As vítimas da repressão

gigante claudius

 Editorial
por Silvio Caccia Bava
Diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil
 

 

O momento é propício para atender ao clamor que surgiu das manifestações de junho e que continua a se expressar de maneira pulverizada todos os dias nas principais cidades do país.

Foi o clamor contra a violência da polícia militar praticada contra as manifestações, criminalizando as manifestações, que trouxe para as ruas a solidariedade de milhões ao movimento do passe livre. Esse momento evidenciou que o policiamento da cidade não pode ser feito por militares. Eles têm uma formação para identificar o inimigo e destruí-lo. Cidadãos e cidadãs se manifestando em defesa de seus direitos, na sua cidade, não podem ser tratados assim.

Por toda parte aconteceu o mesmo comportamento da polícia militar. Não foi só em São Paulo ou no Rio de Janeiro. O Exército tem a nobre função de proteger o país, não de reprimir seus cidadãos. A unificação das polícias, sua desvinculação do Exército, a criação de uma carreira e a melhora da remuneração, da formação e das condições de trabalho de seus integrantes serão um avanço enorme para a democracia, o respeito aos direitos humanos, para a própria polícia, e para a segurança pública. Essas propostas estão na PEC 51, um projeto de emenda constitucional apresentado pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ) que tramita no Congresso. Sua aprovação será um importante sinal de que o Congresso está ouvindo o clamor das ruas. O estado de guerra, com execuções sumárias por parte da polícia militar de traficantes, bandidos, suspeitos, jovens negros, pobres, tem de acabar. Os governos de estados, que têm a polícia sob sua responsabilidade, devem à população a garantia da paz, precisam desfazer-se das heranças da ditadura e de suas políticas de repressão.

A política do terror, amplamente potenciada pela mídia; a militarização da gestão pública; a ocupação de territórios e a imposição da lei marcial, toque de recolher, proibição de atividades civis como os bailes funk, o controle militar de entradas e saídas das favelas; a prisão arbitrária de dezenas de milhares de “suspeitos” que ficam anos nas cadeias sem acusações, sem processos, presos “para averiguação”; tudo isso faz parte de uma estratégia que visa submeter pelo medo a sociedade e impedir que ela se articule e se revolte contra a espoliação de que é vitima. Espoliação pela privação de políticas sociais, serviços e equipamentos públicos indispensáveis para a vida nas cidades.

O problema é que o medo se instalou na população. A violência se banalizou, tornou-se cotidiana. Cerca de 140 pessoas são assassinadas todo dia no Brasil. Em maio e junho de 2006 a polícia militar assassinou 993 pessoas na periferia de São Paulo como represália aos ataques do PCC. E grande parte dos cidadãos e cidadãs aceita ser privada de seus direitos em nome da luta contra o crime.

Essa aceitação é o mal maior. É ela que sustenta a liberdade de ação do Estado nessa dimensão criminosa. Ela é fruto da contínua campanha da mídia conservadora para produzir o medo na população. Ela produz a servidão voluntária, um estado de alienação de liberdade e de direitos que se naturaliza pela repetição cotidiana.

Os movimentos de junho foram uma escola. Ensinaram pacificamente que o protagonismo da cidadania supera esse estado de servidão voluntária e apatia, e pode reverter políticas de governo como os aumentos de tarifas de transporte, canceladas em muitas cidades brasileiras pela pressão das manifestações.

Para superar o estado de guerra em que nos encontramos – os assassinatos aqui são mais numerosos que as baixas da guerra do Iraque no seu momento mais agudo – é preciso enfrentar muitos problemas, dentre os quais a desigualdade social é o principal, um problema crônico e que se agudiza, a verdadeira razão da violência, e que precisa ganhar espaço na agenda dos debates públicos. Novamente os movimentos de junho e os que se seguiram apontam o caminho para combater a desigualdade com medidas concretas: a proposta da catraca livre, da tarifa zero, propõe que políticas e serviços públicos deixem de ser cobrados, tornem-se bens públicos comuns, pagos não pelo usuário, mas pelos impostos de todos.

Outras medidas, com efeito de curto prazo, poderão trazer resultados muito significativos. A unificação das polícias nos termos da PEC 51 é uma delas. Os recentes acontecimentos em São Paulo, onde um coronel da PM foi agredido pelos black blocs, geraram uma disposição de retaliação por parte da PM que trará graves consequências para a segurança pública e para a democracia. Os black blocs são um problema, mas precisamos encontrar outras formas de enfrentar a revolta social. Revidar violência com violência nos leva a um estado de guerra que não interessa à sociedade, só faz militarizar a questão social, e suas maiores vitimas são a democracia e a Constituição.

