CPI DO FUTEBOL E OS LADRÕES DA FIFA E DA CBF NO BRASIL

O escandaloso Eduardo Cunha está manobrando para não investigar a roubalheira do futebol no Brasil, com o mesmo jeitinho que aprovou o financiamento das campanhas políticas por empresas multinacionais. Eduardo Cunha e os “sabidos” sempre lavam vantagem em tudo.

O pedido de criação da CPI na Câmara foi feito pelo deputado João Derly (PCdoB-RS).

A CPI do Senado, proposta pelo senador Romário não teve, até agora, nenhuma cunha. O requerimento já foi lido em plenário e a CPI aguarda apenas a nomeação dos integrantes pelos líderes partidários para ser instalada.

Romário se reuniu nesta segunda-feira com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e obteve dele o compromisso de cooperar com a CPI.

“Janot está alinhado em pensamento com o que propõe a CPI do Futebol, que é a hora de fazer uma limpeza, de moralizar o esporte. Por isso, ele colocou o órgão à inteira disposição da comissão de inquérito”, disse Romário.

Tem muita safadeza para descobrir. Existem muitas histórias escabrosas, e muito dinheiro que termina lá longe nos paraísos fiscais. Sobra ladrão no futebol. E traficante. Sempre existiu a ligação de cartolas com o tráfico internacional de drogas.

Três processos, uma pergunta sem resposta: cadê o DARF, Globo?

doentes por futebol

Por Pedro Galindo

Em janeiro de 2013, a servidora pública Cristina Maris Meinick Ribeiro foi condenada pela 3ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro a quatro anos e onze meses de prisão. Entre outros crimes, ela foi a responsável pelo extravio, em janeiro de 2007, de um auto de infração que tramitava na Receita Federal desde outubro de 2006. No documento, um escândalo: R$ 183 milhões sonegados. Somando a multa e os juros, um total de R$ 615 milhões – quase R$ 1 bilhão, em valores atualizados pelo IGP-M. A ré? Globo Comunicação e Participações.

Em plenas férias, Cristina foi ao escritório da Receita em que trabalhava e simplesmente subtraiu o processo. Além dele, a ex-servidora também levou em sua bolsa a Representação Fiscal para Fins Penais anexada ao processo. O extravio foi confirmado pelas câmeras de segurança e pelo testemunho dos seus próprios colegas de trabalho.

Cristina Meinick, a servidora condenada pelo extravio do processo da Globopar.
Cristina Meinick, a servidora condenada pelo extravio do processo da Globopar.

(Você pode ler a íntegra da sentença no Viomundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha)

Mesmo com tantas provas – e tantas condenações, em diversas instâncias –, Cristina se mantém em liberdade. Sua situação estava complicada até seus advogados entrarem com um recurso junto ao STF. Lá, o relator sorteado para o processo foi o Ministro Gilmar Mendes, que se encarregou de lhe conceber um providencial habeas corpus. No entanto, Cristina não é mais do que uma coadjuvante quase irrelevante dentro de uma história que começou há mais de uma década.

Enquanto isso, na Suíça…

Havelange e Teixeira: réus condenados na Suíça, blindados no Brasil.
Havelange e Teixeira: réus condenados na Suíça, blindados no Brasil.

O ano agora é 1998. Antes mesmo do início do Mundial da França ter início, a FIFA já planejava a realização das duas edições subsequentes. Era maio, e enquanto as seleções classificadas se preparavam para estrear nos gramados franceses, João Havelange, então presidente da Federação, negociava a venda dos direitos de transmissão das Copas de 2002 e 2006.

No dia 26, a FIFA fecha com a “Empresa 1” um contrato para transmissão dos Mundiais em rádio e TV para todo o mundo, exceto Estados Unidos e Europa, mediante uma compensação de US$ 650 milhões para o Mundial de Japão e Coreia, e de US$ 750 milhões para a Copa da Alemanha. Posteriormente, nos autos, a identidade real dessa empresa é revelada: trata-se da ISMM X1 AG, do grupo ISL, que opera na área do marketing esportivo e já foi parceiro de alguns clubes brasileiros.

Pouco mais de um mês depois, em 29 de junho, a tal “Empresa 1” assinou um sublicenciamento com a “Empresa 2” e a “Empresa 3” para a transmissão dos eventos no Brasil, no valor de US$ 220,5 milhões. O pagamento ficou acordado para o dia 17 de dezembro do mesmo ano. Nesta mesma data, nasceu a “Fundação 1”, que era composta por membros da diretoria da ISL e alguns outros. Na verdade, ela não passava de uma unidade de negócios da ISL em Liechtenstein, conhecido paraíso fiscal. Havia ainda uma “Empresa 4”, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas (outro refúgio fiscal), que em 8 de fevereiro de 1999 teve seu patrimônio integralmente vendido, exatamente para a fundação em questão.

