Por que a justiça do Rio Grande do Norte é diferente da de São Paulo na hora de cassar governador?

Governadora Rosalba Ciarlini, do Rio Grande Norte, foi cassada no dia 10 último, por abuso de poder político e econômico durante a campanha municipal de 2012. A Corte também tornou Rosalba inelegível.

Que fez Rosalba? Usou o avião do governo para participar da campanha eleitoral de sua candidata a prefeito em Mossoró.

Campanha municipal termina em cassação. E campanha estadual? Eis o exemplo do governador de São Paulo:

BRA_FDSP alckmin propaganda

Rosalba não gastou nem um por cento do derrame de Alckmin.

Veja para onde irá a água do rio São Francisco após a conclusão da transposição

ÓRFÃOS DA SECA

por Mauri König

1 seca

Em Salgueiro (PE), água bombeada do reservatório passará 180 metros acima do leito do São Francisco e dali a força da gravidade vai distribuí-la para 4 estados. Alexandre Mazzo
Em Salgueiro (PE), água bombeada do reservatório passará 180 metros acima do leito do São Francisco e dali a força da gravidade vai distribuí-la para 4 estados. Alexandre Mazzo

A RESPONSABILIDADE DO VELHO CHICO

Metade da transposição do rio São Francisco está pronta, para socorrer os flagelados da seca. Vozes contrárias acham o projeto inócuo

Esvaído em seu leito minguado, ao Velho Chico caberá uma responsabilidade maior do que as riquezas dele subtraídas. A mata ciliar escasseou, os minerais sumiram, os peixes desapareceram, e ainda assim as águas amansadas pelo assoreamento terão a missão de aplacar a sede no sertão nordestino. A transposição do rio São Francisco, que transpôs governos desde d. Pedro II, há século e meio, tem conclusão prevista para 2015. É o grande orgulho do governo brasileiro no combate às secas que assolam o semiárido, mas há quem diga ser uma sangria desnecessária do Velho Chico.

INFOGRÁFICO: Veja para onde irá a água do rio São Francisco após a conclusão da transposição

FOTOS: Confira mais imagens das obras da transposição

Maior obra de infraestrutura em andamento no Brasil, a transposição se arrasta há cinco anos. Deveria ter sido concluída em 2012, mas só 45% estão prontos, em trechos que não se conectam. Em alguns deles as obras estão paradas. O projeto começou orçado em R$ 4,7 bilhões e está em R$ 8,2 bilhões. O Tribunal de Contas da União encontrou R$ 734 milhões em irregularidades. O rio corta o sertão de Minas Gerais a Alagoas, e, concluída a transposição, 600 quilômetros em canais de concreto vão levar a água para quatro estados, passando pelas regiões mais secas do Brasil.

Discrepâncias

Responsável pela transposição, o Ministério da Integração Nacional diz ter havido muita discrepância entre o projeto básico, concluído em 2001, e o projeto executivo realizado em campo. Não houve revisão ou atualização no início das obras, em 2007. Ao mesmo tempo, houve falhas no estudo geológico. Daria para ter desviado pedreiras, que encarecem a obra, ou ter evitado determinadas escavações em terreno macio, como no caso do desabamento de um túnel de 120 metros em abril de 2011. Para o ministério, esses contratempos retardaram e encareceram a obra.

Um dos pontos mais adiantados do projeto fica em Salgueiro, Pernambuco, onde está sendo construído um grande reservatório de onde a água será bombeada para o ponto mais alto da transposição. A água passará 180 metros acima do leito do São Francisco e dali para frente a força da gravidade vai fazê-la percorrer mais de 100 quilômetros, distribuindo-a por canais de concreto em dois grandes eixos (norte e leste) ao longo do território de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Ao longo do caminho, o projeto prevê a construção de nove estações de bombeamento de água.

A polêmica nasceu junto com a ideia da transposição. Para grupos contrários, o desvio das águas põe o rio em perigo, não resolve o problema da seca e só beneficiará o grande capital, em especial os carcinicultores (criadores de camarão), industriais e empreiteiras. O professor de recursos hídricos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, João Abner Guimarães Júnior, considera um erro apostar num programa de desenvolvimento regional a partir da transposição do São Francisco. “É um programa inócuo”, avalia Abner, doutor em hidráulica e saneamento pela Universidade de São Paulo.

