Jornalistas espancados e a polícia não prende e a justiça não condena os covardes e selvagens agressores

Agressões físicas. O vale tudo contra jornalistas, apenas entre 24 de julho a 7 de outubro de 2012, conforme denúncia da FIP

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Em 7 de outubro de 2012, o jornalista Rosinaldo Vieira foi agredido por correligionários do vereador reeleito para Câmara Municipal de Natal, Aquino Neto. O jornalista conta que estava acompanhado do pai, de 81 anos, quando foi abordado e insultado. De acordo com Vieira, o fato ocorreu por volta da meia noite e meia na Rua Serra do Caturité, no bairro Pitimbu. O jornalista realizava entrega de exemplares de um jornal comunitário da Cidade Satélite. O periódico mensal tinha como uma das reportagens de capa uma abordagem sobre os vereadores candidatos a reeleição envolvidos na Operação Impacto (operação conjunta do Ministério Público, Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Militar para coibir jogos de azar, tráfico de drogas e arma de fogo).

Em 7 de outubro de 2012, o jornalista do Correio Mariliense, Félix Naveda, foi violentamente agredido por cinco pessoas enquanto fazia a cobertura de uma carreata política do candidato Ticiano Tóffoli (PT) no bairro Fragata, no centro de Marília (SP). Ele foi atingido por socos e chutes no momento em que tentava registrar uma confusão entre os cabos eleitorais. Naveda estava próximo da confusão e pegou o aparelho celular para registrar as cenas de violência. Percebendo que estavam sendo flagrados, cerca de cinco cabos eleitorais trajando camisetas vermelhas do PT, desistiram da briga com os cabos eleitorais do PSB e atacaram o jornalista.

Em 7 de outubro de 2012, a repórter Natália Oliver do Diário de Guarulhos foi agredida ao flagrar o diretor do Procon de Guarulhos, José Wilson, fazendo boca de urna para o atual presidente da Câmara e candidato a reeleição pelo PSD, Eduardo Soltur. A prática é crime, conforme a Lei Eleitoral.

Em 5 de outubro de 2012, o repórter fotográfico Moacyr Lopes Junior, da Folha de S.Paulo, foi vítima de agressão de um militante do PT durante caminhada do candidato a prefeito Fernando Haddad na tarde desta sexta-feira, no centro de São Paulo. Na Rua 7 de Abril, o jornalista tropeçou e caiu junto com um militante da campanha. Ao se levantar, foi segurado pelo pescoço e recebeu uma “gravata” enquanto tentava preservar seu equipamento profissional. O candidato manifestou solidariedade ao repórter após saber do incidente.

Em 17 de setembro de 2012, o jornalista Luís Schwelm, da TV Record News, foi agredido com uma barra de ferro durante a cobertura de um comício no Maranhão. Schwelm foi levado para o hospital com suspeita de traumatismo craniano, e mesmo hospitalizado foi ameaçado pelo coordenador de campanha da candidata à prefeitura de Estreito (MA), Verbena Macedo (PDT). O fato foi comunicado à Delegacia de Polícia. O locutor-animador de palco da candidata, conhecido como “Pinto”, instigou a violência quando viu uma equipe de reportagem filmando o evento.

Em 16 de setembro de 2012, o repórter Wal Alencar, do Sistema Monólitos, foi agredido ao cobrir um suposto evento político na escola pública de Quixadá (CE). Alencar diz ter sido atingido por socos e pontapés desferidos pelo líder de campanha do candidato a prefeito Ilário Marques (PT). A agressão ao repórter de 28 anos de idade foi filmada pelas câmeras do canal virtual em que ele trabalha e postado na internet.

Em 10 de setembro de 2012, a repórter Talita Aquino e o diretor do Portal Minas Livre, Júlio Cesar, foram agredidos e ameaçados pelos seguranças do candidato a prefeito de Padre Eustáquio (MG), Márcio Lacerda. Oito seguranças do comitê cercaram os dois profissionais, passando a empurrá-los e chutá-los.

Em 7 de setembro de 2012, o radialista Carlos Roberto Silva Barboza, mais conhecido como Carlão, foi atingido no pescoço por um golpe de caco de garrafa. Carlão é repórter e apresentador do programa Galera Gol, da rádio Transamérica, foi agredido covardemente pelas costas na Rua Bahia, em frente ao espaço de eventos que inaugurava naquele dia.

Em 1o de setembro de 2012, o jornalista Rubens Coutinho, dono do site Tudo Rondônia, foi agredido pelo médico e lutador de Jiu-Jitsu, Sérgio Paulo de Melo Mendes Filho. O motivo da agressão seria uma matéria apurada pelo jornalista sobre o surto do médico que motivou a exoneração do cargo de diretor do hospital João Paulo II. A agressão foi feita com uma garrafada e vários chutes.

Em 1o de setembro de 2012, a diretora do jornal, O Jornal, de Guaíra (SP), Menize Taniguti, foi espancada e teve roubados os jornais que seriam distribuídos durante o final de semana. A jornalista explicou que os suspeitos estavam em dois carros e a cercaram ainda na rodovia, ordenando que parasse no acostamento. Um dos homens, que estava armado, assumiu a direção e obrigou a jornalista a tomar um comprimido.. A quadrilha levou Menize até um canavial, a fizeram descer e se ajoelhar. A jornalista permaneceu assim enquanto os suspeitos recolhiam os jornais em seu porta-malas e os colocavam em outro veículo. Menize afirmou que, durante toda a ação, sofreu agressões e ameaças.

Em 30 de agosto de 2012, o carro da equipe de reportagem da TV Aratu, filiada ao SBT, foi atingido por quatro tiros enquanto os profissionais faziam uma reportagem sobre um ônibus incendiado no dia anterior, em Pirajá, periferia de Salvador, na Bahia.

Em 24 de agosto de 2012, o jornalista Mário Bittencort foi agredido no aeroporto de Porto Seguro, no sul da Bahia, enquanto aguardava a chegada da deputada Cláudia Oliveira (PSD). Bittencort pretendia entrevistar a candidata à prefeitura da cidade baiana que aparece em um vídeo dizendo que desviaria R$ 1 bilhão da prefeitura. O jornalista foi ferido no braço e teve um equipamento fotográfico danificado por correligionários da candidata enquanto aguardava a chegada dela ao aeroporto.

Em 20 de agosto de 2012, o jornalista William Gonçalves de Sousa Borges informou ter sido agredido por Vagner Teodoro de Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Lagoa da Confusão (TO). O jornalista e assessor de imprensa da Prefeitura de Lagoa da Confusão afirmou que estava cumprindo com demanda da prefeitura do município ao fazer reportagem sobre denúncias a respeito da saúde pública da região.

Em 8 de agosto de 2012, a equipe da TV Morena foi agredida, durante uma reportagem sobre queimadas em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Um repórter cinematográfico estava com um jornalista e um auxiliar, gravando imagens no anel rodoviário quando flagrou um foco de queimada na margem da rodovia. Ele foi ameaçado e agredido por um comerciante presente no local. Quando a equipe se preparava para ir embora, ao final da gravação, o homem agrediu o cinegrafista com um soco.

Em 24 de julho de 2012, o repórter André Guilherme Delgado Vieira, da Rádio Jovem Pan FM, foi agredido por um segurança do candidato à prefeitura de São Paulo José Serra (PSDB) durante entrevista coletiva. Segundo o repórter, quase no fim da coletiva o segurança identificado como Issardi disse a ele que a entrevista havia terminado e que ele deveria se retirar do local.