Essas informações não constam em documentos apócrifos ou “vazados” clandestinamente: estão presentes nos autos da investigação criminal que a Justiça suíça move contra Ricardo Teixeira e João Havelange, e foram tornadas públicas por ordem do próprio Poder Judiciário do país helvético (o blog Tijolaço disponibilizou o arquivo). Não é novidade para ninguém que as batatas de Teixeira e Havelange vêm assando há bastante tempo, assim como é amplamente sabido que a Justiça suíça já os condenou por suborno – este, intermediado justamente pelo grupo ISL. No entanto, os documentos revelam algumas novidades e, principalmente, novas personagens de uma novela que, apesar de pouco noticiada, já vive seus últimos capítulos.

Abaixo, você pode ler os autos do processo contra Havelange e Teixeira na Justiça suíça.

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De volta ao Rio

Roberto Marinho ainda estava à frente da Globo em 1999, quando a FIFA negociou os direitos de transmissão dos Mundiais de 2002 e 2006.
Roberto Marinho ainda estava à frente da Globo em 1999, quando a FIFA negociou os direitos de transmissão dos Mundiais de 2002 e 2006.

Pouco menos de oito anos após a “Empresa 2” e a “Empresa 3” realizarem seus pagamentos à ISMM X1 AG para assegurar os direitos de transmissão das Copas de 2002 e 2006 no Brasil, o auditor fiscal Alberto Sodré Zile protocolou o auto de infração contra a Globo Comunicação e Participações. Segundo o documento, a Globopar teria disfarçado a compra dos direitos dos Mundiais, que sofreria tributação, “transformando-a” em investimentos em participações societárias no exterior. A grande curiosidade é que o dinheiro da Globopar foi investido numa empresa denominada Empire (“império”, em inglês) – coincidentemente, nas Ilhas Virgens britânicas, onde a ISL também opera.

Abaixo, os autos do processo contra a Globopar, disponibilizados pelo blog sujo O Cafezinho:

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Ora, já se sabe que as propinas comprovadamente recebidas por Teixeira e Havelange são frutos exatamente dos contratos de transmissão dos Mundiais de 2002 e 2006. E no Brasil, só uma emissora foi autorizada a televisionar tais eventos: a mesma que constituiu a empresa Empire nas Ilhas Virgens e, por isso, responde a um processo de sonegação fiscal – que mesmo extraviado, ainda está tramitando. Apesar da emissora já ter publicado nota alegando ter quitado os créditos fiscais em questão (assumindo, automaticamente, ter praticado o ilícito), a Receita continua declarando em seu sistema que o processo está “em trânsito”. Mas mesmo que os mais de R$ 900 milhões tivessem, de fato, sido pagos (ou melhor, devolvidos aos cofres públicos), isso não eximiria essa tal empresa do crime praticado contra o Fisco.

A única forma de esclarecer tudo, portanto, é mostrando aquele boleto extremamente familiar a todo brasileiro pagador de impostos: o Documento de Arrecadação de Receitas Federais, mais conhecido como DARF. Ao exibi-lo, no entanto, a emissora se colocará numa enorme sinuca de bico – mais precisamente, no epicentro de três processos que têm potencial para arranhar irreversivelmente sua credibilidade, já profundamente abalada por tantos episódios de desrespeito ao Brasil e ao seu povo. Enquanto ela mesma prefere fingir que nada está acontecendo e boa parte dos maiores veículos de mídia seguem a toada, os brasileiros seguem ganhando as ruas. E uma perguntinha singela, mas que não quer calar, preenche todos os requisitos necessários para entrar definitivamente na pauta dos tantos protestos espalhados pelo país: cadê o DARF, Globo?

Uma Copa de bola cheia

Brum
Brum

Romário chama os dirigentes da FIFA de “ladrões”

 

por María Martín / El País

 

O ex-jogador e deputado federal (PSB-RJ) Romário não se conteve e honrou seu papel de principal crítico da bilionária organização da Copa de 2014 no Brasil ao não poupar insultos e acusações contra a FIFA. Em uma entrevista nesta quarta-feira ao programa esportivo Bate-Bolada ESPN Brasil, Romário colocou na mira o presidente da entidade organizadora, Joseph Blatter e seu secretário-geral, Jérôme Valcke, aos quais dedicou palavras como “ladrões”, “filho da puta” e “chantagista”.

