Dossiê Pesseghini – Parte: Dissecando a chacina

Tudo começou na madrugada do dia 05 de agosto de 2011.Na madrugada do dia 05 de agosto de 2011, quinze assaltantes fortemente armados, invadiram o Supermercado Comprebem, localizado em Parada de Taipas, na Avenida Elísio Teixeira Leite nº 7098, com a intenção de roubar os caixas eletrônicos, isso por volta de 03h00 da madrugada.

No local, dois policiais militares, que trabalhavam área do mercado, (que é o 18º BPM/M), são suspeitos de usar um carro da corporação para dar cobertura aos criminosos durante o roubo. Eles teriam ficado na retaguarda, na escuta do rádio da polícia, caso tivesse algum chamado na rede ele avisariam os assaltantes.

A ação dos assaltantes foi frustrada, através de uma denúncia anônima para o serviço de dia do 18º BPM. Uma pessoa informou que havia um assalto em andamento no Supermercado Compre Bem e que havia a participação de policiais militares do 18º Batalhão.

Essa pessoa era cabo Andréia Regina Bovo Pesseghini, policial militar, que trabalhava no 18º BPM/M, e o marido dela, o 3º Sargento Luís Marcelo Pesseghini, que trabalhava na ROTA.

Equipes da ROTA compareceram no local e enfrentaram os bandidos, seis criminosos foram mortos e nove conseguiram fugir.

Indicando que entre os assaltantes havia policiais militares, sendo que um deles teria deixado à arma para trás durante a fuga.

Como consequência, da denúncia feita pelo Cabo Andréia Pesseghini, no dia 12 de agosto de 2011, o soldado da Polícia Militar Alexandre Guerino Maximiliano, do 18º Batalhão, foi preso administrativamente pela Corregedoria da Polícia Militar para ser investigado como suspeito de ter participado na tentativa de roubo contra os caixas eletrônicos do Supermercado Compre Bem.

Na época havia suspeita, por parte da Corregedoria da PM e da Polícia Civil, de que Policiais Militares estavam entre os 15 ladrões que invadiram o mercado e fizeram três funcionários reféns.

Pois bem, as informações acima foram publicadas pela mídia, no dia 05 de agosto de 2011, dia 11 de agosto de 2011, e 12 de agosto.

Os fatos acima citados aconteceram em agosto de 2011, podem ser comprovados nos links abaixo:

Na atualidade

No dia 05 de agosto de 2013, toda a família do Cabo Andréia Bovo Pesseghini foi assassinada, exatamente no dia do aniversário em que a Cabo Andréia Bovo Pesseghini denunciou colegas do 18º BPM/M.

A tentativa de roubo ao supermercado Compre Bem ocorreu no dia 05 de agosto de 2011, e a cabo Andréia Pesseghini e a família dela foi executada exatamente no dia 05 de agosto de 2013.

Isso não é coincidência, é um sinal de vingança e queima de arquivo.

Tanto o sargento da Rota Luís Marcelo Pesseghini e a esposa dele a Cabo Andreia Regina Bovo Pesseghini, que segundo consta, prestava serviço, na setor do 18º BPM/M, que apura a responsabilidade criminal e administrativa de Policiais envolvidos em ilícitos penais, é a Seção de Justiça e Disciplina, sabiam demais.

Como todos sabem houve uma manipulação para jogar a culpa desta chacina, nas costas do filho do casal, um menino de 13 anos, Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini.

A data e o dia do assalto frustrado no supermercado Comprem Bem, 05 de agosto de 2011 e a data da execução da família Pesseghini, dia 05 de agosto de 2013, não é mera coincidência! É a marca da vingança e queima de arquivo.

Logo que os corpos da família Pesseghini foram encontrados, sem pericia, sem exames, alguns coronéis afirmaram: “o assassino foi Marcelo Pesseghini.”.

E houve até quem afirmasse que era 98% de certeza, que foi Marcelo Pesseghini o autor da chacina. Alegaram isso, sem pericia alguma.

Graças ao trabalho serio e imparcial do Médico Legista e também Coronel da Polícia Militar de Alagoas, o Doutor George Sanguinetti, ele provou cientificamente que pela posição do corpo em que Marcelo foi encontrado, ele não cometeu suicídio, mas foi assassinado, assim como os familiares dele.

No mesmo dia, que encontraram os corpos da família Pesseghini, tudo já estava planejado para colocarem a culpa em Marcelo Pesseghini. Os interessados em defender os verdadeiros assassinos, mesmo sem provas, pericias, acusaram o menino dizendo que ele fez tudo sozinho, matou o pai, Sargento da Rota, matou a mãe cabo do 18º BPM/M, matou a tia e a avó e depois pegou o carro da mãe e estacionou próximo a escola.

Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo mente e afasta tenente coronel para proteger criminosos.

O comandante da cabo Andréia Pesseghini, o tenente coronel Wagner Dimas Alves Pereira, prestou uma declaração pública, dizendo que ela havia denunciado policiais militares envolvidos em roubos a caixas eletrônicos e esse seria o verdadeiro motivo das execuções. Disse ainda que não acreditava que o menino fosse verdadeiro autor da chacina.

O Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo ficou profundamente irritado com as declarações do Coronel Dimas.

Imediatamente Fernando Grella afastou o Tenente Coronel Dimas do Comando do 18º BPM/M.

