Assassinado Marco Aurélio de Alcântara, o mais influente jornallsta e publicitário da ditadura militar no Nordeste da autonomia do Banco Central

FOTO MAA

 

Amigo íntimo de Delfim Neto, Marco Aurélio Azevedo Alcântara era uma espécie de ministro Sem Pasta da ditadura militar, no Nordeste, tendo colecionado uma legião de inimigos entre empresários, governadores e prefeitos das Capitais.

Para medir a magnitude deste poder de Marco Aurélio de Alcântara (sua assinatura de jornalismo econômico) torna-se importante conhecer a história de Delfim, como professor de Economia, embaixador e ministro.

Marco Aurelio alem de jornalista, escritor, poeta, critico literário, poliglota, economista,  assessor parlamentar de deputados e senadores, foi proprietário de uma das principais agências de publicidade (em faturamento) do Brasil, e proprietário de uma editora que lançou autores brasileiros e portugueses, com filial em Portugal, e fazendeiro.

Biografia minimizada

É de estranhar as notinhas do Diário de Pernambuco, onde assinava, diariamente, uma coluna de economia: “Encontrado morto na manhã desta quarta-feira o jornalista Marco Aurélio Alcântara, de 77 anos. O corpo foi localizado pela empregada doméstica, ao chegar à residência da vítima, uma casa no bairro do Derby.

A polícia deu início às investigações. A causa da morte ainda não foi divulgada. O jornalista estava amordaçado e a casa estava revirada. Acredita-se na hipótese de latrocínio e de que a residência tenha sido invadida por assaltantes.

Marco Aurélio foi por muitos anos assessor da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e colunista de economia do Diario de Pernambuco e atualmente colaborava com o jornal escrevendo artigos para a editoria de opinião”.

Acrescenta o Jornal do Comércio: “O corpo da vítima estava amarrado nos pés, nas pernas e nas mãos e foi deixado em um dos corredores do imóvel. O jornalista também apresentava sinais de espancamento, mas a causa da morte ainda não foi divulgada, pois Marco Aurélio havia vendido a casa há pouco tempo. A polícia trabalha com a hipótese de latrocínio, roubo seguido de morte. De acordo com a polícia, o imóvel estava todo revirado o que reforça a suspeita. “Ele iria ontem no banco para sacar R$ 60 mil e de noite Marco Aurélio recebeu três pessoas na casa. A polícia está tentando identificar quem são”, explica o caseiro da vítima que preferiu não se identificar”.

Ainda de acordo com ele, a empregada encontrou a residência aberta e o corpo no corredor. Policiais do Departamento de Homicídio e Proteção a Pessoa e peritos do Instituto de Medicina Legal (IML) estão retirando o corpo do local.

Marco Aurélio fazia parte da Associação de Imprensa de Pernambuco e do Sindicato dos Jornalistas, além de ter trabalhado como assessor da Confederação Nacional da Indústria (CNI) por muitos anos.

Marco Aurélio foi assassina na antiga sede da Pool Editorial
Marco Aurélio foi assassina na antiga sede da Pool Editorial

Trajetória de Delfim

Falava-se, abertamente, que Delfim Neto, para liberar verbas para os governos estaduais e prefeituras, e empréstimos, pelos bancos oficiais, para industriais e empresários, cobrava uma propina de 30%, mantendo o valor taxado por seu antecessor Roberto Campos.

Marco Aurélio era responsável pela cobrança, recebendo 10% dessa extorsão, notadamente nos estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Assim foi criada a lenda da riqueza de Marco Aurélio, que morreu no ostracismo. Viveu um período de miséria, com a falência de suas empresas. Chegou a morar em um quarto de pensão no Recife,

Marco faz parte da história do “milagre brasileiro”, que deve ser destacado, para conhecimento da corrupção na ditadura militar, e por ser um programa de governo, com o nome fantasia de “terceira via”, proposto pela equipe de Marina Silva, formada por banqueiros, ex=funcionários de bancos estrangeiros, alunos de Delfim Neto, professor emérito da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, onde fez sua carreira acadêmica,e tornou-se professor titular de análise macroeconômica em 1983.

A plataforma de governo de Marina parte da volta da autonomia do Banco Central.

Autonomia do Banco Cantral & corrupção  

In Wikipédia: Em 1967, Delfim Neto foi convidado por Costa e Silva para ocupar o cargo de Ministro da Fazenda. Em 13 de dezembro de 1968 votou a favor do AI-5.

