A pobreza leva à loucura

Estudos estabelecem relação direta entre a desigualdade social e a incidência de doenças mentais nos desassistidos

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por Gabriel Bonis

Na Londres do século XIX, Charlie Chaplin viveu uma infância atormentada pela pobreza e a instabilidade familiar. O ícone do cinema mudo perdeu o pai para o alcoolismo e acompanhou o declínio mental da mãe em meio à miséria. Embora evidências recentes sugiram que a “loucura” de Hannah Chaplin tenha sido causada pela sífilis, o comediante registrou em sua autobiografia que os problemas mentais da matriarca, surgiram porque ela passava fome para que os filhos pudessem comer.

Ainda que cientificamente incerto, o caso é um exemplo longínquo da relação entre pobreza e transtornos mentais, estudada ao menos a partir dos anos 1930. Desde então, surgiram pesquisas mais contemporâneas, entre elas uma análise que transplanta essa correlação ao Brasil. Feita em 2013 com dados do Censo do IBGE de 2010, um levantamento da ONG Meu Sonho Não Tem Fim indica que das mais de 2,4 milhões de pessoas com problemas mentais permanentes acima de 10 anos no Brasil, 82,32% são pobres.

pobreza loucura estatística

Dentro desta proporção, 36,11% não possuíam rendimentos mensais e 46,21% viviam com até um salário mínimo. Outras 15,49% estavam na faixa entre um e cinco salários e apenas 2,19% recebiam acima desse patamar. “É preciso considerar que esses problemas também são causados por aspectos como a genética, mas a falta de uma alimentação mínima pode contribuir para o aparecimento de doenças que afetam o desempenho mental”, afirma Alex Cardoso de Melo, responsável pela pesquisa e idealizador da ONG, focada em trabalhos educativos com populações carentes.

A ideia de traçar a relação entre pobreza e problemas mentais no Brasil, diz Melo, surgiu após a divulgação de um estudo de 2005 de Christopher G. Hudson, Ph.D em politicas de saúde mental. O trabalho analisou dados de 34 mil pacientes com duas ou mais hospitalizações psiquiátricas em Massachusetts, nos Estados Unidos, entre 1994 e 2000. E concluiu que condições econômicas estressantes, como desemprego e impossibilidade pagar o aluguel, levam a doenças mentais. E mais: a prevalência destas enfermidades nas comunidades ricas analisadas foi de 4%, contra 12% nas mais pobres.

Os estudos sobre o tema percorrem as décadas e suas conclusões são similares nestes períodos, descobriu o doutor em Psicologia Fernando Pérez del Río, do projeto Homem de Burgos, na Espanha. No estudo Margens da Psiquiatria: Desigualdade Econômica e Doenças Mentais, ele analisou mais de 20 levantamentos sobre o tema e reuniu as principais conclusões.

Entre elas, está a de que em países desenvolvidos como EUA e Reino Unido existem mais doentes mentais, proporcionalmente, que na Nigéria, Dinamarca, Noruega e Suécia. E que estudos estabelecem uma relação entre o grau interno desigualdade econômica de um país como condicionante direta da saúde mental de seus cidadãos.

Exemplo disso é o estudo The Distribution of the Common Mental Disorders: Social Inequalities in Europe, de 2004. O documento, citado por Del Río, indica que dos 20% da população europeia de baixa renda, 51% possuem algum transtorno menta­l grave. São pessoas que, devido a suas dificuldades de adap­tação social, acabam condenadas a trabalhar em condições precárias e com salários insuficientes, levando a má nutrição e à manutenção do circulo de pobreza e exclusão.

A integração social, por outro lado, é determinante para o acesso dos cidadãos aos seus direitos e a suas expectativas de futuro. “Ser pobre em uma sociedade rica pode ser ainda mais danoso à saúde que o ser em uma área de extrema miséria”, conta Del Rio, a CartaCapital. “É obviamente muito difícil trabalhar a frustração em uma sociedade rica, onde as expectativas são mais altas e se deprecia o fracasso.” Algo que pode ser retratado por um estudo da Organização Mundial da Saúde de 2004, no qual foi identificada a prevalência de 4,3% de transtornos mentais na conturbada Xangai, na China, contra 26,4% nos EUA.

Del Río destaca, em seu estudo, que os problemas de saúde de uma população também estão ligados a forma como a desigualdade de poder econômico e social condiciona as políticas públicas. “As doenças mentais são uma construção social. A desigualdade torna as sociedades mais classistas, o que significa que as origens familiares interferem mais nas posições sociais, o que implica na transmissão intergeracional da pobreza”, diz a CartaCapital.

Sob esse ângulo, revelam os estudos, países com menos diferenças econômicas entre seus habitantes possuem os cidadãos mais sãos. Enquanto nações com políticas neoliberais mais agressivas e individualistas estariam mais sujeitas a problemas mentais por retratar as pessoas necessitadas como “parasitas sociais”. Um cenário que reforçaria ansiedades e os níveis de estresse, favorecendo o aumento destas doenças.