Primeiro, a transposição terá alcance restrito, a área de influência chega a apenas 5% do semiárido. Segundo, na prática a obra só irá transferir estoques de água do rio para grandes reservatórios já abastecidos. Para o agrônomo e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco João Suassuna, grandes obras não darão cabo do sofrimento imposto pela estiagem. O problema não é a falta de água, mas a má distribuição.

O governo entre obras e ações emergenciais

Além do projeto de transposição do rio São Francisco, que ambiciona levar água para 12 milhões de pessoas em quatro estados do Nordeste, o governo federal, junto com os governos estaduais, financia centenas de empreendimentos que buscam gerar soluções para a falta de água na região do semiárido. Serão R$ 26 bilhões pelo Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC 2. As obras de infraestrutura hídrica para expandir a oferta de água no semiárido incluem barragens, adutoras e canais. A meta até 2015 é ampliar a capacidade de armazenagem de água em 7 bilhões de metros cúbicos com novas barragens.

Até a conclusão das obras estruturais, o governo investe em ações emergenciais. Desde janeiro de 2012, destinou R$ 563 milhões para a Operação Carro-Pipa. Sob a coordenação do Exército, foram contratados 4.649 carros-pipa para levar água a mais de 3,5 milhões de pessoas em 763 municípios. Além disso, para a garantia de abastecimento imediato em regiões comprometidas pela seca, o governo federal autorizou um incremento de R$ 202 milhões para contratar 30% a mais de carros-pipa, totalizando 6.170 veículos. O recurso é liberado mediante solicitação dos estados.

Até dezembro do ano que vem, o governo vai instalar 750 mil cisternas para consumo no semiárido. Serão entregues 130 mil até julho deste ano e 240 mil até dezembro. As demais 750 mil serão entregues até dezembro de 2014. Serão instaladas, ainda, 91 mil cisternas para produção.

O Serviço Geológico do Brasil investirá R$ 40 milhões do Ministério da Integração Nacional na perfuração de 20 novos poços profundos de grande vazão. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba e o Departamento Nacional de Obras contra as Secas investirão R$ 93,3 milhões na perfuração de 1,1 mil novos poços e na recuperação de 1,4 mil outros. Além disso, o Exército investirá R$ 75 milhões na aquisição de equipamentos para perfuração de 30 poços por mês.

Desigualdade
Água existe, mas falta política de distribuição para quem precisa

O problema não é a falta de água, mas a má distribuição. Não serão grandes obras que darão cabo do sofrimento imposto pela seca, diz o agrônomo e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco João Suassuna. As 70 mil represas existentes no Nordeste acumulam 10 bilhões de metros cúbicos de água, com capacidade para represar 37 bilhões, o maior volume de água represada em regime semiárido do mundo. “Mas não existe uma política para captar essa água e levar para quem precisa”, observa o pesquisador.

Suassuna é contra a transposição do São Francisco porque ela foi “vendida” como a obra que vai resolver o problema da seca no Nordeste. A água chegará aonde já existe em abundância. “A população no entorno dessas represas vai continuar passando sede e sendo abastecida por caminhões-pipa mesmo depois da transposição”, avalia. Somando-se o Norte de Minas Gerais, apenas 2% do território atingido pelas secas são passíveis de irrigação. O problema é o que fazer com os 98% restantes.

Para o pesquisador, o que está claro é que a transposição vai abastecer as represas, vai abastecer o grande capital. Não está claro como a água vai chegar à população, que continuará sendo atendida por caminhões-pipa. “É aí que está a verdadeira ‘indústria da seca’”, pondera Suassuna. Em 1994, durante congresso da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), hidrólogos reunidos em Recife alertavam para a necessidade de uma melhor distribuição da água no semiárido. “Todos os alertas já foram feitos”, diz o agrônomo.

