Romântica e amorosa prisão, na Bahia, do porteiro que acendeu a bomba que matou o cinegrafista Santiago. Teve beijinhos e abraços da namorada que viajou no mesmo avião com a polícia, advogado e TV Globo

Versão da Revista Veja: [O porteiro] Caio Silva de Souza, o suspeito de acender e disparar o rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade, da Rede Bandeirantes, durante protesto no Rio de Janeiro, foi preso em Feira de Santana, na Bahia.

Caio Silva de Souza foi localizado em uma pousada perto da rodoviária da cidade, que fica a 116 quilômetros da capital Salvador.

A prisão foi feita por volta das 3 horas (2 horas na Bahia) pelo delegado Maurício Luciano, responsável pelo caso. Ele estava acompanhado pelo advogado Jonas Tadeu Nunes. Em entrevista à GloboNews, o delegado afirmou que o suspeito estava sozinho no quarto da pousada no momento da prisão, assustado e nervoso. “Com ajuda do advogado (Jonas Tadeu), ele se entregou. Não houve resistência”.

Além do delegado, a operação para prender o rapaz teve a participação de outros quatro policiais civis do Rio. A namorada dele também estava presente. Confira 

A Globo filmou a prisão e escondeu a namorada do porteiro
A Globo filmou a prisão e escondeu a namorada do porteiro

Versão do JC Net: O recepcionista da pousada Hergleidson de Jesus Moreira disse que Souza se hospedou por volta das 16h de terça-feira (11) com o nome de Vinícius Marcos de Castro. Ele não soube informar se o suspeito apresentou algum documento porque não estava trabalhando no momento do check-in.

Por volta das 22h, o recepcionista conta que um homem ligou para a pousada dizendo ser irmão de Souza. Ele disse para o recepcionista que chegaria mais tarde para se hospedar e pediu para falar com o suspeito.

Segundo Moreira, por volta das 3h (horário de Brasília) chegaram na pousada policiais civis, acompanhados do advogado e da namorada do suspeito. Após a mulher e o advogado conversarem com o manifestante, ele deixou o quarto acompanhado por dois policiais civis.

O REENCONTRO DOS NAMORADOS

[O advogado] Jonas Tadeu disse: “Ele não foi preso, eu entrei no quarto com a namorada dele, conversamos e ele se apresentou à autoridade”. É importante salientar que Caio Silva de Souza não conhecia o advogado. Quem entrou primeiro no quarto: o advogado ou a namorada? Um idílico e saudoso e desesperado encontro que a imprensa censurou.

O monopólio da Globo (televisões, rádios e jornais impressos e online) esconde a namorada de Caio. Informa o G1: A prisão foi efetuada pelo delegado que investiga o caso, Maurício Luciano de Almeida e Silva. Ele estava acompanhado do advogado de Caio, Jonas Tadeu, que também defende outro rapaz envolvido no caso, Fábio Raposo, que está preso no Rio. Leia  

O advogado Jonas Tadeu defender os dois presos é uma situação bastante esquisita. Que um incrimina o outro. O Jonas é mais um advogado do diabo, para um dos presos. Presos que não conhecia. O que é mais estranho ainda (vale o trocadilho).

Esta exclusividade da Globo gerou uma briga com a Band, a mesma exclusividade que a Globo tinha garantida com as denúncias do “jornalista” e bicheiro Carlinhos Cachoeira. Uma briga que deixa no ar a pergunta: que avião foi usado na viagem para prender Caio na Bahia? O da Globo? O da polícia? Ou um avião de carreira? Melhor perguntado: a polícia deu carona aos jornalistas, ou a Globo patrocinou a viagem da polícia, mais advogado e namorada do preso?

BRIGA DE COMADRES

Escreve Daniel Castro/ Net:

A exclusividade da Globo no registro da prisão de Caio Silva de Souza, 25, suspeito de ter atirado o artefato explosivo que causou a morte do cinegrafista Santiago Andrade, na quinta-feira passada no Rio de Janeiro, gerou revolta nos bastidores da Band.

Os jornalistas da emissora não se conformam o fato de a Globo ter tido acesso com exclusividade a uma operação policial que prendeu um dos envolvidos na morte de um profissional da própria Band.