 

 

A imprensa desvaloriza o professor

nada

O Dia do Professor foi festejado com marchas de protesto por todo o país. É uma profissão que a imprensa e os governos juram exaltar. E usam os sinônimos mestre, docente, educador, formador, instrutor, mentor, orientador, pedagogo, preceptor etc. Dizem que o futuro da Nação depende da formação de mão de obra qualificada e outras conversas jogadas fora de que o professor é um vocacionado, e a profissão um apostolado. Mas determinam um lugar para o professor: a sala de aula, e que não deve ir para a rua. Ou melhor, não tem nada a reivindicar, a reclamar, a idealizar e a sonhar.

Quando o professor abandona as quatro paredes da escola provoca o caos, a anarquia, o vandalismo, atrapalha o trânsito, faz política contra governadores e prefeitos que investem na Educação e na qualidade do ensino público.

br_folha_spaulo.professor depredação

BRA_OE por que professor

BRA_CB povo

vândala

ESCOLA PÚBLICA: TRISTEZA E DOR!

por Eduardo Aquino

Esta semana, conversando com um dos professores mais dedicados, talentosos e idealistas que conheci nestes trinta anos, ouvi ao final de uma avaliação que fazíamos sobre a crise da educação: “Aquino, estou morrendo a cada dia que entro na escola. E essa doença é mais terrível que qualquer outra, morro diariamente de tristeza e dor na alma, da angústia de quem ama a educação!”.

Fiquei triste pois tenho um especial carinho pela educação. Em especial, pela classe dos professores, heróis anônimos de guerras diárias e anônimas. Fui, nestas últimas três décadas, testemunha e parceiro em diversas tentativas de valorização, estruturação e renovação da mais nobre das instituições criada pela civilização que é a escola. Base de tudo, início de tudo, ela tem a maior das responsabilidades dentro de uma sociedade que se pretende minimamente saudável e justa. Que o diga países como a Coréia do Sul e outros asiáticos que radicalizaram e colocaram a formação escolar como o bem mais crucial e duradouro para se pensar uma nação. Dito e feito: passou de uma nação subdesenvolvida, pobre e inviável para uma potência de ponta, um “tigre” que hoje dá aula para o mundo! Um professor coreano é quase um ídolo, tal a nobreza, a admiração que desperta. Alguns, ao darem aulas na internet, têm mais acesso que cantores pop, atletas famosos, artistas de cinema. Carreira disputada, bem remunerada, mas, principalmente, respeitada por alunos, pais, governo e sociedade.

Mas porque começar por um caso de sucesso absoluto se o tema é a triste realidade da Educação no Brasil? Singelamente para lembrar que até o mais caótico e desesperador caso de abandono, carência e abuso tem sempre um contra-ponto profundo, uma esperança perseverante. Por que um psiquiatra vem aqui para falar do atual momento das comunidades escolares? Passei 25 anos da minha vida dando palestras, fazendo cursos, projetos, escrevendo livros parapedagógicos para escolas privadas e públicas, assim como atendendo pais, alunos e educadores na minha clínica.

FALÊNCIA MÚLTIPLA

E fui constatando o adoecimento crônico desta comunidade. Está havendo uma falência múltipla de órgãos: começa no MEC e vai impiedosamente devastando o setor, os políticos, a péssima formação universitária, o abominável avanço de ano automático e seus analfabetos funcionais em ensino médio, o abandono absoluto das escolas, infectadas pela violência, desinteresse absoluto das últimas gerações de estudantes, pais ausentes, absenteísmo de professores, salários incompatíveis com o alto grau de estresse e periculosidade que é a profissão de educador.

Volto a advertir e disponibilizo para quem se interessar o site wwwbemvindoavida.com.br. Nele, o projeto Ecologia Humana nas Escolas mostra que é urgente e imprescindível a inserção das Ciências do Comportamento como matéria paradidática. Mostra também que toda comunidade escolar deveria ter uma equipe de saúde ligada ao psiquismo, como psiquiatra, psicólogo, psicopedagoga e professores que se interessem por temas como neurociência e outras ciências comportamentais, permitindo atendimento nas comunidades escolares, ainda que à distância.

Quem dera se a grande mídia tivesse espaço para programas lúdicos e interessantes que democratizassem para todos temas que andam espalhando a angústia pela humanidade. Afinal, parte grande destas “escolas doentes” está contaminada por transtornos e distúrbios comportamentais que acometem igualmente professores, pais, alunos e funcionários.

Há muitos falsos diagnósticos de hiperatividade infantil, desordens escolares e distúrbios de aprendizado que, no fundo, são causados por sono insuficiente, excesso de telas, falta de limites, bebidas, drogas e sexo banalizado.

DESÂNIMO

Impressiona o número de professores com distúrbios mentais, desanimados, infelizes e temerosos da agressividade dos alunos (com a Síndrome de Burnout). Hoje, mal ou bem comparando, vejo uma similaridade com os antigos instrutores da Febem, que enfrentavam a cada dia o inferno da “reeducação de infratores”.

O primeiro passo é repensar a estrutura física das escolas, achar uma alternativa aos arqueológicos quadros negros, criar um ambiente que volte a dar, desculpe o termo, mais “ tesão” para quem ensina, aprende e frequenta a escola.

