Buracos da morte. No Rio Grande prefeito caça transeuntes

As calçadas vão ficando cada vez mais estreitas. E cheias de arapucas. Que os prefeitos só pensam naquilo. No Rio Grande é assim. E noutras grandes cidades. Recife é um buraco só. E pior: Não existe nenhum passeio público.

O engraçado é que reclamam metrôs para os estádios da Copa. E avenidas. E ruas. Para os carros.

E ninguém pensou nas calçadas.

A gente conhece uma cidade andando pelas ruas. Caminhando. Não existe outro jeito.

 

br_agora.Rio Grande

Lei de trânsito desumana: 30 segundos, para um velhinho atravessar uma rua, uma avenida, em Porto Alegre

sinal 1

velho 2

O novo Estatuto do Pedestre, aprovado pela Câmara Municipal de Porto Alegre, estabelece novas regras e proteções para quem circula a pé na Capital. Entre elas está a exigência de tempo mínimo de 30 segundos para travessias em sinaleiras. Nos últimos seis anos, ocorreram 8.389 atropelamentos na cidade, somando 366 vítimas fatais. O projeto de lei do vereador Nereu D’Avila (PDT) que revogou o antigo estatuto de 2007 quer diminuir o número de acidentes.

Na proposta apresentada por ele está a criação da Ouvidoria do Pedestre, órgão responsável por receber as reclamações sobre a mobilidade da cidade. Também institui a Semana do Pedestre, que deverá ocorrer anualmente em setembro, e a formação do Conselho Municipal dos Direitos e Deveres do Pedestre (Consepe). Os usuários a pé ou com carrinhos de bebê e cadeiras de rodas também terão novas regras e deveres.

Para o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, o estatuto nasce de uma preocupação com a segurança do cidadão. “Foi uma medida para assegurar o bem-estar do pedestre, que é o principal ator em todas as vias da Capital”, afirmou. Para ele o ser humano tem que ser tratado com distinção. “Sempre tendo a prioridade em relação a qualquer outro modal”, acrescentou.

Cappellari alertou sobre a construção do documento. “É uma matéria técnica. Se tentarmos resolver questões importantes como essa, com decreto, com lei, nós vamos paralisar a cidade”, comentou. Mesmo simpatizando com algumas propostas, ele acha que o tempo de 30 segundos, estipulado para travessia nas sinaleiras, não pode ser definido sem um estudo técnico. “Tenho absoluta convicção de que se nós colocarmos esse tempo nos semáforos a cidade vai parar completamente, porque não é dessa forma que se faz um planejamento de circulação.” (Blog Porto Imagem)

 

 sinaleira

“O sentimento que está no coração do jovem é de tempos melhores. E boa parte deles, por mídias sociais, se movimentaram. E foram às ruas”

O NOVO CARDEAL BRASILEIRO, NOMEADO PELO PAPA FRANCISCO, VÊ PARALELOS NA POPULAÇÃO QUE SE MANIFESTA NAS RUAS E NA NOVA POSTURA DA IGREJA, DE TRATAR DE TEMAS QUE ANTES NÃO VINHAM A PÚBLICO

O cardeal Dom Orani João Tempesta. / RAFAEL FABRES
O cardeal Dom Orani João Tempesta. / RAFAEL FABRES

