Estupro ou curra de estudantes da Universidade Federal de Juiz de Fora

As polícias Federal e Civil de Minas Gerais vão atuar juntas na investigação do estupro de uma estudante de 17 anos, ocorrida entre a noite de sexta-feira (13) e a manhã de sábado (14). Vão. Isso pode demorar.

Cinco dias após o registro do estupro, no Campus da Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais, as polícias ainda não iniciaram as investigações.

O trâmite burocrático emperra o início da apuração do crime. Somente ontem ficou definido que caberá à Polícia Civil, por meio da Delegacia de Proteção e Orientação à Família, investigar, e não a Polícia Federal. Apesar do crime ter acontecido em um prédio da União.

Mesmo assim, até a tarde de ontem, o expediente ainda não havia chegado nas mãos da delegada titular da especializada em crimes de família, Maria Isabella Bovalente. Essa demora precisa ser explicada.

A Polícia Militar registrou um boletim de ocorrência e avisou as polícias Federal e Civil. A Delegacia de Mulheres e o Conselho Tutelar de Juiz de Fora também acompanham o caso. “As primeiras informações (anônimas) acusam  a jovem de ter ingerido bebida alcoólica misturada a uma substância que a deixou desacordada”. Pretendem incriminar a vítima. Talvez exista um abafa da UF-JF ou pressão política por parte dos pais dos estudantes envolvidos.

De acordo com a PM, a estudante do curso design da instituição foi socorrida por amigas, que a levaram ao hospital no sábado (14).

Perícia médica constata violência sexual

A vítima deu entrada na Santa Casa de Misericórdia após acordar, no sábado, e sentir desconforto e dores nas partes íntimas. No hospital, ficou constado o estupro, e a PM acionada.

Uma colega de classe da vítima, 21 anos, relatou aos policiais que havia deixado a amiga no evento, por cerca de 40 minutos, na companhia de outros jovens, que são os pricipais suspeitos. Ao retornar, teria encontrado a garota descomposta e com arranhões nos braços. Ela teria levado a estudante para sua casa e, no dia seguinte, acompanhado a adolescente na consulta médica, por imaginar que ela poderia ter sofrido abuso sexual.

Após o atendimento na Santa Casa, a adolescente foi submetida a exame de corpo de delito no Hospital de Pronto Socorro (HPS). Conforme a PM, o crime ficou comprovado durante a perícia médica. A ocorrência teve o acompanhamento da conselheira tutelar Delfina Mônica Costa, já que os pais da jovem moram no interior de São Paulo.

“Fizemos o acompanhamento, inclusive no hospital. Ela recebeu atendimento ambulatorial, mas não precisou ser internada. Agora, vamos informar o ocorrido à Vara e à Promotoria da Infância e Juventude. Se o fato ocorreu mesmo na universidade, é muito preocupante, porque a festa tinha bebidas para adolescentes.” Na manhã de ontem, ela e o vereador Noraldino Júnior (PSC) acompanharam os pais da vítima até a 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil, em Santa Terezinha.

“Fui acionado pelo Conselho Tutelar como presidente da Comissão Antidrogas da Câmara. Como ela teria tomado só essa dose e ficado desacordada, suspeitamos que o criminoso colocou no copo algum entorpecente. O fato é que ela desacordou e, quando voltou, estava com sangue nas pernas e muito grogue. O próprio laudo apontou que ela era virgem. Vemos com decepção o fato de eles (família) terem escolhido a cidade e voltarem com uma imagem tão negativa.”

Pais vieram às pressas do interior de SP

Informados no final da noite de sábado sobre o estupro da filha mais velha, os pais viajaram às pressas do interior de São Paulo para poderem encontrar a jovem que mora há apenas 45 dias em Juiz de Fora. “Às 23h30, a conselheira tutelar me ligou e falou que havia acontecido um problema, que minha filha havia sido estuprada. Viemos imediatamente. Ela me disse que lembra de ter ido com uma pessoa para um lugar escuro atrás do prédio, mas estava completamente dopada e não tinha como reagir”, disse a mãe da jovem, 40 anos.