No artigo The Culture of Capitalism, Jonathan Rutherford, docente de Estudos Culturais da Universidade de Middlesex, na Inglaterra, acrescenta que uma sociedade desigual é mais violenta, pois não dá o apoio correto aos seus cidadãos. O que evidencia uma vulnerabilidade capaz de gerar ansiedades. E isso pode piorar com a crise mundial e os cortes de benefícios sociais na Europa, defende Del Río. “Hoje a situação é pior, pois está se produzindo um corte das ajudas, que levam as pessoas a situações limites.” In Carta Capital, maio 2013

Psicólogos y torturadores. A propósito del escándalo de la CIA

 

por Claudia Cinatti

 

En el informe del Comité de Inteligencia del Senado norteamericano sobre el programa de interrogatorios de la CIA, aparecen con insistencia los nombres de Grayson Swigert y Hammond Dunbar, seudónimos de los psicólogos James Mitchell y Bruce Jessen. Estos psicólogos, que trabajaban para otras unidades militares, fueron contratados por la CIA en 2001 para colaborar en la “guerra contra el terrorismo”, por una suma millonaria de 180 millones de dólares, de los cuales ya se embolsaron unos 80 millones.
Aunque el escándalo estalló ahora, la complicidad de la American Psychological Association (APA) con la CIA y otras agencias de seguridad nacional se conoce desde hace años. En 2005, la entidad encomendó a un grupo especial hacer un informe sobre Ética Psicológica y Seguridad Nacional. La investigación concluyó que “participar en roles consultivos en procesos de interrogación y recolección de información para propósitos relacionados con la seguridad nacional es consistente con el Código de Ética de la APA, dado que los psicólogos tienen una larga tradición de desempeño en instituciones penitenciarias”.

La APA se transformó así en la única asociación de profesionales de salud mental de Estados Unidos que autorizaba a sus miembros a participar de interrogatorios, y por lo tanto la única contratada por la CIA, el Pentágono y otras agencias vinculadas a la guerra contra el terrorismo. La American Psychiatric Association no autoriza a sus miembros a participar oficialmente de esta tarea.

Esto fue denunciado en una carta pública firmada por una gran cantidad de psicólogos en junio de 2007, después que saliera a la luz la colaboración de psicólogos en las cárceles de Guantánamo, Afgasnistán e Irak.

Estos psicólogos torturadores se basaron en la teoría de la “indefensión adquirida” (Learned Helplessness) un concepto formulado a fines de la década de 1960 por Martin Seligman y S. Maier, a partir de un resultado accidental surgido de la observación del comportamiento animal en un experimento de condicionamiento tradicional (perros sometidos a shock eléctrico luego de una señal sonora). Lo novedoso de este hallazgo no era el condicionamiento, que ya hacía tiempo era el centro de las teorías conductistas o reflexológicas, sino que el estado de impotencia también es aprendido a partir de la experiencia de perder el control sobre el estímulo, lo que lleva a una situación de aceptación pasiva. Este concepto saltó del campo animal al humano para explicar sobre todo la depresión.

Es sabido que la clave del interrogador es quebrar la voluntad del interrogado y someterlo absolutamente. La tortura en este caso actuaba como condicionamiento para lograr una conducta de colaboración. Esta técnica de reducción de la voluntad es la clave de los campos de concentración y, en muchos casos, de las prisiones.

Lamentablemente, la colaboración de quienes tienen algún saber sobre la subjetividad con torturadores, dictaduras y regímenes totalitarios, no es nueva. El caso trae inevitablemente el recuerdo de Amílcar Lobo, miembro de la Sociedad Psicoanalítica de Rio de Janeiro, que en la década de 1970 integró equipos de torturadores de presos políticos. El caso fue denunciado por Voz Operaria y tomó estado público internacional por una nota enviada a la revista argentina Cuestionamos.

Esto no es casualidad. En el campo de las disciplinas que investigan el comportamiento humano es donde surgen no solo teorías que contribuyen a liberar a la subjetividad de sus ataduras, sino también técnicas de control social al servicio del orden establecido.

 

O psiquiatra Amílcar Lobo, chamado de doutor Cordeiro nos porões da ditadura
O psiquiatra Amílcar Lobo, chamado de doutor Cordeiro nos porões da ditadura

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“Interessa-me a saúde mental porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês”

DOENÇAS MENTAIS

por Pedro Afonso, médico psiquiatra

 

mente

 

 

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.

Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.
Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

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Transcrito do Facebook, via Margarida Canto/ Isabel Castanho

Brasil ganhará o primeiro Nobel e será de medicina

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Para acabar de vez com o mito do Brasil cordial, a Associação Brasileira de Medicina deve candidatar o psiquiatra forence Guido Palomba para receber o Prêmio Nobel de Medicina, pela descoberta de uma nova doença mental, baseada na mistura do romance Dom Quixote, com vídeo games e a chacina praticada pelo garoto Marcelo Pesseghinni.

Revela o G1: “Pesseghinni será citado em livro sobre criminosos com doenças mentais”.

No dia 13 último anunciou Palomba: “Posso admitir que o menino tinha insanidade mental, um sinônimo para doença mental, doença psíquica”. É, realmente, uma revelação surpreendente.

Laudo aponta doença mental e compara filho de PMs a Dom Quixote

Don Quijote de la Mancha
Don Quijote de la Mancha
O romance de Miguel de Cervantes, Dom Quixote de La Mancha, é considerado a melhor obra de ficção de todos os tempos.

De acordo com o laudo psiquiátrico, o estudante sofria de uma “encefalopatia hipóxica” (falta de oxigenação no cérebro) que o fez desenvolver um “delírio encapsulado” (tinha idéias delirantes). E que também foi influenciado por games violentos.

Assinado pelo psiquiatra forense Guido Palomba, o laudo compara essa perda da noção de realidade vivida por Pesseghini com a do personagem Dom Quixote. No livro, o personagem de Miguel de Cervantes y Saavedra começa ler romances e perde o juízo. Acredita que as histórias que leu foram reais e decide se tornar um cavaleiro andante e parte pelo mundo para viver seu próprio romance. (In G1) 

Essa crendice de ler enlouquece me lembra a pré-adolescência: Toda vez que minha avó paterna me via com um livro, profetizava: “Este menino vai ficar doido de tanta leitura”. Minha mãe, que não gostava dela, incentivava: “Meu filho, não liga para o que esta índia doida diz”.