Quem age constrói, quem reage destrói. Sei que a maioria das pessoas tem ótima índole, mas pecam por serem silenciosas e passivas. De escândalo em escândalo, nos roubam as verbas da merenda escolar, desviam dinheiro para equipar a saúde pública, enterram na Suíça o orçamento das moradias e sanitarismo. E nós não falamos nada. Que direito teremos de reclamar da pocilga que habitamos?

Só lembrando: a palavra mestra é ESTÍMULO! Pois só ele gera resposta. Chega desse papo de motivação. Ninguém aguenta a cada dia criar “motivos” para viver, mudar, criar um novo tempo! (transcrito de O Tempo)

O cheiro do povo na rua enraivece os cães farejadores

polícia repressão4

 

Para desvirtuar os protestos de rua do povo indignado são realizadas várias ações para criar um clima de medo e de desmoralização: os atos de terrorismo dos soldados estaduais que jogam bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, que atiram com balas de borracha e que, no corpo a corpo com manifestantes, usam cacetes, splay de pimenta,  punhos de aço, além de cães que mordem e o tropel da cavalaria. Existem os canhões sônicos e d’água, as prisões e sequestros com mais tortura.

Para transformar uma passeata pacífica em uma praça de guerra, os costumeiros quebra-quebra dos infiltrados da própria polícia, para justificar os atos de violência; as provocações dos serviços de espionagem de países imperialistas ou partidos oposicionistas, que pretendem desestabilizar o governo federal; os desocupados que vandalizam os equipamentos urbanos todos os dias santos e profanos (os pichadores de prédios, depredadores de orelhões, bancos de praças, escolas etc), os inocentes úteis tipo movimento Black Bloc ; e os capangas de empresários e banqueiros. Veja que toda passeata termina com vidros partidos de bancos, que o seguro paga; e um velho ônibus, estrategicamente estacionado, que o seguro paga.

E para pedir que ordem e a segurança pública sejam estabelecidam – como se não mais existissem as explosões de caixas eletrônicos, as chacinas, o PCC – a orquestração da imprensa que transformam os protestos sociais em um Apocalipse final, o fim da Tradição, da Família e da Propriedade.

balas borracha polícia repressão

Sem querer, Black Bloc ajuda direita antidemocrática

 

por Marcio Saraiva

Existe algo que foge ao nosso controle. A ciência política chama de consequências não-intencionais de uma ação racional. Em outras palavras, a ação é racionalmente correta, lógica, tem um sentido A, mas sem desejar, acaba alcançando um objetivo não desejado que é Y.

Com isso, quero falar dos Black Bloc e sua atuação no interior dos movimentos sociais e grevistas. Eu não tenho dúvidas que a intenção dos jovens militantes dos Black Bloc é positiva, do ponto de vista da esquerda socialista.

Afinal, eles se inspiram em fontes anarquistas, são contra a opressão estatal e seu braço repressivo, procuram “abrir caminhos” quando os aparelhos repressivos impedem a passagem dos protestos e passeatas, além disso, tem uma ação “protetora” diante doa ativistas, especialmente aqueles e aquelas que são atingidos pela repressão policial. Tudo isso é belo.

Os Black Bloc realizam uma catarse coletiva ao destruir agências bancárias (símbolos da ganância do capital financeiro) e prédios públicos do poder (afinal, os “políticos” são mal vistos mesmo).

Com tudo isso, há um clima simpático a essa jovem organização dentro dos movimentos sociais.

“VINGANÇA SOCIAL”

Não foram poucos os professores que aplaudiram a ação dos Black Bloc. Eles realizavam uma “vingança social” diante da derrota dos profissionais da educação na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, hegemonizada pela base governista do prefeito Eduardo Paes que aprovou uma reforma educacional privatista que fere a autonomia pedagógica dos trabalhadores da área.

O prédio da Câmara se tornou símbolo da antipatia popular, pois antes já havia abortado uma CPI dos Ônibus (agora sob hegemonia governista e paralisada pela Justiça) e jamais deu as assinaturas necessárias para a CPI do Fundeb (que apuraria desvio de recursos para outras áreas que não a educação municipal).

Agora, prepara-se para analisar o projeto de 30 horas semanais para os assistentes sociais. É possível que novas derrotas para as classes trabalhadoras ainda sejam aprovadas pela base aliada do prefeito Paes, liderada pelo vereador Guaraná (PMDB) e tendo como chefe o presidente Jorge Felippe (PMDB).

“QUEBRAR TUDO”

Diante desse quadro, é compreensível que a violência dos Black Bloc gozem de relativa simpatia entre os movimentos sociais, até mesmo em alguns setores da população. Ouço vozes nas ruas que clamam: “Tem mais é que quebrar tudo mesmo, políticos e banqueiros são todos safados e ladrões”.

Compreender não significa apoiar. Quando analisamos mais detidamente o fenômeno Black Bloc, na versão tupiniquim, percebemos algumas características preocupantes:

1. Até agora não apresentaram nenhum projeto de poder popular.

2. As imagens de destruição, lixos queimados e rostos escondidos que os Black Bloc apresentam mais assustam a população em geral do que ganham a adesão das massas.