Socorro
Agricultores atingidos pela seca terão suas dívidas renegociadas

A presidente Dilma Rousseff anunciou em abril novas medidas para apoio a produtores rurais afetados pela estiagem no semiárido brasileiro. Os investimentos totalizam R$ 9 bilhões. Somados aos R$ 7,6 bilhões já aplicados em ações estruturantes e emergenciais de enfrentamento à seca, o governo federal está investindo R$ 16,6 bilhões em medidas para mitigar os efeitos da estiagem. Uma das principais ações diz respeito à renegociação da dívida dos agricultores afetados pela seca.

Outra medida anunciada é a manutenção dos programas Garantia-Safra e Bolsa Estiagem enquanto durar o período da seca. Serão incorporados um total de 361.586 novos beneficiários ao Bolsa Estiagem, que beneficia atualmente 880 mil agricultores em 1.311 municípios. Da mesma forma, o Garantia-Safra atende hoje 769 mil agricultores em 1.015 cidades.

Carta de Sanderson

por Woden Madruga

Sanderson Negreiros
Sanderson Negreiros

Continuo na tarefa da arrumação dos livros em caixotes na espera das novas estantes à prova de traça, cupim, mofo, broca e outros eteceteras, coisa que já andei contando por aqui. Não é uma tarefa muito penosa, mas  lenta e cansa o cristão. Lenta, porque requer  certo cuidado e, também, cada livro que  eu pego – além  da espanada e da passada da flanela, removendo poeira de meio século ou mais – dou uma folheada, leio alguma coisa e acontece, então, de se encontrar, entre suas páginas verdadeiras preciosidades, afora, claro, do prazer que proporciona o texto relido: uma carta, um bilhete, um convite, uma fotografia, um papel qualquer, dobrado e amarelecido, marcado pelo tempo a despertar reboliço nas lembranças. Dá, sim, muito prazer, uma alegria inesperada. Aí a gente suspende o serviço e vai ler os achados.

Esta semana, por exemplo, pegando o romance O inverno da nossa desesperança, de John Steinbeck,  Prêmio Nobel de 1962, dei de cara com uma carta do poeta Sanderson Negreiros. A edição é da Editora Civilização Brasileira, de 1963. Datada de 15 de janeiro de 1966, a carta foi postada no Rio de Janeiro, onde o poeta vivia há uns três anos depois que pegou um Ita no porto de Natal, numa manhã que juntou muita gente no velho cais da Ribeira para o adeus. Tentava o jornalismo na Cidade Maravilhosa e na busca, também, de novos horizontes mais azuis. A carta é datilografada numa folha só (frente e verso) com algumas anotações manuscritas. Não tem envelope, estava solta entre as páginas do livro de Steinbeck.

Naquelas eras eu já escrevia esta coluna  na Tribuna do Norte, cuja redação, bem modesta, abria suas portas para a avenida Tavares de Lira, e eu insistia para que Sanderson escrevesse suas crônicas do Rio, o jornal pagaria (nem me lembro agora se José Gobat tinha garantido o cachê;  acho que sim.) Além das crônicas faria também entrevistas com escritores, artistas e políticos (naquele tempo Sandersons prestava assessoria ao deputado Jessé Freire, que presidia a Confederação Nacional do Comércio, com sede no Rio) e começava a tirar um fino pela revista Manchete e pelo Jornal do Brasil. Bom, vamos ler a carta do poeta:
“RioRio – 15 de jan. de 66.
Woden:
Aceito sua ponta de desafio e desfastio. Inclusive por que vc. agora fez uma proposta exata e segura: a de cem mil por mês, e não aquela outra de trinta mil, que entendi quase como piada… Estava para enviar a três dias atrás os flans que vc. me pede como integrantes do meu compromisso. Mas se vive atualmente no Rio um clima de calamidade mesmo e não pude ir ao Jornal do Brasil falar isto. Mas no começo da próxima semana estarei lhe enviando os flans e crônicas mais. E entrevistas com figuras VIP. Pois é quando a coisa se normaliza mais.

