Código florestal ou lei pica-pau?

O Brasil tinha o Ministério da Amazônia Legal. Que hoje é toda ilegal. Para permitir a devastação das mineradoras, o corte e tráfico de madeira nobre, e os avanços dos latifúndios da lavoura de exportação e dos capinzais de engorda de gado solto.

O novo Código Florestal, que se encontra na mesa de Dilma para ser sancionado, tem como base a sacanagem de nossa vocacão agrícola. Que começou com as primeiras plantações de cana de açúcar em 1536. Também é deste ano os primeiros currais de gado.

Só que esquecem que – cito no meu livro “Sertões de Dentro e de Fora” -, em 1549,  Duarte Coelho, em carta ao el-rei, denunciava a extração abusiva de madeira:

“O fazer brasil, Senhor, que com tanta desordem o querem fazer, é tão danoso e tão odioso”.

Em 1618, Ambrósio  Fernandes Brandão, criticando os colonizadores portugueses, in “Diálogos das Grandezas do Brasil”:

“Têm por tempo perdido o que gastam em plantar árvore”.

O príncipe Nassau também multava o corte de árvores, 1630-1654.

O novo Código de Dilma não protege  o verde das nossas matas e florestas. Simbolizado no verde estampado na nossa Bandeira, nem o azul. O azul dos rios e do nosso céu, poluído pelas queimadas.

 Pica-pau (vídeo)

Tráfico de madeiras nobres

Os navios piratas começaram a chegar no Brasil no ano de 1500, e daqui saíam carregados de madeira. Pau brasil e outras, como o jatobá. Assim acabaram com a Floresta Atlântica. Assim acontece com a Floresta Amazônica.

Depois do desmate, tocam fogo nas clareiras abertas na mata, e das queimadas nascem os campos de latifúndios.

Dou o exemplo do jatobá.

O jatobá ou jataí é uma árvore originalmente encontrada na Amazônia e Mata Atlântica brasileiras, onde ocorre naturalmente desde o Piauí até o Norte do Paraná.

Com altura entre 15 e 30 m (até 45 metros na Amazônia) e um tronco que pode ultrapassar 1 m de diâmetro.
O fruto é um legume indeiscente, de casca bastante dura. Cada legume costuma ter duas sementes e é preenchido por um pó amarelado de forte cheiro, comestível, com grande concentração de ferro, indicado para anemias crônicas. Doces feitos com esta farinha eram muito comuns até o século XIX.

A madeira é empregada na construção civil em vigas, caibros, ripas, acabamentos internos (marcos de portas, tacos e tábuas para assoalhos), na confecção de artigos para esportes, cabos de ferramentas, peças torneadas, esquadrias, jóias, objetos de arte e peças decoração, bem como móveis de alto luxo. Conhecida como Brazilian-cherry, a madeira do Jatobá consta junto com o Ypê (Brazilian-walnut) e o Mogno (Mahogany) no grupo das 10 mais valiosas e negociadas madeiras do mundo.

Entre seringueiros e moradores de regiões próximas das florestas onde se encontram, é comum utilizarem a casca da árvore para fazer um chá, também chamado de vinho do jatobá. Acreditam que este chá é um poderoso estimulante e fortificante.

Por volta do início dos anos 2000, para evitar a retirada da casca, a UFAC (Universidade Federal do Acre) desenvolveu um método de extração do vinho do jatobá através de uma mangueira. Os mercados americanos e europeus são grande mercado para os extratos de Jatobá.

Em épocas diferentes, desde 1930, foi indicada a comercializada para fins medicinais.
A partir do final do século XX passou a ser estudada por etnobotânicos americanos, e é consumida nos EUA com os mesmos fins tradicionais.
Como planta medicinal, diferentes partes são usadas por indígenas do Brasil, Guianas e Peru contra diarréia, tosse, bronquite, problemas de estômago e fungos nos pés. Estudos recentes indicam que Jatobás antigos podem produzir substancias com eficácia no combate a alguns tipos de câncer.

Fruta mística

O Jatobá é um fruto muito conhecida dos índios da América Latina por ser uma das frutas místicas. Por assim ser, os índios pesquisavam seus efeitos antes de consumi-lo. Este fruto trazia equilíbrio de anseios, desejos, sentimentos e pensamentos em uma orgia espiritual.

Os índios costumavam em tempos remotos comer um ou dois pedaços de jatobá e logo após fazer rodas de meditação. Eles cultuavam a fruta e hoje a árvore (jatobeira ou Jatobazeiro) é considerada um patrimônio sagrado no Brasil.

Tão sagrado para os piratas que se tornou um luxo dos palácios e palacetes dos 1% ricos, principalmente, nos Estados Unidos, Europa e Japão. Eis um exemplo dos milhares de exemplo