“Ele mesmo [Valcke] acabou de dizer que a Copa no Brasil pode ser uma das piores da história da FIFA. Esse cara vem aqui no país, manda, desmanda, fala, desfala, e todo mundo bate palmas. Esse cara é um dos maiores chantagistas do esporte mundial. Ele foi mandado embora, depois fez uma chantagem com o presidente da FIFA que é um ladrão corrupto, filho da puta…”.

Diante dos risos contidos dos comentaristas, Romário manteve o tom crítico contra a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e insinuou que está havendo corrupção na organização dos preparativos brasileiros para sediar o torneio. “A CBF tem dois ratos, o [presidente José Maria] Marin e o [candidato à presidente Marco Polo] Del Nero, e a FIFA tem dois ladrões”, afirmou Romário pelo telefone. “A FIFA têm dois ladrões conhecidos pelos brasileiros, que é o Blatter e o Jérôme Valcke. Os caras vão ficar bilionários com a Copa do Mundo e está tudo certo. E esse é o nosso governo, a nossa presidenta, os nossos secretários [estaduais], que também estão enriquecendo”, disse o melhor futebolista do mundo em 1994. [Esqueceu de citar os governadores, principalmente o de Pernambuco, que é candidato dele, Romário, a presidente]

Não é a primeira vez que o deputado desabafa contra os investimentos bilionários com dinheiro público que a organização do evento tem feito –o Brasil já gastou mais do que a Alemanha e a África do Sul juntas na construção de arenas para o torneio. Para concluir sua fala, Romário criticou o estado da Arena de Curitiba que, só depois de mais um investimento milionário, foi reconfirmada como sede da Copa no último dia 18 de fevereiro. “A gente já gastou um absurdo com a Copa do Mundo, e daqui para frente vai ficar mais absurdo ainda. Muitas dessas obras como, por exemplo, o Estádio do Atlético-Paranaense estão em fase emergencial. As licitações não devem ser mais daquelas formas burocráticas, para que o dinheiro entre. E uma coisa que custaria 20 vai custar 60”.

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Alpino
Alpino

A jogada de Romário

por Daniel Mazola
sérgio cabral chuva enchente
O deputado e ex-craque Romário (PSB/RJ), que tem sempre holofotes a seu favor, confirmou que vem candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro.
Vascaíno doente, Sérgio Cabral Filho, não gostou, ficou muito chateado, PT da vida com um dos seus maiores ídolos. Agora, Cabralzinho terá que dividir a bola dos votos com Romário, pela única vaga ao senado.
Agora, o atual desgovernador do Estado já sabe que é candidato a ficar sem emprego político, e pior (para ele), sem imunidade parlamentar, o que pode custar muito caro ao milionário político.
O atacante continua tirando o sono dos adversários em jogos decisivos, agora na política. Além de cabralzinho, quem deve ficar apavorado com a jogada política de Romário é o Pinóquio-carreirista Eduardo Paes.
O baixinho enxerga a jogada lá na frente. O verdadeiro lance de Romário não é o emprego de 8 anos no Senado. A eleição majoritária deste ano é apenas um treinamento para a disputa, daqui a dois anos, pela Prefeitura do Rio de Janeiro.
Romário aposta que consegue chegar facilmente ao Palácio da Cidade. Sua estratégia de campanha para 2016 já está em campo. Cabrazinho e Paes já sabem que correm o risco de levar o maior drible político de suas carreiras, nas duas próximas disputas contra o consagrado craque do futebol. Torcedores-eleitores e holofotes não faltarão.

Romário: “Eu gosto de mulher”

Thalita-Zampirolli rosto

Thalita-Zampirolli2

A notícia não é nova. Mas voltou a circular na internet. No dia 12 dezembro último, o deputado federal Romário foi flagrado deixando uma boate no Rio de Janeiro na companhia de uma bela morena. “O Dia” revelou que a beldade, que atende pelo nome de Thalita Zampirolli, e tem 24 anos, é uma transexual – ela fez a mudança de sexo quando tinha 18 anos, em São Paulo.

A notícia teve repercussão internacional.

 Capa do jornal Qhubo, de Cartagena, Colômbia
Capa do jornal Qhubo, de Cartagena, Colômbia

Publicou Super Notícias: Depois que Romário escreveu em uma rede social “respeito o gosto pessoal de qualquer pessoa, mas volto a afirmar: eu gosto de mulher”, a transexual Thalita Zampirolli rebateu em alta categoria. “Sou uma mulher, tenho órgão genital feminino e documentos como mulher. Se ele (Romário) disse que gosta de mulher, eu sei! Sou uma mulher, tanto que ele saiu comigo”, disse ela ao jornal “Extra”. Sobre ter ficado com o baixinho, ela se esquivou: “Não vou falar disso. Romário é uma pessoa maravilhosa, um amigo. Não vou ficar entrando em detalhes”, finalizou. Ainda em uma rede social, Romário satirizou as notícias envolvendo seu nome e o de Thalita. “Vamos acompanhar para ver com quantos capítulos essa novela terminará e, o mais importante, como terminará. Com certeza, galera, casamento não vai rolar”, disparou o deputado federal.