“A UFJF, até agora, não entrou em contato conosco. As investigações nem começaram. Talvez, se agissem mais rápido, o culpado pudesse ser pego, já que eles têm o nome de todos os alunos. O que aconteceu com minha filha foi muito sério. Se tivesse mais segurança no campus, nada disso teria ocorrido. Ela me ligou e pediu para ir. Só deixei porque jamais pensei que isso pudesse acontecer no prédio e dentro da universidade em que ela estuda”, acrescentou, no final da manhã de ontem, quando procurou ajuda na 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil, em Santa Terezinha.

“Vou entrar com processo contra a instituição e contra o responsável pelo evento. Ela passou em três universidades e optamos pela UF-JF. Mandei minha filha para a instituição que considerávamos melhor e mais segura. Ela era virgem e, agora, estou levando minha filha para casa desse jeito. Vai passar, mas vai demorar e vai ser difícil.”

O bullying sempre indica a presença de uma gangue

O coordenador do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Felipe Fonseca, classificou o episódio como “violência bárbara”. Ele ressaltou que a situação reforça o machismo da sociedade, problema que também afeta a universidade, evidenciado, principalmente, nos trotes e nas calouradas. “Vamos fazer uma campanha, por meio de um informativo, e o caso do estupro, com certeza, vai estar presente. Precisamos resgatar o debate dentro da UF-JF.”  É outro vai-vai.

Representantes do Coletivo Feminista Maria Maria – Mulheres em Movimento, núcleo da Marcha Mundial de Mulheres em Juiz de Fora, também repudiaram o crime, e afirmaram que a discussão precisa ser mais ampla. “Como grupo de mulheres criado e organizado na UFJF para debater e promover ações que discutam a mulher na universidade e na sociedade em geral, é inaceitável que o caso seja tratado apenas como problema de segurança no campus, sem levantar o debate de violência contra a mulher, que deveria ser o foco do caso.”

Temos vários crimes acontecendo na Universidade: o bulismo, o tráfico de drogas, a presença de um estrupador, ou mais de um, aproveitando que a menina estava desacordada. Era uma festa fechada, com senhas numeradas, e quem distribuiu as senhas sabe os nomes de todos os participantes.

Este pode ser mais um  caso de uma série de estupros dentro da Universidade. Um tarado que a polícia precisa mostrar a cara, e a justiça encontrar uma lei para punir o covarde torturador e estuprador, o maníaco sexual solto dentro da UF-JF.

Há uma forte possibilidade de curra. Pelos arranhões em várias partes do corpo. Pelas insuportáveis dores nas partes íntimas. Todo mundo sabe que o ato sexual não hospitaliza ninguém. Isso indica várias penetrações. Duas ou mais almas sebosas.

Polícia e Universidade desacreditados

Indignados, os pais da caloura do Curso de Artes e Design informaram que já entraram em contato com advogados no município onde moram, no interior paulista, os quais ficarão responsáveis por cobrar agilidade na apuração.

“Não tivemos retorno das polícias. Não estamos nem surpresos com essa demora. Como tudo no país, acredito que vai dar em nada. Mas nossos advogados ficarão em cima. É uma pena porque, se não houver rigor na investigação, outras pessoas podem acabar sendo vítimas como nossa filha”, comentou o pai da adolescente.

Segundo ele, a filha não voltará para cursar a faculdade na UF-JF. “Juiz de Fora acabou para ela. Escolhemos a instituição por ser segura. Permitimos que ela fosse à festa porque aconteceria dentro do local onde estuda, onde havíamos subentendido que estaria em segurança. Mas aconteceu tudo ao contrário”, desabafou o pai.

A UF- JF informou ontem que, durante todo o dia, levantou informações sobre o crime, mas que, somente no final da tarde, o Setor Jurídico teve acesso ao boletim de ocorrência da Polícia Militar. Passou essas informações para a delegada Maria Isabella Bovalente? A instituição garantiu que irá tomar providência administrativa. Até sexta-feira, o reitor Henrique Duque, que está em viagem, deve anunciar uma medida a curto prazo para regular os eventos no campus. A instituição ainda informou que o reitor irá procurar a família da adolescente e se colocar à disposição. O reitor deve explicações para todos os pais de alunas. Todos.

Cabe ao reitor exigir o máximo rigor da polícia nas investigações, expulsar os envolvidos, e reclamar da justiça justiça.

Até agora o Ministério da Educação continua calado. O famoso nada a declarar.