Holocausto dos loucos e tráficos de cadáveres e órgãos humanos

Quando se queria desacreditar uma pessoa no Brasil bastava chamar de ladrão ou corno ou fresco. Hoje a morte social vem da classificação de louco. – Fulano é doido. Ponto final. O indivíduo está morto socialmente. Nem precisa atestado psiquiátrico.

Tão costumeiro ser ladrão, corno e gay, inclusive vantajoso, para se manter no emprego e realizar bons negócios.

Falar em holocausto não comove ninguém. No Hospital Colônia, em Minas Gerais, mais de 60 mil pessoas perderam a vida, sendo 1.853 corpos vendidos para 17 faculdades de medicina até o início dos anos 1980, um comércio que incluía ainda a negociação de peças anatômicas, como fígado e coração, além de esqueletos.

Ninguém acredita em tráfico de cadáveres. Quem trafica cadáveres faz outros serviços sujos para a medicina de vanguarda. Que nunca vi bilionário na fila de transplantes.

Por esta manchete é um negócio bem legal:

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Tribuna de Minas, em 20 de novembro de 2011: Mulheres eram mantidas em condições subumanas. Ociosidade contribuía para morte social

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Não se morre de loucura. Pelo menos em Barbacena. Na cidade do Holocausto brasileiro, mais de 60 mil pessoas perderam a vida no Hospital Colônia, sendo 1.853 corpos vendidos para 17 faculdades de medicina até o início dos anos 1980, um comércio que incluía ainda a negociação de peças anatômicas, como fígado e coração, além de esqueletos.

As milhares de vítimas travestidas de pacientes psiquiátricos, já que mais de 70% dos internados não sofria de doença mental, sucumbiram de fome, frio, diarréia, pneumonia, maus-tratos, abandono, tortura.

Para revelar uma das tragédias brasileiras mais silenciosas, a Tribuna refez os passos de uma história de extermínio. Tendo como ponto de partida as imagens do então fotógrafo da revista “O Cruzeiro”, Luiz Alfredo, publicadas em 1961 e resgatadas no livro “Colônia”, o jornal empreendeu uma busca pela localização de testemunhas e sobreviventes dos porões da loucura 50 anos depois. A investigação, realizada durante 30 dias, identificou a rotina de um campo de concentração, embora nenhum governo tenha sido responsabilizado até hoje por esse genocídio.

A reportagem descortinou, ainda, os bastidores da reforma psiquiátrica brasileira, cuja lei sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais, editada em 2001, completa dez anos. As mudanças iniciadas em Minas alcançaram, mais tarde, outros estados, embora muitas transformações ainda estejam por fazer, conforme já apontava inspeção nacional realizada, em 2004, nos hospitais psiquiátricos do país.

A série de matérias pretende mostrar a dívida histórica que a sociedade tem com os “loucos” de Barbacena, cujas ossadas encontram-se expostas em cemitério desativado da cidade.

Pavilhão onde internos dormiam no “leito único”, nome oficial para substituição de camas por capim
Pavilhão onde internos dormiam no “leito único”, nome oficial para substituição de camas por capim

Esgoto era fonte de água de internos

Entrar na Colônia era a decretação de uma sentença de morte. Sem remédios, comida, roupas e infraestrutura, os pacientes definhavam. Ficavam nus e descalços na maior parte do tempo. No local onde haviam guardas no lugar de enfermeiros, o sentido de dignidade era desconhecido. Os internos defecavam em público e se alimentavam das próprias fezes. Faziam do esgoto que cortava os pavilhões a principal fonte de água. “Muitas das doenças eram causadas por vermes das fezes que eles comiam. A coisa era muito pior do que parece. Cheguei a ver alimentos sendo jogados em cochos, e os doidos avançando para comer, como animais. Visitei o campo de Auschwitz e não vi diferença. O que acontece lá é a desumanidade, a crueldade planejada. No hospício, tira-se o caráter humano de uma pessoa, e ela deixa de ser gente. Havia um total desinteresse pela sorte. Basta dizer que os eletrochoques eram dados indiscriminadamente. Às vezes, a energia elétrica da cidade não era suficiente para aguentar a carga. Muitos morriam, outros sofriam fraturas graves”, revela o psiquiatra e escritor Ronaldo Simões Coelho, 80 anos, que trabalhou na Colônia no início da década de 60 como secretário geral da recém-criada Fundação Estadual de Assistência Psiquiátrica, substituída, em 77, pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). A Fhemig continua responsável pela instituição, reformulada a partir de 1980 e, recentemente, transformada em hospital regional. Hoje, o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB) atende um universo de 50 cidades e uma população estimada em 700 mil pessoas. Leia mais 