Protegidos pelo anonimato, eles acusam o Polícia Civil do Rio de Janeiro de privilegiar a Globo, como já ocorreu anteriormente em operações da Polícia Federal, como a que prendeu, em setembro de 2005, o ex-prefeito Paulo Maluf e seu filho, Flavio Maluf. Na época, o repórter Cesar Tralli se fantasiou de agente policial.

A Globo nega ter sido favorecida pela polícia. Em nota, diz que sua “equipe seguiu os investigadores, a partir de informações apuradas pela reportagem, profissionalmente”. A Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro não comentou até a conclusão deste texto.

A prisão de Souza foi acompanhada pela repórter Bette Lucchese, um cinegrafista e um técnico. Eles seguiram os policiais desde o Rio de Janeiro. Viajaram no mesmo avião que os policiais até Salvador e acompanharam os agentes de carro até Feira de Santana. Retornaram no mesmo avião e registraram toda a ação.

A versão da Globo de que seus jornalistas seguiram os investigadores não convence os profissionais da Band. “Se os jornalistas da Globo foram juntos com a polícia é porque foram convidados ou autorizados”, diz, revoltado, um repórter.

Quem conhece os bastidores das operações policiais sabe que repórteres não seguem investigadores. É a polícia que avisa quando realiza uma prisão ou operação especial. Do contrário, a polícia poderia impedir os jornalistas de segui-los, e até prendê-los, sob a acusação de tentativa de obstrução da Justiça.

A polícia também poderia impedir os repórteres sob o argumento de risco à vida.

A Globo enviou a seguinte nota:

“A equipe da TV Globo viajou em avião de carreira, pagando suas despesas, como é norma da emissora. Em terra, chegou até Feira de Santana, em táxi pago pela equipe. Não é verdade que a equipe foi convidada pela Secretaria de Seguranca. A equipe seguiu os investigadores, a partir de informações apuradas pela reportagem, profissionalmente. O jornalismo da Globo não obteve qualquer favorecimento. Desde o início da cobertura, a TV Globo vem dando informações em primeira mão sobre o caso, adotando os princípios de trabalhar com isenção, precisão e agilidade, observados pelo jornalismo da emissora.”

 “HÁ QUALQUER COISA NO AR, ALÉM DOS AVIÕES DE CARREIRA”

A frase é do Barão de Itararé. Esta exclusividade da TV Globo visa divulgar uma única versão do caso do assassinato do jornalista Santiago Dantas. A versão da Globo é a versão da polícia, e vice-versa.

Agora a história do avião não foi bem contada. E todo mundo sabe das ligações da Globo com o governador Sérgio Cabral.

A peça mais importante para prender Caio foi a namorada, que também não conhecia o advogado Jonas Tadeu.

Sei que rolou beijos e abraços no reencontro dos dois namorados. Nada mais natural.

A Globo das novelas picantes, do primeiro beijo gay, do primeiro beijo lésbico, das cenas de sexo no BBBrasil e novelas, esconde a presença da namorada de Caio.

Veja a entrevista. A jornalista Beth Lucchesi, da Globo, diz que estava no mesmo avião com a polícia e Caio. Clique aqui

Beth não cita a namorada. Como foi a viagem de volta dos namorados?

Prefeito do Rio chama de “filhinhos de papai mimados” o porteiro e o tatuador acusados de matar cinegrafista

Porteiro Caio Silva de Souza
Porteiro Caio Silva de Souza
aprendiz de tatuador
Fábio Rapozo aprendiz de tatuador

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB),  classificou de “filhinhos de papai mimados” os rapazes presos pela explosão do rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade.

Ao criticar a violência nas manifestações, o prefeito afirmou que “desta vez foi um bando de filhos de papai mimados” que destruiu a vida de uma pessoa. “Eles precisam ficar na cadeia por muito tempo. Precisamos é de menos impunidade no Brasil e no Rio de Janeiro. Protesto faz parte, o que não pode acontecer é sair na rua tirando seus recalques, atacando os outros com violência”, disse Paes.

O prefeito exagerou. “Desta vez”, como sempre acontece, foram dois pés-rapados conhecidos da polícia.

Um dos acusados, Caio Silva de Souza, mora em Nilópolis, na Baixada Fluminense, e trabalha no Hospital Rocha Faria, em Campo Grande, na Zona Oeste da capital, como porteiro da unidade de saúde, contratado pela empresa Hope Serviços, que é contratada pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro. Deve receber um salário mínimo, e vive miseravelmente.