3. Os Black Bloc não somente atuam na defesa dos movimentos sociais – o que é positivo – mas acabam provocando os policiais, criando o clima propício para a ação repressiva.

4. A visão antipolítica dos Black Bloc pode favorecer um clima fascista que generaliza todos os políticos eleitos e todos os partidos políticos como “instrumentos do capital”. .

5. Incentivar ações contra a polícia e focar nisso é não perceber que os aparatos repressivos são do Estado.

6. Sem um projeto ético-político objetivo que dê um sentido mais amplo para suas ações, os Black Bloc acabam se resumindo em movimento jovem de indignação, revolta e ódio, sem nenhum processamento político possível.]

Com essa generalização simplista, cria-se um clima favorável para ideias do tipo “fim do Congresso Nacional” e regimes de força, bem ao contrário do anarquismo clássico que prega uma ideologia de fim do Estado e autogoverno popular

‘VANDALISMO”

É nesse ponto que as ações violentas dos Black Bloc, mesmo sem o desejarem, acabam ajudando o governo Cabral e Eduardo Paes a se colocarem como os “arautos da ordem” e defensores do povo contra o “vandalismo dos mascarados”.

Não somente isso. A tática – sem estratégia – dos Black Bloc fornecem as imagens e os argumentos que as forças mais reacionárias da direita precisam para legitimar a repressão estúpida e brutal contra os movimentos de greve e protestos dos estudantes e das classes trabalhadoras.

A grande mídia burguesa valoriza as imagens de quebra-quebra, espalha o medo entre os cariocas e apelam, como na época da ditadura militar (1964-1985), para a “necessária ação contra o vandalismo” e o “terrorismo”.

A mídia não discute os erros do prefeito Eduardo Paes, mas jogam luzes no “vandalismo”, escondendo da população as reais matrizes da atual crise.

Por isso mesmo, a despeito das boas intenções dos jovens militantes do Black Bloc, eles ajudam a mídia burguesa e os aparatos repressivos a se legitimarem na opinião pública, dão fôlego para Cabral e Eduardo Paes, alimentam o medo no senso comum e desmobilizam diversos profissionais da educação que temem participar das próximas passeatas.

São essas as consequências não-intencionais da ação racional que a Ciência Política nos esclarece tão bem e que os Black Bloc precisam aprender, se é que desejam se tornar uma braço político eficaz do anarquismo e contribuir para o avanço das lutas populares e sindicais.

 (Transcrito da Tribuna da Imprensa)
indignados repressão

Manual para enfrentar o terrorismo policial

Diante dos últimos acontecimentos relacionados as repressões políticas nas manifestações, os Advogados Ativistas atualizaram o Manual Prático do Manifestante com novas orientações jurídicas.

Aroeira
Aroeira

Manual Prático do Manifestante (AA)
NA MANIFESTAÇÃO: Esteja SEMPRE com o seu documento/ Estar com o rosto coberto não é crime/ Não porte NADA ilegal/ Ande sempre em grupos grandes/ Cuidado com o retorno para casa, pois muitas prisões têm ocorrido neste momento/ Tenha o número de algum advogado, se possível.

Se alguém estiver sendo preso não entre no meio. Questionar a abordagem, filmar a ação e os policiais não é desacato. Não ofenda os policiais, isso é desacato. Procure FILMAR a manifestação e as abordagens policiais, caso capture algo relevante procure algum Advogado Ativista e coloque o vídeo na Internet.

NA ABORDAGEM/PRISÃO: Você só pode ser preso em flagrante ou por ordem judicial. Por isso, pergunte o motivo da prisão, demonstrando que não está resistindo, levante a mão e diga literalmente que não está resistindo.

Não argumente com a PM, o trabalho deles é apenas conduzi-lo até a DP (Polícia Civil), ou seja, você não precisa responder perguntas deles, apenas as que se referem aos seus dados pessoais. Se você estiver sendo preso arbitrariamente isso será discutido depois, não xingue os policiais e não reaja.

Mantenha o seu celular bloqueado, pois isso evita que seus vídeos e fotos sejam apagados arbitrariamente. Você não é obrigado a fornecer senha ou liberar o conteúdo sem ordem judicial.

NA DELEGACIA: Você tem o direito de comunicar alguém da sua prisão, seja família ou advogado. O seu depoimento deve ser acompanhado obrigatoriamente por um advogado e você pode permanecer calado, porém, é recomendável que você dê a sua versão dos fatos. Relate os possíveis abusos, porém apenas na presença do seu advogado. Não fale com a PM, apenas forneça seus dados pessoais se for pedido. Seus pertences podem ser entregues ao seu advogado ou familiar caso você queira.

