do policial. O recurso ao surrado argumento do desacato à autoridade equivale a um julgamento sumário e no ato.

Esse novo tipo de “autoritarismo” é uma herança do regime militar que ainda não foi conscientizada e nem extirpada pelos organismos de segurança pública. Faltou uma reflexão básica com oficiais, suboficiais e praças sobre o papel da polícia numa sociedade civil e democrática. A mesma cultura de tutela social imposta pelas forças armadas durante a ditadura foi mantida nas polícias, especialmente nas polícias militares estaduais.

Um policial em ronda nas ruas está a serviço dos cidadãos para resolver conflitos individuais e atender emergências. O problema é que as corporações substituíram esse comportamento pela norma da manutenção da ordem. Em vez da busca de consenso, os policiais foram imbuídos da missão de impor um tipo de conduta decidido por seus superiores. Ao decidir o que é ordem, o policial deixou de procurar entender o que ela significa para a comunidade para aplicar mecanicamente o que lhe foi determinado pela hierarquia.

Mas além de ser colocado na situação de culpado até prova em contrário, o cidadão é também levado à condição de protagonista passivo numa guerra urbana cujo visual passou a ser parte integrante da cultura policial. A prova mais evidente dessa distorção é a tendência dos uniformes e equipamentos policiais se assemelharem cada vez mais aos adotados por exércitos convencionais, cuja existência é justificada pela cultura bélica.

O recurso a símbolos atemorizadores como uniformes negros, caveiras, gritos, ruídos ensurdecedores, bem como viaturas desenhadas para combates, revelam a expansão da mentalidade bélica dentro das polícias. Essa preocupação era até agora uma marca registrada dos batalhões de operações especiais, mas está se tornando a identificação de qualquer policial. Transcrevi trechos

 

Elihu Duayer
Elihu Duayer

Pernambuco. Quantos a Celpe eletrocutou este ano?

A boite Kiss, em Santa Maria, torrou 242 pessoas. A Celpe – Companhia de Eletricidade de Pernambuco mata um em uma rua. Eletrocuta outro noutra. Vai matando mês sim, mês não.

Familiares e amigos de Davi Lima Santiago Filho - que lamentavelmente foi eletrocutado ao encostar em uma fiação solta na Avenida Visconde de Jequitinhonha, no Recife - realizaram um protesto hoje em frente à Celpe. Cerca de 50 pessoas participam do ato e colocaram, nos jardim da empresa, 32 cruzes brancas, representando o advogado e também outras 31 pessoas que morreram em 2012. Legenda de Aldira Alves Porto. Foto de Jayme Asfora Filho
Familiares e amigos de Davi Lima Santiago Filho – que lamentavelmente foi eletrocutado ao encostar em uma fiação solta na Avenida Visconde de Jequitinhonha, no Recife – realizaram um protesto hoje em frente à Celpe. Cerca de 50 pessoas participam do ato e colocaram, nos jardim da empresa, 32 cruzes brancas, representando o advogado e também outras 31 pessoas que morreram em 2012. Legenda de Aldira Alves Porto. Foto de Jayme Asfora Filho

Não pagou a conta, a Celpe corta o fornecimento de luz. Depois que foi doada para a pirataria estrangeira – Grupo Neoenergia – as cidades de Pernambuco ficaram mais escuras e perigosas.

Pagar indenizações aos familiares dos mortos vai depender da justiça lenta, quase parando.

O Recife parece o Rio de Janeiro, campo minado da Light. Até as madames que levam seus cachorrinhos para passear estão com medo da famosa mijadinha no poste. Falo pela cachorrada, que a vida dos humanos não vale nada no Recife das mortes matadas, das mortes por causa desconhecida, das mortes morridas de pestes terceiro-mundistas como a dengue, das mortes por balas perdidas.