E desmentiu o Tenente Coronel publicamente, querendo passar a imagem que Wagner Dimas era um mentiroso.

As declarações do Tenente Coronel Dimas entravam em choque com a versão apresentada até então pelo Comandante-geral da PM, Coronel Benedito Roberto Meira, que negou que qualquer investigação sobre o assunto tivesse sido instaurada na Corregedoria da Corporação e que descartava a hipótese de vingança no caso da morte da família.

Wagner Dimas foi obrigado a passar por mentiroso, teve que voltar atrás no que disse e assinar termo de declaração alegando que não houve denúncia nenhuma por parte do Cabo Andréia Pesseghini. A mesma coisa fez quando prestou depoimento no DHPP.

Qual é o interesse desse Secretário de Segurança Pública do Estado de São, em esconder a verdade dos fatos. Quem Fernando Grella esta protegendo?

Estaria protegendo os assassinos da família Pesseghini? Ou estaria protegendo os Policiais Militares que roubam caixas eletrônicos?

O Tenente Coronel Wagner Dimas, não mentiu em momento algum, foi coagido, a voltar atrás.

Quem é o mentiroso dessa história é o Secretário de Segurança Pública, Fernando Grella, que foi nomeado pelo Governador Geraldo Alckmin.

Fontes:

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/959023-pm-e-preso-suspeito-de-tentativa-de-roubo-a-caixa-eletronico-em-sp.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/08/1326134-cena-das-mortes-na-brasilandia-nao-estava-preservada.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/957857-mortos-em-confronto-dentro-de-supermercado-sao-identificados.shtml

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,tiroteio-entre-pm-e-ladroes-de-caixa-eletronico-deixa-6-mortos-em-sp,754512,0.htm

http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/pm-e-preso-suspeito-de-roubo-a-caixa-eletronico-em-sao-paulo-20110812.html

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/coronel-e-afastado-apos-entrevista-sobre-morte-de-pms

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/08/coronel-volta-atras-e-nega-que-pm-morta-tenha-denunciado-colegas.html

http://noticias.terra.com.br/brasil/policia/denuncias-apontam-grupo-de-exterminio-em-batalhao-de-pm-morta-em-chacina,98f71b6ae8860410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html

http://flitparalisante.wordpress.com/2011/08/23/rota-e-suspeita-de-emboscada-para-dar-recado-a-ladroes-em-sp-a-precisao-dos-tiros-dados-pelos-pms-a-maior-parte-na-cabeca-indica-que-nao-havia-a-intencao-de-prender-mas-de-matar/

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/957857-mortos-em-confronto-dentro-de-supermercado-sao-identificados.shtml

— com George Sanguinetti(15 fotos)

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Soldados da Coréia do Sul: Cem tiros para acertar um homem. Compare com a pontaria do menino Marcelo

Página Facebook
Página Facebook

O menino Marcelo era bom no gatilho.

Um tiro, um morto: o pai, sargento das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), Luís Marcelo Pesseghini, de 40 anos.

Segundo tiro, outra morte: a avó materna Benedita de Oliveira Bovo, de 67 anos.

Terceiro tiro, terceira morte: a tia-avó Bernadete Oliveira da Silva, de 55 anos.

Quarto tiro, a vítima ajoelhada pedindo para não morrer: a mãe, cabo Andreia Regina Bovo Pesseghini, de 36 anos, delatora dos colegas de farda, membros de uma quadrilha de assaltantes de caixas eletrônicos.

Finalmente o quinto tiro: o suicídio de Marcelo, 13 anos, o menino que queria ser pistoleiro, quando podia realizar o sonho seguindo a profissão dos pais, que trabalhavam para a polícia mais violenta do mundo: a de São Paulo. Tanto que do pai, contava na escola que matou dois em um só dia.

"Não foi o Marcelo Bovo Perseghini". Página FaacebooK
“Não foi o Marcelo Eduardo Bovo Perseghini”. Página Facebook

Corea del Sur
Disparan cien veces para matar a un hombre rumbo al Norte

Las tropas surcoreanas que mataron a tiros a un hombre que intentaba cruzar a nado un río fronterizo con Corea del Norte dispararon “cientos” de veces, indicó un alto oficial militar de Corea del Sur este martes.

“Hubo cientos de disparos”, declaró el brigadier general Cho Jong-Sul, quien defendió la acción de los guardias, afirmando que habían cumplido con lo que está previsto en esos casos.

Nam Yong-Ho, de 47 años, murió a las 14H30 (5H30 GMT), cuando intentaba cruzar el río Imjin, que marca la frontera entre las dos Coreas.

Nam llevaba su pasaporte, el cual mostraba que había intentado obtener asilo político en Japón, pero se le había denegado y había sido expulsado.

Nam había ignorado varias advertencias, afirmó Cho.

Los intentos de este tipo son muy poco comunes. Los soldados surcoreanos no habían disparado a nadie en estas circunstancias en los últimos 20 años.

“Los soldados tienen que disparar contra quienes ignoran las advertencias de los militares y huyen en zonas fronterizas”, declaró Cho a la prensa.

“Se trataba de una situación urgente, ya que se podría haber ido al Norte muy rápido con el chaleco salvavidas que tenía puesto”, agregó.