Estranho que Marcelo ficou “de pouco sal na moleirinha” pelos livros que leu (quantos romances? Isso não foi revelado).

Agora, comparar Dom Quixote a um serial killer é nunca ter lido o livro. Deve ser coisa de Sancho Pança, que também nunca existiu.

O romance de Cervantes constitui uma parodia dos livros de cavalaria, um retrato burlesco dos cavaleiros errantes.

Mas real seria a identificação de Marcelo com Cervantes. Que na vida real, possivelmente, mandou para o além algum vivente. E teve uma vida criminosa. Inclusive se diz que Dom Quixote foi um livro escrito no cárcere.

Tal  a controvérsia levantada sobre Marcelo de ser canhoto ou destro, existe uma discussão sobre a mão decepada de Cervantes. Uns dizem que perdeu na batalha de Lepanto na Itália, em 1571. Outros, que por punição, pelo crime de ser homossexual.

Colombia. Un cadáver esquizofrénico

Colombia guerrilha indignados

Álvaro Marín –  El ojo del cangreso
En la junta médica de un hospital psiquiátrico, un psicólogo trataba de explicar la presencia simultánea de la violencia y la pasividad en una misma cultura, y exponía el caso de Colombia.

La única teoría válida que encontraba el médico para este comportamiento era pensar que a los colombianos nos estaban dando algo en la sopa. La teoría paranoide del psiquiatra encontraba sustentación en la existencia de la tolerancia del país con los “crímenes atroces”…  así decía el médico, como si cualquier crimen no fuera atroz. Llama la atención la influencia en el médico de la retórica “humanista” transnacional, suponer que hay unos crímenes atroces, es suponer también que hay crímenes que no lo son, por ejemplo, los “blancos legítimos” que ahora somos todos los colombianos.

Un columnista bastante conocido afirma que en el país hay dos esquizofrenias. Miren pues, Colombia ya está tan loca que en ella caben dos esquizofrenias, pensé como lector: ¡qué país tan descocado! Y tan feliz, somos el país más feliz del mundo. El periodista de la tesis de las dos esquizofrenias, y quien trabaja en la esquizofrénica revista Semana, señalaba la existencia de una esquizofrenia en el gobierno y otra en la insurgencia. El periodista omitió su propia esquizofrenia de caballero sin caballo, si no, serían tres las esquizofrenias, y cuatro con la nuestra, o cinco con la del medio en el que trabaja, que dedica una semana de sus páginas a hacer el registro de víctimas de la violencia, y la semana siguiente a victimizar a los campesinos que protestan señalándolos de aliados de los insurgentes o de los narcos. Como vamos, en poco tiempo no hablaremos de un país multicultural sino de un país multiesquizofrénico en medio de ese mundo bipolar que es el planeta tierra.

Tal vez tengan razón el médico y el periodista. Si la sopa de todos los días en nuestro país durante más de cien años es la sopa de la violencia, el resultado no puede ser otro que el presentado por el reciente Informe del Centro Nacional de Memoria Histórica. La manera como la persistente violencia ha afectado al país en su salud mental y en su comportamiento ético nos muestra el abismo de la conciencia vacía, y a pesar de todo, el país no está todavía en situación, como quería el poeta Gaitán Durán cuando presentó al país la Revista Mito y escribió precisamente Las palabras están en situación, es decir, que la palabra expresa al mismo tiempo un entorno cultural y una realidad histórica. Pero las palabras dejaron de estar en situación cuando empezamos a nombrar unas cosas con los nombres de otras y a privilegiar la fuerza sobre el diálogo.

La esquizofrenia nacional realmente empezó con la división bipolar entre Bolívar y Santander. Bolívar veía en la Independencia la materialización de la libertad y en el otro polo Santander,- padre de los abogados -, veía lo mismo pero al revés, la libertad sustentada en la dependencia del nuevo imperio.

Desde esos tiempos el sentido de libertad resultó ambiguo, durante mucho tiempo se consideró a Estados Unidos, – y todavía nuestras élites lo hacen – como norte de la libertad, aunque Bolívar ya nos lo había advertido: “Los Estados Unidos parecen destinados por la providencia a plagar la América de miseria en nombre de la libertad”. Pero el imperio más dañino ha sido entre nosotros el imperio de los abogados y el de la retórica de la que hacen parte nuestras constituciones y nuestra literatura, de estos imperios retóricos no nos hemos podido liberar.

Este país retórico se ufana de tener la democracia más duradera en Latinoamérica, al lado de la muerte más duradera: los 220 mil muertos que registra el Informe del Centro de Memoria son solo el registro de la última violencia, sin contar el registro sangriento dejado por los partidos tradicionales antes y después de la muerte de Gaitán. El Informe indaga en los orígenes de nuestras fracturas mentales, sociales y económica, aunque habría que enfatizar en el entronque de las violencias de la que hace parte la guerra actual. Lo que el informe muestra es muy importante, pero no sobra insistir en las prácticas político militares de las élites en Colombia, en donde la violencia ha sido el sistema de gobierno y de poder. Las élites criminales de Colombia que los son hasta el delirio y la paranoia oculta la violencia oficial cuando se habla de “sectores” en conflicto, fragmentando la violencia y desarticulándola de su centro, porque realmente en Colombia la violencia funciona y ha funcionado como sistema, no como “sector”. Otro componente de la violencia entre nosotros y de necesario énfasis en cualquier estudio, es el hecho histórico de la dependencia política del poder norteamericano y mundial que incide de manera directa en la violencia. La política norteamericana y su influencia militar, al lado de la incidencia de la economía transnacional, son factores de fuerte incidencia violenta en los territorios.