Atualmente, está tudo de perna pro ar, pois Sta. Teresa, onde moro, foi talvez o bairro mais atingido. Então, semana que vem estarei enviando tudo. Eu não deixei de cumprir nada. Vc. apenas não me deu resposta a três cartas minhas quando lhe falava de tudo, isto é, do que pode fazer com compromisso, e mesmo assim, quando responde é  por via indireta e por tabela, e chamando o sujeito de sacana… Bem, definitivo: aceito a proposta dos cem mil e a partir da próxima semana vc. receberá o material que procurarei conseguir no JB. Aliás, o Walter Fontoura está com a coluna Informe JB. Se quiser alguma notícia, mande pra mim que transmito ao Walter. Certo?

Não estou pedindo que vc. me escreva, mas que pelo menos mande um bilhete dizendo alguma coisa sobre como enviar através  de que companhia aérea ou se eu teria de remeter tudo pelo Correio. Ou é melhor o Viscount da VASP. Neste caso, vc. poderia falar como a agente daí para transmitir ordem para a agência central daqui, pois facilitará tudo o mais. Diga alguma coisa e acabe com esta preguiça provinciana e bem natalense de não gostar de escrever e só o faz por urgência desenxabida.

O negócio aqui no Rio com o dilúvio de 4 dias foi mesmo pra valer. E se continua sem água, sem leite, sem luz: só as mulheres é  que dão a luz. E tenho medo de se ficar sem ar.

Tem divulgado alguma coisa sobre Jessé? Eu já disse a ele que todo o problema de divulgação em TN depende de vc. e não faz mal vc. ficar com prestígio com Jessé, que vai ser eleito presidente da Câmara Internacional do Comércio com sede em Genebra. E a TN não pode vir pra mim? Ah, seu safado…

Walter Fontoura é homem de grande prestígio hoje. Cabelo Bom está desaparecido há um mês, em São Paulo. Tratando não sei de quê. Hélio em ótimo emprego – analista de produção – com 400 mil mensais. Bem, abraço,
Sanderson”.

Quem é quem
Anotações à mão que Sanderson fez na carta: “Endereço: Rua do Oriente, 355 – Sta. Teresa”. “Mande dizer se o diretor da TN aceita a proposta de 100 mil, por telegrama, para eu poder me  movimentar. Com urgência”.

O Walter Fontoura, citado na carta de Sanderson, é um dos grandes jornalistas brasileiros. Por muitos anos assinou, no Jornal do Brasil, a coluna Informe JB, das mais importantes e lidas da imprensa carioca naquela época. Depois foi editor geral do JB. Deixando o Rio de Janeiro foi ser chefe da sucursal de O Globo, em São Paulo. Tem raízes no Rio Grande do Norte.

O Cabelo Bom é Carlos Alberto Mota Ramos, natalense nascido no Piauí, com peagadê em Rio de Janeiro e pósdoutor em São Paulo, cidadão do mundo, uma figura incrível, genial, sedutor. Foi ser publicitário em São Paulo (altas rodas) depois de ter criado a primeira boite de Natal, o Vipinho, da rua Princesa Isabel (final dos anos 50 começo dos 60). Fizemos juntos o ginásio no 7 de Setembro do Professor Fagundes. Conhecia São Paulo e o Rio de Janeiro tão bem como o bairro do Tirol, onde viveu (avenida Rodrigues Alves quase esquina com a rua Assu) na adolescência e juventude. Já não está mais entre nós.

O Hélio, que Sanderson fala, é  Hélio Vasconcelos, figura maior,  foi secretário de Educação do Estado, depois de ter sido advogado, professor e um dos grandes lideres estudantis do Rio Grande do Norte, boêmio. Fomos colegas na velha Faculdade de Direito da Ribeira. Naqueles anos 60, da ditadura militar, exilou-se no Rio de Janeiro. Apresentou a Sanderson os encantos da noite da Lapa, o poeta passeando pelos seus arcos.

 

[Nesta carta de Sanderson para Woden, tenho notícias de pessoas que quero bem: Hélio Vasconcelos e José Gobat. Gobat e Woden me lembram Ticiano Duarte. Sanderson no Rio refaz os passos de Berilo Wanderley. Esses potiguares apaixonados nunca conseguiram viver fora de Natal. Morrem de saudade como aconteceu com Djalma Maranhão.