“Tal vez resulte difícil de entender para los extranjeros […] pero las dos Coreas aún están en guerra”, declaró por su parte el viceministro de Defensa Baek Seung-Joo.

justiça cega

Nova versão muda sequência e horário das mortes

De acordo com um dos laudos, a sequência das mortes iniciou pelo pai de Marcelo, o sargento da Rota Luis Pesseghini, que dormia num colchão, no chão da sala. Depois foi a vez da mãe do garoto, a soldado [cabo da temida Rota] Andréa Bovo Pesseghini. De acordo com o laudo, ela saiu do quarto para ver o que havia acontecido. O menino, que estava escondido, esperou a mãe se agachar para socorrer o marido e fez um disparo na nuca de Andréa. Depois, Marcelo seguiu para a outra casa que fica no mesmo terreno, onde matou a avó e a tia-avó.

Segundo a investigação, depois de matar a família, Marcelo dirigiu até a escola e voltou para casa de carona no começou da tarde de 5 de agosto. Outro laudo mostra que ele se suicidou. Fios de cabelo do menino ficaram queimados depois do disparo da pistola na cabeça dele. Também havia o mesmo tipo de cabelo queimado na ponta do cano da arma. Legistas descobriram que Marcelo sofreu uma distensão na mão esquerda por fazer força ao puxar o gatilho. [A distensão aconteceu no primeiro ou no último tiro? Quer dizer que precisava “fazer força”? Essa lesão não impediu de dar quantos tiros?]

Para a polícia não existe outra rota de investigação. Marcelo matou os pais e avós e foi à escola revelar a chacina para os amigos

PSICÓLOGOS INFANTIS

Fonte G1: De acordo com depoimentos dados à Polícia Civil de São Paulo por cinco colegas de escola, Marcelo Pesseghini, principal suspeito de matar a família e se suicidar em seguida, o adolescente se queixava que se sentia “sozinho” mesmo quando seus pais, que eram policiais militares, voltavam cansados do trabalho. Está sendo investigado se o casal passava por alguma crise conjugal e se isso poderia ter contribuído de algum modo para o estudante de 13 anos cometer os crimes. Os parentes da vítima não acreditam que o garoto seja o assassino.

[Puxa, que coisa incomum: os pais chegavam cansados do trabalho…]

“Me sinto sozinho”, disse Marcelo aos amigos do Colégio Stella Rodrigues, segundo eles contaram ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). O órgão investiga a autoria da chacina ocorrida entre os dias 4 e 5 de agosto dentro de duas casas num mesmo terreno na Brasilândia, na Zona Norte da capital.

O DHPP pretende ouvir ainda na próxima semana mais dois amigos do colégio que teriam aparecido caminhando ao lado de ‘Marcelinho’, como era chamado, em imagens gravadas por câmeras de segurança. A investigação também quer colher os depoimentos de cinco policiais militares que poderiam ter entrado nas residências onde as vítimas foram encontradas mortas. Mais de 40 pessoas já falaram com o departamento.

[Puxa, estes cinco policiais ainda não foram ouvidos!… Seriam eles os policiais da quadrilha de assaltantes de caixas eletrônicos, denunciados pela mãe de Marcelo, que morreu ajoelhada pedindo clemência?]

Também são aguardados os laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC), da Política Técnico-Científica, para corroborar com a tese

[para corroborar com a tese, não sendo para isso não servem?]

de que Marcelinho assassinou com [certeiros] tiros nas cabeças [para cada morto uma bala]: os pais, o sargento das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) Luís Marcelo Pesseghini, de 40 anos, e a cabo Andreia Regina Bovo Pesseghini, de 36 anos, a avó materna Benedita de Oliveira Bovo, de 67 anos, e a tia-avó Bernadete Oliveira da Silva, de 55 anos. Em seguida, o investigado teria se matado com um disparo na cabeça. A arma usada foi uma só: a pistola 40 da mãe.

foto pai mão e filho

avó materna Benedita de Oliveira Bovo, de 67 anos
Avó materna Benedita de Oliveira Bovo, de 67 anos
Tia-avó Bernadete Oliveira da Silva, de 55 anos
Tia-avó Bernadete Oliveira da Silva, de 55 anos

O motivo dos assassinatos e do suposto suicídio ainda não são conhecidos. O objetivo dos policiais com os depoimentos e com os laudos é o de traçar o perfil psicológico do garoto de 13 anos; tentar esclarecer o caso e entender quais teriam sido as razões que levaram Marcelinho, o único suspeito, a cometer os crimes. Entre as hipóteses estão a de surto psicótico desencadeado por algum grande trauma. O estudante morava com os pais num dos imóveis. No outro ficavam a avó e a tia-avó. Quando não estava em casa, ia para a escola ou estava fazendo tratamento contra uma doença genética que tinha. Segundo relatos de testemunhas, ficava a maior parte do tempo em casa, mesmo durante as brincadeiras com os poucos amigos que possuía.

LÍDER

Desde o dia dos crimes, algumas informações levadas ao conhecimento do DHPP, principalmente por conta dos depoimentos dos colegas, mostram que Marcelinho havia criado um grupo, “Os Mercenários”, inspirado no game “Assassins Creed”.

[Quem cria grupo assume o papel de líder. Sinaliza que era um garoto com mando sobre os colegas]

No dia do crime, Marcelo estava cabisbaixo dentro da sala de aula, e um dos amigos perguntou, brincando: ‘tentou matar a avó de novo e não conseguiu?’ Marcelo respondeu ‘não, hoje consegui’. Um dos meninos disse também que naquele dia antes de entrar na sala de aula, Marcelo foi pra uma roda de amigos e disse ‘hoje matei meus pais’.