O amor não tem limitações
O amor não tem limitações
Romário e Thalita na noite do Rio
Romário e Thalita na noite do Rio
Thalita antes e depois
Thalita antes e depois

Conheça o verdadeiro Romário: o homem, não o jogador ou o politico

por Antonio Santos Aquino

romario

Romário só teve na vida um mérito: saber jogar futebol. Como cidadão, é da pior espécie. Primeiro jogou um “maracanã” de dinheiro fora por burrice e mau caratismo. Fazia qualquer tipo de negócio só para mostrar-se como empresário. Em tudo quebrava a cara.

Inaugurou um lava-jato e arranjou uma confusão com o vizinho causando-lhe prejuízo. Não quis pagar quantia irrisória, foi processado e condenado, tendo que pagar uma indenização enorme. Inaugurou um restaurante para receber a melhor freguesia. Deu com os “burros n’água”, mas para revitalizar seu restaurante mandou pintar caricaturas de Zico e Zagalo “sentados no vaso cagando”. Foi processado e condenado a pagar uma fábula em dinheiro. Depois, com a maior cara de madeira foi pedir a Zagalo e Zico que o dispensassem do pagamento.

Comprou uma cobertura por 7 milhões que em pouco tempo passou a vazar água para o apartamento de baixo. O proprietário pediu que mandasse fazer o reparo para conter a infiltração. Romário por mau caratismo criou caso, dizendo que não ia pagar. Resultado: foi processado e depois de anos teve que vender a cobertura para pagar uma grana impressionante ao vizinho prejudicado .

Depois aparece nos jornais que ele deixara de pagar a mesada para sua ex-mulher e a mesada do filho Romarinho , ficou quase um ano sem pagar, causando um constrangimento enorme para família.

ESPANCAMENTO

Fez um contrato para jogar no Fluminense, já não fazia mais nada dentro do campo e passou a ser vaiado nos treinos pela torcida. Em um dia de treino levou um bando de seguranças que no primeiro sinal de vaia espancaram aquele visado por Romário, que também saiu de campo e ajudou a espancar o torcedor. Isso registrado para todo o Brasil pela TV que cobria o treino.

Depois clandestinamente “bancou uma tal pirâmide”, tendo dado prejuízos enormes aos que nele confiaram. O maior prejudicado, depois de ver que fora lesado e encontrando Romário e seu laranja, deu-lhes uma série de bofetões. Coincidentemente, alguns meses depois a pessoa foi assassinada a tiros. O laranja de Romário foi preso e condenado, não está claro por quê. O certo é que depois de passar meses sem receber ajuda financeira, o laranja preso, no jornal “Extra” berrou: Eu não vou segurar essa parada sozinho! Possivelmente Romário entendeu.

É esse pilantra que entrou na política e quer ser prefeito, senador, presidente de partido. E o povo brasileiro continua pastando na pradaria humana e endeusando uma figura dessas.

Romário

(Transcrito da Tribuna da Imprensa)

Pobres y “torcedores” se convierten en las grandes víctimas de los preparativos del Mundial y las Olimpiadas en Brasil

Por José Manuel Rambia

 Sergei Tunin
Sergei Tunin

La FIFA quiere consumidores

La propia FIFA es responsable en gran medida de esta visión economicista. Curiosamente fue un brasileño, João Havelange, quien con su llegada a la presidencia de la organización allá por 1974, sentó las bases de esta concepción empresarial y mercantilista del fútbol al vincular las competiciones con el patrocinio de grandes firmas como Adidas o Coca Cola y al transformar los derechos de televisión en una de las claves del negocio. El  modelo fue consolidado por su sucesor y actual presidente, Joseph Blatter. Modelo que ha despertado no pocas voces críticas en Brasil durante los últimos meses. Una de ellas es la del ex futbolista y actual diputado por el Partido Socialista de Brasil, Romário da Souza Faria“Brasil será entregado a una FIFA que se va a llevar más de 3.000 millones de reales y no va a pagar ni mil”, denunciaba en una entrevista al diario O Globo. El veterano deportista también  denunciaba la exclusión de las capas medias y populares de un Mundial que solo podría ser disfrutado por una minoría de extranjeros y miembros de las clases altas brasileñas, al tiempo que rechazaba las imposiciones de la FIFA. “Brasil no puede darse a cambio de una Copa”, señalaba.