 

tv rebando pensamento controle indignados

Francisco: “Quiero lío en las diócesis, una Iglesia que salga a la calle”

Ese fue el mensaje central del Papa a argentinos. Más tarde, ante un millón de jóvenes, invitó a los fieles a participar de “la revolución de la fe”. Visitó una favela

Papa com a bandeira da Argentina
Papa com a bandeira da Argentina

FUE ACLAMADO COMO UNA ESTRELLA DE ROCK POR UN MILLÓN DE JÓVENES

El Papa Francisco vivió ayer la jornada más intensa desde que aterrizó en Río de Janeiro. El lluvioso día carioca, que comenzó con una visita a una favela y continuó con un emotivo encuentro con 5 mil jóvenes argentinos, se cerró como seguramente nunca imaginó apenas unos meses atrás, cuando simplemente era Jorge Mario Bergoglio: aclamado casi como una estrella de rock por un millón de jóvenes de todo el mundo, concentrados en las playas de Copacabana. “Es feo ver a un obispo triste. Por eso vine hasta acá a contagiarme de su entusiasmo”, les dijo a los eufóricos fieles el ex arzobispo de Buenos Aires, con una amplia sonrisa.

.
Durante todo el día, tanto desde sus palabras como desde sus acciones, su mensaje fue uno solo y muy claro: no quiere una Iglesia ensimismada, encerrada, ni una feligresía aburrida y cómoda. Pretende protagonismo, movimiento, cambio.

,

“Si ustedes me preguntan qué espero de esta Jornada Mundial de la Juventud (mi respuesta es) que haya lío. Quiero que haya lío en las diócesis, que salgan y hagan lío afuera”. Así comenzó el discurso que dio por la tarde ante unos cinco mil jóvenes argentinos, encuentro que Bergoglio pidió agregar en agenda a último momento. “Quiero que la Iglesia salga a la calle. Las parroquias, los colegios, las instituciones son para salir. Si no salen, se convierten en una ONG y la iglesia no puede ser una ONG”, agregó el Papa ante la ovación de la audiencia. Más allá de esta reunión, los gestos de argentinidad se sumaron a lo largo del día: varias veces besó banderas argentinas, tomó mate mientras recorría las calles en el “papamóvil”, se reunió con futbolistas brasileños y recordó a Buenos Aires, sede de la primera JMJ en 1987, en su discurso al final del día.

.
Por la mañana, en su recorrida por las calles de la favela de Manginhos, Francisco arremetió también contra la corrupción, uno de los detonadores de las masivas protestas que estremecieron Brasil poco antes de su visita. “A ustedes les repito: nunca se desanimen, no pierdan la confianza, no dejen que la esperanza se apague. La realidad puede cambiar”, dijo (ver aparte). Y en lo que podrían llamarse los primeros delineamientos de su manifiesto social, dijo que los ricos del mundo deben hacer mucho más para eliminar las diferencias entre los que tienen y los que no: “Nadie puede permanecer indiferente ante las desigualdades que aún existen en el mundo”.
“Que cada uno, según sus posibilidades y responsabilidades, ofrezca su contribución para poner fin a tantas injusticias sociales”, añadió.

.
Pero fue sin duda el encuentro de la noche, la gran fiesta de bienvenida de los jóvenes en las playas de Copacabana, el plato fuerte del día. Pese a la lluvia y el frío viento, un millón de jóvenes llegados de todo el planeta escuchó el mensaje del Papa, quien los invitó a participar en una “revolución de la fe”.

.
“Miren, queridos amigos”, dijo Francisco, “la fe lleva a cabo en nuestra vida una revolución que podríamos llamar copernicana, porque nos quita del centro y pone en él a Dios. La fe es revolucionaria. Y yo te pregunto: ¿estás dispuesto a entrar en esta onda de la revolución de la fe? Sólo entrando tu vida joven va a tener sentido y así será fecunda”, exclamó.

.
A Francisco se veía alegre y emocionado, como viene sucediendo desde que arribó a Río el lunes pasado. Aunque ante los argentinos se sinceró y confesó que se sentía por momentos “enjaulado” dada las estrictas normas de seguridad.

EL CRONISTA Buenos Aires

ARGENTINA
ARGENTINA
CHILE
CHILE
IMPRENSA BRASILEIRA BOTA DEFEITO NA VIAGEM DO PAPA
IMPRENSA BRASILEIRA BOTA DEFEITO NA VIAGEM DO PAPA

Marchas en Brasil. Un discurso donde se pide más derechos ciudadanos

Con una movilización nacional inédita en su historia, Brasil está ingresando en un cambio profundo. Distintos sectores sociales, hasta ahora pasivos, están reclamando un cambio de agenda política. Después de una década de mejoras sociales y económicas, los brasileños desafían al gobierno de Dilma Rousseff a incorporar esas demandas.

Brasil calle

Brasil: la política en las calles

por Federico Vázquez

Télam

¿Qué pasa en Brasil? Como todo momento en que algo profundo parece estar cambiando, lo interesante es plantearse preguntas, antes que cerrar respuestas veloces. Más cuando la distancia (no la geográfica, sino la enorme distancia comunicacional y cultural que todavía persiste entre nuestros países) nos llama a la cautela en las definiciones.

