Dengue é peste escondida em São Paulo

Sempre fez parte da campanha de combate a dengue não guardar água em balde.

Com a seca na Região Metropolitana de São Paulo, a recomendação passou a não existir.

A verdade verdadeira é que o governador de São Paulo até hoje nega o racionamento no serviço de abastecimento de água.

 Ali Divandari
Ali Divandari

E quando é verão, e quando falta água, a dengue se transforma em uma epidemia. E mortal epidemia.

De repente a imprensa parou de informar sobre a dengue em São Paulo.

Mas Carlos Tramontina furou a censura. O apresentador do telejornal SPTV – 2ª edição, da TV Globo, informou através de sua página no Facebook que está com dengue e, portanto, ficará longe do trabalho por uma semana.

“Meus amigos, o mosquito me pegou. Estou em casa, muito bem, me recuperando da dengue. Repito, estou bem. Na semana que vem eu volto. A gente se encontra. Abraços.”, escreveu em post na rede social.

Tramontina está devendo uma reportagem sobre a dengue em São Paulo.

Em Recife, para outro exemplo, são inimagináveis as seguintes cenas de combate ao mosquito noutras cidades brasileiras:

combate-dengue

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1 COMBATE A DENGUE

Artes e ofício do melhor jornalismo

Firuz Kutal
Firuz Kutal

Para vencer como jornalista quem nasceu vesgo leva vantagem. Ou quem aprende a olhar de lado. Fazer que não vê, e propagar, sem maiores perguntas, o que o chefe manda.

Se for bonitinha facilita. Para o emprego de apresentadora de tv, contatos publicitários ou ficar com algum ricaço de papel passado.

Mas todo cuidado com a beleza! Jornalista virar princesa como aconteceu na Espanha, ou casar com um John Kennedy assinala que Cinderela não tem futuro em terra de índio.

Aqui as desventuras da menina que ajoelhou aos pés de um coronel da briosa mineira, outra exilada na Espanha grávida do candidato e futuro presidente, uma terceira assassinada pelo chefe-de-redação em uma cavalariça. Existem várias histórias sangrentas.

Ser bonitinho facilita. Vi jornalista macho, aprovado no exame da goma, ganhar colunas e cargos públicos.

Toda história pessimista tem uma razão de ser. Recente pesquisa do Poynter Institute sobre as condições de trabalho nas redações chegou a conclusão de que os mais jovens, as mulheres, os pertencentes às minorias, os de origem pobre são condenados a abandonar a profissão de jornalista. As razões desta tendência, além das discriminações, as intermináveis jornadas, a pressão e a precariedade de trabalho. Ora, ora, no Brasil tudo se torna pior, porque não temos comitês de redação, nenhuma lei de proteção e os salários são indignos.

Se é para mentir sobre os outros, aprenda a contar pabulagem. Strabonem appellat paetum pater [Quando o filho é vesgo, o pai diz que ele olha de lado. Horácio, Satirae]

 

DA VANTAGEM DE SER VESGO

Esta entrevista expõe, de maneira implícita, verdades que precisam ser discutidas:

ISTOÉ: – Você não é vesgo. E repórter, você é?
Rodrigo Scarpa:– Estudei rádio e TV na Faculdade Metodista.

ISTOÉ:– Você queria ser famoso?
Scarpa: – Não. Eu queria fazer um trabalho bacana na televisão. Quis ser locutor de rádio, mas descobri que eles ganham pouco e desisti. Comecei como estagiário na Jovem Pan. Colava adesivos nas ruas, buscava lanche para o Luciano Huck e ganhava R$ 150. Odiava fazer aquilo

ISTOÉ: – E como nasceu o Repórter Vesgo?
Scarpa: – O Pânico precisava de um repórter sério, que usasse até terno. Mas eu não queria ser um repórter quadradão. Na minha estréia, lambi o rosto da entrevistada. Aos poucos, implantei o repórter louco. Como os artistas só iam no Gugu e no Faustão, me mandaram cobrir as festas de famosos. Eu estava nervoso com a estréia e o Emílio Surita (âncora do programa) disse: “De tão nervoso está vesgo.” Daí pegou.

As respostas de Scarpa escancaram uma realidade que as faculdades escondem: o estágio gratuito e outras obscuridades.