Sanderson chama Woden de safado. Safados os dois. Woden por não publicar nenhum livro. Sanderson porque passou pelo hotel, para me deixar alguns livros, e nem falou comigo.

Safado eu: Almocei com Woden e Ticiano, eles pagaram a conta, e nem agradeci, nem me despedi.  É que nos momentos que marcam minha vida, fico pensando quem vai primeiro para o Além. Besteira minha. Inquietante superstição.

Gracias a Deus por ter convivido com pessoas inteligentes e sábias e, o que é mais importante, de coração imenso de ternura e fraternidade.

Nunca esqueço Natal. Terra do sal. Sal de saudades. T.A.].

 

Escreve Sebastião Nery:

 

Dinarte Mariz
Dinarte Mariz

 

O sábio e saudoso Dinarte Mariz era governador do Rio Grande do Norte e inimigo de Aluisio Alves. Aluisio saiu da UDN, foi candidato pela oposição e ganhou. Dinarte disse que não passava o cargo.

No dia da posse, Dinarte saiu cedo do palácio e entregou as chaves ao porteiro Francisco. Todo importante, paletó e gravata, sapato engraxado, Francisco foi lá para a frente e ficou de pé nas escadarias.

Esperou uma hora, duas, três, o novo governador não chegava. Aluisio estava indo da Assembléia para o palácio, a pé, com o povo. A mulher mandou chamar o porteiro Francisco para o almoço, nada. Ele ali, de pé, cumprindo patrioticamente seu dever cívico.

De repente, à frente da multidão, apareceu Aluisio na esquina. O porteiro Francisco suspirou, aliviado:

– Ainda bem que ele está chegando. Não aguento mais governar essa merda.

Entregou as chaves e o fugaz poder.

O poder de bilocação de Christine Epaud

O quarto. Christine Epaud e o atual marido
O quarto. Christine Epaud e o atual marido

Christine Epaud ganha uma nota, na malandragem, como funcionária pública do povo potiguar, morando em Paris, onde tem residência fixa. Já escrevi sobre esta maracutaia de ser embaixatriz do Rio Grande do Norte na França.

Veja como aconteceu:

Christine Epaud casou com um francês, Gilles, de quem herdou o sobrenome e a nacionalidade francesa.

Gilles Epaud conheceu a futura esposa na África, precisamente na Tanzânia, país onde Christine nasceu. Lá ela também “conheceu”, biblicamente, Ubaldo Wilca da Silva, pai de sua segunda filha.

O pai da primeira desconheço o nome.

Christine veio morar no Brasil, e foi trabalhar no Tribunal de Contas. Entrou sem concurso. Sem conhecer a língua portuguesa. Não sei se era boa de língua. Com certeza falava sua língua natal, o sualí, e talvez o alemão e o inglês, porque a Tanzânia foi colônia da Alemanha (1980/1919) e da Inglaterra (até 1962/64).

Uma misteriosa necessidade burocrática, ou encantamento internacional de possuir uma funcionária poliglota, explique a conquista de Christine.

Não é fácil entrar em um tribunal, sonho de muitos universitários e mestres e doutores brasileiros.

Mas não é que se deu… aconteceu.

Também aconteceu que Christine casou com Gilles. E quem casa quer casa para ficar juntinho com a pessoa amada, no maior amor. Mas a casa de Gilles era em Paris.

Christine propôs as maravilhas de ser boa também em língua francesa. Estudar língua francesa em Paris. Tudo pago pelo Tribunal de Contas. Era uma proposta indecente, que o governo do Estado do Rio Grande do Norte aceitou.  Diz que foi “re-lotada” (devia ser apenas ré), por uma inacreditável magia.

Assim Christine, sem concurso, conseguiu o milagre de ser funcionária da Secretaria de Administração do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, para estudar francês.

