TV Globo quebrou o segredo de justiça que protegia o prefeito pedófilo e ladrão de Coari (AM)

Escuta revela negociação do prefeito para conhecer crianças

 

Prefeito tarado de Coari Adail Pinheiro
Prefeito tarado de Coari Adail Pinheiro

 

Neste domingo (26), o Fantástico voltou a falar das acusações ao prefeito de Coari, no Amazonas, de envolvimento com uma rede de exploração sexual de menores. Depois das denúncias que apresentamos na semana passada, outras vítimas vieram a público contar o que passaram. A reportagem é de Giuliana Girardi, Monica Marques e Walter Nunes.Adail Pinheiro, 51 anos, pai de três filhos, cumpre o terceiro mandato como prefeito de Coari, no interior do Amazonas. É acusado entre outros crimes, de pedofilia.

“Nunca fiz, não faço, nem nunca farei. Eu desafio quem quer que seja a provar que alguma vez eu cometi um crime dessa natureza”, diz Adail Pinheiro, prefeito de Coari.

Em uma gravação telefônica de agosto de 2007, Adail Pinheiro conversa com Adriano Salan, na época Secretário de Administração da Prefeitura de Coari. Eles falam sobre uma jovem que Adriano tinha acabado de conhecer.

Adriano: é um bebê, agora que olhei direito, que bebezinho.
Adail: traga logo aqui para eu ver logo.
Adriano: meu irmão é um bebê chefe, que sorriso lindo, branquinho, branquinho. Deixa a gengiva vermelhinha, cabelão.
Adail: ai meu Deus, traga.
Adriano: teu número, patrão. Eu vou levar aí.

A conversa é uma das provas contra Adail. A Polícia Federal gravou, com autorização da Justiça, vários telefonemas do prefeito e do grupo que, de acordo com as investigações, identificava e aliciava as vítimas para ele.

Aliciador: essa menina é da alta sociedade, coisa de doido, bicho, tu vai enlouquecer, tu vai me dar é uns três paus pra namorar com essa mulher.
Adriano: então um dia, apresenta pro chefe, parceiro; isso é coisa pro chefe, não é pra mim.
Aliciador: essa aqui é mulher pra ti, não é pro chefe, é mulherão mano; o chefe gosta de dente pequeno.

Quase seis anos se passaram desde o fim das investigações. E tudo continua do mesmo jeito. Novas denúncias continuam chegando ao Ministério Público, como o Fantástico mostrou no domingo (19).

“Dali ele me levou pro quarto. E me estuprou, porque eu pedi pra ir embora”, conta uma jovem. Ela revela que, nessa época, tinha 10 anos.

“Lamentavelmente, constatamos que realmente a violência vem se dando de forma reiterada. Nós não estamos trabalhando com fatos antigos, nós estamos trabalhando com situações novas”, afirma Leda Mara Albuquerque, promotora.

Entre as vítimas, está uma menina de 13 anos que o Fantástico mostrou no domingo (19), em um vídeo gravado pelo Conselho Tutelar.

Esta semana, o Fantástico localizou a adolescente. Segundo os promotores, ela tinha sido prometida ao prefeito para a noite do último réveillon. Mas conseguiu fugir.

Fantástico: Você tá com medo?
Menina: Eu fiquei assustada, quem é que não fica assustada numa situação dessas? Eu tenho medo que ele faça isso com outras meninas ou tente fazer.

Esta semana, uma outra vítima procurou o Ministério Público pra denunciar Adail Pinheiro. Ela contou que foi abusada diversas vezes e que tinha apenas 11 anos quando foi forçada pela primeira vez a ter relações íntimas com o prefeito.

“O que nós estamos fazendo agora nesse momento é ouvindo novas vítimas, pessoas novas em relação a um investigado antigo”, diz Leda Mara Albuquerque.

Na semana passada, Adail marcou uma entrevista ao Fantástico, mas desistiu na última hora. Esta semana, ligamos novamente para o advogado dele.

Fantástico: A gente gostaria de ouvir o prefeito.
Advogado: Amanhã de manhã eu ligo para o prefeito e entro em contato com você.

Não houve resposta. Em entrevista na quinta-feira passada à Rede Amazônica, afiliada da Rede Globo, Adail afirmou que as denúncias são fabricadas.

“Nunca paguei por sexo com menor de idade. Eu tenho duas filhas. E jamais cometeria esse tipo de crime contra crianças e adolescentes da minha cidade. Na minha avaliação é extremamente produzida pelos meus adversários, com objetivo único de macular a minha imagem e honra pra me jogar contra a opinião pública”, afirmou Adail Pinheiro, prefeito de Coari.

“Nós temos aqui uma série de declarações de jovens, de adolescentes, que nem todas estão ligadas entre si. O que eu percebo sim e vou ser bem sincera a você que é uma tentativa dele de desqualificar essas pessoas que estão sendo ouvidas nesse procedimento investigatório”, diz a promotora.

Adail responde a 70 processos. Entres eles, a formação de quadrilha, desvio de dinheiro público, fraudes em licitações e crimes sexuais.

“Processos que ficaram em caixas de papelão por mais de um ano e meio sem nenhum tipo de movimentação”, afirma Gilberto Valente Martins, conselheiro do CNJ.

Representantes do Conselho Nacional de Justiça passaram a semana em Manaus, tentando entender por quê.

O Conselho Nacional de Justiça constatou uma demora muito grande no andamento dos processos contra Adail Pinheiro, no Tribunal de Justiça do Amazonas. Três deles são de favorecimento à prostituição. O conselho vai ouvir juízes e desembargadores, quer saber o motivo de tanta lentidão.