Son ya varios los días de manifestaciones multitudinarias en decenas de ciudades de Brasil. Desde la megalópolis de San Pablo, hasta la nordestina y pequeña Aracajú, cientos de miles de personas salieron a las calles. Es una de las pocas veces en la historia de Brasil que existe algo así como una protesta de alcance “nacional”. En la complejidad del país vecino, Brasil construyó un sindicalismo combativo y que pudo con éxito construir una herramienta política y llegar al gobierno pero, al mismo tiempo, nunca realizó una huelga simultánea en todo el país. En definitiva: a diferencia de la historia Argentina, con una tradición muy fuerte de movilizaciones populares y ciudadanas, en Brasil la ocupación del espacio público por parte de manifestantes, al menos con estos grados de masividad, es algo muy excepcional.

“Es una de las pocas veces en la historia de Brasil que existe algo así como una protesta de alcance nacional.”


Sin no podemos ser conclusivos en el diagnóstico, podemos señalar algunos disparadores para pensar qué está ocurriendo en el país vecino:

-La represión. Las movilizaciones se multiplicaron después de que la policía militar reprimiera desbocadamente en las calles de San Pablo. Al otro día, la movilización se multiplicó. La reacción social frente a los abusos policiales parece estar marcando un pedido ciudadano que viene con atraso. Aún después de treinta años de democracia, las fuerzas de seguridad siguen actuando bajo lógicas represivas muy duras, independientemente del color político del gobierno. Existe una “seguridad militarizada” que es incluso usada por los gobiernos del PT a la hora de imponer alguna presencia estatal en las favelas, por ejemplo. Con algo de injusticia, la reacción social de estos días despertó recién cuando la Policía Militar la emprendió contra los jóvenes universitarios de clases medias. Como sea, este déficit democrático -que se ancla en una larga tradición donde la elite brasileña fue siempre refractaria a la participación popular en cualquiera de sus formas- parece ser uno de los nudos que deberá comenzar a desatar el gobierno de Dilma.

-La participación política. A diferencia de otros procesos políticos en la región (como el argentino o el venezolano) la década de gobiernos del PT en Brasil no fue acompañada por una militancia política masiva. Los gobiernos de Lula y Dilma no tuvieron en su agenda una convocatoria a la movilización de su base electoral. Menos aún en los jóvenes. Una de las características de Brasil es que la iniciativa de la participación social y política tiene aún un protagonismo destacado de las ONG. Las organizaciones de la sociedad civil sin pertenencia partidaria siguen cuasi monopolizando la noción de “participación”, de hacer “algo más” que el compromiso cívico del voto cada dos años. Mientras tanto, la militancia partidaria y de los movimientos sociales como el MST o los sindicatos se encuentran encapsulados en círculos más estrechos y no parecen haber tenido en estos años un crecimiento relevante en la escena pública. De hecho, en las movilizaciones de estos días, los partidos que forman parte del gobierno (principalmente el PT y el PCdoB) llamaron a sus militantes a ir a las calles, intentando tejer algún puente con las demandas de los manifestantes que, a priori, tienen más que ver con la izquierda que con los sectores conservadores. Sin embargo, el experimento terminó mal: las modestas columnas partidarias fueron abucheadas, y los manifestantes más exaltados arrebataron y quemaron banderas del Partido de los Trabajadores. En definitiva, estos diez años de gobierno de la izquierda brasileña no tuvieron un correlato en el “control político de la calle”. Mientras la sociedad permaneció desmovilizada esta ausencia no pareció tener mayores consecuencias para el gobierno, pero en un contexto de efervescencia social como el que está atravesando Brasil, esta carencia se vuelve notoria.

Más allá de la movilización callejera, existe una idea extendida de que las prácticas políticas no se modificaron. No casualmente el momento de mayor debilidad del PT -al menos hasta ahora- fueron las denuncias de compra de voluntades de diputados de otras fuerzas por parte del partido de gobierno en el 2005. Un hecho que rozó al propio Lula y rompió el halo de transparencia que había construido el PT desde su fundación en los años 80. Tal vez por eso, algunos figuras del gobierno comenzaron a señalar la necesidad de encarar una reforma política.