Quizá la mayor paradoja de todo ello sea que entre las numerosas  víctimas colaterales del modelo FIFA se encuentre el propio fútbol y especialmente, la forma en que el aficionado brasileño vivía la torcidaComo destaca el antropólogo Marcos Alvito, el objetivo es transformar al torcedor en consumidor, al tiempo que se impone en los estadios la misma vigilancia panóptica que se promueve en las calles. “Las autoridades intentan garantizar un fútbol ‘higienizado’, un producto televisivo no perturbado por ningún disturbio, donde la torciday sus manifestaciones más extremas aparecen como aquello que en teoría de la comunicación se llama ruido”, señala este profesor de Historia en la Universidad Federal Fluminense y uno de los fundadores de la Asociación Nacional de Torcedores.

Alvito insiste en cómo, con la excusa de la violencia en los estadios, “han sido tomadas una serie de medidas de control y monitorización de todos los torcedores”. En este sentido, el  también antropólogo Antonio Holzmeister recogía en su cuaderno de campo el impacto de estas prácticas a propósito de su experiencia durante un partido entre el Atlético Paranense y el Paraná. “Lo que más me impresionó fue cuando un jugador del Paraná lanzó el balón a la grada, que fue rápidamente escondido por un torcedor atlético debajo de su camisa. Poco después escucho en los altavoces: ’Torcedor atlético que viste la camiseta número 23, usted está siendo filmado, devuelva la pelota inmediatamente o será expulsado del estadio’. Intimidación rápidamente obedecida por el aficionado”.

Pero sobre todo, el torcedor brasileño ve como paulatinamente las normas de la FIFA le impiden buena parte de sus manifestaciones más particulares como las bandas de música, los grupos de percusión, las coreografías, las bengalas, el baile de banderas, los gigantescos bandeirões capaces de ocultar toda una grada, o simplemente, seguir en pie el partido. En buena medida eso se ha debido a los cambios introducidos en los estadios que tienden a una drástica reducción de su capacidad, especialmente de las localidades más baratas. Maracanã vuelve a ser ejemplificador. Inaugurado como el mayor estadio del mundo con una capacidad oficial para 155.000 personas, llegó a acoger a más de 200.000 espectadores en la mítica final de la Copa de 1950 donde Brasil cayó derrotado tras una remontada de la selección uruguaya. El 80% de aquel aforo estaba destinado para las entradas más baratas. Ahora, el nuevo Maracanã ha limitado su capacidad a unas 78.000 plazas, todas sentadas y acolchadas, que incluyen el palco de autoridades y de prensa, así como unos 12.750 asientos VIP distribuidos entre 10.000 asientos Premium y 110 palcos privados de 80 metros cuadrados cada uno y aforo para 25 personas.

Todo ello ha ocasionado un incremento desorbitado del precio de las entradas que, a su vez, aleja a las capas populares de los estadios. Según un estudio realizado por la consultora Pluri, el coste de las entradas de fútbol en Brasil ha subido un 300% en la última década, pasando de los 9,50 reales de media que costaban en 2003 a los 38 que se paga en la actualidad. Este encarecimiento es muy superior tanto a la inflación del 73% acumulada durante ese mismo periodo, como a la revalorización del 37% experimentado por la renta media del trabajador que, según el estudio, se sitúa hoy en unos 1.955 reales (754 euros).

Brasil parece así desandar el camino recorrido en los inicios del pasado siglo, que le llevó hasta convertir el fútbol en una de sus principales señas de identidad. Si a finales del siglo XIX el balompié llegó al país en las aristocráticas maletas de jóvenes que, como Charles Miller u Oscar Cox, regresaban de estudiar en Inglaterra, las primeras décadas del siglo XX fueron el escenario de un auténtico conflicto social por la democratización del deporte. Mientras la élite social defendía un modelo que expulsaba de los campos y las competiciones de prestigio a los negros y los trabajadores, estos por su cuenta inventaban en las calles ese juego creativo e imaginativo que acabaría caracterizando al fútbol brasileño. Será en los años 20 y 30 cuando la paulatina profesionalización del fútbol permitió la irrupción de jugadores negros y de las clases populares, mientras el nuevo sistema de venta de entradas lo transformaba en un espectáculo de masas rescatándolo de los clubes privados de la burguesía blanca. Paralelamente, fue tomando cuerpo una manera de vivir la afición que al entroncar con el espíritu de rebeldía juvenil de los años 70, acabó hallando su máxima expresión en la torcida organizada.

