PM versus famílias sem-teto não é confronto. É massacre!!!

por Jessica Santos de Souza – Coletivo AJA – Fotógrafos Ativistas

Foto Ponte Jornalismo
Foto Ponte Jornalismo

 

Reintegração de posse é sempre triste.

A PM sempre foi truculenta, mas nos últimos tempo não tem cumprido o combinado com os movimentos.

Não há mínimas condições de retirar as famílias e os policiais atacam senhoras e crianças sem nem piscar os olhos.

Até quando veremos imagens de crianças chorando e policiais fortemente armados. Até quando ouviremos nosso “nobres” colegas jornalistas tentando falar em vandalismo quando há uma legítima revolta?

O que você faria se estivesse indo para o trabalho e fosse atacado sem nem saber o porquê? Talvez corresse, talvez pegasse o primeiro objeto e tacasse de volta.

Solidariedade as famílias (FLM fala em pelo menos 800 pessoas) que só queriam um teto para morar e tiveram que passar horas cercadas por uma instituição que precisa ser desmilitarizada e repensada já que serve aos poderosos e não a população.

 

FOTO: Zanone Fraissat. Comenta Fotógrafos RESERVAMOS O DIREITO DE NÃO PUBLICAR NENHUM TEXTO COM ESSA FOTO. ESSE CLIQUE CAPTURA A REALIDADE.  O QUE VOCÊ VÊ?:
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FOTÓGRAFOS ATIVISTAS 

Editorial

 

SOMOS A POLICIA MILITAR…
E assim escutamos o refrão dessa música.
Isso se considerarmos isso uma música.

O FASCISMO nunca morreu, e nós estamos sofrendo repressões a cada ATO, a cada voz esbravejada da sociedade.
O FASCISMO nunca morreu, e nós estamos presos a cada AÇÃO, a cada caminhada em prol da Liberdade.
O FASCISMO nunca morreu, e nós estamos morrendo a cada REPRESSÃO, a cada luta a favor da MUDANÇA.

Sim, “isso” é a nossa Policia, aliás é a policia de quem aceita ter uma policia militar e despreparada…

Nunca apoiaremos a REPRESSÃO em todos os seus níveis.

 

 

 

 

 

 

Black blocs, o assassinato do menino Douglas e o inferno anunciado…

por Renato Rovai em Direitos Humanos

 

Latuff
Latuff

No dia 3 janeiro à noite, bem antes das Jornadas de Junho, uma chacina chocou São Paulo. Laércio de Souza Grimas, o DJ Lah, de 33 anos, do grupo Conexão do Morro, foi assassinado com outras seis pessoas num bar do Campo Limpo, zona Sul de São Paulo. Bar que ficava em frente ao local onde tinha sido assassinado o pedreiro Paulo Batista do Nascimento, numa execução que, filmada, acabou no Fantástico da Rede Globo.

No dia 7 de janeiro, ainda em férias, escrevi um post sobre o assunto. Um dos trechos:

“Segue um relato-reportagem, a meu pedido, feito pelo repórter Igor Carvalho sobre o caso do massacre de Campo Limpo e seu contexto. Igor esteve ontem no local da chacina e conversou com uma série de pessoas que pediram anonimato. O clima em Campo Limpo e em outros bairros da periferia é terrível. Misto de revolta e medo. Perfeito para produzir reações extremadas. Quem acha que a situação atual é ruim, vai ter saudades do hoje. São Paulo pode virar um inferno. Eu, acima assinante, responsabilizo Alckmin por isso. Foi ele quem disse que quem não reagiu está vivo. E que de certa forma autorizou a bárbarie.” Você pode ler a nota inteira aqui

Este texto não foi premonitório. Era simples análise jornalística com base em informações apuradas pelo repórter Igor Carvalho e por mim. Uns sessenta dias após escrevê-lo, encontrei-me com um personagem importante no contexto da periferia paulistana. No meio da conversa-entrevista ele me pediu para desligar o gravador e disse algo mais ou menos assim:“o povo vai reagir, a molecada tá se mexendo e vai para cima… A coisa vai ficar feia”.

Lembrei disso no dia 6 de junho, quando por acaso me encontrei no meio da conflito do primeiro ato do Movimento Passe Livre no centro de São Paulo. Fiquei impressionado com o olhar de raiva daqueles garotos e garotas que escondiam seus rostos sob camisetas e pedaços de pano. E registrei aqui no blogue um post do qual extraio o trecho abaixo:

“Eram garotos pobres, com muita raiva. Garotos e garotas indignados e revoltados. E que pareciam não estar ali só por conta do aumento da passagem, mas porque precisam gritar que existem (…) A periferia brasileira está em movimento e em disputa. E se a cidade não passar a ser pensada para esses milhões de jovens, em breve algo muito maior do que aconteceu na quinta vai estourar.”