“Não tem nenhum processo relacionado à pedofilia, principalmente, na Comarca de Coari, que estejam aptos pra serem julgados agora”, diz Gilberto Valente Martins.

O Fantástico procurou o presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas, Ari Moutinho. Ele enviou uma nota, dizendo que vai aguardar o relatório do CNJ e os pedidos de providência para, então, tomar as medidas pertinentes.

“Pode estar havendo sim algum tipo de mecanismo para dar uma blindagem a este prefeito. Até porque vários magistrados vêm se afastando sistematicamente desses processos por motivo de foro íntimo pra não julgar este prefeito”, destaca o conselheiro do CNJ.

Adriano Salan, o ex-secretário de administração de Coari, que aparece em grande parte das gravações, é apontado pela polícia como uma das pessoas que atuam para atrasar os processos. Era oficial de Justiça, mas foi exonerado na segunda-feira, um dia depois de a reportagem do Fantástico ir ao ar. Entramos em contato com ele.

“Eu te ligo confirmando se eu vou gravar ou não”, disse.

Ele não ligou.

Fantástico: Há duvida da ação desse homem, do prefeito de Coari?
Leda Mara Albuquerque: Você está perguntando pra quem está investigando e por tudo o que eu já ouvi aqui eu digo que não.

“Eu quero que dessa vez seja feito Justiça sim. Que ele pague por todos os crimes, pelas crianças que ele abusou, que ele estuprou, porque foi isso que ele fez comigo. Que seja feita Justiça de verdade”, ressalta uma menina.

Fonte: g1.globo.com/fantastico / Amazonas Notícias

Brasil encarcera muito, mas prende mal. Criminosos violentos e ladrões do dinheiro público ficam livres

Presos por corrupção apenas 0,1%

Metade dos presos é acusada de crimes contra o patrimônio; só 0,5% responde por crimes contra a administração pública
Metade dos presos é acusada de crimes contra o patrimônio; só 0,5% responde por crimes contra a administração pública

Os condenados por corrupção no julgamento do mensalão, como o ex-ministro José Dirceu, o empresário Marcos Valério Fernandes e os deputados Valdemar Costa Neto (PR-SP), Pedro Henry (PP-MT), João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP), vão reforçar uma estatística reveladora do sistema penitenciário brasileiro. Das 548 mil pessoas que superlotam as unidades prisionais do país, somente 722 estão lá acusadas de terem praticado corrupção. Isso equivale a 0,1% do total de presos no Brasil, entre aqueles que já cumprem algum tipo de pena ou aguardam o julgamento na prisão.

Amarildo
Amarildo




Por outro lado, na mesma época, 38 mil pessoas (7%) acusadas de praticar furto, que é a subtração de coisa alheia sem uso de violência ou ameaça, dividiam a cela com criminosos violentos, como estupradores e assassinos. Na avaliação de juristas ouvidos pelo site, os dados oficiais indicam que o Brasil encarcera muito, mas prende mal. Encarcera pessoas acusadas de crime de menor potencial ofensivo e deixa de fora denunciados por crimes violentos e de roubar o dinheiro público.


A pesquisa anual do Depen, que deve ser atualizada em janeiro, escancara como o Estado brasileiro ainda tem dificuldade para punir os crimes contra a administração pública, dos quais a corrupção e o desvio de dinheiro público fazem parte. Os crimes contra a administração são responsáveis por levar à prisão apenas 2.703 pessoas – o equivalente a 0,5% de todos os presos do país. Ainda assim, houve um crescimento de 133% nas prisões por essa categoria de crime nos últimos quatro anos.


Distrito Federal


Em dezembro do ano passado, apenas seis pessoas estavam presas no Distrito Federal por corrupção passiva (funcionário público que recebe propina) ou peculato (desvio ou apropriação de recurso público por servidor em razão do cargo que ocupa), outra modalidade de crime contra a administração pública. Mais seis eram acusadas de corrupção ativa, ou seja, de ter tentado corromper um agente do Estado. Esse número mais que dobrou nos últimos dias, com a prisão dos condenados no processo do mensalão.


Entre os 25 réus considerados culpados pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento, 19 foram condenados por corrupção (oito por corrupção ativa e 11 por passiva). Nove deles estão presos em Brasília: José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Marcos Valério, Cristiano Paz, Ramon Hollerbach, Simone Vasconcellos, Romeu Queiroz e Jacinto Lamas.


Também foi condenado pelo crime o ex-diretor do Banco Central Henrique Pizzolatto, atualmente foragido da Justiça. A ex-presidente do Banco Rural Kátia Rabello e o ex-executivo da instituição José Roberto Salgado também estão detidos. Mas cumprem pena por outros crimes (lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas e formação de quadrilha). Veja as penas dos condenados no mensalão

Veríssimo justiça PT PSDB tucano versus petista



Contra o patrimônio


Eles, porém, são exceção. Quase metade dos presos brasileiros (49%) é acusada de ter cometido crimes contra o patrimônio, como furto, roubo, extorsão, estelionato, latrocínio e apropriação indébita. Outros 24% estão presos por tráfico de drogas, e 12% são acusados de crimes contra a pessoa, como homicídio e sequestro. “Continuamos prendendo muita gente errada. Apenas o criminoso violento tem de estar lá. O sistema penitenciário só ensina a pessoa a ser violenta”, critica o ex-juiz e ex-promotor Luiz Flávio Gomes, professor de Direito Penal e Processo Penal. “Muita gente não precisava estar na cadeia, mas está. Vai explodir o sistema carcerário brasileiro”, acrescenta.