El caso es que la historia de Colombia lleva en su espalda un largo cadáver, un cadáver esquizofrénico, que está muerto y que está vivo a la vez. Colombia carga desde hace mucho tiempo con su propio cadáver, pero según algunos medios Colombia dice estar feliz y estar viva. Algunos ven cerca la posibilidad de Colombia de liberarse de la muerte en los procesos de paz, pero con la esquizofrenia de hablar de paz matando campesinos y reprimiendo de manera sangrienta las marchas de protesta hay poca esperanza. La paz ayudaría en la sanación mental de Colombia, si esta república encuentra por fin su camino no escindido, no dependiente, y si la paz que se promulga desciende investida de justicia a los territorios de los millones de sobrevivientes de más de sesenta años de guerra continua que ha desquiciado todas las formas de relación, y a la nación misma. Nadie puede preciarse entre nosotros de tener buena salud mental.

Botero
Botero

Solidariedade entre as gerações. Suicídio de idosos

«Um povo que não cuida dos idosos, das crianças e dos jovens não tem futuro, porque trata mal a memória e a promessa». Afirmou o Papa Francisco.

O trabalho infantil, o tráfico de crianças (os desaparecidos), a prostituição infantil e a criança soldado das milícias e dos traficantes são crimes que fazem partem do cotidiano brasileiro.

O que dizer do idoso, quando é tratado como uma piada mórbida, uma peça obsoleta, carta fora do baralho?

Com que idade, no Brasil, uma pessoa começa a ser rejeitada – descartada – no mercado de trabalho?

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Suicídio de Idosos

por Luiza Gualhano

 

No dia 6 de fevereiro último, a antropóloga e sanitarista Maria Cecília Minayo, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, participou de um debate no programa “Tema Livre”, da Rádio Nacional AM Rio de Janeiro (1.130 Khz), sobre o aumento dos casos de suicídios de idosos, um quadro muito preocupante apontado por pesquisa nacional realizada pela Fiocruz/Claves em 2012.

Sob o comando de Luiz Augusto Gollo, o debate contou também com Jaqueline Pitanguy, socióloga e coordenadora executiva da ONG CEPIA (Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação), e Zenaide Rocha, coordenadora regional do Centro de Valorização da Vida (CVV).

Cecília Minayo coordenou a “Pesquisa nacional sobre suicídio de idosos e proposta de atuação do setor de saúde”, a qual identificou que enquanto o índice de suicídio no Brasil é em torno de 4,5% para cada 100 mil habitantes, entre idosos do sexo masculino, este índice dobra, podendo subir a 20% ou até 25% para cada 100 mil habitantes, dependendo dos lugares. Já a taxa de mulheres que cometeram suicídio no período analisado (1980-2009) quase não sofreu alteração.

A população idosa cresce no país, porém o suicídio nessa faixa etária também vem aumentando, e isto os levou a procurar saber o que está acontecendo, destacou a pesquisadora.

O jornalista Luiz Augusto Gollo questionou se o fato do homem afastar-se do mercado trabalho o leva a um isolamento, pois o faz sentir-se inútil. Gollo relatou que na velhice há perda da função social produtiva, de ganho financeiro. Além disso, esse idoso acaba tendo que voltar a trabalhar porque a renda da aposentadoria é muito baixa, contudo ele é preterido por uma mão-de-obra bem mais jovem. Em nosso país, infelizmente há uma cultura que tende a relegar o velho ao esquecimento, a um papel muito secundário na sociedade, declarou.

Jaqueline Pitanguy disse que pela forma como a nossa sociedade se organiza em torno do mito da juventude, de tudo o que ela traz, o envelhecimento representa uma perda, perda em nível corporal, financeiro, perda do sentido da pessoa no mundo. Ela acredita que para os homens talvez essa perda seja mais difícil e dolorosa, porque o papel masculino está muito calcado a partir da identidade profissional do homem, da ideia de potência, realização e então a perda torna-se mais significativa para o homem do que para a mulher. Nesse sentido, na medida em que a casa, o cuidado do lar, dos filhos e netos nunca foi a fonte de prazer principal na vida dele, a aposentadoria para o homem torna-se uma ruptura com a vida como um todo.

Zenaide Rocha afirmou que o suicídio em idosos é um problema que não é falado porque falta informação, sendo muito importante que todos tenham conhecimento da pesquisa realizada pela Fiocruz. Ela ressaltou que o CVV está aberto a todas as pessoas que queiram falar sobre os sentimentos que a estão infligindo e assim, estão colaborando para a prevenção do suicídio, pois a pessoa que fala dos seus problemas lá no início antes mesmo de ter pensamentos de morte, se ela tem alguém que a escute, que faça esse acolhimento, isto pode colaborar efetivamente para que ela mude de rumo e deixe de pensar em dar fim à sua própria vida. Zenaide comentou ainda que há vários fatores que contribuem para essa sensação de menos valia do idoso, porém também existem aspectos positivos e não só negativos na velhice, como por exemplo, os avanços na ciência e em tratamentos de saúde, melhoria na alimentação, acesso a exercícios físicos, ao lazer, possibilitando maior qualidade de vida e longevidade.