[Que bando de garotos insensíveis. Um amigo revelar que matou os pais jamais merecer nenhum comentário de desaprovação…  E a informação de um crime hediondo, mais fantasiosa que possa parecer, ser guardada como segredo, ou ser motivo de galhofa]

Um dos garotos falou que um dia Marcelo chegou à escola com um ferimento no rosto. O amigo perguntou o que era. Ele disse que havia atirado com uma pistola 40, e o tranco da arma o machucou.

Outro depoimento revelou que um dia Marcelo chegou à escola orgulhoso e contente dizendo ‘hoje meu pai matou dois bandidos’.

[A polícia já ouviu “cinco colegas” de Marcelo, e vai interrogar mais “dois amigos”. Pelos menos, para sete companheiros de escola, Marcelo fazia confidências. Não era uma pessoa sozinha, isolada, tudo indica bem falastrão. Tinha orgulho do pai, de matador que era]

Confira

[Impressionante as fotos. Todas sem marcas de sangue… Parecem pessoas dormindo em paz…]

Homenagem à repressão?

Projeto de decreto legislativo de Salva de Prata à Rota avança na Câmara Municipal de São Paulo e vai na contramão da busca por justiça de transição

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por Marsílea Gombata

A Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal de São Paulo aprovou na quarta-feira 14 o projeto de decreto legislativo do vereador Paulo Telhada (PSDB) para conceder uma homenagem Salva de Prata às Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) da Polícia Militar de São Paulo.

A proposta prevê uma cerimônia que enaltecerá a “importância” do processo de formação da Rota, criada em 1970, assim como seu papel na repressão do regime dos generais. O projeto, de autoria do vereador que foi tenente da Rota entre 1986 e 1992 e tenente-coronel entre 2009 e 2011, tramitava na Casa desde abril.

Polêmico, o decreto encontrou forte oposição de alguns parlamentares da Casa, como os petistas Juliana Cardoso, Nabil Bonduki, Paulo Fiorillo e José Américo. Também foram contrários Orlando Silva (PCdoB), Toninho Vespoli (PSOL) e Gilberto Natalini (PV), que é presidente da Comissão da Verdade Vladimir Herzog, da Câmara Municipal.

No momento em que o Brasil vê efervescer, 28 anos depois do fim da ditadura, o debate sobre violações de direitos humanos e crimes de lesa humanidade perpetrados por torturadores do Estado no regime, a homenagem proposta pelo vereador eleito em 2012 parece ir na contramão daquilo que o País ainda não teve: justiça de transição – um conjunto de ações e processos, acordados no âmbito internacional, na passagem do regime ditatorial para a democracia. Embalada pelo andamento dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade e das comissões locais, a sociedade brasileira revolve seu passado para esclarecer fatos obscuros de um regime que edificou mentiras, destruiu famílias e ceifou vidas.

Nunca é demais lembrar que a Rota não é apenas fruto da ditadura que assolou o País de 1964 e 1985, como também forneceu apoio e atuou como agente repressor. Assim como a Polícia Militar, a Rota é lembrança permanente da repressão e impunidade de autores de violações sistemáticas, que agem com frequência nas periferias dos grandes centros urbanos. São também resquícios de uma transição democrática tortuosa vivenciada pelo País depois da ditadura. Uma amarga lembrança da necessidade de reforma das instituições do Estado.

Desde que a antiga Força Pública virou PM, em 1969, o órgão se viu em meio a crescentes denúncias de assassinatos envolvendo policiais. Como lembrou em artigo o grupo Margens Clínicas, que oferece atendimento psicológico a vítimas de violência policial, números da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo de 2012 mostram que 547 mortes ocorreram em supostos confrontos policiais, o que representa um aumento de 25% em relação ao ano anterior. Não são poucas as denúncias contra a PM (da qual a Rota faz parte) de assassinato, abuso de autoridade e descaracterização da cena do crime.

Para o especialista em direito penal e direitos humanos Túlio Vianna, a Polícia Militar representa hoje um “modelo anacrônico de segurança pública que favorece abordagens violentas, com desrespeito dos direitos fundamentais”. Sua análise não é desprovida de coro. No fim de julho, a Human Rights Watch entregou uma carta ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), na qual se dizia “preocupada” com as “execuções extrajudiciais” cometidas por policiais. O levantamento da entidade, baseado na análise de boletins de ocorrência de “resistências seguidas de morte” – como São Paulo classificava até 2012 mortes cometidas por policiais em supostos confrontos –, mostrou que somente nos anos de 2010, 2011 e 2012 a Rota matou 247 pessoas. À época, José Miguel Vivanco, diretor da Human Rights Watch para as Américas, disse que “as provas colhidas nos casos analisados em São Paulo revelam um claro padrão: policiais executam pessoas e, em seguida, acobertam esses crimes.”

Em maio de 2012, o Conselho de Direitos Humanos da ONU apresentou um documento no qual apontou a situação degradante do sistema carcerário e a atuação da polícia militar como alguns dos principais problemas do Brasil, e recomendou a desmilitarização da polícia. A proposta, no entanto, foi integralmente rejeitada pelo Brasil.