Casada com um francês, tinha que usar a língua, que Gilles ainda hoje fala pessimamente o português. Tinha que falar francês em casa e na rua. E no trabalho: na sede da embaixada do Rio Grande do Norte em Paris, um prédio que ninguém sabe onde fica. Segredo de estado, do conhecimento exclusivo do governador na época, e hoje, talvez, da governadora Rosalba Ciarlini. Que Christine continua morando em Paris, e recebendo como inválida na França (*), e ativa no Rio Grande do Norte, pelos poderes da bilocação.

Super, super ativa, montou uma suruba de empresas privadas. Já falei das privadas de Christine, funcionária publica e empresária de múltiplas empresas. Isso é legal? Ora, ora, mais do que legal para Christine.

Eis que se deu que Christine armou uma volta triunfal, rica, portentosa, desenterrando o passado e botijas de ouro e prata.

Começa por acusar de ato arbitrário, violento, ditatorial, ao arrepio da lei (**), crime praticado por algum presidente do Tribunal de Contas. Transcrevo do Diário Oficial:

Ajuizou a presente ação ordinária contra o ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE, pretendendo, em provimento liminar, o reenquadramento no quadro de pessoal do Tribunal de Contas do Estado, do qual foi relotada para a Secretaria de Estado da Administração e dos Recursos Humanos pela Resolução nº 03/93-TC, publicada no Diário Oficial de 11.01.1993. Aduz que sua relotação foi resultado de uma decisão administrativa caracterizada por falta de contraditório e de ampla defesa.

Por falta de contraditório? (***)

(*) O embaixador da França no Brasil Yves Saint-Geours sabe do caso ou que investigue no CRAMIF.

(**)   Um ato ilegal cometido por alguém ou por uma entidade qualquer pode ser designado de diversas formas. Podemos citar a improbidade administrativa, a prevaricação ou até corrupção. São todos casos no qual um órgão ou organismo age ao arrepio da lei.

(***) O Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa é assegurado pelo artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, mas pode ser definido também pela expressão audiatur et altera pars, que significa “ouça-se também a outra parte”. Acompanhei o nascedouro do Tribunal de Contas. Isso bem de perto. Conheci todos os fundadores. Todos. Presenciei as nomeações. Não acredito que nenhum tenha sido capaz de tal perseguição.  Que o presidente Valério Mesquita seja testemunha. O TCE jamais pagaria uma lua de mel em Oropa, França e Bahia. Essa armação foi coisa de algum governador desonesto ou enganado. Ludibriado por um secretário de Administração corrupto.

Lá em Paris, Christine, via procuração, recebia mensalmente o salário, sem contestação, desde 1993. Isto é, recebia dinheiro público, e dinheiro público não pode ser secreto, nem dissipado. E denunciar esta aberração se faz necessária. Por 1001 motivos.

Christine usa o nome do terceiro companheiro: Epaud, apesar de ter solicitado a prisão dele.

Para a sociedade de Natal, apresenta Snorre Fossland  como esposo, mas eis que ele desmanchou uma sociedade que tinha com Christine, em uma suruba de empresas. Fossland possui vários negócios no Brasil. Uma riqueza que não aparece na Noruega.

Aviso: não vou parar de defender os interesses do povo do Rio Grande do Norte. O dinheiro do povo é sagrado. Mesmo que custe a minha vida. Faz parte da minha profissão. De jornalista profissional. De professor de jornalismo, com cursos realizados no Ciespal, Unesco, e Universidad de Navarra, entre outros.

Faz parte do meu amor a Natal. Dívida de vivência e fidelidade aos amigos.

Diretor do Suplemento Literário, conheci Dorian Gray, Deífilo Gurgel, Raimundo Nonato, Manoel Onofre Júnior, Jaime dos G.Wanderley,  andei como cicerone de Carlos Pena Filho, Gilberto Freyre, Marcos Vilaça, Ascenso Ferrreira na noite natalense; de Jorge Amado, Eneida, Ênio Silveira nas estradas empoeiradas de Natal a Mossoró; e redator-chefe do jornal A República, no Governo Dinarte Mariz.