UMA GRANDE MAIORIA SE MANTEVE SILENCIOSA SE MANTEVE SILENCIOSA POR MUITO TEMPO

por Carla Jiménez/ El País/ Espanha

Dom Orani João Tempesta, o novo cardeal do Rio de Janeiro, nomeado pelo papa Francisco no dia 12 de janeiro passado, começou a entrevista para o EL PAÍS, fazendo uma confissão. Ele ainda não conseguiu abrir as correspondências que chegaram de Roma nos últimos dias, portanto desconhece a pauta que será tratada na reunião do consistório, no próximo dia 22. Na ocasião, ele deve estar com o Papa, para a nomeação de outros cardeais.
Natural de São José do Rio Pardo, cidade no interior de São Paulo, dom Orani, de 63 anos, tem a responsabilidade de suceder Dom Eugênio Salles, falecido há dois anos, uma das lideranças mais importantes do país, que teve forte atuação na defesa dos direitos humanos durante a ditadura militar brasileira (1964-1985). O lado altruísta de Salles, porém, guardava nuances conservadoras, mais dogmático para com a Igreja.
“Cada época tem suas bandeiras, suas necessidades”, diz Dom Orani, que foi das comunidades eclesiais de base, e capitaneou a organização da Jornada da Juventude, no ano passado, em meio aos protestos de junho. “Uma grande maioria se manteve silenciosa por muito tempo”, disse ele, no sexto andar da sede de arquidiocese do Rio, no bairro da Glória.

 

***

Pergunta. O Papa tem falado muito sobre a corrupção. Isso pode influenciar algumas posturas da Igreja, especificamente do Brasil, em temas como a corrupção na política, por exemplo?

Resposta. Ele tem trabalhado, primeiro, pelo lado interno da Igreja no sentido de reorganizar o Vaticano, e também tem assumido posições muito claras em relação ao mundo de hoje, como a economia, capitalismo, riqueza, pobreza, fome. E desvios, tem colocado isso com muita clareza, chamando o mundo a mudar de posição, e pensar diferente. Além de líder da Igreja, ele acaba tendo liderança mundial.

P. O Brasil está num momento de bastante tensão, num ano eleitoral. Começamos com mensalão do PT, e agora, o de Minas Gerais. Qual é a sua avaliação sobre este momento?

R. Aquilo que faz parte dos bens comuns, os bens do povo, devem ser aplicados para que exista uma vida mais justa. Então essa diferença social enorme, que ainda é muito grande, clama aos céus, e deveríamos fazer de tudo para que aquelas pessoas que não têm uma habitação, alimentação, escolaridade, com dignidade, possam ter. E muitas vezes isso não acontece em função de desvios e situações assim. Essas questão devem ser apuradas, e reencaminhadas. Agora, não podemos ser tão ingênuos. Sabemos que há forças políticas das mais variadas, e em ano de eleições, há situações concretas, outras são criadas. Criar uma reforma política, seria um sonho de um país latino-americano.

P. Como seria essa reforma política?

R. Um caminho para ter mais transparência. Conforme vai passando, e se tomando consciência, do que é o pais, a gente vê que certos tipos de reformas são necessárias. A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tem uma proposta, aprofundada, para colaborar nesse pensamento. Precisamos lutar para que social, culturalmente, este país possa dar passos nesse sentido. Lamentar o que esteja ruim, mas ver os desafios novos. Cada geração tem de ter a responsabilidade e tentar fazer sua parte.

P. A geração anterior dos representantes da Igreja no Brasil foi muito clara no apoio à redemocratização deste país. Quais são as bandeiras desta nova geração, da qual o senhor faz parte?

R. Cada época tem suas bandeiras, suas necessidades. Temos de ter princípios para nos nortear, e aplicá-los, para que as pessoas vivam com qualidade, no lazer, transporte, educação, tudo que faz parte do ser humano. Sei, porém, que existe outra questão, que não depende de lei nem decreto. Que é o coração humano, que tem muita violência. As pessoas não vivem bem e acabam cometendo barbaridades com o outro. Temos de anunciar, mesmo para quem não tem fé e religião, que fazer o bem ao outro é uma coisa boa. Isso não é tão simples, num mundo cheio de egoísmo. Isso extrapola Governo, leis, mas creio também que é um sonho, propor sempre um upgrade.

P. Esses jovens que estão na rua, que saíram em junho, estão ávidos por alguma coisa. O que o senhor enxerga no coração deles?