Mas o debate sobre a necessidade de desmilitarização de uma polícia que, em tese, foi criada para proteger os cidadãos em vez de amedrontá-los, foi retomado depois da repressão policial que marcou os protestos de junho pelo País. A expectativa é que a própria Comissão Nacional da Verdade recomende em seu relatório final a desmilitarização das PMs. O tema é debatido desde o fim da ditadura, mas sem grandes avanços.

Sem mudanças importantes, as polícias militares – e seus grupos de elite – tendem a se tornar cada vez mais despreparadas frente às necessidades democráticas que o País apresenta.

Homenagear, portanto, o símbolo da repressão militar no momento em que joga-se luz nas violações de agentes torturadores do Estado e em meio à discussão sobre a desmilitarização da PM parece ser um ato para endossar o aspecto tenebroso de um período que o Brasil quer, de uma vez por todas, deixar para trás.

 

 

OAB acredita que videogame influenciou Marcelo matar os pais

A polícia continua a investigação da chacina da família Pesseghini com o propósito de provar que o garoto de 13 anos foi o assassino.

Publica o G1: O advogado Arles Gonçalves Júnior, presidente da comissão de segurança da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), disse nesta sexta-feira (16) que o garoto teria sido “influenciado” por jogar muito videogame. O advogado tem acompanhado as investigações por parte do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e garantiu que estão sendo feitas de forma “correta, transparente, serena e legal”.  Ele acompanhou os depoimentos de 16 pessoas das 31 chamadas pela Polícia Civil para poder traçar o perfil da família de policiais militares.

O garoto usava a imagem de um assassino de videogame no seu perfil do Facebook há um mês. O suspeito havia trocado sua foto de perfil no dia 5 de julho, passando a utilizar a imagem de um matador do game “Assassin’s Creed”. Esta foi a última atualização de Marcelo na rede social.

Para o advogado, os laudos deverão reforçar ainda mais a versão de que Marcelo Pesseghini é o autor da chacina na Brasilândia. “Esse caso é um divisor de águas. Os pais terão de repensar as suas posições, os policiais terão de repensar as suas posições, e a imprensa terá de repensar a abordagem de alguns casos”, afirmou.

Segundo Arles Júnior, os depoimentos prestados revelam que o menino apresentou uma mudança de comportamento, influenciado pelo jogo de videogame. “Todos os depoimentos chamam a atenção, cada um em determinado momento, como se fosse um quebra-cabeças”, disse. Das 31 pessoas ouvidas pela polícia, seis eram amigos de Marcelo Pesseghini, de acordo com o advogado da OAB.

Nota do redator do blogue: Este videogame, tão perigoso, já foi proibida sua comercialização?

No Facebook existem várias páginas com o nome do menino (que a polícia chama  de adolescente) todas com o início no dia 6 de agosto, um dia depois do crime. A única com data anterior – 1 de fevereiro deste ano – está limpa de comentários, e traz o nome completo de Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, o que não é comum.

Na página a seguinte foto:

marcelo_pesseghini

Mais estarrecedora a logomarca da tropa que o pai de Marcelo era engajado:

rota

Noutras páginas criadas com o nome completo de Marcelo:

O portão da residência Perseghini
O portão da residência Perseghini

nu

menino marcelo nu

texto Marcelo

Quem defende os direitos humanos recebe ameaça dos que prendem e arrebentam

 

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Quando o Congresso Nacional fará uma investigação sobre as organizações criminosas que suicidaram Mosquito, que levaram ao exílio  André Caramante, Mauri König e que, também, ameaçam de morte Lúcia  Rodrigues, Carlos Latuff, para citar casos recentes?

“Essas organizações policiais, que reúnem não só membros ativos das forças de repressão, como também simpatizantes com perfil fascista, anti-comunista, anti-petista, machista e homofóbico. É sabido que dois desses perfis, Fardados e Armados e Rondas ostensivas tobias de aguiar “Rota” estão incitando seus membros a tomarem ações violentas contra mim”, denunciou Latuff.

O Brasil, campeão de censura judicial contra blogueiros que denunciam a corrupção, permite que a internet seja usada para as mortes anunciadas de jornalistas, poetas, escritores e artistas.

Há uma explícita mea culpa mea maxima culpa nesses blogues quando atacam os desfensores dos direitos humanos. 

LATUFF É MEU AMIGO, MEXEU COM ELE, MEXEU COMIGO!

 

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por Ivam Pinheiro

 

Carlos Latuff está entre aqueles que lutam contra a opressão do capital e por uma sociedade justa e fraterna. Antes de tudo, é um humanista, internacionalista e revolucionário, que sofre as dores dos oprimidos, seja onde for.

Militante corajoso, independente, coloca sua arte, sempre inteligente e radical (no bom sentido da palavra), a serviço da esquerda de todo o mundo e da humanidade. Uma charge de Latuff vale mais que muitos manifestos, fala por si, emociona.

Mais uma vez, Latuff está ameaçado de morte.

Justamente indignado com a violência policial, fez, em suas próprias palavras, uma “provocação” em torno do assassinato de um casal de PMs paulistas.

Por mais que a emoção o tenha levado a exagerar o tom da “provocação”, temos a obrigação política e moral, os revolucionários e progressistas, de lhe prestar solidariedade e blindá-lo diante das ameaças de que tem sido vítima, por parte de fascistas que tentam se aproveitar de um momento de compreensível destempero verbal do nosso Latuff.