No domingo, Douglas Rodrigues, de 17 anos, foi baleado de forma covarde por um Policial Militar. E antes de morrer, segundo seu irmão de 12 anos, perguntou: “Senhor, por que o senhor atirou em mim?

Ainda no domingo, as ruas da Vila Medeiros foram tomadas por pessoas revoltadas com este fato. Ontem à noite, foi a rodovia Fernão Dias que literalmente pegou fogo. Atacaram carros, caminhões, imóveis… Uma revolta generalizada escrita em sangue pelas últimas palavras de um garoto de 17 anos: “Senhor, por que o senhor atirou em mim?”

É a partir de histórias como essa que as cenas de agressão ao coronel Reynaldo Rossi, que geraram comoção midiática, precisam ser entendidas. Vejam bem, não estou dizendo que precisam ser justificadas.

É a partir de histórias como a do assassinato de Douglas que muitas ações dos blacks blocs nas ruas do Rio de Janeiro e de São Paulo devem ser entendidas. Vejam bem, não estou dizendo que devem ser justificadas.

Os jovens de periferia não querem mais ver irmãos, parentes, amigos, colegas ou apenas conhecidos, serem enterrados porque cometeram o crime de terem nascido, em geral negros, e viverem nas periferias. Eles estão dizendo chega.

E a nossa democracia, sim, democracia, não tem dado conta de resolver esse problema. E eles perderam o medo de perder a vida se necessário for para mostrar que não irão bovinamente para covas rasas de cemitérios. Assassinados por polícias que deveriam preservar suas vidas. E vitimados por um Estado que não lhes garante futuro e nem paz.

A ação black block no Brasil (e ela é diferente de outros países), se alguém ainda tinha dúvida, é fruto, sim, também disso. E principalmente disso. Da violência policial. Os black blocs nunca lutaram por vinte centavos, por transporte melhor ou por melhores salários dos professores. Esses meninos têm ódio da polícia. Eles pulam de ódio da polícia. Eles querem derrotar a polícia. Não são só garotos e garotas de periferia. Mas os que não são também não aceitam como legítima a ação das forças policiais. E querem derrotar a polícia.

Se acho isso bom? Se acho isso ruim? Não acho nada. Quero que a democracia que construímos seja capaz de se relacionar com essa questão sem tentar eliminar fisicamente esses meninos e meninas. E sem criminalizar suas ações e reações.

E que a nossa inteligência seja capaz de ir além de simplismos como a de chamá-los de vândalos e fascistas.

Até porque a preguiça intelectual também é uma forma de violência dos que têm o poder de pautar o debate na sociedade. Os black blocs não precisam da minha defesa. Até porque não me associo às suas práticas. Mas entendo perfeitamente os garotos e garotas que têm ódio da polícia. Se Douglas, fosse seu filho, irmão, primo, amigo, será que você não entenderia?

– Senhor, por que o senhor atirou em mim…

PS: Se você ainda tem dúvida do quão essa história não começou em junho deste ano, leia esta pequena nota: Massacre do Carandiru, da ditadura ao DJ Lah, do Igor Carvalho.

PS: O PM assassino de Douglas alega que sua arma disparou de forma acidental porque a porta do carro da viatura bateu na sua mão. Na delegacia, ele foi preso por acidente culposo, quando não há intenção de matar. E seus amigos da PM há reuniram testemunham que se dispuseram a corroborar essa versão inverosímel e que é contestada por quem estava lá. Mas não é só isso. Enquanto a mãe de Douglas dava entrevistas, carros de polícia passavam na frente de sua casa numa clara demonstração de intimidação. E 90 pessoas foram presas porque se revoltaram ontem à noite com tudo isso. Não, o caso Amarildo não é uma exceção. E você ainda acha que o correto é ficar quieto e fazer de conta que tudo isso é coisa da vida?

 

soldado urina violência favela terrorismo polícia

[Excelente texto de Renato Rovai. Ele faz o chamado jornalismo a priori. O jornalismo que, baseado em fatos, busca prever o futuro. Um modelo de jornalismo opinativo difícil de escrever e, em algumas redações, proibido.
Qualquer um faz o jornalismo a posteriori, porque fácil, e não compromete:  aconteceu ontem, hoje, está marcado para amanhã. Um jornalismo limitado pelo tempo e pauta, e realizado por profissionais que recebem o salário piso].  T.A.