-La crisis “electoral” de los sectores medios. Las manifestaciones son masivas, las del día jueves, en todo Brasil, movilizaron a más de un millón de personas. Cualquier movimiento que involucra a esa masa de gente supera una característica de clase social pura y dura. Cuanto menos, su influencia derrama necesariamente sobre todo el conjunto social. Así y todo, hay que señalar lo evidente: no son los sectores más humildes los que están saliendo a las calles, sino los sectores medios y medios altos. Según la encuestadora Datafolha, el 77% de los que participaron en las marchas tienen estudios universitarios. La convocatoria por las redes sociales, el foco puesto en los gastos para el mundial de fútbol, la acusación genérica de “corrupción” a los políticos y funcionarios, son algunas señas que también denotan una pertenencia social y cultural de los manifestantes. Se trata de una bronca difusa, extensa y la vez opaca, que se expresa por meta-consignas, antes que por reclamos concretos. Como dicen muchos de los manifestantes las movilizaciones son “por todo”, para “cambiar al país”.  Una crisis de representación, pero con una característica fundamental: no es una crisis global del sistema político, en tanto no alcanza a las grandes mayorías, sino a un sector social minoritario, aunque numeroso y con una gran influencia en la construcción de la agenda social. Una masa social quedó fuera de la hegemonía electoral que supo construir Lula y luego Dilma. La crisis de este sector es clara: desde hace una década no consigue ganar elecciones presidenciales. Es la versión brasileña del drama de las oposiciones políticas sudamericanas: sus bases electorales, poderosas en su influencia aunque minoritarias electoralemente, se encuentran frustradas. La consolidación de este escenario (que, además, no parece por ahora mostrar signos reales de agotamiento en tanto todos los sondeos marcan una muy probable reelección de Dilma el año que viene) parece estar llevando a los sectores medios algo así como una “política por mano propia”, ante la baja performance de sus representantes partidarios. En este aspecto, Brasil parece continuar una dinámica que ya se presentó en Argentina y Venezuela.

“El Brasil del hambre y la pobreza extrema, que fue la agenda de Lula, necesita un reemplazo.”


-La necesidad de una agenda nueva. Amén de estos intentos de caracterización, hay un hecho significativo: la agenda de las protestas, aun con su tono difuso, muestra los síntomas de una sociedad que, en estos años, mejoró. Pedir “mejor educación”, “mejor salud”, o incluso discutir si los recursos públicos deben ir hacia la organización de una Copa del Mundo muestra que, de mínima, hay algo que repartir. Lo que parece haber permeado (aún entre los sectores opositores) es un discurso, donde se pide más derechos ciudadanos. Pensando en términos regionales, el clima de época que impusieron los gobiernos progresistas construyeron un sentido común de “izquierda” (distribución del ingreso, igualdad, defensa de lo público, participación política, no represión de la protesta, etc). Volviendo a Brasil,  la emergencia de una agenda basada en una expansión de la cobertura social (con el trípode de transporte, salud y educación, que denota una pertenencia urbana, tener un trabajo y expectativas sobre el futuro personal) pone al gobierno de Dilma ante el desafío de incorporar esas demandas, en tanto no constituyen un cuestionamiento al rumbo de su presidencia pero sí la necesidad de una profundización.

El Brasil del hambre y la pobreza extrema, que fue la agenda de Lula, necesita un reemplazo. Por la enorme virtud de haber conseguido arrimar mucho sus objetivos. Y en ese sentido, la pregunta es en qué medida la agenda esbozada por las calles estos días terminará marcando una nueva agenda al gobierno de Dilma.

Drones espionam protestos no Brasil

por Antonio Brasil

 

Continuamos surpresos com a magnitude, diversidade e persistência dos protestos nas principais cidades brasileiras. Estamos ávidos por notícias, explicações e principalmente imagens que tentem explicar aquilo que não entendemos. Em meio a um cenário ainda confuso, e muitas vezes violento e hostil, os jornalistas seguem enfrentando enormes dificuldades para cobrir os fatos.

Todos os dias, recebemos notícias de repórteres ameaçados ou atacados pela polícia e pelos manifestantes. As instituições tradicionais – como o governo, a polícia e o jornalismo – estão sendo questionados e desafiados.

É muito difícil mostrar o que está acontecendo no presente com ideias, atitudes e recursos ultrapassados. Nunca foi tão difícil fazer um jornalismo sério, responsável e competente.

Estamos diante de novos e inesperados personagens que passaram a frequentar o noticiário brasileiro. Temos os manifestantes de primeira viagem, protestadores profissionais, baderneiros exaltados, vândalos violentos e velhos especialistas que tentam mas não conseguem explicar muito.

Diante de manifestações populares que exigem novas soluções, também cabe ao jornalismo buscar novas narrativas e tecnologias apropriadas para mostrar o que está acontecendo.

Segurança e vigilância

Temos que nos preparar para conviver com grandes, constantes e perigosas manifestações populares. Talvez uma possibilidade de inovação seja o “jornalismo imersivo”, aquele que ao invés de se distanciar dos fatos, de preferir “subir no telhado” ou embarcar em helicópteros e se afastar da realidade, procura “mergulhar” nos acontecimentos.

Esse novo jornalismo procura aproximar o repórter dos fatos com atitudes diferenciadas, narrativas audiovisuais inovadoras e ferramentas profissionais mais específicas e apropriadas para cobrir uma nova realidade. E é nesse novo cenário que entra em cena os “drones jornalísticos”.

Drone (zangão, em inglês) ou Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) é todo e qualquer tipo de aeronave que não necessita de pilotos embarcados para ser guiada. Esses aviões-robôs são pilotados a distância por meios eletrônicos e computacionais.