Para o coordenador da Comissão Pastoral Carcerária, padre Valdir João Silveira, a prisão de políticos abre caminho para que o país conheça a realidade trágica do sistema carcerário. “Conhecer os porões dos cárceres é novidade para a sociedade mais alta, mais rica, mas não para os pobres”, diz o coordenador da entidade ligada à Igreja Católica.


Luiz Flávio Gomes diz que o baixo índice de prisões por corrupção no Brasil é histórico. “Esse crime sempre teve privilégio porque envolve pessoas com status, não envolve o pobre. Nunca foi diferente”, afirma o especialista. Ainda assim, o número de presos por corrupção pode ser considerado “o maior da história” do país, avalia. “Nunca foi mais do que isso.”



Condenado a empobrecer


Como solução, o ex-magistrado defende uma posição polêmica: em vez de irem para a cadeia, os condenados por corrupção no Brasil deveriam ser condenados à miséria, na opinião dele. “A corrupção não é um crime violento e nunca deveria dar cadeia. Nunca. Deveria existir uma pena de empobrecimento, deixar o corrupto pobre. Hoje, o corrupto é preso e continua rico”, critica. “Corrupção não provoca temor. Gera indignação. A sociedade não tem medo do corrupto”, reforça.


Coordenador do Movimento Paraná Sem Corrupção, o promotor Eduardo Cambi defende que os crimes contra a administração pública sejam tratados como hediondos, ou seja, passíveis da punição mais rigorosa possível. Segundo ele, a falta de punição para os casos de corrupção e desvio de dinheiro público servem de estímulo para novas fraudes ao erário, retirando recursos de áreas essenciais, como saúde e educação.


“O Brasil não é o país da impunidade. Mas aqui não se pune com regime fechado os crimes mais graves. Se não mudarmos esse perfil, os sistemas judiciário e policial brasileiro vão trabalhar para fazer controle social do pobre”, afirma.


Sistema seletivo


Integrante da Associação Juízes para a Democracia (AJD), Luís Carlos Valois também entende que a punição é seletiva no Brasil. “O sistema prisional está abarrotado de gente pobre. Todos os traficantes presos são pobres. São bodes expiatórios para a população achar que o sistema prisional resolve. Eles estão misturados com homicidas. É um absurdo”, critica o juiz, titular da Vara de Execuções Penais em Manaus e defensor da descriminalização das drogas.


Para ele, o país precisa discutir um novo modelo de punir seus cidadãos. Mas não pode depositar as esperanças de resolver problemas sociais no Direito penal. “Daqui não vai sair solução alguma de problema social. Direito penal é consequência de uma falta de estrutura. Só ameniza uma situação negativa. É como tomar remédio pra dor de cabeça, é só analgésico”, compara Valois. O magistrado defende a maior aplicação de penas alternativas para desafogar o sistema penitenciário e favorecer a reinserção de pessoas acusadas de crime na sociedade.


“A prisão é a pior das soluções. É deletéria, destrói o cara, que sai de lá pior. Hoje é utópico falar em fim da prisão, que faz parte do sentimento popular. Mas o sistema penitenciário não serve para nada, nem aqui nem em lugar algum do mundo. Ninguém vai aprender em viver em sociedade preso. Ninguém vai aprender jogar futebol treinando em elevador”, avalia Valois.

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Fonte: Congresso em Foco

Transcrito do Fenapef

O luxo e a luxúria de uma das máfias que roubava São Paulo. Existem outras nas prefeituras das grandes cidades

mafia fiscais

 

Luís Alexandre Cardozo de Magalhães, um dos auditores fiscais de São Paulo investigados por corrupção, foi libertado na madrugada desta segunda-feira última. Essa investigação começou em 2006 e revelou um esquema que pode ter causado um prejuízo de até meio bilhão de reais aos cofres da prefeitura paulistana, informou o Jornal Nacional da Tv Globo.

Eram prefeitos: José Serra, empossado em 1 de janeiro de 2005, e Gilberto Kassab, que governou São Paulo de 31 de março de 2006 a  1 de janeiro deste ano.

Segundo a investigação, Luis e outros três auditores fiscais formaram uma quadrilha para cobrar propina de construtoras em troca da liberação do termo de quitação do ISS, o Imposto Sobre Serviços, com valores muito abaixo do real. Sem esse documento, as construtoras não conseguiriam o Habite-se.

O esquema começou a ruir quando a controladoria da prefeitura comparou os salários com a declaração de bens dos envolvidos. Outra peça importante na investigação foi Vanessa Alcântara, apontada pelos promotores como ex-amante de Luis Alexandre.

O novo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que foram abertas outras investigações para erradicar a corrupção.

“Novos 16 processos foram instaurados envolvendo suspeitas que não dizem respeito a esse esquema. Mas que podem nos ajudar a descobrir outras quadrilhas, dado o tamanho da incompatibilidade entre o patrimônio declarado e o patrimônio real que foi apurado pelas investigações da controladoria”, declara Fernando Haddad.

 

Vanessa Alcântara máfia alvarás São Paulo

Revela Istoé: Testemunha-chave do escândalo, Vanessa Alcântara revelou como agia o grupo acusado de desviar cerca de R$ 500 milhões dos cofres públicos. Vestida sobriamente, bem maquiada e como uma voz firme, ela diz que o ex-companheiro sempre afirmou que, se um dia o esquema ruísse, iria entregar todo mundo, sem poupar ninguém.