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Psicopatia. Quando um chefe é um miserável perverso e impiedoso, monstruoso assediador moral

por Nadja Freire

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1. O seu chefe há um considerável tempo, não está lhe permitindo exercer nenhuma atividade no trabalho de forma assertiva, ou, de forma evasiva está deteriorando e lhe tirando todas as condições de trabalho? E todas as ações produtivas e comunicação do seu setor, e, também os demais funcionários; passam a seu largo? E todos os dias você vai trabalhar e não trabalha? E a você é dada apenas a oportunidade de “contemplar” os seus colegas saudavelmente trabalhar e produzir, e, saudavelmente se relacionar “entre si”? E o contemplar, pois você subitamente percebe que nunca mais, por opção ou coaptação ou coação, de você seus colegas se aproximaram ou permitiram uma aproximação da sua parte; e o entre si, pois você está solitário e totalmente isolado?

2. O seu chefe há um considerável tempo, está lhe sobrecarregando com tarefas possíveis; ou lhe encarregando de tarefas impossíveis? Ou impondo prazos impossíveis para tarefas possíveis? Ou encarregando você, de realizar tarefas bem abaixo de suas possibilidades?

3. O seu chefe há algum tempo, se dirige a você, numa forma desrespeitosamente agressiva ou jocosa? E ao tratar de trabalho, não lhe dá oportunidade de expressar a sua opinião ou esta é bruscamente interrompida; quando não, desrespeitosamente ignorado? Ou passou a lhe ironizar, ridicularizar, desacreditar ou caluniar e difamar você dentro do ambiente de trabalho?

4. O seu chefe há algum tempo, se dirige a você, na forma de simples brincadeiras que não lhes são nem um pouco divertidas e não lhe deixam confortável, e, apelidos que lhe constrangem; e, que são reiteradamente repetidos especificamente porque, notadamente lhe deixam desconfortável e lhe constrangem?

Não, não pense se tratar de algo casual ou insondável ou tampouco que seja uma deficiência de gestão ou tampouco que ele surtou; há um método que está sendo seguido, que estrategicamente está seguindo, toda uma intenção, em pró de um único específico objetivo. A intenção deste chefe é lhe constranger e atingir a sua autoestima, fazendo você se sentir inútil e desnecessário, e, desacreditá-lo e desmoralizá-lo perante todos os funcionários; a intenção deste chefe é deprimi-lo e exterminá-lo psicologicamente! O objetivo deste chefe é, silenciosamente, assassiná-lo psiquicamente! É assassiná-lo psicologicamente a ponto de fazê-lo, e com uma taxa de sucesso avassaladora, pedir transferência ou demissão; alimentando o sonho secreto, e com alto índice de realização, de retirá-lo do mercado de trabalho por real incapacitação funcional por tão abissal-trauma-psicológico, resultante do-acúmulo dos-pequenos-médios-e-grandes-traumas do assédio moral sofrido, ou, mesmo deste mundo através do suicídio, resultante da pressão psicológica do abissal-trauma-psicológico, resultante do acúmulo-dos-pequenos-médios-e-grandes-traumas do assédio moral! Este chefe é um miserável perverso e impiedoso, monstruoso assediador moral, e, você está miseravelmente perversamente e impiedosamente, sendo monstruosamente moralmente assediado; silenciosamente, psiquicamente assassinado!