Caio Souza tem quatro registros na polícia do Rio. Em 2008, deu queixa dizendo ter sido agredido pelo irmão. Em 2010, foi levado duas vezes à delegacia  por suspeita de porte de drogas,  mas não chegou a ser acusado. E, em 2013, foi à polícia dizer que tinha sido agredido em um  protesto no Centro do Rio.

O outro, Fábio Raposo Barbosa, de 22 anos, foi preso na casa dos pais, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio.

Fábio Raposo já esteve detido, pelos menos, duas vezes. Uma delas foi registrada na 5 ª DP (Mem de Sá) no dia 7 de outubro de 2013. Na ocasião, o tatuador foi fichado pelos crimes de dano ao patrimônio público e associação criminosa. Há notícia do envolvimento de Fábio com drogas.

Em uma outra ocorrência, registrada no dia 22 de novembro de 2013 na 14ª DP (Leblon), Raposo foi autuado pelo crime de ameaça.

Fábio mora sozinho em um edifício no Méier, na zona Norte do Rio, e abandonou a faculdade de contabilidade para “tentar se tornar um tatuador”, informa a Folha de S. Paulo. Portanto, não tem trabalho fixo. O apartamento servia de residência e atelier.

AS MANIFESTAÇÕES DE PROTESTO, LÓGICO, ÓBVIO, EVIDENTE, PACIFICAS, FORAM DERROTADAS POR ESSE EPISÓDIO ASSASSINO, VOLUNTÁRIO OU INVOLUNTÁRIO. NÃO ESMOREÇAM, ÀS RUAS, CIDADÃOS

por HELIO FERNANDES

 

polícia marcha passeata indignados

O lugar comum de todas as autoridades dos Três Poderes, vem sendo repetida há meses: “Somos favoráveis a toda e qualquer manifestação pacífica e sem violência, é um direito do cidadão”. Mas ninguém tomou a menor providência para que essa “manifestação pacífica” se transformasse em realidade.

A morte do cinegrafista

Ontem foi preso o maior suspeito, a responsabilidade agora se transforma para um juiz comum, ou passa para o âmbito do Tribunal do Júri. Essa decisão levará algum (muito) tempo, pois depende do estabelecimento de vários fatores, que não poderão ser esclarecidos em horas ou dias. E terão que ficar sob o comando do delegado, até que conclua o caso, e envie tudo para a Justiça.

Haja o que houver, a palavra final caberá a Justiça. E o principal acusado, agora preso depois de cansativo trabalho, saberá se responde diante de um juiz singular (único) ou perante ao colegiado do Tribunal do Júri. (Thomas Jefferson, um dos “pais fundadores” da independência da República dos EUA, e depois oito anos presidente, escreveu: “O Tribunal do Júri, é um dos pontos mais respeitáveis e respeitados da Justiça”.

Menos naturalmente no Brasil, por causa das mudanças feitas aqui. Desde que esse Júri foi criado na Inglaterra, há mil e 200 anos, pelo Rei João sem Terra, eram 12 os membros e se exigia unanimidade. No Brasil são apenas 7 julgadores e me fartei de assistir grandes julgamentos terminarem em 4 a 3. Pela condenação ou absolvição. Deturpação completa.

O papel dos advogados

O da defesa tem a obrigação de diminuir a responsabilidade do acusado. Dirá: “Meu cliente não conhecia o poder destruidor do artefato”. Outra afirmação: “Ele não tem certeza da capacidade de destruição do rojão. Jogou para o alto, não sabia onde iria cair”. E irá por esse caminho, inocentando o acusado. E naturalmente contestado pelo promotor.

O “conflito de interesses” do advogado Jonas Tadeu

Esse advogado dos milicianos surgiu do nada, antes dos personagens principais. Como e por que se deu sua entrada em cena? Não deve ser muito brilhante, pois os milicianos defendidos (?) por ele, foram condenados a pesadas penas de prisão.

Falando pelos réus, os dois ao mesmo tempo? Problema para o advogado Tadeu

Há visível conflito de interesses. O que disser em defesa do réu inicial, Fábio Raposo, (apresentado por ele, apesar de ter afirmado, “nunca o vi nem conheci”), logicamente vai agravar a situação do segundo réu, o agora preso, Caio Silva.