É bom que saibam os que o ameaçam do carinho que lhe devotam um incalculável número de pessoas e organizações políticas e sociais no mundo todo.

E que depois do “Cadê o Amarildo?”, os matadores, com ou sem farda, de carreira ou de aluguel, vão ter que pensar muito antes de assassinar covardemente um ser humano, seja ele um pedreiro ou um artista. Não mais os deixaremos em paz, a cada covardia.

Com nossa solidariedade, sabemos onde estará por muitos anos o jovem Latuff: numa prancheta, com sua pena implacável contra as opressões e em nossas manifestações contra elas, com a alegria dos que lutam por uma sociedade onde todos nos possamos chamar de companheiros.

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Latuff sobre as ameaças de morte: “É importante discutir a violência policial. Um tabu que poucos têm coragem de tocar”

Carlos Latuff, fotografado por Roselita Campos
Carlos Latuff, fotografado por Roselita Campos
 As ameaças contra Carlos Latuff mancham o nome do Brasil. Natural que essa desonra aconteça. O artista plástico, jornalista, pintor, ativista dos direitos humanos, Latuff tem trabalhos espalhados por todo o mundo.

Biografa a Wikipédia: Durante o ano de 2011, vários protestos estouraram em todo o mundo árabe, sendo chamados de “Primavera Árabe“, Carlos Latuff se torna, através de seus trabalhos artísticos, em um dos grandes expoentes internacionais do movimento. SCAFLíbia e OTAN são, por exemplo, temas frequentes de seu trabalho, exposto pela mídia brasileira e diversos veículos internacionais. Seu trabalho sobre os acontecimentos se tornaram inclusive notícia em grandes meios de comunicação. “É um trabalho autoral, mas não se trata da minha opinião. É preciso que seja útil para os manifestantes, e que eles possam usar aquilo como uma ferramenta.

“Charge incomoda”, disse Latuff. Seu trabalho com temas sobre a “Primavera Árabe” tornou-se algo tão evidente, e importante para os povos que estão vivendo os acontecimentos, que se tornou fácil encontrar os trabalhos de Latuff nas mãos de protestantes pelas ruas de todas nações árabes, e de outros países que vivem tal efervescência. Seus trabalhos são impressos e expostos em tamanho normal, e por vezes ampliados, e copiados em faixas, cartazes de rua, posters carregados pelo povo nos protestos.

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AMEAÇAS DE MORTE NO BRASIL
Escreveu, esta semana, Carlos Latuff:  “Era de se esperar que houvesse reação violenta diante da minha provocação de que o garoto que matou o pai, um policial da ROTA, merecia atendimento psicológico e uma medalha. No estado policial em que vivemos no Brasil, as organizações da repressão são alçadas a condição sacrossanta. Quem ousar denunciar seus abusos corre sério risco de vida. Isso não é novidade pra mim, desde 1999, quando fiz meu primeiro protesto contra a violência policial, realizando uma exposição virtual de charges intitulada “A Polícia Mata”. Ao longo dos meus 23 anos de profissão como cartunista já fui detido três vezes por desenhar contra a truculência da polícia brasileira, e já recebi inúmeras ameaças, seja de judeus sionistas por conta de minhas charges em favor dos palestinos, seja de extremistas muçulmanos pelas minhas charges sobre a questão egípcia e síria. Portanto, ameaças fazem parte do meu trabalho.
Dessa vez, com as redes sociais, estas ameaças são potencializadas, graças a comunidades relacionadas a organizações policiais, que reúnem não só membros ativos das forças de repressão, como também simpatizantes com perfil fascista, anti-comunista, anti-petista, machista e homofóbico. É sabido que dois desses perfis,Fardados e Armados e Rondas ostensivas tobias de aguiar “Rota”estão incitando seus membros a tomarem ações violentas contra mim. E é bem possível que isso aconteça, afinal de contas, a polícia mata! Não seria eu o primeiro, e muito menos o último. Essa é a característica de nossas polícias, de nosso estado. E se acontecer, que sejam responsabilizados os administradores destas comunidades e o estado brasileiro.
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Fico feliz que essa polêmica esteja acontecendo. Diante de casos como o desaparecimento do pedreiro Amarildo na Rocinha, e de tantos outros pelo Brasil, herança maldita da ditadura militar que torturou, matou e sumiu com diversos militantes de esquerda, é sempre bom discutir sobre a violência policial, que é um tabu que poucos têm coragem de tocar.
Me sinto orgulhoso de receber ameaças assim. Me sinto no mesmo patamar dos corajosos militantes do Mães de Maio e da Rede de Comunidades que, quotidianamente, se arriscam para defender as vítimas do terrorismo de estado no Brasil. Se eu tiver que cair pelo que acredito, cairei. Meu pai, um cearense xucro de Nova Russas, não me criou pra ser frouxo.
Espero que todo esse esforço não tenha sido em vão, ou termine com minha morte. Que os partidos de esquerda, PSOL, PSTU Nacional, Partido Comunista Brasileiro – PCB (Oficial), PCdoB – Partido Comunista do Brasil, Partido Comunista Revolucionário, Partido da Causa Operária, e os movimentos como a Liga dos Camponeses Pobres, MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e o Mtst Trabalhadores Sem Teto, e mesmo a esquerda do Partido dos Trabalhadores, defendam sempre a bandeira dos direitos humanos e contra a violência policial.
Pelo fim de grupos de extermínio oficiais como a ROTA e o BOPE, que só fazem matar pretos e pobres. Pelo fim da “guerra contra as drogas”. Pelo fim da filosofia militarista nas polícias.
Valeu gente! Não passarão!”
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No Brasil e no mundo, a arte de Lanuff termina exibida como outdoor

Versiones opuestas de policías en caso de asesinato de familia en Sao Paulo

Publicado por Alejandra Tillería | La Información es de Agencia AFP

Un adolescente brasileño de 13 años, sospechoso de matar a sus padres policías, a su tía y a su abuela y de luego suicidarse, podría no ser el autor del crimen, según un jefe policial que sugiere la culpabilidad de colegas corruptos de la madre del joven.