 

QUANDO A POESIA É NECESSÁRIA

Pior que jornalista é ser poeta. Hoje, “Quando a poesia é dia em Natal”, Woden Madruga escreve:

”As folhas dos cadernos culturais desta brava aldeia de Poti estão prenhas de matérias sobre o Dia da Poesia. Uma exuberância de comemorações com o selo da criatividade burocrática fertilíssima na louvação dessas efemérides. Natal tem muitos poetas e pouca poesia. Os poetas de crachá. Essa fama vem de longe. De um tempo em que corria a quadrinha famosa que dizia que aqui, no burgo à beira do rio plantado, em cada rua havia um jornal e em cada esquina cantava um poeta. E o clichê ficou. Temos até sociedade de poetas mortos ou quase. Em Natal tem tantos poetas quantas padarias temos. Só perdem para o número de farmácias e drogarias, numa verdadeira relação custo-benefício. É possível que a Unesco já tenha se preocupado com essa estatística.”

No Recife, numa rara tarde chuvosa, alguém ficou na esquina do bar Savoy onde Carlos Pena Filho escreveu seu mais famoso verso, e contou, na passagem dos transeuntes, cinco mil poetas.

O diabo é quando o cara tenta as duas coisas: a poesia e o jornalismo.

A princesa espanhola deste escrito de 12/03/2005, no Aqui e Agora, virou rainha, Letícia da Espanha, em 19 de junho de 2014, e o marido, Filipe João Paulo Afonso de Todos os Santos de Bourbon e Grécia (em espanhol: Felipe Juan Pablo Alfonso de Todos los Santos de Borbón y Grecia) governa com o nome de Felipe VI, que não prenuncia coisas boas para o Brasil, que foi colônia da Espanha com os reis Felipes II e III.

RECIFE, A CAPITAL DO LIXO NO NORDESTE

Luxo

A primeira leitura que fiz foi lixo. Esta de Recife capital do luxo é uma piada. Certamente que existem fausto, esplendor, magnificência e ostentação privativas das mansões e apartamentos de executivos de empresas estrangeiras, de marajás e Marias Candelária do executivo, do legislativo e do judiciário. E nos shoppings, que a Prefeitura, para servir os novos mascates, pretende transformar em passeio público e locais substitutos das antigas praças.

Os grandes empresários de Pernambuco não moram no Recife, preferem a lonjura das praias particulares e de secretos condomínios fechados. Ou a vida no além-mar.

Vi hoje na página Direitos Urbanos – Recife, no Facebook:

Rafael Andrade: Canal do lixo, localizado em Afogados, Estrada dos Remédios (ao lado do bar do Caboclinho)
Rafael Andrade: Canal do lixo, localizado em Afogados, Estrada dos Remédios (ao lado do bar do Caboclinho)
Wellington Lima:  É assim que se encontra a chamada "Veneza Brasileira", no Cais da Alfândega
Wellington Lima: É assim que se encontra a chamada “Veneza Brasileira”, no Cais da Alfândega
A EMPRESA QUE ESTAR CONSTRUINDO O TIP DA JOANA BEZERRA CONCRETIZOU, SOTERROU AS ARVORES CENTENÁRIA DO SÍTIO HISTÓRICO DO CAJUEIRO DO COQUE E ELAS ESTÃO MORRENDO! JÁ ENVIAMOS OFÍCIO A SECRETÁRIA DO MEIO AMBIENTE PEDINDO QUE ELA INVERTESSE E ATÉ HOJE ELA NADA VEZ. DO MESMO JEITO PEDIMOS AOS PROMOTORES DO MEIO AMBIENTE E ELES TAMBÉM NADA FIZERAM! JÁ NÃO SABEMOS A QUEM MAIS RECORRER! DAÍ O NOSSO PEDIDO DE AJUDA. CONTAMOS COM VOCÊS! VIDE FOTOS ANEXAS E OFICIO.
RILDO FERNANDES: A EMPRESA QUE ESTá CONSTRUINDO O TIP DA JOANA BEZERRA CONCRETIZOU E SOTERROU AS ÁRVORES CENTENÁRIAS DO SÍTIO HISTÓRICO DO CAJUEIRO DO COQUE, E ELAS ESTÃO MORRENDO!
JÁ ENVIAMOS OFÍCIO A SECRETÁRIA DO MEIO AMBIENTE, PEDINDO QUE INVERTESSE E, ATÉ HOJE, NENHUMA PROVIDÊNCIA

O Recife é uma cidade suja e escura.