Hoy la globalización ha convertido a Brasil en un exportador nato de jugadores al precio de vaciar sus clubs de las grandes figuras sobre las que se asentaba la afición. Así, al pasear por las calles brasileñas es casi más fácil tropezarse con aficionados vistiendo camisetas del FC Barcelona, el Real Madrid o cualquier otro equipo europeo donde juegue alguna de las figuras brasileñas, que con torcedores luciendo los colores del Corinthians, el Fluminense o el Vasco de Gama. Ahora las restricciones impuestas por la FIFA amenazan con dar el tiro de gracia a una forma de vivir el fútbol que, con todas las contradicciones sociales y políticas que caracterizaron su historia, se convirtió en seña de identidad de un país. Un golpe final que llega con el implacable tsunami del Mundial y sus secuelas de especulación inmobiliaria, mercantilización y exclusión social justificadas en nombre del mayor espectáculo del mundo.

Martirena
Martirena

Reforma do Maracanã: “Já está em R$ 1 bilhão e daqui a pouco vai chegar no segundo bi”

Romário ataca Marin, CBF e Fifa. É um gol atrás do outro.

Ana Carla Gomes e Vitor Machado (O Dia)

Romário e Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, morto pelo regime militar, entregaram, na sede da CBF, a petição “Fora Marin!”. O suposto envolvimento do presidente da entidade é só um dos muitos pontos atacados pelodeputado federal em entrevista ao ‘Ataque’. Refinado com a bola nos pés quando jogador, o ex-atacante entra de sola nos gastos com estádios para a Copa de 2014 e afirma que a reforma do Maracanã é “um assalto aos cofres públicos”. Herói do tetra em 1994, o Baixinho garante que a Seleção não teria chance de título se o Mundial fosse hoje.

 A CPI está na fila…

Qual a sua opinião sobre a reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014?

Romário: Essa reforma é um assalto aos cofres públicos. Os responsáveis, na verdade, se for fazer uma auditoria, vão ter que ir presos. É sacanagem o que estão fazendo com o dinheiro público e o Maracanã. Não precisava ter gasto metade do que se gastou. E o pior não é isso. Já está em R$ 1 bilhão e daqui a pouco vai chegar no segundo bi. Vai ser pior, porque vão dizer que essa obra era para a Copa das Confederações e vão recomeçar para a Copa do Mundo.

Por ter mantido a atitude contestadora da época de jogador, você sente que incomoda?

Incomodo principalmente aqueles que não têm uma postura correta. Quando a gente fala do Maracanã, os caras que estão metendo a mão no nosso dinheiro, ao lerem essa entrevista, com certeza vão ficar incomodados. Mas fazer o quê? Eu, quando não podia falar, já falava. Hoje que eu posso, continuo falando. Não vou mudar a minha personalidade. Caráter você só tem um. Se fui colocado lá em Brasília por 450 mil pessoas, foi para representar essa galera. Se incomodo, f…, não posso fazer nada.

Sobre os preparativos para a Copa do Mundo, qual é a sua avaliação?

Está havendo um gasto desnecessário nos estádios. A previsão era de gastar R$ 2,5 bilhões e, a um ano e pouco para a Copa, já chegaram a R$ 7,7 bilhões. Um dinheiro jogado fora. Quatro estádios não terão vida em relação ao futebol: Natal, Mato Grosso, Brasília e Manaus. Pode ter certeza que pouquíssimas vezes haverá jogos para encher esses estádios. Esperamos que eles possam colocar isso na mão de uma empresa, iniciativa privada, para que possam dar lucro. Para os outros oito estádios há grandes competições e times no estado que são suficientes para enchê-los. Mas são gastos que se colocados na saúde e principalmente na educação seriam muito mais eficientes para o País. O Brasil está deixando (de lado) coisas mais importantes. Isso é muito ruim.

E a CPI da CBF? Você protocolou no final de 2012 o pedido na Câmara…

Já coletei as assinaturas. Ela está numa fila. E na verdade essa CPI não tem a ver só com os gastos. Tem a ver com o histórico da CBF nos últimos dez anos. Do presidente anterior (Ricardo Teixeira) e do atual (José Maria Marin). A cada dia a gente vê as notícias, gravações de que o cara (Marin) é uma pessoa que está longe de ser o (o que se espera de um) presidente de uma entidade como a CBF. Infelizmente a gente está por enquanto aturando isso aí. Creio que já passou do tempo de haver uma intervenção por parte do Ministério Público, do Governo Federal, da Polícia Federal na CBF porque está cada vez pior.

Como está a CBF sob o comando de Marin e do vice Marco Polo del Nero?