Cecília Minayo ressaltou que apesar de em outros países como na Europa, nos Estados Unidos e nas culturas orientais o idoso ser mais respeitado do que aqui, não podemos mitificar nada, porque na Europa há mais suicídio do que no Brasil, nas sociedades orientais também, em última instância há uma forte carga cultural nas taxas de suicídio e cada ato é uma decisão pessoal, paradoxalmente é uma opção de vida.

A antropóloga chamou a atenção para aspectos encontrados na pesquisa a respeito do suicídio dos homens idosos. Ela disse que a perda do status social tem um papel muito importante, sobretudo para os homens que se acostumaram a viver apenas do trabalho e dele derivar todas as suas relações sociais. Geralmente eles não pensam no momento após a aposentadoria. É como se para ele restasse um não-lugar social. Segundo a pesquisadora, mais de 85% dos idosos no Brasil são saudáveis, o que não quer dizer que não tenham algum problema de saúde, mas são ativos, têm autonomia. Porém há um percentual importante de 15% de idosos que começam a ter problemas de saúde sérios que exigem cuidados, perda de autonomia e, no caso dos homens, os maiores sofrimentos estão associados também à perda de sua potência sexual. “Nós homens dizendo: “eu não tenho mais que viver, eu não sou mais homem”. A questão do machismo se expressa não só no trabalho, não só no domínio da família, mas em todos os domínios da vida e nas formas de morte.

Com relação ao suicídio da mulher idosa, Cecília Minayo relatou que, embora em quantidade muito menor do que entre os homens, além de uma série de fatores, corrobora fortemente a perda da função social como esposas e como mães. Muitas justificam a desistência da vida, por acreditarem que cumpriram sua missão na terra.

A pesquisadora também destacou que no Brasil, a relação de idosos que pensam ou tentam cometer suicídio é de 4 para 1. O que ela gostaria de frisar é que como a pesquisa é voltada para a área de saúde, e na atenção primária, o mais importante é manter o idoso em atividade. A primeira medida preventiva é manter o idoso valorizado e em atividade e a segunda medida é um alerta para os profissionais de saúde e os familiares: quando um idoso falar em se matar ou tentar fazê-lo, esses agentes precisam acreditar no que ouvem e no que presenciam. Esses idosos precisam  ser acompanhados e cuidados mais de perto por alguém da família e ter paralelamente uma assistência profissional, de preferência de um psicólogo. Ela lamentou que os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) não estejam preparados para enfrentar esse problema, o que é fundamental, tendo em vista que a população brasileira está envelhecendo e a área de saúde precisa acompanhar tais mudanças.

20/02/2013 – Revista Ciência & Saúde Coletiva 

Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Um milhão de pessoas por ano. Isso é mais do que mortes por conflitos, guerras e homicídios combinados

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O dia passou em branco. O suicídio é, realmente, um tabu no Brasil. Mas nestes tempos de despejos para as obras da Copa do Mundo, lembro para as autoridades do Executivo e para a Justiça:  Que  a segunda maior causa de morte está entre jovens de 15 a 25 anos. As taxas estão associadas à crise econômica, ao aumento no número de desempregados e também fatores sócio-econômicos, como urbanização e migração.

Estão previstos 250 mil despejos nas doze capitais que se candidataram para construir arenas para os jogos.

Em todo o mundo um milhão de pessoas por ano comete suicídio. Isso é mais do que mortes por conflitos, guerras e homicídios combinados. A declaração é da Organização Mundial da Saúde (OMS), que marca nesta segunda-feira (10), o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Segundo relatório da OMS, a cada 40 segundos uma pessoa se suicida no mundo; o número de tentativas de suicídio chega a 20 milhões por ano; ou seja, 5% das pessoas no mundo fazem uma tentativa de suicídio pelo menos uma vez em sua vida.

O relatório afirma que os países precisam tomar providências de combate ao problema dificultando o acesso das pessoas a armas, álcool, drogas e pesticidas. Além disso, a simples construção de barreiras em pontes pode levar a uma diminuição de casos.

A agência da ONU informou que as tentativas de suicídio são mais comuns entre mulheres, porém o número de óbitos é maior entre os homens. E a segunda maior causa de morte está entre jovens de 15 a 25 anos. As taxas estão associadas à crise econômica, ao aumento no número de desempregados e também fatores sócio-econômicos, como urbanização e migração.

Uma outra causa para que alguém tente tirar a própria vida são os problemas mentais. Por isso, a OMS preparou uma série de diretrizes para a mídia pedindo que a representação do suicídio seja feita de forma responsável reduzindo a estigmatização desse grupo de pessoas.

Uma outra dica da agência para ajudar na prevenção é a identificação de pessoas com depressão e ansiedade.

Hojemente, no Brasil, quando se quer destruir uma pessoa, basta dizer que é louca. Nem precisa atestado psiquiátrico.

Outra face cruel: as pessoas fogem dos suicidas e dos velhos.

prevenir

Porque ninguém se preocupa, informo sem nenhum destaque: tradicionalmente o número de suicídios é maior entre os velhos, idosos e anciãos.

Holocausto dos loucos e tráficos de cadáveres e órgãos humanos

Quando se queria desacreditar uma pessoa no Brasil bastava chamar de ladrão ou corno ou fresco. Hoje a morte social vem da classificação de louco. – Fulano é doido. Ponto final. O indivíduo está morto socialmente. Nem precisa atestado psiquiátrico.

Tão costumeiro ser ladrão, corno e gay, inclusive vantajoso, para se manter no emprego e realizar bons negócios.