Sua posição é quase a de um maratonista advocatício. Não tem condições para correr 100 metros, ele mesmo tem que ocupar duas tribunas, defendendo dois réus ou acusados que ele mesmo apresentou e agora representa.

A posição do promotor

Se a questão for decidida na Justiça comum, a acusação caberá ao Ministério Público. Indo para o Tribunal do Júri, estarão presentes, jurados, advogados de defesa, (não apenas um para os dois acusados) e o promotor do Tribunal do Júri. Aí será mais demorado e mais sensacional, o Júri exerce sensação, emoção e repercussão fora do comum.

PS – A televisão ouviu exaustivamente, Procuradores, advogados, Promotores, discordância total. Uns dizem: “A confissão não tem a menor importância”. Outros: “Sem a confissão, a investigação policial terá que ser irrefutável e indiscutível”.

PS2 – Existe uma visível cortina de fumaça, a respeito desse estranho advogado Tadeu. Faltou a verdade várias vezes. Começou apresentando Fábio Raposo, dizendo: “Não o conheço, mas convenci-o a se apresentar espontaneamente, é melhor”.

PS3 – Mais inverdade: “Não conheço Caio Silva, mas tenho um amigo intimo dele. Através desse contato, estou tentando fazer com que se apresente”. É o advogado multiforme, multimultiplo, múltiplo dublador da própria voz.

PS4 – Apesar de tudo, Caio fugiu para todos os lados, foi preso na Bahia, sem conhecer esse Tadeu. Se entregou sem resistência, na Bahia, foi trazido tranquilamente para o Rio.

PS5 – Ninguém sabe se terá esse doutor Tadeu como advogado duplo. Vários outros já se ofereceram para defendê-lo de graça. Consideram que está sendo injustiçado.

PS6 – Dois criminalistas do primeiro time, fui defendido por todos eles, me disseram: “Se o Caio for defendido pelo mesmo advogado acusado que o denunciou, este será inocentado e ele condenado”.

PS7 – Por enquanto não acontecerá nada. Como não há confissão, o delegado Luciano terá que trabalhar dia e noite para obter provas irrefutáveis.

PS8 – O delegado cumpriu com eficiência o seu papel de informar e dialogar com os jornalistas. Duas entrevistas de horas, explicando tudo.

PS9 – Na segunda, presente por mais de duas horas, Fernando Veloso, chefe da Polícia Civil. Era praticamente sua estreia, ganhou nota 10. Paciente, calmo, não deixou pergunta sem resposta.

PS10 – Alguém precisa esclarecer esse fato: o Caio Silva das fotos distribuídas pelo Brasil, inteiramente diferentes. Pela foto, ninguém iria denunciá-lo.

PS11 – Termino como comecei, fazendo apelo ao povo das ruas, para continuarem participando cada vez mais de manifestações. Em vez de mil, um Milhão como se estivéssemos na Candelária das “Diretas Já”, que a Tribuna tanto incentivou. E continuamos, é mais do que uma obrigação, é uma convicção.

A imprensa esqueceu das outras 11 vítimas fatais das manifestações?

por Mauro Donato

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O misto de comoção e estardalhaço com que a morte do cinegrafista Santiago Andrade está sendo tratada na mídia é ao mesmo tempo compreensível e incômodo.

Compreensível, pois a morte do cinegrafista é brutal sob todos os ângulos e dispensa mais comentários. Todos já foram feitos.

Incômodo, pois penso que deveria partir da mídia o equilíbrio e o bom senso nesse momento de tensão.

A trinca imprensa-manifestantes-polícia que coabita as ruas desde junho não fala a mesma língua e o clima esquentou de vez.

Um vídeo gravado em frente à delegacia durante o depoimento de Fabio Raposo — o tatuador que estaria envolvido no caso –, em que um manifestante ameaça outro cinegrafista de ser “o próximo” para imediatamente receber a câmera na cabeça, demostra qual o quadro atual.

Escorraçada das ruas durante os protestos, a “grande mídia”, acusada de mentir e manipular, ansiava pela hora do troco. E o fator que proporciona essa catarse foi nada menos que uma morte. Ou seja, nitroglicerina pura.

No entanto, a cobertura da morte de Santiago esqueceu as demais vítimas. Manchetes em letras gigantes anunciando “o primeiro morto por manifestantes” confirmam isso. É o primeiro vitimado por manifestantes, mas o décimo segundo caso de mortes relacionadas com as manifestações. As outras onze não contavam?