A CBF, hoje, quem comanda é um cartel. Eles estão enriquecendo ilicitamente. Não com dinheiro público, mas com dinheiro que não é de direito deles. E nada acontece. As autoridades que são competentes não tomam uma iniciativa, uma decisão. Estão roubando a torto e a direito, e é isso, o futebol do Brasil sendo desrespeitado, desqualificado. Todo mundo diz que a CBF é uma empresa privada. Até é. Mas deixa de pagar os impostos, usa nosso hino, nossas cores, nossa bandeira, nossos jogadores, e os caras aí, fazendo tramoia, trapaça, sacanagem, roubo, tudo com o nome da CBF e do futebol brasileiro. Inclusive não só a CBF como o COL também, né? E vamos ver até quando essa desmoralização vai no nosso futebol. Um cara (Marin) que participou da ditadura, que segundo algumas denúncias, matérias que a gente lê, pode até ter participado direta ou indiretamente de alguns assassinatos. Como pode ele sentar ao lado da nossa presidenta (Dilma Roussef), que montou a comissão da verdade, sofreu na ditadura e foi contra tudo isso que o cara fez lá atrás, numa competição como a Copa das Confederações ou a Copa do Mundo? Para o País não é positivo.

Ir à Fifa é uma solução?

A Fifa é outra instituição corrupta. Ela vem arrumar R$ 2 bilhões, R$ 3 bilhões e vai embora, não vai deixar legado algum. Vai levar o nosso dinheiro e está tudo certo. A Fifa, o COL, a CBF, meu irmão, só vai mudar o nome dos que comandam. As atitudes são as mesmas.

O Brasil tem time para ganhar a Copa?

Hoje o Brasil não tem time para ganhar nada. Mas tem tempo. Futebol, em um ano você pode mudar muita coisa. Principalmente porque as pessoas respeitam a comissão técnica nova, os jogadores veem que são os dois últimos campeões do mundo. Eu acredito que Parreira e Felipão possam ajudar a Seleção. Empatar com a Itália, que é uma das grandes seleções, em se tratando do momento do futebol do Brasil, foi bastante positivo. Mas ainda há muito a se fazer. Se fosse hoje, o Brasil com certeza não teria condição de ganhar. Mas não é hoje. Ainda bem.

O Neymar pode ser em 2014 o Romário de 1994?

O Neymar pode ajudar o Brasil a ser campeão, mas fazer o que o Romário fez em 1994, eu acho que é distante, difícil. É o que o Pelé fez nas suas Copas, o que o Maradona fez na Copa que a Argentina foi bicampeã mundial…

 

Romário pediu às autoridades para investigar uma possível conexão entre o chefe CBF e da misteriosa morte de Herzog

O ex-atacante Romário  pediu às autoridades para investigar uma possível conexão entre o chefe da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da misteriosa morte de um jornalista de TV há 38 anos.

Romário
Romário

Romário, que agora é deputado federal, pediu aos membros da Comissão do Brasil Verdade investigar abusos durante a ditadura militar do país de 1964-1985, e a entregar qualquer informação que pode ter sobre José Maria Marin, 80.

Marin, que serviu como governador do Estado de São Paulo, durante a ditadura, fez um discurso controverso, em 1975, apelando às autoridades para investigar alegações de que esquerdistas radicais estavam infiltrados na estação TV Cultura.

Marin
Marin

No discurso, vagamente formulada Marin, chamado de ações para assegurar que “retorne a calma para as casas dos paulistanos”, como os moradores da cidade de São Paulo são conhecidos.

“Eu não sei o que ação ele tinha em mente”, disse Romário, em um discurso no Congresso na quinta-feira. “O que eu sei, e o que todos nós sabemos, é que no dia 24 de outubro Vladimir Herzog, chefe de jornalismo da TV Cultura, foi chamado (pela polícia), e foi encontrado morto em sua cela no dia seguinte.”

Autoridades militares disseram que Herzog se enforcou.

Former Brazil striker Romario has called on authorities to investigate a possible connection between the head of the Brazilian Football Confederation (CBF) and the mysterious death of a TV journalist 38 years ago.

Romario, who is now an outspoken federal congressman, asked members of Brazil’s Truth Commission investigating abuses during the country’s military dictatorship of 1964-1985 to turn over any information it may have on Jose Maria Marin, 80.

Marin, who served as governor of Sao Paulo state during the dictatorship, gave a controversial address in 1975 calling on authorities to look into claims that radical leftists had infiltrated television station TV Cultura.

In the vaguely worded speech Marin called for action to ensure that “calm returns to the homes of Paulistanos,” as residents of the city of Sao Paulo are known.