El coronel de la Policía Militar Wagner Dimas, comandante del 18 batallón donde trabajaba Andreia Regina Pesseghini, la madre del adolescente sospechoso del crimen, dijo a la prensa que “no está convencido” de que el adolescente sea el asesino de la familia.

El coronel señaló que la mujer denunció a algunos colegas policías supuestamente involucrados en el robo de cajeros automáticos. La investigación no concluyó nada y sólo motivó el traslado de algunos agentes, según Dimas.

“Estuve en el lugar (del crimen), participé, vi a los primeros vehículos llegar al lugar del crimen. Y estoy aún, digamos así, esperando una secuencia natural, dar tiempo al tiempo para entender que tal vez eso no haya sido así”, dijo el comandante el miércoles a la radio local Bandeirantes.

“Hoy no estoy del todo convencido”, insistió.

La principal línea de investigación de la Policía Civil señala que el joven Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini fue el autor de los crímenes.

Los cinco cadáveres fueron descubiertos en la noche del lunes en las dos casas de la familia, que quedan en un mismo terreno en la zona norte de Sao Paulo.

Itagiba Franco, del departamento de Homicidios de la Policía Civil de Sao Paulo, señaló que “todo lleva a creer” que Marcelo mató a sus familiares, y volvió a plantear esa versión.

El joven Pesseghini ya había comentado con un amigo su deseo de matar a los padres, de huir y convertirse en sicario, según dijo Franco a la prensa.

La policía encontró tres armas en la sala de la casa, que pertenecían a la pareja de policías.

Las pericias forenses están en curso, pero la policía afirma que las muertes de los parientes de Marcelo tuvieron lugar en la noche del domingo al lunes. El lunes de mañana, el joven fue al colegio, donde actuó con normalidad. Horas después, fue hallado muerto junto a sus familiares.

La posibilidad de un acto de venganza contra los padres había sido descartada por la policía porque no había señales de violencia en la casa.

El joven padecía fibrosis cística, una enfermedad crónica y degenerativa.

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Jornal britânico sugere armação contra menino filho de policiais e menciona corrupção na polícia

Jornal britânico sugere que o menino Marcelo Pesseghini pode ter sido vítima de armação e destaca que a polícia de SP é vista como “uma das mais corruptas do mundo”

A morte da família de um casal de PMs em São Paulo ganhou repercussão internacional ao longo da semana. Em sua versão online o jornal britânico Daily Mail afirma, nesta quinta-feira (8), que Marcelo Pesseghini, principal suspeito do crime, filho de Andreia Regina Bovo Pesseghini e Luis Marcelo Pesseghini, foi vítima de uma armação.

De acordo com a polícia militar, uma das hipóteses mais trabalhadas é a de que Marcelo matou os pais, a avó e a tia-avó para depois se suicidar. O jornal britânico, porém, destaca que Andreia Pesseghini recentemente havia denunciado colegas policiais por participação em roubos a caixas eletrônicos.
De acordo com o jornal inglês, “a polícia de São Paulo é amplamente vista como uma das mais corruptas do mundo e nos anos recentes policiais se envolveram em vários escândalos”, fator que pode fazer de Marcelo vítima de uma armação para encobrir uma  queima de arquivo

O perigo de ser jornalista: violência e abandono

PROFISSÃO PERIGO

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por Raphael Tsavkko Garcia

 

Não há qualquer tipo de segurança ou mesmo garantia de segurança para quem exerce a profissão de jornalista. Caso você seja um freelancer, a situação tende a piorar. Sequer sobra a possibilidade de ter um jornal, uma estrutura como barreira ao menos para processos.

Casos recentes de assassinatos de jornalistas em Minas Gerais, as ameaças sofridas pela jornalista Lucia Rodrigues por parte do coronel Telhada, da Rota de São Paulo (e agora vereador), que também ameaçou e fez ser exilado o jornalista do Estado de S.Paulo André Caramante, ou mesmo a tentativa de assassinato de blogueiros como Ricardo Gama, no Rio de Janeiro, e o suposto suicídio do blogueiro catarinense Mosquito denunciam a total insegurança em que vivem aqueles que decidem denunciar poderosos e perigosos e também as ameaças e pressões sofridas por eles.

Recordo-me quando, em 2001, fotografei e gravei um protesto de neonazistas em plena Avenida Paulista. Eram neonazistas, fascistas, integralistas, enfim, toda a nata do submundo do ódio de extrema-direita reunida para defender o deputado Jair Bolsonaro. Até hoje, dois anos depois, ainda recebo ameaças por parte de neonazistas e similares, mas nada mais grave me ocorreu. Infelizmente o mesmo não pode ser dito no caso de dezenas de outros jornalistas.