Durante o regime Militar, entre 1969 e 1974, foi ministro da fazenda e, no governo do presidente João Figueiredo, foi sucessivamente Ministro da Agricultura em 1979, Ministro do Planejamento entre 1979 e 1985 e embaixador do Brasil na França. Neste período, foi citado como provável peça-chave no escândalo Coroa-Brastel, mas o STF não obteve licença para processá-lo. Após a redemocratização do Brasil foi eleito cinco vezes consecutivas deputado federal, pelo PDS e por siglas que o sucederam – PPR, PPB e PP.

O Banco Central era autônomo e independente quando foi criado em 1966, no primeiro governo militar do marechal Castello Branco, e seus diretores não podiam ser demitidos, a não ser por motivo grave. Quando o general Costa e Silva assumiu, em 1967, o ministro Delfim Netto queria indicar o amigo e sócio Ruy Leme para a presidência do Banco Central. A imprensa começou a publicar suspeitas de que os integrantes da equipe econômica do general Castello Branco – Roberto Campos, Otávio Gouvêa de Bulhões e Denio Nogueira, este presidente do BC — teriam tirado proveito pessoal de uma desvalorização cambial. Foi instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados e a diretoria do BC acabou afastada. A manobra foi revelada por Denio Nogueira, em 1993.

Ao assumir a presidência, em 1974, o general Ernesto Geisel nomeou Delfim embaixador do Brasil na França. Incentivado por Geisel, o novo ministro da Economia, Mário Henrique Simonsen, surpreendeu o país ao denunciar a farsa da baixa inflação no período Médici. Embora até então impedida de tocar no assunto, a imprensa já sabia que os índices de inflação eram falsos. [E ilusório o “milagre brasileiro]

Milagre econômico & lóbi 

Ainda in Wikipédia: Durante o período no qual Delfim Netto ocupou a pasta da Fazenda ocorreu o chamado “milagre econômico brasileiro”. Naquela época foi executado um forte controle dos salários — que ficou conhecido como “arrocho salarial” — e dos preços de todos os produtos industrializados, que era feito através da CIP, ou comissão interministerial de preços. [A estabilidade no emprego foi cassada por Castelo Branco, em 1964]

Como Ministro da Fazenda do Presidente Costa e Silva, Delfim participou da reunião do Conselho de Segurança Nacional realizada em 1968, da qual decidiu-se por dar maior autonomia às entidades econômicas para valer uma das propostas iniciais do governo militar, que era o saneamento e crescimento da economia brasileira. Nessa reunião, Delfim sugeriu mudanças tributárias e administrativas que alterariam substancialmente o sistema governamental brasileiro, afim de retirar encargos do setor empresarial brasileiro, antigo problema brasileiro, e que possibilitaria o empreendedorismo da iniciativa privada e que, a longo prazo, geraria uma cadeia de crescimento produtivo e econômico. [Tema ora em discussão na campanha presidencial]

Poucas semanas depois impôs severa contenção nos gastos públicos e decretou uma redução de 10% na folha de pessoal de 1968. Baixou em seguida o Ato Complementar nº 40, que alterava a política de distribuição dos tributos federais, reduzindo a participação dos Estados e Municípios nos impostos concentrando-os nas mãos do governo central, o que facilitaria o redirecionamento dos recursos financeiros às obras desenvolvimentistas.

As estruturas da administração fazendária foram submetidas a um rígido controle, e sofreram sua influência centralizadora. [Estava assim criadas a cobrança de propinas para facilitar liberação de verbas e empréstimos pelos bancos oficiais].

Na esteira das alterações administrativas executadas por Delfim Netto a Caixa Econômica Federal e a Casa da Moeda passaram a ser empresas públicas. Ainda foi criado um Conselho Interministerial de Preços – CIP, e isso introduziu profundas mudanças na sistemática de acompanhamento de preços em todos os setores da economia brasileira [Hojemente realizada pelas Agência Nacionais de Regulação (de preços nas alturas), criadas pelo presidente Fernando Henrique, que chamo de prostitutas respeitosas]

Atentados contra Marco

Marco Aurélio era uma espécie de “Vice-Rei do Nordeste”, apelido de Juarez Távora, “Vice-Rei do Norte”, na Revolução de Trinta.

Certa vez, o general João Figueiredo, depois de uma visita ao canteiro de obras, prometeu o empréstimo necessário a um empresário para instalação de uma indústria. Logo depois, Marco foi cobrar os 30%, que o industrial se negou a pagar, alegando ser uma promessa pública de Figueiredo. Resultado:  o dinheiro não saiu dos cofres públicos, e o empresário suicidou-se. Esta história está contada na carta de despedida do suicida.