Ninguém sabe para onde vai o dinheiro da Prefeitura, que nada se faz que preste para o povo.

Governar Recife é construir os caminhos dos shoppigns.

 

Meu Recife querido

por Angelo Castelo Branco

Rafaela Lima
Ao secretário de Cultura

Meu Recife querido
Coitadinho
Tão maltratado
Tão agredido
Tão sujinho e desfigurado.
Cadê a rua Nova?
Cadê a Guararapes da minha infância?
Onde está a rua da Imperatriz?
Como incentivar a Cultura numa cidade tão violentada?
Eu te reencontro um pouco, meu Recife, no coração de Lisboa.
Pelo menos isso.

 

Lisboa, 19 de dezembro, 2014

 

Imagem Fotografia de Rafaela Lima

Leia Angelo Castelo Branco, jornalista, professor da Universidade Católica de Pernambuco, secretário de Imprensa de Pernambuco, um nome exemplar do Jornalismo brasileiro

 

Angelo

Acimentando o verde e o azul do Recife

 

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Eta sorriso besta do prefeito Geraldo Júlio. Nem trepa nem sai de cima.

Depois de dois anos de improvisos. Metas, que é bom!

Olha que um prefeito do Recife não tem quase nada para fazer. A Prefeitura não possui universidade, nem hospital, nem biblioteca pública, nem museu, nem editora, não tem um passeio público, nenhum parque.

Não sei que um prefeito faz, além de criar avenidas, ruas e túneis para os shoppings, ou oferecer o espaço urbano para a especulação imobiliária.

O Estado cuida dos transportes, do trânsito, do ensino público, da saúde, da água, do saneamento, da segurança, da política habitacional.

Abandonada Recife. Cheia de obras inacabadas, terrenos baldios, favelas.

Estão cimentando o verde dos manguezais, o que resta da Floresta Atlântica, o azul das lagoas e da Bacia do Pina.

A Cidade das Águas está cada vez mais seca, quente, escura e cinzenta.

 

 

Após 20 meses de gestão, prefeito do Recife ainda não entregou uma nova escola sequer. Priscila Krause questiona atraso das obras

educação contra

De posse de cópias de contratos, ordens de serviços e termos aditivos, Priscila Krause questionou a gestão municipal a respeito do atraso de sete obras de construção de novas sedes de escolas municipais, um investimento na ordem de R$ 14 milhões. “Desde março do ano passado essas novas sedes são anunciadas, mas nenhuma foi inaugurada. Todas as datas prometidas pela Prefeitura já passaram. É preciso que a Secretaria de Educação se posicione, porque se trata de uma ação importante para as crianças e jovens recifenses”, afirmou.

O monitoramento da vereadora registrou que duas unidades (a Professor João Francisco de Souza, na Várzea e a Jardim Monte Verde, no Ibura), deveriam ter sido entregues ainda em novembro de 2013. As ações foram amplamente divulgadas pela imprensa oficial. Na época, a PCR prometeu que os novos equipamentos públicos já seriam utilizados pelos alunos no início do primeiro semestre letivo de 2014.

As outras cinco unidades estavam prometidas para julho deste ano, possibilitando que os estudantes as utilizassem desde agosto (Municipal de Santo Amaro, Manoel Torres, em Boa Viagem, Córrego do Euclides, José Lourenço de Lima, no Ibura e, por fim, Lutadores do Bem, em Santo Amaro), mas também ficaram na promessa. De acordo com informações registradas no Diário Oficial do Município, as datas de conclusão dessas obras foram postergadas para dezembro próximo.

Para Priscila, candidata a deputado estadual, a gestão precisa acelerar o ritmo das ações que efetivamente mudam a realidade da cidade. “Uma gestão que se aproxima de concluir sua primeira metade, sem entregar uma nova sede de escola sequer, precisa se justificar perante a sociedade. Um investimento desse porte não pode ser prejudicado por eventual má gestão ou falta de planejamento”, concluiu Priscila.

Priscila

Contato final com o eleitor pernambucano. "Amanhã o nosso encontro é na urna!", convida Priscila
Contato final com o eleitor pernambucano. “Amanhã o nosso encontro é na urna!”, convida Priscila

Fip, poesia afro & linchamento. Por que magia negra?

Qual a diferença entre magia negra e magia branca?