Secretário de Comunicação no governo de Cortez Pereira, voltei A República como diretor-responsável,  e dirigi a Imprensa Oficial e a Assessoria de Imprensa do Palácio Potengi. Neste mesmo tempo continuei lecionando nos cursos de Jornalismo e Relações Públicas, da Universidade Católica de Pernambuco, aulas marcadas para a noite da sexta-feira e  sábado. Esse corre-corre impedia de visitar os amigos natalenses.

Amada Cidade amada, onde estudei História. Tive meu primeiro emprego de professor, ensinando Filosofia na Escola Normal, indicado e substituindo Francisco Fausto.

Faz parte da minha confiança na Justiça, crença que aumentou depois da Operação Judas.

Por paixão, idealizei a Primeira Feira de Livros do Rio Grande do Norte, patrocinada pelo prefeito Djalma Maranhão, que me convidou para assumir o cargo de Secretário de Educação e coordenar sua campanha de governador (possíveis feitos impedidos pelo golpe de 64).

Iniciei a campanha jornalística para o soerguimento da Coluna Capitolina, presente de Mussolini, derrubada pelo povo na II Grande Guerra.

Promovi a modernização da Imprensa Oficial, com a licitação de compra, no governo de Cortez, da atual impressora, e mudança do sistema gráfico de composição.

Realizei no Teatro Carlos Gomes, que hoje tem o nome de Meira Pires (ele estava presente), o Primeiro Recital Internacional de Poesia.

Sagrado chão, onde vivi a minha juventude estudantil, presidindo o Clube Universitário, por indicação de Woden Madruga, em cuja casa residi. Também dividi moradia com Hemetério Gurgel. Vivi em pensionato com Cassiano Arruda e Joanilson de Paula Rêgo.

Histórica redação d’A República com Câmara Cascudo, Veríssimo de Melo, Miriam Coeli, Newton Navarro, Celso da Silveira, Expedito Silva, Gerson Dumaresq, Jurandir Barroso.

Tempos dourados da poesia de Walflan de Queiroz, Zila Mamede, Sanderson Negreiros, Berilo Wanderley. Do jornalismo de Luiz Maranhão Filho, de Ticiano Duarte, Romildo Gurgel, Elóy de Souza, que me concedeu sua última entrevista.  Da campanha de Djalma Marinho a governador com Vingt Rosado, Tarcísio Maia,  Diógenes da Cunha Lima; de secretariado do panfletário jornal O Nordeste, dirigido por Joanilo de Paula Rêgo.

Sagrado chão de Natal onde estão enterrados meus pais.

Sagrado chão onde semeei meus sonhos e minha poesia. Encantado chão das primeiras namoradas.

Noruegueses condenados por lavar dinheiro no Rio Grande do Norte

Trygve Kristianse
Trygve Kristianse

A Justiça Federal do Rio Grande do Norte sentenciou mais um processo envolvendo a Operação Paraíso, onde um grupo de noruegueses e brasileiros é acusado de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, entre outros crimes. Proferida pelo Juiz Federal Walter Nunes da Silva Júnior, titular da 2ª Vara Federal, a sentença com 170 páginas expedida esta semana condena o norueguês Arvid Birkeland e os brasileiros Guilherme Vieira da Silva e Ivan Antas Pereira Pinto Júnior.

Também figurava como réu no processo o norueguês Trygve Kristianse. No entanto, para esse último o juiz extinguiu o processo sem julgamento do mérito porque em outro processo, julgado anteriormente, ele foi condenado pelos mesmos crimes e fatos narrados nesse processo atual. Com isso foi configurada a litispendência (quando se repete nova ação judicial, com fundamento no mesmo fato e contra idêntico réu, após a existência ou continuidade de anterior ação pendente de decisão com trânsito em julgado).

O norueguês Arvid Birkeland foi condenado a 11 anos, 6 meses e 15 dias de prisão. E pagará uma multa de R$ 672.000,00. Guilherme Vieira da Silva foi condenado a 9 anos 8 meses e 20 dias de reclusão e ao pagamento de multa no valor de 126.000,00. Ivan Antas Pereira Pinto Júnior cumprirá 7 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão e deverá pagar multa no valor de 60.000,00. No caso de Arvid Birkeland e Guilherme Vieira o cumprimento da pena será iniciado em regime fechado. Ivan Antas terá o início em regime semiaberto.