Foram vítimas de causas que vão desde inalação excessiva de gás lacrimogêneo a atropelamentos e ainda uma suspeita de assassinato da ativista carioca Gleisi Nana.

Hoje os números de agressões a jornalistas estão nos telejornais sendo que em outubro do ano passado este DCM já denunciava a preocupante escalada. Jornalistas free-lancers e “mídia independente” não são dignos de atenção? As matérias apresentadas em horário nobre na Band e Globo buscaram associar as agressões a manifestantes, distorcendo a estatística que aponta 78% dos ataques vieram da polícia (os números variam entre 117 e 126 casos, conforme a fonte).

Reforço para não ser mal interpretado: o que ocorreu com Santiago é gravíssimo. É o limite. Por isso mesmo que todos devem colocar as mãos na cabeça, refletir e não mais repetir os mesmos erros.

É preciso conter sensacionalismo se não quisermos acelerar medidas tão perigosas e carentes de debate como o projeto de lei que tipifica o crime de terrorismo (PL 499/2013). Por vingança rancorosa (e também para permanecer com seu alinhamento filosófico-político cheio de segundas intenções), a mídia tradicional precisa estancar sua verborragia que condena e criminaliza as manifestações. Criminosos são criminosos, manifestantes não o são.

A coisa chegou a esse estágio atual muito em consequência da narrativa desequilibrada da imprensa e é ela quem tem obrigação de reverte-lo. A decretação de morte cerebral não pode caber à imprensa como um todo.

Lista das vítimas fatais:

Cleonice Vieira Moraes, Marcos Delefrate, Valdinete Rodrigues Pereira, Maria Aparecida, Douglas Henrique de Oliveira, Santiago Andrade, Luis Felipe de Almeida, Igor Oliveira da Silva, Paulo Patrick, Fernando da Silva Cândido, Tasman Amaral Accioly e Gleisi Nana.

 Mauro Donato

Quem jogou a bomba que afundou o crânio de Santiago?

Federalizar já a investigação do assassinato premeditado do cinegrafista Santiago Andrade. Uma polícia que joga bombas de gás lacrimogêneo, de gás de efeito (i)moral em jornalistas, não tem autoridade moral. Uma polícia que atira balas de borracha para cegar cinegrafistas e fotógrafos não tem nenhuma credibilidade.

cinegrafista tragédia anunciada

Está na internert: Antes do cinegrafista, já tivemos outras mortes em manifestações. Mas quantas foram investigadas e os responsáveis condenados? E os outros jornalistas atingidos? Houve alguma campanha midiática pela punição dos responsáveis por esses crimes? Por que há uma forma diferenciada como são tratados os casos de violência? E por que essa ânsia toda de culpar de todas as formas possíveis os Black Blocks? Por que um advogado ligado as milícias tentou incriminar um político do Rio, Marcelo Freixo, a morte do cinegrafista?

Segue abaixo a lista das pessoas mortas nas manifestações:

1. a gari Cleonice Vieira de Moraes, em Belém (PA), vítima do gás lacrimogêneo lançado pela polícia militar;

2. 13 mortos na favela Nova Holanda, no Complexo da Maré no Rio de Janeiro (RJ) – neste caso, a imprensa sequer se deu ao trabalho de informar todos os nomes;

3. o estudante Marcos Delefrate, de 18 anos, em Ribeirão Preto (SP), atropelado por um carro que furou um bloqueio de manifestantes;

4. Valdinete Rodrigues Pereira e Maria Aparecida, atropeladas em protesto na BR-251, no distrito de Campos Lindos, em Cristalina (GO);

5. Douglas Henrique de Oliveira, de 21 anos, que caiu do viaduto José Alencar, em Belo Horizonte (MG), por ter sido acuado pela polícia militar;

6. o marceneiro Igor Oliveira da Silva, de 16 anos, atropelado por um caminhão que fugia de uma manifestação, numa ciclovia próxima à Rodovia Cônego Domênico Rangoni, na altura de Guarujá (SP);

7. Paulo Patrick, de 14 anos, atropelado por um táxi durante manifestação em Teresina (PI);

8. a manifestante Gleise Nana, de 33 anos, insultada e coagida por mensagem de facebook de um sargento da polícia no dia 7 de setembro – no dia 18 de outubro seu apartamento pegou fogo e no dia 25 de novembro não resistiu as queimaduras que afetaram 35% de seu corpo e faleceu;