Istoé – Como você conheceu o Luís Alexandre?
Vanessa –
 Eu era representante comercial em 2010 e fui atendida por ele na prefeitura. Trocamos cartões e ele me ligou para sairmos. Depois de um tempo, começamos a namorar. Eram jantares e noitadas maravilhosas regadas a vinhos e champanhes nas melhores casas da noite paulista. Não conhecia esse mundo de se gastar R$ 10 mil reais em um jantar. Ele era muito encantador e sedutor comigo. Logo no início, ele me deu uma gargantilha de ouro. Não foi difícil se apaixonar por uma pessoa que te trata tão bem. Principalmente, porque estava separada, com um filho, e carente.

Istoé – Você ficou encantada com esse mundo de luxo?
Vanessa –
 Tudo era muito fantástico e real. Adorava aqueles jantares com pratos exóticos, com javalis, hotéis deslumbrantes e passeios em lanchas. Quando você está acostumado com o lixo e se depara com aquele luxo é deslumbrante. O Luís não era nenhum príncipe encantado, mas depois que começamos a namorar ele emagreceu 16 quilos, cortou a barba e começou a se vestir melhor. Ficou bem.

Istoé – Você levava uma boa vida, então?
Vanessa – 
Tinha uma vida de madame. Morávamos numa casa de 500 m², com quatro quartos, três banheiras de hidromassagem. O aluguel era de R$ 6 mil. Na verdade, dinheiro não era o problema. Ele não me deixava trabalhar. Nossa casa tinha quatro empregados e tudo à disposição. Em muitos fins de semana, a gente ia de avião particular para Angra dos Reis, pegava a lancha dele de 44 pés, que ficava na Marina Pirata, e dormia em alto-mar. Era fantástico. A gente ia tomando champanhe na proa. Não posso negar que eu adorava.

Istoé – Você também fazia gastos extravagantes?
Vanessa – 
Adoro moda. Apesar de ter um estilo hi-low, sempre consegui combinar peças populares com outras de grife. Não era de exagerar, mas já cheguei a comprar uma bolsa Chanel de R$ 8 mil, diversos casacos de pele e contabilizei 120 pares de sapatos.

Istoé – Luís revelava que o dinheiro daquelas noitadas e das compras vinha da corrupção?
Vanessa – 
Só depois que começamos a viver juntos é que soube. Aí, ele adorava vangloriar-se que era corrupto. Ele adorava ser o mafioso, o bandido grandioso e esperto. Ele gosta de contar a história de sua primeira mala de dinheiro conseguida com a corrupção. Ele diz que comprou um Vectra zero. O Luís gosta tanto do mundo do crime que, sobre a mesa do nosso escritório, ele mantinha um boneco do Al Capone.

Istoé – Quando vocês começaram a se desentender?
Vanessa – 
Ele tinha um ciúme doentio. Brigava comigo e com outras pessoas na rua por causa desses rompantes de agressividade. Nós assinamos vários boletins de ocorrência juntos. Como eu não sei apanhar e não reagir, também batia nele.

Istoé – Então as brigas de vocês eram violentas?
Vanessa –
 Muito. Ele me batia, eu batia nele. Ele me chutava, eu o mordia. Às vezes, essas brigas acabavam na polícia. A única vez que instalei um inquérito foi quando eu estava grávida de dois meses e apanhei dele. Ele queria que eu tirasse o bebê. Não aceitei. Tomei vários chutes e socos na barriga. Saí do flat dele sangrando e inconsciente numa ambulância para o hospital. Mas não perdi o filho.

Istoé – Mas por que você ainda ficava com uma pessoa tão violenta?
Vanessa –
 Ele tem uma conversa terrível, bom de lábia. Depois das brigas, ele acabava levando buquês de flores e até uma guia espiritual para intermediar as crises. Eu acabava perdoando. Com dois filhos, a gente sempre acha que o outro vai mudar. Ele pedia perdão e eu acabava cedendo. Gostava dele.

Istoé – Como é esta história de guia espiritual?
Vanessa – 
Depois das brigas ele chegava em casa junto com a mãe de santo e me convencia de que estávamos possuídos. Ela gastava três horas benzendo tudo, espalhando arruda pelo flat e rezando. Eu não resistia e acabava perdoando.

Istoé – Quando foi que o relacionamento de vocês acabou?
Vanessa – 
No meio deste ano, coloquei ele para fora de casa. Não aguentava mais aquela relação doentia. Ele chegou com um fusca verde 66 em casa e já tínhamos outros cinco carros na garagem. Eu perguntava: pra que tudo isso? Ele dizia que era dinheiro.

Istoé – E você não denunciava o Luís porque também se beneficiava desse dinheiro?
Vanessa – 
Eu sempre ameacei denunciá-lo toda vez que apanhava, que a gente brigava. Uma vez escrevi um e-mail para a Polícia Federal com poucas informações, dando as pistas sobre a corrupção e citava o nome dele. Crie até o e-mail BMW3886@gmail.com para fazer a denúncia – era o nome do carro que ele mais gostava, com a idade e o ano do veículo.

Istoé – Você queria dinheiro com essa denúncia?
Vanessa – 
Ele achava que era isso. Errou. Nós nos separamos e ele não quis aceitar as condições que eu tinha estabelecido, como uma pensão de R$ 3 mil, que era o equivalente ao salário dele.