Acontece que no Brasil sempre ligam a magia negra às religiões tradicionais africanas, dos negros descendentes de escravos. Há muito racismo na classificação. E faz parte da contrapropaganda religiosa de fanáticos evangélicos.

Muita gente esquece que na Europa, inclusive na corte católica da monarquia francesa, se praticava a missa negra.

Fip

O Recife realiza entre os próximos dias 22 e 25, um secreto Festival Internacional de Poesia para debater: “Em vários momentos na história a palavra esteve ligada à divindade e a poesia serviu de veículo para essa aproximação com o sagrado. Desde a epopéia de Gilgamesh ao Popol Vuh maia, passando pela Divina Comédia de Dante, o Paraíso Perdido de Milton ou a poesia xamânica da beat generation, a sacralidade é evocada de alguma forma”. O xamanismo beat buscava o êxtase e o transe na mescalina.  E o uso da maconha pelos poetas brasileiros?

Uma discussão poética como linguagem mística, profética, não pode fugir da contemporaneidade  dos linchamentos, recentemente abordada pelo Papa Francisco, nem de Aleister Crowley, por sua influência nos principais poetas do Século XX: T.S. Eliot, Rilke, Fernando Pessoa e outros.

Leia na Wikipédia: “Em 2001, uma enquete da BBC descrevia Crowley como sendo o septuagésimo terceiro maior britânico de todos os tempos, por influenciar e ser referenciado por numerosos escritores, músicos e cineastas, incluindo Jimmy Page, Alan Moore, Bruce Dickinson, Ozzy Osbourne, Raul Seixas, Marilyn Manson e Kenneth Anger. Ele também foi citado como influência principal de muitos grupos esotéricos e de individuais na posterioridade, incluindo figuras como Kenneth Grant e Gerald Gardner”.

Crowley dizia ter criado Hitler. Estava com Fernando Pessoa no seu lendário desaparecimento em Lisboa, quando, na verdade, morreu em Londres, secreta e miseravelmente, dopado de cocaína fornecida pelo governo inglês.

Quais os principais brasileiros discípulos de Crowley, notadamente os poetas?

 Curioso no Fip é discutir o sagrado e esquecer Adélia Prado. Não reivindicar para a mística/profana poetisa mineira, o Primeiro Prêmio Nobel para o Brasil.

Haverá uma mostra da poesia negra, lusófana? (T.A.)

 

bruxaria

por Paulo Teixeira

 

Estou perplexo com as imagens do espancamento da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, no bairro de Morrinhos, Guarujá (SP).
Essa ação revela o comportamento mais bárbaro que o ser humano pode ter. Uma ira coletiva impregnada de ódio contagioso e violência em estado bruto.
A (des)humanidade estimulada pela grande mídia e por informações imprecisas e inverídicas que circulam em páginas nas mídias sociais incitando o lema: “justiça com as próprias mãos” fizeram com que Fabiane fosse linchada.
Mesmo após quase 200 mil anos sobre a Terra, ainda vemos pessoas capazes de algo tão primitivo e irracional como o que vem ocorrendo semanalmente.
Fabiane deixou duas filhas (de 12 e 1 ano) e marido, o porteiro Jailson Alves das Neves, de 40 anos.

Fabiana
Na foto, parentes e amigos revoltados durante o enterro de Fabiane, no Guarujá.
Uma passeata pedindo justiça foi convocada para o dia das mães (domingo), às 10h

As redes sociais contra a gentrificação do Recife

do recife antigo para o recife do futuro

 

Em uma intercessão de diferentes grupos sociais, culturais e urbanos, Recife se aproxima de considerar a necessidade de organização popular e da participação ativa e efetiva dos cidadãos na construção de novos espaços urbanos.

O objetivo é abordar o chamado fenômeno da gentrificação: o processo de transformação urbana em que a população original de um bairro pobre é gradualmente forçada a mover-se, e substituída por outra de maior poder de compra, depois de uma reavaliação anterior da área para fins especulativos.

Um grupo atuante “Direitos Urbanos” visa: “discutir não só os problemas da cidade do Recife, mas também idéias, propostas, novos rumos. A proposta é reunir pessoas interessadas em um Recife realmente para as pessoas (não só nos slogans), um Recife com vida”. Participe.

A especulação imobiliária se volta para a conquista do Recife Antigo e da Bacia do Pina, cartões postais do Recife, pela beleza visual.

