¿Primavera mexicana?

 

 

por Gustavo Esteva

 

Es demasiado pronto para hablar de primavera mexicana. Llamamos primavera árabe a un despertar radical que permitió al mundo árabe deshacerse de algunos dictadores y desatar transformaciones profundas que lo pusieron en sintonía con el resto del mundo. Es una desproporción sostener que la reciente movilización de los jóvenes, que apenas empieza a extenderse, tiene ya ese carácter. Pero no es un despropósito. Sería igualmente desproporcionado considerarla irrelevante y efímera y descartar la posibilidad de que adopte ese rumbo.

Fueron los Ocupa Wall Street quienes hablaron de la primavera mexicana y la saludaron con entusiasmo. Podemos hacer una extrapolación y decir a estos jóvenes lo que Naomi Klein dijo a los de Wall Street: “Los confundidos líderes de opinión se preguntan en la televisión ‘¿por qué están protestando?’. El resto del mundo, mientras, se pregunta: ‘¿Por qué tardaron tanto? Nos preguntábamos cuándo iban a aparecer. En todo caso: Bienvenidos’”.

Y sí, bienvenidos. Hacían falta.

Salário de um soldado da polícia militar de Brasília: 4,507,10 reais

Acho justo o soldado de outras polícias estaduais fazer  greve pela equiparação.

E você engenheiro, médico, professor, nutricionista, assistente social, psicólogo, jornalista, filósofo & outros com canudos de bacharel, de mestrado, de doutorado qual seu salário piso?

Compara com o mínimo do mínimo de outros países

Compara com a Espanha, um país em crise.

Você sabia que leis internacionais consideram um crime um trabalhador pagar mais de 30 por cento do que ganha no aluguel de uma moradia?

Se você é um sem teto da classe média, recebe um pisoteado piso, e sabe que depois dos 35 anos vai ser difícil arranjar um emprego, qual seu projeto para o futuro?

Que você fez dos seus sonhos dos tempos estudantis?

Você acha que o Brasil vai melhorar depois da Copa do Mundo ( vide o exemplo da África do Sul), depois das Olimpíadas (veja as notícias da Grécia hoje)?

Se você acha justo que para ser escravo é preciso estudar
 … você vai viver um eterna quarta-feira de cinzas.

Para ser escravo é preciso estudar. Escute a música

Deolinda

Parva Que Eu Sou

Sou da geração sem remuneração
E nem me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
Já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Que para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
Se já tenho tudo, para quê querer mais?
Que parva que eu sou!
Filhos, marido, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar,
Que parva que eu sou!
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘vou queixar-me para quê?’
Há alguém bem pior do que eu na tv.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
Que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar.

Escute a música

 

 

Como surge a violência entre os jovens?

“As pesquisas apontam para as mesmas conclusões. ‘A gente não quer só comida, a gente não quer só dinheiro. A gente quer comida, diversão e arte. A gente quer dinheiro e felicidade’. O que a música indicava sintetiza bem a resposta. A problemática não se esgota apenas com dinheiro, ainda que seja muito importante. Se fosse, todos com pior condição econômica se perderiam na violência. O que está além é o afeto. Antes de matar alguém, tem que acabar algo dentro de você. Quem está mais vulnerável é quem viveu uma rejeição afetiva forte, desde a família até a comunidade. É a invisibilidade social”.

O antropólogo Luiz Eduardo Soares fala sobre a violência no Brasil.

Grande parte da violência está ligada às drogas. O que você tem a dizer sobre isso?
“Sou defensor da legalização de todas as drogas. Quando se tem a legalização, há um controle de qualidade, regras e uma disciplina. Veja o álcool, que é uma das drogas que mais matam. São mais de 15 milhões de alcoólatras no Brasil. Ninguém discute a criminalização, pois imagine o tráfico dessa substância. Contra ela há várias forma de tratamentos e campanhas educativas para evitar os abusos. As sociedades que melhor se relacionam com o álcool são as que trabalham com a autogestão e estabeleceram limites, como Israel, Itália e França. O melhor caminho para combater os abusos não é criminalizando, mas transformando em um problema de saúde. O mundo todo mostra que é impossível controlar o tráfico de drogas, mesmo com as melhores polícias. Se é inevitável o acesso, em que contexto seria mais adequado vivenciar isso? O de prisão ou o de discussão de saúde e educação? O criminal já se provou ineficaz. Outros países já mostraram que o caminho é mais racional, como na Holanda”.

Muita gente esquece. Pobre tem direito a ser feliz.
Por que uns tem de sofrer, outros não?
Não quer trabalhar, não tem. Não estudou, não tem. Duas respostas nefastas da direita, dos racistas, dos nazistas, das elites, dos fariseus.
Quem mais trabalha, ganha menos. Quem pega no pesado, recebe o salário mínimo do mínimo.
Quem mais estuda, depois de formado termina recebendo o salário piso.
Como diz a canção: “que mundo é este que, para ser escravo é preciso estudar”. Escute a música