Falar em holocausto não comove ninguém. No Hospital Colônia, em Minas Gerais, mais de 60 mil pessoas perderam a vida, sendo 1.853 corpos vendidos para 17 faculdades de medicina até o início dos anos 1980, um comércio que incluía ainda a negociação de peças anatômicas, como fígado e coração, além de esqueletos.

Ninguém acredita em tráfico de cadáveres. Quem trafica cadáveres faz outros serviços sujos para a medicina de vanguarda. Que nunca vi bilionário na fila de transplantes.

Por esta manchete é um negócio bem legal:

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Tribuna de Minas, em 20 de novembro de 2011: Mulheres eram mantidas em condições subumanas. Ociosidade contribuía para morte social

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Não se morre de loucura. Pelo menos em Barbacena. Na cidade do Holocausto brasileiro, mais de 60 mil pessoas perderam a vida no Hospital Colônia, sendo 1.853 corpos vendidos para 17 faculdades de medicina até o início dos anos 1980, um comércio que incluía ainda a negociação de peças anatômicas, como fígado e coração, além de esqueletos.

As milhares de vítimas travestidas de pacientes psiquiátricos, já que mais de 70% dos internados não sofria de doença mental, sucumbiram de fome, frio, diarréia, pneumonia, maus-tratos, abandono, tortura.

Para revelar uma das tragédias brasileiras mais silenciosas, a Tribuna refez os passos de uma história de extermínio. Tendo como ponto de partida as imagens do então fotógrafo da revista “O Cruzeiro”, Luiz Alfredo, publicadas em 1961 e resgatadas no livro “Colônia”, o jornal empreendeu uma busca pela localização de testemunhas e sobreviventes dos porões da loucura 50 anos depois. A investigação, realizada durante 30 dias, identificou a rotina de um campo de concentração, embora nenhum governo tenha sido responsabilizado até hoje por esse genocídio.

A reportagem descortinou, ainda, os bastidores da reforma psiquiátrica brasileira, cuja lei sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais, editada em 2001, completa dez anos. As mudanças iniciadas em Minas alcançaram, mais tarde, outros estados, embora muitas transformações ainda estejam por fazer, conforme já apontava inspeção nacional realizada, em 2004, nos hospitais psiquiátricos do país.

A série de matérias pretende mostrar a dívida histórica que a sociedade tem com os “loucos” de Barbacena, cujas ossadas encontram-se expostas em cemitério desativado da cidade.

Pavilhão onde internos dormiam no “leito único”, nome oficial para substituição de camas por capim
Pavilhão onde internos dormiam no “leito único”, nome oficial para substituição de camas por capim

Esgoto era fonte de água de internos

Entrar na Colônia era a decretação de uma sentença de morte. Sem remédios, comida, roupas e infraestrutura, os pacientes definhavam. Ficavam nus e descalços na maior parte do tempo. No local onde haviam guardas no lugar de enfermeiros, o sentido de dignidade era desconhecido. Os internos defecavam em público e se alimentavam das próprias fezes. Faziam do esgoto que cortava os pavilhões a principal fonte de água. “Muitas das doenças eram causadas por vermes das fezes que eles comiam. A coisa era muito pior do que parece. Cheguei a ver alimentos sendo jogados em cochos, e os doidos avançando para comer, como animais. Visitei o campo de Auschwitz e não vi diferença. O que acontece lá é a desumanidade, a crueldade planejada. No hospício, tira-se o caráter humano de uma pessoa, e ela deixa de ser gente. Havia um total desinteresse pela sorte. Basta dizer que os eletrochoques eram dados indiscriminadamente. Às vezes, a energia elétrica da cidade não era suficiente para aguentar a carga. Muitos morriam, outros sofriam fraturas graves”, revela o psiquiatra e escritor Ronaldo Simões Coelho, 80 anos, que trabalhou na Colônia no início da década de 60 como secretário geral da recém-criada Fundação Estadual de Assistência Psiquiátrica, substituída, em 77, pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). A Fhemig continua responsável pela instituição, reformulada a partir de 1980 e, recentemente, transformada em hospital regional. Hoje, o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB) atende um universo de 50 cidades e uma população estimada em 700 mil pessoas. Leia mais 

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Psicopatia. Quando um chefe é um miserável perverso e impiedoso, monstruoso assediador moral

por Nadja Freire

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1. O seu chefe há um considerável tempo, não está lhe permitindo exercer nenhuma atividade no trabalho de forma assertiva, ou, de forma evasiva está deteriorando e lhe tirando todas as condições de trabalho? E todas as ações produtivas e comunicação do seu setor, e, também os demais funcionários; passam a seu largo? E todos os dias você vai trabalhar e não trabalha? E a você é dada apenas a oportunidade de “contemplar” os seus colegas saudavelmente trabalhar e produzir, e, saudavelmente se relacionar “entre si”? E o contemplar, pois você subitamente percebe que nunca mais, por opção ou coaptação ou coação, de você seus colegas se aproximaram ou permitiram uma aproximação da sua parte; e o entre si, pois você está solitário e totalmente isolado?

2. O seu chefe há um considerável tempo, está lhe sobrecarregando com tarefas possíveis; ou lhe encarregando de tarefas impossíveis? Ou impondo prazos impossíveis para tarefas possíveis? Ou encarregando você, de realizar tarefas bem abaixo de suas possibilidades?

3. O seu chefe há algum tempo, se dirige a você, numa forma desrespeitosamente agressiva ou jocosa? E ao tratar de trabalho, não lhe dá oportunidade de expressar a sua opinião ou esta é bruscamente interrompida; quando não, desrespeitosamente ignorado? Ou passou a lhe ironizar, ridicularizar, desacreditar ou caluniar e difamar você dentro do ambiente de trabalho?