Marco foi vítima de um atentado a bala na estrada de Carpina a Recife, por causa de um disputa de terra. E encontrado, em uma sarjeta de Lisboa, o corpo recortado por uma navalha.

Marco recebeu várias ameaças de morte, mas nunca revelou nomes.

Homossexualidade e política

Marco Aurélio é de uma notável geração de jornalistas, hoje esquecida.

Na redação do Diário de Pernambuco, nascidos em 1937: Joesil Barros, Talis Andrade, Marco Aurélio e, um ano antes ou depois, Selênio Homem de Siqueira.

Marco vivia em um mundo à parte, não tinha jornalistas como amigos. Era um tempo de redação masculina, machista, de discriminação aos gays. Costumava-se dizer: quem não fuma, não bebe e não gosta de mulher, não é jornalista.

Marco Aurélio era gay de armário. Um comportamento que facilitou sua aproximação com Delfim Neto. Também se falava o mesmo de Roberto Campos.

Quando diretor do Jornal do Comércio, telefonei para Marco: disse que ele era um nome importante nos meios culturais, rico e independente, que poderia escrever um artigo assumindo a homossexualidade. Respondeu que eu queria “foder”ele, no sentido de arrasar o prestígio, a honra. Mas Marco escreveu um belo e histórico artigo sobre homossexualismo, que publiquei. Foi uma de nossas últimas conversas. Desde 1980 que não mantenho contato com Marco, uma figura controversa, escorregadia, imensamente inteligente e culta.

Marco gostava de contar histórias apenas para escandalizar. Confidenciou certa vez: que sentia prazer em lambuzar o rosto com esperma dos amantes, e guardar sêmen na geladeira, para beber como licor.

Que, por vingança, embebedou o filho de um ex-parceiro de negócios, e fez dele mulher, e o garoto curado do porre, queria se suicidar.

Aconteceu no Sindicato dos Proprietários de Agência de Publicidade, reunido em uma das residências de Marco no Recife. Provocou Marco: de doze, sete aqui são homossexuais. Todos caíram na risada. Participavam da escolha de Fábio Clemente para presidente, por indicação minha, além dos citados: Carol, Jardelino, Ampla, Grupo 9 e outros.

Elogiado o luxo do apartamento, Marco respondeu: “Tenho várias moradias. A casa da minha mãe, da minha mulher (uma das histórias correntes, que era casado com um milionária viúva), uma terceira para garotos de programa, outra para o ‘bofe’ (amante), e uma para lóbi com gays ricos.

Marco nunca citava nomes. Nos tempos de poder & dinheiro, seria difícil encontrar o assassino. Poderia ser um crime de vingança, de homofobia ou passional.

Livros e verbete da ANE

MARCO AURÉLIO DE ALCÂNTARA – nasceu em Jaboatão (PE) em 2 de fevereiro de 1937. Pertence a Institut International des Civilisations Différentes – INCIDI, Bruxelles – Belgique; Associación de los Antiguos Estudiantes Becarios de España; ANE – Associação Nacional de Escritores – ANE. Trabalhos Publicados: Aspectos da Aculturação dos Judeus no Recife; Imprensa Oficial em 1955, com prefácio do sociólogo Gilberto Freyre; Artigos em jornais e em revistas brasileiras. Notas de Andar e Ver, Recife, Pool Editorial 1976. Ensaios sobre economia, sociologia e política. O Brasil Restaurado (org. em colaboração com Antônio da Costa Martins), Recife, 2006. Bib.: Gilberto Freyre – O Hispano e o Tempo, 1985; O Triunfo de Eros, Sexo e Símbolo na Escultura de Brennand, 2003.

 

 

 

 

 

 

 

 

Trabalhadores alemães realizam greves. Coisa proibida aqui. Vão ter aumento. Quando os salários estão congelados no Brasil

Greves e mais greves até o patronato aceitar 6,5% de aumento dos salários. Os sindicatos alemães não brincam a protestar. Sabem que 2011 foi um ano de lucros recorde para a indústria do país e querem receber mais que migalhas. Leia 

Alemanha manda Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Irlanda cortar salários. Porque ela ganha com a recessão dos demais sócios do Mercado que não é lá tão Comum Europeu. É de um só.

O Reino Unido caiu fora. A França chora parceria.