Parece coisa de ficção científica, mas essa inovação tecnológica já existe há muitos anos. Os norte-americanos têm utilizados sofisticados drones para espionagem e para matar terroristas ou pessoas indesejáveis. Na mão dos militares, essas pequenas aeronaves tornaram-se uma arma poderosa. O problema, no entanto, são as questões éticas e legais para a sua utilização. Críticos falam em “assassinatos sem julgamento”, “guerra suja” e “violação das leis internacionais”.

As forças de segurança nacionais – como a polícia – também utilizam os drones para monitorar o trânsito urbano, controlar áreas consideradas perigosas, fronteiras internacionais e investigar criminosos.

Câmeras ocultas

Na mão de jornalistas, os drones também são armas poderosas. Nos últimos dias, as pequenas aeronaves passaram a frequentar com destaque o noticiário brasileiro. A Folha de S.Paulo e o Globo testaram seus drones durante as últimas grandes manifestações no Rio e em São Paulo (ver aqui e aqui).

Essas pequenas aeronaves parecem brinquedos sofisticados e possuem versões de baixo custo que são mais fáceis de operar e podem ajudar o jornalista a produzir boas reportagens. Mas os drones também podem ser mais uma forma de ameaça às liberdades individuais. Na mão de editores e paparazzi inescrupulosos, essa tecnologia invade os segredos de celebridades, mas também pode invadir a privacidade de cidadãos comuns.

Olhe para cima, você pode estar sendo gravado por um drone neste instante sem sequer perceber. Esses pequenos aviões ou helicópteros de controle remoto transportam câmeras de vídeo de alta resolução com capacidade de gravar e transmitir imagens ao vivo a grandes alturas e distâncias. As imagens captadas pelos drones podem ser consideradas simplesmente como mais uma curiosidade tecnológica para mostrar os protestos a distância. Mas, assim como as famigeradas “câmeras ocultas”, também podem criar muitos problemas, suscitar dúvidas éticas e oferecer perigos inusitados para os manifestantes.

Os drones podem ser um “olho no céu” tirando fotos ou vídeo de protestos para os jornalistas, mas também podem ser os “espiões” da polícia ou agências de inteligência do governo. Pelo lado positivo, os drones são ferramentas poderosas e precisas para avaliar o tamanho das multidões que participam dos protestos. Mas, pelo lado negativo, elas podem ser utilizadas para identificar e denunciar manifestantes, líderes informais e ativistas políticos.

Nessas horas de crise, é sempre bom recordar o passado, a História. No século 19, outra inovação tecnológica, a fotografia, que tinha sido recém-inventada, foi utilizada pela polícia francesa pela primeira vez para identificar os revoltosos da Comuna de Paris. Eles estavam entrincheirados em barricadas nas ruas e a polícia pôde utilizar imagens individuais como prova jurídica para incriminar os manifestantes franceses.

Novas tecnologias demandam novas posturas éticas, e principalmente nova legislação. E esse é o problema dos drones. Nos Estados Unidos, a operação dessa tecnologia por jornalistas é considerada ilegal. No Brasil ainda não temos legislação específica que regulamente e controle a utilização de aviões-robôs.

Além da cobertura jornalística de protestos populares, os drones também podem ser úteis para outras situações de risco como coberturas de guerra e operações policiais, além de oferecer alternativas para a captação de imagens em desastres naturais como enchentes, incêndios ou terremotos. Eles também substituem, com mais eficiência, os caríssimos e perigosos helicópteros que sobrevoam multidões de manifestantes. Há sempre o risco de queda ou colisão com utilização indiscriminada de aeronaves que congestionam o espaço aéreo das capitais brasileiras.

Mas nenhuma tecnologia exclui riscos. As aeronaves não tripuladas que portam câmeras de vídeo para cobrir grandes eventos, mas precisam ser operadas por profissionais qualificados, podem apresentar problemas técnicos e cair causando muitas vítimas.

Ameaças do passado

A imprensa especializada descreve a “revolução dos drones” e projeta milhares de aparelhos nos céus, em breve, seja a serviço do governo e de empresas civis. Isso pode ser considerado uma boa notícia com grandes benefícios para todos. Aviões-robôs com câmeras ocultas podem mostrar os fatos, mas também podem espionar e denunciar aqueles que ousaram sair às ruas para mudar o país.

Nesses momentos de crise, a maioria silenciosa, indiferente e tímida que assiste a tudo pela TV, não deve jamais menos menosprezar o poder das imagens dos noticiários ou esquecer as palavras da história recente:

“Primero mataremos a todos los subversivos, luego mataremos a sus colaboradores, después a sus simpatizantes, enseguida a aquellos que permanecen indiferentes y, finalmente, mataremos a los tímidos.” [Declaração do general argentino Saint Jean, governador da província de Buenos Aires, publicada no diário Internacional Herald Tribune (Paris), em 26/7/1977]

 (Transcrito do Observatório da Imprensa)