Paraíba
Paraíba
Rio Grande do Sul
Rio Grande do Sul

São Paulo está parando ou já parou

Carlos Chagas

 

violenciaSP

São Paulo foi a cidade que não podia parar. Pois está parando. Ou já parou. Não apenas no trânsito, mas em suas múltiplas atividades e serviços. Pior ainda: no inconsciente das pessoas, onde o dinamismo cedeu lugar à acomodação e até ao egoísmo.  A população paulistana imobilizou-se em seus automóveis e ônibus paralisados  por dezenas de quilômetros durante várias horas por dia, sem reagir nem protestar. Acomodou-se como se estivesse sofrendo  pragas divinas  diante das quais o remédio é conformar-se. O pior é que esse sentimento estendeu-se  para muito além das avenidas congestionadas. O cidadão considera natural chegar atrasado no emprego ou em casa, no fim do dia, sem fazer conta do prejuízo para o desempenho individual ou coletivo.

A alternativa seria oferecer horas de sono, lazer ou convívio familiar no altar da eficiência, superando os percalços pelo  sacrifício. Só que ninguém consegue. São todos humanos. A metástase   se iniciou: os garçons são lentos, os balconistas demoram no atendimento aos fregueses, os eletricistas, encanadores e toda a gama de prestadores de serviços não tem pressa. As empresas também não. Nem os médicos, os advogados e os entregadores de encomendas. Em vez de   desesperar-se,  submetem-se. Nem se exasperam quantos, por estar esperando,   poderiam exigir mais eficiência. É como se uma nuvem de inércia cobrisse a cidade. Melhor assim, é claro, do que submeter-se todos a um ataque coletivo de nervos.

O diabo está em que São Paulo perdeu seu dinamismo. Acabou inoculando a população o inchaço de gente, de carros, de falta de espaço, de obrigações proteladas e de oportunidades perdidas para a sobrevivência individual ou coletiva. A maioria acomoda-se enquanto, no reverso da medalha, cresce  o número  de carentes e de   miseráveis que continuamente demandam o antigo paraíso, ou nele permanecem, sem outras opções do  que recorrer à caridade   ou aderir à lei da selva.

Daí o aumento do número  de roubos, furtos, agressões, assassinatos e violência de toda espécie. Os crimes gerados pela necessidade de sobrevivência superam  aqueles causados pela distorção de personalidades, inclinações, tendências malévolas e falta de vontade para enfrentar e respeitar os princípios éticos da vida, superados pela necessidade de uns e o  mau exemplo de outros.

SUPERPOPULAÇÃO

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Há quem identifique nesse nó que envolve a maior cidade do país a lei basilar da física, de que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. A superpopulação   estaria na raiz do impasse que leva São Paulo a parar.  Não apenas excesso de gente, mas de automóveis,  ambições, desilusões e desespero.

Abrir novas avenidas, túneis e viadutos, sacrificando o indivíduo para atender a máquina,  será tão inócuo quanto multiplicar o assistencialismo ou aplicar em São Paulo o princípio da livre competição entre quantidades desiguais. A rebelião dos excluídos  sem alternativa  só fará aumentar as agruras do conjunto. Fechar as fronteiras da cidade não dá: equivalerá a estender a mesma intolerância a regiões sempre maiores, além do que,  nascem nas próprias comunidades sem futuro contingentes sempre maiores de desesperados e desiludidos.  Controlar a natalidade ou adotar o eufemismo de planejamento familiar despertará forças incontroláveis, pois os carentes, os menos favorecidos e os miseráveis continuarão  aumentando em progressão geométrica,  frente às soluções ditadas pela  aritmética.

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Anos atrás Hollywood investiu no absurdo, com o filme “Fuga de Nova York”, onde no futuro, de tão inviável, aquela metrópole foi cercada de muros imensos, vigiada do lado de fora por mísseis e metralhadoras, pois ninguém entrava e ninguém saía daquele território abandonado à própria sorte, sem lei nem autoridade. O diabo, nessa história  fantástica, foi quando o avião do presidente da República fez uma aterrissagem forçada no Central Park…

A verdade de São Paulo é frustrante quando se atenta que a locomotiva emperrou, os trilhos enferrujaram e os vagões continuam vazios, ou quase. São Paulo, que sempre solucionou o Brasil, agora pede socorro de um modo singular: que ninguém se aproxime para salvar a cidade onde não cabe mais ninguém, nem os salvadores.