O assediador não tem nenhum problema psicótico que afete a zona central do eu, pois o seu eu está preservado, e o seu transtorno mental não é psicótico e sim de personalidade; como psicopata (Descrita pela primeira vez em 1941 pelo psiquiatra americano Hervey M. Cleckley, do Medical College da Geórgia, a psicopatia consiste num conjunto de comportamentos e traços de personalidade específicos. São pessoas muito inteligentes, encantadoras à primeira vista, causam boa impressão e são tidas como “normais” pelos que as conhecem superficialmente. No entanto, “costumam ser egocêntricas, desonestas e indignas de confiança”.

Os psicopatas não sentem culpa jamais. Sempre têm desculpas para seus erros, atribuindo-os em geral a terceiros. Raramente aprendem com seus equívocos ou conseguem frear impulsos predadores. Nada menos que 25% dos prisioneiros americanos são diagnosticados como psicopatas, mas as mesmas pesquisas constatam que uma quantidade ao menos equivalente está livre – e no topo. Os especialistas atestam que muitos são profissionalmente bem-sucedidos e ocupam posições de destaque. Por Ruy Fabiano), como psicopata perverso narcisista absolutamente indisciplinável, ser um exterminador psíquico sem sentimentos genuínos e inflexível em sua crueldade e impassível à intercessões comovidas de terceiros, é a sua escolha, psicopatológica, pois sempre egocentricamente manipuladora e sem compaixão ou culpa, mas uma escolha! E é essa escolha que define o ser humano que ele não é; o verdadeiro monstro assediador que escolheu ser! E pouco lhe importa o constrangimento dos demais funcionários no testemunho dessa ação discriminatória e psico-exterminadora; e tampouco os resultados da empresa ou instituição, que ficam inexoravelmente prejudicados. A ele só importa, psiquicamente, lhe exterminar! Quando nada o deterá em sua jornada psicopata, pois psicopatia ou transtorno da personalidade anti-social ou sociopatia não pode ser controlada e não tem cura, a não ser o seu definitivo afastamento das relações de trabalho; pois, se apenas descoberto e contornada a situação, apenas aguardará uma nova oportunidade de revelar a sua personalidade psicopata psiquicamente invasora e destrutiva do outro em seus direitos fundamentais como ser humano e constitucionais como cidadão e trabalhador.

O assediador, não importa sob qual o alter-ego – muitas vezes elencando falsos amigos como protagonistas principais, quando então são os assediadores psicopatas perversos narcisistas, mais miseravelmente monstruosamente impiedosos que se possa imaginar, pois, também está envolvido um dos sete pecados capitais, quando psicopatologicamente são movidos também pela inveja. (Condenada não só pela nossa tradição cristã mas também por filósofos nem um pouco cristão como Kant, que a rechaça como vício na medida em que compele o homem a agir de forma destrutiva contra o outro para remediar essa sua tristeza abominável pela qualificação do outro; a agir ferozmente, para promover e regozijar-se com a infelicidade daqueles especialmente escolhidos por especialmente mais qualificados.) Quando então também alimentados pela inveja, alcançam psicopatologicamente a perversão em seu ápice, e são excepcionalmente de forma anormal, extraordinariamente mais impiedosos e cruéis. – não importa se psiquicamente imaterialmente moldado sob qual arquétipo exterminador de Hitler ou Stalin, será sempre um exterminador psíquico que precisa ser materialmente enquadrado pelo Código Penal, com a imperiosa criminalização do assédio moral; ou, numa leitura mais atual e apropriada, silencioso assassinato psíquico. Que progride, na maioria das vezes, para uma real incapacitação psicológica do assediado ao trabalho, e, consequentemente com a sua definitiva eliminação do mercado de trabalho. Mas que pode, e não são raros os casos, progredir para um ruidoso assassinato de fato, quando resultar em suicídio; pois todas as vezes que uma vítima de assédio moral em desespero se suicidar, houve de fato um assassinato, e o seu assassino de fato é o seu assediador. E tentar psiquicamente sobreviver e não deixar de trabalhar, meu próximo, é combater e vencer o flagelo do assédio moral; é combater e vencer, pois, são sempre adjetivamente miseráveis em seu significado mais negro e sombrio e também tenebroso, pois, sempre será também por demais assustador o nosso contumaz torturador, a personificação do seu pior pesadelo; o seu miserável assediador!