“O conjunto de prova trazido aos autos revela a prática de atividades ilícitas do grupo criminoso e o envolvimento dos acusados nos delitos de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro nacional”, escreveu o Juiz Federal Walter Nunes na sentença.

Ele ressaltou que as acusações se mostram patentes e plausíveis já que os envolvidos “receberam recursos oriundos de atividades criminosas para fins de investimento imobiliário e turístico no Rio Grande do Norte, realizando, portanto, a lavagem de dinheiro”. “Assim, tanto Trygve Kristianse quanto os outros acusados, na condição de sócios e representantes das empresas pertencentes àquele primeiro acusado, investiram na construção das unidades habitacionais do Blue Marlim Group LTDA, formado pelos empreendimentos: blue marlim apartments; blue marlim village; cotovelo resort & spa; e water sport center, com os recursos resultantes das vendas dos imóveis no exterior, com pleno conhecimento da origem ilícita do dinheiro”, destacou o Juiz Federal na sentença.

O magistrado analisou que as empresas pertencentes ao grupo não praticavam apenas a “lavagem de dinheiro”, mas também a evasão de divisas. “Diversamente das justificativas apresentadas, restou evidenciado, no caso em julgamento, que a criação de diversas empresas, com constantes alterações da composição societária, que dificulta, sobremaneira, o rastreamento dos recursos e a investigação em si dos crimes, notadamente o de lavagem de dinheiro e o de evasão de divisas, tinha por estratégia servir aos desígnios do grupo criminoso, sobremodo no que diz respeito à execução dos delitos em foco”, escreveu o Juiz Federal Walter Nunes na sentença. As empresas constituídas pelos acusados atuavam no ramo imobiliário e turístico, além da exploração de serviços ligados a prática dessas atividades empresariais.

No crime de evasão de divisas, os acusados criaram uma offshore na Noruega, a qual serviu para receber, no exterior, o dinheiro proveniente da venda, fora do Brasil, dos imóveis construídos no Rio Grande do Norte. Depois, simularam, por meio de contratos fraudulentos, a venda e o pagamento aqui, por valores inferiores.

Na sentença, o Juiz Federal observou que os relatórios fiscais fornecidos pelos técnicos da Fazenda Nacional, os depoimentos judiciais das testemunhas indicadas pelo Ministério Público Federal, além das provas extraídas das degravações de interceptações telefônicas, quebra do sigilo fiscal e bancário dos acusados, evidenciam a incompatibilidade da movimentação financeira e patrimonial dos acusados com as suas declarações de rendimentos apresentadas ao fisco.

(Transcrito da Revista Nordeste) Confira 

RN: ONDE O CRIME COMPENSA. E A GLOBO ENCOBRE

Conversa Afiada do jornalista Paulo Henrique Amorim reproduz e-mail do blogueiro sujo Daniel Dantas. Vale a leitura, inclusive para entender como a corrupção domina o Rio Grande do Norte. Tanto que Christine Epaud, residindo em Paris, consegue receber salário de funcionária Maria Candelária da Secretaria de Administração. Na estranha condição de barnabé e proprietária e diretora de uma dezena de empresas. Talvez umas vinte empresas. E mais escandalosa a sua relação promíscua com o judiciário potiguar, onde não perde uma e, mais absurdo que pareça, tem atestado de pobreza passado pelo Tribunal de Contas. Onde corre um precatório seu de retorno como alta funcionária. Isso morando em Paris, desde que lá foi residir com um marido francês, Gilles Epaud. E do governo francês recebe uma gorda pensão. Desde que prove sua permanência em Paris. Santos poderes de Christine. Que diz ser bispa na Tanzânia, sua terra natal. Fica entendido que tem três cidadanias com direito a três passaportes. Ou quatro? Passaportes adquiridos nos quartos.

No RN os poderosos não são investigados, prova Paulo Henrique Amorim. Nem Christine.