É claro que as elites paulistanas que ainda conseguem sobreviver, em especial se utilizam helicópteros, protestam diante de diagnóstico tão sombrio. Estão à margem das agruras que envolvem as massas e a classe média. Mas sofrem cada vez mais, até nos Jardins. Seu destino é ser esmagadas mais ou menos como o bezerro apertado pelos anéis da sucuri. Boas intenções e fantasiosas formulações podem partir de minorias iludidas, tanto faz se de privilegiados  metalúrgicos ou de banqueiros indiferentes ao que se passa à sua volta. Ate de uns poucos políticos e sociólogos que a realidade ainda não atingiu. Serão todos inundados pela onda implacável.

Em suma, não dá mais para se comprimir num espaço limitado essa legião de iludidos.

 

última violência

Argentina. “Hoy la sociedad es la que interpela a la Justicia”

 

cristina

La presidenta Cristina  Fernández de Kirchner aseguró que “la sociedad está interpelando a la Justicia, más que hablarle”, y abogó por una Justicia que “acometa contra las corporaciones que han saqueado al país”.

“Algunos sectores pretenden instalar que la seguridad es un problema que apareció como un repollo hace tres o cuatro años”, y agregó que “también se instala que sólo en los gobiernos populares ocurren los problemas de inseguridad”.

También, remarcó que “la justicia no puede tener una agenda mediática, debe ser la agenda de la sociedad”.

“En este panel falta una víctima: la Argentina, saqueada, endeudada, con corralito y represión”.

En ese sentido, la presidenta  afirmó que “observamos una Justicia de dos velocidades que si los implicados son corporaciones poderosas, con poder para presionar a jueces y fiscales, van a un ritmo más lento”.

“No quiero generalizar ni nombrar casos ya conocidos por todos”, declaró la jefa de Estado, y mencionó “latrocinios como el de la Sociedad Rural”.

“La justicia no puede tener una agenda mediática sino una agenda de la sociedad, la de juzgar y condenar a los culpables”, agregó.

Cristina destacó que “necesitamos jueces para que los poderes del Estado no funcionen en beneficio propio, sino en beneficio de la sociedad”.

“Somos el primer gobierno democrático que ingresó dos mujeres a la Corte Suprema, personas que ni siquiera conocíamos”, añadió.

Cristina dijo que “a la Constitución hay que leerla completa, no como algunos que leen lo que les conviene, y si no dicen que es inconstitucional”.

“La Constitución debería ser modificada para que haya una reforma completa de la justicia, pero no voy a proponer una reforma de la Constitución, por eso envié al Parlamento las leyes” de reforma del Poder Judicial.

Cristina Fernández enfatizó que “algunos quisieron confundir recursos de amparo con medidas cautelares, cuando los recursos de amparo tienen rango constitucional y deciden sobre la cuestión de fondo”.

“Las cautelares son recursos que se han deformado a través de los años”, añadió.

 

Anatomía del miedo

Pasó el 2012 y el mundo no se acabó: ¿ahora qué? Esa misma incertidumbre sobrevoló el sitio Edge.org cuando convocó a sus miembros para responder, como todos los años, una misma pregunta. Así fue como algunas de las mentes científicas, artísticas y periodísticas más brillantes dedicadas a pensar el mundo enfrentaron el gran interrogante posterior al apocalipsis que no fue: “¿A qué deberíamos temer en los próximos años?”. Tal como viene haciendo año tras año, Radar seleccionó y tradujo las mejores (y más aterradoras) respuestas: del fin del individuo y la enajenación tecnológica a los misterios de la mente y los riesgos de vivir demasiado.