9. Fernando da Silva Cândido, ator, por inalação de gás lançado pela polícia, no Rio de Janeiro (RJ).

10. o idoso que foi atropelado por um ônibus ao tentar fugir da polícia, na mesma manifestação em que o cinegrafista Santiago foi atingido – sobre esta outra vítima, nenhuma linha na imprensa. Chamava-se Tasman Amaral Accioly e era vendedor ambulante.

feridos

Conheça vários casos de pessoas mortas e feridas em manifestações no Brasil. Clique aqui 

Os soldados mais violentos são comandados pelos governadores corruptos Sérgio Cabral e Geraldo Alckmin.

Federalizar o inquérito sim. Na internet começam a aparecer as dúvidas:

policiais loucos

“Esses policias treinados pelo pessoal do filme O Procurado conseguem dar tiro de bomba para fazer o petardo dar uma volta pelas costas do jornalista e acertar a cara dele debaixo pra cima e afundar o crânio. Bomba fazer curva, o cinema americano tem que aprender isso…”

Outra dúvida levantada:

projetil

Fotos mostram que foi a PM quem disparou contra o cinegrafista da Band

Jornal Causa Operária: Imagens reunidas por ativistas da internet negam a versão de que foi um manifestante o responsável pela morte de Santiago Andrade. O que reforça que a imprensa burguesa está usando o fato como pretexto para aumentar a repressão

Diante da tentativa da imprensa burguesa de colocar a culpa da morte do cinegrafista Santiago Andrade nos manifestantes, um grupo de ativistas da internet reuniu fotos que atestam justamente o oposto. Nas fotos (veja abaixo) fica claro que se trata de uma munição industrial e não um rojão como se afirmou exaustivamente nos jornais e redes de rádio e televisão.

Em uma das fotos, um destes ativistas segura o artefato com a mão.

Estas fotos corroboram o depoimento dado por outro cinegrafista presente a manifestação do dia 6, Bernardo Menezes, funcionário da Rede Globo. Em uma reportagem da Globo News ele dá o seguinte relato: “Tudo aconteceu no momento em que os manifestantes se aglomeraram no Comando do Leste, um edifício do Exército situado no Centro do Rio, ao lado da Central do Brasil. A Polícia Militar tentava dispersar os manifestantes e lançou várias bombas de efeito moral. E um destes artefatos estourou bem perto do cinegrafista da Band. Eu estava há alguns metros e vi quando isso aconteceu. Ele na mesma hora caiu no chão e ficou com um ferimento na cabeça, perdendo bastante sangue. Colegas e outras pessoas que estavam próximas obviamente correram para tentar ajuda-lo. Cercaram o cinegrafista [que estava] no chão e alguns PMs lançaram ainda mais bomba, o que provocou mais confusão” [grifo nosso].

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Além disso, também chama a atenção alguns fatos. Na imprensa burguesa, em particular na televisão, “especialistas” chegaram rapidamente à conclusão de que foi um manifestante quem disparou um rojão que acertou o cinegrafista. O que além de tudo, mostra a disposição desta mesma imprensa em considerar um manifestante culpado mesmo sem qualquer julgamento.

Uma tática comum em campanhas que servem como pretexto para justificar medidas que aumentam a repressão.

Outra questão é que não foram amplamente divulgadas as imagens das câmeras usadas para monitorar o trânsito e, segundo alegam os governos, para garantir a segurança. Certamente elas poderiam fornecer mais dados sobre o conflito no Centro do Rio. O que temos são apenas alguns registros. Por que estas imagens não são divulgadas e analisadas? Por que mostrariam que os disparos partiram da polícia?

Neste sentido, é preciso repudiar tanto a ação da PM como a cobertura da imprensa capitalista, responsável pela propaganda contra os manifestanes, em favor do aumento da repressão.

Vídeo da reportagem de Bernardo Menezes

O livre comércio de foguetes, rojões e morteiros

Cinegrafista

Para a Polícia Civil do Rio de Janeiro, um rojão afundou o crânio do cinegrafista Santiago Andrade. Trata-se de um artefato vendido livremente em lojas de fogos de artifício.

Segundo Ellington Cacela, especialista do esquadrão antibombas da tropa de elite da Polícia Civil fluminense, um rojão de vara ou treme terra.