“I don’t know what action he had in mind,” Romario said in a speech in Congress on Thursday. “What I do know, and what we all know, is that on the 24th of that October, Vladimir Herzog, the head of journalism at TV Cultura, was called in (by police) and was found dead in his cell the next day.”

Herzog
Herzog

Military officials said Herzog hanged himself. His supporters said Herzog was tortured and killed and the scene was staged.

The Truth Commission on Friday symbolically gave Herzog’s family a revised death certificate correcting the cause of death from asphyxiation to “mistreatment in police custody.”

The commission’s president said he could not comment on Romario’s statement because he did not yet have a formal request for assistance.

A spokesman for Marin did not return calls seeking comment on Romario’s statement.

The CBF, however, hit back angrily at the allegations on its website, calling them a “clumsy campaign designed to destabilize (Marin’s) performance as the head of the CBF.”

The confederation replaced its usual front page images of footballers with a plain black background emblazoned with the words “Debunking an Untruth” written in white.

Romario proposed a public hearing to debate the subject of “football and the dictatorship” and cited several players, including former Brazil captain Socrates, who suffered at the hands of the right-wing dictatorship.

“The suspicions against the president of the CBF are serious and embarrassing,” Romario said. “We, athletes and former athletes, are highly uncomfortable with this kind of situation, principally at a time when Brazil is open to the world as it prepares to host mega sporting events.”

Brazil will host the World Cup next year and the Olympic Games in Rio de Janeiro two years later.

Romario’s criticism puts additional pressure on Marin, who is already in an uncomfortable spotlight for the CBF’s haphazard preparations for the World Cup and the Brazilian national team’s disappointing recent performances. (Transcrito do Buenos Aires Herald)

 

Copa do Mundo já chegou nos 40 bilhões de reais

Deputado Romário sobre a Copa do Mundo: “Vão erguer uns puxadinhos aqui, fazer umas maquiagens ali. Tudo mais caro do que deveria por causa da pressa. Muita gente se beneficiará disso. Pode escrever.

Vai chover obra emergencial sem licitação e a corrupção vai correr solta”. Março de 2012.

Noutra entrevista: “A Copa do Mundo vai chegar a R$ 100 bilhões. O valor de todas as obras para a Copa do Mundo vai chegar a R$ 100 bilhões. Pode escrever o que eu estou te falando hoje. Aí eu pergunto: um país que vai gastar R$ 100 bilhões em um evento como a Copa não poderia gastar ao menos 20% desse dinheiro, o que seria viável, e colocar nos nossos hospitais públicos, nas nossas escolas, em instituições como Apae e Associação Pestalozzi, que precisam? Não precisava nem ser 20%. Com 10% desses R$ 100 bilhões você resolve, talvez, 80% dos problemas dessas áreas em cada Estado”. Junho de 2011.

Quando Romário falou em 100 bilhões todos governadores e o ministro dos Esportes desmentiram. Para o Senado, já chegou nos R$ 40 bilhões. Estamos longe de 2014, e perto dos R$ 100 bilhões previstos por Ronaldo. Eta país sem pudor. Sem povo nas ruas.

copadomundo despejo

Escreve Vinícius Segalla: “O custo da Copa do Mundo no Brasil será maior do que a soma do total investido nas últimas três edições do evento, no Japão, Coreia, Alemanha e África do Sul. Além disso, se os orçamentos das obras dos estádios e de infraestrutura urbana e de transporte continuarem a ser reajustados para cima no ritmo atual, a Copa do Mundo do Brasil terminará custando mais do que todas as outras juntas.

A conclusão vem de um estudo da Consultoria Legislativa do Senado Federal. A análise compara as cifras investidas pelos países-sedes em todas as intervenções que levaram a rubrica de “obra da Copa” dada pelos comitês organizadores. Segundo o consultor do Senado Alexandre Guimarães, que ancorou seus cálculos em estudos feitos por institutos econômicos internacionais, as copas do mundo de Japão e Coreia (2002), Alemanha (2006) e África do Sul (2010) consumiram, juntas, US$ 30 bilhões (US$ 16 bilhões, US$ 6 bilhões e US$ 8 bilhões, respectivamente), enquanto todas as Copas da história juntas teriam consumido US$ 75 bilhões.  No Brasil, afirma Guimarães, os gastos atuais, segundo as autoridades de governo e empreiteras envolvidas nas obras somam US$ 40 bilhões.

Trata-se de uma previsão conservadora, baseada no que se espera consumir de recursos em obras que, em muitos casos, ainda nem começaram. Tais projetos costumam ser concluídos com gastos finais muito superiores aos previstos no início da empreitada. Nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro de 2007, por exemplo, o custo final foi dez vezes superior ao calculado no início das obras. Leia mais