O nariz de palhaço de quem espera justiça no Brasil. Vídeo e fotos de passeata e carreata em Santa Maria

BRA_DSM O nariz de palhaço de quem espera justiça no Brasil

DECISÃO DE SOLTAR PRINCIPAIS RÉUS NO CASO DA BOATE KISS TRANSFORMA DOR EM REVOLTA

Parentes de mortos na tragédia voltam a protestar e se dizem traídos por determinação do Tribunal de Justiça

242 mortos. Duas vítimas permanecem hospitalizadas
242 mortos. Duas vítimas permanecem hospitalizadas

 

por Letícia Duarte
Depois de quatro meses da tragédia de Santa Maria, familiares e amigos das 242 vítimas do incêndio na boate Kiss acreditavam já ter ultrapassado todos os limites da dor. Com auxílio terapêutico, se esforçavam dia a dia para ressignificar a perda. Por orientação da polícia e do Ministério Público, apostavam em manifestações “pacíficas e ordeiras” para converter o luto em causa coletiva.
Diante da decisão judicial de soltar os quatro principais réus, usando como um dos argumentos a ausência de clamor popular, os parentes agora sentem-se traídos. Arrependem-se dos gritos contidos desde aquele 27 de janeiro, que ontem se traduziram em manifesto por justiça. Com a ferida reaberta, descobrem uma nova dimensão da dor, desta vez convertida em revolta.

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NÃO EXISTE MAIS CLAMOR, DIZ TJ
Uma das primeiras reações extremadas foi o tapa desferido por uma mãe no rosto de um dos defensores dos donos da boate, o advogado Jader Marques, na saída do julgamento, na quarta-feira. Apesar de ter prevalecido o entendimento na 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de que a prisão cautelar não seria mais necessária a esta altura do processo, os familiares também se sentiram esbofeteados pela decisão dos desembargadores. Um dos trechos da decisão assinala:
“A verdade é que, passados quatro meses desde o infausto, já não se fazem mais presentes os aspectos da ordem pública ressaltados pelo magistrado no decreto prisional: o clamor público e a necessidade de resguardar-se a credibilidade da Justiça”.

 

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— Nós fizemos o que a polícia, o Ministério Público, o juiz e os defensores públicos nos pediram: “Adherbal, segura a população que nós vamos revelar e dizer coisas que vão afetar e desagradar muita gente”. Nós cumprimos nosso dever de casa, fizemos tudo o que nos pediram e levamos um belo puxão de tapete. No caso da Eliza Samudio (ex-amante do goleiro Bruno), era apenas uma vítima e havia comoção. Os suspeitos foram presos preventivamente porque havia comoção. Então, com 242 vítimas não há comoção? — desabafou o presidente da Associação das Vítimas e Sobreviventes da Tragédia, Adherbal Ferreira.
Revoltados, familiares prometem subir o tom. Durante protesto na Praça Saldanha Marinho, nesta quinta-feira, membros da associação formaram um círculo e mostraram cartazes, pintaram o nariz de vermelho. Expressaram sentimentos com gritos em um megafone.
— A Justiça quer ouvir os gritos? Eles vão ouvir os gritos! — disse a dona de casa Marise Oliveira, 49 anos, que perdeu um filho no incêndio.

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Testemunha do esforço diário dos envolvidos para ressignificar a dor, a psicóloga Melissa Haigert Couto, diretora do departamento de voluntariado da Cruz Vermelha, observa que o processo de elaboração do luto regrediu.
— Eles estão revivendo a morte dos filhos com a mesma dor daquele dia, é como se a vida dos filhos não valesse. E a dor vem aumentada, porque vem junto com a revolta — observou.
Aumenta procura por psicólogos
Questionado sobre a decisão dos desembargadores, o prefeito Cezar Schirmer preferiu não se manifestar. Preocupados com a comoção pública, psicólogos do serviço de Acolhimento 24 horas, ligado à prefeitura, se reuniram na tarde desta quinta-feira para discutir novas estratégias de atendimento à população.
— Sentimos que aumentou a procura por auxílio e estamos em prontidão. Esse fato nos assinala que o trauma está longe do fim — analisou o psicanalista Volnei Dassoler, do comitê gestor.

Colaborou Patricia Silva. Acompanhe a situação dos envolvidos na tragédia. Veja nas tags os nomes dos assassinos que TJ protege. Para botar panos quentes no caso, a Câmara de Vereadores começou uma CPI, que devia ser realizada pela Assembléia Legislativa.