Istoé – Você chegou a ver como era o relacionamento dele com a quadrilha?
Vanessa –
 De altos e baixos. Depois que um deles ficou viciado em cocaína, as coisas começaram a desandar e vieram as brigas.

Istoé – Como eles operavam o esquema?
Vanessa –
 Eles superfaturavam as guias do ISS e negociavam a propina. O dinheiro era dividido entre os quatro (Luís Alexandre Magalhães, Ronildo Bezerra Rodrigues, Carlos Augusto de Lallo Amaral e Eduardo Horl Barcelos). Eles alugavam um escritório perto da prefeitura que eles chamavam de cafofo – os promotores chamam de ninho, mas eles não usavam esse nome. Quando marcavam encontros, falavam cafofo. Era lá que aconteciam as negociações.

Istoé – A propina era paga em dinheiro vivo?
Vanessa –
 Não sei se era toda assim. Mas o Luís chegava em casa com mochilas cheias de dinheiro. Quando os blocos de dinheiro chegavam desorganizados, nós sentávamos no tapete de casa, espalhávamos aquela dinheirama e separávamos em pacotinhos iguais para os quatro do esquema.

Istoé – O esquema funcionou durante todo o tempo em que eles trabalharam na prefeitura, com todos os prefeitos?
Vanessa – 
Eles operavam na gestão Kassab. Teve uma ou outra coisa no governo Haddad, mas fiquei sabendo por um despachante que só tinha uma pessoa operando nesse atual governo.

Istoé – Eles mostravam algum medo de serem descobertos?
Vanessa –
 Eles nunca achavam que iam ser pegos ou que ia dar alguma coisa errada. Eles não tinham limites para roubar e nem medo de serem presos. Eu sempre perguntava qual era o limite. O Luís falava que tinha filhos e que precisava montar um patrimônio para eles. O único medo dele é de macumba. O negócio dele era dinheiro, dinheiro e mais dinheiro. Quanto ao risco de ser preso, ele sempre dizia que, se um dia o esquema ruísse, ele seria o primeiro a entregar todo mundo. Ele não ia poupar ninguém. Ia ser o primeiro a se oferecer para a delação premiada.

Istoé – Como ele investia o dinheiro?
Vanessa –
 Imóveis. Só em Angra ele tem cinco flats. Em Araraquara, ele tem uma casa com uma adega para 400 vinhos e uma charutaria climatizada no centro da casa. Tudo registrado na empresa da ex-mulher, Ana Luzia Passos.

Istoé – Ele contou se operava só com os grandes empreendimentos?
Vanessa – 
Corriam processos maiores e outros menores. Nem sempre os grandes negócios caíram nas mãos dele. Teve uma época que a turma tirou ele do esquema das grandes operações e aí cada um agia por conta própria. Existiam vários grupos atuando dentro da prefeitura.

Istoé – Ele achacava muita gente?
Vanessa – 
Ele era baixo. Certa vez, ele chegou numa obra para fazer uma vistoria, o empreendedor estava sem dinheiro para pagar o achaque e ele levou uma televisão do cara.

Istoé – Ele chegou a trabalhar diretamente com o prefeito?
Vanessa – 
O esquema colocou o Luís Alexandre no gabinete para ele dar uma maneirada, acalmar um pouco. Ele operava de uma forma muito agressiva, era louco.

Istoé – Por que você decidiu denunciar tudo?
Vanessa – 
Quando a polícia e o Conselho Tutelar entraram na minha casa com um mandado para buscar meus filhos, alegando que eu era louca e não tinha condições de cuidar das crianças, peguei o telefone e liguei para todo o grupo e disse a eles que iria detonar o esquema. Falei para o Ronilson, o Barcelos e o Lallo: ‘Vou f… todo mundo’.

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Istoé – Como eles reagiram?
Vanessa – Ficaram apavorados. O Barcelos disse: ‘Agora a briga é nossa. Nós compramos essa briga para você. Fica calma’. Na verdade, eles queriam pôr panos quentes e pediam para eu segurar um pouco. Mas eu não segurei.

Istoé – E então o que fez?
Vanessa – No início de setembro liguei para a Controladoria-Geral do Município e falei com o corregedor Spinelli. Os meninos da prefeitura e o promotor vieram ao meu encontro aqui em Valinhos e entreguei para eles 150 páginas de documentos e vídeos que comprovavam a corrupção. A partir daí fiz jogo duplo.

Istoé – Como assim?
Vanessa – Eu não sabia, mas quando eu liguei para o Ronilson e o Lalo na noite em que a polícia levou os meus filhos e disse que iria revelar tudo, eu já estava grampeada pela Federal. Depois que soube disso continuei a negociar com o grupo, sem que eles desconfiassem que a polícia estava gravando tudo. Nessas conversas ficou comprovado que eu não queria dinheiro, mas meus filhos de volta. Nas tratativas, eles falam até em “comprar meu bebê de mim”. Servi como uma cola superbonder que uniu todas as peças da investigação.

Istoé – O que tinha nesse material que você entregou para o promotor?
Vanessa – Está sob segredo. Não posso dizer para não atrapalhar as investigações, mas eram documentos que comprovavam minhas denúncias. Havia também gravações que mostram como funcionava o esquema.

Istoé – Em algum momento você ficou com medo?
Vanessa – Ainda tenho muito medo. Mas o maior problema foi naqueles dias de silêncio que tive de aguentar. Ligava para o MP, para a CGM, enfim, queria pôr a boca no mundo para tentar trazer meus filhos de volta. Isso foi em setembro e os investigadores me pediram até o fim de novembro para estourar o esquema. Foi uma aflição ficar tanto tempo em silêncio.