R. É uma insatisfação com relação a alguns assuntos. Não apenas um aspecto, é um movimento multifacetado, mas que numa parte demonstra insatisfação com representantes, com conchavos políticos que não resolvem os problemas da condução do país. E na fronteira disso, há também aproveitadores, um certo anarquismo, que não respeita o bem do povo. Se eu quero o bem do outro, não vou destruir minha cidade. Mas, ainda estamos dentro de toda essa manifestação, não é fácil enxergar de dentro, mas se percebe um desejo de que as coisas mudem, e que sejam melhor utilizadas.

P. Não existe aqui uma massa mais bem intencionada do que mal intencionada?

R. Difícil equacionar quantias. Às vezes a minoria fala mais alto que a maioria. Mas não há dúvida, o sentimento que está no coração do jovem, é de tempos melhores. E boa parte deles, por mídias sociais, se movimentaram. E foram às ruas. Creio que os grupos menores que fazem barulho, podem aparecer mais, que são o foco do noticiário. Mas não tenho como quantificar. A insatisfação mundial é muito grande.

P. É legítima?

R. É claro, o Papa tem colocado, as pessoas têm que se manifestar, colocar sua opinião.

P. Ele usou a frase “Não gosto dos jovens que não saem de casa”. O senhor concorda com ele?

R. Exatamente, é necessário que digamos as coisas, que falemos. E cada um com a sua consciência. Tivemos uma grande maioria que foi por muito tempo silenciosa, nunca expôs suas opiniões. Reclamava, mas de outro jeito. Hoje as pessoas amadurecem mais rapidamente, a mídia leva mais conhecimento, mais notícias – elas tomam consciência com mais rapidez. Hoje, é claro, já tem outro nível de cultura, próprio dos tempos que mudam. (Transcrevi trechos. Leia mais)

 

BRA_CB Francisco revolução rua

A CIDADE [Noite de Natal]

por Talis Andrade

Patricio Beteo
Patricio Betteo

A face da cidade

tornou-se tão desconhecida

quanto os habitantes

Quem se lembra que

por aqui passava um beco

por aqui passava um rio

onde hoje passam carros

.

No sepulcral frio asfalto

não nasce nenhuma flor

Nas casas as crianças

enfeitam a árvore-de-natal

com estrelas de isopor

PALHAÇO – AÇO

palhaço-aço-aço
de imposto
em dia
e aço na bacia
no baço
na boca
e
o braço
palhaço-aço-aço
que vira
sardinha degradada
quando sobe
a escada
da
baldeação
palhaço que
perde
a
graça
no meio da praça
com bombas
e
efeitos imorais
palhaço que
sem fazer rir
sobrou partir
rumo
à
revolução
não tem
palhaço
aqui
não
seus
comédia
tem tragédia
querendo ser
revertida
tem história
querendo
ser
ouvida
roteiro de rua
a responsa
também
é
SUA

———————-

TEXTO: Fabio Chap

FOTO: Dani Berwanger

AUDIODESCRIÇÃO: Destaque de um manifestante com capacete branco, nariz de palhado, cobrindo a boca segura um pedaço de papelão branco como se fosse um escudo e segurando um cassetete de borracha, escrito no papelão a palavra “NHOQUE”. Uma alusão ao batalhão de choque que está com seu fardamento completo e seus escudos no plano de fundo com o destaque da palavra “CHOQUE”

SELETA: Fotógrafos Ativistas

Foto Dani Berwanger

Vientos de Brasil. La magia verde y la salud

Por Juan Arias | 14 de agosto de 2013

Magia verde en brasil
A pesar de que Brasil es aún una especie de paraíso natural por su grandes espacios de bellezas entre bosques vírgenes y playas aún incontaminadas, el hacinarse de la gran mayoría de los cerca de 200 millones de personas en ciudades de cemento, empieza a preocupar a los responsables por la salud pública.

.