 

Bacia do Pina
Bacia do Pina

 

Veja um exemplo de luta que ora acontece na Espanha

História e paisagens do Recife roubadas pela “modernidade” espelhada e a cegueira do poder público

por Josué Nogueira

 

Rio Mar ocupa a cena onde existia mangue e divide a paisagem com igrejas do bairro de São José
Rio Mar ocupa a cena onde existia mangue e divide a paisagem com igrejas do bairro de São José

 

A preservação da história de um centro urbano passa pela manutenção de edificações, paisagens e peculiaridades que documentam o passado e dão fisionomia à localidade.

Infelizmente, a cara do Recife, cidade nascida sobre ilhas, braços de rios e canais cortados por pontes, tem desaparecido aos poucos.

Áreas que reuniam cenários naturais e construções antigas de valor arquitetônico inquestionável vem sumindo gradativamente.

 

Torres com Brasília Teimosa e Pina ao fundo
Torres com Brasília Teimosa e Pina ao fundo

Impossível reconhecer o Cabanga olhado a partir de São José e do Recife Antigo, por exemplo.

O shopping Rio Mar e empresarias substituíram um trecho grande do estuário que compõe a Bacia do Pina – um dos últimos indícios de que vivemos sobre o mangue.

Do mesmo modo, é estranho olhar para o centro a partir das pontes que ligam Cabanga e Pina.

O casario secular e igrejas históricas são engolidos pelas “torres gêmeas” levantadas no cais vizinho à antiga ponte giratória.

O cenário vai ficar ainda mais estranho com o tal do projeto do Novo Recife entre o Cais José Estelita e a Av Sul.

Nada contra a ocupação de zonas esquecidas que devem e merecem ser revitalizadas, abrigando gente, comércio e “povoando” a cidade.

Foto de Ricardo Fernandes
Foto de Ricardo Fernandes

Mas, tudo contra a especulação imobiliária que toma mangues, viola paisagens e faz brotar espigões de concreto onde a história da cidade é contada (por que não limitar o número de pisos?).

A falta de limites na altura dos edifícios, associada à cultura do exclusivismo (prédios e condomínios fechados em si, erguidos como se estivessem em territórios independentes da urbe), rouba a feição e a alma da cidade.

As fotos do post atestam um pouco do escrito aqui. As duas primeiras, postadas na página de uma amigo, me estimulara a escrever este post.

O tema pode não estar na ordem do dia, mas segue carente de debate e de atitude (e comprometimento com a história) por parte do poder público.

É triste ver a cidade perder DNA diariamente e ser convertida em mais uma entre tantas, com prédios espelhados – tidos como atestado de luxo e “desenvolvimento” – e desconectados com a realidade circundante.


Dos comentários ao oportuno texto de Josué Nogueira, destaco dois anônimos (Recife é a cidade do medo, das patrulhas, do pensamento único, assim fica justificado o anonimato.

1 – Pois é… nos roubam a paisagem em nome de uma “mudernidadhy” pra lá de atrasada. Difícil escutar – todo o tempo – de gente que se diz esclarecida, e que já viajou mundo afora: “mas vai crescer como?”. E que não consegue captar bons exemplos de cidade, e que tem a mente no caixote que só enxerga o mundo na caixa fechada de espelhos a 100 metros de altura.

E é bom investigar os EIV’s (estudos de impactos de vizinhança) e os EIA’s (estudos de impactos ambientais) desses empreendimentos

2 – Engraçado, o blogueiro mora onde?
Deve morar em Boa Viagem ou em outro bairro nobre da cidade. Recife tem que se desenvolver e ficar uma cidade bonita. É muito fácil para esses intelectuais, com suas roupas de grifes, quererem que a cidade fique feia, enquanto eles moram na parte bonita.


[O comentarista n. 2 não diz em que lugar e que tipo de moradia deve residir o despejado pela justiça dos ricos e pelo braço armado da polícia que prende e arrebenta. Que todo arranha céu que aparece ocupa espaços antes habitados pelos pobres, pelos sem teto, pelos sem nada.

Quem são esse altos moradores que ocupam as novas altas torres?

Nada se faz que preste para o povo. Não há espaço para a vida e a morte das populações. Recife não tem um passeio público. Os hortos, parques e praças estão abandonados. Não se constrói mercado público. Centros de lazer, de cultura, de esportes. Nem cemitérios. O recifense não tem onde viver, nem onde morrer]