Mariana tem 90% dos seus 25 templos católicos em risco

A dinheirama do Ministério, secretarias estaduais e municipais da Cultura vira lama podre nos patrocínios de embalos de artistas superfaturados nos finais de semana, principalmente neste ano de eleições, que promovem os shows comícios eleitorais dos prefeitos. Ou em eventos que divulgam a cultura estrangeira como o Rock in Rio. Clique nas tags, que denuncio essa cachoeira de dinheiro desviado dos cofres públicos. Várias gangues atuam na indústria e no comércio da cultura, um negócio rendoso para os corruptos que pousam de Mecenas.

Cidade que pleiteia reconhecimento mundial pela Unesco, mas os patrimônio está doente. O segundo templo mais visitado, de São Francisco de Assis, está interditado

por Gustavo Werneck 

Do lado de fora, a Igreja do Rosário, no distrito de Padre Viegas, tem fachada encardida e com plantas
Do lado de fora, a Igreja do Rosário, no distrito de Padre Viegas, tem fachada encardida e com plantas


Mariana – A primeira cidade e capital de Minas não consegue mais ocultar as chagas do seu patrimônio barroco. Muito menos curá-las. Igrejas de quase 300 anos, na sede e distritos, estão com rachaduras profundas para desespero dos fiéis, casarões correm risco de desabamento afugentando visitantes, o coreto da praça sofreu interdição e um ato de vandalismo destruiu uma luminária histórica bem diante da Catedral da Sé. Os problemas só deixam mais distante o tão sonhado título de Patrimônio da Humanidade, ainda não concedido pela Unesco a Mariana, que entrou com processo em 2007 reivindicando o reconhecimento mundial dado em Minas a Ouro Preto, Diamantina e ao Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas. A dimensão dos estragos na cidade pode ser mensurada: o departamento de Patrimônio da Prefeitura estima que 90% dos 25 templos católicos históricos sofrem algum tipo de ameaça.

Para piorar, o município esteve prestes a devolver, este mês, cerca de R$ 3 milhões referentes a recursos do antigo Programa Monumenta, administrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Ministério da Cultura, por falta de prestação de contas e projetos não executados no período de 2004 a 2010. O caso está sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) e o dinheiro daria, conforme especialistas, para salvar pelo menos duas igrejas dos tempos coloniais e ícones das Gerais. Leia mais 

3 – Rock in Rio. Começa amanhã, em Lisboa, para acabar com o en-fado do samba (vídeos)

Cartaz de publicidade paga. Com dinheiro do governo brasileiro?
Cartaz de publicidade paga. Com dinheiro do governo brasileiro?

A quarta edição do Rock in Rio Lisboa começa amanhã. A versão deste ano inclui artistas como Bruce Springsteen, Metallica, Smashing Pumpkins, Linkin Park, Lenny Kravitz, Maroon 5, Xutos & Pontapés e James.

O in Lisboa contará com três palcos principais de concertos – Palco Mundo, Palco Sunset – parcerias inéditas entre vários artistas, o espaço da música eletrônica e, pela primeira vez, os espaços Street Dance e a Rock Street, uma zona do recinto onde se recriará uma rua da cidade norte-americana de Nova Orleães.

O festival termina no dia 2 com Stevie Wonder, o cabeça-de-cartaz, e o canadiano Bryan Adams, a cantora britânica Joss Stone e os portugueses The Gift.

Rock Lisboa contra o en-fado 

do samba brasileiro

Eike Batista, um dos donos do festival, declarou que o Rock in Rio é “benéfico” para o Brasil. Benéfico em quê?
O deputado federal Anthony Garotinho denunciou que os governos do Estado e Capital do Rio de Janeiro estão investindo no evento.
Que a denúncia seja devidamente investigada. Isso é roubo. E crime maior contra o patrimônio cultural brasileiro. Faz parte da campanha de venda do “Rio capital do rock”, quando a cidade era conhecida como “Rio Capital do Samba”.  Conheça a

Simbologia e significação no samba. 

Leia ensaio de Luiz Fernando Nascimento de Lima (Universidade de Helsinque, Finlândia). Clique aqui 

Terá palco dedicado à street dance
Street dance, um espaço inspirado na cidade de Nova Iorque, terá uma “dance crew” residente, que não só dará espetáculos diários como ensinará alguns passos de dança ao público do festival. Aprenda 
Vai recriar Rua do Rock de Nova Orleães
Rua do Rock ou a ‘Rock Street’
Rua do Rock ou a ‘Rock Street’

A rua compreende 20 casas típicas de Nova Orleães que foram recriadas e que vão fazer parte do festival.

Música, cenário, tudo que lembre a “cultura” do Rio de Janeiro, afirmam Medina, Eike e a tv Globo.

Veja o vídeo promocional pago, divulgado nos últimos cem dias, na tv portuguesa. Isso chamam de promover o Brasil.