Vuelve así a ser estudiada la llamada “magia verde” como terapia de medicina preventiva. Se multiplican los estudios científicos sobre los efectos favorables para la salud física y metal del contacto con el verde, que produce, al parece, efectos directos sobre una serie de índices de nuestro organismo, como disminución del estrés; aumento de los glóbulos blancos,  y por tanto aumento de la inmunidad , mayor oxigenación; regulación de la presión arterial y disminución del colesterol entre otras cosas.

.

Esta semana, en Amanhâ, el suplemento del diario O Globo, Manuela Andreoni, analiza los resultados de toda una serie de estudios que desde 1984 se están realizando en el mundo sobre la influencia  que el contacto con la naturaleza verde tiene en nuestra salud.

.

La última investigación fue realizada por Mathew White, de la Universidad de Exeter, en el Reino Unido. El estudio, que acompañó el comportamiento de diez mil personas durante 17 años,  demostró, por ejemplo, que quién vive rodeado de verde, presenta menos problemas psíquicos que los que pasan la vida entre el cemento, a veces sin tener contacto con un árbol o una simple flor.

2sp

Aún no existen, es cierto, resultados completamente científicos sobre el efecto de la magia verde sobre nuestro organismo, ni se sabe si esas ventajas que van apareciendo en los primeros estudios al respecto son debidos a un factor cultural o genético.

.

Cada vez más, sin embargo, se camina en la dirección de que el contacto con lo verde está relacionado con nuestra genética, ya que el Homo sapiens, vivió como primado millones de años adaptándose a la naturaleza en la que estaba siempre sumergido.

.

Lo que cada vez aparece más claro a los empeñados en los estudios de la medicina preventiva es que la aparición, en nuestro camino, de un pedazo de magia verde produce efectos positivos en nuestro bienestar y, al revés, su ausencia, aporta un plus de estrés y malestar físico

2
Ha sido probado que en un hospital, un simple ramo de flores que recibe un enfermo aumenta su bienestar general. Que los que pasan el día encerrados en un cuarto sin ventanas y sin ver ni una flor ni una rama verde, acaban más estresados que el que tiene a su lado un simple vaso de geranios.

.

El tema es tan importante que ya hay gobiernos que incluyen en sus programas de salud elementos de la magia verde. Por ejemplo, en Japón, desde hace ocho años existen locales donde se puede practicar una especie de terapia floral, es decir un simple paseo por áreas verdes para disminuir los índices de estrés.

Ha sido probada que existe una gran diferencia en el organismo entre pasear por la calle o avenida de una gran ciudad en medio del tráfico y del cemento y el hacerlo en un parque verde.

3 hoy

Los primeros revelaron una disminución de un 16% de cortisol, un indicador del estrés, además de una disminución de un 5% de los latidos cardiacos y de una disminución de la presión arterial.

.

Mientras en Brasil, en las calles, la gente presenta sus protestas por la falta de servicios en la atención a la salud pública, empieza a sentirse al mismo tiempo la necesidad de la búsqueda de nuevas terapias de medicina preventiva contra el estrés, entre ellas la aplicación diaria de la magia verde.

.

Si hasta ayer el encuentro con la naturaleza verde producía una simple sensación de bienestar físico, a veces con sólo ver imágenes de esa naturaleza virgen, hoy se está llegando científicamente a la conclusión de que el ser humano, que fue proyectado para vivir rodeado de verde, recupera parte de su salud perdida en el cemento y en el asfalto con la vuelta a sus raíces, a sus bosque, ríos y mares aún no prostituidos por nuestra civilización plastificada

.

Al revés, perdemos aquellas raíces cuando, por ejemplo, nuestros niños, enclaustrados en la dureza gris de las ciudades, ya no conocen la sensación de placer del olor que produce, por ejemplo, la hierba recién cortada. O la sensación de paz y bienestar que nos brinda la música producida por las agua de un río de montaña al danzar sobre las piedras limpias de su cauce.

4