 

passeata e carreata

Clima tenso antecede a CPI da Kiss em Santa Maria

 

por Carlos Wagner

 

 

O clima que antecede a sessão da CPI da Kiss, prevista para começar às 9h na Câmara de Vereadores de Santa Maria, está tenso.Cerca de 20 minutos antes do início, a avó de uma vítima do incêndio da boate Kiss Nubia Leite Kaarsten e uma funcionária do Legislativo se desentenderam e chegaram a trocar tapas e empurrões.

 

foto câmara

— Ninguém, mas niguém mesmo tem o direito de fazer o que ela fez com nossa dor — disse Núbia, avó de Kellen, uma das 242 pessoas que morreu na boate.

Elas foram contidas pelas pessoas que estão no local. A sessão de hoje, que deve ouvir o ex-secretário de Mobilidade Urbana de Santa Maria, Sergio Medeiros, e três fiscais do município será marcada por um protesto de familiares das vítimas da Kiss. Todos estão revoltados com a soltura dos quatro réus que estavam presos

 

Galeria de fotos

Suicídio de aposentado causa revolta na Grécia. Deixou uma carta-testamento. Leia

O suicídio de um aposentado grego, que se matou por causa da crise, originou uma onda de indignação e revolta na Grécia. Na carta que deixou, o homem acusa o Governo de “aniquilar qualquer esperança de sobrevivência”.

“Sou reformado. Não posso viver nestas condições. Recuso-me a procurar comida no lixo. Por isso, decidi por termo à minha vida”.

Matou-se com um tiro, a poucos metros do Parlamento grego, em plena hora de ponta, pouco antes das 9 horas de quarta feira. Um suicídio público que desatou uma onda de cólera e dor.

No mesmo bilhete, o reformado acusa o Governo de, com as medidas de austeridade, “aniquilar qualquer esperança de sobrevivência”.

“Acredito mesmo que os jovens sem futuro, qualquer dia, pegarão em armas e, na Praça Sintagma, apanharão os traidores da nação, como fizeram os italianos com Mussolini, em 1945”, escreve o antigo farmacêutico, para quem o equivalente do fascista italiano é o “Governo de ocupação de Atenas”.

Após uma tarde de homenagens e lamentos, com a chegada da noite começaram os confrontos. Vários manifestantes atiraram engenhos explosivos caseiros contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogéneo.


O suicida – que estava reformado e tinha muitas dívidas – recusava-se a mendigar. Matou-se diante do local que acusava de o ter atirado para aquela situação: o Parlamento.

Um homem – sabe-se que tinha 77 anos e que foi farmacêutico – dirigiu-se nesta quarta-feira para o quilômetro zero de Atenas com uma arma e um bilhete no bolso. Já a poucos metros do Parlamento, disparou.

Uma testemunha contou à televisão estatal que ainda o ouviu gritar “não quero deixar dívidas aos meus filhos”, e terão sido estas as suas últimas palavras.

A notícia espalhou-se rapidamente pelas redes sociais e pelos media tradicionais e, pouco depois, a Praça Sintagma encheu-se de compatriotas que deixaram no local mensagens como “Já chega” ou “Quem será a próxima vítima?”.

À medida que a noite foi caindo, a vigília transformou-se em motim. As pedras e engenhos explosivos caseiros atirados contra a polícia foram devolvidos sob a forma de gás lacrimogéneo e granadas não letais, indica a BBC (vídeo).

Foram impostas à Grécia diversas medidas de austeridade para que o país pudesse evitar a bancarrota. Milhares de funcionários públicos foram despedidos, houve um aumento de impostos e reduções no pagamentos de pensões e subsídios. O desemprego também aumentou exponencialmente. Pelo menos uma em cada cinco pessoas está actualmente desempregada.

O número de suicídios na Grécia tem vindo aumentar – os dados do Ministério da Saúde apontam para uma subida de 40% desde o início da crise e um relatório divulgado pela polícia referiu 622 suicídios em 2010 e 598 até 10 de Dezembro de 2011 (a média era 366 entre 2000 e 2008). Mas esta morte, junto à sede da democracia e em plena praça, emocionou o país.

Jornal espanhol La República informa:

Dimitris Christoulas. 77 años. Farmacéutico jubilado. Casado y padre de una hija. Este miércoles -cuya santidad celebran con tanto fervor muchos neoliberales- se ha pegado un tiro frente al Parlamento griego en la mítica plaza Sintagma de Atenas.

Este es un fragmento de la carta, según Athens News