Idem vídeo apresentado hoje, em Lisboa, com a participação dos principais artistas. Eles cantam a música do “Rio capital do rock” na língua oficial do evento.

(Continua)

2 – Rock in Rio. Dinheiro dos brasileiros para promover música estrangeira. E a Cultura brasileira no lixo, desprotegida

Samba, por Portinari
Samba, por Portinari

O Rock in Rio foi uma armação da ditadura militar para acabar com a Cultura brasileira.

Qualquer investimento dos governos da União, estadual e municipal do Rio de Janeiro é roubo, uma bandidagem que deve ser investigada, inclusive, como maquiavélico boicote contra a Cultura nacional.

Que fiquem atentos os Tribunais de Contas, e demais  autoridades que reprimem os crimes de colarinho branco, eufemismo para abafo, furto, rapina, desvio do dinheiro público.

Que fiquem avisados os Ministérios da Cultura e Turismo, e os governos corruptos do Rio de Janeiro.

Samba, por Di Cavalcanti
Samba, por Di Cavalcanti

Escreve o deputado Anthony Garotinho:

“O empresário Eike Batista é um homem de visão, não é à toa que é o oitavo mais rico do mundo e o nº 1 do Brasil. Até eu se atuasse nessa área de shows musicais e tivesse dinheiro iria querer comprar uma fatia do Rock in Rio. Que o evento é de alto nível ninguém discute”.

O deputado Garotinho embarcou na propaganda da Globo: O rock não é um “evento  de alto nível”. Desde o seu começo, no governo de Figueiredo, foi marcado por todo tipo de rapinagem, inclusive pela grilagem de terra. É uma história suja que vou relembrar.

Nem o governo dos Estados Unidos patrocinaria uma baixaria tipo Rock in Nova Iorque, ou em qualquer outra cidade nas terras do Tio Sam. Em terra alheia, sim.

Lá, nos Estados Unidos, que o mercado da música cuide dos seus próprios negócios. Idem os bilionários artistas do rock e riquíssimas gravadoras.

Dinheiro dos Estados Unidos é para promover a cultura estadunidense. Nada mais natural e óbvio. Inclusive em países  já dependentes ou para ser conquistados.

Roda de Samba, por Carybé
Roda de Samba, por Carybé

Importante assinalar que o deputado Garotinho fez oportuna denúncia que nossa grande imprensa vai esconder:

 “Mas as benesses que recebe dos governos Cabral e Paes transformaram o Rock in Rio no evento musical com maior lucratividade do mundo, muito acima de qualquer outro.

Senão vejamos, são grandes patrocinadores, ingressos caros, uma gama imensa de produtos vendidos com a marca Rock in Rio, direitos de imagem e por aí vai. Bem, mas isso grandes eventos na Europa e nos Estados Unidos também conseguem. O diferencial que não acontece lá fora é que aqui o Rock in Rio recebe milhões de isenções fiscais, além de patrocínios milionários pagos em dinheiro pelo governo do Estado e pela prefeitura do Rio. E como se não bastasse, o prefeito Eduardo Paes cede o espaço gratuitamente, o Parque dos Atletas, além da Guarda Municipal e a COMLURB para trabalharem no espaço interno, também de graça, enquanto Cabral libera a PM para fazer a segurança interna sem cobrar um tostão.

E é bom não esquecer que a pretexto de divulgar o Rio no exterior, Cabral e Paes também pagam patrocínios milionários para as edições do Rock in Rio em outros países, como aconteceu em Lisboa e Madri

Com tantas vantagens bancadas pelo dinheiro público tem negócio melhor?”

Realmente é mais do que um grande negócio. É uma negociata safada. De bandidos.

A denúncia do deputado Garotinho escancara uma danação de crimes, e o mais danoso deles é contra o  patrimônio cultural. Existe isso?

Ensina a Wikipédia:

Património  cultural é o conjunto de todos os bens, materiais ou imateriais, que, pelo seu valor próprio, devem ser considerados de interesse relevante para a permanência e a identidade da cultura de um povo.

O patrimônio é a nossa herança do passado, com que vivemos hoje, e que passamos às gerações vindouras.

Do património cultural fazem parte bens imóveis tais como igrejas, casas, praças, conjuntos urbanos, e ainda locais dotados de expressivo valor para a história, a arqueologia, a paleontologia e a ciência em geral. Nos bens móveis incluem-se, por exemplo, pinturas, esculturas e artesanato. Nos bens imateriais considera-se a literatura, a música, o folclore, a linguagem e os costumes.

Tudo que se faz contra o samba é danoso para a nossa História, música, folclore, linguagem e costumes. Isso vou demonstrar.

PRIMEIRA SACANAGEM

Com o Rock in Rio criaram a bastarda e antinacionalista denominação “Rio Capital do Rock”, para substituir  o brasileiríssimo e carioca “Rio Capital do Samba”.

(Continua)