España. “La reforma laboral nos devuelve a relaciones paternalistas y de servidumbre”

Entrevista a Héctor Illueca y Adoración Guzmán, autores de “El Huracán neoliberal. Una reforma liberal contra el trabajo”

¿Pensáis que con la reforma se liquida el Derecho Laboral? Alberto Garzón y Juan Torres hablan en un artículo de “voladura controlada”

El Derecho del Trabajo nace para gestionar el conflicto dentro de la empresa, es decir, otorgar a la clase trabajadora ciertas prestaciones en un contexto de explotación capitalista. Con la reforma (especialmente, al dinamitar la negociación colectiva) se ha roto este sistema de regulación; se pretende, así, llevar al punto máximo la explotación de la fuerza de trabajo. Lo que no está tan claro es que la liquidación del derecho laboral sea “controlada”, pues se les ha ido la mano. Es más, las consecuencias ciertamente no las han previsto. Van a producirse unos niveles de conflictividad imposibles de gestionar si no es desde salidas autoritarias.

Pasamos “Del derecho al trabajo a la libertad para trabajar”, afirmáis en un capítulo del libro. ¿Qué supone este cambio?

El derecho al trabajo implica el reconocimiento de ciertas prestaciones y garantías jurídicas. Supone un paso adelante frente al liberalismo absoluto. Pero ahora nos encontramos en una situación en que se pierde este derecho y se reconoce, como mucho, la libertad para trabajar (si es que uno encuentra trabajo). Sin embargo, más allá de lo que dice el libro, nos adentramos en un sistema semifeudal en que el trabajador vende su persona. Caminamos, de hecho, a un sistema de servidumbre y vasallaje dentro de las empresas.

También explicáis en el libro otro cambio: “El fin del derecho del trabajo y el nacimiento del derecho del emprendedor”. ¿Qué significa?

Esto es, en términos orwellianos, “neolengua” pura y dura. En otras palabras, se hace servir el lenguaje para confundir a la gente y crear una nebulosa ideológica. Cuando hablan de “emprendedor” están refiriéndose al empresario capitalista. En puridad, el término “emprendedor” procede del Derecho de la Unión Europea y designa a los autónomos. Pero la reforma laboral identifica, de manera muy burda, a los empresarios con emprendedores, al crear un contrato nuevo “de emprendedores” para las empresas de menos de 50 trabajadores. Dentro de estos límites caben el 99% de las empresas españolas. Todas ellas, siguiendo el razonamiento, estarían gestionadas por emprendedores.

No Brasil tudo começou com o ditador Castelo Branco, que acabou com a estabilidade no emprego e criou,  como compensação, o FGTS. Os governos pós-ditadura, notadamente o de Fernando Henrique, rasgaram a CLT, e colocaram no lixo todo e quaquer direito do trabalhador.

NO FGTS, o dinheiro do trabalhador cresce feito rabo de cavalo, sem a correção monetária de um precatório devido a um togado, para um exemplo.

Acabaram com a semana inglesa, o feriado do domingo, as horas extras pagas em dobro, e fundaram o banco de horas, o único banco que o trabalhador tem crédito.

Não existe mais emprego fixo. Todo emprego é precario, e imperam o assédio moral e o assédio sexual.

Depois dos 35 anos vai ficando difícil arranjar trabalho. E as vagas anunciadas pelas grandes empresas são para peões, que recebem o salário mínimo do mínimo.

Para os donos de canudos universitários, as multinacionais pagam o salario piso. Pisoteado piso.

Os altos cargos das empresas, desnacionalizadas, são exercidos por estrangeiros.

A vida da classe média tem sido assim: dois ou três anos em um emprego  temporário, e  um ou dois anos batendo calçada. Tudo é difícil.

Tudo sobe e os salários congelados

Com que roupa o povo vai pro samba de Dilma Rousseff? Vídeo de Noel Rosa

Dilma convida o povo para a festa do consumismo. “Não temos que nos atemorizar diante da crise, não podemos parar de produzir, de consumir”.
A presidente esqueceu que o povo permanece sem dinheiro. 67 por cento dos brasileiros não possuem dinheiro para a ceia de Natal. 67 por cento vão virar o ano de roupa velha.
E milhões e milhões com fome. Metade da população brasileira tem um rendimento de até 375 reais.

33% da população bem que gostaria de entrar na farra da presidente.
Mas os salários estão congelados.
Quem ganha o mínimo do mínimo – a maioria dos trabalhadores – anda desesperado.
Quem tem o canudo de bacharel, e recebe o salário piso, continua pendurado nos cartões de crédito.
É o Brasil dos prestamistas.

Para espantar a tristeza temos que cantar com Noel Rosa:

Com Que Roupa?