Istoé – Quando você soube das prisões?
Vanessa – Assim que a polícia começou a executar os mandados de busca e apreensão. Eram seis horas da manhã do dia 30 de outubro.
Eu gritava dentro do carro como se fosse um gol.

Istoé – Se o Luís Alexandre tivesse feito o acordo para pagar a pensão você teria denunciado o esquema?
Vanessa – Não. Se ele tivesse me deixado quieta com meu filho, dado a pensão correta, ficaria quieta. O Luís não aceitou minhas condições, mesmo depois que seus amigos o advertiram.

Istoé – Quais eram as suas exigências?
Vanessa – O filho, a pensão, o cachorro Thor, um sharpei que amo, e minha máquina fotográfica profissional.

Istoé – Quais serão os próximos passos?
Vanessa – Tudo que eu quero são meus filhos de volta. Esse processo precisa ser revisto urgentemente. Foi tudo uma grande armação. Depois de uma briga nossa pelo telefone, eu surtei de raiva dele e quebrei uns jarros e algumas peças da prateleira. Com isso, ele entrou com um processo na Justiça, alegando que eu sou louca e perdi a guarda das crianças. Tenho certeza que meu marido armou tudo isso. Pior. Ele foi preso e nosso filho ficou com a babá.

Istoé – Como você está vivendo?
Vanessa – Trabalho como gerente de uma loja, moro em um apartamento de 50 metros quadrados e tenho o mesmo carro, uma Tucson.

Istoé – É verdade que o apelido do Luís Alexandre é “louco”?
Vanessa – Louco e camicase. Na verdade, deveria ser burro. Perder R$ 15 milhões por causa de uma pensão de R$ 3 mil, um cachorro de estimação e uma máquina de fotografia, não é loucura. Aí já é burrice.

 

Operação desarticula grupo acusado de fraudar R$ 2,7 bi

por Tisa Moraes

BAURU
BAURU

Segundo o Gaeco, farto material apreendido comprovou a fraude
Um esquema fraudulento que teria envolvimento de agentes da Secretaria Estadual da Fazenda e de empresários do setor de processamento de soja foi desarticulado durante operação desencadeada ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Bauru. Ao todo, oito pessoas foram presas e um empresário da cidade, assim como outro de São Paulo, estão foragidos. O nome de nenhum deles foi divulgado. [Gente rica a polícia esconde o nome. E cadeia foi feita para os pobres]

A investigação, iniciada há dois anos em conjunto com a Secretaria da Fazenda, apontou que o conglomerado industrial Sina – que possui unidades em Bauru, São Paulo e outras quatro cidades paulistas – teria causado prejuízos superiores a R$ 2,7 bilhões aos cofres públicos do Estado e da União. O esquema de fraude fiscal seria viabilizado pela corrupção de agentes públicos.

20 mandados judiciais de busca e apreensão e oito mandados de prisão
foram cumpridos nas cidades de São Paulo e Bauru. Três agentes fiscais da Secretaria da Fazenda, quatro empresários e um advogado foram presos.

Em Bauru, ninguém foi detido. Um empresário que está foragido foi procurado na unidade da Sina em Bauru, na Vila Independência, e em sua residência, localizada em um condomínio de luxo da cidade, mas não foi encontrado. Segundo informações prestadas pelo Ministério Público, o farto material apreendido – entre computadores, documentos impressos, dinheiro e barras de ouro – já teria comprovado as fraudes.

A operação recebeu o nome de Yellow (amarelo, em inglês) devido à cor dos produtos comercializados pelo conglomerado, que atuava no ramo de processamento de soja, óleo degomado, farelo, gordura vegetal e ovos. Durante a investigação, os promotores do Gaeco teriam descoberto que o grupo criava empresas de fachada em Montevidéu, no Uruguai, para simular transações de compra e venda de soja e derivados. Desta forma, geravam créditos fictícios de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), usados pela empresa matriz para abater dívidas com o Fisco.

‘Laranjas’

De acordo com a Secretaria Estadual da Fazenda, além da simulação de operações, identificou-se também a utilização de quadros societários compostos por empresas “offshore” e “sócios-laranjas”. Essas últimas seriam responsáveis por absorver todos os débitos fiscais – que não eram pagos – produzindo uma blindagem comercial e financeira para as empresas do conglomerado, que articulavam as fraudes. Segundo o MP, o esquema funcionava há cerca de nove anos.

A investigação foi iniciada há dois anos, depois que a Delegacia Regional Tributária de Bauru detectou anomalias em algumas operações realizadas pelo grupo. Na manhã de ontem, os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em empresas e em endereços residenciais, sendo 18 na Capital e dois em Bauru.

Também foram cumpridos oito dos dez mandados de prisão temporária expedidos. As unidades da Sina em Bauru e São Paulo foram contatadas pela reportagem ao longo da tarde de ontem, mas nenhum responsável foi localizado para comentar as acusações.

Bloqueio de bens

A pedido do Ministério Público, a Justiça decretou, ainda ontem, a indisponibilidade de todos os bens das dez pessoas investigadas pela Operação Yellow, incluindo imóveis, depósitos em contas bancárias, embarcações, aviões e complexos industriais. Os envolvidos serão denunciados pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, crimes contra a ordem tributária e fraude processual.