Ainda de acordo com Cacela, o artefato tem cerca de 60 gramas de pólvora e, antes de ser deflagrado, conta com um pavio que alimenta um propulsor antes da explosão final. [Veja vídeo da Band]

Santiago Andrade antes de ser atingido. Na foto,  o rojão aceso no chão antes de e tomar o caminho junto ao rosto do cinegrafista, conforme conclui a polícia
Santiago Andrade antes de ser atingido.
Na foto, o rojão aceso no chão antes de tomar o caminho junto ao rosto do cinegrafista, conforme conclui a polícia

“Fizemos um teste de controle no esquadrão antibombas, fomos ao hospital ver a natureza das lesões, e nos levou a saber que foi esse fogo de artifício”, disse Cacela, salientando também que esse tipo de explosivo, além de autorização prévia da norma R105, do Exército, só pode ser solto com o auxílio de uma vara de pelo menos um metro de comprimento e afastado ao menos 30 metros de onde circulam pessoas.

“É uma onda de pressão muito grande”, afirmou. Essa onda de pressão, ou o forte deslocamento de ar, foi o que vitimou o cinegrafista. A roupa do profissional da TV Bandeirantes foi recolhida para perícia, bem como fragmentos do explosivo foram retirados, nesta sexta-feira, do local para auxiliar na elucidação do caso.

Transcrevi trechos de reportagem de André Naddeo, publicado por Luis Nassif. Espero que tenha sido um médico legista quem retirou os fragmentos do explosivo do corpo de Santiago, e não Cancela.

perigo

Desde que começaram as manifestações que a polícia denuncia o lançamento de rojões, e nenhum governo cuidou de fiscalizar sua comercialização. Os governadores estão mais interessados em uma lei que considere as manifestações populares como ações terroristas.

Desde 2012, tramita na Câmara projeto que restringe a venda de fogos de artifício das classes C e D a empresas. Estão nas categorias listadas foguetes, rojões e morteiros. Atualmente, o Decreto-Lei 4.238/42, que trata da fabricação, do comércio e do uso de artigos pirotécnicos e proíbe a venda desses produtos a menores de idade, sem distinção entre pessoas físicas e jurídicas.

Segundo a proposta (Projeto de Lei 3271/12), do deputado Jose Stédile (PSB-RS), os fabricantes e os estabelecimentos comerciais que venderem esses fogos deverão identificar, em livro próprio, a pessoa jurídica compradora, a qualidade e a espécie dos produtos adquiridos.

O projeto mantém, por outro lado, a exigência já existente de licença prévia da autoridade competente para a queima dos fogos, com hora e local previamente designados. Além disso, em qualquer tipo de evento, o acionamento de fogos incluídos nas classes C e D só poderá ser feito por empresa ou pessoa especializada de órgão público, se for o caso.

Acidentes
Com a medida, Jose Stédile espera evitar acidentes com fogos de artifício. “Acionar determinadas classes de fogos não é coisa de amadores. Exige profissionais”, afirma o parlamentar.

Levantamento do Ministério da Saúde indica que, entre janeiro e outubro de 2011, cinco pessoas morreram em decorrência de acidentes com fogos de artifício. No mesmo período, 461 pessoas foram internadas pelo mesmo motivo. O deputado anexou ao projeto fotos de pessoas que tiveram boa parte de seus corpos queimados ou membros amputados por causa do uso de fogos de artifícios.

Vídeo: rojão de vara

SANTIAGO MORREU, CARONE ESTÁ PRESO, E AGORA MINAS GERAIS?

BRA^MG_EDM cinegrafista e agora Brasil

A polícia de Minas Gerais sempre joga bombas de efeito (i)moral e bombas de gás lacrimogêneo no povo, e atira com balas de borracha. O jornal Estado de Minas até festeja o terrorismo estatal com fogo de lágrima.

Agora com lágrimas de crocodilo o Estado de Minas pergunta: “Santiago morreu. E agora Brasil?”

Que choro hipócrita! Nenhuma palavra disse o Estado de Minas sobre a invasão policial da casa do jornalista Geraldo Elísio. Nem sobre Marco Aurélio Carone que continua preso.

Basta de lamúrias fingidas! No ano passado dois jornalistas foram assassinados em Minas, e o Estadão não cobra as prisões dos assassinos: uma quadrilha repleta de policiais.