4. O seu chefe há algum tempo, se dirige a você, na forma de simples brincadeiras que não lhes são nem um pouco divertidas e não lhe deixam confortável, e, apelidos que lhe constrangem; e, que são reiteradamente repetidos especificamente porque, notadamente lhe deixam desconfortável e lhe constrangem?

Não, não pense se tratar de algo casual ou insondável ou tampouco que seja uma deficiência de gestão ou tampouco que ele surtou; há um método que está sendo seguido, que estrategicamente está seguindo, toda uma intenção, em pró de um único específico objetivo. A intenção deste chefe é lhe constranger e atingir a sua autoestima, fazendo você se sentir inútil e desnecessário, e, desacreditá-lo e desmoralizá-lo perante todos os funcionários; a intenção deste chefe é deprimi-lo e exterminá-lo psicologicamente! O objetivo deste chefe é, silenciosamente, assassiná-lo psiquicamente! É assassiná-lo psicologicamente a ponto de fazê-lo, e com uma taxa de sucesso avassaladora, pedir transferência ou demissão; alimentando o sonho secreto, e com alto índice de realização, de retirá-lo do mercado de trabalho por real incapacitação funcional por tão abissal-trauma-psicológico, resultante do-acúmulo dos-pequenos-médios-e-grandes-traumas do assédio moral sofrido, ou, mesmo deste mundo através do suicídio, resultante da pressão psicológica do abissal-trauma-psicológico, resultante do acúmulo-dos-pequenos-médios-e-grandes-traumas do assédio moral! Este chefe é um miserável perverso e impiedoso, monstruoso assediador moral, e, você está miseravelmente perversamente e impiedosamente, sendo monstruosamente moralmente assediado; silenciosamente, psiquicamente assassinado!

O assediador não tem nenhum problema psicótico que afete a zona central do eu, pois o seu eu está preservado, e o seu transtorno mental não é psicótico e sim de personalidade; como psicopata (Descrita pela primeira vez em 1941 pelo psiquiatra americano Hervey M. Cleckley, do Medical College da Geórgia, a psicopatia consiste num conjunto de comportamentos e traços de personalidade específicos. São pessoas muito inteligentes, encantadoras à primeira vista, causam boa impressão e são tidas como “normais” pelos que as conhecem superficialmente. No entanto, “costumam ser egocêntricas, desonestas e indignas de confiança”.

Os psicopatas não sentem culpa jamais. Sempre têm desculpas para seus erros, atribuindo-os em geral a terceiros. Raramente aprendem com seus equívocos ou conseguem frear impulsos predadores. Nada menos que 25% dos prisioneiros americanos são diagnosticados como psicopatas, mas as mesmas pesquisas constatam que uma quantidade ao menos equivalente está livre – e no topo. Os especialistas atestam que muitos são profissionalmente bem-sucedidos e ocupam posições de destaque. Por Ruy Fabiano), como psicopata perverso narcisista absolutamente indisciplinável, ser um exterminador psíquico sem sentimentos genuínos e inflexível em sua crueldade e impassível à intercessões comovidas de terceiros, é a sua escolha, psicopatológica, pois sempre egocentricamente manipuladora e sem compaixão ou culpa, mas uma escolha! E é essa escolha que define o ser humano que ele não é; o verdadeiro monstro assediador que escolheu ser! E pouco lhe importa o constrangimento dos demais funcionários no testemunho dessa ação discriminatória e psico-exterminadora; e tampouco os resultados da empresa ou instituição, que ficam inexoravelmente prejudicados. A ele só importa, psiquicamente, lhe exterminar! Quando nada o deterá em sua jornada psicopata, pois psicopatia ou transtorno da personalidade anti-social ou sociopatia não pode ser controlada e não tem cura, a não ser o seu definitivo afastamento das relações de trabalho; pois, se apenas descoberto e contornada a situação, apenas aguardará uma nova oportunidade de revelar a sua personalidade psicopata psiquicamente invasora e destrutiva do outro em seus direitos fundamentais como ser humano e constitucionais como cidadão e trabalhador.

O assediador, não importa sob qual o alter-ego – muitas vezes elencando falsos amigos como protagonistas principais, quando então são os assediadores psicopatas perversos narcisistas, mais miseravelmente monstruosamente impiedosos que se possa imaginar, pois, também está envolvido um dos sete pecados capitais, quando psicopatologicamente são movidos também pela inveja. (Condenada não só pela nossa tradição cristã mas também por filósofos nem um pouco cristão como Kant, que a rechaça como vício na medida em que compele o homem a agir de forma destrutiva contra o outro para remediar essa sua tristeza abominável pela qualificação do outro; a agir ferozmente, para promover e regozijar-se com a infelicidade daqueles especialmente escolhidos por especialmente mais qualificados.) Quando então também alimentados pela inveja, alcançam psicopatologicamente a perversão em seu ápice, e são excepcionalmente de forma anormal, extraordinariamente mais impiedosos e cruéis. – não importa se psiquicamente imaterialmente moldado sob qual arquétipo exterminador de Hitler ou Stalin, será sempre um exterminador psíquico que precisa ser materialmente enquadrado pelo Código Penal, com a imperiosa criminalização do assédio moral; ou, numa leitura mais atual e apropriada, silencioso assassinato psíquico. Que progride, na maioria das vezes, para uma real incapacitação psicológica do assediado ao trabalho, e, consequentemente com a sua definitiva eliminação do mercado de trabalho. Mas que pode, e não são raros os casos, progredir para um ruidoso assassinato de fato, quando resultar em suicídio; pois todas as vezes que uma vítima de assédio moral em desespero se suicidar, houve de fato um assassinato, e o seu assassino de fato é o seu assediador. E tentar psiquicamente sobreviver e não deixar de trabalhar, meu próximo, é combater e vencer o flagelo do assédio moral; é combater e vencer, pois, são sempre adjetivamente miseráveis em seu significado mais negro e sombrio e também tenebroso, pois, sempre será também por demais assustador o nosso contumaz torturador, a personificação do seu pior pesadelo; o seu miserável assediador!