Entre os agentes presos, com um deles foram encontrados R$ 350 mil escondidos em compartimentos secretos de sua residência. Ele teria patrimônio incompatível com seus rendimentos, assim como outro agente, que teria adquirido dez imóveis de luxo nos últimos anos.

A investigação teria detectado que os três servidores públicos recebiam, por operação, aproximadamente R$ 500 mil de propina para não aplicar multas ou aplicar autos de infração em valores muito inferiores às reais irregularidades encontradas no conglomerado industrial. Um deles responderá ainda por porte ilegal de arma.

Dinheiro e ouro apreendidos

Ao todo, foram apreendidos 414 mil reais, 250 mil dólares, 9 mil euros, 930 libras e sete barras de ouro, além de milhares de documentos e arquivos digitais, que vão ampliar o conjunto de provas a ser utilizado nas esferas fiscal e penal. Parte do dinheiro foi apreendida em um prédio localizado na região da avenida Paulista, em São Paulo, onde fica a sede do conglomerado. Outra parte estava na residência de um empresário e o restante, na casa de um inspetor fiscal, onde as barras de ouro também foram encontradas.

Do total de R$ 2,76 bilhões de prejuízo estimado, R$ 1,6 bilhão referem-se a tributos estaduais não pagos em ICMS e o restante a impostos federais que também teriam sido sonegados. Da operação, participaram 27 promotores de Justiça do Gaeco e cerca de 40 agentes fiscais de rendas da Secretaria da Fazenda, que contaram com o apoio de efetivos das polícias Civil e Militar. A documentação apreendida será encaminhada à Polícia Federal e à Receita Federal.

5 presos por fraude no Parque Mutirama, Goiânia

 

Cejane Pupulin e Katherine Alexandria
Três funcionários da Agência Municipal de Obras (Amob) e dois da empresa Warre Engenharia estão presos desde a manhã de ontem pela Polícia Federal (PF), a pedido do Ministério Público Federal (MPF), na investigação do caso Mutirama. Também foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão – dois na Warre e os outros na Amob e nas residências dos investigados. Ao todo, foram liberados R$ 9,6 milhões para a reforma do Parque. Dessa quantia, pelo menos R$ 2,09 milhões,  21,76%, foi desviado.
Foram detidos o diretor de fiscalização de obras viárias da Amob, Luiz Domith Chein, e os membros da comissão de fiscalização da agência, os engenheiros civis Antônio João da Silva e Dário Carlos de Oliveira. Da Warre, foram detidos por prisão temporária o supervisor da obra, Fábio Barbosa do Prado, e o engenheiro Sérgio Leão. Um quarto funcionário da Amob, outro diretor, José Coelho Rios, ainda não foi preso, mas entrou em contato com a PF. O delegado da PF, Rodrigo de Lucca, não descarta a participação de outras pessoas.
A PF apreendeu na casa dos suspeitos documentos, computadores, notebooks, pendrives e notas fiscais. As diligências foram realizadas também na sede da Amob. “É a raposa tomando conta do galinheiro. Não temos dúvidas que estamos de frente de uma quadrilha”, afirmou o procurador da República, Marcello Santiago Wolf.
O custo da reforma está orçado em R$ 60 milhões.
O projetoDo valor total de investimentos, R$ 60 milhões são oriundos do Governo Federal, por meio do Ministério do Turismo. Os outros R$ 20 milhões virão do tesouro municipal. Foram dois anos de estudos e levantamentos para elaboração do projeto do novo parque, que será ampliado dos atuais 95 mil metros quadrados para 485 mil metros quadrados. As obras preveem uma interligação do Parque Mutirama com o a área do Bosque Botafogo.Para tanto, serão construídos uma plataforma ligando os parques Botafogo e Vila Nova, um túnel entre as avenidas Araguaia e Paranaíba, além de uma ponte de transposição do córrego Botafogo. A plataforma, com 100 m de extensão por 100 m de largura, fará a substituição da passarela existente e será construída sobre o córrego Botafogo e as marginais, ligando os parques Botafogo e Vila Nova. O complexo da plataforma receberá piso em concreto estampado e iluminação artística, sendo que na parte inferior à plataforma a iluminação artística será focada sobre as pistas da marginal Botafogo.

Também integra as obras de reestruturação do Parque Mutirama a construção de um túnel de 300 m de extensão na Avenida Araguaia que permitirá a passagem livre da Avenida Paranaíba até a ponte de transposição do córrego Botafogo. A pista da Avenida Araguaia será rebaixada, para que posteriormente seja construída a passagem de nível (túnel) de interligação entre o Parque Mutirama e o Parque Botafogo. Sobre o túnel serão realizados serviços de urbanização e o mesmo contará ainda, com passagem de pedestres isolada das pistas, por meio de barreiras ao longo da trincheira.

As obras darão uma nova identidade visual ao local e priorizarão a segurança e a funcionalidade do maior parque turístico público do país.

Os podres das privatizões. Ficaram podres de ricos

Veronica Serra
Veronica Serra
Verônica Dantas
Verônica Dantas
Alexandre Bourgeois
Alexandre Bourgeois
Daniel Dantas
Daniel Dantas

Livro de Amaury Ribeiro Jr. desvenda os bastidores da corrupção no esquema de privatização de FHC

por Carlos Newton

Amaury Ribeiro Jr. acaba de lançar o livro “A Privataria Tucana”, resultado de 12 anos de trabalho do repórter, que durante a campanha eleitoral do ano passado foi acusado de participar de um grupo cujo objetivo era quebrar o sigilo fiscal e bancário de políticos tucanos. Ribeiro Jr. acabou indiciado pela Polícia Federal e tornou-se involuntariamente personagem da disputa presidencial.