Apuração e veracidade

Toda esta facilidade com que se ameaça e mata jornalistas é reflexo da falência não só do Estado de Direito, mas dos sindicatos, que deveriam representar nossa categoria. Os sindicatos não atuam sequer na luta por salários decentes, contra os PJ e excesso de “frilas”, que o diga na proteção de seus filiados e não-filiados. Para eles interessa mais a “luta” pelo diploma que pela vida dos jornalistas, de quem, com paixão, exerce esta profissão, independentemente de possuir ou não um pedaço de papel.

Não adianta contar com a polícia, pois uma parte significativa dos assassinos de jornalistas são policiais e ex-policiais, nem com o governo, pois muitas vezes os jornalistas são ameaçados e mortos por criticar governos e, infelizmente, não podemos contar com quem deveria nos representar, pois os sindicatos estão mais interessados em decidir quem pode ou deve sequer ter direito a ser chamado de jornalista baseados em um pedaço de papel e não em capacidade, habilidade e mesmo amor pelo que faz (fazemos).

Enquanto na grande mídia jornalistas se vendem pelos melhores preços (em muitos casos pelo preço possível, ou passam fome), vendem sua ideologia, sua ética, sua integridade para reportar aquilo que querem os patrões, na mídia alternativa – vide a Caros Amigos – resta a precarização. Os jornais não conseguem conviver com a internet, ampliando a precarização e as demissões (passaralhos) em redações, desprezando o importante papel dos jornalistas hoje de curadoria e de análise de dados e notícias. Apenas neste mês, a Abril pretende demitir mil funcionários e em momento algum o sindicato se insurgiu ou sequer planeja se insurgir, pressionar e buscar alternativas. Ao menos tempo, na Argentina, funcionários de jornais realizaram paralisações conjuntas e organizadas por todo o país.

O jornalista hoje não apenas escreve, mas se coloca como um diferencial de qualidade, analisa, seleciona, faz curadoria, é um modelo. Qualquer um pode ter um blog, mas a responsabilidade pela apuração e a garantia da veracidade dos fatos recai, ainda, sobre o jornalista. E isto é desprezado.

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Raphael Tsavkko Garcia é mestre em Comunicação

Transcrito do Observatório da Imprensa

Repórteres sem Fronteiras: UMA INVESTIGAÇÃO FEDERAL DEVE SANCIONAR OS ABUSOS POLICIAIS COMETIDOS DURANTE OS PROTESTOS

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“É preciso lembrar que a polícia militar foi criada durante a ditadura como auxiliar do exército? Seus métodos nunca evoluíram desde esses anos de chumbo”

Repórteres sem Fronteiras apela à Secretaria de Direitos Humanos e à sua ministra, Maria do Rosário, para que iniciem uma investigação sobre as brutalidades e as graves violações das liberdades constitucionais cometidas pela Polícia Militar (PM) de São Paulo no decurso de manifestações contra o aumento das tarifas de transporte público. O mesmo procedimento deverá ser aplicado, caso seja necessário, a outras cidades em que se tenha constatado violência do mesmo tipo.

“A liberdade de informação é uma das garantias consagradas pela Constituição democrática de 1988. A repressão do movimento social efetuada pela PM foi acompanhada por importantes atropelos a esse direito fundamental. Tais abusos, juntamente com as detenções e agressões direcionadas contra determinados jornalistas, requerem um exame aprofundado e sanções apropriadas. As responsabilidades dos poderes públicos devem ser apuradas”, declara Repórteres sem Fronteiras.

Detido no decorrer das jornadas de protestos de dia 11 de junho, Pedro Ribeiro Nogueira continuava preso no dia seguinte, apesar de um pedido de habeas corpus interposto por seus advogados. De acordo com as nossas fontes, o jornalista de Portal Aprendiz deverá recuperar sua liberdade no dia 14 de junho. Desejando que a liberação chegue o mais depressa possível, Repórteres sem Fronteiras exige a retirada da aberrante acusação de “formação de quadrilha” que pesa sobre ele.

O dia 13 de junho, quarto dia de manifestações, teve com saldo mais duas detenções de jornalistas, felizmente libertados pouco depois. O primeiro, Piero Locatelli, do semanário Carta Capital, foi detido em pleno centro paulista por transportar uma garrafa de vinagre, destinada a atenuar os efeitos das queimaduras provocadas pelo gás lacrimogêneo. Piero Locatelli já por então se havia devidamente identificado aos policiais presentes. O mesmo sucedeu com Fernando Borges, fotógrafo do Portal Terra, retido durante quarenta minutos pela polícia mesmo após ter mostrado suas credenciais profissionais.

No mesmo dia, Giuliana Vallone, da TV Folha, foi atingida num olho pelo disparo de uma bala de borracha de um agente da Rota, a unidade de elite da PM de São Paulo. Seu colega do diário Folha de São PauloFábio Braga, ficou ferido no rosto. Outros cincos jornalistas do mesmo jornal e dois do diárioO Estado de São Paulo foram vítimas de ataques com gás lacrimogêneo.

“É preciso lembrar que a polícia militar foi criada durante a ditadura como auxiliar do exército? Seus métodos nunca evoluíram desde esses anos de chumbo”, apontava o jornalista independente Ivan Seixas, coordenador da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo (ver o relatório). Os recentes acontecimentos dão-lhe razão.