O Grito, por Edvard Munch
O Grito, por Edvard Munch

Por Carlos Silber

 

De todo el arsenal de emociones que nos invaden y moldean –y al hacerlo nos definen como seres humanos–, el miedo es la que más paraliza. O destruye. Como alguna vez escribió el filósofo español José Antonio Marina, uno de los hilos que trenzan la historia de la humanidad es el continuo afán por desterrarlo, una constante búsqueda de la seguridad tanto afuera como dentro de nuestras mentes, de nuestro cuerpo. “El día que yo nací, mi madre parió dos gemelos: yo y mi miedo”, escribió el temeroso de Thomas Hobbes, quien rastreó en esta sensación el origen del Estado. Para Soren Kierkegaard, en cambio, se trataba de una enfermedad mortal, pariente cercana de la angustia y la desesperación.

No hace falta ser muy perspicaz para ubicar en este sentimiento contagioso el epicentro de cualquier religión, el nervio doliente que empuja a millones de personas a los dientes de metal de aquella trampa que es la superstición.

Así y todo, el poder del miedo afecta tanto a individuos como a sociedades. Las preocupaciones de una época funcionan como un termómetro que en lugar de registrar la temperatura corporal cuantifica lo inasible: lo que se sabe, lo que se desconoce, aquello que se respeta y al mismo tiempo se teme en un momento dado. Hace unos treinta años, el gran miedo mundial estaba encarnado en dos palabras: “La Bomba”. Hace casi medio siglo, en cambio, la amenaza era roja: el comunismo. Y antes, si rebobinamos aún más la Historia, estaban el nazismo, los anarquistas, las epidemias, las plagas, las hambrunas, las guerras, las persecuciones religiosas.

El siglo XXI, desde ya, no avanza desnudo de problemas, malos tragos y complicaciones que, como monstruos invisibles, esperan agazapados para saltar desde debajo de la cama. En este caso, la cuestión no es en sí que existan sino saber anticiparlos –animarse a agacharse y ver–, como se apresuraron a hacer 155 científicos, escritores, cineastas, músicos, periodistas y filósofos en respuesta a la pregunta que cada año lanza el sitio Edge.org, aquella ágora virtual en donde se mezclan, dialogan y comparten opiniones las ciencias exactas y las humanidades.

“¿De qué deberíamos preocuparnos?”, fue el catalizador de este año, el anzuelo. Y muchos picaron. La física teórica Lisa Randall, por ejemplo, teme que se acabe la época de los grandes experimentos, en vista de las cada vez más filosas tijeras presupuestarias. Al historiador de la ciencia George Dyson lo inquieta que un día de éstos se rompa Internet. El editor Tim O’Reilly –uno de los impulsores del software libre– ve con malos ojos el ascenso del anti-intelectualismo. Están también a los que les preocupan tanto las prácticas eugenésicas chinas como que nunca logremos entender los fenómenos cuánticos, la exportación del concepto de mente enferma desde Estados Unidos, el colapso del sistema de publicación científica a través de papers, que la ciencia no logre curar el cáncer, la hiperconectividad y la virtualización total de la vida, el crecimiento de una “ansiedad mórbida” y de un mundo cada vez más sintético.

Como hace año tras año, Radar seleccionó las mejores respuestas, las preocupaciones más asoladoras. Sin miedo y sin que tiemble el pulso.

SUBNOTAS

A alta sociedade Maceió principal cliente do tráfico de drogas. No Rio, São Paulo e Brasília, os favelados…

Ou a policia das cidades mais ricas procura nos lugares errados, e pega traficantes descamisados, ou Maceió é uma exceção.

A Polícia Civil de Alagoas prendeu hoje sete integrantes de uma quadrilha que atuava no tráfico de drogas e tinha atuação no mercado interno, interestadual e internacional.

Além das prisões, foram estouradas duas clínicas de fachada que atuavam em Maceió (como revendedora de produtos Herbalife) e em Arapiraca, na área de estética. “Na verdade, esses locais nada mais eram do que ponto de refino de drogas, sobretudo cocaína”, explicou a delegada Ana Luiza Nogueira.

Ela disse que grande parte das drogas que chegava em Maceió era revendida na alta sociedade local, sobretudo em shows musicais.

Rio Brazil

Tudo limpo
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Sujou. !. 100 favelas dominadas pelos tafricantes e redutos de drogados
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