‘A Privataria Tucana’ apresenta documentos inéditos de lavagem de dinheiro e pagamento de propina, todos recolhidos em fontes públicas, entre elas os arquivos da CPI do Banestado. José Serra é o personagem central dessa história. Amigos e parentes do ex-governador paulista operaram um complexo sistema de maracutaias financeiras que prosperou no auge do processo de privatização.

Ribeiro Jr. elenca uma série de personagens envolvidas com a “privataria” dos anos 1990, todos ligados a Serra, aí incluídos a filha, Verônica Serra, o genro, Alexandre Bourgeois, e um sócio e marido de uma prima, Gregório Marín Preciado. Mas quem brilha mesmo é o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, o economista Ricardo Sérgio de Oliveira. Ex-tesoureiro de Serra e FHC, Oliveira, ou Mister Big, é o cérebro por trás da complexa engenharia de contas, doleiros e offshores criadas em paraísos fiscais para esconder os recursos desviados da privatização.

O livro traz, por exemplo, documentos nunca antes revelados que provam depósitos de uma empresa de Carlos Jereissati, participante do consórcio que arrematou a Tele Norte Leste, antiga Telemar, hoje OI, na conta de uma companhia de Oliveira nas Ilhas Virgens Britânicas. Também revela que Preciado movimentou 2,5 bilhões de dólares por meio de outra conta do mesmo Oliveira. Segundo o livro, o ex-tesoureiro de Serra tirou ou internou no Brasil, em seu nome, cerca de 20 milhões de dólares em três anos.

A empresa Decidir.com, sociedade de Verônica Serra e Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, também se valeu do esquema. Outra revelação: a filha do ex-governador acabou indiciada pela Polícia Federal por causa da quebra de sigilo de 60 milhões de brasileiros. Por meio de um contrato da Decidir com o Banco do Brasil, cuja existência foi revelada por CartaCapital em 2010, Verônica teve acesso de forma ilegal a cadastros bancários e fiscais em poder da instituição financeira.

Na entrevista a seguir, que acompanha o livro, Ribeiro Jr. explica como reuniu os documentos para produzir o livro, refaz o caminho das disputas no PSDB e no PT que o colocaram no centro da campanha eleitoral de 2010 e afirma: “Serra sempre teve medo do que seria publicado no livro”.

Leia entrevista de Amaury Ribeiro Jr

Campanha pelo voto do silêncio

Por que o Correio Braziliense chama um quadrilheiro de delator?
Parece uma defesa da Omertà, o voto do silêncio das máfias.

Os bandidos das quadrilhas de Brasília consideram Durval Barbosa um delator.
Delator é o que denuncia para receber uma paga ou satisfazer seu instinto mau.
Para não ser mau, traidor dos comparsas, dedo duro, alcaguete, Durval devia permanecer calado?

Um denunciante, um criminoso confesso, ajuda o Brasil a varrer a corrupção. O arrependimento de qualquer pecado vem com a confissão. Vale para qualquer religião.

O Brasil está repleto de bandidos calados. Que agem em silêncio.
Estão aí, numa boa, as quadrilhas do juiz Lalau, de Salvatore Cacciola.
Idem os traidores da Pátria nos leilões que presentearam a Vale do Rio Mais do Que Doce, fatiaram a Petrobras, e entregaram o nosso nióbio.

Essa gentalha não delata. Não informa nada. Nem para a Receita Federal. De quem é o dinheiro que apareceu com o nome de Paulo Maluf?

Defendem o Brasil do sigilo bancário, do sigilo fiscal, do segredo de justiça. O Brasil encoberto. O Brasil do segredo eterno.

Sem o testemunho de Durval Barbosa o Brasil perdia o leilão do palácio de Durval Barbosa.

Informa o Correio Braziliense: Uma mansão em área nobre de Brasília é a primeira chance de o contribuinte ver de volta aos cofres públicos parte dos recursos desviados por Durval Barbosa, o delator da Operação Caixa de Pandora. A Justiça vai leiloar, na próxima quinta-feira, uma casa na QL 10 do Lago Sul com 862,58 metros quadrados de área construída, em que cada tijolo foi pago com dinheiro de contratos de informática do Governo do Distrito Federal. O imóvel de luxo pertencia a Durval e, por decisão judicial, será vendido como medida para ressarcir parte do prejuízo causado pelo esquema de corrupção que vigorou na capital do país ao longo de 10 anos.

A casa em cor creme é coisa para milionários.

Avaliada pelos peritos judiciais em R$ 4,3 milhões, pode valer mais, segundo corretores consultados pela reportagem. Para começar, nunca chegou a ser habitada. É novinha em folha. No piso superior, o comprador poderá desfrutar de uma suíte com banheira de hidromassagem, closet e bela vista na varanda. Há ainda outra suíte, dois quartos, banheiro social, uma sala, lavabo e home theater. 

O primeiro andar é totalmente preparado para receber convidados em grandes eventos sociais. O projeto de arquitetura foi concebido justamente para oferecer um espaço de lazer. O terreno, uma ponta de picolé — o lote do fim da rua, que é o mais valorizado —, é localizado ao lado da casa em que Durval viveu com a família antes de se separar de Fabiani Barbosa Rodrigues, em 2009. A intenção do casal era ampliar a residência com uma área para festas, a ponto de a obra ter sido embargada pela administração regional do Lago Sul por configurar uma extensão ilegal da casa de Durval. 
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