Quantos civis já morreram em Minas nos protestos de rua? Em Belo Horizonte, inclusive, existe um viaduto da morte.

CENSURA, ABUSO JUDICIAL E POLICIAL EM MINAS 

censura nas redes sociais _ prisão de jornalista _ minas sem censura

Divulga Minas Sem Censura:

O mês de janeiro começou mal para a liberdade de imprensa em Minas. O “empastelamento” do Novo Jornal, site de notícias crítico ao governo de Minas Gerais, teve ação do Ministério Público, Justiça e execução pela Polícia Civil para se efetivar.

Independentemene do que se pense ou se avalie da qualidade desse portal de notícias, de propriedade do polêmico Marco Aurélio Carone, o que se denuncia é o uso do aparato público mineiro para que seja promovido um ato de truculência jamais visto em Minas, desde os tempos do Regime Militar.

Primeiro: a entrada do Ministério Público na trama revela o “vício de origem”. O promotor de Justiça, André Pinho, é o signatário do pedido de prisão de Carone. Ora, Carone reportou no Novo Jornal, uma querela envolvendo o citado promotor e seu próprio irmão. A partir daí, Pinho resolveu usar de seus poderes de “parquet” para pedir a prisão do proprietário do Novo Jornal, sob a suspeita de que ele teria incendiado seu carro! Isso mesmo: o promotor, supostamente vítima de Carone, pede a prisão de Carone?

Segundo: o despacho da juíza Maria Isabel Flek pedindo sua prisão é uma peça rancorosa, que justifica o ato de detenção sob argumento de que ele, em liberdade, poderia pressionar testemunhas e destruir provas, atrapalhando as investigações sobre os supostos delitos a ele atribuídos! Ora, sabe-me muito bem que o Novo Jornal comprou brigas homéricas com setores da justiça mineira.

Terceiro: as autoridades policiais que efetivaram a prisão e a busca e apreensão de pertences em seu escritório e na residência de um histórico jornalista mineiro, Geraldo Elísio (há sete meses afastado do Novo Jornal), são também desafetos de Carone. No caso dos policiais, estes são subordinados à cúpula da Polícia Civil. Carone, inclusive, faz uma denúncia gravíssima: o delegado Nabak lhe propôs “delação premiada”, em troca de que ele – Carone – acusasse os deputados Sávio Souza Cruz, Rogério Correia, Durval Ângelo e o ministro Fernando Pimentel, como mentores editoriais e financiadores do Novo Jornal.

Ou seja, essa ação atabalhoada será, obviamente declarada nula nas instâncias superiores da justiça, por todos os vícios de origem acima resumidos. Ela tem fins políticos claros: intimidação e produção artificial de provas contra desafetos de Aécio e Andrea Neves, Danilo e Rodrigo de Castro, o delegado Nabak, o promotor André Pinho, Azeredo, desembargadores, juízes, barões da mídia mineira, empresários etc.

Perguntas e respostas sobre o caso

Por que as autoridades e personalidades, supostamente constrangidas por Carone, não pediram direito de resposta às denúncias contra eles lançadas no portal? Por que, já que o processaram, não aguardam o rito se concluir? Afinal, a justiça é célere quando se trata dos interesses de proeminentes aliados de Aécio.

Por que não desmentem o rumoroso caso da Lista de Furnas, com dados mais consistentes, já que a mesma foi considerada autêntica pela Polícia Federal e reconhecimento em, pelo menos, duas ações judiciais? Por que não respondem sobre o caso da modelo assassinada, como suposta queima de arquivo do mensalão tucano? Por que o promotor que se ameaçado por ele não se declarou impedido de pedir sua prisão? Enfim, os desafetos dele, ao invés de percorrer o legítimo e ordinário rito judicial para incriminá-lo, adotam a espalhafatosa operação de censura e pressão.

E agora?

O Bloco Minas Sem Censura não entra no mérito da qualidade e editorial do Novo Jornal. Tudo que ali for escrito e documentado, independentemente do estilo, é material jornalístico, goste-se ou não de seu conteúdo e forma. E quem dele discordar pode e deve acionar os devidos canais judiciais regulares e não o uso da truculência estatal para calá-lo. O “Estado de exceção” que perdura em Minas Gerais é comprovado por esse gesto de autoridades e celebridades que gravitam em torno do clã Neves. Resistir a isso é um dever moral e uma necessidade republicana!