(Continua)

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Seis sessões para aprender a fazer sexo

por Mafalda Santos

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Na calha dos óscares, hoje decidi falar de um tema que é abordado por um dos filmes que ainda se encontra em exibição nas salas de cinema portuguesas e que levou a que Helen Hunt tivesse sido nomeada, este ano, para melhor atriz secundária pela Academia: Seis Sessões ou “The Sessions”, no título original.

“Seis sessões” conta a história verídica do jornalista, poeta e escritor Mark O’Brien, que em criança contraiu poliomielite e que, derivado disso, ficou paralisado até ao resto da sua vida. Mark, apesar de paralisado e condenado a uma maca e a um “pulmão de ferro” que lhe garantia o oxigénio necessário à sua sobrevivência, tinha – à semelhança do comum dos mortais – desejos sexuais que, derivado do seu estado e condição física, não eram satisfeitos ou resolvidos. Por isso, aos 38 anos e ainda virgem, decidiu recorrer a uma terapeuta sexual para o ajudar a ultrapassar esta situação, garantir-lhe confiança enquanto ser sexual ativo e ir até onde nunca ninguém tinha ido.

O filme é uma história comovente, divertida e bastante humana de uma questão que é tudo menos pacífica: as “surrogates” (título original em inglês), que se assumem como terapeutas sexuais e que ajudam a ultrapassar os mais variados traumas, a descobrir o corpo e a permitir que muitos homens em condições físicas adversas (e não só), obtenham o prazer e a confiança de tirar partido e satisfação da experiência sexual plena.

Mas isso não é o que uma vulgar prostituta também faz, perguntam muitos de vocês? Haverá quem diga que sim e há quem diga que não, pelo menos assim defendem estas terapeutas sexuais que, nos Estados Unidos, têm um código de ética e uma Associação Profissional regulada.

Terapeuta ou prostituta? As opiniões dividem-se.

Há diferenças entre uma terapeuta sexual (surrogate) e uma prostituta – e embora a profissão seja polémica e existam códigos de conduta – a verdade é que há estados norte-americanos que não a aprovam e permitem. A linha que divide esta atividade pode ser ténue e confusa para muitos, ficando sempre uma certa indecisão sobre o que acontece entre quatro paredes, mas para estas terapeutas sexuais, o foco da questão não é o sexo, mas sim a familiaridade e a intimidade criada com o paciente, levando-o a quebrar os seus próprios preconceitos e barreiras. Não se procura o prazer pelo simples prazer. Procura-se ultrapassar problemas, aprender, libertar fantasmas e ajudar a que estes homens, no futuro, consigam – com base nos conselhos recebidos – ter uma vida sexual normal e satisfatória com as suas companheiras sem recorrer a mais nenhuma terapia sexual. E isso, tanto se adequa a um deficiente ou paraplégico que não sabe como iniciar a sua vida sexual ou o que fazer, por total ausência de contacto físico nesse sentido, como a um homem perfeitamente normal que viva assombrado pelo medo de não proporcionar prazer.

A terapia também se paga… e bem!

Na Europa não há equiparação possível. Não há cá “surrogates” que valham aos nossos deficientes ou aos nossos homens que tenham problemas sexuais e necessitem de ajuda. Ou resolvem a coisa com psicoterapia e eventuais tentativas de erro, ou estão entregues à sua própria sorte. A profissão “terapeuta sexual” não existe nem é reconhecida e tudo o que recorra a serviços que envolvam sexo pelo meio e que são pagos, só há uma catalogação possível: prostituição.

Voltando ao filme “Seis Sessões” e ao papel interpretado por Helen Hunt – que deu vida à terapeuta sexual (ou surrogate) Cheryl Cohen Greene – hoje com 68 anos e ainda em exercício das suas funções, a mesma refere; “Necessitamos de um parceiro para resolver a maior parte dos nossos problemas sexuais e para os homens solteiros e sem companheira, isso é um enorme problema.”