Agora vou mudar minha conduta
Eu vou pra luta pois eu quero me aprumar
Vou tratar você com a força bruta
Pra poder me reabilitar
Pois esta vida não está sopa
E eu pergunto: com que roupa?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Agora eu não ando mais fagueiro
Pois o dinheiro não é fácil de ganhar
Mesmo eu sendo um cabra trapaceiro
Não consigo ter nem pra gastar
Eu já corri de vento em popa
Mas agora com que roupa?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Eu hoje estou pulando como sapo
Pra ver se escapo desta praga de urubu
Já estou coberto de farrapo
Eu vou acabar ficando nu
Meu terno já virou estopa
E eu nem sei mais com que roupa
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?

Veja vídeo Com que roupa? de Noel Rosa

Mais 0,25 na Selic custam 5 bilhões de reais por ano ao governo

por Pedro do Coutto

O Comitê de Política Monetária decidiu na quarta-feira elevar em mais 0,25% anuais a Taxa Selic, que rege a remuneração paga pelo governo aos Bancos para girar a dívida interna mobiliária do país. Quer dizer: títulos do Tesouro e papeis do Banco Central que se encontram em poder da rede bancária. Como o montante do endividamento interno atinge – em números redondos – 2 trilhões de reais, o custo adicional de 0,25 representa uma despesa de mais 5 bilhões de reais por ano.

Marta Beck e Wagner Campos, em O Globo, Eduardo Cucolo, Folha de São Paulo, Fábio Graner, O Estado de São Paulo, publicaram amplas matérias a respeito da decisão, mas esqueceram de ajustá-la ao volume da dívida.
Pois este é o efeito concreto da medida que faz com que os juros reais debitados à conta do Tesouro alcancem 6% ao ano. Sim. Porque os juros são de 12,5%, mas a inflação do IBGE está em 6,5 pontos paraos últimos doze meses. Neste plano um contraste: os juros reais pagos pelo executivo são de 6%. Os cobrados para financiamentos, através do BNDES, são negativos na escala de 0,5% também para doze meses. Isso porque a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) está em apenas 6% ao ano livre da incidência da inflação.

Ótimo negócio, portanto, captar um financiamento a menos de 0,5% e aplicá-lo a 6% a mais. Como os prazos de carência para o início dos pagamentos são de dois anos, só a liberação do crédito, aos preços de hoje, produz uma rentabilidade de 12% sobre o capital obtido. Mas esta é outra questão.

O fato preponderante, mas esquecido pelos especialistas econômicos, está no óbvio aumento da despesa pública. Não sei porque ignorado, quando está na cara. Curioso é que os mesmos especialistas vivem criticando o governo Dilma Rousseff pelo aumento dos gastos. E centram as restrições nas despesas de pessoal. Mas não falam nos juros pagos aos banqueiros, tampouco nos reajustes dos preços das obras públicas. Quando ocorre um escândalo em série, como o que envolve o Ministério dos Transportes, os críticos monetaristas se fecham em copas. Nada dizem.

Talvez em face da esperança, no mínimo, de poderem amanhã ou depois trabalhar para o sistema financeiro. Nada afirmaram por exemplo, a respeito da tentativa do Pão de Açúcar em obter financiamento de 3,9 bilhões de reais do BNDES para formar uma fusão com o Carrefour na busca de livrar-se indiretamente do compromisso que mantém com o grupo Casino.

No Brasil, a resistência em pagar salários é enorme. Financiar o capital é outra conversa. As operações são sempre facilitadas. Não se trata – explico eu – de substituir uma faculdade por outra de sentido oposto. Nada disso. Trata-se de harmonizar as duas vertentes do processo de desenvolvimento econômico. Caso contrário, predomina a ideia de que investir em máquinas, computadores, na tecnologia avançada, torna os investimentos na máquina humana menos importantes.

Entretanto, esses investimentos são decisivos, como sustentou o presidente Roosevelt a partir de 1933, quando seu plano de ação superou os efeitos da crise de 29 e tornou os EUA o país mais avançado do mundo. Investir no ser humano, velho conhecido nosso, como costumava dizer Nelson Rodrigues, é essencial. Esta, inclusive, a filosofia do grande empresário Henry Ford, que morreu em 1947, mas até hoje é um capitalista de vanguarda.

No Brasil, infelizmente, a ideia mais forte não é essa. Ao contrário. Na ditadura militar de 64 a 85, principalmente no reinado de Delfim Netto, quando os salários foram fortemente rebaixados. Assim também no curto período Collor e no longo espaço de Fernando Henrique. Os resultados são visíveis. Alta renda de um lado, favelizaçao de outro. É preciso ver tanto a árvore quanto a floresta.