(Continua)

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Seis sessões para aprender a fazer sexo

por Mafalda Santos

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Na calha dos óscares, hoje decidi falar de um tema que é abordado por um dos filmes que ainda se encontra em exibição nas salas de cinema portuguesas e que levou a que Helen Hunt tivesse sido nomeada, este ano, para melhor atriz secundária pela Academia: Seis Sessões ou “The Sessions”, no título original.

“Seis sessões” conta a história verídica do jornalista, poeta e escritor Mark O’Brien, que em criança contraiu poliomielite e que, derivado disso, ficou paralisado até ao resto da sua vida. Mark, apesar de paralisado e condenado a uma maca e a um “pulmão de ferro” que lhe garantia o oxigénio necessário à sua sobrevivência, tinha – à semelhança do comum dos mortais – desejos sexuais que, derivado do seu estado e condição física, não eram satisfeitos ou resolvidos. Por isso, aos 38 anos e ainda virgem, decidiu recorrer a uma terapeuta sexual para o ajudar a ultrapassar esta situação, garantir-lhe confiança enquanto ser sexual ativo e ir até onde nunca ninguém tinha ido.

O filme é uma história comovente, divertida e bastante humana de uma questão que é tudo menos pacífica: as “surrogates” (título original em inglês), que se assumem como terapeutas sexuais e que ajudam a ultrapassar os mais variados traumas, a descobrir o corpo e a permitir que muitos homens em condições físicas adversas (e não só), obtenham o prazer e a confiança de tirar partido e satisfação da experiência sexual plena.

Mas isso não é o que uma vulgar prostituta também faz, perguntam muitos de vocês? Haverá quem diga que sim e há quem diga que não, pelo menos assim defendem estas terapeutas sexuais que, nos Estados Unidos, têm um código de ética e uma Associação Profissional regulada.

Terapeuta ou prostituta? As opiniões dividem-se.

Há diferenças entre uma terapeuta sexual (surrogate) e uma prostituta – e embora a profissão seja polémica e existam códigos de conduta – a verdade é que há estados norte-americanos que não a aprovam e permitem. A linha que divide esta atividade pode ser ténue e confusa para muitos, ficando sempre uma certa indecisão sobre o que acontece entre quatro paredes, mas para estas terapeutas sexuais, o foco da questão não é o sexo, mas sim a familiaridade e a intimidade criada com o paciente, levando-o a quebrar os seus próprios preconceitos e barreiras. Não se procura o prazer pelo simples prazer. Procura-se ultrapassar problemas, aprender, libertar fantasmas e ajudar a que estes homens, no futuro, consigam – com base nos conselhos recebidos – ter uma vida sexual normal e satisfatória com as suas companheiras sem recorrer a mais nenhuma terapia sexual. E isso, tanto se adequa a um deficiente ou paraplégico que não sabe como iniciar a sua vida sexual ou o que fazer, por total ausência de contacto físico nesse sentido, como a um homem perfeitamente normal que viva assombrado pelo medo de não proporcionar prazer.

A terapia também se paga… e bem!

Na Europa não há equiparação possível. Não há cá “surrogates” que valham aos nossos deficientes ou aos nossos homens que tenham problemas sexuais e necessitem de ajuda. Ou resolvem a coisa com psicoterapia e eventuais tentativas de erro, ou estão entregues à sua própria sorte. A profissão “terapeuta sexual” não existe nem é reconhecida e tudo o que recorra a serviços que envolvam sexo pelo meio e que são pagos, só há uma catalogação possível: prostituição.

Voltando ao filme “Seis Sessões” e ao papel interpretado por Helen Hunt – que deu vida à terapeuta sexual (ou surrogate) Cheryl Cohen Greene – hoje com 68 anos e ainda em exercício das suas funções, a mesma refere; “Necessitamos de um parceiro para resolver a maior parte dos nossos problemas sexuais e para os homens solteiros e sem companheira, isso é um enorme problema.”

A senhora Greene, que permaneceu amiga do escritor Mark O’Brien até à morte do mesmo em 1999, continua casada com um “maravilhoso e compreensivo companheiro”, segundo palavras da mesma, podendo lucrar por ano, mais de 50 mil dólares. O preço das consultas ronda os 300 dólares e tem a duração de 2 horas, não ultrapassando em número, as seis sessões. Geralmente é na sexta e última sessão que ocorre penetração e, por regra, não existe mais contacto físico ou presencial. O objetivo não é tornar a terapia recorrente, como se fossemos ao psicólogo ou fidelizar clientes. O objetivo é dar-lhes as ferramentas para, a partir daqui, dependerem de si próprios.

E se a senhora Greene foi uma percursora deste tipo de terapia, hoje podemos dizer que o preço dos seus serviços até é bastante em conta e com um grande desconto, pois há surrogates a cobrar entre 3.000 e 5.000 dólares por sessões de duas horas e com um número mínimo que variam entre as 12 e as 15, ou seja, mais do dobro que as praticadas pela senhora Greene.

Caso para dizer que, como em tudo na vida, a quantidade nem sempre significa qualidade do serviço.