A senhora Greene, que permaneceu amiga do escritor Mark O’Brien até à morte do mesmo em 1999, continua casada com um “maravilhoso e compreensivo companheiro”, segundo palavras da mesma, podendo lucrar por ano, mais de 50 mil dólares. O preço das consultas ronda os 300 dólares e tem a duração de 2 horas, não ultrapassando em número, as seis sessões. Geralmente é na sexta e última sessão que ocorre penetração e, por regra, não existe mais contacto físico ou presencial. O objetivo não é tornar a terapia recorrente, como se fossemos ao psicólogo ou fidelizar clientes. O objetivo é dar-lhes as ferramentas para, a partir daqui, dependerem de si próprios.

E se a senhora Greene foi uma percursora deste tipo de terapia, hoje podemos dizer que o preço dos seus serviços até é bastante em conta e com um grande desconto, pois há surrogates a cobrar entre 3.000 e 5.000 dólares por sessões de duas horas e com um número mínimo que variam entre as 12 e as 15, ou seja, mais do dobro que as praticadas pela senhora Greene.

Caso para dizer que, como em tudo na vida, a quantidade nem sempre significa qualidade do serviço.

Por que a internação forçada, em hospital psiquiátrico, promovida pelos governadores do Rio de Janeiro e São Paulo?

Escreve Roland Jaccard: “Ninguém concorda em entrar em um hospital psiquiátrico; e todos os que fizeram, por razões científicas ou pessoais, exigiram ser devolvidos com a maior urgência possível para a vida normal. Assim como a psicanálise é valorizada narcisicamente e socialmente, a internação psiquiátrica acentua o processo de invalidação e deixa estigmas indeléveis.

A que se deve então que, a despeito de reformas sucessivas, de tratamentos aparentemente cada vez mais eficazes, e de exemplos inegáveis de boa vontade, o hospital psiquiátrico apareça muitas vezes não só como um lugar de intolerável segregação, mas como uma versão leiga do inferno? Será devido aos pacientes que nele estão encerrados? Será em razão das violências a que são submetidos? Será porque a sua ‘loucura’ não é perdoada? Ou será, como disseram Thomas Szasz e Franco Basaglia, porque os hospitais psiquiátricos são os campos de concentração de nossas guerras civis não declaradas? Digamos que o mérito da antipsiquiatria – seus representantes mais eminentes são Thomaz Szasz Ronald Laing e Joseph Berke – foi o de colocar essas questões e de propor alternativas concretas de acolhida da loucura, insistindo no fato de que essas alternativas também limitadas e sujeitas a crítica.

Esses formuladores da antipsiquiatria também questionam o ato de etiquetar a pessoa que pertuba e/ou que difere. Se a procura de saber do psiquiatra era outrora semelhante à do zoólogo, hoje ela dá lugar à indefinição do outro. Em relação a essa questão, desenvolvemos nos últimos anos uma atenção cada vez maior para o fato de que, a partir do momento em que o paciente é classificado numa nosografia, ele deixa a posição de sujeito com quem se fala para se tornar o objeto do qual se fala e do qual se dispõe. Aqui se poderia traçar um paralelo instrutivo com o zoólogo, para quem, na própria medida em que se torna etólogo, a animal o animal deixa de ser um simples tema de observação; passa a fazer parte de um ‘campo comum’e, nele, o próprio observador também se encontra submetido às regras de relação sujeito-objeto. Pode-se encontrar o eco dessa evolução, bem como os debates sobre o lugar que se deve atribuir à hereditariedade.

O problema central, porém, continua a ser o da identidade. A identidade é, para a pessoa, o que a unidade é para o texto; a identidade é a unidade que encontro em alguém quando o examino como examino um texto. Prosseguindo nessa comparação, poder-se-ia associar o esquizofrênico a um livro mal paginado”.

A Gulag de Alckmin pretende retirar os drogados das ruas e curá-los. E depois? Voltarão a morar nas ruas?

RIO DE JANEIRO
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BRASÍLIA
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